19 outubro, 2022

MARTINS, Rocha - O DUQUE DA TERCEIRA.
[Por]... Da Academia Das Sciências. Heróis, Santos e Mártires da Pátria. Vol. XII - 2.ª Série. Colecção «História»
. Lisboa, Edição do Autor, [192-]. In-8.º (19 cm) de 63, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia histórica e militar de António José de Sousa Manuel de Menezes Severim de Noronha, sétimo conde de Vila Flor, Duque da Terceira por decreto do regente do Reino D. Pedro de Bragança, em nome da rainha Dona Maria II de Portugal, em 8 de Novembro de 1832.
Livro ilustrado em separado com fotografia do monumento ao Duque, em Lisboa, reproduzida em legenda a sua proclamação aquando da entrada na capital.
"Depois daquela célebre expedição da Belfast, ao Porto, tão perturbadora para os chefes liberais, os caudilhos entraram no exílio, em zangas e aborrecimentos.
Injuriavam Palmela. Os autores destas acusações eram os do partido de Saldanha. Vila-Flôr conservava-se calmo, pretendendo resgatar a derrota que lhe fôra infligida, bem como aos companheiros, por algum lance audacioso e reabilitador da glória aos seus próprios olhos.
Pensou-se na tomada dos Açores. A Madeira, onde o brigadeiro Travassos Valdez conseguira agùentar-se uns meses, acabava de caír em poder dos absolutistas.
A Terceira rebelara-se. Indicou-se, desde logo, o conde, para sustentar o único pedaço de terra portuguesa onde flutuava a bandeira liberal. Aceitou. Saldanha rugia, feroz e implacável, ao vêr que a expedição ia partir formada por trezentos soldados e levando alguns belos oficiais, às ordens do seu émulo.
De repente, tudo mudara. Palmela, diante daquele incorrigível e irrequieto caudilho, chamara-o e entregara-lhe a chefia destinada ao sereno Vila-Flôr.
A Inglaterra impedira o desembarque dos emigrados na ilha onde se aguardavam os socorros; e Saldanha, refugiando-se em Brest, ia continuar a sua oposição.
Chegara o momento propício para o avanço da gente ponderada. [...]
A esquadra miguelista aparecera a dar-lhes batalha; um exército, do comando do general Azevedo Lemos, tentara desembarcar. Os defensores da ilha eram em número de dois mil e oitocentos; o inimigo tinha seis mil homens de desembarque e perto de três mil nas equipagens.
A coberto da neblina da manhã de 11 de Agosto de 1829, o navios miguelistas navegaram, em direcção à Vila da Praia, sem que as improvisadas fortalezas os tivessem suspeitado."
(Excerto do Cap. II - Da Guerra Peninsular ao Mindelo)
Matérias:
I - O representante do heróico Vila-Flor. II - Da Guerra Peninsular ao Mindelo. III - As batalhas e as intrigas. IV - A tomada de Lisboa. V - O Estóico. VI - D. Pedro V e os dois Marechais. VII - Sentimentalidade e Política.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

18 outubro, 2022

MARTINS, Prof. Dr. António Augusto Vellasco - A REVELAÇÃO DE JESUS-CRISTO NA SUA MORTALHA
(o Santo Sudário de Turim)
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], 1940. In-4.º (23,5 cm) de 50, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Acção Médica : Fasc. XVI - Abril de 1940.
Curioso estudo histórico e clínico do Santo Sudário de Turim, organizado e desenvolvido sob o ponto de vista de um médico-crente.
Livro muito ilustrado no texto com fotogravuras e desenhos esquemáticos do Sudário e da posição de Jesus na cruz, e em separado, com duas estampas: Positivo fotográfico do Sudário (rôsto) - Negativo visual do rôsto e Negativo fotográfico do Sudário (rôsto) - Positivo visual.
"Há vinte séculos, na Palestina, no alto dum pequeno montículo em frente a Jerusalém, expirava na cruz, entre dois outros supliciados, Aquêle que descera à terra com uma doutrina de perdão e morria pedindo perdão pelos seus algozes: «Perdoa-lhes, Pai, que não sabem o que fazem!»  Vinte séculos há que o Evangelho, a Mensagem de Paz, soou na Palestina, e levada depois pelos testemunhos dos Verbo, pelos Apóstolos, se espalhou pelo mundo; dois milénios se passaram, e essas palavras de amor e fraternidade não penetraram ainda a totalidade dos corações humanos e para muito são como longínquas vibrações duma voz distante que o passado e a dureza dos nossos corações afastam cada vez mais; idéias de violência perturbam a Terra, o homem enche o seu peito de ódio para com o seu semelhante; e como advertência misteriosa, quási no início dêste século tão perturbado, com o a recordar a sua Mensagem de Paz tão esquecida, Cristo revela-se pela fotografia na sua mortalha, o Santo Sudário de Turim!
É, pois, o retrato de Jesus-Cristo, há vinte séculos oculto nesse lençol mortuário em que José de Arimateia O envolveu, que pela ciência, se manifesta, em tôda a humilhação da sua morte afrontosa da cruz, a uma época de orgulho, em tôda a paz e serenidade que irradiam do seu rosto, a uma época de guerra!
Lição profunda da Providência!
Vamos, pois, fazer o estudo do Santo Sudário de Turim, dividindo-o nas seguintes partes:
1.ª Descrição do Sudário; o tecido; a revelação fotográfica.
2.ª Breve estudo histórico do Sudário através dos séculos.
3.ª Imagens, impressões e manchas do Sudário; seu estudo e interpretação.
4.ª Como se teriam formado essas imagens e impressões? Uma tentativa de explicação científica.
5.ª Os que negam a autenticidade do Sudário; ligeiro estudo e crítica das suas opiniões.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Algumas páginas apresentam vestígios de humidade.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e religioso.
Indisponível

17 outubro, 2022

REGULAMENTO PARA O SERVIÇO DA COMPANHIA BRAÇAL DA ALFANDEGA DE LISBOA.
Approvado pelo decreto de 25 de novembro de 1874 acompanhado do decreto de 5 do mesmo mez regulando a administração do cofre dos reformados e pensões da mesma companhia
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1874. In-4.º (23 cm) de [2], 20, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante documento com interesse para a história da estiva. Decreto que regulariza o trabalho da Companhia Braçal da Alfândega de Lisboa, ofício pesado, feito à força de braços, utilizado sobretudo nas cargas e descargas de navios.
"Hei por bem approvar o regulamento da companhia dos trabalhos braçaes da alfandega maritima de 1.ª classe em Lisboa, que baixa assignado pelo conselheiro ministro e secretario d'estado dos negocios da fazenda, para ser observado pela referida companhia e pelas das outras alfandegas, ás quaes for applicado pelo governo.
O mesmo conselheiro, ministro e secretario d'estado dos negocios da fazenda, assim o tenha entendido e faça executar. Paço, em 25 de novembro de 1874. == REI. == Antonio de Serpa Pimentel."
(Decreto - preâmbulo)
"Artigo 1.º A companhia de trabalhos braçaes da alfandega maritima de 1.ª classe em Lisboa é composta de:
1 Fiscal, chefe da compnhia;
7 Ajudantes fiscaes;
4 Escripturarios;
25 Artifices;
100 Trabalhadores da classe geral, d'entre os quaes serão escolhidos os que tiverem de servir de fieis de deposito e pesagem.
[...]
Artigo 5.º Para ser admittido a trabalhador de numero é necessario:
1.º Ser cidadão portuguez;
2.º Não ter menos de vinte, nem mais de trinta e cinco annos de idade, o que comprovará por meio de certidão.
3.º Saber ler e escrever; e para a classe geral, pelo menos, o bastante para conhecer numeros e marcas;
4.º Possuir robustez, e não padecer de molestia que o inhiba de trabalhar, o que será comprovado por exame de facultativo da escolha do director da respectiva alfandega.;
5.º Ter por espaço de dez dias, pelos menos, praticado em todos os serviços da classe geral e sido approvado pelo fiscal, e os dois mais antigos ajudantes do fiscal da companhia."
(Do pessoal - Artigo 1.º e excerto do Artigo 5.º)
Exemplar em brochura, protegido por capas simples, lisas, em bom estado de conservação.
Raro.
25€

15 outubro, 2022

GALVÃO, Vasco - PARA SER UM BOM JOGADOR DE TENNIS
. Porto, Edições "Sporting", [192-]. In-8.º (15,5 cm) de 61, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual de aprendizagem de Ténis editado na segunda década do século passado, o primeiro que sobre este assunto se publicou entre nós.
Livrinho muito ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotogravuras evidenciando os diversos movimentos do Ténis.
"Vasco Galvão assinou o primeiro compendio em portuguez d'este interessante desporto e com isso a raquete vai ter mais cultores em Portugal, vai trazer aos courts mais amigos e praticantes.
Vasco Galvão é um nome no Tennis Portuguez, pois, como treinador dos nossos melhores tennistas os seus conhecimentos são profundos. Com a escola ingleza - país que deu origem ao tennis no continente europeu - Vasco Galvão prestou um novo serviço ao seu sport escrevendo este pequeno livro."
(Excerto de O Tennis)
Indice:
O Tennis. | Origem do Tennis. | Regras do jogo. | Recinto, material e trajo do jogador. | A tatica. | A tatica do jogo de pares. | O treino. | O encontro. | Os partidos. | Torneios e Isentos. | A alimentação nos sports.
Vasco Galvão (1895-). "Nascido em 14 de Fevereiro de 1895, Vasco Galvão destacou-se como técnico, dirigente e jornalista. Tendo chegado a fazer parte em 1926 do elenco federativo de Guilherme Pinto Basto como vogal, foi como treinador que mais se evidenciou.
Desportista ecléctico, começou por dar nas vistas como futebolista, envergando a camisola do Club Internacional de Foot-Ball. Mas a sua vida modificou-se definitivamente quando em 1928 encetou uma viagem a Inglaterra para assistir a um curso de ténis no All England Lawn Tennis and Croquet Club de Wimbledon, a «catedral» da modalidade. Aos 33 anos, Vasco Galvão decidiu passar a viver exclusivamente da modalidade.
Enquanto profissional de ténis, a sua participação nos Campeonatos Nacionais estava proibida. Para poder competir, ainda regressou temporariamente ao estatuto de amador, mas a vontade de ensinar os jovens jogadores era mais forte e o profissionalismo voltou a ser assumido a cem por cento. Vasco Galvão criou a primeira escola de ténis em Portugal - a Escola de Ténis V.P.G., assim denominada em memória do seu filho Vasco Pistacchini Galvão, de entre os seus descendentes o mais dotado para a modalidade, mas que teve morte prematura. Pela V P.G. passaram muitos dos jogadores que se destacaram nas décadas de 50 e 60, como David Cohen, Peggy Brixhe e António Azevedo Gomes, que Vasco Galvao ainda viu serem campeões, antes da sua morte em 21 de Setembro de 1966.Na sua actividade como jornalista colaborou em diversas publicações, tendo lançado em 13 de Julho de 1930 a revista «Tennis», que se publicou de forma muito irregular até Abril de 1937, tendo inclusive mudado de nome por duas vezes (primeiro, para «Desportos Elegantes»; depois, para «Tennis & Golf») e focado outras modalidades - entre as quais o futebol -, no sentido de manter um lote fiel de leitores. Deste esforço inglório ficaram para a história as crónicas dos torneios da altura e os brilhantes ensaios sobre técnica da autoria do «Director, Proprietário e Editor» Vasco Galvão."
(Fonte: http://www.tenis.pt/index.php/smashtour/media/131-fpt/historia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada enferma de falha de papel relevante. Contracapa com escritos a lápis.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€

14 outubro, 2022

SANTOS, José E. Ferreira dos - NAVIOS DA PESCA DO BACALHAU.
[Por]... Capitão da Marinha Mercante. [Prefácio do Capitão António Marques da Silva]
. Lisboa, Comissão Cultural de Marinha, 2012. Oblongo (16,5x23,5 cm) de 169, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra de referência sobre o tema da 'Faina Maior', que reflete, nas palavras do autor, "um grande respeito e uma enorme admiração pelos Homens da Pesca do Bacalhau em face da vida duríssima, recheada de sacrifícios e de privações que suportaram no exercício da sua perigosa profissão", e sobre o livro, "esta obra, na qual figuram 127 fotografias de navios bacalhoeiros, pretende constituir um preito de homenagem à sua heroicidade e à sua bravura".
Livro com tiragem reduzida a 300 exemplares, nunca reeditado.
"Uma cuidada apreciação dos mais antigos lugres, lugres-escunas e lugres-patacho permite-nos ver e recordar o que foi o difícil ressurgimento desta pesca longínqua. Este fenómeno tornou possível a partir de final do século dezanove e até meados do século vinte, surgir uma apreciável frota de pesca, que nesse curto espaço de tempo foi capaz de abastecer o país de praticamente todo o bacalhau que se consumia. Mas a frota cresceu, multiplicou-se e modernizou-se dando a tripulantes e pescadores melhores condições de vida e de segurança, sem contudo alterar os tradicionais métodos de pesca, que só a grande aptidão profissional dos mais antigos pescadores podia manter.
A neutralidade do nosso país durante a Segunda Guerra Mundial, permitiu que muitos navios de três e de quatro mastros, construído até meados dos anos trinta, continuassem em serviço até quase ao princípio da década de setenta."
(Excerto do Prefácio)
"A saga titânica que foi a pesca do bacalhau à linha empreendida pelos pescadores Portugueses na Terra Nova e da Groenlândia sob as condições climatéricas de rigor extremo já foi considerada por alguns autores como a "Última Grande Epopeia dos Mares".
De facto, aqueles Homens trabalharam a céu aberto, sob temperaturas baixíssimas, uma média de dezoito horas em cada vinte e quatro, com grande coragem e abnegação enfrentando perigos e sacrifícios inimagináveis, pescando solitariamente no seu pequeno dóri que procuravam encher de bacalhau o mais rapidamente possível, uma vez que o pagamento que auferiam era em função da quantidade de peixe que cada um pescava. Um dóri comportava no mínimo trezentos quilogramas de bacalhau, alguns um pouco mais, o qual era passado para o lugre respetivo, afastando-se logo o pescador para tentar encher o dóri de novo.
Mas o seu dia de trabalho não ficava por aí pois uma vez terminada a pesca, e recolhidos os dóris ao navio-mãe, havia ainda que escalar o peixe, o que era feito por eles, pescadores, igualmente a céu aberto."
(Excerto do preâmbulo)
Capítulos:
I - 48 lugres, 2 lugres-patacho e 1 lugre-escuna. II - 16 lugres de quatro mastros. III - 18 navios-motor de pesca à linha. IV - 9 navios de redes de emalhar com lanchas. V - 13 navios de arrasto lateral. VI - 20 navios de arrasto pela popa.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Peça de colecção.
75€

13 outubro, 2022

COSTA, Francisco Borges da & CONCEIÇÃO, Joaquim da - OS MENINOS DA RODA : a história e uma vida
. [S.l.], Afons'eiro edições, 1996. In-8.º (21 cm) de 52 p. ; B.
1.ª edição.
Trabalho curioso e muito interessante sobre a roda dos enjeitados e as crianças entregues para adopção. Apesar de relativamente recente, trata-se de uma obra invulgar, acerca da qual existem poucas referências.
Livro composto por duas partes: a história dos expostos e o testemunho de um "exposto".
"Este trabalho aborda a problemática dos enjeitados ou expostos, crianças da Roda ou do Hospício, como teria sido chamado ao longo dos tempos e em vários locais.
Na minha terra, onde havia muitos, que aí demandavam, há dezenas de anos, com a carinhosa designação de meninos da Roda. Aí, se fizeram homens e mulheres, apesar de terem comido muito pão que o diabo amassou.
"A minha mãe vai buscar um(a) menino(a) à Roda."
Na infância, que já vai distante, ouvi esta carinhosa confidência a alguns dos meus companheiros de escola e de brincadeira.
Boa parte das vezes, era mais um a engrossar o já vasto número de membros da família receptadora, mas havia mesmo alegria quando o menino chegava, apesar de se antever que o pão, ou faltava, ou seria mais escasso e o espaço de habitabilidade mais limitado.
O menino, designação reveladora do amor, dedicação e estima era usado só em condições muito especiais.
Era o tempo do nascimento e do primeiro período de vida.
Depois lá vinha a designação - rapaz e rapariga.
Mas, nos momentos de dor, frutos da doença, de situação difícil, mas também quando a morte cumpria a sua cega missão, qualquer que fosse a idade, lá regressava o carinhoso tratamento de menino.
E são os meninos da minha e de todas as infâncias, que assim chamados, nunca o foram de verdade, que procurarei evocar, com rigor, mas também com emoção.
Falarei da história desta chaga social, das suas causas e razões, das medidas tomadas para ultrapassar o problema e dos sentimentos diversos provocados, em várias épocas.
Procurarei referir a forma como foram vivendo, ao longo dos tempos e encerrarei como o relato autêntico de uma vida, contada pelo próprio, que, apesar de totalmente verídica, assume aspectos quase romanescos."
(Excerto da Nota explicativa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

12 outubro, 2022

ACTA GERAL DA DELIMITAÇÃO ENTRE PORTUGAL E ESPANHA.
Desde a Foz do Rio Minho até a confluencia do Rio Caia com o Rio Guadiana assinada em Lisboa em 1 de dezembro de 1906
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1907.In-4.º (23,5 cm) de 134, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Documento histórico.
Trata-se do Tratado de Limites entre Portugal e Espanha que fixou definitivamente a linha de fronteira entre os dois países, com excepção de Olivença - questão que opõe os dois países desde 1801, e que foi "contornada". Em 1927 registou-se uma actualização do tratado pelo convénio de 17 de Julho, passando agora, da “foz do rio Cuncos até à do rio Guadiana”.
"Sua Magestade El-Rei de Portugal e dos Algarves e Sua Magestade El-Rei de Espanha, desejando que a linha de fronteira internacional, divisoria de ambos os paises, desde a foz do Rio Minho até a confluencia do Rio Caia com o Rio Guadiana, cujos principaes pontos ficaram mencionados no Tratado de limites entre Portugal e Espanha, assinado em Lisboa em 29 de setembro de 1864, seja fixada com toda a precisão e de modo tal que não possa, no futuro, dar logar a qualquer duvida, tanto no que respeita á linha de separação de ambas as soberanias, como no que se refere aos direitos respectivos dos povos confinantes."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar em brochura, revestido de capas simples, lisas, de protecção, em bom estado de conservação. Folha de ante-rosto apresenta mancha antiga.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 outubro, 2022

RUAS, Henrique - SÔBRE A QUESTÃO ACADÉMICA.
Por...
Coimbra, Tip. Gráfica de Coimbra, 1945. In-8.º (17 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Contributo de Henrique Barrilaro Ruas (1921-2003), conhecido professor universitário, ensaísta, historiador e político monárquico português, para a denominada Questão Académica, movimento estudantil coimbrão que exigia eleições livres na Academia de Coimbra.
"O que vai ler-se foi escrito dentro das 24 horas que se seguiram à Assembleia Geral da Academia reunida no dia 9 dêste mês de Novembro de 1945. Constituem estas páginas um depoimento pessoal, escrito sob a responsabilidade do autor, com a intenção de contribuir para a solução das questões que teem dividido a Academia de Coimbra."
(Apresentação)
"Quási no termo da  minha vida académica; gozando, pelos últimos mêses, da qualidade de veterano de Coimbra, eu julgo cumprir um dever de consciência escrevendo e publicando estas páginas breves.
Aconteceu que a minha vida de estudante não se passou na intimidade das questões académicas gerais. Arredado, mais por feitio que por sistema, do círculo dos interêsses em jôgo, tarde acordei para a acção. Porque cumpria servir, aceitei entrar nas responsabilidades directivas de um dos mais antigos organismos académicos de Coimbra - o C. A. D. C. Durante alguns anos, com um grupo de rapazes de boa-vontade, trabalhei numa obra que ainda hoje julgo a primeira de todas as obras - a dignificação espiritual da nossa Academia."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e estudantil.
15€

10 outubro, 2022

ALVES, Jorge Fernandes - FIAR E TECER. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave. [S.l.], Museu da Indústria Têxtil / Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, 1999. In-4.º (29,5 cm) de 48, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo/estudo da exposição Fiar e Tecer, obra "que se assume como fundamental e imprescindível para o conhecimento da realidade histórica desta região - [Vale do Ave] - e  da sua actividade industrial nos últimos cem anos".
Inclui em Anexo quadros estatísticos com informação relevante sobre as unidades industriais da região - As Firmas-Sede-Fusos-Teares manuais-Teares mecânicos-N.º de empregados-N.º de operários.
Livro graficamente atraente, muito ilustrado no texto, impresso em papel de superior qualidade  - pela sua concepção, verdadeira peça de design.
"A produção de fio e tecidos de linho constitui uma etapa histórica fundamental na estruturação do sistema industrial têxtil do Médio Ave. A memória do linho perde-se no tempo, profundamente enraizada na cultura camponesa local, pois indícios deste tecido ou de utensílios destinados à sua produção podem remontar-se a jazidas neolíticas. Nas culturas castrejas, os testemunhos da tecelagem são já relativamente complexos (com teares verticais e peças auxiliares de cerâmica) e demonstram uma habilidosa coordenação funcional a revelarem a especialização de "lenzarios" (tecelões). [...]
No período medieval, o linho surge como um produto sobre o qual recai grande apetência fiscal, sendo a forma de pagar diversos tributos senhoriais, e é objecto de uma cada vez maior circulação comercial pelas feiras e mercados. [...]
Esta procura intensa, a vários níveis, de panos de linho, explica a gradual autonomia da tecelagem como actividade profissional, destacando-se da agricultura e assumindo-se como ofício, embora os lanifícios não tivessem grande tradição corporativa, para lá do controlo municipal e do controlo da emissão de cartas que parece ter recrudescido nos finais do século XVIII, mas sem grande sujeição e regulamentações e compromissos, o que seria ineficaz face à persistência da tecelagem caseira que durou até aos nossos dias."
(Excerto de A tradição - domesticidade e verlagsystem: O linho)
Índice:
Introdução. | A tradição - domesticidade e verlagsystem: O linho; A lã; Sedas e veludos. | A indústria algodoeira: As inovações inglesas; O surto industrial pombalino. | Do Porto ao Vale do Ave. | Os tempos finisseculares - o proteccionismo. | Crises e condicionamento industrial. | O algodão ultramarino, crescimento do pós-guerra e a abertura europeia. | Conclusões. | Notas. | Anexo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e industrial.
30€

07 outubro, 2022

A SITUAÇÃO DOS JOVENS NO DISTRITO DE SETUBAL
. [Setúbal], O Movimento de Jovens : Comissão Distrital de Setúbal], [1973]. In-8.º (21 cm) de 28, [4] p. il. ; B.
1.ª edição.
Folheto clandestino, policopiado, de pendor político-social, concebido e distribuído pouco tempo antes da realização do histórico III Congresso da Oposição Democrática (Aveiro, 1973) - certame organizado por movimentos de oposição ao regime.
O presente trabalho, classificado de "tese" pelos seus organizadores - uma comissão de jovens setubalenses - pretende dar uma panorâmica das preocupações da juventude do Distrito através da elaboração de um inquérito cujas conclusões são aqui apresentadas, com o objectivo primacial de apresentação do mesmo ao  Congresso.
Estudo de época - curioso e muito interessante - com valor histórico e social, trata-se de um bom exemplo de produção clandestina pré-25 de Abril originária da "Margem Sul", bastião do "contra", conhecido pela sua rebeldia e intervenção política.
Livrinho ilustrado com 7 quadros estatísticos fora do texto, distribuídos pelas quatro páginas finais.
"Conscientes de que temos, nós jovens, cada vez mais importância em todas as actividades da vida da Nação, quer no plano económico, quer no político, não podíamos ficar alheios à realização do III Congresso da Oposição Democrática, praticando na base os princípios por este pretendidos.
Dando provas da nossa capacidade e criação e de maturidade política, realizámos, nos jovens do Distrito de Setúbal, esta tese, reflectindo nela as aspirações da juventude do Distrito, demonstrando assim que, nós jovens trabalhadores, trabalhadores-estudantes e estudantes estamos bem conscientes dos problemas que nos afectam e exigimos participar na sua realização.
Nesta tese são analisados 630 inquéritos que não pretendem ser representativos de toda a juventude do Distrito, pois a natureza das perguntas em vista ao Congresso da Oposição Democrática, e a maneira como ele teve que ser distribuído, fizeram com que este não pudesse senão atingir uma camada de jovens mais despertos para a vida.
Este problema que nós encontrámos acusa uma sociedade onde as pessoas se sentem impedidas de se pronunciarem abertamente sobre os problemas que determinam o seu futuro.
Devido também ao atraso, em que se encontra o nosso país, na realização de estudos deste género, era-nos pràticamente impossível, no momento actual, fazer um inquérito que pretendesse ser representativo de toda a juventude do distrito, sem ultrapassar de muito longe a margem de erro tolerável em tais trabalhos.
Apesar destas correcções que se impunham para que as análises apresentadas guardem todo o seu valor, as respostas são certamente representativas dos problemas dos jovens a nível distrital no que se refere às condições de trabalho e ensino, e tendem a uma certa representatividade, no que concerna as motivações das críticas expressas."
(Excerto de 0 - Introdução)
Índice:
0 - Introdução. I - A situação económica determina a vida dos jovens no distrito: 1. A vinda dos jovens para o distrito; 2. Idade com que os jovens começaram a trabalhar; 3. Ordenado e horas dos jovens; 4. Tempo de estudo para trabalhadores-estudantes; 5. Tempos livres e férias. II - Meio social onde se reproduzem as relações sociais de tipo capitalista: 1. Falta de condições materiais de ensino; 2. A ideologia da classe dominante no ensino; 3. Falta de informação; 4. As colectividades. III - Afastamento propositado e opressivo das instituições, dos interesses das camadas populares: 1. Os problemas enumerados; 2. Guerra colonial; 3. Falta de liberdade e opressão das instituições; 4. Pensas que o governo está a tentar resolver estes problemas? Porquê? IV - Conclusões.
Exemplar em brochura, sustentado por agrafe, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
45€

06 outubro, 2022

REPORTER X - A GUILHOTINA A FÔRCA E O GARROTE.
Pelo...
[Porto], Edição da Empresa "O Primeiro de Janeiro", [192-]. In-8.º (22,5 cm) de 79, [1] p. ; B. Col. As Grande Reportagens. Núm. 5
1.ª edição.
Número 5 d'As Grandes Reportagens, efémera colecção de que se terão publicado apenas cinco volumes, sendo este o último. Rara e pouco conhecida, sobre ela não existem referências, e a BNP não menciona.
Livro/revista composto por um conjunto de crónicas de jornalismo de sensação, sendo impossível discernir quais as reais e as que pertencem ao mundo da ficção, tal é a "pegada" imaginativa do nosso Repórter. Em todo o caso, trata-se de uma peça curiosa da bibliografia reinaldiana, e muitíssimo interessante.
"Há meses, um subúrbio do Pôrto, célebre pela freqüencia das suas tragédias - a que se deu o nome de Rio Tinto e a que se póde agregar "... de sangue" - agitou-se, vermelho de indignação, em redor dum crime, - do décimo que se registava na freguesia num curto espaço de tempo.
Os matadores eram dois rapazelhos sórdidamente ricos - dois parvónios a nivelarem-se pelo premitivismo dos seus defeitos - e das suas virtudes - às bestas féras e a cuja pacatês, calma, humilde e velhaca, se costuma chamar «santo produto da sã existência dos campos».
A causa do crime seria de ridícula futilidade se não fôsse a duresa do desenlace: um cão que ferrara a dentuça, nas canelas encascadas de sujidade dum dos assassinos...
- Fulano (o dono do cão) fêz pouco de nós! sussurraram por entre dentes, biliosamente...
No fundo de todos os homicídios que ensanguentam a província portuguesa - existe sempre essa frase maldita, reveladora da mais estúpida das dignidades: «Matámo-lo porque fez pouco de nós!»..."
(Excerto de O Direito de Matar)
Crónicas:
I - O Direito de Matar. II - Na véspera da morte - Barcelona, Montmartre da Península: Sombra e Luz - O paralélo algemado - O cortejo (Setembro de 1923). III - Frente à Morte (Reportagem da execução dos dois "pistoleiros" de Tarrassa). IV - Ideias e atribulações dos dois Verdugos espanhois (Confidencias de Gregório Mayoral, carrasco de Burgos e de Rogério Perez, carrasco de Barcelona). V - O Carrasco executado (Como foi assassinado Rogério Perez). VI - Quem quer ir vêr Mr. Landrú e a Madame Guilhotina? VII - O fuzilamento do "chauffeur". VIII - O Médico que matou. IX - A decadência dos carrascos. X - Os excêntricos da Morte e a sensação de morrer: O elogio da curiosidade - Os coleccionadores das agonías... alheias - A morte ntural e a morte violenta - O sofrimento da morte - A morte suave e a morte inquisitorial - A amante invisivel dos enforcados - O sodismo da forca - A tradição e enobrecimento da guilhotina - A vida duma cabeça decepada - O caprichoso pseudo suicídio de Charles Jacques Berin e a heroica experiencia do Dr. Enrik Levar.
Reinaldo Ferreira, pseud. Repórtex X (Lisboa, 1897 - 1935). "Considerado desde cedo como um prodígio do jornalismo, Reinaldo Ferreira já era reconhecido como repórter importante aos 20 anos. Viveu e trabalhou na Espanha, na França e na Bélgica. Diz-se que a sua invulgar imaginação era fortemente impulsionada pela morfina, vício por si mesmo assumido em 1932 no volume Memórias de um ex-morfinómano, escrito depois de uma desintoxicação. Muito cedo deixou que a sua imaginação mistificasse os leitores, apresentando ficção como realidade. Por exemplo, escreveu uma reportagem sobre a União Soviética sem nunca lá ter ido, e publicou uma série de cartas no jornal O Século, sob o pseudónimo Gil Goes, sobre um crime macabro que teria ocorrido na Rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa. Em 1930, fundou o jornal Repórter X, designação que já usava como pseudónimo. O jornal granjeou sucesso com grandes tiragens. Era pois uma conhecida figura no meio jornalístico e literário da época, tendo sido amigo íntimo de Mário Domingues. Destacou-se também como produtor e realizador, tendo fundado uma produtora cinematográfica e dirigido três longas-metragens: O groom do Ritz, O táxi 9297 e Rito ou Rita. Publicou dezenas de volumes de ficção policial e de aventuras, assim como folhetos semanais com a mesma temática. Criou várias personagens marcantes, nomeadamente O mosqueteiro do ar (1933), personagem que se assemelhava com o Super-homem norte-americano, embora tenha surgido antes (a primeira banda-desenhada do Super-homem seria apenas publicada em 1938)."
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

05 outubro, 2022

CID, Sobral - O CASO DE FRANZ PIECHOWSKI, PERSEGUIDO, PERSEGUIDOR E MAGNICIDA.
Por...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1930. In-4.º (25,5x20,5 cm) de 80, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Relatório clínico do marinheiro Franz Piechowski, psicopata de origem alemã, cujo delírio atingiu o seu auge em Lisboa, em Junho de 1930, com um crime que chocou o país - o assassinato a sangue frio de um diplomata alemão.
Estudo com interesse para história da psicose em Portugal por um dos seus expoentes máximos da época - o Prof. Sobral Cid.
Este processo contempla o percurso de Franz Piechowski, desde a adolescência (com passagem pelo reformatório), aos anos de embarcadiço - durante e após a Primeira Guerra Mundial -, onde se manifestaram as primeiras crises psicóticas, até à sua prisão, em Lisboa.
"No dia 7 de Junho de 1930, no momento em que saía do cruzador alemão Koenisberg, já acostado ao cais de Lisboa, o Ministro de Alemanha, Barão Von Baligand, foi alvejado a tiro por um seu compatriota - Franz Piechowski -, falecendo horas depois."
(Fonte: facebook.com/lisboadeantigamente)
Livro ilustrado em duas folhas separadas do texto reproduzindo fotogravuras do criminoso - vestido e sem roupa - segundo fotografias do Serviço de Identificação e Registo Policial - Pôsto Antropométrico de Lisboa.
"Manifestamente inspirado pelo delírio, e só por êle, o atentado perpetrado na pessoa do Barão von Baligand por Franz Piechowski integra-se lògicamente na fase decorrente da evolução a sua psicose, como um dos possíveis desfechos - aquele que as circunstâncias tornaram viável - da idea mórbida que, desde a vinda para a Península, se apossara da sua consciência com a persistência e o potencial energético que caracteriza as ideas fixas dentro e fora do campo psiquiátrico. [...]
Em primeiro lugar, a título de precedentes imediatos: a escolha da ocasião, a preparação minuciosa do atentado e a visita prévia ao teatro das operações - sem falar no cenário grandioso: troca de cumprimentos oficiais, marinheiros em parada, salvas, etc. - que o lugar e a ocasião escolhida lhe proporcionaram.
No que toca à execução do acto, a sua atitude fria, impassível só é comparável à do caçador de espera que, à espreita da peça de caça que há-de passar, concentra toda a sua atenção no seu objectivo, de modo a realizar o máximo de calma e domínio e si próprio no momento crítico em que tem de intervir. Chegada a ocasião propícia: ataque brusco e de surprêsa, por forma a assegurar-se do êxito, caindo inopinadamente sôbre a sua vítima."
(Excerto de Características do atentado)
Matérias: [Apresentação]. | Parte I - História pregressa. I - Antecedentes pessoais. II - História do delírio: A) - Eclosão e rápida sistematização do delírio. Estada em Londres. Viagem de retôrno a New-York (Estados Unidos). Regresso a Hamburgo e Danzig; B) - Estada em Danzig. Primeiras reacções agressivas sôbre supostos perseguidores. Tentativa de homicídio. Internamento no Manicómio de Lauenburg.; C) - Evasão do Manicómio de Lauenburg. Migração através da Alemanha ocidental. Queixas e telegramas de protesto. Primeiras manifestações do perseguido-reivindicador; D) - Regresso à actividade profissional. Viagem ao Mar do Norte, Mediterrâneo e Mar Negro. Episódio de Nápoles. Ocorre-lhe a idea de se refugiar na Rússia. Evasão a nado de bordo do «Arscheneim», no canal de Kiel. Estada em Rotterdam e Antuérpia; E) - Embarque clandestino para o Rio de Janeiro. Múltiplas tentativas de envenenamento. A idea do atentado aparece na consciência sob a forma de alucinações. Novas cartas e telegramas de protesto. Regresso à Europa; F) - Aquisição em Antuérpia da pistola «Liberty» - Migração para a Península - Pre-figuração alucinatória do atentado, na cena delirante de Bordéus - O magnicídio convertido numa idea fixa. G) - Instalação e expansão do complexus magnicida; H) - Lisboa - Indeterminação na escolha da vítima. Chegada da esquadra alemã - O atentado; I) - Características do atentado. | Parte II - Status praesens. A) - Exame morfológico; B) - Exame médico e neurológico; C) - Exame psiquiátrico. Parte III - Discussão. A) - Caracteres gerais do delírio; B) - O acontecimento provocador - Transmutação catatímica - Génese do «complexus»; C) - Projecção afectiva do «complexus» - Delírio de auto-relacionação sensitiva; D) - Episódio alucinatório intercalar; E) - Alucinações psíquicas; F) - Reacções: a) Generalidades; b) Reacções asténicas; c) Reacções esténicas; d) Elaboração sub-consciente da idea do atentado e sua pre-figuração alucinatória; e) O magnicídio, expressão de uma idea fixa ou prevalecente; f) Características psicológicas do atentado. | Conclusões.
José de Matos Sobral Cid (Cambres, Lamego, 1877 - Lisboa, 1941). "Mais conhecido por Sobral Cid, foi um médico e professor de Psiquiatria da Universidade de Coimbra. Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Coimbra (1903-1904) e foi Ministro da Instrução Pública em dois dos governos da Primeira República Portuguesa (1914). Como professor universitário, criou a escola portuguesa de psicologia clínica, fundamentada na semiologia psiquiátrica, na definição de conceitos psicológicos, assente numa prática de clínica humanizada que valoriza a relação entre médico e doente sem perder o sentido médico da psiquiatria e as suas bases biológicas."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

04 outubro, 2022

COELHO, Maria Helena da Cruz - SEIA : uma terra de fronteira nos séculos XII e XIII
. [Seia], Câmara Municipal de Seia, 1986. In-8.º (21 cm) de 37, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Trabalho apresentado por ocasião das Comemorações dos 850 anos do 1.º Foral de Seia concedido por D. Afonso Henriques, realça a importância estratégica de Seia na defesa do território.
"Formado o condado portucalense, reforçam-se as atenções para com esta zona fronteiriça, e muito especialmente a partir do momento em que se perdem os postos avançados de Lisboa e Santarém, malogrando-se as expectativas da baliza do Tejo. Coimbra tem de ser defendida por núcleos fortificados a Sul, mas não menos por castelos que a resguardem a nascente, disseminados pelas serras da Lousã e da Estrela. E nem assim a região conimbricense resistiu ao ataque que em 1116 lhe moveram os almorávidas e arrasou o castelo de Soure, cujo povoação foi abandonada, depois dos seus homens a incendiarem, e ainda os de Miranda e Santa Eulália. D. Teresa tinha de tomar providências imediatas se não queria ver perigar as linhas meridionais do seu condado. Entregou pois ao seu valido, Fernando Peres de Trava, em 1122, os castelos de Soure, Santa Eulália e Seia, para que ele fosse o penhor da reorganização desses núcleos fronteiriços.
A posição de fronteira que Seia ocupa por largo anos, defendendo a área de Coimbra a leste, é, pois, outro dado estrutural a evidenciar no seu desenvolvimento histórico. Será através dele que se compreenderá o povoamento e organização deste núcleos e a sua estruturação social e económica. A terras de fronteira é forçoso atrair guerreiros, homens de armas valorosos. Até terras de fronteira chegam aventureiros ambiciosos que almejam conseguir pelas armas a posição e riqueza até aí não alcançadas. [...]
Seia, alcandorada nos contrafortes ocidentais dos antigos Montes Hermínios, é pólo de atracção de nobres portugueses e galegos. Descendentes da nobreza de primeira ou segunda categoria, trata-se sempre de filhos segundos ou bastardos, os "juvenes", de magras heranças familiares, sobretudo à medida que o sistema linhagístico se afirma, que se aprontam a oferecer o seu ímpeto guerreiro a um chefe que os recompense com terras ou cargos."
(Excerto do texto)
Maria Helena da Cruz Coelho GOIH (Porto, 1948). "É uma historiadora medievalista portuguesa, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, diretora do Instituto de Paleografia e Diplomática da mesma Universidade."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta alguns (poucos) sublinhados e notas a lápis no interior.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
15€

03 outubro, 2022

GOULART, Osorio - ALBUM DA VISITA REGIA Á ILHA DO FAYAL. Memoria narrativa.
Por... Capellão Fidalgo da Casa Real e Membro da Commissão dos Annaes do Municipio da Horta
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1902. In-4.º (24,5 cm) de 94, [4] p. ; [20] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Descrição pormenorizada da histórica viagem empreendida por D. Carlos I e sua mulher, a rainha D. Amélia, à Ilha do Faial, em 1901.
"Em 1901, D. Carlos e D. Amélia de Orleães realizaram, entre 20 de junho e 14 de julho, uma visita oficial aos arquipélagos da Madeira e dos Açores, que nos anais da história dos povos insulares ficaria conhecida por "Visita Régia", e que viria a constituir “um êxito tanto a nível político, como social e simbólico!”. De repente o Faial, espaço periférico, transformou-se, transitoriamente no centro político do País. [...]
A visita régia, como já foi referido, iniciou-se a 20 de junho, tendo a comitiva real chegado à cidade da Horta no dia 28, sexta-feira, pelas 10 horas, um dia antes do que estava inicialmente previsto.
A ilha do Faial seria a primeira do arquipélago a ser visitada pela família real portuguesa, vinda da Madeira a bordo do cruzador D. Carlos, quer era acompanhado pelos cruzadores S. Gabriel e D. Amélia e pelo iate real com o mesmo nome.
Ao aproximarem-se da baía da Horta, seriam cumprimentados pelos cruzadores ingleses Austrália e Severn e espanhol Vitória (que tinham vindo às águas açorianas prestar as devidas homenagens à família real portuguesa) e pela canhoneira portuguesa Sado. Por seu turno, o castelo de Santa Cruz salvou três vezes e da cortina da cidade, particularmente na zona de Santa Cruz, subiram ao ar imensas girândolas de foguetes, tudo sob o olhar de “imenso povo”. [...]
Nos dias seguintes, os monarcas cumpriram um vasto programa constituído por sessões solenes. Receções (no Palacete do Pilar, do Dr. António Emílio Severino de Avelar e no chalé do conselheiro Terra Pinheiro, na freguesia do Capelo). Visitas a estabelecimentos de natureza vária (Grandes Armazéns Faialenses e Asilo de Infância Desvalida Infante D. Luís) e passeios pitorescos (Caldeira e Capelo). Inaugurações (primeira pedra do Observatório Meteorológico). Jantares (50 talheres) e almoços (30 talheres). Bailes de gala e récitas. Festival náutico (regatas). Nos diferentes percursos por onde passou a família real, esta seria sempre vivamente vitoriada, havendo até a oportunidade para um encontro, na freguesia de Castelo Branco, entre os monarcas e um velho “mindeleiro”."
(Fonte: Lobão, Carlos Manuel Gomes - Uma cidade portuária - A Horta entre 1880-1926 : Sociedade e Cultura com Política em fundo, Ponta Delgada, 2013)
Livro muito ilustrado com desenhos, retratos e fotogravuras, sendo 10 impressas em separado sobre papel couché, incluindo os retratos de Suas Magestades.
"Manhã esplendida. A palpitação da immensidade, serena e forte, enchia luminosamente a grande cupula azul do ceu.
As pompas exuberantes da natureza desatavam largas telas de um esplendoroso scenario onde se entornavam torrentes luminosas de sol, como uma chuva faiscante de pó em ouro, polvilhando os graciosos contornos dos montes, caindo sobre a limpidez ondulante dos mares e espelhando prodigiosamente os opulentos coloridos de uma phantastica decoração.
A risonha cidade da Horta, que, desde a vespera, sentia nas suas arterias tumultuar, de enthusiasmo  de jubilo, multidões de povo afluente, acordara, neste faustoso dia, deslumbrantemente encantadora, numa orgia de luz, de galas e de festa.
Poomposamente decorada com as suas mais vistosas louçanias e brilhantes adereços, chia de movimento e de vida, agitando, por toda a parte, flammulas e galhardetes multicores, annunciava a celebração enthusiastica de uma solemnissima festa e estendia os braços, tremulos de jubilosa commoção, para receber, com entranhado affecto e ferveroso respeito, a real visita dos Augustos Soberanos Portugueses, a quem, nas mais dolorosas crises historicas e nas maiores fulgurações de historia nacional, sempre consagrou provadissima lealdade."
(Excerto de Primeiro Dia (28 de junho de 1901) - Preludios)
Indice: Primeiro Dia: Preludios. | A chegada. | O desembarque. | O cortejo - O Te-Deum - O Paço Real. | A recepção. | Gerden party. | Illuminações. | Baile.
Segundo Dia: A regata. | Grandes Armazens. | Inauguração do Observatorio Meteorologico da Horta. | Asylo da Infancia. | Passeio á estrada da Caldeira. | Jantar de gala.
Terceiro Dia: Passeio ao Capello. | Actualidades. | Embarque. | No cortejo Real. | Donativo regio. | Mercès. | Telegrammas. | Edital. | Sessão da Camara. | Discurso da Coroa. | Publicações. | Salve Rainha. | A cidade da Horta. | Brasões. | O collegio da Horta. | D. Pedro IV no Fayal. | El-Rei D. Luis no Fayal. | O clima dos Açores. | Aspectos. | No Fayal. | A casa do Pilar. | Escola «Capello e Ivens». | Duas palavras.
José Osório Goulart (Horta, 1868-1960). "Mais conhecido por Osório Goulart, foi um poeta, escritor, conferencista e intelectual açoriano. Foi um dos fundadores do Núcleo Cultural da Horta e o seu primeiro presidente.
Publicista brilhante, colaborou assiduamente nos jornais O Telégrafo e Correio da Horta, de que foi fundador e primeiro director. Para além destes jornais locais, colaborou na imprensa das ilhas Terceira e São Miguel e nalguns periódicos de Lisboa e Coimbra. Na sua actividade literária foi um prosador vernáculo e um competente historiógrafo e etnógrafo, publicando múltiplos artigos de carácter científico e de divulgação sobre matérias de história e etnografia."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capas algo empoeiradas.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

01 outubro, 2022

OS PORTUGUESES NA GRANDE GUERRA - Enciclopédia pela Imagem. Pôrto, Livraria Lello, Limitada - editora : Proprietária da Livraria Chardron, [193-]. In-4.º (24,5 cm) de 64 p. ; todo il. ; B.
1.ª edição.
Número da conhecida e apreciada colecção "Enciclopédia pela Imagem", totalmente dedicado à participação portuguesa na Grande Guerra.
Muito ilustrado. Todas as páginas contêm gravuras alusivas ao tema, quer em África, na defesa das Colónias, quer em França, com o C. E. P., integrando as forças aliadas.
"A declaração de guerra. No dia 9 de Março de 1916, Friedrich Rosen, Ministro da Alemanha em Lisboa, entrega ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Augusto Soares, o último documento diplomático: a declaração de guerra da Alemanha a Portugal.
É um documento extenso. Refere-se, na última parte, à requisição dos navios alemãis surtos e imobilizados, há 18 meses, em portos portugueses.
O Govêrno português fizera a requisição em 23 de Fevereiro atendendo aos interêsses da economia nacional, prejudicados pela deficiência de meios de transporte e considerando o problema das subsistências, como de salvação pública. [...]
A Mobilização. O Ministro da Guerra, General Pereira d'Eça, colocára nìtidamente a questão do auxílio militar de Portugal. O Govêrno Francês pede peças de artilharia. Prestaríamos êsse auxílio desde que seguisse pessoal, isto é, «que nos fôsse pedido o auxílio das nossas fôrças» directamente pela Inglaterra invocando a aliança para justificar a beligerância de Portugal. [...]
Corpo Expedicionário Português (C. E. P.). Em 17 de Janeiro de 1917 é nomeado comandante do C. E. P. o general Fernando Tamagnini, que já comandára a Divisão de Instrução. Era um oficial muito apreciado e que ascendera ao generalato, por escolha, em 1915.
O C. E. P. era inicialmente constituído por uma divisão reforçada, dispondo de 3 brigadas de infantaria a 2 regimentos; 4 grupos de metralhadoras a 2 baterias (32 metralhadoras); 4 grupos de artilharia de campanha a 3 baterias (48 peças); 3 grupos de obuzes a 2 baterias (24 obuzes); 4 companhias de sapadores mineiros; 1 grupo de esquadrões de cavalaria; pessoal para as formações e estabelecimentos dos múltiplos serviços das fôrças em campanha.
O transporte das tropas expedicionárias foi feito em sete transportes ingleses (A-B-C-D-E-F-G) e nos dois transportes portugueses «Gil Eanes» e «Pedro Nunes», constituindo vários combóios, convenientemente escoltados por barcos de guerra das duas nações.
O primeiro embarque efectuou-se em 30 de Janeiro de 1917 e até Fevereiro de 1918 foram transportados 1.589 oficiais e 57.540 praças, além de 6.894 solípedes e 901 viaturas."
(Excerto Cap. V, Beligerância : 9 de Março de 1916 a 11 de Novembro de 1918, Na Guerra das Trincheiras)
 
ÍndiceCapítulo I. Neutralidade Condicional: - Resolução do Congresso. - Portugal neutral. - Auxílio aos aliados. - Precauções nas colónias. - Incidentes de fronteira. Capítulo II. Pacificação de Angola: - A fronteira do Sul. - As colónias estrangeiras. - Naulila. - O levantamento indígena. - Domínio Além-Cunene. - Novos vizinhos. Capítulo III. Campanha do Niassa: - O triângulo de Quionga. - A travessia do Rovuma. - A incursão inimiga. Capítulo IV. A defesa do Atlântico: - Mare Nostrum. - A guerra submarina. - Escolta gloriosa. Capítulo V. Beligerância: - A declaração de guerra. - A mobilização. - Corpo Expedicionário Português. - Visita presidencial. - A vida nas trincheiras. - A ofensiva alemã. - Na vitória final. Capítulo VI. Epílogo: - Na Conferência de Paz. - Sursum corda!
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
20€