20 março, 2022

PARREIRA, Dr. Ludgero Lopes - ALIMENTAÇÃO NAS CANTINAS DA M. P. [MOCIDADE PORTUGUESA]
. [S.l.], [Mocidade Portuguesa], [19--]. In-8.º (20 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação da Mocidade Portuguesa. Interessante trabalho sobre a a "dieta" a implementar nas cantinas dos liceus e institutos politécnicos do país, para uma alimentação equilibrada dos jovens, incluindo cerca de 50 receitas nutritivas compostas por sopas, pratos e sobremesas. Raro e muito curioso.
Livro ilustrado ao longo do texto com quadros e tabelas.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Ao publicarmos o trabalho sobre alimentação nas cantinas, não nos moveu o desígnio de estabelecer doutrina ou de apresentar um estudo que esgotasse  matéria em causa. O próprio autor, Dr. Lopes Parreira, Médico Escolar do Porto, a quem a Mocidade Portuguesa muito agradece, não teve tal ideia em mente.
Antes pretendemos pôr em relevo o valor da alimentação no desenvolvimento das massas escolares, divulgando normas racionais e práticas para a confecção das ementas. À frente das cantinas dos Liceus e das Escolas Técnicas, se muitas vezes pode estar um médico especialista em assuntos alimentares, o que seria ideal, pode também encontrar-se um licenciado em letras ou ciências, por exemplo, o que é mais frequente, e, então, as coisas já não tomam o mesmo aspecto; e não devemos esquecer que, por razões de ordem vária, são frequentes vezes as ementas feitas pelo próprio pessoal menor."
(Excerto do preâmbulo)
"Desnecessário é encarecer os benefícios que das Cantinas advêm para os alunos, muitos dos quais teriam, sem elas, ou de se sujeitar a uma merenda fria e insuficiente, trazida de casa e ingeridas por vezes no ambiente deletério de qualquer taberna vizinha, ou de galgarem granes percursos para irem almoçar precipitada e atabalhoadamente às suas casas distantes. Para mais, o ambiente novo, entre comensais da mesma idade, é útil aos rapazes. É da observação corrente uma criança fastienta na casa paterna comer melhor quando muda de mesa. Isso sob o aspecto da higiene física e também moral. [...]
Se as Cantinas têm uma função educativa que ultrapassa o âmbito do indivíduo, a alimentação racional posta, por seu intermédio, à disposição de milhares de pessoas na fase mais crítica da sua vida - a do crescimento - tem um alcance profundamente social."
(Excerto do Cap. 1 - Função educativa e social das Cantinas)
Matérias:
[Introdução.] | 1 - Função educativa e social das Cantinas. 2 - As nossas necessidades. 3 - Composição dos Alimentos. 4 - Modificações culinária dos alimentos. 5 - Tipos de sopas e pratos. 6 - Constituição e valor das Ementas-tipo. 7 - Merendas. 8 - Estudo especial dos principais alimentos e bebidas. 9 - Alterações dos alimentos. 10 - Custo dos géneros alimentícios. 11 - Palavras finais. | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 março, 2022

INSTRUCÇOENS // PRATICAS // SOBRE OS RITOS, // E // CEREMONIAS // DA // MISSA // PRIVADA, // Nas quaes se dá aos Sacerdotes hum methodo facil, // e abreviado para celebrar com perfeiçaõ, e // uniformidade os Sagrados Mysterios. // Ordenadas para o uso do // SEMINARIO // DE // J. M. J. // DA // CIDADE DE COIMBRA, // E para o mais Clero do mesmo Bispado; com huma // Carta Pastoral do Excellentissimo, e Reverendis- // simo Senhor Bispo Conde, na qual exorta // ao mesmo Clero a conformar-se a este // methodo. //
COIMBRA: // Na Offic. de Luis Secco Ferreira, Anno de 1761; // Com todas as licenças necessarias.
In-8.º (15 cm) de [22], 368, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual de procedimentos para a correcta prática do cerimonial da Missa.
Precede as Instruções uma missiva preambular do Bispo Conde D. Miguel da Anunciação (1703-1779) - conhecido prelado, bispo de Coimbra, neto materno de D. Miguel Carlos de Távora, e por questões de apelido, perseguido pelo Marquês de Pombal - com o título Carta Pastoral e Exhortatoria de S. Excellencia Reverendissima, D. Miguel da Annunciaçaõ, Conego Regular de S. Agostinho da Congregaçaõ Reformada de Santa Cruz, Bispo de Coimbra, Conde de Arganil, Senhor de Côja do Concelho de S. Magestade Fidellissima, &c., datada de 15 de Agosto de 1761, e propositadamente redigida por D. Miguel para apresentar a presente obra.
"Pelas presentes Instrucçoens vos offerecemos Irmaõs Charissimos hum argumento mais do nosso paternal afecto, hum socorro à vossa memoria para naõ vos esquecerem as Ceremonias Sagradas da Missa, e o mais proporcionado meio para se conservar huma perfeita uniformidade nos Veneraveis Ritos deste Sobrerano, e Augusto Sacrificio, e de exercitardes naõ sómente com decencia, mas com perfeiçaõ, e dignidade o vosso ministerio na presença de Deos, dos Anjos, e dos homens.
Lede com o mais attento cuidado esta Instrucçaõ breve, e adverti que naõ ha Ceremonia que naõ encerre algum Mysterio, ou à Religiaõ, e a Piedade naõ descubra algum Sacramento, que excite se se considera à nossa devoçaõ, o nosso respeito, e o nosso amor para com o mesmo Deos, que nos dá no Santo Sacrificio o memorial perenne da sua paixaõ, o Thesouro das suas riquezas, e o Compendio das suas maravilhas."
(Excerto da Carta Pastoral, por D. Miguel Bispo Conde)
"O Sacerdote, que houver de celebrar o Sacrosancto Sacrificio da Missa (tendo recitado ao mesno Matinas, e Laudes, expiado antes de se revestir, com a confissaõ Sacramental, se della necessitar) se preparará tendo por algum espaço de tempo Oraçaõ mental, e dizendo antes (de se vestir) a Antifona Ne reminiscaris, com os Psalmos, Versos e Oraçoens, que o Missal no principio aponta, e ordena."
(Excerto da Instrucçaõ I - Da preparaçaõ para celebrar Missa)
Index das Instrucçoens que se contèm neste livro:
[Licenças]. | [Carta Pastoral]. | I - Da preparação do Sacerdote para celebrar a Missa. II - Do principio da Missa até o Canon. III - Do Canon até o fim da Missa. IV - De algumas advertencias, que deve ter o Sacerdote a respeito da Missa. V - Da Missa de Requiem privada. VI - Das Missas Votivas. VII - §. I. Em que se mostra qual, e quam grande seja o Sacrificio da Missa; §. II. Em que se mostra quaes se dizem ser neste Sacrificio os principaes Offerentes; §. III. Da virtude, e força efectiva deste Sacrificio; §. IV. Do valor, e fructos do Sacrificio; §. V. Da fórma que se ha de guardar na applicaçaõ da Missa; §. VI. Da necessidade da preparaçaõ; §. VII. Como se ha de fazer a Confissaõ Sacramental; §. VIII. Do modo de Confessar; §. IX. Oratio ante Confessionem, Actus Contrictionis; §. X. Oratio post Confessionem; §. XI. Praeparatio ad Missam pro oportunitate Sacerdotis facienda; §. XII. Directio intentionis ante Missam; §. XIII. Deprecatio pro omnium necessitatibus; §. XIV. Oratio ad B. Virginem; §. XV. Oratio ad Sanctos Angelos; §. XVI. Da proxima disposiçaõ da Missa; §. XVII. Das Sagradas vestiduras; §. XVIII. Do acesso do Sacerdote ao Altar; §. XIX. Do principio da Missa até o Introito; §. XX. Do Introito até á Epistola; §. XXI. Da Epistola, Evangelho, e Credo; §. XXII. Do Offertorio até o Canon; §. XXIII. Do Canon até á Consagraçaõ; §. XXIV. Da Consagraçaõ até o Padre nosso; §. XXV. Da Oraçaõ do Padre nosso até á Communhaõ; §. XXVI. Da Communhaõ; §. XXVII. Da ultima parte da Missa até o fim; §. XXVIII. Do apartamento, que o Sacerdote faz do Altar, e alguns exercicios para depois da Missa; §. XXIX. Gratiarum actio post Missam; §. XXX. Insinua-se a razaõ porque muitos aproveitaõ pouco no frequente exercicio da Missa; §. XXXI. Em que se expoem a praxe de celebrar quando o Sacerdote se naõ póde dilatar na fórma prescripta; §. XXXII. Da celebraçaõ da Missa; § XXXIII. Da Acçaõ de graças. | Indez racional em que se expoem as significaçoens mysticas, e origem das ceremonias, que se contèm nas Instrucçoens antecedentes, com alguns casos practicos, que pódem acontecer a respeito das mesmas.
Encadernação inteira em pele mosqueda com dourados gravados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequeno trabalho de traça, junto do canto superior direito, visível nas primeiras folhas do livro, junto com mancha de humidade desvanecida.
Raro.
A BNP refere a obra, com a indicação "sem informação exemplar."
Indisponível

18 março, 2022

COSTA, Filho, Gômes da - PORQUE CEGOU CAMILO?... Estudo retrospetivo da cegueira do mártir de S. Miguel de Seide.
[Por]... Oftalmologista
. Poços de Caldas : Brasil, Instituto Dr. Gômes da Costa, 1950. In-4.º (24 cm) de 32, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência proferida na 7.ª Sessão Científica do Instituto Dr. Gômes da Costa, na noite de 10 de novembro de 1950.
Estudo oftalmológico sobre a cegueira de Camilo Castelo Branco, apresentado em conferência pelo autor. Trata-se da primeira edição absoluta, originalmente impressa no Brasil. Posteriormente, foi publicada entre nós uma segunda edição do estudo (1955).
Exemplar n.º 370 de uma tiragem não declarada rubricada pelo autor.
"É muito natural que aos estudiosos das vidas dos homens ilustres passem despercebidos, tanta vez, certos aspectos. Mas, para o oftalmologista, entretanto, a questão que logo sobreleva, se impõe e apaixona, é uma só: porque cegou Camilo?...
Quais foram os primeiros sintomas da sua enfermidade ocular?!...
Em que consistiu, afinal, a molestia que vitimou seus ólhos e quais os recursos empregados para o lenitivo e cura, se possível, de tão preciosa visão?!...
Eis, aqui, simples perguntas de um oftalmologista e que nos atormentava o espirito naquela manhã de Julho, quando decidimos completar nossos estudos sobre a cegueira do mártir de S. Miguel de Seide."
(Excerto da Conferência)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€

17 março, 2022

MARTINS, A. Santos - DE COIMBRA A CHERINGOMA
. [Coimbra], [Edição do Autor com o patrocínio de Feira Permanente do Livro], 2006. In-8.º (21,5 cm) de 109, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias do tempo passado em Moçambique - onde o autor foi colocado no início da Guerra Colonial - com partida de Coimbra. Interessante conjunto de episódios, pincelados com notas históricas sobre a gesta portuguesa em África.
"Depois de passarmos ao largo do 'rio do Infante', da celebrada navegação de Bartolomeu Dias - aquela que, pela primeira vez, em 1487/88, ligou o Atlântico e o índico - a nossa viagem prosseguiu pela Costa do Natal - outro nome que ficou desde Vasco da Gama e da Viagem de Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia (1497/98). Em meados de Dezembro, o transporte de tropas escalava finalmente o porto da cidade de Lourenço Marques, que em poucas décadas fora transformado num dos mais importantes do Continente Negro (como outros portos de Moçambique).
Não longe do cais de acostagem, num bar de uma das 'ruas da perdição' - e não a Rua Araújo dos 'dancings', mas a Rua... Salazar -, umas morenas ofereceram-nos, a mim e ao 'China' (que também é de Coimbra), alguns copos de cerveja que mandaram 'meter na conta' de uns embarcadiços nórdicos muito loiros e já àquela hora da tarde muito bêbados."
(Excerto de As generosas mulatas das 'ruas da perdição')
Armando dos Santos Martins (n. 1944). Natural de Coimbra. "Depois dos seus estudos como Aluno Salesiano, Armando dos Santos Martins ingressou na Força Aérea Portuguesa e partiu para Moçambique em Dezembro de 1963, integrado, como voluntário, nas forças expedicionárias que foram combater a subversão armada naquela antiga Província portuguesa do Índico. Já como profissional da Imprensa («Notícias») e Rádio (foi director do ER de Tete do RCM)), em Moçambique, actuou várias vezes como Correspondente de Guerra (tem muitas reportagens publicadas no «Notícias»), cobrindo acções militares com tropas especiais nos distritos flagelados pelo conflito armado (Cabo Delgado, Niassa e Tete). Regressou a Portugal em 1976 e, nesse ano, trabalhou como redactor no 'Diário de Coimbra'.
A Capital do Mondego está sempre presente nos seus livros, mesmo nos que tratam das Descobertas e Expansão.
É autor de numerosos trabalhos e já no século XXI editou, entre outros, os livros «História da Casa do Minho» (dois volumes); «Sofala - O Primeiro Templo da Igreja Católica na África Oriental»; «De Coimbra a Cheringoma»; «Beira Púngoè - Salazar enfrentou aqui os Ingleses à mão armada»; «Cabora Bassa - A Última Epopeia».
Fundou em Moçambique o primeiro Jornal que houve ao longo do rio Zambeze («Leão do Zambeze»), editado na cidade de Tete."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

16 março, 2022

BRAGA, Theophilo - O VELHO DO RESTELO : poemeto.
Por... Lisboa, Editores - Libanio & Cunha, 1898. (23,5 cm) de [2], 27, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Poema patriótico sobre a gesta dos descobrimentos.
Ilustrado com duas gravurinhas, uma no início, e outra no final do livro.

"Surgindo, Tejo acima, embandeiradas
Vêm de volta da India as Náos ovantes,
Depois de affrontar ríspidas rajadas,
Parcéis e abysmos das regiões distantes;
Maravilhas das terras ignoradas,
Até onde ninguem chegára de antes,
Patenteando, e o mysterio do Oriente
Aberto á acção da portugueza Gente."

Soube o rei Dom Manuel da nova boa,
De Cintra parte com a fidalguia,
Quer a entrada triumphal vêr de Lisboa,
Corre á Casa da Mina; n'esse dia
Presente engrandecer-se-lhe a Corôa,
E olhando a barra ao longe se sorria,
Por vêr emfim realisado o sonho
Que era o agouro popular medonho."

(Excerto do Poema)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas.
Raro.
20€

15 março, 2022

O VERDADEIRO LIVRO DE BENZEDURAS.
Preço Esc. 5$00
. [S.l.], [s.n.], [194?]. In-8.º (16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto composto por 23 "benzeduras" - as mais extravagantes - para aplacar todos os tipos de maleitas, e contra o inevitável mau olhado.
São muito curiosos e invulgares estas colectâneas de ladainhas, exemplo maior da crendice e superstição em que o nosso país sempre foi pasto fértil. De realçar o preço do livrinho - 5 escudos - que representaria uma aquisição dispendiosa na época.
"As pessoas que rezarem e trouxerem consigo estas orações estão livres de tentações diabólicas e de todos os males que afligem a humanidade.
Amén eterna vida na carne da Ressurreição na pecados dos remissão na Santos dos Comunicação na Católica Igreja Santa na Espírito Santo no creio mortos os e vivos os julgar a vir há-de onde Poderoso todo Padre Deus de direita mão à sentado está. Céus aos subiu mortos dos ressurgiu dia terceiro ao inferno ao desceu sepultado e morto crucificado foi Pilatos Pôncio de poder sob padeceu Virgem Maria de nasceu Santo Espírito do concebido foi qual o Senhor Nosso Filho seu só Cristo Jesus em terra da e Céu do Criador Poderoso todo Padre Deus em Creio."
(O Padre Nosso e o Credo às avessas)
Rezas:
Benzedura para exagre, cobro e fogo | Benzedura do possanto | Benzeduras da iterícia | Benzedura e oração da úlcera | Benzedura para as pessoas desmanchadas| Benzedura da benta | Benzedura da constipação | Modo de benzer a picada de ar | | Benzedura e esconjuração do flato nervoso | Benzedura do farpão nos olhos | Benzedura da calma | Benzedura e oração para o mau olhado | Benzedura da Rosa | Benzedura dum nervo torcido | Benzedura da Erisipela | Benzedura da dor ciática | Benzedura da dor de barriga | Benzedura do Afíto | O Padre Nosso e o Credo às avessas | O Padre Nosso às avessas| Benzedura do ar | Benzedura da impingem negral e alvar | Benzedura da Herpes.
Exemplar em brochura, bem conservado. Frágil, com vincos.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

14 março, 2022

VICENTE, Ana - AS MULHERES PORTUGUESAS VISTAS POR VIAJANTES ESTRANGEIROS :
Séculos XVIII-XIX-XX
. Lisboa, Gótica, 2001. In-4.º (23,5 cm) de 319, [1] p. ; LII estampas ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio "acerca das representações das mulheres portuguesas - escritas e iconográficas - propostas nas narrativas de viagem de autores estrangeiros, redigidas nos séculos XVIII, XIX e XX.
Livro impresso em papel de superior qualidade - graficamente atraente -, ilustrado com 52 belíssimas estampas a cores e p.b. separadas do texto, que reproduzem gravuras, aguarelas, desenhos e fotografias.
"As portuguesas são bastante amáveis, espirituosas e muito vivas. Não são tidas como ariscas mas poucas ocasiões se lhes oferecem para o provarem, porque quer os pais quer os maridos ou mesmo os irmãos são invulgarmente zelosos, exercendo sobre elas uma fiscalização aturada. De casa só saem para ir à igreja ou para fazer visitas. (César de Saussure, Cartas escritas de Lisboa no Ano de 1730)" (Retirado da capa)
"Como é que as mulheres portuguesas são vistas - na forma escrita e visual - por viajantes estrangeiros? Aliando um levantamento exaustivo da literatura de viagens em Portugal a uma análise crítica dos seus discursos sobre as mulheres, este livro constitui uma outra visão do país nos séculos XVIII, XIX e XX, que nos fascina, entretém, esclarece e ilumina.
Os excertos referentes a cada século são apresentados em conjunto, por ordem cronológica, precedidos de um texto da autora sobre as histórias das mulheres portuguesas daquele período, sobre as características dos viajantes e das viagens e uma análise das representações dominantes das narrativas seleccionadas.
O olhas, quase sempre masculino, do viajante, diz-nos muito sobre identidades - femininas e masculinas - mas também sociais e nacionais.
Este estudo é um contributo para a história das mulheres, para a história da literatura de viagens, mas, sobretudo, para a história de Portugal."
(Retirado da contracapa)
Índice: Introdução. | Viajantes, viagens, narrativas, imagens. | Século XVIII - As mulheres, os viajantes, as representações. Excertos de livros de viagens do século XVIII. | Século XIX - As mulheres, os viajantes, as representações. Excertos de livros de viagens do século XIX. | Século XX - As mulheres, os viajantes, as representações. Excertos de livros de viagens do século XXI. | Conclusão. | Notas biográficas acerca de alguns dos autores dos excertos transcritos. | Bibliografias: Livros de viagens de que são publicados excertos ou reproduzidas imagens; Livros de viagens analisados de que não são publicados textos ou reproduzidas imagens; Bibliografia geral. | Índice onomástico e toponímico.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória autógrafa (não da autora) na f. ante-rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico e sociológico.
15€

13 março, 2022

MACEDO, José de -
MEIOS DE DESENVOLVER A RIQUEZA PUBLICA NO PORTUGAL CONTINENTAL, AÇORES E MADEIRA. Terceira Tese. Relator... Ob.. da LOJ.. SOLIDARIEDADE. Congresso Maç.. Nacional. Lisboa, Tipographia Bayard, [1913]. In-8.º (21 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Tese apresentada ao Congresso Maçónico Nacional por José de Macedo, obreiro da Loja Solidariedade.
O autor propõe uma série de conceitos programáticos para o desenvolvimento e sustentação da Riqueza Pública.
"O desenvolvimento da riqueza publica em Portugal depende de vário factores, os quaes não podem ser suficientemente estudados sem a analise detida e circunstanciada da economia nacional.
A engrenagem economica dum paiz é duma grande complexidade para que a possamos deixar sem estudo metodico e completo.
Todo o trabalho que não fôr baseado em dados positivos cae pela base, porque nada pode perdurar sem que uns alicerces firmes nos deem a exata impressão de que o edificio que vai erguer-se pode ser feito com a devida segurança."
(Excerto da Tese)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

11 março, 2022

VIEIRA, Affonso Lopes - AO SOLDADO DESCONHECIDO (morto em França). Por... [S.l.], [s.n. - Imp. Libanio da Silva, Lisboa], [1921]. In-4º (25 cm)  de 4 p. (inc. capas] ; B.
1.ª edição.
Poema publicado em homenagem ao soldado desconhecido. Obra polémica, foi apreendida na época. Na contracapa está impresso: "vendido a favor de um orfão da guerra : preço...... um tostão".
A respeito deste folheto, e com a devida vénia pelo excelente trabalho publicado pela Professora Cristina Nobre nos Cadernos de Estudos Leirienses – 4 Maio 2015, sob o título «O Soldado Desconhecido: o público e o privado em Afonso Lopes Vieira», reproduzimos dois excertos exemplificativos da celeuma levantada pelo poema de ALV.
"Em Março de 1921, o poeta Afonso Lopes Vieira vive uma experiência dolorosa com a apreensão da sua poesia “Ao Soldado Desconhecido (Morto em França)”, texto que o leva a ser interrogado pelas instâncias oficiais, já que o Exército se sente melindrado e retratado em algumas das referências aí feitas, tomando à letra os versos: "[…] a tua imensa / presença acusadora e aterradora / para quem te exportou como um animal, / se estenda sobre o céu de Portugal!". Vários contemporâneos reagem a este acontecimento de um modo violento, atribuindo-lhe um significado político. [...]
Escrevendo esses versos, que me honro de ter escrito, prestei ao heroe a melhor e a mais bela homenagem que o meu espirito foi capaz de conceber. Esses versos estão muito acima de todas as preocupações partidarias ou sectarias, — as quaes me não interessam — porque elas são a glorificação do Povo que se sacrificou com tanto e tão belo heroismo, a saudação funebre e heroica do recem-vindo á sua terra. E eu tenho a absoluta convicção de que nunca escrevi uma pagina mais patriotica do que esta poesia, e de que a sua intenção pelo menos, é digna do heroe. (Entrevista ao jornal Epoca de 19 de março de 1921, apud R I, f. 128 v.)"

"Sem discursos, sem frases,
sem alexandrinos,
porque a Piedade que nos fazes
deshonrá-la-hiam os hinos,
vem, oh Soldado Português da Guerra,
dormir enfim na tua terra
de Portugal,
e que a voz dela te embale
numa caricia enorma:
- Dorme, meu menino, dorme...

Sem discursos, sem frases,
ah! mas com quanto pranto
interior,
porque a Piedade que nos fazes
nos alanceia de Amor,
vem, oh Soldado Português da Guerra,
dormir enfim na tua terra,
e que a tua presença
espectral,
a tua imensa
presença acusadora e aterradora
para quem te exportou como um animal,
se estenda sobre o céu de Portugal!
E que essa voz te embale
numa caricia enorme:
- Dorme, meu menino, dorme..."

(Excerto do poema)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil. Vincado.
Raro.
Com significado histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

10 março, 2022

EDITAL
. Lisboa, Na Régia Typografia Silviana, 1815. In-4.º (29 cm) de 1 f.
1.ª edição.
Documento raro, curiosíssimo, com especial interesse para a história da higiene urbana, usos e costumes de Lisboa no princípio do século XIX.
Determinação emanada do Senado, subscrita pelo Escrivão da Câmara - Manoel Cypriano da Costa - "de que saõ incumbidos os Almotacés da Limpeza dos Bairros, e a Guarda Real da Policia", de fazer respeitar a proibição de lançar "Aguas, ou Lixos nas Ruas, sem dar as tres vozes com separaçaõ, para aviso dos que transitam por ellas, desde as dez horas da noite até ás cinco da manhã", sendo os prevaricadores penalizados com pena de multa pecuniária e cadeia.
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

09 março, 2022

[SOUSA, Maria Peregrina de] - RHADAMANTO OU A MANA DO CONDE. [ROBERTA OU A FORÇA DA SYMPTHIA]
. Lisboa, Typographia de Castro Irmão, 1863. In-4.º (22 cm) de 390 p. ; E.
1.ª edição.
Obra típica do romantismo nacional composta por um romance - Rhadamanto - e uma pequena novela - Roberta -, assinada com as iniciais "M. P. de S." na folha da dedicatória, onde a autora - Maria Peregrina de Sousa - oferece o seu trabalho à Sociedade Madrépora do Rio de Janeiro, "como tributo de gratidão". Muito interessante.
"A rapida mudança de uma sorte mesquinha para outra opulenta, ordinariamente ensoberbece os favorecidos, e os torna egoistas: não é regra sem excepção, nem tambem com muitas.
Antonio Cosme, pequenissimo contrabandista das raias de Portugal, chegou a adquirir grossos cabedaes, e com elles uma jactancia irrisoria.
Era elle, pesar das suas riquezas, tão pouco conceituado por aquelles que o conheceram pobre, que decidiu ir estabelecer-se em Lisboa. Fortaleceu-o n'esta tenção o não poder afastar de si os muitos parentes pobres que o cercavam, e teimosos lhe chamavam: irmão, filho, sobrinho, tio e primo.
Sua mulher, de familia tambem pouco abastada, não tinha ao menos parentes que a envergonhassem. Seu pae era morto, não tinha tios nem primos, e seu unico irmão havia em pequeno partido para o Brasil. Tinha mãe e avó, mas viviam muito recolhidas, e não a incommodavam. Antes, porém, de Antonio Cosme ter a idéa de mudar de terra, deu-lhe sua mulher um morgado (isto é, um filho), que o enlouqueceu de prazer. A mãe do morgado, que era tão vaidosa como seu marido, e muito mais tola, depois de muito scismar, decidiu que o herdeiro de sua casa se chamasse Rhadamanto, nome que encontrára n'uns versos antigos.
O cura quiz oppor-se dizendo, que aquelle nome era de cães e não de gente. Estava o bom homem afeito a ver prodigalisar os nomes dos deuses do Olympo e do Averno nas matilhas do caçadores seus visinhos.
Os paes da criança não attenderam a nada, e tomaram em seu brio não descerem das tamancas. E teimaram com entono que iriam antes baptisar seu filho á Turquia do que consentirem que lhe fosse posto um nome como qualquer legalhé podia ter. O cura cedeu."
(Excerto de Rhadamanto... - Cap. I)
Maria Peregrina de Sousa (1809-1894). "Escritora, romancista e poetisa. Nasceu no Porto a 13 de fevereiro de 1809, sendo filha do comerciante António Ventura de Azevedo e Sousa, e de D. Maria Margarida de Sousa Neves.
Foi muito conhecida e considerada romancista e poetisa, mas as suas numerosas composições, que lhe granjearam repetidas aplausos e louvores de juizes autorizados, existem disseminadas em vários jornais literários e políticos, que desde 1842 começaram a tê-la a por colaboradora, tais como o Arquivo popular, Restauração da Carta, Revista Universal Lisbonense, Íris, do Rio de Janeiro; Aurora, Pirata, Braz Tisana, Lidador, Pobres do Porto, etc. Alguns dos romances publicados nessas folhas, têm a assinatura de Uma obscura portuense, outros a de Mariposa, muitos com o nome completo, ou com as iniciais D. M. P.
Em publicação separada, em 1859: Retalho do mundo, romance dedicado a António Feliciano de Castilho, o qual se compõe de 58 capítulos, que são os desenvolvimentos de outros tantos rifões, adágios e anexins populares, que lhe servem de títulos. Na Revista Universal saiu as Superstições do Minho, de que se tentou fazer uma colecção separada, com uma introdução ou advertência preliminar pelo referido poeta Castilho, mas ficou interrompida logo na 1.ª folha, por causa das lutas políticas de 1846, e nunca mais continuou. Publicou em 1863, em Lisboa, o romance Rhadamanto ou a mana do conde; seguido do Roberto ou a força da sympathia; esta edição foi feita a expensas da sociedade Madrépora, do Rio de Janeiro, que estava então florescente e se destinava a proteger as publicações literárias e os escritores portugueses. Escreveu também algumas notas para a versão dos Fastos de Ovídio por A. F. de Castilho, nos tomos I, II e III. Na Gazeta de Portugal, de 1843, uma narrativa sob o título Um romance de Tomas da Gandara.
Na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, tomo III, Setembro, de pág. 273 a 312, vem publicada uma biografia desta ilustre escritora e poetisa, escrita pelo já citado escritor e poeta António Feliciano de Castilho."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/sousamariap.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado. Folhas algo oxidadas. Dedicatória manuscrita de oferta, não da autora.
Raro.
Indisponível

08 março, 2022

ASYLO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO PARA RAPARIGAS ABANDONADAS.
Relatorio apresentado ao Ex.ᵐᵒ Sr. Governador Civil de Lisboa relativo á gerencia e 1880-1881
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1881. In-4.º (23 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do Asylo de Nossa Senhora a Conceição para Raparigas Abandonadas. Trata-se de um importante subsídio para o conhecimento desta associação de protecção a raparigas desvalidas da cidade de Lisboa. O Asilo de Nossa Senhora da Conceição, instalado no Convento do Rato, apenas em 1871 teve os seus Estatutos aprovados. Era um recolhimento temporário para raparigas abandonadas, e estava sob a superintendência do Governador Civil de Lisboa. Além da Instrução Primária, as raparigas tinham também uma formação como criadas de servir, e em outros ofícios domésticos. O opúsculo inclui no final a lista dos Subscritores.
"No meu relatorio do anno de 1877-1878, primeiro a minha gerencia, expuz a v. ex.ª os graves inconvenientes que resultavam de se achar o asylo em uma casa de tão acanhadas dimensões, e indiquei  conveniencia de que o governo de Sua Magestade lhe cedesse algum convento que vagasse, fazendo-lhe as precisas obras para o apropriar a uma instituição d'este genero. [...]
Foi felizmente attendida a minha rasoavel indicação, e em officio de 29 de janeiro de 1881 me communicou o antecessor de v. ex.ª que o governo de Sua Magestade c edêra a este asylo o edificio e cerca do convento de Nossa Senhora dos Remedios das trinas de Campolide, de que tomei posse em 21 de fevereiro."
(Excerto do preâmbulo)
"Com muita satisfação participo a v. ex.ª que a asylada n.º 199, Emilia Augusta, fez exame no lyceu de Lisboa para o magisterio official, e ficou distincta. Como disse a v. ex.ª no meu relatorio do anno passado, esta alumna, que não tem parentes alguns nem protectores, seria talvez bem desgraçada se não tivesse encontrado o amparo d'esta instituição. Ao seu optimo comportamento, á sua applicação nos estudos e á boa educação que lhe foi aqui dada, deve ella a habilitação que hoje tem para um decente e respeitavel modo de viver."
(Excerto de Exames no lyceu)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

06 março, 2022

BENTO XIV - BREVE // DO SANTISSIMO PADRE // BENEDICTO XIV // EXPEDIDO A XXIII DE AGOSTO DE MDCCLVI // PARA A SUPRESSÃO, UNIÃO, E INCORPORAÇÃO DE TODOS // OS MOSTEIROS DE FREIRAS, // TANTO DA CORTE DE LISBOA, COMO DE TODO O REINO, // QUE OU POR ARRUINADOS, OU POR FALTOS DE RENDAS, // OU POR NIMIAMENTE INDIVIDADOS NÃO PODEM SUBSISTIR: // SE OBSERVE NO ESTABLECIMENTO DOS DOTES // AQUELLA FÓRMA DE CONSIGNAÇÃO DAS TENÇAS ANNUAS, // QUE SE OBSERVA NO MOSTEIRO DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA DA LUZ. //
LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA // ANNO MDCCLXXI
. In-4.º (29 cm) de 22 p.
1.ª edição.
Documento histórico. Edição original impressa desta importante bula, redigida em latim e português, a duas colunas.
Sobre este assunto, e com a devida vénia, reproduzimos excerto do trabalho de José Subtil - Os conventos de religiosas no Alentejo entre a Revolução e a Regeneração (1820-1858).
"Logo a seguir aos acontecimentos do terramoto de 1755, quando Sebastião José de Carvalho e Melo assumia o lugar principal no governo josefino como secretário de estado dos Negócios do Reino (6 de Maio de 1756) e D. José Manoel era II Patriarca de Lisboa, o Papa Bento XIV expedia uma bula (23 de Agosto de 1756), expressamente dedicada aos conventos de freiras, onde outorgava enormes poderes às autoridades ordinárias da Igreja em Portugal e ao monarca D. José para iniciarem uma grande reforma nestes conventos por se acharem reduzidos "a hum estado deplorável" por causa das dívidas que contraíram e absorviam todos os capitais que possuíam. Segundo o texto da bula, se fossem satisfeitas estas dívidas, as rendas de um ano pouco chegariam para pagar o sustento de três meses a todas as religiosas enclausuradas.
Para acudirem à insolvência, as superiores dos conventos deitaram mão de um expediente que se revelaria perverso, ou seja, passaram a aceitar noviças em excesso, muito para além do número estabelecido para cada instituto, com o intuito de receberem os seus dotes e com eles pagarem as dívidas mais urgentes. O problema ter-se-á agravado com o aumento das despesas para o sustento de tantas freiras e com as relaxações das comunidades, dentro e fora dos conventos.
As recomendações do Papa apontam vários caminhos, dos quais salientamos três. Em primeiro lugar, reduzir os conventos segundo as possibilidades das suas rendas, tanto mais que com o terramoto muitos ficaram danificados, necessitando de obras para as quais não havia dinheiro. Em segundo lugar, restaurar a "boa ordem" de forma que se "aumente a união Cristã", "a paz Religiosa" e a "Observância da Disciplina Regular". E, em terceiro lugar, pagar as dívidas e desagravar os rendimentos.
Para este efeito, Bento XIV dá plenos poderes ao Patriarca de Lisboa e aos seus sucessores, "precedendo o conselho, e assenço do mesmo Rei Dom José: Para unir, incorporar, supprimir os sobreditos Mosteiros" e fazer a gestão de todos os seus bens, tanto em Lisboa como nas restantes províncias, no que respeita à venda, transferência, alienação ou secularização. Do mesmo modo, proíbe as prioresas de admitirem noviças, além do número prescrito, bem como anula todos os privilégios das ordens que os "constitua isemptos de toda a Jurisdicção Ordinária, Episcopal, e Delegada".
No plano do Direito Canónico, confere faculdade para se aplicarem diversas penas até à excomunhão, desde que as autoridades eclesiásticas obtenham o consentimento e o beneplácito régio. Sobre as novas noviças obrigava os pais (ou parentes) a comprometerem-se com fundos para uma tença anual de 60.000 réis em Lisboa e termo, e nas províncias o correspondente ao estado das terras. À morte das freiras, estas tenças passariam, novamente, aos pais ou parentes e não reverteriam para os conventos. E obrigava que as donzelas, antes de tomarem o hábito, manifestassem com clareza e convicção os seus sentimentos, fora das obrigações dos pais ou parentes, criando um tempo de nojo para as decisões que seriam supervisionadas pelas autoridades ordinárias (arcebispos e bispos) e não conventuais. Este período de reflexão para averiguar da vontade livre das noviças e evitar que fossem "levadas às grades dos mosteiros" devia ocorrer em casas particulares, de senhoras de "probidade" e "piedade", e demorar o tempo que fosse necessário. Passavam, também, a ser proibidas regalias aristocráticas como o uso de criadas particulares, mesmo para as freiras que já tivessem obtido licença apostólica."
(Fonte on-line: https://books.openedition.org/cidehus/4925)
"Ao Nosso Amado Filho D. Manoel Presbytero Cardeal da Santa Igreja Romana, e por concessão, e dispensa Nossa Patriarca de Lisboa.
Benedicto Papa XIV.
Amado Filho Nosso, saude, e Benção Apostolica.
A Obrigação Pastoral, em que Nos constituo a copiosa Graça do Senhor, pede, e requer de Nós, que, segundo as forças, e as luzes, com que Elle nos assiste, ponhamos todo o cuidado em prosperar, e reduzir a melhor estado os Mosteiros do devoto Sexo Feminino. E como da parte de Nosso Clarissimo em Christo Filho Dom José Rei Fidelissimo de Portugal, e dos Algarves, Nos foi representado: Que a pezar dos fervorosos desejos, e opportunas diligencias, com que Elle se applica ao melhoramento espiritual, e temporal de todos os Lugares Pios, e com especialidade ao dos Mosteiros de Freiras; e experiencia lhe tem mostrado (não sem grande mágoa do seu Religiosissimo coração) que a maior parte dos Mosteiros de Freiras, assim da Corte de Lisboa, como de todo o Reino de Portugal, e dos Algarves, se acha reduzida a hum estado deploravel, é excepção dos que são habitados pelas Amadas Filhas da Ordem de S. Francisco, que se chamam Capuchas. De sorte, que a não se lhes acudir com a devida promptidão,  necessarias providencias, todos elles de dia em dia se irão precipitando na ultima ruina; porque muitos destes Mosteiros se acham ao presente tão gravados com dividas, que a importancia destas chega a absorver a dos capitaes, ou a maior parte delles: Donde se segue, que se forem pagas as dividas, apenas chegaráõ as rendas de hum anno para o sustento, e manutenção de tres mezes. O que obrigou algumas Superioras dos ditos Mosteiros a receberem para Freiras supranumerarias muitas Donzellas, com a esperança de poderem com estes dotes matar as suas dividas. E ainda que em parte se conseguio este fim, pagando-se effectivamente algumas; por outra parte veio este meio a ceder em maior gravame dos mesmos Mosteiros: Pois que não chegando as suas rendas annuaes a sustentar o numero de Religiosasd prefixo pelos Fundadores, mas podiam ellas sustentar tantas outras supranumerarias. Daqui se julga prudentemente que teve principio a relaxação, em que hoje se acham os ditos Mosteiros; e o frequentarem as communicações com pessoas seculares, que com escandalo de todos os bons, e com igual damno das almas, e a Disciplina Regular, se tem introduzido nas suas habitantes; porque estas não achando dentro na Clausura os meios, necessariamente os buscavam em pessoas de fóra, na communicação com os ditos seculares, e nas conversações, e familiaridades tidas nos locutorios. Inteirado destes, e de outros males, que cada dia vam recrescendo; e desejando dar-lhes opportuno emedio, conheceo o mesmo Rei Dom José por informações de differentes Pessoas de probidade, de prudencia, muito experimentadas, e cheias de Religião, e de zelo; que toda a causa de tantas desordens consistia na falta de meios para o seu sustento, em que todos aquelles Mosteiros se achavam; e que para esta se remover, não podia excogitar-se modo algum mais proporcionado, que o de se reduzirem os Mosteiros, e Freiras delles  menor numero, segundo a possibilidade das suas rendas; maiormente quando se advertia, que alguns delles depois do Terramoto, e incendio de Lisboa, ou tinham ficado por terra, ou se achavam tão damnificados, que todos necessitavam de reedificação. Por tanto, Nós, que com todos os Poderes, que o Senhor nos deo, temos procurado arrancar todos o abusos, e desordens, que podiam deturpar as Ordens Religiosas de hum, e outro sexo; e que com especialidade desejamos, que nos referidos Mosteiros se restitua, confirme, e augmente a união Christã, a paz Religiosa, e a exacta, e antiga Observancia da Disciplina Regular, em que foram creados."
(Excerto do Breve papal)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

05 março, 2022

RAMIRES, Adolpho A. Baptista - AS INDUSTRIAS DO LEITE. (Questões relativas a Portugal).
Por... Estudos Agricolas
. Coimba, F. França Amado-Editor, 1894. In-8.º (22,5 cm) de [6], 109, [3] p. ; [2] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio de final de oitocentos para a indústria leiteira nacional. Ensaio vanguardista para a época, trata-se da tese de licenciatura do autor. Ilustrado no texto com um diagrama e uma tabela, e em separado, com dois quadros estatísticos em folhas desdobráveis: Movimento de importação de lacticinios naturaes e artificiaes durante os annos de 1870 a 1892; Movimento de exportação de lacticinios durante os annos de 1870 a 1892.
Livro valorizado pela dedicatória manuscrita de Baptista Ramires ao Pe. António Maria Rodrigues, datada de 25 de Julho de 94.
"O interesse que me merecem as questões da technologia agricola e o desejo de tratar sob um ponto de vista novo um assumpto que fosse d'alguma importancia para nós, moveram-me a estudar a nossa industria leiteira - aquella especialmente que tem por base a exploração da especie bovina, que é justamente a que entre nós tem sido mais descurada - e a procurar os meios de se desenvolver, dentro dos limites das condições do paiz e dos seus recursos naturaes. [...]
N'este campo de investigação alguma coisa obtive de util, mas não foi isso sem algumas difficuldades. A falta de escripturação e da comptabilidade competente na maioria dos nossas explorações agricolas, torna difficil qualquer esclarecimento; por outro lado, os agricultores menos instruidos têm tambem certa repugnancia em responder ao que se lhes pergunta: os successivos e crescentes impostos que de anno para anno caem sobre a agricultura, tornam-n'os, e com razão até certo ponto, receiosos e desconfiados; em toda a gente vêm empregados do fisco promptos a crear-lhes mais difficuldades, respondendo por isso com o silencio a quem os interroga, ou com evasivas que deixam entrever o receio de que as suas informações sejam o motivo para novos tributos.
Não obstante isso, algumas notas pude reunir, e sobre ellas fiz o pequeno estudo que hoje apresento, e que divido em tres partes: - Na primeira dou uma ideia simples, mas creio que clara, do estado actual da nossa industria leiteira, apontando o seu anterior atrazo e os seus primeiros progressos, que procuro motivar; na egunda tento demonstrar n'um esboço das condições naturaes e economicas d'uma parte do paiz, que a industria é susceptivel de se desenvolver bastante; e na terceira indico o caminho a seguir para se chegar a esse desenvolvimento, d'harmonia com os recursos de que o paiz dispõe."
(Excerto da introdução)
Indice:
[Introdução.] | As industrias do leite em Portugal - O seu atrazo; primeiros progressos. | Possibilidade do desenvolvimento da industria - Condições naturaes e economicas. | Meios de desenvolvimento - Creação d'uma raça de leite; fructarias ou cooperativas leiteiras.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel, extensíveis à lombada.
Adolfo Augusto Baptista Ramires (1868-1952). "Engenheiro agrónomo, professor do Instituto Superior de Agronomia, senador (1918), sócio do Instituto de Coimbra e da Academia das Ciências de Lisboa (1923). Nasceu em Bragança (Santa Maria) a 1 de Janeiro de 1868. Fez o curso liceal em Bragança e Viseu e o do Instituto de Agronomia e Veterinária em Lisboa, concluindo-o em 1894 com a classificação de dezassete valores."
(Fonte: https://5l-henrique.blogspot.com/2017/06/adolfo-augusto-baptista-ramires.html)
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

04 março, 2022

RESTAURANTES DE PORTUGAL - Roteiro gastronómico : 1971.
Elaborado por: LEM - Laboratório de Estudos de Mercadotecnia, r. l. Aprovado pela Direcção Geral do Turismo ao abrigo do Art.º 24 do Decreto n.º 34 134
. [S.l.], [s.n. - Impressão offset da Litografia União], 1971. In-4.º (23x10,5 cm) de LII, [8], 183, [9] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro gastronómico nacional distribuído no início dos anos 70 do século passado, com tradução para cinco línguas: espanhol - francês - inglês - alemão - norueguês.
Trata-se de um guia de concepção inovadora, raro, gráficamente atraente, editado na parte final do regime do Estado Novo - o primeiro do género que se publicou entre nós. Ilustrado com mapas, desenhos e fotografias a cores ao longo do livro.
"Não dispunha, até hoje, quem quer que viajasse em Portugal, de uma publicação que auxiliasse a escolher e encontrar o estabelecimento onde tomar as refeições.
A consciência desse problema levou-nos a procurar dar-lhe a solução que esta brochura, cremos, poderá constituir. Foi nossa preocupação possibilitar a quem a utilizar,  um conjunto de informações que permitam uma escolha segura, eliminando tanto quanto possível as surpresas que por vezes podem destruir o prazer de uma viagem.
Se esta 1.ª edição, porque, como é compreensível, não está isenta de inexactidões, nos não satisfaz ainda inteiramente, a verdade é que, pelo menos, nos deixa encorajados para prosseguir. Estamos certos de que os industriais nos darão o seu indispensável apoio com cada vez maior intensidade e do público, cuja reacção aguardamos ansiosos, esperamos a exteriorização das críticas e sugestões que nos ajudem a fazer melhor.
E entretanto, com todo o prazer a todos desejamos boa viagem e... bom apetite."
(Apresentação)
"A cozinha tradicional portuguesa é rica no seu conteúdo, mas é-o muito especialmente pelo cuidado que pomos na própria confecção dos pratos. É rica também porque os pratos regionais são inúmeros e tão variados como o Minho é diferente do Algarve.
Cada região, diríamos mesmo, cada lugar, se orgulha de uma especialidade  muito sua, só sua.
São essas comidas e doces típicos que passaremos a mencionar, não só os tradicionais - de certo os melhores -, mas especialmente aqueles que na sua região, seja num hotel, numa pensão, estalagem, pousada ou mesmo no mais modesto restaurante, à beira da estrada ou escondido em qualquer recanto, se possam encontrar fàcilmente na lista da casa."
(Gastronomia portuguesa)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha de humidade (desvanecida) no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse histórico e gastronómico.
35€

03 março, 2022

GONÇALVES, Tenente - H. de Assis - CHAMA DA PÁTRIA. Esforço de Portugal na Grande=Guerra.
Separata do "Correio de Coimbra"
. Coimbra, Tip. da Gráfica Conimbricense, L.ᵈᵃ, 1924. In-8.º (22 cm) de 47, [1] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante e raro subsídio para a história da Grande Guerra pela pena de um dos mais ilustres participantes no conflito - Assis Gonçalves -, bem como para a homenagem ao Soldado Desconhecido através do Lampadário "Chama a Pátria".
Livro ilustrado no texto com fotogravura do Mosteiro da Batalha e um esboço das linhas portuguesas e alemãs na Batalha de La Lys, e em separado, com duas estampas impressas sobre papel couché: Ultimo e definitivo projecto do Lampadário "Chama da Pátria" tal como se encontra no Mosteiro da Batalha velando os restos simbólicos dos Heróis portugueses na Grande Guerra; Primeiro projecto do Lampadário "Chama da Pátria".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, datada de 7-VI-924 ao "excelente amigo e ilustre camarada Tenente Antonio Henriques da Silva, com afectuosa estima ofereço para o seu museu de inutilidades".
"No 6.º aniversário da Batalha do Lys, símbolo do sacrifício heróico de Portugal na Grande Guerra, lembremos com saudade, com gratidão e com amor, êsses 200.000 bravos portugueses mobilisados, dos quais 54.976 foram à Flandres oferecer generosamente os seus peitos de combatentes...
Numa préce religiosa, invoquemos êsses 10.0000 mártires formosos que suas vidas imolaram nos campos da Batalha, engrandecendo o glorioso nome da Pátria...
Não esqueçâmos êsses 7.000 bravos que regressaram a Portugal absolutamente incapazes do serviço militar! [...]
Acarinhemos essa multidão de órfãos, filhos dos Heróis que pela Pátria suas vidas deixaram nos sertões da África, nos plainos da Flandres, e nas profundezas do Oceano, palpitando momentos de glória em convulsões de amôr!"
(Excerto de Glória aos Mortos da Pátria! Honra aos seus Heróis!)
"Seis divisões alemãs investem contra dois terços de um divisão portuguesa, restos, relíquias já carcomidas pela acção desgastadora de um longo ano a batalhar... Nunca, durante esta longa guerra, os soldados dos exércitos aliados aturaram, por tanto tempo e com tanta resistência, nas frentes de batalha, os sacrifícios dos combates e os exaurimentos da vigília!
Os soldados franceses, os soldados ingleses, são de carne, osso e músculo resistente, mas vão, passados 2 mêses de frente, refazer-se para campos de repouso, muito à rectaguarda situados, de onde partem, de quando em quando, a visitar os seus Lares para se retemperarem com os carinhos da família... Mas os nossos, os soldados de Portugal, são feitos de ferro e bronze... Não teem êsses campos de repouso, não teem êsses Lares de conforto... e vivem, e resistem, durante um ano inteiro, ao trágico pavor dessas duras primeiras linhas!..."
(Excerto de A Batalha do Lys (9 de Abril de 1918), II - Estado do C. E. P. ao começar esta batalha)
Matérias:
Esforço de Portugal na Grande-Guerra : Glória aos Mortos da Pátria! Honra aos seus Heróis! | Homenagem da 5.ª Divisão de Coimbra aos Mortos da Grande Guerra. | A Batalha do Lys (9 de Abril de 1918): I - As margens do Lys e as arenas do Kibir: II - Estado do C. E. P. ao começar esta batalha; III - Primeira fase da batalha. Tenaz resistência das nossas 1.ªs linhas; IV - No auge do combate; V - Ruptura da frente de batalha; VI - Segunda fase da batalha. Denodado esforço das nossas reservas e apoios; VII - Provas de valentia dos portugueses no Lys. | O Monumento de S.ta Maria da Vitória. | Para a história do Lampadário "Chama d Pátria": - Interpretação histórica das três figuras do lampadário; - Estilo do lampadário e dificuldades na sua construção; - Tempo gasto na cinzelação do lampadário; - Auto de inauguração e entrega do lampadário no Mosteiro da Batalha; - Inscrição no mármore em que se ergue o Lampadário "Chama da Pátria" (1.ª Fase - 2.ª Fase - 3.ª Fase).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.Capas frágeis, oxidadas, com pequena falha de papel no canto superior dto da capa frontal.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 março, 2022

AURORA, Conde d' - O PINTO - Infância, paixões e morte de um cacique eleitoral. -
Romance
. Porto, Livraria Tavares Martins, 1935. In-8.º (19 cm) de 191, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Romance satírico sobre o caciquismo local, 
sendo esta uma das mais interessantes e apreciadas obras do autor.
"Fidaurgo - lhe chamava tôda a gente.
A princípio era o «Filho do Fidaurgo do Paço», o «Fidaurginho»; o «Fidaurgo do Paço», mais tarde.
Depois, na aldeia, até na Vila de Oliveira, todos diziam apenas : o «Fidaurgo».
«Menino esteja quieto. Menino esteja calado!» - fôra tôda a sua educação.
Disseram-lhe o que se não deve fazer: educação negativa porque nunca lhe ensinaram o que se deve fazer.
Tinha mêdo ao Pai - fazia tudo às escondidas dêle.
Não era grande o respeito pela Mãi - e o Pai sempre a dizer «que os rapazes não devem andar metidos nas saias das mulheres».
A vélha criada que o desmamou morrera anos antes.
E sabendo mal a cartilha lá chegou finalmente - sadio de fruta verde clandestina e vinho e boroa por casa dos caseiros - à terrível idade de aprender no sistema métrico a medida do estere.
A Mãi, ralada de desgôstos, vivia coacta, no receio do Marido.
Senhora doente, de boa família, descendente de Ramiro 1.º Rei de Leão, e também, e muito provàvelmente, do Brigadeiro D. João de Amorim, heróico comandante da Praça de Monção em 1640, e de todos aquêles fidalgos de boa estirpe da ilustre Casa de Piães - onde Manuel Pinto de Faria Soares a mandara pedir em casamento pelo capelão de sua casa, conhecedor das terras que a Menina possuía no Concelho de Oliveira.
Manuel Pinto enchera-a de aflições e faltas de respeito.
Nunca mais ela vira as suas jóias desde o dia do casamento.
Andavam por casa e pela quinta, sem cerimónia, as jornaleiras e as moçoilas da aldeia a quem o sanguineo e bestial Senhor acenava o lenço."
(Excerto do Cap. I e II)
José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, 2.º Conde de Aurora (Ponte de Lima, 1896 - 1969). Escritor português. "Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico "Pregão Real". Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho. A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária. Como ficcionista, publicou O Pinto, em 1935, trabalho que obteve o prémio de romance Eça de Queiroz e onde são desfibradas as particularidades do caciqueirismo político liberal."
(fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/119202.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

01 março, 2022

OLIVEIRA, General Júlio de - COISAS E LOISAS DE EQUITAÇÃO.
Ilustrações do Autor
. Lisboa, [s.n. - Bertrand (Irmãos), Lda, Lisboa], 1953. In-4.º (24 cm) de [6], V, [1], 193, [3] p. ; [1] f. il. ; mto. il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre equitação, que inclui o ensino e a alta-escola, saltar obstáculos e as caçadas a cavalo.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com fotogravuras e belíssimos desenhos do autor, e um seu retrato em separado: "Capitão Júlio de Oliveira montando o «Areosa» e com «Éclair» à mão no Concurso Hípico de Lisnoa (1916)".
"A equitação é, na actualidade, quase exclusivamente um desporto. A Cavalaria montada dos exércitos modernos entrou num período de manifesta decadência e foi transformada por toda a parte em arma mecanizada. Por mais que nos custe reconhecê-lo, a verdade é que as cargas heróicas da Cavalaria foram desaparecendo na névoa da tradição e passaram definitivamente à história. Mas o cavalo, que através de milénios tem sido o companheiro inseparável do homem e foi o melhor instrumento de guerra de todos os povos, se está actualmente em franco declínio como arma de combate, continua, no entanto, a ser um precioso elemento de educação para o soldado e, duma maneira geral, para toda a juventude que se dedica à prática da equitação porque este exercício, além de exigir acentuado esforço físico e muita reflexão, desenvolve o desembaraço, a confiança em si próprio, d´o gosto do perigo e o espírito combativo indispensável a todos aqueles que têm necessidade de ser fortes e viris, como devem ser os indivíduos que se dedicam à profissão das armas.
Ninguém pode contestar que o desporto hípico expõe os cavaleiros a perigos reais, que é necessário afrontar com sangue-frio e coragem, dominando as apreensões e acabando até por se rir delas. [...]
Para forjar cavaleiros sólidos e desembaraçados, aptos a manejarem um cavalo com facilidade e à-vontade, são necessários mestres competentes. [...]
A equitação é uma arte fundamentalmente prática e experimental. Não é na leitura dos tratados e dentro das bibliotecas que se aprende a  montar a cavalo [...], os livros dão apenas explicações dos factos e normas a seguir, mas quem se prende demasiadamente com a teoria não consegue andar rapidamente para diante."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo. | I - O ensino da equitação. II - A solidez a cavalo. III - A posição do cavaleiro. IV - Faculdades mentais do cavalo e bases do seu ensino. V - Escolas e sistemas de equitação. VI - O equilíbrio do cavalo e a obediência às ajudas. VII - O trabalho de duas pistas. VIII - O recuar. IX - A concentração. X - A alta-escola. XI - A equitação de obstáculos em Portugal. XII - O cavalo de obstáculos. XIII - O ensino do cavalo de obstáculos. XIV - O cavaleiro de obstáculos. XV - Locomoção. XVI - Caçadas a cavalo. XVII - Uma marcha de resistência notável. XVIII - Equitação em comprimidos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível