22 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - O REMEXIDO.
Volume I [Volume II]
. Porto, Companhia Portugueza Editora, [1922]. 2 vols in-8.º (18 cm) de 201, [3] p. ; [1] f. il. (I) e 192 p. ; [2] f. il. ; [1] fac-sim. desdob. ; E. num único tomo
1.ª edição.
Biografia romanceada do Remexido (1796-1838), guerrilheiro algarvio leal a D. Miguel que manteve acesa a resistência absolutista no sul do país, mesmo após a Convenção de Évora-Monte, assinada a 26 de maio de 1834, acto que formalizou o termo da guerra civil (1832-1834).
Obra em dois volumes (completa) ilustrada em separado: No 1.º volume: uma estampa de D. Maria II. No 2.º volume: três estampas e um documento fac-símile, respectivamente, Marquez de Sá da Bandeira - Uma das suas ultimas photographias (repetida); O Remexido no momento da prisão - Copia de uma gravura da epocha; Fac-símile desdobrável: Proclamação dirigida aos portugueses pelo próprio Remexido no seu quartel “em as Serras” do Algarve, a 3-5-1837, em que se intitulava Governador do Algarve, Comandante em Chefe Interino do Exército do Sul e Brigadeiro dos seus Reais Exércitos.
"- Com que então alcunharam-te de Remexido por tanto teres trabalhado para demover a minha tyrannia, para alcançar o meu consentimento - dizia n'um tom entre ironico e maguado o prior de Alcantarilha para o sobrinho no dia do casamento d'este.
A responsabilidade da antonomazia pertence a Maria, a minha querida Maria - explicou com uma expressão de ineffavel felicidade Sousa Reis, abraçando n'um duplo amplexo a mulher e o tio.
- O peor - continuou o sacerdote - é que os amigos acharam graça á alcunha  já ninguem te chama Sousa Reis, é só Remexido para aqui, Remexido para alli.
Assim succedeu na realidade O sobrenome de tal modo se espalhou e popularizou que adquiriu vinculos de appelido. Mais tarde, quando uma abundante prole abençoou o enlace, os filhos accrescentaram á designação patronimica aquella que um dia tão tragica notoriedade havia de adquirir. [...]
Uma semana após o casamento, o prior de Alcantarilha chamou o sobrinho ao seu escriptorio, e disse-lhe: - Como te prometti, e ficou assente com o virtuoso prelado, bispo d'esta diocese, tratarás dos dizímos de S. Marcos e de parte dos e S. Bartholomeu pertencentes á mitra e ao cabido.
- Já sei, meu querido tio, vou eu pessoalmente proceder á cobrança junto com os creados.
- Esse negocio e outros  devem produzir o suficiente para viveres remediado..."
(Excerto do Cap. IX - O desembarque de D. João VI)
Encadernações recentes inteiras de percalina com ferros gravados a ouro nas lomabadas. Conservam as capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

21 dezembro, 2022

OLIVEIRA, Dom Ernesto Sena de - PROVISÃO SOBRE NOSSA SENHORA E OS SEMINÁRIOS DE COIMBRA.
[Por]... Arcebispo Bispo de Coimbra
. [S.l.], [s.n. - Tip. Gráfica de Coimbra - Coimbra], 1954. In-8.º (20,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa apologia aos seminários, pelo Bispo de Coimbra, D. Ernesto Sena de Oliveira.
"Por agora, limitar-Nos-emos a falar-vos dum assunto de que já tantas vezes Nos temos ocupado nesta altura do ano e que aliás, se não erramos, tão intimamente se prende com a missão altíssima e essencial de Nossa Senhora.
Queremos referi-Nos aos Seminários.
Qual foi a missão essencial a que Deus chamou Nossa Senhora?
Foi indubitàvelmente a de dar Cristo ao mundo, isto é, a de dar ao mundo Aquele que é a Sua luz e o Seu Salvador.
A que se destinam por seu turno os Seminários? A dar ao mundo sacerdotes que são "outros Cristos", quer dizer, homens investidos no próprio sacerdócio de Cristo, destinados a ser n'Ele, com Ele e por Ele, «Luz do mundo e sal da terra» (S. Mat. V, 13) como o próprio Cristo proclamou."
(A missão essencial de Nossa Senhora/A função dos Seminários)
Matérias:
Quase ao findar do Ano Mariano. | Peregrinação ao Santuário de Fátima. | Encerramento do Ano Mariano em Coimbra. | A missão essencial de Nossa Senhora. | A função dos seminários. | A missão do sacerdote. | Maria Santíssima, o Seminário e o Sacerdote. | destinados a uma obra eminentemente sobrenatural os seminários precisam de recursos terrenos e temporais. | Depois do tufão revolucionário. | Apelo ao Clero. | Apelo aos fiéis em geral. | A caridade deve a ajudar todos. | Para o Seminário um quinhão e um carinho especial. | O que importa fazer. | Esmola pequenina mas de todos e alegremente dada. | Intenções da «Semana ou Campanha dos Seminários». | Comissões Paroquiais que devem superintender na Campanha. | Ofertório público e solene das dádivas recolhidas durante a semana. | Procissão do Ofertório. | Fundada esperança do Pastor. | Disposições práticas.
D. Ernesto Sena de Oliveira (Funchal, 1892 - Santa Cruz, Coimbra, 1972). "Foi transferido em 28 de Outubro de 1948, da Diocese de Lamego para a Mitra de Coimbra, e fez a sua entrada na Diocese em 13 de Março de 1949. Continuou a remodelação dos três edifícios do Seminário, quartos, soalhos, corredores, mobiliário e aformoseamento do átrio norte do Seminário. Em 1958 celebrou-se o segundo centenário do Seminário e foi inaugurado um busto do fundador. Deu grande impulso à Acção Católica, construiu de raiz o novo Paço Episcopal na Rua do Brasil para onde se mudou em 1961; em 1962 fez construir o Colégio São Teotónio; adquiriu para a Diocese a Casa e Quinta de S. António em Penacova. Resignou em 12.8.1967 e faleceu em 15 de Outubro de 1972."
(Fonte: https://www.diocesedecoimbra.pt/diocese/historia/bispos/1948-1967-d-ernesto-sena-de-oliveira:1152)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

20 dezembro, 2022

CORREIA, General J. Santos - O NOVE DE ABRIL E A PRIMEIRA GRANDE GUERRA.
Conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa em 9 de Abril de 1953. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa : Janeiro a Março de 1954
. Lisboa, [Distribuidores Gomes & Rodrigues, L.da, 1954. In-4.º (24,5cm) de 34, [2] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição. 
Conferência proferida pelo General Santos Correia sobre a participação portuguesa na Grande Guerra, e em especial na Batalha de La Lys, trágico episódio da nossa história militar, não deixando no entanto de focar os antecedentes do conflito.
Edição ilustrada com 4 folhas separadas do texto:
1. Mapa do teatro de operações militares com pormenor das frentes. 2. Mapa com dispositivo da 2.ª Divisão, em 8/9 de Abril de 1918. 3. Fotografia do Padrão de Lacouture e Uma trincheira portuguesa. 4. Fotografias da Festa da Vitória - desfile dos combatentes portugueses: em Paris; em Londres.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Coronel Mauro Olavo Correia de Azevedo.
"O Sector Português estava situado numa planície argilosa, que o degelo ou as chuvas transformavam em lamaceios, motivo dos muitos drenos que o atravessavam, permitindo a saída das águas para o rio Lys, ao Norte, e para a ribeira Lawe, sua tributária, a Oeste.
Ao longo dos seus 10 quilómetros de frente, estendia-se uma trincheira contínua - a linha avançada ou Linha A -, em parte cavada nesse terreno, preservando-se os combatentes do contacto da água por meio de grades de madeira colocadas acima do fundo. Um muro de sacos de terra servia-lhe de parapeito; à frente, três faixas de arame farpado dificultavam o seu acesso ao inimigo.
Para além dessa linha, uns 100 a 300 metros, ficava a 1.ª linha inimiga e, entre ambas, a «terra de ninguém», faixa de terra revolvida pelas granadas, onde apenas se via uma ou outra árvore decepada, vestígio de antiga casa ou cratera formada por granada, que a água transformava em pântano. Era uma faixa de desolação e morte: de desolação, pelo seu aspecto triste; de morte, porque, dia e noite, os combatentes a vigiavam."
(Excerto de A Batalha do Lys ou o 9 de Abril)
Índice:  [Preâmbulo]. | O Anteguerra. | A Guerra. | A intervenção de Portugal na Guerra. | O C. E. P. | A Batalha do Lys ou o 9 de Abril. | A Continuação da Guerra. | A Última Ofensiva. | A Cooperação de Portugal. | Dois esboços. | Quatro fotografias, of. do Sr. A. Garcês.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 dezembro, 2022

AGOSTINHO, José - A SANTA DOS IMPOSSIVEIS. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1931. In-8.º (20 cm) de [14], 152 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia romanceada de Santa Rita de Cássia (1381-1457), freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália. Devido aos milagres obtidos por sua intercessão o povo deu-lhe o nome de "Santa das causas impossíveis", tendo sido venerada sobretudo em Itália, Portugal e Espanha, onde o seu culto alastrou rapidamente.
Livro ilustrado em separado com reprodução de uma pintura da Santa.
"A tarde de 22 de Maio de 1381 veio cálida e embalsamada, propicia a idilios e clemencias. Antonio Mancini não fôra á herdade, seu labor e sustento.
Amata aconchegara-se no cadeirão da sua camara, envolta em roupagens. Tiritava, como se o tempo não fosse de sol estival e gemia como fonte crispada pelos ventos do sul, num pressentimento de vendaval e horror.
A aproximação do parto cobria-a de convulsões e agonias, de calafrios e espasmos. Esperavam com ansia pela parteira, que áquelas horas já tinha partido de Cassia na sua burrinha, nada e criada na Sardenha longinqua.
A sua burrinha! Firme e veloz de passo, robusta e amoravel, zelosa como se entendesse e amasse a sua missão, o seu relincho estridente era o alento, o repouso e o jubilo das parturientes daquelês rincões."
(Excerto do Cap. II)
José Agostinho de Oliveira (Lamego, 1866 - Lisboa, 1938). "Mais conhecido por José Agostinho, foi um professor, escritor, dramaturgo e crítico literário português. Autor de vasta obra em prosa e em verso. Escreveu ainda para a imprensa portuguesa e brasileira.”
(Fonte: Wikipédia)

Encadernação editorial inteira de percalina com feros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

18 dezembro, 2022

PEDROSO, Z. Consiglieri - A CONSTITUIÇÃO DA FAMILIA PRIMITIVA.
These para o Concurso da Primeira Cadeira do Curso Superior de Lettras (Historia Universal e Patria). Historia Ante-Historica. Por...
Lisboa, Lallemant Frères : Fornecedores da Casa de Bragança, 1878. In-8.º (20,5 cm) de IX, [1], 54 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante e valioso ensaio académico sobre a organização familiar no período pré-histórico.
Livro muitíssimo valorizado pela dedicatória manuscrita do autor "ao seu amigo J. de Freitas Branco".
"Anterior aos Kings, ao Pentateucho, á Iliada, ao Avesta, ao mais antigo hymno do Rik, e ao mais velho monumento da civilisação pharaonica, que é a mais velha civilisação historica, ha uma larga serie de seculos, durante os quaes o homem esboçou as primeiras fórmas do seu viver, e ensaiou os primeiros passos na estrada do progresso. Remontar, principalmente pela inducção scientifica auxiliada pelo methodo comparativo, e tendo em vista o que atraz deixámos dito, até esse longinqua epoca, é ir investigar o verdadeiro campo das nossa origens. Foi o que fizemos na nossa these, não perdendo num um unico momento de vista o principio critico superior que enunciámos, e fazendo entrar para a resolução do nosso problema os elementos que nos ministram as sciencias sociologicas, recentemente constituidas."
(Excerto do preâmbulo)
"Nada ha mais profundo e ao mesmo tempo mais curioso para a investigação  do philosopho e do historiador do que a alma de um povo. Emquanto as camadas superiores das sociedades se transformam  n'uma evolução constante, mudando a cada momento de aspecto, o povo, embora tendo da mesma sorte a sua evolução, guarda fielmente o deposito sagrado das suas tradições, que se transformam tambem, mas só com muita difficuldade se desarreigam do seu espirito. Atravessam incolumes estas tradições as epocas de mais brilhante civilisação, e se nem sempre se apresentam á luz do dia, nem por isso deixa de viver e ser evocadas no recinto do lar e no limitado circulo da familia, como as poeticas e saudosas recordações da infancia, que por vezes occorrem ao espirito do homem, já adulto, no recolhimento das suas meditações."
(Excerto de O elemento tradicional no estudo das origens historicas)
Matérias:
[Preâmbulo]. | Concepção acientifica da Historia ou sociologia concreta. | O elemento tradicional no estudo das origens historicas. | A constituição da familia entre as populações actuaes de civilisação rudimentar. | A constituição da familia entre a gente arica no começo dos tempos historicos. | Conclusão: A constituição da familia primitiva.
Zófimo José Consiglieri Pedroso Gomes da Silva (Lisboa, 1851 - Sintra, 1910). "Mais conhecido por Consiglieri Pedroso, foi um político, etnógrafo, ensaísta, escritor, professor e director do Curso Superior de Letras. Inicialmente militante do Partido Progressista e depois militante republicano, foi deputado às Cortes da Monarquia, eleito pelo círculo eleitoral de Lisboa. Orador de grande qualidade e de improviso fácil, raramente escrevia os discursos, ficando famoso pela acutilância dos seus folhetos doutrinários e como doutrinador republicano conhecido pela sua verve e recorte literário, tendo publicado várias obras e folhetos de pendor propagandístico. Para além da história, dedicou-se à etnografia e foi um dos introdutores da antropologia em Portugal, estudando os mitos, tradições e superstições populares, actividades em que era um típico letrado do último quartel do século XIX, profundamente imbuído de valores humanistas e revelando-se um ensaísta brilhante. Foi presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e sócio efectivo da Academia de Ciências de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
35€

17 dezembro, 2022

RAPOSO, Hippolyto - LIVRO DE HORAS (1908-1911).
[Escrito por Hippolyto Raposo sendo escolar de Leis na Universidade]
. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1913. In-8.º (19,5 cm) de XII, 262, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Pensamentos e reflexões do autor vertidos em crónicas durante o seu período de estudante, em Coimbra.
"Costume é dos mais antigos confessarem os Autores em os prologos de seus livros as causas e razões dos mesmos, para que a vaidade se não atribua o que é de sãos propositos e a Critica dos entendidos mais propenda á benevolencia do que ao rigor.
Assim usam e cuidam aqueles todos que se propõem tratar com escrupulo as mais grave materias, tanto da sciencia divina, como da humana, ainda que para versa-las lhes não faleça o engenho e o conhecimento adequado, em longo estudo e meditação adquirido."
(Excerto do Prologo - Ao leitor curioso)
"A minha engomadeira é uma mulher esperta, risonha e bem falante, com voz docemente cantada que torna a pronúncia de Coimbra a mais bela de Portugal.
Trabalha de manhã à noite, constantemente, e de tempos a tempos um novo filho se lhe vem dependurar do peito, a sorver-lhe a vida, já pobre de tanto desperdício.
Os pequenos, uns loiros, trigueiros outros, sem tipo de família definido, revolteiam pelo chão, resmungando, enquanto ela trata da roupa sobreposta em trouxas.
Tão martirizada de desventura, de fome em tempo de férias que a levavam à necessidade de recorrer ao último extremo do crédito - nunca o desespero a colheu, sempre resignada à espera que outubro chegue...
E são assim quasi todas, confiadas à incerteza do amanhã, como as aves do ceu da parábola que não semeiam e colhem.
A uma ouvi eu dizer que lhe tinham lido a sina em pequena e tudo saíra certo: não havia mais remédio..."
(Excerto de As Engomadeiras)
Taboa:
Epigrafe. | Dedicatoria. | Prologo. | OUTONO: O Mosteiro de Lorvão; Um morto; Lenda de Santa Comba; Canto do cisne. INVERNO: Penedo da Saudade»; Mimi Aguglia; Doutor Calisto; As Engomadeiras. PRIMAVERA: Carta a Alexandre Herculano»; Sobre o namôro coimbrão; O Cavaleiro da Saudade. ESTIO: Um mau começo»; Noivas tiranas; Lámpana Spenta; Juizo Final.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). "Mais conhecido por Hipólito Raposo, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi um dos fundadores do movimento político-cultural auto-intitulado Integralismo Lusitano e da revista Nação Portuguesa, órgão do movimento integralista. Também teve colaboração nas revistas "O Occidente" (1878-1915), "Serões" (1901-1911), "A Farça" (1909-1910), "Contemporânea" (1915-1926), "Atlântida" (1915-1920), entre outras. Diretor do periódico "A Monarquia", à frente do qual teve um papel relevante no Pronunciamento Monárquico de Monsanto, ocorrido em 1919. Foi condenado a uma pena de prisão. Cumprida a pena, partiu para Angola (1922-1923), onde exerceu advocacia em Luanda. De regresso a Portugal, continuou a exercer a profissão de advogado e afirmou-se como líder destacado e ideólogo do Integralismo Lusitano. Em 1930 recusou colaborar com a União Nacional, defendendo que essa devia ser a posição dos monárquicos, e opôs-se à institucionalização do regime do Estado Novo. Em 1950 foi um dos subscritores do manifesto Portugal restaurado pela Monarquia, uma tentativa de reatualização doutrinária do movimento integralista."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=16499)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Lombada reforçada com fita pelo interior.
Invulgar.
20€

16 dezembro, 2022

ENNES, Guilherme José - OS AMIGOS DAS CREANÇAS.
Por... Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19 cm) de 128, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio pedagógico para acompanhamento e educação dos mais jovens.
Estudo completo e visionário do Conselheiro Guilherme Enes, académico e médico militar (1839-1920), promove e desenvolve conceitos ainda hoje actuais.
Obra rara e muito curiosa, revestida por capa belíssima, não assinada.
"São muitos os inimigos das creanças. O abandono moral, intellectual e physico, a que são votadas muitas d'ellas, exigem, como intrumentos do bem, leis salvadoras dirigidas á questão e ao estado social das creanças. Por ellas, gemem todos os que proclamam a prioridade de educação sobre a instrucção, e a necessidade de manter em toda a sua pureza a alma e as faculdades das creanças.
Terreno novo, é preciso semeal-o todo do bem; só assim não ficara logar para a herva damninha.
Mas, contra os inimigos das creanças, combatem os «amigos das creanças». São todos os que teem uma vida sollicitude pela condição dos innocentes de mui tenra edade, todos os que cuidam incessantemente em os defender, confortar, e querer-lhes bem."
(Excerto de 1.ª Parte - Parentes e Professores)
Indice:
1.ª Parte - Parentes e Professores: I - as mães. II - A avósinha. III - As mulheres estereis e as tias que não casam. IV - A religiosa. V - O professor.
2.ª Parte - A Escola: VI - A escola. VII - Meio salubre. VIII - Hygiene pedagogica. IX - Ensino moral - Duração do trabalho intellectual diario. X - A edade das sensações - A gradação no ensino. XI - Lições curtas - Explicações breves. XII - Férias - Gymnastica. XIII - Poucos livros ou mesmo nada de livros. XIV - Livros infectados - A agua, amigo dilecto das creanças. XV - O somno no periodo escolar - Um collegio modelo - Temperatura das aulas. XVI - O sobrado das escolas - A côr azul ou verde das paredes - Resistencia das paredes á cultura de microbios. XVII - Creanças difficeis - creanças rebeldes - creanças depravadas. XVIII - Nascer direito e tornar-se torto - As atittudes escolares viciosas - O tronco e o caderno da escrita. XIX - A mão canhota - O espartilho e o banco escolar - Doenças infeciosas intistinaes - Modo de se evitar a sua diffusão na escola. XX - Encerramento da escola. XXI - As rezas que se dizem e se aprendem na escola. XXII - A recreação. XXIII - Jardins de infancia. XXIV - Ainda os jardins de infancia. XXV - O cabello comprido ou curto - Os livros e a myopia escolar. XXVI - Illuminação natural e artificial - Ventillação - Aquecimento - Mobilia escolar. XXVII - Excellencias do nosso regime escolar - A hygiene na escola primaria. XVIII - Regulamentação hygienica das escolas.
3.ª Parte - Colonias de férias: XXXIX - Colonias de creanças em férias. XXX - Estudo da questão em Portugal - Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas cansadas com pequenas manchas.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

15 dezembro, 2022

MACHADO, Bernardino - A CONCENTRAÇÃO MONARCHICA
. Lisboa, Typographia do Commercio, 1908. In-8.º (19 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Alocução de Bernardino Machado, futuro presidente da República, referindo-se de forma crítica, mas apaziguadora, ao regicídio ocorrido no Terreiro do Paço a 1 de Fevereiro desse ano, onde sucumbiram el-rei D. Carlos e o seu filho primogénito (e herdeiro ao trono), D. Luís Filipe; o autor lamenta as mortes, inclusive dos perpetradores do atentado.
"Não tendo podido, por doença, falar em publico desde a tragedia de 1 de fevereiro que, sobreviu ao mez terrivel de janeiro, as minhas primeiras palavras serão de piedade por todos os que nesse dia memoravel perderam a vida. Dois, o principe Luis Filippe e o caixeiro João Sabino eram ainda quasi umas creanças, e nada ha mais tocante para o coração dum pae do que o espectaculo da morte dos novos, que são a esperança de futuro das suas famillias. Dos outros tres nenhum era uma creatura vulgar. Inimigos, lutando em campos opostos, numa coisa se pareciam; expunham-se com o maior denodo pela sua causa. O rei, simples no seu trato como um guerreiro, dum sangue frio imperturbavel, levava bravamente a sua audacia até ás extremas temeridades; Buiça e Costa, dois lutadores heroicos. De nenhum dos tres a morte me podia ser indifferente. Buiça e Costa, por mais longe que estivessem de mim, que tenho sido sempre um moderado - fui-o como monarchico, sou-o como republicano - e embora não estivessem filiados no partido republicano, eram soldados do grande exercito português a que todos os liberaes ultimamente pertenciamos. [...]
Ha dois pontos de vista moraes para julgar a tragedia do Terreiro do Paço. Numa sociedade em paz, Buiça e Costa teriam sido uns assassinos e o seu acto cruento mereceria o nome dum atentado. Mas numa sociedade em luta, com o povo ofegante sob a opressão do poder, à la guerre comme à la guerre! Ora quem póde contestar que a nação estava ultimamente em guerra com o seu chefe?"
(Excerto do discurso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 dezembro, 2022

MARQUES, Gentil - MONTIJO EM FESTA.
Guia Turístico das Festas de S. Pedro, no Montijo. Realização de... Com o patrocínio da Câmara Municipal do Montijo e da Comissão de Festas
. [S.l.], Edição do Jornal Festa, 1959. In-4.º (23 cm) de [36] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Programa das festas do Montijo referente ao ano de 1959.
Livro muito ilustrado, maioritariamente, com anúncios de empresas da cidade (vila, na época). Contém lista de "algumas efemérides" do concelho, assim como "curiosidades" e locais relevantes a visitar na vila. Inclui ainda o programa "3 Grandes Tardes de Touros no Monumental do Montijo".
"Amarelo e Verde são as cores do Montijo. Cores simbolistas, na sua essência. Por isso mesmo, as aproveito e emprego nesta saudação de boa vontade que desejo dirigir aos obreiros das Festas Populares de São Pedro. E bem populares, na verdade. Nasceram há séculos, por iniciativa dos pescadores. Pescador é povo. E hoje continuam a ser, e muito bem, festas do povo. Do povo do Montijo para o povo de Portugal."
(Excerto de Saudação em Amarelo e Verde)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

13 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - O CONDE DE FARROBO E A SUA EPOCA
. Lisboa, João Romano Torres & C.ª - Editores, [191-]. In-8.º (18,5 cm) de 373, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Biografia romanceada do Conde de Farrobo, conhecido filantropo português do século XIX. Trata-se do 1.º volume da série (em 4 volumes) a si dedicada por E. Noronha.
Livro ilustrado com inúmeros retratos - busto e de corpo inteiro - de Farrobo, seus familiares e a aristocracia da época, incluindo D. Miguel I e seu irmão, o imperador D. Pedro IV, e família.
"- Mais bonito e elegante não ha!
- Que extravagancia!
- Repara, mas repara bem. Quantas belezas apresenta! Tem simultaneamente a pequenez microscopica da cabeça do dedo mindinho de uma criança priveligiada, o lançamento aiteroso da pirueta de uma dançarina, a curva artistica de uma Venus de  Praxiteles, um peito...
- Homem, detem-te...
- Ah! o peito!... Que altura e convexidade! Arredonda-se como uma taça de marfim cinzelada por qualquer incognito artista das extremas da Mongolia, ou antes, como o calix túmido de uma camelia subtilmente rosada, quando nú...
- Onde vais parar?!...
- Ao seu peito... Para depôr lá o mais fervoroso, entusiasta e puro dos osculos.
- Perdeste totalmente o juizo.
- Não perdi. Vê e admira.
Quem proferira estas ultimas palavras, num movimento nervoso, sacudido, tira da algibeira do interior da casaca um feminimo sapato de cetim, que, sem ser o similar do lendario chapim da «Cendrillon» ou da portugueza «Gata Borralheira», merecera do artista que o arquitectara, talvez o percursor da casa Stelpflug, tal soma de cuidados, que das suas mãos saíra um adorno precioso."
(Excerto do Cap. I - Acarinhada reliquia)
Joaquim Pedro Quintela (Conde de Farrobo) (1801-1869). "Não foi uma figura banal do seu tempo e não pode separar-se da história da sumptuosa propriedade que lhe engrandeceu a sua personalidade de artista.
O palácio Farrobo* recebeu de si a divisa «OTIA TUTA», isto é «Toda Prazeres», os prazeres colhidos das manifestações artísticas. Aqui o repouso era absoluto, e as preocupações terrenas diluíam-se no ambiente celestial da arte. Rodeou-se de imensa grandiosidade e organizou sumptuosos festejos, de um viver opulento que deram origem à expressão popular «farrobodó», derivada do seu título nobre. Na sua época foi considerado um grande mecenas sobretudo da arte musical portuguesa e a quem todas as fantasias musicais eram permitidas. Cantor e excelente executante de orquestra, perito em trompa, Farrobo foi ainda presidente da Academia de Música e segundo empresário do Teatro Nacional de S. Carlos, em 1838. A sua gerência tornou-se principalmente notável pelos artistas célebres que contratou, entre os quais se contavam os de maior renome de então. Quando faleceu em 1869, estava à beira da ruína. Perdera uma importante demanda comercial, e nos últimos dias vivia duma pensão do Estado, tendo renunciado ao título.
O empobrecimento do conde de Farrobo determinou a venda dos seus bens em hasta pública."
(Fonte: www.mctes.pt)
*O palácio Farrobo, mais conhecido por palácio das Laranjeiras, está edificado na Quinta com o mesmo nome, em Lisboa, onde se instalou, em 1905, o Jardim Zoológico. É uma construção seiscentista, restaurada e embelezada na primeira metade do século XIX.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta desgaste evidente nas extremidades.
Invulgar.
15€

12 dezembro, 2022

GONÇALVES, Alfredo José Cardoso - HERANÇA CAMARIDO.
A usurpação d'uma fortuna por frades e freiras estrangeiros
. Coimbra, Imprensa Academica, 1906. In-4.º (24,5 cm) de 53, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Peça processual de forte teor anti-clerical em que o autor denuncia a influência de um confessor espanhol e seus apaniguados para se apossarem da fortuna da Condessa de Camarido - D. Maria Isabel Freire de Andrade e Castro - consubstanciadas nas disposições testamentarias, já que, segundo ele, as últimas vontades da Condessa foram feitas sob coação "religiosa" e numa época em que "não se achava a testadora no pleno uso das suas faculdades mentaes".
"Eram tão fraudulentos e dolosos os artificios com que o padre Quesada conseguira escravisar a consciencia timorata da testadora, que tendo sido este padre hespanhol expulso, em 1882 ou 1883, da ordem dos Lazaristas, com séde em Lisboa na igreja de S. Luiz de França, ao tempo superiormente dirigida pelo conhecido padre Miel, deixou D. Maria Isabel de frequentar esta igreja, onde até então ia frequentemente confessar-se, levando para o seu palacio das Picôas, como confessor e director espiritual, o referido padre expulso, que alli se conservou, em regalada vida, até ao seu fallecimento em 1902.
Nem foi difficil a este padre apoderar-se completamente do espirito de D. Maria Isabel, senhora hysterica e fraca, soffrendo de frequentes ataques nervosos, e sempre apavorada pelo receio de perder a sua alma; e com effeito assim succedeu, não tardando muito que ella abdicasse absolutamente nelle a direcção integral da sua vida, prestando-se docilmente á realisação do plano, que a insaciavel ambição do padre havia delineado para se apoderar da sua importante fortuna."
(Excerto do processo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e falhas de papel.
Raro.
15€

11 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - HISTORIA DA POLONIA.
Fastigio e decadencia de um povo. Compilada por... Lisboa, Empresa Lusitania Editora, 1915. In-8.º (19,5 cm) de 191, [1] p. ; B.
1.ª edição.
História da Polónia pela pena de Eduardo de Noronha, um dos mais considerados prosadores portugueses do primeira quartel do século passado, publicada no segundo ano da Grande Guerra - sexto após a implantação da República.
Obra interessante, com actualidade, dadas as presentes circunstâncias bélicas, permite constatar a evolução geopolítica desses territórios nos últimos 100 anos.
"A compilação da Historia da Polonia foi feita com um patriotico intento: o de evitar que, quem a ler, pratique, dentro da sua esphera de acção e dos limites do possivel, os mesmos erros politicos commetidos pelos imprudentes e desditosos polacos."
(Excerto de Ao leitor)
"A Polonia, Polska, como lhe chamam os seus naturaes e Polcha segundo a denominação dos russos, tira o seu nome do termo slavo polê, planicie, pois chão é quasi a totalidade do seu territorio. [...]
Nenhum paiz offerece exemplo mais eloquente, de como são deleterias e perigosas para a independencia de um povo as desavenças intestinas de quem o governa. Nação rica, poderosa, intrépida e intelligente, prolongava-se, no seculo XVIII, desde a Esthonia, no Baltico, até a Ukrania, no Mar Negro; desde a Lithuania, visinha de Moscovia, até Varsovia que confinava com a Moravia. Isto, é, estendia-se, com a Lithuania, pelas bacias do Varta, Vistula, Duina, Dnieper e Dniester superior. Jungia sob o seu dominio, além dos polacos propriamente ditos e dos slavos do Baltico, os lituanios, os naturaes da Russia Branca, os da Pequena Russia, os ruthenos, e possuia cidades prósperas, florescentes, com uma população de muitos milhões de habitantes."
(Excerto de I - Lendas, tradições e chronicas)
Indice dos Capitulos:
I - Lendas, tradições e chronicas. II - De Vladislau II a Alexandre I. III - O cyclo dos Jagiellos. IV - Symptomas de decadencia. V - Os cossacos. VI - A cegueira politica. VII - O principio do fim. VIII - Derradeiras esperanças.
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos; lombada apresenta falhas de papel de algum relevo.
Invulgar.
Com significado histórico e político.
15€

10 dezembro, 2022

SAMPAIO, Joaquim Borges - PROFECIAS DO FINAL DO MILÉNIO
. Portimão, Joaquim Borges Sam paio, 1999. In-8.º (21 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Repositório das "principais" profecias relacionadas com o final do milénio. Livrinho muito curioso, publicado poucos meses antes do final do ano.
Ilustrado ao longo do texto com fotografias de reprodução de locais-chave e retratos de personalidades históricas, ente outros, São João Bosco, Rasputine e os três pastorinhos de Fátima.
"Cada dia que passa neste ano de 1999 causa cada vez mais nas populações um estado de ansiedade febril. É o ano final na contagem regressiva para o ano 2000.
A passagem dos séculos comove-nos, as passagens dos milénios obviamente vão muito para além disso. Um século, afinal, pode ser a idade de um homem. Um milénio é, nas perspectiva humana, uma eternidade.
Não admira pois que este ano os profetas do Apocalipse comecem a fazer-se ouvir e a ser ouvidos. Seitas catastrofistas multiplicam-se um pouco por todo o mundo explorando um fenómeno colectivo, que em essência, se resume no medo da extinção da raça humana causada por uma catástrofe natural, a erupção de um vírus devastador, ou uma guerra nuclear à escala global.
A noção e que existe uma data certa para o fim do mundo apoia-se fundamentalmente no texto bíblico do Apocalipse. Escrito provavelmente no século I pelo evangelista João, numa caverna da ilha de Patmos, este narra as suas visões sobre a catástrofe final.
Repleto de alegorias e mistérios, o texto tem inspirado poetas, artistas e pintores, tornando-se uma obsessão para multidões empenhadas em decifrar o simbolismo do texto e datar o Juízo Final."
(Excerto da Introdução)
Borges de Sampaio. Acumula as funções de professor de filosofia com o estudo das ciências herméticas: o movimento Rosacruz, Templários, Astrologia, Druidismo...
Ao longo dos anos foi publicando em diferentes revistas inúmeros artigos quase sempre de cariz esotérico e sempre sob diferentes pseudónimos. Hoje, em presença de sinais confusos e alarmantes, de um final de milénio muito de acordo com previsões mais ou menos catastrofistas, elaborou um estudo das principais previsões coligindo centenas de profecias e destacando dentre elas as mais importantes.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

09 dezembro, 2022

MAIA, José Carlos da - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A MARINHA DE GUERRA.
Conferencia realisada na Liga Naval Portugueza na noite de 5 de Junho de 1907 pelo 2.º tenente da armada...
Lisboa, Typographia de J. F. Pinheiro, 1907. In-4.º (23 cm) de 31, [1] p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Conferência sobre a Marinha de Guerra Portuguesa pronunciada por Carlos da Maia, malogrado oficial da Armada e político republicano, cobardemente assassinado na purga de 19 de Outubro de 1921 que ficaria conhecida para a história por "Noite Sangrenta".
Opúsculo ilustrado no texto com um gráfico: Curvas dos orçamentos das marinhas de guerra e tonelagens de deslocamento das marinhas mercantes da Inglaterra, França, Allemanha e Estados Unidos.
Muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao capitão de fragata Francisco Júlio Barbosa Leal.
"A decadencia a que chegou a nossa marinha de guerra, e o estado em que ella actualmente se encontra, marcam na nossa existencia nacional a época no seu mais deploravel abatimento. [...]
Equivocos porém se levantam muitas vezes, pretendendo-se, sob a rubrica de manter uma attitude defensiva, organisar a nossa potencia naval com elementos de ordem inferior, perfeitamente em desharmonia com as lições contidas nos modernos ensinamentos.
A palavra defensiva tem na guerra duas significações que é necessario conservar bem distinctas para d'ella se fazer uma idéa perfeita.
Uma é a defeza passiva que consiste em fortificar posições e esperar o ataque; outra é a defeza activa destinada a obstar á approximação do inimigo..
A primeira comprehende as fortificações locaes, linhas de torpedos, etc. A segunda é constituida por navios que destinando-se a defrontar a armada inimiga exercem, offendendo, a sua acção defensiva. [...]
Portanto, a defeza naval de um paiz, pela natureza especial dos seus elementos constitutivos, é meramente offensiva, e assim todos os meios de combater se reduzem a um só, que consiste em ultima analiye na destruição do inimigo. 
É este o fim do combate.
Os meios de o realisar são as esquadras de couraçados, que devem manter entre si toda a homogeneidade possivel e a mais absoluta cohesão."
(Excerto da Conferência)

José Carlos da Maia (1878-1921). "Nasceu em Olhão a 16 de Março de 1878. Alistou-se na Armada em 1897, seguindo a carreira militar. Desde novo, conspirou contra o regime monárquico, sendo iniciado na Maçonaria em 1907 na loja "Solidariedade", com o nome simbólico de "João Afonso". Pertenceu igualmente à Carbonária. Participou na malograda tentativa revolucionária de 28 de Janeiro de 1908 e desempenhou um papel de relevo no "5 de Outubro", sendo, com o posto de 2.º tenente, um dos elementos militares que, no dia 4, se apodera do quartel de marinheiros de Alcântara – é um dos signatários da ordem de bombardeamento do Palácio das Necessidades. Nessa mesma noite, pelas 22 horas, comanda o grupo de marinheiros e civis que aborda o cruzador "D. Carlos" fazendo-o passar para o lado republicano. Implantada a República, foi promovido a capitão-tenente, por distinção, em Novembro de 1910, sendo também eleito deputado às constituintes em 1911. Foi governador de Macau, assumindo o seu lugar em Junho de 1914. Aí fez obras importantes e no período da I Guerra Mundial gozou de maior autonomia devido às dificuldades de comunicação com Portugal continental. No sidonismo ocupa a pasta da marinha. No gabinete José Relvas (entre 28 de Janeiro e 30 de Março de 1919) terá a seu cargo o Ministério das Colónias. Faleceu em Lisboa, assassinado durante a "noite sangrenta", a 19 de Outubro de 1921."
(Fonte: http://www.fmsoares.pt)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta manchas de oxidação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível

08 dezembro, 2022

MOURO, Manuel Barros - A REGIÃO DE LAFÕES (subsídios para a sua história). Coimbra, [s.n. - Composição e impressão Coimbra Editora, Limitada - Coimbra], 1996. In-8.º (20,5 cm) de 241, [3] ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Paulo Quintela.
Importante subsídio para a história da região de Lafões.
Livro ilustrado com fotografias a p.b., em página inteira, reproduzindo monumentos e imóveis relevantes para a região lafonense.
"Lafões, região natural de grande unidade, abrange a quase totalidade dos concelhos de S. Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades e ainda uma pequena área dos concelhos de Viseu (parte das freguesias de Ribafeita e Bodiosa, esta passou ao concelho de Vouzela com o Decreto de 24/10/1855 e voltou ao de Viseu por Decreto de 14/1/1871), Castro Daire (parte das freguesias de Alva e Gafanhão) e Sever do Vouga (freguesias de Cedrim e Couto de Esteves).
Mas a «terra» de Lafões constituiu durante vários séculos um só concelho, escrevendo-se no cadastro de 1527 que era muito notável, além de curiosa, a circunstância de «ter duas vilas e ambas serem cabeças»: a de S. Pedro do Sul e a de Vouzela.
No Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal fala-se em dois concelhos (S. Pedro do Sul e Vouzela), parecendo-lhe que durante muito tempo foram administrados em comum pelas mesmas autoridades.
Historiadores há que afirmam ter Lafões recebido foral de D. Dinis em 1280 e foral novo de D. Manuel a 15/12/1514, mas só este aparece arrolado na «Memória para servir de Índice dos Forais das Terras do Reino de Portugal e seus domínios» de Francisco Nunes Franklin."
(Excerto de O antigo concelho de Lafões e a sua capital)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
25€

07 dezembro, 2022

PORTELLA, Adolpho - CONTOS E BALLADAS : 1886-1889
. Porto, Typographia Elzeviriana, 1891. In-8.º (20 cm) de 261, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original da primeira obra do autor, dedicada aos seus condiscípulos da Universidade de Coimbra.
Conjunto de pequenos contos campestres muito belos - alguns tristes e pungentes -, bem redigidos, com uma escrita clara e cuidada.
Inclui interessante alegoria sobre a vida e a morte intitulada D. Vida e D. Morte.
"Marianna era a criada mais guapa do logar. Os rapazes faziam-lhe frente; as raparigas invejavam-na.
Ella na verdade tinha umas feições delicadas, appetitosas, em que o olhar baboso dos namorados se deliciava suavemente.
E depois, o serviço da cosinha ninguem o fazia tão prompto e tão limpo como ella. Manga arregaçada, saia ensaccada, lenço em nó no pescoço, blusa franca, o pé descalço - a Marianna, no dizer da senhora D. Joaquina, era a flôr das criadas."
(Excerto de A manga do frade)
"Havia no brilho do seu olhar profundo a austeridade viril d'uma longa concentração séria. O porte era magestoso - um porte digno de carta de conselho e d'uma tiradella de chapeu... A maneira correcta do seu dizer, a estatura epica dos seus pensamentos, o alisar do cabello, a nonchalance do vestuario - uma profunda pouca importancia ás mesquinharias da vida - davam-lhe o tom extremamente serio de um Carlinhos já homem, acostumado á austeridade das coisas publicas, onde se cruzam sobrecasacas e se vendem consciencias."
(Excerto de O medico)
Adolfo Rodrigues da Costa Portela (1886-1953). "Nasceu em Águeda a 16 de agosto de 1866. De personalidade multifacetada, foi poeta, músico, compositor, dramaturgo, tradutor, crítico literário, contista, ensaísta, jornalista, professor, advogado, tesoureiro da Fazenda Pública (em Águeda e no Fundão), administrador dos concelhos de Guarda e Castelo Branco e filantropo, tendo estado ligado, tanto em Águeda, como no Fundão, terra natal de sua esposa, ao surgimento de diversas associações e instituições e desenvolvido inúmeras iniciativas de âmbito cultural e social. Monárquico convicto, acabou ostracizado devido às suas convicções políticas. Após a Implantação da República, fixa-se no Fundão, onde vem a falecer em 1923, com 57 anos. Obras publicadas: "Águeda, crónica, paisagens e tradições”; “Orvalhadas”; “Sol posto”; “A noiva de João”; “Jornal do coração”; “O país do luar”; “Festa do pão”; “Contos e baladas”; “Boémia lírica - baladas de hoje”."
(Fonte: https://biblioteca.cm-agueda.pt/Catalogo/Autores-Locais/ModuleID/1497/ItemID/57/mctl/EventDetails)
Exemplar brochado protegido por encadernação em folha de cartolina dobrada. Bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e falhas de papel.
Raro.
Sem registo na BNP.
45€
Reservado

06 dezembro, 2022

DUARTE, Carvalhão - O DITADOR DA VIOLÊNCIA.
Figuras da reacção. [Prólogo de Ribeiro de Carvalho]
. Lisboa, Editorial República, 1933. In-8.º (19,5 cm) de 190, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia política de Adolf Hitler, irónica e cáustica, publicada pouco tempo após a sua subida ao poder na Alemanha, em 1933, e em muito aspectos premonitória do que se seguiria: internamente, o rearmamento, mais ou menos encapotado, ao arrepio de tratados e convenções, e a supressão dos contestatários (Noite das Facas Longas, 1934); externamente: a participação indirecta na Guerra Civil de Espanha, balão de ensaio para o estado de preparação do exército alemão (1936-39), culminando com a invasão da Polónia, a 1 Setembro de 1939, que marcaria o início da Segunda Guerra Mundial.
"Hitler, ditador sem inteligência nem grandeza, é o títere atrás do qual se escondem, movendo-o e manejando-o, tôdas as fôrças da reacção clerical e da reacção política na Alemanha.
Mais ainda: é o homem da Internacional Negra dos Armamentos.
Tôdas as sobras de mau agoiro que se pretendem fazer regressar o mundo à barbaria guerreira e à barbaria política e religiosa se acotovelam na sombra dêsse homem - ditador da violência e do despotismo, para cuja alma tôda a Humanidade é uma horda sem direitos, nem liberdade, nem garantias.
Ou antes: com um único direito. O direito de marchar, de mochla às costas e carabina nas mãos, para o assalto aos direitos dos outros.
Nas mãos deste caserneiro violento e autoritário, o homem é um autómato apenas, com uma só missão: obedecer.
Abolida, por completo, a faculdade de pensar, de discernir, de discutir, de resolver sôbre os interesses da Nação, que são os interesses comuns. Só quem manda, porque tem na mão a fôrça bruta, pode pensar, raciocinar e resolver.
A esta triste condição reduziu Hitler sessenta e cinco milhões de alemães."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Dedicatória. | Prólogo, de Ribeiro de Carvalho. | O homem através da história. | Hitler, o vagabundo. | De pintor a mercenário da guerra. | A caminho da queda do imperialismo alemão. |  A queda do imperialismo e a derrota alemã. | O nacional-socialismo. | A revolta de Munich. | O sonho dum louco. | O nacional-socialismo é um novo tipo de burguesia. | A reacção, símbolo sinistro do ódio e a guerra. | Hitler ao serviço da reacção. | Ao coração de todos os homens de bem.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

04 dezembro, 2022

VIEIRA, Júlio Martins - CAMINHOS DA SERRA
. [S.l.], [s.n. - Espaço Gráfico, Lda.], [1997]. In-8.º (20,5 cm) de 118, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Histórias e narrativas das jornadas empreendidas pelo autor, campista associativo militante, à "sua" Serra da Estrela.
Livro muito ilustrado com desenhos e fotogravuras a p.b. ao longo do texto, bem como uma carta militar da Serra em duas páginas. Inclui diversas canções e respectivas partituras.
Tiragem restrita a apenas 600 exemplares.
"Aproximando-se o vigésimo quinto aniversário do Clube de Campismo e Caravanismo da Covilhã, nascido em 27-05-1972, quero deixar este livro como um contributo para o historial deste Clube. [...]
Ireis encontrar algumas páginas com pequenos roteiros pedestres, mais localizados no maciço central da Serra da Estrela. Alguns, ao subirem até ao seu cume, ficavam por ali parados sem saberem o que fazer, no tocante ao embrenhamento no seu interior.
O porquê desses pequenos percursos, deve-se ao facto de não existir nenhuma sinalização dos mesmos, nem tão pouco "bredas" turísticas.
Deste modo pretendo contribuir para o melhor conhecimento da Serra da Estrela."
(Excerto de Do autor para o leitor)
"No ponto mais elevado de Portugal Continental, numa esplanada alterosa, fica O Malhão da Estrela, na Serra do mesmo nome: Estrela A sul dos Cântaros, na quota de 1991 m. a., encontra-se a dita esplanada alargada. O príncipe D. João VI, em 1802, mandou ali construir uma pirâmide de 9 m de altura com pedra extraída no local. Sendo hoje esta pirâmide mais conhecida pelo nome "A Torre", a 2000 m. a.
Ela passou, na época, a servir de elemento à triangulação na carta geográfica do Reino.
Os pastores, ao tempo, tinham por habituação chamarem à pirâmide Malhão Maior. E por quê? Pelo simples facto de eles mesmo terem construído em muitos pontos da Serra alguns malhões com 2m de altura, de características iguais a esta pirâmide. A utilidade destes pequenos malhões para os pastores é guardar os farnéis na sua cúpula, fora do apetite devorador das cabras.
Com o decorrer dos anos, a cúpula da pirâmide foi-se desmoronando aos poucos, por efeito dos gelos e dos ventos fortes próprios dos locais altos.
As pedras caídas das cúpulas da pirâmide, por ignorância as pessoas, foi atribuída à malvadez dos pastores, o que na realidade não correspondia à verdade concreta."
(Excerto de Os 2000 m. a. da Torre e o Cruzeiro)
Exemplar em brochura, bem conservado. Carimbos oleográficos (2) na f. rosto.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

03 dezembro, 2022

SCHWALBACH, Luís - A ACTUAL CARTA POLÍTICA DA EUROPA.
Estudos de Geografia histórica, política e económica
. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud e Bertrand, 1923. In-8.º (19,5 cm) de 88, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio histórico sobre o mapa geopolítico da Europa do pós-Grande Guerra. Trata-se de um estudo coevo com relevância para a bibliografia WW1.
"Tratados de paz... preliminares de guerra.
Entre os povos vencedores a desconfiança e a inveja lançam desde logo os gérmens de uma inevitável rivalidade, que poderá decidir a assinatura de acôrdos com os antigos adversários, agora elevados à categoria de preciosos satélites. Por sua vêz êstes sempre alimentaram a esperança de uma justa desforra, ainda que a grandeza da ferida dificilmente permita a rápida eclosão dos seus mais íntimos desejos."
(Excerto de O equilíbrio europeu)
"Ao armistício de 1 de novembro de 1918, solicitado pela Alemanha, sucederam-se inúmeras conferências entre os representantes dos Aliados, tendo intervido em todas as negociações o presidente Wilson que propositadamente desembarcara no Velho Continente para efectivar as bases duma nova era de paz universal, tão requerida pela humanidade, - que ainda e sentia muito dorida pela tormenta de 1914.
Os delegados das Principais Potências arquitectaram para epílogo da Grande Guerra os Tratados de Versailles (Alemanha) em 28 de julho de 1919; de S. Germain (Áustria), em 10 de setembro de 1919; de Neuilly (Bulgária), em 26 de novembro de 1920; de Trianon (Hungria), em 4 de junho de 1920; e de Sévres (Turquia), em 10 de agosto de 1920.
Índice:
O equilíbrio europeu. |  Europa em 1914. | O actual mapa da Europa: Finlândia - Estónia - Letónia - Lituânia; Polónia - Dantzig; França; Áustria; Tcheco-Slováquia; Hungria; Itália - Fiúme; Yugo-Slováquia - Albânia; Grécia - Turquia; Bulgária; Ruménia; Rússia. | O rescaldo. | Reflexos da política europeia nos outros continentes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, frágeis, com pequenos defeitos e falhas de papel.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€
Reservado

01 dezembro, 2022

FORTUNA, A. Matos - EXTINÇÃO E RESTAURAÇÃO DO CONCELHO. Um combate singularmente duro. Monografia de Palmela - 3. [S.l.], Grupo de Amigos do Concelho de Palmela, 1995. In-8.º (20,5 cm) de 146, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história do Concelho de Palmela.
Livro ilustrado ao longo do texto com tabelas, fotografias e reprodução fac-símile de documentos relevantes.
Exemplar valorizado pela extensa dedicatória autógrafa do autor.
"Entre outras, uma intenção particular conduziu à edição deste livrinho: - reproduzir alguns documentos, nomeadamente as exposições da Câmara e os "abaixo assinados" da população do concelho a propósito do assunto em causa, naturalmente desconhecidos em Palmela e que jazem fechados em anacrónicas caixas de  de folha atadas a cordel no Arquivo Parlamentar. Considerando, sob várias facetas, revestirem-se de curiosidade e interesse histórico para mais elucidado conhecimento de Palmela e da sua gente em relação a uma época não profundamente distante, mas efectivamente já com poeira do passado histórico (1837 a 1926), parece de inquestionável interesse a sua divulgação..."
(Excerto de Breve Explicação)
Índice:
0 - Breve Explicação (à guisa de Prefácio). | I - Aspectos Gerais: 1. Duas palavras acerca da criação dos concelhos em geral e, em particular, do de Palmela. 2. Palmela e Setúbal - Confrontações de confrontações em tempos idos. 3. Extinção e mais de metade dos concelhos no século XIX. II - Supressão e Restauração do Concelho de Palmela: 1. Antes da Extinção. 2. Reacções após a extinção. 3. 1898, ano da restauração de quase meio cento de concelhos. 4. Após a implantação da República. 5. Finalmente, a solução justa. 6. Capitulo suplementar: a criação do distrito de Setúbal. III - Encerramento: 1. Posfácio. 2. Bibliografia. 3. Reprodução de documentos anexos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível