18 fevereiro, 2023

TRIGOSO, Falcão - "AR LIVRE".
De...discipulo de Carlos Reis
. Lisboa : Março de 1948. [S.l.], [s.n. - imp. A Rápida - Lisboa], 1948. Folheto in-8.º (22 cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Encarte da exposição intitulada "Ar Livre", do conhecido pintor lisboeta Falcão Trigoso, realizada em Março de 1948. Inclui 102 obras do artista, tendo impresso à cabeça o endereço do seu atelier e respectivo número de telefone.
Folheto muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do Mestre a uma sua ex-aluna.
João de Melo Falcão Trigoso (1879-1956). "Pintor contemporâneo, nascido em Lisboa a 4 de Março de 1879. Em 1897 matriculou se no Curso de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa, licenciando se em 1902. Discípulo de Carlos Reis, Veloso Salgado e Simões de Almeida. Desde muito cedo e com verdadeira paixão iniciou a pintura ao ar livre, manifestando grande predilecção pelas paisagens algarvias, ricas de cor e de intensas tonalidades. Após concluir o curso de pintura, inicia a sua vida profissional na posição de director da Escola Técnica Vitorino Damásio, em Lagos. Exerceu, posteriormente, como director nas Escolas Fonseca Benevides e de Arte Aplicada António Arroio, em Lisboa. Foi membro do Grupo «Silva Porto», dirigido por Carlos Reis. Realizou várias exposições individuais, e apresentou as suas obras em diversas exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde foi galardoado, em 1948, uma medalha de honra. Recebeu, igualmente, o 1.º Prémio Silva Porto, em 1954, uma medalha de ouro na Exposição do Panamá-Pacífico, em São Francisco, nos Estados Unidos da América, e em 1900, o Prémio Anunciação. Falcão Trigoso faleceu em 23 de Dezembro de 1956, com 78 anos de idade. As suas obras encontram-se expostas no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, Museu Grão Vasco, em Viseu, Casa-Museu Egas Moniz, em Avanca, Museu Malhoa, nas Caldas da Rainha, Museu Soares dos Reis, no Porto. Museu da Quinta de Santiago / Centro de Arte de Matosinhos e em várias colecções particulares."
(Fonte: https://serralvesantiguidades.com/lote/falcao-trigoso-1879-1956-3)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

17 fevereiro, 2023

MÜLLER, Adolfo Simões -
A VIAGEM MARAVILHOSA DO COMBOIO.
Ilustrações de Fernando Bento
. Lisboa, Edição da C. P., 1956. In-4.º (24,5 cm) de 46, [2] p. ; mto il. ; E.

1.ª edição.
Esta edição da C. P. - para a juventude - que comemora o primeiro centenário do Caminho de Ferro em Portugal [1856-1956], apresenta em separata «O jogo do comboio».
Obra procurada. Livro belíssimo, de grande esmero e apuro gráfico, impresso em papel encorpado de superior qualidade. Ilustrado na páginas do texto com desenhos a cores da autoria de Fernando Bento (1910-1996), que também assina a sobrecapa.
Inclui desdobrável: «O jogo do comboio» (38,5x50 cm).

Adolfo Simões Müller (1909-1989). "Natural de Lisboa, foi escritor, poeta e jornalista. Trabalhou como secretário de redacção do jornal Novidades, fundou e dirigiu o jornal infantil O Papagaio e foi director do Diabrete e do gabinete de programação da Emissora Nacional, onde produziu diversos programas radiofónicos. Estreou-se na literatura com o livro de poemas Asas de Ícaro (1926) mas foi na literatura infantil que se celebrizou. Escreveu dezenas de livros infantis e juvenis onde se incluem o Meu Portugal… Meu Gigante, O Livro das Fábulas e as adaptações de Os Lusíadas, A Peregrinação e As Pupilas do Senhor Reitor. Em 1982 foi distinguido com o Grande Prémio da Literatura Infantil, da Fundação Calouste Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra literária."
(Fonte: wook)
Encadernação editorial cartonada, com título e desenho de comboio em verde na capa, revestido de sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sobrecapa apresenta pequeno corte à cabeça.
Muito invulgar.
Indisponível

16 fevereiro, 2023

COSTA, Cunha e – A EGREJA CATHOLICA E SIDONIO PAES. Coimbra, Coimbra Editora, L.da (Antiga Casa França & Armenio), 1921. In-8.º (20 cm) de 157, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre as relações da Igreja Católica com o Estado durante a efémera presidência de Sidónio Pais.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa ligeiramente enrugada e oxidada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 fevereiro, 2023

PIMENTA, Alfredo - O PADRE-NOSSO : comentário à modificação introduzida.
Edição do Autor
. Lisboa, Depositária: Livraria Portugalia, 1941. In-4.º (24,5 cm) de 21, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Análise e comentários do autor às alterações imposta pelo clero português à oração "Pai-Nosso" ("Padre-Nosso"), pretexto para a elaboração de um estudo histórico alargado sobre o assunto que inclui a tradução de textos bíblicos.
Ensaio raro e muito interessante.
"Era, talvez, escusado dizê-lo.
Católico, sujeito quanto neste opúsculo escrevi, ao juízo infalível da Santa Madre Igreja, Católica, Apostólica, Romana, como filho humilde e obediente que sou.
Conseqüentemente, desde já declaro que condeno e rejeito sem reserva de qualquer espécie, e dou como não pensado e escrito, tudo o que neste opúsculo fôr, pela Autoridade competente, condenado e rejeitado, pedindo, antecipadamente, a Deus, perdão daquilo em que o possa ter ofendido."
(Protestação)
"A Lumen, revista de Cultura do Clero, em seu fascículo de Agôsto de 1941, e a págs. 544, publicava uma comunicação de Sua Eminência o Cardial Patriarca de Lisboa, em que se apresentavam novas fórmulas de vélhas orações, tornadas obrigatórias para todo o País por determinação do Episcopado.
O Padre-Nosso, ou Oração dominical, rezava-se assim:

«Padre Nosso que estais no Céu,
Santificado eja o Vosso nome;
Venha a nós o Vosso Reino;
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
Perdoai-nos as nossa dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
E não nos deixeis cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal.
Amen.»

Segundo a nova fórmula, em vez de «Padre-Nosso», dir-se-á «Pai-Nosso», e onde se dizia «Perdoai-nos as nossa dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores», dir-se-á: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido».
(Excerto de § 1.º)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Com interesse histórico e religioso.
Raro.
20€

14 fevereiro, 2023

ANDRADE, Ruy d' - BREVE NOTÍCIA DA EQUITAÇÃO DE ALTA-ESCOLA.
Separata do Boletim Pecuário - Ano XI - N.º 1
. Lisboa, Impresso nas oficinas da Sociedade Astória, Ltd, [1943]. In-4.º (26 cm) de 102, [2] p. ; [XLIV] p. estampas ; E.
1.ª edição independente.
Importante estudo sobre Arte Equestre, pelo Dr. Ruy de Andrade, uma das maiores autoridades sobre o assunto - e tudo o que diz respeito à criação, estudo e protecção equídea - em Portugal. Exemplar sem folha de rosto, iniciando na página 5, supomos que tal como foi publicado, respeitando a numeração do Boletim Pecuário onde originalmente o trabalho foi impresso.
Livro ilustrado com inúmeras reproduções de gravuras antigas, desenhos, retratos e fotogravuras distribuídas por 44 páginas separadas do texto.
"O que actualmente se chama Alta-Escola, é uma arte completamente diferente da equitação que lhe deu origem e se praticou no período do seu apogeu (séculos XVI, XVII e XVIII). [...]
De tôdas as formas da Alta-Escola é especialmente esta última a mais deturpada, pois a maior parte dos exercícios ou ares que se fazem executar aos cavalos, não derivam da verdadeira equitação concentrada, que só pode ser feita montado, mas de truques ou manhas que, com paciência, guloseimas e castigos, se ensinam aos cavalos, sem necessidade portanto de ser cavaleiro.
A passage, o passo e trote espanhol, algumas levadas, andamentos a compasso de música, algumas piruetas, etc., são os ares vulgarmente mostrados nos circos, mas que não representam senão uma deformação da verdadeira e clássica Alta-Escola."
(Excerto do Proémio)
"Como D. João V e D. José tiveram muito a peito a picaria da sua Côrte, o primeiro, por solicitações do segundo e talvez da Rainha D. Mariana de Áustria, fundou em Alter-do-Chão uma Real Coudelaria semelhante e para os mesmos fins da de Lipizza, iniciada com esta com éguas e cavalos andaluzes para êsse efeito importados, além doutros procedentes da Coudelaria de Portel, pertencente à Casa de Bragança. Na Coudelaria de Alter se criou uma raça de cavalos que no seu tempo chegou a ser a melhor da Península e uma das melhores do Mundo, mas que o cruzamento com outras raças, a árabe designadamente, começado relativamente cedo mas com certa discrição, acabou sem descernimento, o que fez desaparecer quási de todo a casta e nada criou de novo.
É, pois, provável, que no tempo daqueles Reis, e depois até à extinção da Picaria Real quando da primeira invasão francesa, servissem nas Reais Cavalariças bons picadores e para elas se remontassem bons cavalos, adquiridos alguns no estrangeiro, de preferência em Espanha, e outros em Portugal, êstes criados pela Casa de Bragança no Alentejo, pelo Infantado nas lezírias do Tejo, e, finalmente, em Alter-do-Chão."
(Excerto de A Alta-Escola em Portugal)
Matérias: Proémio. | Origem da Equitação de Alta-Escola. | A Alta-Escola em Nápoles. | A Alta-Escola em Espanha. | A Alta-Escola em França. | A Alta-Escola na Áustria. | A Alta-Escola noutros países: Inglaterra; Alemanha; Dinamarca e Suécia. | A Alta-Escola em Portugal. | Evolução da Alta-Escola. | Bibliografia.
Belíssima encadernação em meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ex-libris de António Lobão de Mascarenhas. Capa apresenta assinatura de posse no pé.
Muito invulgar.
Indisponível

13 fevereiro, 2023

AMORIM, Guedes de - MORFINA : novela
. Lisboa, João Romano Torres & C.ª - Editores, [1932]. In-8.º (19 cm) de 197, [1] p. ; B
1.ª edição.
Romance naturalista de costumes sobre o bas-fond lisboeta referente ao 1.º período literário do autor. Retrata a Lisboa viciosa e boémia dos loucos anos 20, das boites e dos cabarets...
"Uma enorme população de noctívagos, formando ruidosa feira cosmopolita, inundava o salão do luxuoso cabaret, ocupando todas as mêsas. Vivia-se, com música, champagne e gargalhadas, mais uma noite de festa dos sentidos. E, pela numerosa frequencia, os mais acostumados ao ambiente, podiam afirmar, cronometricamente, que eram três horas da manhã.
- Provoca-me tonturas viver aqui esta hora alucinante...
Fausto olhos o amigo, sorridente, com um vago ar de descrença, e respondeu-lhe:
- Adoras demasiado a mentira, para que eu possa acreditar-te...
Pedro Antonio, que se sentia agitado por uma tempestade de nervos, retorquiu:
- Falo verdade. Esta hora, vermelha, com os projectores rubros borrifando de sangue toda a sala, asfixia-me de um modo insuportavel.
- Mas tu, Pedro Antonio, adoras o vermelho, o vermelho em fogo, nos teus quadros.
- Mas, nos meus quadros, eu domino essa côr, enquanto que aqui, esta luz domina-nos a tôdos.
Calaram-se. A orquestra, obedecendo á ansia as pernas que queriam redopiar, começou a tocar um tango, romantico, sentimental, venenoso.
Peitilhos lustrosos e decotes mordidos por colares de perolas falsas, unidos, colados, principiaram a ondular sobre o estrado, num ritmo voluptuoso, como se estivessem afogados num sonho de amor oriental.
Sobre os pares que obedeciam fanaticamente áquela musica que convidava a confidencias, caíam agora tiras de luz ainda mais rubra, mais febril, envolvendo os corpos em chamas, dando a sugestão de que os bailarinos dançavam dentro de uma grande e estranha fogueira."
(Excerto do Cap. I)
António Guedes de Amorim (Peso da Régua, 1901 - Lisboa, 1979). Foi um jornalista e escritor autodidacta. Tem crónicas e artigos dispersos pela imprensa - jornais e revistas. Escreveu contos, novelas e romances. A sua obra de ficção está dominada por histórias dramáticas e sobre conflitos sociais, que se desenrolam em ambientes mórbidos e sombrios. Numa primeira fase está próximo do naturalismo; a partir de 1939 envereda pela corrente do Neo-Realismo aproximando-se do Marxismo e, por fim, converte-se a um cristianismo dedicado a S. Francisco de Assis, "que certamente tornou mais conhecida a obra franciscana em Portugal e no mundo."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

12 fevereiro, 2023

PIMENTEL, João Pereira Botelho de Amaral e - SERMÃO SOBRE A TORPEZA DO PECCADO, Pregado na Sé Cathedral de Leiria, por... Bacharel formado em Direito, Deão da Sé Cathedral de Leiria... Na Primeira tarde das Domingas da Quaresma do anno de 1858. Braga: - Typ. União - Á Galeria n.º 12, 1864. In-8.º (20,5 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Sermão de teor pessimista, reflete a desesperança com que, de uma forma geral, o autor encara o comportamento sócio-religioso do povo português.
Opúsculo ilustrado com gravura de Nossa Senhora no frontispício.
"Figura-se-me vêr um grande povo mergulhado em pesado somno, e dominado ao mesmo tempo por um somnambulismo frenetico, que o impelle para um terrivel, e proximo abismo, que lhe era facil evitar!... Eu vejo, Senhores, esse povo immenso, como reunido em larga praça, da qual sahem duas oppostas estradas, uma espaçosa, inclinada e coberta de illusorias flôres, vai finalisar bem depressa n'esse precipicio horrivel, outra, um pouco mais estreita, mas facilmente accessivel, conduz ao feliz termo a que todo elle aspira chegar. E o desgraçado povo somnambulo, longe de se dirigir em paz, e ordem para este ultimo caminho, se atropella em confusão e desordem, como furiosos bachantes, e corre quasi todo, com uma resolução e cegueira de loucos, para a beira d'esse precipicio horrivel, no qual em breve será desgraçadamente sepultado, se não houver alguem que o acorde do lamentavel somnambulismo, de que se acha dominado!..."
(Excerto do Sermão)
João Maria Pereira de Amaral e Pimentel (Oleiros, Castelo Branco, 1815 - Angra do Heroísmo, 1889). "28.º bispo de Angra, que governou a diocese entre 1872 e 1889, homem sensível e culto, dedicado às belas artes e à jardinagem, a quem a Diocese de Angra deve ter iniciado a publicação do Boletim Eclesiástico dos Açores, o qual, com mais de 130 anos de publicação ininterrupta, é hoje a mais antiga publicação periódica dos Açores.
Aparentemente por influência dum seu tio-avô, Frei Simão José Botelho Dourado, que era vigário de Oleiros e professor na Ordem de Malta, enveredou pela vida eclesiástica, ingressando no seminário lazarista de Cernache do Bonjardim.
Quando o Seminário das Missões de Cernache do Bonjardim fechou portas, por expulsão do seu corpo docente, foi obrigado a trabalhar para sustento da mãe e irmãs, sendo sucessivamente secretário do vigário capitular de Leiria, recebedor do concelho de Oleiros, escrivão da Câmara e advogado.
Ingressou no curso de direito da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, obtendo o bacharelato em 1849. Durante este período foi funcionário do Governo Civil do Distrito de Coimbra, para além de litografar sebentas e de exercer outras ocupações com as quais se sustentou.
Obtidas as ordens menores, passou a secretariar o bispo de Bragança, sendo ordenado presbítero em 1850, sendo logo nomeado vigário geral, chantre e vigário capitular daquela diocese.
Transferido para a diocese de Leiria, foi em 1854 nomeado deão, vigário geral e provisor da diocese. Neste ano foi agraciado com a comenda da Real Ordem Militar de Cristo.
Em 1865-1866 foi eleito e confirmado bispo de Macau, mas a nomeação não foi aceite pelo governo português, dada que a confirmação pontifícia restringia a sua jurisdição única e exclusivamente à cidade de Macau, contrariando as pretensões de jurisdição que Portugal mantinha sobre o governo espiritual dos católicos chineses.
Esta recusa levou a que retornasse ao seminário de Cernache do Bonjardim, nas funções de orientador do Colégio das Missões, a cujas actividades deixou ligado o seu nome.
Em Junho de 1871, o governo português apresentou-o à Santa Sé para bispo de Angra, sendo confirmado em consistório realizado em 22 de Dezembro de 1871 e nomeado pelo papa Pio IX.
O novo bispo de Angra nomeou seu procurador o Dr. Ferreira de Sousa que, em seu nome, tomou posse do bispado. Deu entrada na Diocese a 21 de Agosto de 1872, sendo recebido com as honras habituais, que incluíram Te Deum na catedral, onde deu anel a beijar ao clero, autoridades e pessoas de representação, seguindo-se, durante três noites, concerto pela Banda Militar dos Açores no salão de entrada do Paço Episcopal.
Governou com senso, fazendo numerosas visitas pastorais, publicando um acervo doutrinário cobrindo os temas e preocupações da época, com destaque para a Bula da Santa Cruzada, os tempos quaresmais, os excessos de emigração, e a posição do sacerdócio católico, com as suas prerrogativas e obrigações.
Entre a sua actividade normativa, destaca-se a regulamentação da jurisdição dos párocos, coadjutores e capelães e das oferendas às igrejas ou imagens, cruzes, altares e capelas.
Este bispo atravessou uma época difícil, com múltiplas discórdias, a que não eram alheias as facções políticas existentes na ilha e as tensões existentes entre a Igreja Católica Romana e o Estado. Para cúmulo, o relacionamento com o seu coadjutor com direito a sucessão, D. Francisco Maria do Prado Lacerda, o futuro 29.º bispo de Angra, estava longe de ser amistoso, havendo voz pública de graves questões e desentendimentos.
D. João Maria faleceu a 27 de Janeiro de 1889 na Quinta da Estrela, no Caminho de Baixo de São Carlos, arredores da cidade de Angra do Heroísmo.
Homem de profunda sabedoria e delicado espírito científico, era um grande apreciador das belas artes e passava o seu tempo livre cultivando flores."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem contracapa.
Raro.
Indisponível

11 fevereiro, 2023

GALLIS, Alfredo - MÁRTIRES DA VIRGINDADE
. São Paulo, Editora e Distribuidora São Paulo-Rio Ltda., [19--]. In-8.º (19 cm) de 159, [1] p. ; B.
1.ª edição brasileira.
Romance-ensaio de cariz erótico e análise "patológica", conforme é classificado na edição portuguesa. Muito valorizado pelo extenso proémio onde o autor historia e avalia a condição feminina - o aviltamento e subjugação da mulher -, ponto de partida para o presente romance, que, de certa forma, justifica parte da sua produção literária, premonitória e avançada para a época.
Relativamente a Alfredo Gallis, e à presente obra em particular, com a devida vénia a Aline Moreira Duarte, infra reproduzimos excerto do preâmbulo de um seu trabalho:
"Escritor produtivo, Alfredo Gallis fez amplo uso da temática sexual, criando narrativas que descreviam com realismo o ato sexual e o prazer dos personagens, além de outras que evidenciavam, como se dizia na época em vocabulário condenatório, taras, “vícios” ou “perversões libertinas”.
Gallis não escrevia apenas para incitar o prazer do leitor, mas também para estudar e denunciar. As obras naturalistas pretendiam pôr a nu a vida íntima da burguesia portuguesa, revelando “as mazelas de uma sociedade repleta de imoralidades” (EL FAR, 2004, p. 245). Mártires da virgindade é um dos romances naturalistas que Gallis escreveu como forma de denúncia. O proêmio explicava ser o objetivo da obra “apresentar, ao vivo, uma das mais monstruosas violências do nosso tempo” (GALLIS, s. d., p. 17): o celibato forçado da mulher fora do casamento. Servindo-se de termos científicos e de estilo panfletário, Alfredo Gallis propõe uma discussão acerca da privação sexual forçada que levava muitas mulheres, quando não à morte, à loucura. Chamava-se tal condição de “histeria feminina” - um tema que animou a pena de inúmeros escritores do século XIX."
(Fonte: Duarte, Aline Moreira, Naturalismo, pornografia e histeria em Mártires da virgindade, de Alfredo Gallis, UERJ, 2015)
"Na sua fúria, centenas de milhares de vêzes secular, de pretender emendar a simples e pura obra da natureza, o homem tem produzido as mais ridículas monstruosidades e os mais odiosos atentados!
Ora sob os títulos de civilização e progresso, ora sob a falsa máscara da moral, essa vaidade imbecil de querer aperfeiçoar pelo prisma da fragilidade, a seu critério, a grande obra de Deus, tem sempre oferecido a nossos olhos uma série triste de violências e crimes hediondos. [...]
desde a noite escura dos tempos que a mulher tem sido a vítima persistente da maldade do homem, quer a tenham encerrado num convento voltando-a a Deus e fechando-lhe, para sempre, as douradas portas da vida, quer a forcem ao celibato muitas vêzes de aparência voluntária para que a língua do mundo não suje com a sua peçonhenta baba a túnica alva de sua honra.
Nesses casos a hipocrisia, o egoísmo e a violência surgem ativas e cruéis sorrindo diabòlicamente neste tablado de convenções tradicionais e habituais que só caracteres muito enérgicos e espíritos filosóficos podem vencer a luz clara da verdade e da razão."
(Excerto do Proémio)
"De vez em vez, Maria Manuela erguia do bordado os seus lindos e cariciosos olhos castanhos, e fitava-os ansiosamente no mostrador do relógio colocado sôbre uma pequena "etagère" de mogno polido com guarnição de flanela vermelha bordada a lã. [...]
Maria Manuela era um tipo gracioso de mulher, de estatura média, muito roliça de formas, morena, possuindo um perfil lindíssimo relevado pela correcção soberba do nariz irrepreensível, que podia servir de modêlo a um escultor.
Era divinamente bela a sua dentadura alvíssima, igual, perfeita, que dir-se-ia fabricada com esmero por algum protético hábil do que pela simples mão da natureza.
Êsses dentes brancos e polidos como pérolas raras, que desafiavam longos e demorados beijos de amor, engastavam-se numas gengivas vermelhas e sãs, emolduradas entre os finos lábios, côr-de-rosa, úmidos e frescos, sensuais e delicados.
Eram deslumbrantes os seus cabelos negros, sedosos e fúlgidos, levemente ondeados e lindas as sobrancelhas e ramudas pestanas que faziam sobressair os olhos grandes, expressivos e meigos.
Penujava-lhe o lábio superior, deprimido no centro por deliciosa covinha, um buço aveludado, que por mais de uma vez tentara as fantasias de alguns rapazes do seu conhecimento."
(Excerto do Cap. I)
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais Anthony, Rabelais, Condessa do Til e Katisako Aragwisa. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo Rabelais. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Raro.
Edição não cadastrada na Porbase-BNP.
Indisponível

10 fevereiro, 2023

LIMA, Magalhães - VIDA INTERNACIONAL.
Conferencia realisada no Theatro de Republica em 17 de Abril de 1912. Por... O Turismo em Portugal : necessidade de crear e desenvolver a sua industria no nosso paiz
. Lisboa, Composto e Impresso na Imprensa de Manuel Lucas Torres, 1912. In-8.º (21 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Conferência sobre as vantagens económico-sociais do turismo, e premonitória quanto à importância desta indústria no nosso país.
"Uma vez que recebi o convite em viagem, de viagens vos vou tambem fallar, isto é, da vida internacional, d'esse espirito cosmopolita em que reside o futuro da humanidade, e que, por toda a parte, nos penetra e nos envolve, n'um veu de gaze, n'um nervosismo que a machina a vapor e a electricidade traduzem perfeitamente, n'uma febre, que, longe de matar, como quasi todas as febres, ao contrario nos retempera e nos avigora, n'um banho de aço, para as rudes e impiedosas batalhas da existencia.
Viajar não é apenas uma variedade de sensações; é tambem, e principalmente, uma variedade de sentimentos.
A viagem tem, como todas as cousas da vida, a sua philosophia e as suas theorias mais ou menos complicadas. Viajam uns por sport, outros por snobismo, outros por distracção, outros por estudo e outros ainda por motivos de saude. [...]
Haverá, porventura, paiz mais lindo do que o nosso amado Portugal, com os seus vergéis odoriferos, as suas larangeiras perfumadas, os seus rios murmurantes, as suas paizagens sem rival? [...]
E quem assim possue uma patria tão linda, tão linda, tão linda, que nada tem que invejar ás outras, pode e deve sentir-se ufano. Precisamos de nos curar do terrivel vicio de dizer mal de tudo e de todos."
(Excerto de O internacionalismo)
"Não ha só exercitos em marcha: ha tambem povos em marcha. E, n'esta marcha radiosa para a luz, para a vida, para a belleza, e para o amor, os povos confundem-se no mesmo ideal da libertação dos espiritos e da emancipação das consciencias. D'este movimento verdadeiramente planetario, não pode isolar-se a Republica Portugueza, sob pena de suicidar-se. [...]
Vae abrir-se proximamente o canal do Panamá que é, a meu vêr, o abraço e o beijo de dois oceanos, um facto tão grandioso, como o foi a descoberta do caminho maritimo para a India, que modificou profundamente o commercio internacional. [...]
O turismo não é só a alegria, o movimento, a belleza, a vida: é tambem a saude e a riqueza. Do seu desenvolvimento depende o nosso futuro."
(Excerto de O turismo)
Matérias:
A razão da minha conferencia. | O internacionlismo. | O turismo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas alvo de pequenos restauros.
Raro.
Com significado histórico.
Indisponível

09 fevereiro, 2023

EMBLEMAS PESSOAIS.
Livro N.º 7 - Asuntos de Interêsse Individual
. Paisley, Escocia, Clark e Ca. Lda., [19--]. In-8.º (19 cm) de 28 p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa publicação da Clark & C.ª, conhecida empresa escocesa do ramo das confecções, há muito instalada em Portugal. O presente livrinho é uma espécie de manual/catálogo para divulgação dos emblemas «Ancora», marca distribuída pela Clark (subsidiária da Coats & Clark?) para marcação personalizada de vestuário, ao gosto de cada um, através de decalques ou bordados, costume em voga nos meados do século XX e há muito caído em desuso.
Bonita edição, ilustrada com grande variedade de "emblemas".
Capa belíssima, não assinada.
"Na sua roupa póde ser simbolizada a personalidade de V. Exª - ou o seu passatempo predilecto. Examine as ideias apontadas neste folheto, e se não encontra o desenho que pretende, terá na página 27 cinqùenta Emblemas "Ancora" entre os quais poderá fazer a sua escolha. [...]
É surpreendente a rapidez com que estes Emblemas podem ser bordados e a pouca linha que neles se gasta. Os Emblemas Pessoais servem ainda como marca da roupa, especialmente quando combinados com iniciais, conforme alguns exemplos que adiante apresentamos. Para obter os melhores resultados, é conveniente seguir as instrucções que vão em frente a cada página de decalques químicos, onde tambem damos, para cada Emblema, uma série de cinco combinações de côres."
(Excerto  da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

08 fevereiro, 2023

O SOLITARIO DE TERRASSON.
HISTORIA VERDADEIRA, E MUITO INTERESSANTE
. Lisboa. M. DCCCVI. Na Offic. de Simão Thadeo Ferreira. Com licença de Sua Alteza Real. In-8.º (13,5 cm) de 156, [10] p. ; B.
1.ª edição.
História de um eremita. Novela traduzida do francês, ao gosto da época, referenciada como assente em factos verídicos. As 10 últimas páginas são preenchidas com a Lista dos Assignantes - onde constam os nomes dos subscritores da obra.
Nota biobibliográfica da BNP: "Not. 494 in Gonçalves Rodrigues A Novelística estrangeira em versão portuguesa no periodo pré-romântico. Indicação de Balbi le Solitaire de Terrasson, histoire intéressante por Madame de..., Paris, 1733, 182 p. Jones, 65, atribui-o à Marquesa de Merville (Mme Bruneau de la Rabatalliére Merville)"
"Desejando sempre com muita satisfação cumprir as ordens de V. Excellencia, tenho agora o maior prazer em executar a que V. Excellencia me dá, para a informar exactamente de tudo quanto diz respeito ao Solitario de Terrasson; porque tenho a certeza de que esta narração poderá entreter a V. Excellencia alguns momentos. Desejo unicamente, que o modo de a escrever não diminua a belleza do assumpto: mas a pezar da falta  de delicadeza, e graça, que são talentos totalmente desconhecidos neste Paiz, seguro a V. Excellencia, que a relação será muito exacta, e sincera; e espero que a ordem, que V. Excellencia me deo de não omittir nenhum particular, fará desculpavel a extensão desta Carta. [...]
Princípio por dizer a V. Excellencia, que o Solitario de Terrasson só foi conhecido por este nome, pelo espaço de hum anno, tendo chegado a este deserto no rigor do inverno do anno de mil seiscentos e setenta e quatro. He notorio, que este Paiz he muito frio, e particularmente nas montanhas; elle escolheo huma para o seu retiro, no cume da qual ha huma gruta muito espaçosa, que a natureza formou em hum rochedo, e que o nosso Solitario arranjou de modo, que hum  homem a podesse habitar, não commodamente, mas que o abrigasse contra as féras selvagens.
(Excerto de Carta á Duqueza de...)
Exemplar brochado, desencadernado, em bom estado de conservação.
Raro.
20€

07 fevereiro, 2023

MARQUES, Manuel Simões Rodrigues - OS MEUS SOLDADINHOS : Grande Guerra - 1914-1918. [Albergaria dos Doze], Quilate, Gráfica, 2018. In-4.º (24 cm) de 123, [5] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor aos Soldadinhos - os membros da sua família que integraram as forças expedicionárias portuguesas na Primeira Guerra Mundial.
Livro muito ilustrado com fac-símiles de correspondência e documentos oficiais pertencentes aos "soldadinhos".
Na capa vem reproduzido o telegrama que deu início à conflagração, estando impresso na contracapa a primeira página do jornal Le Matin, de 12 de Novembro de 1918, que noticia o final do conflito.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Há-de servir este escrito para fundamentar a ideia que me baila no espírito há muitos anos, por forma a contribuir para a memória colectiva dos povos, contando as histórias de alguns dos meus Soldadinhos.
Não pretendo escrever a História que essa já está escrita por quem tem mais engenho e arte do que eu.
Pretendo, isso sim, que fique em letra de forma a forma como a família recorda os seus entes queridos que foram à guerra, em África ou nas terras de ninguém, em França, à conta de uma mão vazia e de outra cheia de nada.
Mas o Estado português "vendeu", aos ingleses, cada um dos meus Soldadinhos por uma libra esterlina.
Por isso entendi que devia enquadrar as famílias no teatro de guerra."
(Excerto da Introdução)
Índice:
1- Introdução. 2 - Enquadramento em Albergaria dos Doze. 3 - O Soldadinho Felizardo Simões. 4 - O Soldadinho António Marques. 5 - O Soldadinho Joaquim das Neves Júnior. 6 - Os Soldadinhos do Concelho de Pombal. 7 - Os Soldadinhos que morreram na guerra. 8 - Histórias de guerra. 9 - Poemas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

06 fevereiro, 2023

MIRANDA, Raúl de - TREMORES DE TERRA.
I. Estudo macrosismico. 1.ª Edição. [Por]... Assistente de Geografia Física e Física do Globo na Universidade de Coimbra
. Coimbra, Depositários: Silva Raposo & C.ª L.da, 1931. In-8.º (19 cm) de 175, [1] p. ;
[10] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre sismologia, sendo a sua divulgação popular o principal objectivo do autor. Plano de obra previsto para dois volumes, contemplando a vertente macrossísmica (o presente trabalho), e o estudo microssísmico (que não viria a ser publicado).
Livro ilustrado: no texto, com quadros e tabelas estatísticas, e em página inteira, com um mapa de Portugal continental e um esquema isossista do tremor de terra da Horta (1926); em separado, com 10 páginas, sendo duas delas dedicadas à representação do globo terrestre - "Distribuição geográfica das zonas sismicas mais importantes" -, e as restantes oito, preenchidas com imagens de destruição causada pelos tremores de terra ocorridos em Benavente (1909) e Horta (1926).
"Os tremores de terra, cujos efeitos desastrosos dia a dia os jornais relatam, lançando por vezes populações inteiras na miséria e na dôr unindo milhares de creaturas, são hoje ainda uma das forças mais violentas por que se manifesta a energia da Terra e que mais têm impressionado e impressiona ainda vivamente os habitantes.
Justo é dedicar ao estudo desses fenómenos cuidada atenção e interêsse profundo.
Divulgar esse estudo, tornando acessível à maior parte o conhecimento desses fenómenos e interessando o grande público nestas questões, tal é a idea que presidiu à orientação do trabalho presente."
(Excerto do Preâmbulo)
Indice:
Preâmbulo. | I - Da evolução das teorias e conceitos sismologicos. II - O que é o tremor de terra. III - Escalas sismicas. IV - Construções anti-sismicas. V - Tremores submarinos e vagas sismicas. VI - Os grandes tremores de terra destruïdores. VII - Distribuição geográfica dos tremores. VIII - A sismicidade em Portugal. | Bibliografia.
Raul de Miranda (1902-1978). "Nasceu em Coimbra a 19 de Dezembro de 1902 e faleceu a 5 de Outubro de 1978. Foi um geólogo português. Escreveu vários artigos em publicações periódicas e trabalhos científicos, sobretudo de Geologia e Paleontologia. Foi professor provisório na Escola Comercial e Industrial Brotero em Coimbra e professor do ensino secundário particular no Colégio de Portugal. Atuou como Conservador-adjunto do Museu de Arte e Arqueologia Machado de Castro. Fundou a revista de Geofísica A Terra e em 1932 fundou a Sociedade de Meteorologia e Geofísica de Portugal da qual foi Secretário-Geral. In Universidade de Coimbra [consult. 2015-05-25 20:09:13] Disponível na Internet: http://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/MIRANDA_raulfernandesramalhode
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel, registando-se falha maior na contracapa. Lombada apresenta falha de suporte no quarto inferior. Número e carimbo de biblioteca nas f. rosto e ante-rosto. Inclui bolsa no verso da contracapa, com respectivo registo de empréstimo (curioso).
Raro.
25€

05 fevereiro, 2023

FESTAS DA RAINHA SANTA -
Programa Oficial das Festas da Rainha Santa - Coimbra : 4 a 12 de Julho : 1970
. [Coimbra], Comissão Municipal de Turismo de Coimbra, 1970. In-4.º (23,5 cm) de [88] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Programa das Festas da Rainha Santa respeitante a 1970.
Valorizado pelo extenso preâmbulo - Saudação - de Urbano Duarte (1917-1980), "padre, professor e jornalista, que em todas estas áreas se distingue, tanto pela fulgurante inteligência como pela permanente disponibilidade e sentido de serviço, assumindo-se como figura incontornável da sociedade coimbrã - e, mesmo, da vida nacional - da segunda metade do século XX." (in 7 Margens)
Programa ilustrado com fotogravuras de vistas da cidade e publicidade da época, sendo os textos subscritos por personalidades locais. Capa belíssima, não assinada.
"Rainha Santa Isabel!
Aceitei o encargo de, em nome de Coimbra de que sois Padroeira, Vos saudar, neste momento em que a vossa Imagem, descendo do altar de Santa Clara, vem percorrer as ruas da Baixa.
Missão difícil, Senhora, pois não encontro palavras simples e belas que possam traduzir a confiança e ternura, a esperança e veneração - o incontido amor! - que o povo de Coimbra alimenta por Vós, Rainha Santa!
Reparai, Senhora, neste mar de gente: o seu rosto e o seu recolhimento, a sua prece e os seus sacrifícios, a sua alegria e as suas lágrimas falam, com eloquência esmagadora, de quanto sois querida.
Atendei, Senhora, em como este povo transformou em rios de luz o asfalto negro dos caminhos, na meiga ilusão da vossa imagem como que deslizar por entre estrelas, - «irmã dos astros cintilantes» - de tal maneira sois o «celeste prodígio» a refulgir a glória de Deus.
Permiti, Senhora, que o vosso olhar desça às funduras mais secretas do nosso peito, e vereis, então, as maravilhas de todos estes corações humanos aqui presentes em cortejo de íntimas oferendas: uns a repetir-vos mil graças pelo valimento; outros a querer tocar a fímbria do vosso manto, porque em aflição; estes, com saudade daquilo que foram, ansiosos de regressar ao bom caminho, que talvez seja o luar que esqueceram, a virtude em que foram vencidos, a força de ânimo para lutar, ou a ressurreição na fé que tiveram.
Rainha Santa! sempre que entrais em Coimbra, sois a senhora do coração de Coimbra."
(Excerto de Saudação - Urbano Duarte)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capa cansada, apresenta canto inferior direito levemente "esboroado". Mancha de tinta na primeira folha de texto, com rasgão (sem perda de suporte).
Raro.
Sem registo na BNP.
10€
Reservado

04 fevereiro, 2023

MAGNETISMO ANIMAL - Principios de Magnetologia ou methodo facil de apender a magnetisar : segundo os systemas de Mesmar, Puységur, Deleuze, De Lausanne, Róstan, Brivasae, Ricard, Du Potet, Gauthier e Lafontaine. Lisboa, Typographia do Progresso, 1884. Reservam-se os direitos de reproducção. In-8.º (17 cm) de 253, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante manual para divulgação do magnetismo animal, um dos primeiros a ser publicados entre nós.
Livro valorizado pela dedicatória manuscrita de Aníbal Moutinho - o compilador - ao Dr. Rebelo da Silva.
"Não havendo, que eu saiba, em portuguez obra alguma elementar, que trate do magnetismo humano, senão um resumo do Tratado theorico e pratico do magnetismo animal, por J. J. A. Ricard, publicado no Porto em 1845, cuja edição se esgotou ha muito, e reconhecendo as vantagens da sua reproducção, dei-me ao trabalho de lhe adiccionar os sytemas do Barão du Potet, Aubin Gauthier e Carlos Lafontaine, parecendo-me facilitar assim os meios de qualquer se poder convencer a si proprio da verdade das manifestações magneticas, e, o que é mais, da utilidade da transmissão do fluido vital com o agente therapeutico, sempre benefico, sendo convenientemente applicado.
E como estar parte é a que mais custa a acreditar ás pessoas que não teem conhecimentos praticos do magnetismo, julguei indispensavel apresentar tambem a theoria do doutor T. Oriard sobre a causa das doenças; theoria esta que explica egualmente como o fluido vital ou electrico-animal póde restituir a saude ás pessoas accommettidas de certas molestias. [...]
Pareceu-me além d'isso util dizer tambem duas palavras sobre a escolha do magnetisador, e quaes os motivos que, no meu entender, teem obstado á vulgarisação da pratica do magnetismo."
(Excerto do preâmbulo - Ao leitor)
Matérias:
Ao leitor. | Advertencia da edição de 1845. | Lanço d'olhos sobre a historia do magnetismo. | Do magnetismo animal. | Phenomenos magneticos. | Differentes fórmas do somnambulismo e riscos que póde correr. | Praticas ensinadas pelo auctor. | Systema de Mesmer. | Systema de Puységur. | Systema de M. Deleuze. | Systema de M. de Lauzanne. | Systema de M. Rostan. | Systema de M. Brivasac. | Systema do Barão du Potet. | Systema de Aubin Gauthier. | Systema de Carlos Lafontaine. | Precauções que devem tomar os magnetisadores. - Perigos de sua negligencia. - Sensações magneticas em certos individuos. | Differentes qualidades do fluido magnetico. | Existencia do fluido magnetico animal. | Comparação dos fluidos galvanico e magnetico animal. | Comparação do fluido dos imans com o systema nervoso. | Comparação dos fluidos electro-magnetico e magnetico animal. | Comparação da electricidade natural dos corpos com o fluido nervoso. | Reflexões de Sophia Rosen-Dufaure ácerca do magnetismo animal. | Apreciação do Mesmerismo pelo Marechal Duque de Saldanha. | Como se explica que se possa curar pelo magnetismo animal. | Da escolha do magnetisador. | Motivos pelos quaes o magnetismo animal não tem sido até hoje adoptado geralmente. | Lista d'algumas obras que podem ser consultadas sobre o magnetismo: [Lista de obras - autor e título]. | Indice. | Erratas.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Algo oxidado no interior, umas páginas mais que outras.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

03 fevereiro, 2023

PÃO BARATO : o problema cerealifero em Portugal - AO POVO PORTUGUEZ
. Lisboa, Typographia - Calçada de Sant'Anna, 40 e 42, [1913?]. In-8.º (20,5 cm) de 12, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da crise cerealífera portuguesa que eclodiu pouco tempo após a instauração da República, consequência directa da crise mundial de 1913-1914, e do condicionamento da modernização da agricultura, fruto de uma visão governativa centrada no aproveitamento da conjuntura proteccionista.
"Espera solução do Governo e do Parlamento uma das mais graves questões de administração publica, que interessa essencialmente á subsistencia das classes pobres da nossa terra. Não póde vigorar por mais tempo o vigente regimen cerealifero que obriga as classes pobres a pagarem com o preço elevadissimo do pão - alimento de primeira necessidade - as custas da protecção dispensada á agricultura, protecção que, afinal, reverte em beneficio exclusivo dos sindicatos que exploram a mesma agricultura.
Um regimen artificial que, por engrenagem diabolica, obriga os poderes publicos a elevarem sempre o preço do kilogramma de trigo exotico até 60 réis, constitue a mais grave afronta ás justas reclamações do povo portuguez, que, para trabalhar, necessita de viver."
(Excerto de Ao publico - o preço do pão)
Matérias:
Ao publico - o preço do pão. | Problema cerealifero - lavoura, moagem e panificação: A questão é muito complexa e está ligada ao problema do regimen cerealifero diz-nos o sr. Antonio Castanheira Moura; O nosso regimen cerealifero é a mais monstruosa das iniquidades; A protecção á lavoura, em 8 anos, custou ao consumidor de pão 40.000 conto de réis; A abolição do limite das padarias não determinou o barateamento do pão. | Portugal é o unico paiz do mundo em que o pão tem um preço oficial afirma o sr. Antonio Castanheira Moura: A abolição do limite das padarias não podia baratear o preço do pão; Em Portugal um kilograma de farinha de trigo custa mais do que um kilograma de pão da mesma farinha; A panificação que é o "cobrador" da moagem e da agricultura nacional, nem sempre tem tido as simpatias do consumidor; A reforma radical do regimen cerealifero, eis a unica solução.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas. Sublinhados a lápis.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 fevereiro, 2023

CASTELLO BRANCO, Camilo - AMOR DE PERDICIÓN : novela completa.
Por...
Madrid, Revista Literaria Novelas y Cuentos, 1950. In-8.º (22,5 cm) de 65, [3] p. (inc. capas) ; B.
Capa (belíssima) do conhecido ilustrador andaluz Manolo Prieto (1912-1991).
Novela completa: Una emoción desgarradora impregna los capítulos de esta historia, acerca de la qual ha dicho Unamuno: "Es la novela de pasión amorosa más intensa y más profunda que se haya escrito en la península, y uno de los pocos libros representativos de nuestra común alma ibérica.
Amor de Perdição, obra maior de Camilo Castelo Branco, e uma das mais emblemáticas da literatura nacional, aqui apresentada sob a forma de "folheto de cordel"(!) - publicação semanal duma revista madrilena - a Revista Literaria Novelas y Cuentos, datada de 10 de Dezembro de 1950. O formato editorial e fraca qualidade do papel remete para o atraso e pobreza generalizada em que se encontrava mergulhado o país vizinho, uma década após o final da Guerra Civil.
O romance é precedido de um breve resumo bio-bibliográfico de Camilo e do Amor de Perdição.
Peça camiliana rara, com interesse para a bibliografia do grande prosador.
"Amor de Perdición", segundo Azorin, "es una de las novelas más intensas que ha producido la literatura portuguesa..." Fué escrita en 1861, durante la permanencia de su autor en una carcél de Oporto, a la cual le llevó un escandaloso proceso de adulterio. "Amor de Perdición" es el relato vivido de los trágicos amores de un tio suyo. La novela tiene bien justificado su título, puesto que en ella el amor es la causa de la perdición de todos sus personajes pricipales, tan hábilmente descritos por el agudo ingenio de Castello Branco, que vertió todas las exquisiteces de su pluma en esta obra maestra."
(Excerto do Resumo)
"Hojeando los libros antiguos de registro de la cárcel de la audiencia de Oporto, leí en el de entradas de presos de 1803 a 1805, al folio 232, lo siguiente:
"Simón Antonio Botello, que asi dijo llamarse, soltero, estudiante de la Universidad de Coimbra, natural de la ciudad de Lisboa, y residente en Vizeu en la época en que fué denetido, de dieciocho años de edad, hijo de Domingo José Correia Botello y de doña Rita Preciosa Caldeira Castello Branco, estatura ordinaria, cara redonda, ojos castaños, pelo y barba negros, vestido con chaquetón de bayeta azul, chaleco de color y pantalón de paño pardo. Cuyo asiento fué echo por mí, y lo firmo.
Felipe Moreira Diaz."
Al margen izquierdo del asiento se ve escrito:
"Salió para la India en 17 de marzo de 1807."
No entiendo que sea confiar demasiado en la sensibilidad del lector el creer que la deportación de un joven de dieciocho años le ha de causar lástima."
(Excerto da Introduccion)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, alvo de restauro, bem como a segunda folha de texto. Terceira folha apresenta pequena falha de papel no pé, com perda de suporte, afectando marginalmente o texto.
Muito raro.
Com interesse camiliano.
35€

01 fevereiro, 2023

ALMEIDA, Prof. Doutor Justino Mendes de - D. JOÃO III E CAMÕES. Separata do Boletim N.º 31 - 2004
. [Lisboa], Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 2004. In-8.º (23,5 cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio camoniano/joanino.
Opúsculo ilustrado com um retrato do autor impresso no início do texto.
"Que melhor forma de celebrar o rei Piedoso do que aproximá-lo do Príncipe dos poetas portugueses, se não hispânicos?
Nascido por volta de 1531 (hoje todas as reservas se põem ao ano de 1524 ou 1525, segundo indicação de Faria e Sousa), Luís de Camões, ainda que o seu poema seja uma exaltação ao rei D. Sebastião, desde a dedicatória à "bem nascida segurança" que por fim premeia o Poeta com uma tença anual de 15 mil reais brancos, pela ordem como declarou "os principais feitos dos Portugueses nas partes da Índia", não teria redigido Os Lusíadas sem o alto patrocínio de D. João III. E como se manifestou esse patrocínio? Leia-se a "carta de perdão" a Luís de Camões, mas antes lembremos o enquadramento cronológico de Camões e D. João III: o Poeta terá nascido por 1531, vai ao Norte de África por 1549, parte para a Índia em 1553 (depois de nove meses de prisão no Tronco da Cidade), regressa a Lisboa em 1570, morre em 1580 (de acordo com um documento da chancelaria régia); D. João III nasce em 1503, morre em 1557. Subiu ao trono em 1521. Decorrem, portanto, 26 anos da vida do Poeta, em tempos de D. João III, ou melhor, a partir da coroação de D. João III, do nascimento de Camões e da morte do monarca, há um período de cerca de 10 anos, descontado o tempo dos muitos prováveis estudos em Coimbra, durante os quais, Luís Vaz de Camões pôde ter sido um vassalo de D. João III, aceite na Corte, e servidor do Rei em feitos de armas."
(Excerto do estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Sem registo na BNP.
10€