20 dezembro, 2020

CABREIRA, António - DETERMINAÇÃO EXACTA DA DATA DA MORTE DE CRISTO : ilustrada com a mais antiga iconografia da crucificação.
Por... Conde de Lagos
. Lisboa, Edição do Autor, 1933. In-4.º (26 cm) de [2], 28, [6] p. ; [2] f. il. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho histórico sobre a determinação temporal da morte de Jesus Cristo.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado com duas estampas extratexto, sendo uma delas o retrato do autor, e a outra, A mais antiga iconografia da Crucificação (Século VI). Inclui ainda em folha separada do texto um desdobrável: Plano-esquêma dedutivo da solução.
"Os primeiros três Evangelhos conduzem, literalmente, à data 7 de Abril de 30. O Evangelho, segundo S. Mateus, diz que a Ceia se efectuou «no primeiro dia da festa dos pães asmos» chegada a «tarde». Ambas as afirmações estão reproduzidas, quasi textualmente, no Evangelho, segundo S. Marcos, vendo-se, também, a primeira, em substância, no Evangelho, segundo S. Lucas, que, em vez de «tarde», emprega «hora». E como o dia hebraico se antecipa seis horas ao dia civil, e se depreende de todos os textos que Cristo foi crucificado em sexta feira, a data a deduzir será aquela em que o dia 15 de Nissan tiver sido sexta feira, durante os anos de 28 a 36, no decorrer dos quais, se sabe, Pilatos governou a Judea."
(Excerto do Cap. I, Dualidade aparente de solução)
Matérias:
I - Dualidade aparente de solução. II - Determinação indirecta. III - Determinação directa. IV - Hipóteses de diversos autores. V - A mais antiga iconografia da Crucificação.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

19 dezembro, 2020

COSTA, P.ᵉ Avelino de Jesus da - A ORDEM DE CLUNY EM PORTUGAL.
[Pelo]... Bolseiro do Instituto para a Alta Cultura
. [S.l.], Edições Cenáculo, 1948. In-4.º (24 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio sobre a Ordem de Cluny em Portugal, e para a gesta da fundação da nacionalidade.
"A 11 de Outubro de 910, Guilherme o Pio, Duque de Aquitânea, fundou em Cluny, no Departamento de Saône-e-Loire (Borgonha, França), o mosteiro beneditino de S. Pedro.
Este mosteiro, situado num lugar deserto, tornou-se um dos mais importantes de todo o mundo por ser a casa-mãe da grande Ordem religiosa do mesmo nome.
Segundo os «Costumes de Cluny», os religiosos estavam obrigados à mortificação, obediência, silêncio, trabalho manual, estudos das ciências sagradas e profanas e hospitalidade para com os estrangeiros.
O prestígio dos sucessivos Abades e dos respectivos monges fêz com que a nova Congregação se ramificasse ràpidamente por tôda a França, onde, no século XII, contava dois mil mosteiros.
Os conventos beneditinos, que adoptaram esta reforma e que até então eram autónomos, passaram a obedecer ao Abade de Cluny, chamado, por isso, o Abade dos Abades."
(Excerto do Cap. I, Introdução: Fundação e influência)
"O Conde D. Henrique veio à Espanha «para ser o fundador da independência dos Portugueses» afirmou Herculano.
Esta vinda e independência não foram ocasionais, mas a consequência lógica da política que, desde há muito, a França vinha seguindo na Península, procurando «conquistar posições que não só lhe facultassem a necessária vigilância sobre os Sarracenos, mas impedissem a formação de um império de inconveniente grandeza para a jovem monarquia dos Capetos». [...]
Dentro desta política de equilíbrio peninsular, a Ordem de Cluny amparou e orientou as tendências autonomistas que se iam revelando, quando não era ela mesma que as fazia desabrochar. [...]
O Conde D. Henrique, que, após o casamento com D. Teresa, recebera o Condado Portucalense em dote, governava-o sob a direcção superior de Afonso VI.
O Conde, porém, aparece-nos, em breve, cercado de uma côrte quase régia, dando mostras de um desejo ardente de conquistar plena autonomia, no que ia de encontro a antigas tradições e «a ancestrais aspirações à independência». [...]
D. Henrique encontrou um poderoso auxilar na Ordem de Cluny, cujos monges defendiam, como dissemos, os interesses das terras onde se encontravam, como se dela fossem naturais, para mais fàcilmente cumprirem a sua missão religiosa."
(Excerto do Cap. II, Cluny na formação de Portugal: Preparando o ambiente; Em defesa da independência)
Matérias:
I - Introdução: Fundação e influência; Cluny e Afonso VI de Castela. | II - Cluny na formação de Portugal: Preparando o ambiente; Em defesa da independência; S. Geraldo; D. Maurício Burdino; Gratidão a Cluny. | III - Decadência de Cluny: No governo de D. Teresa; No reinado de D. Afonso Henriques; Cluny não foi hostil à nossa independência; Os mosteiros clunianenses nunca foram dos Cónegos Regrantes; D. Afonso Henriques não extinguiu os Mosteiros de Cluny; Visitas e Capítulos Gerais de Cluny. | Apêndice: [19 Documentos] - A) Documentos do Mosteiro de Rates. B) Documentos de Vimieiro. C) Documentos de Santa Justa de Coimbra.
Avelino de Jesus da Costa (1908-2000). "Nascido em Janeiro de 1908 na pequena aldeia de Vila Chã (Ponte da Barca), no norte de Portugal. Criado no seio de urna familia crista, despertou ai a sua vocacào sacerdotal. Ingressou nos Seminarios da Arquidiocese de Braga em 1920. Foi ordenado presbítero em 1933, tendo antes frequentado a Faculdade de Filosofía da Universidade Gregoriana, em Roma. Por motivo de doença, que o obrigou, desde então, a ter especiais cuidados com a saúde, regressou a Portugal com o grau de bacharel. Depois de leccionar durante dez anos no Seminário Menor de Braga, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Ciências Históricas e Filosóficas, em 1951, com a tese «Calendários Portugueses Medievais». No ano seguinte foi contratado para segundo assistente da Faculdade de Letras. Prestou provas de doutoramento em 16 de Dezembro de 1960, tendo apresentado a tese «O bispo D. Pedro e a organização da Diocese de Braga». Ascendeu a catedrático em 1971. Em Outubro de 1972 foi nomeado cónego da Sé de Braga.
(Fonte: https://core.ac.uk/download/pdf/83563737.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

18 dezembro, 2020

SALAMONDE, Eduardo - BORDALLO PINHEIRO. Rio de Janeiro, [s.n. - Typographia Aldina, Rio], 1899. In-8.º (18,5 cm) de 48, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Folheto mandado imprimir por um grupo de amigos de Rafael Bordalo Pinheiro residentes no Rio de Janeiro, pretendendo desta forma homenagear o homem e o artista.
A obra divide-se em duas partes, sendo a primeira dedicada a Bordalo Pinheiro, o caricaturista - e a segunda, a Bordalo Pinheiro, o oleiro, com alusões históricas à indústria das Caldas.
Ilustrado com um retrato do homenageado em página inteira.
"Eça de Queiroz e Bordallo Pinheiro parecem ser os mais claros e poderosos representantes da arte portugueza ao findar este seculo febril, em que a nivelação das intelligencias, o derramamento da cultura, a aproximação cada vez mais intima dos corações e dos cerebros vão desnacionalizando a arte, dando a todas as expressões de sensibilidade e de pensamento como que um unico typo de emoções e de idéas. [...]
Ora, em Portugal um dos dois grandes homens, que comprehenderam o povo, que sentiram a sua tradição, que a accomodaram ás exigencias do seculo, que lhe descobriram os grande veios emocionaes, que deram á obscuridade da sua força productora a fascinação de uma admiravel renascença, foi Raphael Bordallo Pinheiro.
Quando ha vinte annos nos deixou, elle era simplesmente, mas inimitavelmente, um caricaturista."
(Excerto do Cap. I, O caricaturista)
"A esse sentimento da tradição, profundo em Raphael Bordallo Pinheiro, se deve o renascimento da industria ceramica das Caldas, de que tão curiosos vasos, tigelas, pucaros, malgas, infusas e panellas, com o seu relevo tão vivo e o seu esmalte tão alegre, attestavam a excellencia do barro e o gosto dos antigos oleiros. A região das Caldas é de velha data um viveiro de obscuros artistas, em que a aptidão technica e o senso profissional se desenvolvem, tornando-se como innatos, á força de passar de pais a filhos, no correr de seculos, esse officio da fabricação de louça. [...]
Dar alento a uma industria que modorrava; crear uma grande fonte de actividade e de producção; estabelecer ao mesmo tempo com essa manufactura de tanto prestimo e tão superior belleza um fóco de alta educação artistica."
(Excerto de O oleiro)
Encadernação editoria em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse bordaliano.
Peça de colecção.
Indisponível

17 dezembro, 2020

EXTRACTOS DAS ANALYSES SCIENTIFICAS E PRATICAS DO CARVÃO DE PEDRA DAS MINAS DO CABO MONDEGO SITUADAS NA FREGUEZIA DE BUARCOS, CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ, DISTRICTO DE COIMBRA.
E de varios relatorios officiaes de engenheiros nacionaes e estrangeiros sobre a extensão e importancia d'aquelles jazigos, cujos extractos acompanharam o relatorio que foi presente á assembléa geral ordinaria da Companhia Mineira e Industrial do Cabo Mondego em sessão de 31 de agosto de 1880
. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1880. In-8.º (21,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das Minas do Cabo Mondego.
"A mina de carvão Cabo Mondego é a mais antiga exploração desta natureza em território português, fazendo recuar a tradição da lavra carbonífera organizada ao início da segunda metade do século XVIII. O seu histórico de exploração encontra-se amplamente documentado, assim como o seu papel no desenvolvimento industrial do país, desde o dealbar da Revolução Industrial. Não obstante as numerosas dificuldades técnicas e económicas pelas quais passaram os seus concessionários, aliadas a custos de extração elevados e da má qualidade do carvão, que dificilmente podia competir com as hulhas importadas do Reino Unido, a mina laborou quase ininterruptamente até à década de sessenta do século passado, altura em que um incêndio ditou o seu encerramento definitivo."
(Fonte: https://www.researchgate.net/publication/286252959_A_mina_de_carvao_do_Cabo_Mondego_200_anos_de_exploracao)
"Temos julgado desnecessario, até hoje, a publicação de documentos importantes que possuimos sobre a qualidade de carvão das nossas minas do Cabo Mondego, bem como a riquesa dos seus jazigos.
Os elevados fretes do porto da Figueira para Lisboa e Porto impediam-nos de poder concorrer com o carvão inglez, que n'estes ultimos annos se tem vendido, nos nossos principaes mercados, por baixo preço.
Os consumidores da localidade e proximidades conheciam, de sobra, as boas qualidades industriaes d'este combustivel e os que as ignoravam tinham para attestar o seu emprego constante nas forjas, fornos de fabricação de vidraça e garrafas, maquinas a vapor, fornos de tijolo, telha e cal, das fabricas que possuimos junto d'aquellas minas.
Como porém, dentro d'alguns mezes, ficaremos ligados á principal rede dos caminhos de ferro do paiz, devemos desenterrar dos nossos archivos esses preciosos documentos, não só para fazer luz sobre uma parte importante da historia mineralogica e industrial d'esta importante região, mas tambem para desvanecer qualquer suspeita, de algum espirito sceptico ou pouco patriotico, que só julga bom o que é de proveniencia estrangeira."
(Excerto do Relatório)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

16 dezembro, 2020

FAROL, Antonio F. de Ferrer - A LIBERTINAGEM PERANTE A HISTORIA, A PHILOSOPHIA, E A MEDICINA DO CASAMENTO POR AMOR COM BASE NA REGENERAÇÃO SOCIAL. These apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto para ser defendida pelo alumno do quinto anno... Porto, Typographia de José Pereira da Silva & F.º, 1865. In-4.º (27x20 cm) de 67, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa e algo insólita
tese académica sobre a libertinagem publicada em meados do século XIX.
"A libertinagem, olhada á luz da medicina, é o flagello que mais corrompe a humanidade. Paixão violenta, seductora aos olhos da mocidade inexperiente, essencialmente devastadora, é a libertinagem a causa proxima de horrorosos estados morbidos, que anniquillam a vitalidade mais resistente. A philosophia biblica e o dogma hippocratico erguem-se ao mesmo tempo contra esta aberração do espirito humano, que, gerando as trevas do mundo physico e moral, e collocando a sociedade n'uma posição baixa, miseravel e abjecta, tenta despedaçar todos os élos, pelos quaes sômos ligados á sublimidade, a que temos direito, como a obra prima do Supremo Ser.
No estudo d'esta paixão, dominante na geração moderna, tem o medico vasto campo para pôr em acção todos os seus recursos. E baldado não será o esforço que a tanto se abalançar. A actualidade escutará, em questões d'esta ordem, com mais respeito a voz da sciencia, do que as leis da moral. Embalada no berço sensualista, parece preferir agora o horror do tumulo á abjuração dos prazeres."
(Excerto da Introducção, I)

Matérias:
Introducção: I; II; III; IV; V. | Pederastia: I - Preâmbulo]. II - Causas sociaes; Causas physiologicas. III - Quaes são os effeitos da pederastia? IV. | Onanismo solitario no sexo feminino: I; II; III. | Onanismo solitario no sexo masculino: I; II. | Onanismo conjugal: I; II; III; IV. | Syphilis como effeito da polyandria exercida nas mulheres publicas. | Do casamento por amor - como base da regeneração social: I; II; III; IV; V; VI. | Em conclusão. | Proposições.
António Fernandes de Figueiredo Ferrer Farol (1839-1893). "Médico pela Escola Médico-cirúrgica do Porto. Nasceu em Viseu a 5 de junho de 1839, faleceu a 8 de maio de 1893. Foi um dos estudantes mais distintos do seu curso, que terminou em 1865, publicando no Porto, nesse ano, a sua tese com o título de A libertinagem perante a historia, a filosofia, e a patologia em geral. Entrou depois para o serviço médico do exército. Vindo para Lisboa em 1870, por tal forma começou a afirmar o seu talento médico que teve de pedir licença do serviço militar, para se entregar inteiramente à sua clínica que se tornou numerosa. Em 1873 estabeleceu na praça de D. Pedro, com o dr. Matos Chaves, um posto médico, que foi um dos primeiros que existiram em Lisboa. Dedicou-se também ao jornalismo, fundando em 1871 a Tribuna, folha de combate, que fez época. Foi director e redactor do seu jornal, tornando-se um escritor vigoroso e ao mesmo tempo elegante."

(Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/farolantonio.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam 

manchas de acidez.
Muito raro.
75€

15 dezembro, 2020

CEBOLA, Luiz - A MENTALIDADE DOS EPILEPTICOS. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1906. In-8.º (21,5 cm) de 172 p. ; [7] f. il. ; B.
1.ª edição.
Tese de final de curso do conhecido médico alienista Luís Cebola, discípulo de Miguel Bombarda (1851-1910), eminente médico e político republicano.
Com ilustrações intercaladas no texto reproduzindo sete desenhos de pacientes que integram o estudo.
"O ribombo da nuvem que faiscava na amplidão do ceu, o sibilo do vento ramalhando atravez das florestas colossaes, o marulho da onda encapelada e turva e outros phenomenos cosmicos aterravam o homem primitivo. Desconhecendo o seu determinismo, prostrava-se em oração ante esses factos que se lhe deparavam como phantasmas enigmaticos. Era o alvorecer das religiões, creadas pelo medo que o mysterio gerava. [...]
Com o advento da edade media e pathologia do Diabo attinge a maxima plenitude.
Os conventos guardam fervorosamente reliquias e tradições inuteis. Explora-se a crendice popular sob intuitos religiosos e politicos.
Os que não crêm nos designios supremos são torturados nos carceres ou queimados nas fogueiras. Alastram n'um crescente epidemico os delirios de hystero-demonopathia. Contra Belzebú proclama-se remedio efficaz o exorcismo. [...]
N'estas epocas d'obscurantismo, os alienados são perseguidos, atirados para masmorras infectas e por vezes entregues ao carrasco ou abandonados á sua miseria e inconsciencia. [...]
E ainda hoje, a despeito de tanyas maravilhas scientificas, o Prodigio e a Chiromancia assentam arraiaes nos meios mais requintados de progresso... [...]
Todavia, já muito se tem conseguido no campo da verdade. [...]
Com effeito a interpretação scientifica dos milagres e dos delirios fatidicos fez emmudecer os espiritos de segunda vista, explicando-se as convulsões diabolicas, as palavras interiores e as visões mysticas. Cavalgando o Sobrenatural, a Sciencia rasgou, emfim, o espantalho do Maravilhoso.
O cerebro, no emtanto, esconde ainda muitos segredos no fundo das suas circumvoluções. É preciso sonda-los, aprehende-los e traze-los a lume. O seu conhecimento da-nos o conhecimento do homem. [...]
Infelizmente as doenças nervosas tende a augmentar cada vez mais. Na sua etiologia avulta a intensidade da vida actual. Por seu turno, a syphilis e o alcoolismo ateiam a devastação organica dos esgotados que vemos todos os dias, em grande numero, baixarem aos manicomios.
Ao medico incumbe o dever d'investigar os motivos das aberrações physicas, fixar as diversas entidades morbidas e aconselhar aos profanos os preceitos da hygiene da alma. Inquirir, curar e moralisar. Eis o verdadeiro medico - psychologo, therapeuta e moralista."
(Excerto do preâmbulo)

Luís Cebola (Alcochete, 1876 - Lisboa, 1967). "Médico alienista, estudou no Colégio Almeida Garrett, em Aldeia Galega (actual Montijo), onde completou os três primeiros anos do curso liceal, sendo depois transferido para o Liceu Nacional de Évora. De 1895 a 1900, realizou a preparação para os estudos médico-cirúrgicos na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa de 1899 a 1906.
A decisão de seguir a especialidade de doenças nervosas ou psiquiatria surgiu, segundo Cebola, durante o 4.º ano do curso, após a leitura do livro, Les psychonévroses et leur traitement moral (1904), do neuropatologista suíço Paul Charles Dubois (1848-1918). Em 1906 defendeu a sua tese inaugural, A Mentalidade dos Epilépticos, sob a orientação do Professor Miguel Bombarda no Hospital de Rilhafoles. O objectivo do seu trabalho consistiu em investigar se havia alguma lei psicopatológica nos escritos e obras artísticas (desenhos, cartas, livros, etc.) dos epilépticos aí internados. Para além disso, pôs em causa a tese defendida por César Lombroso (1835-1909), médico legista italiano, na sua obra O Homem de Génio (1889). Nesta afirmava que o génio era uma condição mórbida, e resultava de uma psicose de natureza epiléptica. Cebola considerava que o maior erro desta tese era o de defender que a inspiração criativa apenas ocorria nos espíritos superiores. Segundo Cebola, o acto de inspiração artística obedecia aos mesmos processos em todos os homens, podendo apenas haver diferença de grau. Concluiu que o génio não era sinónimo de degeneração epiléptica, ou nas suas palavras, o homem de génio “é progresso e não degenerescência”. Foi publicado a 26 de Agosto de 1906, um artigo dedicado a este capítulo da tese de Luís Cebola, na revista dirigida por Miguel Bombarda, A Medicina Contemporanea."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto superior esquerdo. Mancha ténue de humidade atinge a capa e a f. anterrosto. A numeração das páginas não estará correcta; às primeiras 16 páginas (inumeradas), que inclui as folhas de rosto, anterrosto e preâmbulo, seguem-se as restantes com início na página 29, o que indicia encontrarem-se em falta 12 páginas do livro, desmentidas no entanto pela sequência lógica da obra, que aparenta não existirem faltas, mas sim numeração errada.

Muito raro.
Com interesse histórico e clínico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

14 dezembro, 2020

TABERNAS DE LISBOA.
Luis Pavão: fotografias. Mário Pereira: texto
. Lisboa, Assírio e Alvim, 1981. In-4.º (24x21 cm) de 34, [3] p. ; [94] p. il. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre as tabernas da capital com indubitável relevância cultural, etnográfica e sociológica.
Livro impresso em papel de superior qualidade, muitíssimo ilustrado com 98 belíssimas fotografias a p.b. de Luís Pavão ao longo de 94 páginas separadas do texto.
"Lisboa regista na segunda metade do séc. XIX uma grande modificação que acabará por marcá-la profundamente: a industrialização. A sua natureza e função, tradicionalmente comercial e administrativa sofrerá o impacto dos surtos industrializantes com as consequentes repercussões urbanísticas e demográficas. A capital, que, aquando do anterior grande enquadramento urbanístico que foi a baixa pombalina, tinha o seu termo em sítios como: Portas de Santa Apolónia, Convento de Arroios, Arco do Cego, S. Sebastião, Penha de França, Mirante da Ajuda e Campo de Ourique, até à fábrica da Pólvora em Alcântara, começa, a partir de meados do séc. XIX, a estender-se ao longo do Tejo e a crescer para Norte. [...]
Há bairros "bem arejados", que fornecem os passeantes do "Passeio Público", que fornecem os frequentadores das corridas de cavalos em Belém e as "coquettes" do S. Carlos, Coliseu e D.ª Maria, que fornecem ainda o dandismo que invade os cafés lisboetas, bem como os cafés-concerto que faziam as delícias da ostentativa burguesia da cidade... a esses bairros contrapõem-se os deploráveis e insalubres bairros operários (as "Vilas"), povoados por uma desenraizada população, sempre pronta a afogar no álcool a miséria, a incerteza e as frustrações. [...]
Mas o que é uma taberna?
Para um erudito do séc. XVIII (padre Raphael Bluteau), tabernas eram as casas "onde se vende vinho e algumas coisas de comer"; no entanto, como actividade económica, a taberna lisboeta manteve até aos nossos dias uma dependência onde se vendia carvão, que era uma fonte energética que vinha de fora (Coruche, Benavente e Santarém) e que era descarregado (no séc. XVIII) naquilo que hoje seria o terminal petrolífero, mas que na época era o "Cais do Carvão". Se a taberna tinha um interesse económico que as circunscrevia praticamente a estes dois produtos, a importância social e o interesse da taberna não se esgotam num petisco, num meio quartilho ou num saco de carvão. [...]
Esta é a realidade sociológica da taberna: um espaço de convívio, um espaço de contacto cuja autenticidade proporciona vivências excepcionalmente ricas. Os tipos de relações que se estabelecem assumem algo de proibitivo, algo que as estruturas mentais dominantes não aceitam como normal, assemelham-se a uma transgressão da ordem de valores dominantes. [...]
A taberna proporciona(va) um convívio diferente, único pela ambiência da marginalidade, limitado a uma (sempre renovável) noite de boémia, que poderia eventualmente ser interrompida por uma rusga."
(Excerto de A taberna : um espaço social)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel na margem inferior.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e olisiponense.
Indisponível

12 dezembro, 2020

CARVALHO, Manoel Pedro Henriques de – NOTICIA HISTORICA SOBRE A ORIGEM DA POBRESA E DA MENDICIDADE, DAS SUAS CAUSAS MAIS INFLUENTES, DOS SEUS ESPANTOSOS PROGRESSOS, FINALMENTE DOS MEIOS QUE TEM TENTADO EM ALGUMAS NAÇÕES PARA REPRIMIR UMA, E ANNIQUILLAR A OUTRA. Por… cirurgião em Lisboa. Lisboa, Na Typographia de Filippe Nery. Anno 1835. In-8.º (20 cm) de [2], 46, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo sobre a pobreza e a mendicidade, trabalho com interesse histórico e social.
"Quando lançamos um golpe de vista reflectido, sobre esta immensa quantidade de pobres e de mendigos, que por toda a parte nos importuna e incommoda, para quem as leis e a sociedade não tem sido de muito grande vantagem, massas turbulentas e corrompidas, que constituem um exercito ás ordens dos inimigos da liberdade e da Nação, como não devem elles ser olhados com piedade e rancor, por todos os bons amigos da ordem, e da Patria? Isto sómente bastaria, quando não tivessemos allegado as muitas outras ponderosas rasões, para fazer com que um bom Governo, tome muito promptas, e energicas providencias, a respeito da pobresa e da mendicidade, socorrendo uma, e anniquillando a outra."
Matérias:
Discurso preliminar. | Primeira Parte: [Caracterização histórica da pobreza e da mendicidade.]. Segunda Parte: Dos meios que tem tentado em differentes épocas, para reprimir e anniquillar a pobresa e a mendicidade. Systema nascido e posto em pratica na America Ingleza, para reprimir e anniquillar a pobresa e a mendicidade [Sistema Penitenciário]. | Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta orifícios de traça marginais.
Raro.
Indisponível

11 dezembro, 2020

CHAVES, Casimiro Thomaz - MYSTERIOS DA POLICIA CIVIL DA COMPANHIA DO OLHO VIVO E DOS GATUNOS E RATONEIROS DE LISBOA.
Por...
Lisboa, 273 - Imprensa - Rua da Rosa, 275, 1879. In-8.º (22,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto-denúncia escrito na Cadeia do Limoeiro e publicado a expensas do autor, que se diz vítima da um "gangue" de vigaristas onde se incluem membros da polícia de Lisboa, tendo sido por estes últimos injustamente encarcerado e maltratado. Ao longo do opúsculo narra pormenorizadamente tudo a que foi sujeito, identifica os meliantes um a um e respectivas ocupações, e os policiais participantes da trama.
Na última página é anunciada a futura impressão da minuta de agravo e as razões da prisão do autor que no entanto, aparentemente, nunca viria a ser publicada.
"Dou á publicidade o presente livro, que tem o titulo de - Mysterios da Policia Civil e da nova Companhia do Olho Vivo - essa terrivel companhia que tem reduzido á mizeria tantas familias, para o publico bem apreciar, o que é hoje desgraçadamente a nossa policia, e os contracto que com ella tinha, para effectuarem as suas bem combinadas traficancias, e oos contractos que ella tem com os gatunos e ratoneiros de Lisboa. Sou a isso levado, por ter sido uma victima atroz de toda esta gente, que se combinou para me metterem na cadeia, e isto só pelo receio e medo que todos teem de mim.
Vou pois descobrir alguns dos seus mais intimos segredos, pedindo ao publico a sua muita attenção, que tanto merece este folheto, e assim tirarei a  venda dos olhos a muitos que ainda hoje a tem.
As minhas precarias circumstancias, e por estar encerrado innocentemente n'uma prisão, obrigam-me a offerecer este folheto e mandal-o pôr á venda pela quantia de 100 réis, para assim minorar a minha triste como infeliz posição, tudo devido a esta gente."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil, impresso em papel de fraca qualidade, com vinco vertical e defeitos marginais. Unido por ponto de cordel, sem capas (terá sido publicado assim por questões de orçamento). Pelo interesse e raridade deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse criminal e olisiponense.
A BNP possui apenas um exemplar.
Indisponível

09 dezembro, 2020

MENESES, Bourbon e - OS CRIMES DE 19 DE OUTUBRO. Revelações & Interrogações Sensacionais. Por... [S.l.], Edição do autor, Janeiro : 1929. In-8.º (19 cm) de 52 p. ; E.
1.ª edição.

Trabalho de Bourbon e Meneses sobre a «Noite Sangrenta», cuja análise se baseia nas conversas de Berta Maia, viúva do falecido Carlos da Maia, com Abel Olímpio, o «Dente de Ouro», cabecilha dos assassinos.
"A "noite sangrenta" de 19 de Outubro de 1921, foi um episódio trágico ocorrido durante a I República. Ficou também conhecido por “camioneta da morte” para designar a forma como foram transportados vultos prestigiados da I República, como, Machado dos Santos, Carlos da Maia e António Granjo, antes de serem brutalmente assassinados. Continua a carecer de uma investigação histórica mais aprofundada. Existem versões diferentes sobre quem são os responsáveis destes assassinatos, que se repartem entre desconhecidos ligados ao radicalismo revolucionário ou por monárquicos que se terão "infiltrado no movimento revolucionário para depois empalmá-lo”.
(Fonte: http://inclusaoecidadania.blogspot.pt)
Afonso Augusto Falcão Cotta de Bourbon e Menezes (1890-1948). "Ficou, sobretudo, ligado ao jornalismo republicano. Lisboeta de nascimento, Bourbon e Menezes estreou-se nas páginas de A Manhã, jornal dirigido por Mayer Garção, passando depois pelas redacções de O Mundo, Primeiro de Janeiro, Voz do Operário e Diário de Notícias, onde firmou a coluna "Pedras soltas". Grande prosador e polemizador, deixou também vários livros de contos e o poema Menino (1925) que Fernando Pessoa teria chegado a verter para inglês."
Encadernação em meia de pele. Sem capas de brochura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa levemente manchada, com pequenos defeitos marginais.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

08 dezembro, 2020

SERRASQUEIRO, José Adelino - TRATADO ELEMENTAR DE COSMOGRAPHIA.
Composto segundo o programma official para o ensino d'esta sciencia nos lyceus. Por... Bacharel formado em Philosophia pela Universidade de Coimbra, Professor de Mathematica no Lyceu Central de Coimbra, Socio Effectivo do Instituto da mesma Cidade
. Coimbra, Livraria Central de J. Diogo Pires - Editor, 1893. In-8.º (21 cm) de 243, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original do conhecido manual de cosmografia de José Serrasqueiro. Foi publicado pelo menos em mais três ocasiões (1895-1896-1924). A BNP não possui no seu acervo a presente edição.
Livro ilustrado com quadros tabelas e desenhos esquemáticos ao longo das páginas de texto.
José Adelino Serrasqueiro (1835-?). "Professor e publicista, nascido em Castelo Branco a 22-12-1835. Bacharel formado em Medicina e Filosofia pela Universidade de Coimbra (1880), fez o curso com distinção e obteve vários prémios. Dedicou-se depois ao ensino particular. Foi sócio efectivo do Instituto de Coimbra e professor de Matemática no liceu da mesma cidade. Os seus livros publicados a partir de 1869 recebem forte influência de Bertrand e, tal como ele, incluem a inovação pedagógica da inclusão de exercícios no final das diversas secções. Propõe uma colecção completa para o ensino secundário de então e os seus livros conhecem múltiplas edições, tendo sido adoptados no Colégio D. Pedro II, então escola de referência no Brasil.
Publicou: Elementos de algebra (1882); Elementos de arithmetica (1869); Elementos de geometria (1881); Elementos de trigonometria rectilinea (1877); Tratado de algebra elementar (1878); Tratado de geometria elementar (1879); Tratado elementar de arithmetica (1879); Tratado elementar de cosmographia (1893)."
(Fonte: http://www.apm.pt/files/05.pdf)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Notas e sublinhados a lápis no interior.
Invulgar.
20€

07 dezembro, 2020

COIMBRA, José Joaquim - BECAS, TOGAS E CAPAS.
Do Juízo de Direito da Comarca de Braga (Julho de 1937)
. Vila Nova de Famalicão, Grande Oficinas "Minerva" de Gaspar Pinto de Sousa, Suc., Ltd.ª, 1948. In-4.º (24 cm) de [2], 39, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Livro de poesia editado em homenagem ao Autor pelos advogados da Comarca de Braga. Ilustrado em separado com o retrato do Dr. José Joaquim Coimbra, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
Exemplar dedicado e autografado pelo vice-presidente da Associação Jurídica de Braga - António Oliveira Braga - que oferece o exemplar - "este Livro-joia do Foro Bracarense ao Excelentíssimo Senhor Dr. Juiz Dr. Manuel Monterroso Gomes Neto, em preito de admiração pelas suas belas e brilhantes qualidades de Magistrado íntegro e de Homem de bem."
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Com manchas de humidade ao longo do livro, mais visíveis na capa.
Raro.
Indisponível

06 dezembro, 2020

FERREIRA, Menezes - O FUSILADO.
Por...
Lisboa, Mário Filipe Ribeiro, 1923. In-8.º (16,5 cm) de 31, [1] p. ; il. ; B. Col. Novela Sucesso, 9
1.ª edição.
Novela do capitão Meneses Ferreira, militar do C. E. P. destacado na Flandres, durante a Grande Guerra. Crítico das condições miseráveis a que os soldados portugueses foram sujeitos desde o recrutamento e atirados para a "fogueira" da guerra, o presente conto descreve a história verídica de Harry Budd, intérprete britânico junto das forças portuguesas, no grupo de metralhadoras de que o autor fazia parte, estacionadas em Lavantie, que, a partir de certa altura, se recusa a combater, conduzindo a sua atitude ao desenlace fatal.
Capa e desenhos no interior do autor, dois deles em página inteira.
"Sinto-me realmente desgostôso por vêr daqui a cara de enfado com que os senhores estão começando a leitura desta novela. Mas o que querem, eu sou um caturra da Grande Guerra e pesa-me deixar passar esta data do 9 de abril sem lhes contar a lamentavel história do meu amigo Harry Budd.
Como devem compreender não se trata de satisfazer vaidades e a êste respeito só eu sei o sacrificio enorme que me imponho em tratar por escrito dêste triste episodio. [...]
De resto, para os caturras da Grande Guerra, o que os interessa de preferencia são êstes apontamentos guardados na memória um tanto combalida dos antigos combatentes, a narrativa dos sucessos grandiosos, trágicos, brutais ou miseraveis que, uma vez abertos os diques da ferocidade humana, fôram «vividos» em todos os campos de batalha tanto de cá como de lá do arame farpado e até muitas vezes ali mesmo na Terra de Ninguem."
(Excerto do preâmbulo)
João Guilherme de Menezes Ferreira (Lisboa, 1889-1936). "Foi um militar e artista. Frequentou o Colégio Militar entre 1900 e 1908. Oficial de carreira, participou no golpe militar que derrubou o regime monárquico em 5 de outubro de 1910. Em setembro de 1914, embarcou para Angola como adjunto do Comando do Destacamento, na primeira força expedicionária, comandada pelo general Alves Roçadas, para ali enviada pouco depois do início da Primeira Guerra Mundial, tendo participado no Combate de Naulila. Enviado depois para França, no Corpo Expedicionário Português, o capitão Menezes Ferreira documentou a guerra num registo próximo da banda desenhada, na obra João Ninguém Soldado da Grande Guerra (1921, reed. 2014). Como militar, foi ainda Governador do Funchal e ajudante de campo do Alto Comissário Brito Camacho em Moçambique. Ainda jovem, fundou a Sociedade de Humoristas Portugueses, presidida por Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, filho de Rafael Bordalo Pinheiro. Distinguiu-se, com um estilo modernista, no desenho humorístico, sobretudo a caricatura, e ainda na pintura, ilustração e trabalho gráfico para edição. A temática militar continuou sendo a sua preferida ao longo da sua carreira,tendo ainda sido autor das obras O Fusilado"(conto, 1923), Um Conto do Natal (1924), A Viagem Maravilhosa de Gago Coutinho e Sacadura Cabral (1924), À Luz do Lampadário (1927) e As Tradições do Colégio Militar (discurso, 1933). O seu nome consta na lista de colaboradores artísticos do quinzenário humorístico O Riso da vitória iniciado em 1919 sob a direcção de Jorge Barradas e Henrique Roldão."
(Fonte: https://www.leituria.com/pt/os-livros/artes/menezes-ferreira-capitao-de-artes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel sensivelmente a meio, junto da lombada, e na margem lateral.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 dezembro, 2020

MATA, Dr. M. Marques da - UM GRANDE CIENTISTA SESIMBRENSE.
[Por]... Inspector dos Serviços Técnicos da Direcção Geral de Saúde. Separata do jornal «O Sesimbrense» - Ano XXX - N.º 313 - 22/12/957
. Lisboa, [s.n.], 1958. In-4.º (24 cm) de 23, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Homenagem ao Prof. Manuel Fernandes Marques, homem de ciência e sesimbrense ilustre.
Livro ilustrado ao longo do texto com diversas fotogravuras a p.b., e em página inteira, com um  retrato do homenageado.
Junta-se uma folha volante da Presidência da República : Chancelaria das Ordens Portuguesas, confirmando o grau de comendador ao Prof. Manuel Fernandes Marques, pelo Decreto de 20 de Janeiro do corrente ano (1958). No verso da folha está impresso um elogio ao Professor assinado por Carlos Hydalgo Gomes de Loureiro. Junta-se ainda um cartão de oferta da Comissão Organizadora das Homenagens ao Prof. Dr. Manuel F. Marques.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
20€

04 dezembro, 2020

CARLOS, Palma - DO ÊRRO JUDICIÁRIO. (Esbôço duma monografia). Lisboa, J. Rodrigues & C.ª, 1927. In-4.º (24 cm) de 123, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio jurídico de Adelino da Palma Carlos, conhecido advogado português. Julgamos 
tratar-se da sua tese de licenciatura, dedicada a Elina Guimarães, sua futura esposa.Livro impresso em papel de superior qualidade, surpreendentemente, não consta das inúmeras biografias dedicadas ao insigne cáusidico. A BNP refere a obra, sem no entanto indicar a cota - apenas um lacónico "sem informação exemplar".
"A infracção da norma jurídica é tam antiga como o direito. A história do crime - escreve Guilhermet - é a história da humanidade.
Criado pela imperiosa necessidade de regular a vida social, o «querer jurídico da espécie», traduzido em preceitos coactivamente impostos à observância dos indivíduos, logo o homem dêle se torna incessante violador, aparecendo, assim, no campo do direito, os chamados actos ilícitos.
Dentre êstes muitos há que em todos os tempos têem sido punidos com especial rigor, mercê do alarme social que produzem, constituindo objecto dum ramos especial do direito público, geralmente denominado direito penal, mas a que alguns autores atribuem a designação de direito criminal, que, quanto a nós, melhor se justifica, pois nos tempos modernos «à sciencia da penalidade sucedeu a da criminalidade, que estuda os crimes sob todos os seus aspectos, reage contra êles, e evita-os, pela organização do trabalho e da propriedade e, duma maneira geral, por todas as medidas legislativas destinadas a corrigir e sanear o meio social. [...]
O problema da determinação do fundamento do direito de punir, tam debatido na filosofia do direito criminal, poderia aceitar-se como suficientemente esclarecido pela consideração de que há indivíduos que só pelo mêdo se abstêem do mal.
Mas porque, como afirma Ihering, a história da pena é uma abolição constante, é de todo o interêsse esboçar, abordando um problema de direito penal, o sentido da evolução do conceito social do direito de punir."
(Excerto de, Da Ontologia do Êrro Judiciário - Preliminares)
Índice:
I - Da Ontologia do Êrro Judicário. 1 - Preliminares. 2 - Os velhos princípios da penalidade. 3 - A escola clássica. 4 - As escolas contemporâneas. 5 - A evolução do processo penal. 6 - O caso julgado, sua autoridade e fundamento. 7 - O êrro judiciário. 8 - O êrro de investigação policial como êrro judiciário. 9 - Conclusões. II - Da Etiologia do Êrro Judiciário. 10 - Transição. 11 - Causas mediatas do êrro judiciário: Os preconceitos sociais. 12 - Causas imediatas do êrro judiciário: A) Objectivas: a) A confissão do réu; b) A prova testemunhal; c) A prova pericial. B) Jurídico-políticas: a) O júri criminal; b) A prevenção judicial. 13 - Conclusões. III - Da Reparação do Êrro Judiciário. - Secção I - Da reparação graciosa do êrro judiciário. 14 - Transição. 15 - O indulto e a comutação de penas. 16 - O perdão da parte. 17 - A amnistia. Secção II - Da reparação jurídica do êrro judiciário. 18 - A revisão das sentenças penais. 19 - Evolução histórica e doutrinal da revisão: a) Princípios gerais; b) Direito português. 20 - A revisão do direito comparado. 21 - A revisão do direito português: a) Direito substantivo; b) Jurisdição e processo. 22 - Efeitos da revisão. 23 - Conclusões.
Adelino Hermitério da Palma Carlos GCC • GCIH • GOL (Faro, 1905 - Lisboa, 1992). "Foi um professor universitário, advogado e político português. "Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa [em 1926], com a nota final de 18 valores, foi delegado da Faculdade de Direito à Federação Académica. Conclui o doutoramento em Ciências Histórico-Jurídicas, também na Universidade de Lisboa, em 1934. Advogado reconhecido, defendeu inúmeras figuras oposicionistas à ditadura, como Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça e Vasco da Gama Fernandes. Foi também professor na Escola Rodrigues Sampaio, no Instituto de Criminologia de Lisboa e, como Catedrático, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da qual viria a ser director. Foi jubilado em 1975. Em 1949, foi mandatário da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em 1951 exerceu funções como Bastonário da Ordem dos Advogados portugueses. A 16 de Maio de 1974 é nomeado primeiro-ministro do I Governo Provisório, pedindo a demissão a 18 de Julho desse ano. Em 1975 funda o Partido Social-Democrata Português. Foi mandatário e membro da comissão de honra da candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República (1979). Pertenceu ao conselho consultivo do Partido Renovador."
(Fonte: Memórias da Revoluçao)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico e jurídico.
Peça de colecção.
45€

03 dezembro, 2020

CADEIA NACIONAL DE LISBOA (Penitenciaria Central). Seu significado no problema penal português, sua história e descrição. [Fotografia de recluso] "Parricida". Lisboa, Oficinas graficas da Cadeia Nacional, 1917. In-4.º (23,5 cm) de XXXI, [3], 67, [1] p. ; [1] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Capa de Raul Xavier.
Rara monografia sobre a Cadeia Nacional de Lisboa, importante subsídio penitenciário do princípio do século XX. Rodrigo Rodrigues, à época director da CNL, em jeito de prólogo, justifica o presente trabalho com a determinação de "interessar a opinião publica numa questão das mais estreitamente ligadas com a sua vitalidade fisica e moral; que é em Portugal das mais desconhecidas e é, por isso, das mais descuradas; que é das mais faceis em solucionar, com economia e vantagem social."
Na página seguinte, em Nota, escreve o mesmo director: "Procurando despertar interesse na opinião publica pelo problema prisional e penal, utiliso as fotogravuras de alguns condenados no unico proposito de provocar no cerebro do leitor a ideia tornada assim evidente, de o facto - o crime - ter resultado em muitas circunstancias de causa para todos patente: a qualidade anormal de agente - o criminoso. Por este modo só é possivel demonstrar a provada afirmação dos psiquiatras" e cita Júlio de Matos: «A expressão fisionomica tem no louco moral ou criminoso-nato alguma cousa de antipatico e repelente que se descreve com dificuldade, mas se sente por uma sorte de instincto.» «O mau olhado não é uma pura fantasia popular...»
Livro totalmente impresso sobre papel couché, profusamente ilustrado com fotogravuras de reclusos, do trabalho e do seu dia a dia na prisão, bem como fotografias do edifício (interior e exterior) e instalações anexas - passeio, necrotério, etc. Com um desenho de Morais. Contém ainda um mapa estatístico desdobrável da População Prisional da Cadeia Nacional, cujos indicadores são a Mortalidade (geral e por tuberculose) e Alienação mental.
"Viver isolado, entregue á depuração feita pelo remorso, acicatada pela educação religiosa, e preparar-se para uma nova vida pela educação literaria e profissional - já o temos dito - tal era o eixo do sistema celular penitenciário. O isolamento começava ao sair da porta da prisão correcional (o Limoeiro), onde o carro celular ia buscar o neo-penitenciário. Chegado á penitenciária, introduziam-no, entre numerosos guardas, nas celas de entrada do corredor indo da Secretaria á Cadeia (celas de espera). Aí aguardava a visita do professor, do padre e do médico que examinavam o recemchegado. Momentos depois vinha o barbeiro, rapar-lhe o cabelo e a barba, findo o que era conduzido ao balneário, onde tomava banho e o fardamento próprio, voltando á sala de espera.
Depois disso era o recluso, já de capuz, conduzido á secretaria perante o director, que o registava e exortava, dando-lhe o número sob o qual devia passar a ser indicado em todos os actos da vida prisional.
Os primeiros dias - o tempo era fixado pelo director e em relação com a natureza do crime - eram de incomunicabilidade absoluta, sem trabalho. Uma especie de retiro, de exame de consciencia...
O mesmo era de uso fazer á saída do recluso «para levar uma impressão duradoira da sua prisão celular»..."
(Excerto do Cap. III, O dia do recluso)

Materias: Prologo. | I - Prisões e estabelecimentos prisionais. | II - Esbôço historico. | III - O dia do recluso: regime celular e actual. | IV - Melhoramentos materiais e funcionais em execução.
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a ouro na pastal frontal. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Rubrica de posse na página de prólogo. Anotações manuscritas na pág. 35/36.
Ex-Líbris de Assis Lopes.
Raro.

Sem registo na BNP.
Indisponível

02 dezembro, 2020

TELLES, Bazilio - O FLAGELLO DOS MARES (cartas). Porto, Renascença Portuguesa,1918. In-8.º (18,5 cm) de 310, [2] p. ; B.
1.ª edição.

"Em consequência da paz que celebrou com a Rússia e a Rumania, a Allemanha pôde abrir na frente occidental a offensiva poderosa a qu'estamos assistindo. E ou consegue apoderar-se de Paris, ou não consegue. Na primeira hypóthese, é provavel que a grande conflagração armada receba emfim o seu desfecho; na segunda é inevitavel que prosiga por um tempo que não é possivel determinar.
Dure porém quanto dure essa nova phase, e qualquer que venha a ser o grupo vencedor, o caracter da lucta parece-nos que será menos militar do que económico; e o bloqueio submarino virá, portanto, a assumir uma importância que, apezar dos immensos estragos já feitos, não se lhe reconhecia até agora."
(Excerto da introdução)
Matérias:
1.ª Parte - Inventos contra os submarinos
I - Simon Lake e o seu projecto de submersiveis de 10:000 toneladas. II - A fumaraça, ou nuvem protectora. III - Os caça-submarinos. IV - Outros caça-submarinos. V - Inventos ignorados. VI - A couraça contra minas e torpedos. VII - Os dirigiveis do engenheiro Usuelli. VIII - A pesca dos submarinos.
2.ª Parte - Resultados do bloqueio
IX - O Deve e o Haver das marinhas de commércio: cálculos de lorde Carson e da Havas. X - O mesmo assumpto da carta precedente: cálculos de Mr. Geddes, 1.º lord civil do Almirantado. XI - Como organisar as estatísticas das perdas navaes. XII - A ameaça submarina e as companhias de seguros. XIII - Commentário á reducção das taxas pelas companhias norte-americanas. XIV - Reservas opportunas e inopportunas de Mr. Geddes. XV - Modelo para boletins mensaes das perdas marítimas. XVI - Medidas tomadas contra o bloqueio pela Entente. XVII - O mesmo assumpto da antecedente carta. XVIII - Açores, zona bloqueada. XIX - Afundamentos e anecdotas.
3.ª Parte - Problemas a resolver
XX - Submersiveis e submarinos. XXI - Visão directa á superficie do mar: cálculo da distância. XXII - Reflexão da luz no mar: alterações da imagem reflectida. XXIII - Refracção da luz no mar: estudo theórico da imagem refractada. XXIV - A agitação do mar reduzida á interferência das suas ondulações, grandes e pequenas. XXV - Resposta a objecções. XXVI - Hypóthese complementar á da carta XXIV. XXVII - Condições da visibilidade d'um objecto fluctuante por um submarino em immersão completa. XXVIII - Invisibilidade, (visão subquatica) e velocidade em immersão completa asseguram ao submarino o dominio dos mares. XXIX - O bloqueio pelos submarinos e o Direito das Gentes.
Notas Finaes
A) Perdas maritimas anteriores ao bloqueio intensivo. B) Discurso de Mr. Geddes sobre perdas e construcções navaes. C) Modelo de boletim.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada restaurada com cartolina.
Invulgar.
20€

01 dezembro, 2020

AFONSO LOPES VIEIRA : Fotógrafo
. [S.l.], [FCG], [2002]. In-8.º (19,5 cm) de [16] p. il. ; B.
1.ª edição.
São Pedro de Moel em fotografias existentes no espólio de Afonso Lopes Vieira, propriedade da Biblioteca Municipal de Leiria.
Interessante peça bibliográfica que nos remete para uma faceta menos conhecida do poeta. Trata-se de um belo conjunto fotográfico que evidencia a fina sensibilidade de Vieira.
Livro impresso em papel de superior qualidade - parte integrante do n.º 159/160 de Colóquio | Letras - por certo, com tiragem reduzida.
A BNP não dispõe de nenhum exemplar no seu acervo, e a FCG não refere o livrinho na edição on line do número da supracitada revista.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível