11 janeiro, 2023

ANTUNES, João - AS SCIENCIAS MALDITAS.
Esboço de Filosofia Hermetica. O Transcendentalismo através da Historia. A indução electro-magnetica dos astros. As sciencias divinatorias perante a critica positiva. A Renascença esoterica de 1886
. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira, 1914. In-8.º (19 cm) de 112 p. ; B. Colecção "Psicologia Experimental" - VI
1.ª edição.
Interessante ensaio esotérico sobre "as principais e mais abstrusas fórmas do maravilhoso que numa classificação integral dos conhecimentos humanos pode ser caracterizada pela denominação de Sciencias Malditas".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao poeta Afonso Lopes Vieira.
"A historia do maravilhosos humano é a manifestação mais fecunda do poder criador do espirito. Surgem as gerações no dobar interminavel dos tempos, sucedem-se impassivelmente os seculos e o homem numa ansia perturbadora e exaustante aspira insaciavelmente os efluvios capitosos do mistério da vida e da existencia.
Essa aspiração, que lhe é um rebate d'alma, scinde-se e afirma-se nos hieratismos empolgantes das civilizações extintas.
A esfinge do deserto penetrando com o seu olhar tranquilo uma vastidão interminavel assemelha-se a essa interrogação milenaria do homem para o infinito."
(Excerto do preâmbulo)
"As origens da magia, do transcendentalismo operatorio prendem-se na noute escura da primitividade de todas as raças. É facil encontrar-las nos totems, nos tabus, nos máná de que estão impregnadas as teogonias das civilizações nascentes. O terror absorvente do ignoto, o prestigio impositivo da natureza nas suas grandiosidades vibrantes, o temor-culto do perigo deviam suscitar no homem rudimentar a pavida adoração dos seres obsidiantes que a sua mente criára; timor in orbe primus fecit deos.
A resultante foi o mago. Afeiçoando esse temor ás formas do simbolismo e do culto deu o primeiro passo para a génese das religiões naturalistas, que se desenvolveram e desdobraram, através dos temçpos, sofrendo a erosão do cunho psicologico das raças e da influencia mesologica do habitat."
(Excerto de Nova et Vetera)
Indice:
[Preâmbulo] - A origem e evolução das Sciencias Maditas. O magismo nas Antiguidades oriental e greco-romana, na Idade Media e na Renascença. S. Frei Gil de Santarem. A Reviviscencia de 1886. Nosce te ipsum. | Nova et Vetera. | A continuidade historica duma Tradição Esoterica. | O Homem e o Universo. | A Renascença Esoterica. | Conclusão. | Notas e bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas com uma ou outra mancha.
Muito invulgar.
25€

10 janeiro, 2023

FONSECA, M. S. - FRANCIS FORD COPPOLA.
Organização e Texto de... Lisboa, Cinemateca Portuguesa / Fundação Calouste Gulbenkian / Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, 1987. In-fólio (32 cm) de 223, [1] p. ; mto. il. ; E.
1.ª edição.
Catálogo editado por ocasião do Ciclo "Francis Ford Coppola em Contexto" com o alto patrocínio da Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa.
Edição esmerada, muito ilustrada, impressa em papel de superior qualidade.
No presente trabalho, além da biografia e filmografia de Coppola, é abordado com pormenor alguns clássicos realizados pelo Mestre, como, entre outros, O Padrinho (The Godfather), Apocalipse Now e Jardins de Pedra (Gardens of Stone).
Manuel S. Fonseca (n. 1951). "É editor e autor. Viveu em Luanda de 1959 até final de 1976. Fundou a Três Sinais e a Guerra e Paz editores. Esteve ligado à Cinemateca Portuguesa, à RTP 2, à SIC e foi produtor cinematográfico na Valentim de Carvalho Filmes. Publicou livros de cinema e é cronista."
Encadernação do editor em tela de seda vermelha, com letras em baixo-relevo gravadas a azul; sobrecapa plastificada com estrelas a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

09 janeiro, 2023

A PENITENCIARIA. Planta e discripção minuciosa do edificio Situado em Campolide.
[Preço 100 réis]
. Lisboa, Typographia C. Grillo, 1885. In-8.º (18 cm) de 24 p. ; [1] Planta desdob. ; B.
1.ª edição.
Folheto descritivo da Penitenciária de Lisboa saído dos prelos no ano em que esta entrou em funcionamento, coincidindo a publicação deste folheto aqui, com a recente notícia do previsível fecho desta icónica prisão em 2026.
A Reforma Penal e das Prisões, de 1 de julho de 1867, aboliu a pena de morte e instituiu a pena de prisão maior celular, criando para o efeito as Cadeias Penitenciárias. Em 1885 deram entrada os primeiros presos na Cadeia Penitenciária de Lisboa, começada a construir em 1873, e hoje designada por Estabelecimento Prisional de Lisboa. Trata-se de um Estabelecimento concebido segundo o Sistema Panótico com uma estrutura em estrela, constituída por seis alas com quatro pisos, que convergem num ponto de onde a vigilância se exerce sobre o corredor central de cada ala."
(Fonte: website EPL)
"Foi no ministerio presidido pelo sr. Joaquim Antonio de Aguiar e por proposta do ministro da justiça o sr. Augusto Cesar Barjona de Freitas promulgada a lei de 1 de julho de 1867, que aboliu a pena de morte, de trabalhos publicos degredo, e em geral das penas perpetuas substituindo o regimen penal que então vigorava pela prisão cellular com separação de preso a preso de dia e de noite, pelo degredo como pena complementar.
Para a execução d'esta lei foi por decreto de 24 de abril de 1873 auctorisado o governo a mandar construir uma cadeia geral de penitenciaria no districto da relação de Lisboa, nos termos do artigo 28 da lei de 1 de julho de 1867.
Já tinha sido escolhida como posição mais conveniente para o edificio da penitenciaria um terreno em Campolide no sitio chamado Terras do Seabra comprehendido entre o deposito de agua do alto de Pombal, o muro exterior da linha da circunvalação, e encosta de Campolide, por reunir todas as condições desejaveis, por ser assás vasto, aberto a todos os ventos, distante de habitações, e de quaesquer focos insalubres."
(Excerto de Creação da Penitenciaria)
Matérias:
Creação da Penitenciaria. | Disposição geral da penitenciaria: Edificios de habitação; Corpo central ou edificio de entrada; Mezzaninos; Capella; Observatorios e passeios; Distribuição das aguas; Distribuição dos alimentos. | Titulo V - Da execução da pena de prisão maior cellular [Artigo 20.º a 27.º].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, observando-se pequeno orifício na capa frontal. Corte lateral irregular.
Muito raro.
Com interesse histórico.
50€

08 janeiro, 2023

CUNHA, Sebastião Pereira da - O SAIO DE MALHA : drama historico e original, em tres actos
. Vianna, Typographia Silva Braga, 1893. In-8.º (21 cm) de 85, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Peça histórica em verso cuja acção decorre em Portugal, no século  XIII. "O 1.º e 2.º actos passam-se na freguezia de Airó, junto a Barcellos, e o 3.º em Braga nos paços do arcebispo D. João Egas. Epocha; 1245 a 1248."
Exemplar com dedicatória autógrafa de António Pereira da Cunha, filho do autor.

Egreja rustica na freguezia de Airó. Em frente a serra do mesmo nome e ao lado a cabana palhiça de Martim Peres. Á porta da parochial, sentado em uma cadeira de pedra, João Annes, o abbade da freguezia, acaba de fazer a catechese e diz dirigindo-se ao grupo de vilões, que respeitosamente o tem escutado:

Terminou a oração. Agora, podeis ir
Filhos em Jesus Christo. Ide folgar e rir.
Raparigas, cuidado! A honra da donzella
É grão thesoiro, e, como a chamma de uma vella,
Qualquer sopro a desfaz. Folgae, mas sêde honestas.
Moços, amae a Deus, a patria, e as vossas béstas.
Combatei pela cruz, que a guerra é santa quando
Tem por fim destruir as hostes do nefando
Propheta Mahomet.

(Excerto da 1.º Acto - Scena I)

Sebastião Pereira da Cunha (1850-1896). "Nasceu em Viana do Castelo, a 9 de fevereiro de 1850 e faleceu a 20 de setembro de 1896, na mesma cidade. Senhor do Castelo de Portuzelo por sucessão, poeta e prosador como seu pai, [António Pereira da Cunha] - coronel de milícias de Viana, e combatente na Guerra Peninsular. Publicou a maior parte da sua obra em Viana do Castelo. Participou na revista literária Pero Galelo no ano de 1882, dirigiu e criou juntamente com João Caetano da Silva Campos e Rocha Páris, no jornal Bandeira Branca em 1893. Autor de uma obra literária diversificada, na qual se incluem O saio de malha (1893) e o ensaio, Os heróis de África (1895). Mas foi sobretudo como poeta ultra-romântico que se destacou, sendo as suas obras mais conhecidas, Martim de Freitas, datada de 1887, A cidade vermelha de 1894 e Serões de Portuzelo do ano de 1928 (“Vida Cultural em cidades de província,” n.d.)"
(Fonte: Martins, Sara Filipa Ramos Martins, O Castelo de Portuzelo: Análise interpretativa de uma construção romântica, Universidade do Minho-Escola de Arquitectura, 2019)

Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na ombada. Conserva a capa frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa frágil, algo oxidada.
Raro.
Indisponível

07 janeiro, 2023

ESTRATÉGIA PORTUGUESA NA CONFERÊNCIA DE PAZ 1918-1919 : as actas da Delegação Portuguesa.
Pesquisa e introdução de Duarte Ivo Cruz. Lisboa, Fundação Luso-Americana, Outubro de 2009. In-4.° (24 cm) de 303, [1]p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Grande Guerra através das conversações de paz que tiveram lugar após o final do conflito.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. ante-rosto.
"Com a publicação integral das Actas das reuniões da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz de 1918-19 em que se aprovou o Pacto da Sociedade das Nações e se preparou o Tratado de Versalhes, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento pretende tornar acessível ao grande público um documento fundamental para a compreensão das nossas políticas externa e colonial na Primavera República, assim se associando às comemorações do centenário da sua implantação.
Precedem as Actas um valioso estudo introdutório do Dr. Duarte Ivo Cruz qua ajuda a situar as reuniões da Delegação nos contextos nacional e internacional da época.
Integraram a Delegação personalidades de primeiro plano da vida política republicana. As Actas dão-nos conta de grande convergência desses políticos e diplomatas quanto aos objectivos a atingir e do seu realismo,apesar das divergências no domínio interno e do que sabemos das suas posições partidárias muitas vezes antagónicas. As frequentes crises e mutações políticas repercutem-se na composição da Delegação, sem contudo alterar os princípios orientadores que a norteiam, fixados logo na primeira reunião em Lisboa, sob a presidência de Sidónio Pais, em 27 de Novembro de 1918."
(Excerto do Prefácio)
Índice: 
Prefácio. | 1 - Introdução à Negociação de Paz: as Opções Diplomáticas de Portugal. 2 - A Composição da Delegação Portuguesa e a Política Interna. 3 - Os Grandes Temas da Estratégia Portuguesa. 4 - A Questão Colonial. 5 - A Questão das Compensações Financeiras. 6 - As Questões Diplomáticas da Negociação de Paz: Relações Bilaterais e Multilaterais. 7 - Os Açores e a Visita de Franklin D. Roosevelt. 8 - A Guerra e a Paz: Historiografia e Memória. 9 - O Tratado de Versailles e suas Consequências. 10 - Portugal depois da Guerra: Política Africana. | Notas Bibliográficas. | Anexos. | A
ctas da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz. | Notas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

06 janeiro, 2023

PIRES, Phillipe Neri - GRAMMATICA MARATHA EXPLICADA EM LINGUA PORTUGUEZA.
Compilada das mais abalizadas que ate o presente se tem dado á luz, por... Vaki'l [Advogado] no Sadar Adalat [Supremo Tribunal de Justiça], e traductor publico nas linguas Maratha e Guzerate
. Bombaim: Na Typographia da Missão Americana. T. Graham, Impressor. 1854. In-8.º (22 cm) de [10], xiv, [2], 106 p. ; B.
1.ª edição.
A Gramática de Marata foi uma obra importante, parte de um plano linguístico da administração portuguesa no Estado da Índia, e em particular na colónia de Goa, em meados do século XIX.
Marathi (inglês: / m ə r ɑː t i / ; Marāṭhī, Marathi: [məˈɾaːʈʰiː] (ouvir)). "É uma língua indo-ariana predominantemente falada pelo povo Marathi do estado indiano de Maharashtra. É a língua oficial de Maharashtra e língua oficial adicional no estado de Goa. É um dos 22 idiomas oficiais da Índia, com 83 milhões de falantes em 2011. O Marathi ocupa o 11.º lugar na lista de idiomas com mais falantes nativos do mundo. O Marathi é a terceira língua com maior número de falantes nativos na Índia, depois do Hindi e Bengali. A sua literatura é uma das mais antigas das línguas indianas modernas. Os principais dialetos do Marathi são o Marathi padrão e o dialeto Varhadi."
(Fonte: Wikipédia)
Felipe Neri Pires, que trabalhava como tradutor e advogado no tribunal de Bombaim, escreveu ao Secretário do Governador-Geral, J. H. da Cunha Rivara, que os milhares de migrantes goeses em Bombaim estavam em estado desesperador. A cidade foi incapaz de absorver todos eles, e seu estado de penúria e miséria de fato motivou as mais "vergonhosas" representações da comunidade em alguns dos jornais de Bombaim.  [...] Para remediar esta situação, Neri Pires sugeriu a Rivara que o ensino em inglês e marataser fornecido, e recomendou que ele publicasse uma gramática para auxiliar os estudantes goeses.
(Fonte: https://academic-oup-com.translate.goog/book/9052/chapter/155575805?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=sc)
"Havendo, mercé de Deos, concluido a presente Grammatica, encetada em circumstancias pouco favoraveis, cumpre-me confessar que naó me teria aventurado a emprehender a confeccáo della, superior certamente as minhas forças intellectuaes se por ventura naó tivera a fortuna de pertencer á um Tribunal, onde estão reunidos, como no um foco, os Nativos mais versados nas differentes linguas vernaculas da India, como saó os Traductores de Profissaó, os Xeristedárs [interpretes], os Xastrís, e Mólvís ou Kazís (peritos em Leis dos Hindús e Mahometanos respectivamente, possuindo ao mesmo tempo, vasto conhecimento de Sanskrit, do Persiano e do Arabico). Estribado pois na coadjavaçáo, e auxilio que delles esperava, e que effectivamente me prestaráo franca e promptamente quando consultados, náo hesitei estrear a empreza, e traze-la ao fim tal como a appresento ao Publico."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Carimbo de biblioteca na capa e f. rosto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado

05 janeiro, 2023

JOHN SPEED em O Investigador Espacial
. Lisboa, Aguiar & Dias, Ldª, 1972. In-8.º (17 cm) de 63, [1] p. ; B. Col. Condor - N.º 36
1.ª edição.
Banda Desenhada. História de aventuras/ficção científica publicada na icónica colecção Condor.
"Nunca cheguei a saber como John Speed obtinha aquelas informações secretas. Eu apenas as recebia e classificava para que ele pudesse estudá-las. Mas a que acabava de receber não podia ser arquivada."
(Preâmbulo de John Speed...)
A colecção Condor foi a primeira aposta da Agência Portuguesa de Revistas (APR) no campo das histórias completas. Foi, também, a primeira colecção portuguesa de mini-álbuns de BD já que todas as revistas anteriores publicavam histórias de continuação."
(Fonte: http://tralhasvarias.blogspot.com/2012/05/condor-todos-os-numeros.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

04 janeiro, 2023

LOPO, Júlio de Castro - UM INTELECTUAL - Monsenhor Doutor Manuel Alves da Cunha : notas biográficas e bibliográficas - subsídios. Luanda, Imprensa Nacional, 1948. In-4.º (27 cm) de 79, [1] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Livro-homenagem ao ilustre flaviense Monsenhor Manuel Alves da Cunha, publicado poucos meses após a sua morte.
Ilustrado em separado com três retratos do missionário - um desenho (colagem) no início - e duas fotogravuras no interior.
"Alves da Cunha era um homem liberal e tolerante. O biógrafo que traçar seu perfil, terá de estudá-lo convenientemente dentro das épocas respectivas e sob estes aspectos: o homem, o português, o  missionário e o intelectual.
O homem trouxe do século XIX uma das grandes virtudes morais: - êle tinha horror pela existência do escravo.
O português limitava seu nacionalismo às proporções que a moral e a justiça determinam, mas pondo sempre, acima de tudo e de todos, os superiores interesses nacionais.
O missionário imprimia aos seus actos a afabilidade natural de julgar todos os nossos semelhantes com direito aos convenientes benefícios terrenos e às bem-aventuranças da «outra vida».
O intelectual tinha consciência do que fazia; e tudo o que fazia, era digno de saber-ser e de estudar-se."
(Excerto da Introdução)
Monsenhor Manuel Alves da Cunha (1872-1947). "Nasceu em Chaves, em 8.6.1872 e faleceu em Luanda, em 4.6.1947. Concluiu o bacharelato em Teologia na Universidade de Coimbra (1894). Foi professor do ensino particular na sua Terra (1897) e em 22.9.1900, é ordenado sacerdote. Em 31.10.1901 é nomeado Cónego de Luanda e nos anos seguintes, passa a provisor, e vigário geral, deão da Sé, vice reitor do Seminário Liceu vigário capitular, prelado doméstico, governador do bispado, protonotário apostólico e director das missões católicas. Foi ele que criou o liceu de Salvador Correia e aí foi professor e reitor. Também foi vereador da Câmara de Luanda e provedor da Misericórdia da mesma cidade. Em 1926 o Ministro João Bello chamou-o a Lisboa para com ele estudar o estatuto das Missões e a reorganização do Ministério do Ultramar. Regressou a Angola e prosseguiu a sua brilhante carreira polivalente, ao nível religioso, académico e político. Em tudo o que fez se mostrou um patriota impoluto, um intelectual de fino recorte, um amigo de Angola, um Transmontano inconfundível. Em 1933 foi alvo de uma homenagem pública que envolveu todos os sectores da vida angolana, a coroar uma simpatia invulgar, um trato social incomum, uma cultura fora de série. Em 1.11.1941 embarca compulsivamente no Cubango e desembarca em Lisboa, em 27 do mesmo mês. Só regressa a Angola em 2.1.1943. Nesse lapso de tempo publica e anota o III Vol. da História das Guerras Angolanas de Cadornega (1942). Alberto de Lemos, seu biógrafo e seu aluno, escreveu: "é um dos maiores vultos da História de Angola. Durante 15 anos da vacância episcopal foi sustentáculo válido duma Igreja batida pelo abandono e pelas agressões duma política que não tinha a compreensão das melhores conveniências do Ultramar Português e também atormentada pelas agressões de potências estrangeiras que ambicionavam deslocar nos dos territórios e das posições das influências em África. Dotado de inteligência superior e muito culto, modelo de virtudes cristãs, foi sempre colaborador indispensável e amado pela hierarquia que com ele privou. Polígrafo de muitos méritos, foi historiador, etnólogo, ensaísta de muito saber, mestre incomparável de todos os contemporâneos do seu convívio: Foi conselheiro prudente e auxiliar devotado de muitos governadores gerais. "A sua obra literária foi vastíssima, passando pelo jornal O Apostolado, Boletim da Diocese, Revista "Arquivos de Angola"."
(Fonte: https://de_svo.blogs.sapo.pt/30766.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 janeiro, 2023

A RIR : Album de anecdotas e bons ditos colleccionado por Agostinho Ferreira Chaves, Director-proprietario. Publicar-se-hão em cada mez duas cadernetas de 8 paginas. Faro, [s.l.], 1893-1894. In-8.º (21cm) de 384 p. (48 folhetos x 8 p.) ; il. ; E.
1.ª edição.
Curiosa revista quinzenal algarvia do género humorista; para além das anedotas e dichotes, oferece ainda aos leitores charadas, utilidades, romancetes e poesias. Publicada entre 15 de Junho de 1891 (n.º 1) e 1 de Setembro de 1895 (n.º 102).
O presente volume contém dois anos completos (1893-1894), do n.º 38 - 1 de Janeiro, 1893 ao n.º 85 - 15 de Dezembro, 1894.
Encadernação da época em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Páginas amarelecidas por acção do tempo. Mancha de humidade no canto inferior dto, transversal a toda a obra, sem no entanto prejudicar o texto. A 1.ª página do 1.º número foi recortada em cerca de 1/3.
Raro.
20€

01 janeiro, 2023

PASCOANTES, J. -
A MALICIA E A MALDADE DAS MULHERES. Solteiras, casadas, divorciadas e viuvas. A MALICIA DAS MULHERES VELHAS E NOVAS aumentada com A SANTIDADE DE TODOS OS HOMENS
. Lisboa, Livraria Barateira, [19--]. In-8.° (19 cm) de 17, [1] p. B. Colecção Economica - 32
1.ª edição.
Paródia "poético"-brejeira rural, assinada J. Pascoantes - nome fictício por certo -, publicado na primeira/segunda década do século passado. Opúsculo muito curioso, divide-se em três partes: - A maldade das mulheres, Solteiras, casadas, divorciadas e viuvas; - Malicia de todas as mulheres velhas e novas; - A santidade dos homens.
Capa sugestiva, ao arrepio dos padrões morais da época.

"Faça bem o que eu lhe digo
Custe lá o que custar,
Vá comprar um bom vestido
Mesmo sem o poder pagar!

Recomende á costureira
Que fique bem decotado,
P'r'ó rapaz desejar ver
O resto, que está tapado.

Os seio ao abandono
Para provocar desejos,
Nunca deve trabalhar
E apareça nos festejos.

Vá a toda a parte alegre
E sósinha sempre siga,
Não esquecendo que a saia
Ande por cima da liga.

Arranje um olhar bréjeiro
E um andar ensaiado,
Para um moço com dinheiro
Arranjar p'ra namorado."

(Excerto de A maldade das mulheres...)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Indisponível

31 dezembro, 2022

PORTUGAL CORTICEIRO : organe des intérêts liégeurs portugais - Numéro Spécial - EXPOSITION INTERNATIONALE DE PARIS : 1937 /
PORTUGAL CORTICEIRO : orgão dos interesses corticeiros portugueses - Número Especial.
Director e Editor: Dr. João Calheiros. Administrador: Raul Contreiras. [Lisboa], [Dr. João Calheiros - Empresa de Propaganda Corticeira, Lda], 1937. In-fólio (31,5x23,5 cm) de 76 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para história da indústria corticeira nacional. Trata-se do Número Especial, redigido em francês, especificamente concebido para promoção da cortiça e seus produtores na Exposição Internacional de Paris realizada em 1937.
Oficialmente denominada "Exposition Internationale de Artes te Techniques dans a Vie Moderne", o certame decorreu entre 25 de Maio e 25 de Novembro de 1937, em Paris, com participação de 44 países, sendo 31 milhões o número estimado de visitantes.
Livro/revista muito ilustrado com desenhos, fotografias e mapas ao longo do texto, sendo que, a partir da página 45 - até final - o espaço é totalmente reservado à publicidade de produtores e lojistas relacionados com a cortiça.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
45€

30 dezembro, 2022

CORRÊA, Antonio Augusto Mendes - O GENIO E O TALENTO NA PATHOLOGIA
(esboço critico)
. Porto, Imprensa Portugueza, 1911. In-8.º (20 cm) de [6], 184 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio dedicado à análise das capacidades artísticas evidenciadas por pacientes internados em instituições consagradas às doenças do foro psiquiátrico, e outras patologias que, não se enquadrando nessas, eram tratadas como tal.
Primeira obra do autor, tendo servido de dissertação final ao curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Livro ilustrado com 17 figuras, sendo a maior parte em página inteira, reproduzindo trabalhos de doentes, os mais variados: desenho; pintura; artefactos de madeira, partituras, etc., produzidos em Rilhafoles, mais tarde Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), e no Hospital do Conde Ferreira (Porto).
"São velhos e banaes os conceitos de que «não ha grandes homens para os seus creados de quarto» e de que creaturas de mentalidade superior «não teem o juizo todo». A não ser que uma idolatria apaixonada, motivada as mais das vezes por uma conformidade de opiniões, venha suspender um tal criterio depreciativo, a cada passo de apontam, a meia voz e entre risinhos ironicos, excentricidades, manias bizarras, singularidades intimas, extravagancias ridiculas de creaturas notaveis, o que se leva tudo á conta de perturbações de saude mental. [...]
O medico moderno abandonou o papel restricto dos seus antecessores e, firmado na somma enorme de conhecimentos que a sciencia lhe fornece, entrou de alargar legitimamente o seu campo de acção. A medicina hoje tem, por exemplo, um importante aspecto social e ao medico exige-se em muitos casos que seja doublé de sociologo. Na hygiene, em medicina legar, etc., o medico não é o physico antigo, o remoto cirurgião, o humillimo curandeiro archaico, mas um verdadeiro sociologo, que põe em jogo factos sociaes e intervem poderosamente na vida colectiva das sociedades humanas.
Um campo novo se lhe abriu tambem na psychologia. O fôro da consciencia era antigamente quasi do exclusivo dominio do ministro da religião. A actividade do espirito não era devassada habitualmente pelo medico; nas proprias perturbações mentaes, nos casos de loucura, chamava-se o padre para com bençãos e exorcismos expulsar o espirito maligno do desventurado possesso, ou, com um pittoresco optimismo e uma crendice suprema, cuidava-se - noutras épocas - de adorar as victimas de taes perturbações como se uma inspiração divina sobre ellas tivesse baixado."
(Excerto de A medicina e a critica)
Matérias: A medicina e a critica. | Conceitos do genio e do talento. | A historia da questão da morbidez do genio e do talento. | As doutrinas de Moreau ( de Tours) e de Max Nordau. | A doutrina de Lombroso. | O genio e o talento nos alienados. | Conclusões.
António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960). "Antropólogo português, nasceu a 4 de abril de 1888, no Porto, e morreu a 7 de janeiro de 1960, na cidade de Lisboa. Licenciou-se em Medicina em 1911 e foi nomeado assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde começou a ensinar Antropologia. Dois anos mais tarde, em 1913, fez provas públicas nesta mesma faculdade, apresentando a dissertação: "Os Criminosos Portugueses (Estudos de Antropologia Criminal)".
Apesar de ser licenciado em Medicina, António Mendes Correia dedicou-se sobretudo ao ensino e à investigação científica. Foi professor de Geografia e Etnologia na Faculdade de Letras do Porto e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da mesma cidade. Para além da docência, Mendes Correia ocupou diversos cargos diretivos, tendo sido Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto (1923), Diretor da Escola Superior Colonial, que mais tarde se veio a chamar Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1946), e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), entre outros.
António Mendes Correia ajudou ainda a fundar diversos institutos, sociedades, museus e laboratórios científicos tais como o Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. No âmbito da política, foi Presidente da Câmara Municipal do Porto de 1936 a 1942 e Deputado da Assembleia Nacional a partir de 1945.
António Mendes Correia foi um dos nomes mais importantes da Antropologia portuguesa do século XX. Para além de professor de Antropologia, Mendes Correia soube acompanhar as mais relevantes correntes do seu tempo e contribuir para a sedimentação desta ciência em Portugal.
Conhecedor de múltiplos saberes, Mendes Correia publicou inúmeros estudos no âmbito da Antropologia, Arqueologia, Criminologia e História. Da sua vastíssima obra destacam-se as seguintes publicações: 1911, O Génio e o Talento na Patologia; 1913, Criminosos Portugueses; 1915, Crianças Delinquentes; 1915, Antropologia; 1919, Raça e Nacionalidade; 1921, Homo; 1924, Os Povos Primitivos da História; 1925, A Antropologia nas suas relações com a Arte; 1931, A Nova Antropologia Criminal; 1932, Origens da Cidade do Porto; 1934, Da Biologia à História; 1940, Da Raça e do Espírito; 1946, Uma Jornada Científica na Guiné Portuguesa; 1954, Antropologia e História.
(Fonte: infopédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

29 dezembro, 2022

MARIA, Rosa - COMO SE ALMOÇA POR 1$50.
Cem almoços diferentes. Compostos de carne, peixe, legumes, ovos, cereais, etc. Orçamentados ao preço do mercado. Por... 3.ª edição. Vida Económica. [Excelente auxiliar das donas de casa]
. Lisboa, Emprêsa Literária Universal, [193-]. In-8.º (19 cm) de 30, [2] p. ; B.
Curiosa colecção de 100 receitas do baixo custo, tendo em atenção a conjuntura económica e social da época.
"Ao elaborar estes menús económicos, tive em mira facilitar-vos perante a escassez de recursos, uma série de almoços práticos e variados, sem que com êles, tenham de gastar mais do que o orçamento, porém, estes almoços, quando cosinhados, em conjunto, (para duas ou três pessoas), devem sair mais económicos, podendo por isso, aumentar as quantidades nutritivas, tais como, manteiga, azeite, carnes, ovos, etc.
Servi-me da base dos preços do mercado Lisboeta, no momento de elaborar esta obrazinha, por isso será mais fácil haver algumas oscilações para mais ou menos, no entanto os preços indicados são os mais aproximados."
(Excerto do preâmbulo - Ás donas de casa)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas manchas.
Invulgar.
10€

28 dezembro, 2022

MENGO, Francisco da Silva - DICCIONARIO DE NOMES DE BAPTISMO.
Comprehendendo mais de quatro mil nomes de ambos os sexos. Colligidos dos Registos Officiaes, da Mythologia, da Historia, dos «Flos Sanctorum», etc. Por... Com um prefacio do Dr. Theophilo Braga, professor do Curso Superior de Lettras
. Porto, Typographia Elzeviriana annexa á Livraria Civilisação, 1889. In-8.º (18 cm) de XIV, 136 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso repositório/"dicionário" de nomes de baptismo, obra pioneira que sobre este assunto se publicou entre nós.
Sobre a presente obra, com a devida vénia, reproduzimos texto do excelente post publicado do blogue "Genealogia sem segredos"cujo link disponibilizamos no final.
"Anunciado como tendo "mais de quatro mil nomes de ambos os sexos" não só coligidos dos "registos officiaes", mas também "da Mythologia, da Historia, dos «Flos Sanctorum»", este dicionário publicado em 1889 é particularmente curioso. Por um lado, foi a primeira publicação do género em Portugal e - no seu propósito e no formato em que foi feita - seria também a última. Por outro lado, a obra poderá ter favorecido a grande diversificação de nomes de baptismo dados em Portugal em finais do século XIX e no início do século XX, sobretudo em zonas urbanas.
Prefaciado por Teófilo Braga, o Dicionário de Nomes de Baptismo de Francisco da Silva Mengo apresenta ainda outras curiosidades, como o facto de o autor ter elencado mais do dobro de nomes masculinos, face aos nomes femininos, quando a prática de escolha de nomes de baptismo, na época, revela-nos maior diversidade nos nomes dados a meninas. Outro detalhe curioso é a inclusão, na lista de nomes masculinos, de alguns nomes que hoje associamos ao sexo feminino, como Abigail ou Amarilis.
Quem era Francisco da Silva Mengo? Estabelecido no Porto como editor e livreiro (tendo chegado a ser dono da célebre Livraria Moré), era um erudito que privou com alguns dos mais importantes pensadores e romancistas portugueses da época, nomeadamente Camilo Castelo-Branco. À época em que escreveu o seu Dicionário de Nomes de Baptismo, encontrava-se já cego. Nesta obra compilou os nomes alfabeticamente, incluindo não só os que haviam sido "sanccionados pela Egreja", mas também muitos outros, que não correspondiam a santos ou beatos. A estes, o autor teve o cuidado de adicionar asteriscos, talvez para prevenir os leitores que a sua atribuição em baptismo poderia ser recusada.
Apesar de alguns milhares de nomes compilados, o Dicionário de Nomes de Baptismo de Francisco da Silva Mengo não abrangeu todos os nomes de baptismo que, na época, estavam a ser dados em Portugal. Aliás, numa das suas notas finais ao dicionário, o autor escreveu: "É sobrenome, assim como: Sertorio, Murillo, Cicero, Nelson, Cincinnato, Petrarca, Linneu, Collatino e outros, que actualmente estão sendo impostos como nomes de baptismo". Por conseguinte, Francisco da Silva Mengo omitiu alguns nomes de baptismo que entendia não serem apropriados para tal função. Contudo, não ficam claros os critérios seguidos pelo autor para a inclusão ou a exclusão de vários nomes. Basta referir que o dicionário inclui Elisabeto como nome masculino, mas omite Elisabete como nome feminino, embora este tenha passado a ser relativamente comum em Portugal várias décadas mais tarde. Apesar disto, o Dicionário de Nomes de Baptismo não deixa de ser uma obra interessante para quem se interessa pelo tema dos nomes dos seus antepassados, e para a Genealogia e História da Família em geral."
(Fonte: https://genealogiasemsegredos.weebly.com/blog/o-dicionario-de-nomes-de-baptismo-de-francisco-da-silva-mengo-1889)
"Para fazer um Diccionario de Nomes proprios, ha dois processos, que não se excluem, antes mutuamente se cosdjuvam; o primeiro é scientifico, applicando os methodos da Glottologia aos nomes individuaes ou locaes, estabelecendo os themas e modificações phoneticas e que derivam, segundo as linguas e épocas sociaes que contribuiram para a civilisação actual, e determinando as fórmas por que esses nomes passaram, segundo os cruzamentos das raças que constituem um dado povo. O segundo processo é empirico; consiste em colligir a maior somma de nomes, quer do uso vulgar, quer dos documentos, inscripções ou escripturas, para, diante, de séries completissimas, fixar as correlações e os themas ethnolinguisticos por onde esses nomes generativamente se agrupam.
Em Portugal, como parte da peninsula hispanica, um perfeito Diccionario onomatologico exigiria um estudo particular dos nomes bascos, celticos, romanos, germanico e arabes. Em relação aos nomes locaes, esse estudo leva, a importantes descobertas sobre o conhecimento das raças e sua distribuição topographica, como ensaiou Guilherme Humboldt; pelo seu lado, os nomes individuaes são magnificos elementos de uma paleontologia social."
(Excerto do Prefacio)
"Em razão do seu objectivo especial, nenhum Diccionario da Lingua Portugueza dá á estampa os nomes de baptismo.
Seguindo rumo differente, outros porém, destinados ao estudo de linguas extrangeiras, addicionam uma lista d'estes nomes, mas essa lista — evidentemente reproduzida, apenas com leves variantes, de umas para outras edições — deixa muito a desejar por deficiente, ou incorrecta. Demais, o elevado preço d'estes diccionarios e o facto de serem, como já dissemos, destinados a linguas extranhas, nem a todos permittem possuil-os, ou consultal-os; assim, a maioria das pessôas não tem para onde recorrer em casos de duvida, infelizmente frequentissimos, quer elles digam respeito á nomenclatura, quer á orthographia.
Preencher (pelo menos, diminuir em grande parte) uma tão sensivel  lacuna e facilitar ao mesmo tempo, de conformidade com as fontes mais auctorisadas, o conhecimento dos nomes sanccionados pela Egreja, - eis o intuito do presente opusculo, o primeiro no seu género até hoje publicado em Portugal.
Que esta circumstancia, sobretudo, desperte nos leitores alguma indulgencia para os defeitos do livro, e o auctor dará por bem empregadas as longas horas que consumiu na elaboração do seu trabalho.
Elle fez o que pôde, e não foi muito; outros virão talvez que, com menor esforço e maior applauso, farão mais e melhor."
(Preâmbulo - Duas palavras)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Selo de biblioteca da Freguesia de Santa Maria de Cintra na lombada, e carimbo e identificação manuscrita da mesma na f. rosto.
Raro.
Indisponível

27 dezembro, 2022

MORENO, Capitão Mateus - ASPECTOS MILITARES DA DEFESA DE ANGOLA.
Separata da «Revista Militar»
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Lisboa], 1940. In-4.º (23 cm) de 13, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessantíssimo ensaio militar sobre a defesa de Angola, sendo as considerações do autor baseados no presente da colónia e na análise de dados estatísticos.
Opúsculo ilustrado com tabelas e um mapa de Angola: Esquema da actual distribuição das unidades e serviços militares da colónia.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa, na capa, do autor ao "querido e velho amigo Dr. Francisco Carmo e Cunha".
"Como elementos de mobilização próprios, Angola deverá contar, para a sua defesa, com os europeus de metrópole que a habitam, com os europeus nascidos na colónia e com os respectivos indígenas e mestiços; não sendo, porém, todos estes elementos ainda bastantes para que se possa já pôr de lado o antigo recurso às expedições metropolitanas, sempre muito dispendiosas e sujeitas a outros inconvenientes em demasia conhecidos, e porque também não é, de facto, tão abundante já a população da colónia, que se nos apresente como de temer o problema da saturação demográfica, não falta quem, fundamentado em razões que muito interessam à resolução simultânea de dois problemas - o da colonização e o da defesa militar - alvitre a transfusão dos excedentes da população metropolitana para os locais de Angola considerados mais aptos à fixação do branco.
A pergunta: colonos ou soldados?, acorrem, então, os que assim opinam, com a firme resposta: - Colonos!, mas colonos que, no momento próprio, possam transformar-se em verdadeiros soldados, pegando em armas para a defesa do seu torrão, pois não se explica que um tão honroso encargo pudesse se confiado quási exclusivamente ao indígena, num sacrifício deveras pesado, sendo dêle dispensados aquêles a quem, mais do que ninguém, deve interessar a defesa da própria terra."
(Excerto de Como deve ser feita a defesa de Angola? Soldados ou colonos?)
Matérias:
[Preâmbulo]. I - Como deve ser feita a defesa de Angola? Soldados ou colonos? II - Angola é, dentre todos os países intertropicais, o que possue maior densidade de população branca. III - A organização defensiva de Angola. Números e possibilidades. IV - A lei-programa da reconstituïção económica e defesa nacional e a valorização do indígena.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. No interior é visível mancha de humidade antiga, de alguma dimensão, transversal ao livro. Com sublinhados e notas manuscritas laterais.
Raro.
Com interesse histórico e colonial.
Sem registo na BNP.
20€

26 dezembro, 2022

VASCONCELOS, Máximo Augusto de - O EMIGRADO FRANCÊS OU O DELFIM DE ELVAS.
[Por]... Coronel de Reserva
. Valença. Melgaço = Tip.ª «Melgacence», 1927. In-4.º (23,5 cm) de [4], 45, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico, trabalho de pesquisa e recolha sobre a verdadeira identidade do "Delfim de Elvas", por muitos identificado como Luís Carlos, herdeiro do trono francês, filho natural de Luís XVI e Maria Antonieta - ambos guilhotinados na sequência da Revolução Francesa - que terá fugido para Portugal para escapar ao cruel destino de seus pais.
"Laborioso é o estudo de factos históricos, quando dêles não resultam vestígios que guiem a inteligência do historiador; está nêste caso o interessante problema histórico que passo a tratar, guiando-me é certo pela resumida e vaga biografia de meu avô paterno, o suposto Augusto Cezar de Vasconcelos, - «O Delfim de Elvas», escripta por seu filho e meu tio José de Vasconcelos.
Desde 1830 era conhecido meu avô pelo Delfim de Elvas; tôda a gente de Elvas, desde então, se convencera que era falso o nome que uzava, embora fosse desconhecido o seu nome de baptismo, bem como o apelido de sua família; que êle cuidadosamente os ocultava, é óbvio, todos justamente o supunham, e afirmavam qual fosse, era o Delfim de França.
Ao alistar-se em começo de Abril de 1809, no regimento de artilharia n.º 3, por indicação do Marquez de Tiernay, General francês ao serviço de Portugal, e que era próximo parente do Rei de França Luís XVI, apresentara-se como natural da cidade do Porto, ao tempo ocupada pelo exército do Comando de Soult, desde 29 de Março a 12 de Maio do mesmo ano. [...]
Até 1830 facilmente ocultou a sua naturalidade, pois que sendo homem de vasta ilustração e falando e escrevendo correctamente o português, ninguém o supunha francês, tanto mais que tendo contraído casamento em Elvas em 1810, apresentara os seus papeis despachados no Bispado de Vizeu, e como natural da freguesia de S. Martinho de Pindo, hoje do concelho de Penalva do Castelo, districto de Vizeu.
Aqui temos a primeira contradição para se conhecer a sua identidade; é certo que mais tarde se veio a saber que eram falsos os papeis que apresentara para se casar, bem como falsa era a naturalidade e nome que deu ao sentar praça.
Em 1830 veio a Elvas um padre de Vizeu que o reconheceu como sendo o emigrado francês, que até 1809, estivera em casa dos fidalgos Melos daquela cidade, o que êle não negou; e acediado com perguntas da esposa e dos filhos, contou a sua odisseia desde 1793, em que acompanhado de uma dama francesa, embarcaram em França em um navio expressamente fretado, que os conduziu a Lisboa, onde desembarcaram, e a dama o metera em um colégio, de onde mais tarde fugira com um condiscípulo que o induziu a embarcar em um navio negreiro, de que era comandante o pai daquêle seu condiscípulo.
Ocultou com tudo o seu nome, a sua hierarquia e o apelido da sua família."
(Excerto da Introdução)
"Ficava a família Real no Templo, quando o Rei Luís XVI se arrancou aos últimos abraços para caminhar ao suplício.
A Rainha deitada sôbre a cama, vestida, tinha ficado durante longas horas de agonia no dia 21 de Janeiro de 1793, abismada em freqüentes desmaios, interrompidos por soluços e preces!! [...]
A convenção depois de decretar que a Rainha Maria Antonieta, seria separada do filho para ser julgada, assim lh'o fez notificar na prisão.
No acto da leitura desta ordem à família Real, o menino correu a abrigar-se nos braços da mãe, e não foi sem grande lucta que ela por fim o vestiu e o entregou inundado de lágrimas, aos carcereiros.
O sapateiro Simão, escolhido pela sua brutalidade para substituir o amor do coração terníssimo de sua mãe, o conduziu ao quarto destinado para o jovem rei agonizar!!
Ali foi dado por morto, quando na realidade foi salvo como se verá.
Em princípio de Abril do ano de 1809, saiu de Vizeu, acompanhado de um almocreve, um jovem de boa aparência; jornardeando por caminhos menos seguidos dirigiram-se a Borba, em demanda da residência do Marquez de Tarnay a quem se apresentou o nosso jovem."
(Excerto de O emigrado Francês ou o Delfim de Elvas - Cap. I)
Matérias:
Introdução. | Primeira Parte: Luís XVI. Rei de França - [V Capítulos]. Segunda Parte: O emigrado Francês ou o Delfim de Elvas - [XV Capítulos]. | Arvore genealógica da família dos Augustos de Elvas - [III Capítulos].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com vincos e pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

25 dezembro, 2022

M
OITA, Tiago Alexandre Asseiceira - O MISTÉRIO DO NATAL NA PINTURA PORTUGUESA. Lisboa, Paulus Editora, 2009. In-4.º (24,5 cm) de 172, [4] p. ; mto il. ; C.
1.ª edição.
Belíssimo livro, impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com fotografias de alta resolução reproduzindo pinturas religiosas de mestres portugueses.
"Uma recolha apurada das principais obras (pinturas) de artistas portugueses de diferentes épocas e estilos que tenham como tema o Natal (visitação, nascimento, apresentação, reis magos etc.). Livro colorido, com um comentário histórico-teológico de cada obra. «Este é um livro de descobertas, histórias do "maravilhoso", atestados de fé, de mãos dadas com algumas das melhores formas artísticas geradas pelos mestres portugueses de ontem e de hoje. É um livro de crenças seculares mas também de afirmação de discursos estéticos aptos a gerar emoções, sem deixar de sensibilizar para a arrebatação mística. Como afirma o autor, Tiago Moita, do que se trata é de «avaliar como a arte cristã enfrentou a dificuldade de representar o mistério do Verbo feito carne», numa dimensão com visibilidade histórica e poder salvífico: «para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o mundo». A escolha das obras não podia ser mais poderosa e certeira(…)»."
(Excerto do Prefácio)
Encadernação editorial, cartonada, policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

24 dezembro, 2022

MORAIS, Guilherme de - ILHAS DO INFANTE : manchas & paisagens dos Açores
. Angra do Heroismo, Livraria Editora Andrade, [1938]. In-8.º (18,5 cm) de 242, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição independente.
Edição original desta estimada colectânea de narrativas do autor que, em viagem pelo arquipélago dos Açores a bordo do icónico cruzador da Marinha de Guerra Portuguesa - o Vasco da Gama -, escreve sobre as ilhas do seu coração.
Livro ilustrado com um bonito ex-libris, desenho da autoria do pintor açoriano Domingos Rebelo.
"Êste livro tem, naturalmente, a sua história.
Uma história banal e simples como as páginas singelas que lhe formaram o corpo e deram também a alma.
Êste livro nasceu da sugestão amável de alguns amigos - generosos amigos - insistindo para que reunisse em volume as crónicas publicadas no "Correio dos Açôres", sob o título genérico de "Um Cruzeiro nos Açôres a bordo do "Vasco da Gama": - série de pequenas manchas ou notas de paisagem que o lápis apontou de fugida e os olhos fixaram, deslumbrados, durante o Cruzeiro do velho Pimpão da Heróica Marinha de Guerra Portuguesa pelas ilhas do meu Arquipélago, celebrando patrióticamente o V Centenário do seu Descobrimento. [...]
Ao idear êste livro de paisagens açoreanas notei que êle ficaria incompleto se o compuzesse apenas das crónicas publicadas no "Correio dos Açôres". Assim, outras páginas inéditas se juntam àquelas narrativas já estampadas na imprensa, de modo a dar uma visão de tôdas as ilhas que Frei Gonçalo Velho buscou, há cinco séculos, às ordens do Inclito Infante."
(Excerto do Pórtico)
Índice:
Pórtico. | Santa Maria. | Rumo a Oeste. | Graciosa ( a Ilha Verde). | O Corvo. | As Flores (Jardim dos Açores). | Intermezzo. | Da Ilha da Ventura. | O Pico (a Ilha da Alma Negra). | São Jorge. | S. Miguel (A Magna). | Versos de Guilherme de Morais.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capa de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€