20 outubro, 2019

BESSA, Alberto - O JORNALISMO : esboço historico da sua origem e desenvolvimento até aos nossos dias. Ampliado com a resenha chronologica e alphabetica do jornalismo no Brasil (com um artigo-prefacio de Edmundo d'Amicis). Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (18,5 cm) de 364, [4] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Subsídio histórico-bibliográfico da maior importância para os anais do Jornalismo. Obra de referência. Inclui extenso prefácio do célebre escritor italiano Edmundo d'Amicis (1846-1908), subordinado ao tema «O Jornal e o Público».
Contém em apêndice a Resenha Chronologica e Alphabetica do jornalismo brasileiro desde 1808 a 1900 (pp. 287-354) e a Addenda referente ao jornalismo do Estado de S. Paulo (pp. 355-364).
Livro ilustrado ao longo do texto com fotogravuras várias, reproduzindo sobretudo fac-símiles e portadas de periódicos.
"A caracteristica da confiança que inspira um jornal está na segurança que possa ter o seu publico, da sua atitude em face das alternativas da vida politica e social dos povos, sendo a independencia de opinião de um jornal o unico meio de garantia de uma tal segurança. [...]
Cada jornalista é geralmente considerado como mestre de primeiras lettras e cathedratico de democracia em acção, advogado e censor, familiar e magistrado. Bebidas com o primeiro pão do dia, as suas licções penetram até ao fundo das consciencias, onde vão elaboral a moral usual, os sentimentos e os impulsos de que depende tanto a sorte dos dos governos como a das nações.
Maior responsabilidade não apode, com effeito, assumir um homem para consigo e para com a sociedade. Se houvessem as virtudes que ella impõe, só os inconsciente e os fatuos se atreveriam a arrostal-a."
(Excerto da introdução - Synthese da imprensa)

Indice das materias:
O jornal e o publico (artigo-prefacio). | Ao leitor. | Synthese da imprensa. | A necessidade da convivencia. | Origem da publicidade periodica. | Origem das «folhas» e das «gazetas». | O jornalismo na Inglaterra. | Jornaes portuguezes impressos em Londres. | O jornalismo em França. | Jornaes portuguezes impressos em Paris. | O jornalismo em Portugal e Hespanha. | Do modo de ser do jornalismo entre nós. | O jornalismo na China. | Jornaes portuguezes impressos na China. | O jornalismo no Japão. | Jornaes portuguezes impressos no Japão. | O jornalismo na America. | Jornaes portuguezes impressos nos Estados-Unidos. | O jornalismo no Brasil. | Jornaes portuguezes impressos no Brasil. | Jornaes orientaes e argentinos. | Jornaes portuguezes impressos em Montevideu e Beunos-Ayres. | O jornalismo na Russia. | O jornalismo na Italia. | Na Austria - O jornal-telephonico. | O jornal do Oceano e o jornal do Pólo. | O jornalismo no futuro - Conclusão. | Resenha Chronologica e Alphabetica do jornalismo brasileiro. | Addenda relativa ao jornalismo do Estado de S. Paulo. | Errata importante.
Alberto Bessa (1861-1938). "Escritor e jornalista, nasceu no Porto, em 1861, e morreu em Lisboa, em 1938. Iniciou a sua carreira no jornal “O Operário” e depois no “Protesto Operário”. Fundou, dirigiu e colaborou com vários periódicos portuenses, mas a sua carreira profissional ganhoJornaes portuguezes impressos na Chinau particular impulso a partir do momento em que ingressou no Século”, em Lisboa, em 1896. Em 1902, saiu do “Século” para fundar jornal “Diário”. Em 1906, transferiu-se para o “Diário de Notícias”, como redactor. Em 1910, transferiu-se para o “Jornal do Comércio e das Colónias”, do qual foi redactor principal (1917) e director (1921), cargo que ocupou até 1932. Bessa foi também um grande dinamizador do movimento associativo dos jornalistas, sendo um dos fundadores da Associação da Imprensa Portuguesa. Foi secretário da comissão instaladora da Associação da Imprensa Portuguesa (1897) e membro da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Em 1912, enquanto esteve ligado ao “Jornal do Comércio e das Colónias”, escreveu a “Enciclopédia do Comércio e do Industrial”. Prometeu lançar um livro intitulado “Nos Bastidores do Jornalismo”mas, aparentemente, nunca o publicou e, se o tinha em manuscrito, provavelmente este perdeu-se."
(Fonte: http://teoriadojornalismo.ufp.edu.pt/inventarios/bessa-a-1904)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros e imagem gravados a negro e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal apresenta duas manchas.
Raro e muito apreciado.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 outubro, 2019

PIRES, José Cardoso - DINOSSAURO EXCELENTISSIMO. Ilustrado por João Abel Manta. [Lisboa,], Arcádia, 1972. In-4.º (24,5 cm) de 93, [3] p. ; [21] f. il. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta obra polémica, satírica, publicada pouco tempo após a morte de Salazar, em pleno período de governo Marcelista.
Impressa em papel encorpado, ilustrada com belíssimas gravuras de João Abel Manta (21), bem como a capa, que também é de sua autoria.
"Dinossauro Excelentíssimo é uma fábula satírica de José Cardoso Pires que retrata a vida de Salazar, a sua ditadura e o Portugal do Estado Novo num tom bastante irónico e amargurado. Carlos Reis designa a fábula de "relato violentamente satírico sobre a figura de Salazar" (verbete José Cardoso Pires, in Biblos, vol. 2, 213).
O livro foi editado pela primeira vez em 1972 pela Editora Arcádia, com ilustrações e capa de João Abel Manta. Embora datado de "Natal de 69 e Março de 71", o autor afirmou em entrevista a Artur Portela Filho, tê-la escrito em 1970. Nesta época José Cardoso Pires encontrava-se em Londres no King's College de Londres a leccionar Literatura Portuguesa e Brasileira. Mais tarde passou a estar incluído nas colectâneas de contos O Burro-em-Pé (1979) e A República dos Corvos (1988). Na referida entrevista, José Cardoso Pires descreve as circunstâncias que permitiram a publicação do livro e lhe deram notoriedade: numa discussão na Assembleia Nacional sobre a liberdade de imprensa, um deputado ultrafascista, Casal Ribeiro, em discussão com Miller Guerra, quis demonstrar a existência de liberdade dando como exemplo a publicação de Dinossauro Excelentíssimo. Depois disso já não seria possível à censura retirar o livro das livrarias nem a PIDE poderia perseguir o seu autor."
(Fonte: wikipédia)
"Supõe-se, está vagamente escrito, que esse imperador veio realmente do nada. Que nasceu algures numa choupana, filho de gente-nada ou pouca-coisa, camponeses ao desabrigo. Que muito possivelmente estudou por cartilhas de aldeia; por catecismos também. Mais: a acreditar nos compêndios das escolas, teria vindo ao mundo iluminado por Deus - e tanto assim que, ainda muito mocinho, fez ciência entre os doutores.
Nessa altura chamava-se Francisco ou Vitorino; Adolfo, talvez Adolfo Hirto; ou Benito Marcolino, Zé Fulgêncio, Sebastião Desejado - não interessa. O que interessa é que quando deram por ele já tinha outro nome: Imperador. Dinossaurus Um, Imperador e Mestre."
(Excerto da Parte Primeira, O homem que veio do nada)
José Cardoso Pires (1925-1998). "Foi jornalista, tendo colaborado em vários jornais e revistas. Iniciou a sua atividade como escritor publicando, em 1949, o livro Os Caminheiros e Outros Contos. Depois seguiram-se, até 1997, ano em que publicou a sua última obra – Lisboa, Livro de Bordo – mais 17 livros, distribuídos por diversos géneros literários – conto, romance, crónica, ensaio, teatro. A sua obra literária não é redutível a uma escola literária definida. Ela coloca-se entre o surrealismo, o neorrealismo, e sofre uma forte influência da linguagem cinematográfica, bem como de alguns escritores norte-americanos, nomeadamente Ernest Hemingway. As suas obras valeram-lhe vários importantes prémios literários nacionais e internacionais, nomeadamente o Prémio da União Latina, o Prémio Dom Dinis, o Grande Prémio APE, o Prémio Pessoa, entre outros. Várias das suas obras foram traduzidas para outras línguas e adaptadas ao cinema e ao teatro. José Cardoso Pires morreu em Lisboa em outubro de 1998, com 73 anos de idade."
(Fonte: https://www.estantedelivros.com/2017/01/novidade-leyartp-dinossauro-excelentissimo-de-jose-cardoso-pires.html)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada, revestida por sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. guarda.
Invulgar.
35€

18 outubro, 2019

FALCÃO, José - CARTILHA DO POVO. Parte I. Para a gente do campo. Edição popular promovida pelos estudantes republicanos de Coimbra. Vila Nova de Famalicão, Typ. Minerva, 1896. In-8.º (15,5 cm) de 48 p. ; B.
Raríssimo opúsculo de propaganda à República publicado pelos estudantes republicanos de Coimbra. Para melhor compreensão do "povo", a cartilha foi escrita sob a forma de diálogo entre dois personagens - o João Portugal e o José Povinho.
"Acredita-me, meu José Povinho, o mundo está para vêr grandes coisas. A terra já deu um signal, que até se afundaram umas poucas de ilhas nos mares do Oriente. Não tens visto á hora da madrugada, e á hora do anoitecer, alumiar-se o ceu com uma luz vermelha como as labaredas de um forno? É a côr da nossa bandeira, meu irmão, é um signal tambem. Das entranhas da terra e das profundezas do ceu vem estes avisos, que amedrontam o fraco, e causam terror aos maus. O Povo é forte e valente; não tem medo á luta. Adeus irmão e quando eu voltar ha de ser para cantar nas festas da nossa aldeia a victoria do Povo, e a acclamação da Republica.
Olha, uma ultima palavra, José Povinho. O Povo trabalha de sol a sol, e fica pobre, ignorante e miseravel. Os que mandam não trabalham, e são ricos, instruidos e felizes. É esta a lei dos Homens, mas não pode ser a lei de Deus. Dizem que Christo veio resgatar as nossas almas das penas do outro mundo; pois é preciso que o Povo trate de resgatar o corpo e o espirito das miserias d'este. Acredita-me, irmão; a força governa o mundo. A força somos nós; e os que mandam tem vivido até hoje á custa da nossa força. É preciso que o Povo tome conta do governo da Nação, é preciso que trabalhemos pela Republica, porque a riqueza virá depois aos que trabalham; e só os vadios terão fome. Quando eu voltar te explicarei tudo isto, porque agora todo o tempo é pouco para eu andar pelas aldeias e povoados a pedir votos para a Republica."
(Excerto da Cartilha)
"Nota:
Esta vastissima edição do eloquente cathecismo republicano foi promovida em homenagem ao Glorioso Mestre da Democracia, José Falcão, para ser distribuida gratis ao Povo, pela seguinte commissão, em nome dos estudantes republicanos do Coimbra:
Antonio OlympioCagigal
Arthur d'Almeida Leitão
Augusto Cymbron Borges de Souza
Carlos Fuzzetta
Diogo Marreiros Netto
Joaquim José Cerqueira da Rocha
Manuel Gonçalves Cerejeira
Manuel José Moreira de Sá Couto
Victor José de Deus
Em 8-6-96."
(Nota da última página)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas manchas.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 outubro, 2019

DICCIONARIO // EXEGETICO, // QUE DECLARA GENUINA, // e propria significaçaõ dos vocabulos // DA // LINGUA PORTUGUEZA, // ADOPTADOS UNICAMENTE PELOS SABIOS // da Naçaõ, //DADO AO PUBLICO // POR HUM ANONYMO. // LISBOA // Na Officina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno. // M. DCC. LXXXI. // Com licença da Real Meza Censoria. In-8.º (16,5 cm) de [12], 311, [1] p. , E.
1.ª edição.
Curioso dicionário cuja autoria Inocêncio atribui ao próprio editor, o conhecido tipógrafo Francisco Luís Ameno.
"Entre os dicionários para-literários do séc. XVIII tem sido esquecido o Diccionario exegetico (1781), "dado ao publico por hum anonymo" e que pode quase certamente ser atribuído ao tipógrafo e editor Francisco Luís Ameno (1713-1793). Trata-se de um dicionário in 8.º pequeno, com cerca de 6.000 entradas distribuídas ao longo de 296 páginas, mais 15 com uma breve colecção de "Adagios selectos da lingua portugueza". A nomenclatura foi cuidadosamente escolhida, segundo previne o autor no "Prolegomeno", entre os "vocabulos menos vulgares", "os vocabulos mais castigados e de que so usão os Doutos". A par dos numerosos latinismos, grecismos, tecnicismos (sobretudo no âmbito da terminologia da retórica) este vocabulário oferece-nos o mais significativo produto da teorização linguística e poética daquele tempo, com grande relevo para o critério purista e para a valorização da literariedade ao nível da selecção lexical. Não teve reedições mas parece que era obra muito procurada ainda no séc. passado."
(I.Silva 1858-1958, vol. 2,135)
"Conheço, Benevolo Leitor, a summa difficuldade, que encontraõ, ainda os que saõ sabios, em dar á luz hum Diccionario; por quanto a experiencia lhes mostra ser esta huma das Obras, que sendo de menos credito para seus Authores, por isso mesmo que se naõ reputa parto do proprio entendimento; he por outra parte a em que os defeitos saõ regularmente mais sensiveis. Sim; porque os Zoilos, huns dizem, que o Diccionario é mui pobre de vocabulos: outros, que muitas significações saõ improprias: estes, que a dicçaõ ainda tem outras accepções, de que naõ faz mençaõ o Diccionario: aqueles finalmente, que he destituido das frazes da propria Lingua. Estes saõ os defeitos particulares (além dos que saõ communs ás outras Composições) que facilmente se descobrem nos Diccionarios, e por esta causa huns naõ emprendem obras deste genero, e outros naõ as proseguem depois de as haverem traçado. Mas depois de eu saber as mordicantes censuras, que se fazem a taõ authorizadas Obras, que nesta materia tem sahido, naõ deve retrahirme da empreza, que tomei, o pensamento, que concebo, de que com muita razaõ será satyrizada a minha Obra, na qual eu mesmo percebo innumeraveis defeitos. [...] O que te offereço, he o que vês: o fim, que me propuz, já fica dito. Aqui acharás a Orthografia, que me pareceo mais correcta; aqui notarás os accentos, que daõ a conhecer o verdadeiro modo com que devem pronunciar-se os vocabulos. E como este Diccionario seria mútilo, se lhe faltassem os Proverbios vernaculos, ou os Adagios do proprio Idioma, joias as mais preciosas, que enriquecem, e fazem mais brilhante este Thesouro; eu naõ quero dispensar-me de coroar com os mais selectos, e mais recomendaveis á memoria o Opusculo, que te offereço, para que delles te sirvas nas occasiões mais opportunas."
(Excerto do Prolegomeno)
Encadernação coeva inteira de carneira com rótulo carmim e dourados na lombada.
Exemplar em razoável estado de conservação. Pastas cansadas com defeitos. Lombada apresenta falhas de pele nas extremidades. Carimbo de posse (desvanecido) na f. rosto. Mancha de humidade antiga transversal a toda a obra. Folhas de guarda (em branco) preenchidas com anotações em caligrafia antiga.
Raro.
Indisponível

14 outubro, 2019

BURTON, Anthony - A DESTRUIÇÃO DA LEALDADE : um estudo da ameaça da propaganda e da subversão contra as Forças Armadas do Ocidente. Tradução de Rosário Canais. [S.l.], Ed. Abril, 1978. In-8.º (21 cm) de 233, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra de análise política que inclui um capítulo dedicado a Portugal, com interesse para a história do 25 de Abril.
"No 1.º de Maio de 1974, apenas seis dias após a revolução em Portugal, numa enorme manifestação em Lisboa, os comunistas admitiram, antes de quaisquer outros, que foi inteiramente devido às Forças Armadas que a revolução se tornara possível.
Contudo, está já a ser esquecido que os militares que formaram o Movimento das Forças Armadas e que executaram a revolução, eram só uma pequena parte do Exército e que a Marinha e a Força Aérea nem sequer tomaram parte nela. [Corrigida a participação destas duas últimas armas em nota de rodapé]. [...]
Recordando a História de Portugal, verifica-se que as Forças Armadas têm tido um papel vital na maneira de governar o país durante este século. Antes de Salazar, revoluções efectuadas por uma ou outra facção das Forças Armadas ocorriam com grande regularidade e frequência. O próprio Salazar foi posto no Poder pelas Forças Armadas e nele se manteve durante mais de quarenta anos, devido ao seu apoio."
(Excerto de O Ambiente Internacional - A Revolução Portuguesa)
Índice:
Nota do Editor. | Prefácio. | Introdução. | O Ambiente Político no Reino Unido. | A Lei no Reino Unido. | O Ambiente Internacional - A Revolução Portuguesa: A Preparação; Vencimentos miseráveis; Universitários subversivos; Pequena minoria; Centrais telefónicas; Depois da revolução; Os Acontecimentos; O erro de Spínola; A Frente Popular; O começo dos perigos; As lições; Organização internacional; Os meios controlados; Doutrinação das crianças; A ligação com Praga; Sem indemnização; Um milhão de dólares por semana; A África primeiro. | As Tácticas de Deslealdade na Grã-Bretanha. | Os Sindicatos e as Forças Armadas. | Conclusões e Recomendações. | Apêndices: A - O Empreendimento Anti-Militarista Filiação dos Movimentos Trotskistas; B - Organizações do Flanco da Extrema Esquerda na Alemanha Ocidental; C - Algumas palavras sobre a Extrema Direita na Grã-Bretanha. | Descolonização: Timor - O símbolo da vergonha. | Nacionalizações: Thomé Feteira e a «Covina».
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) na f. anterrosto.
Invulgar.
15€

13 outubro, 2019

MOGROVEJO, Restituto - A ODIOSA DITADURA MILITAR : os crimes do tzarismo espanhol. Um apêlo á consciência universal. Por... Ex-presidente do Comité Secreto das Juntas das Patentes Inferiores do Exercito Espanhol. Traduzido e prefaciado por Mario Domingues. Lisboa, Editora Popular, [1925]. In-8.º (19 cm) de 105, [7] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Ditadura de Primo de Rivera, movimento que viria a inspirar o golpe português da Ditadura Militar de Maio de 1926. Obra de denúncia publicada na sequência do golpe de estado de 13 de Setembro de 1923 encabeçado pelo general Miguel Primo de Rivera (1870-1930) que suspendeu a Constituição e instituiu um regime nacionalista e autoritário em Espanha. O autor - Restituto Mogrovejo Fernández (Palma de Maiorca, 1891 - Cidade do México, 1949) - foi um militar, jornalista, propagandista anarquista e anarco-sindicalista espanhol. Preso e perseguido, instalou-se em Portugal nos anos vinte onde produziu o presente livro. Para mais informações sobre Mogrovejo consultar: http://puertoreal.cnt.es/bilbiografias-anarquistas/5987-restituto-mogrovejo-fernandez-periodista-y-anarquista-de-mallorca.html.
Livro ilustrado com o retrato do autor em extratexto.
"O livro que o meu amigo Restituto Mogrovejo, ex-sargento do exército espanhol, escreveu e que eu traduzi directamente do original não é, como êle próprio o confessa, uma obra literária. Longe estava o seu autor dum intuito puramente artistico quando na sua pena, trémula de emoção bem sentida, traçou as scênas de sangue e de barbaridade que adiante se leem. Alguns dos dramas políticos que teem agitado a Espanha desde os fins do século XIX até aos nossos dias foram vividos por êle, mas vividos intensamente, febrilmente. Por várias vezes a morte ameaçou-o de perto. E quando as tragédias roçam e crestam a nossa sensibilidade com seu bafo abrazador, não nos restam requintes de arte, senão sómente a recordação terrivel do que se passou, em bruto, quase informe. Com essa recordação apenas e não com esmeros literários se escrevem páginas como essas que a seguir se encontram.
«A odiosa ditadura militar» é, pois, um livro de factos, vistos através da emoção dum homem que sofreu, dum idealista que se doi da pena imensa de não poder evitá-los, de não conseguir com o seu esfôrço e com a sua inteligência transformar essa região ensangüentada e sinistra que é hoje a Espanha, num país próspero e progressivo onde a sementeira das ideias de Liberdade de Justiça germinasse e crescesse alta como as belas searas doiradas nos dias luninosos de estio.
Poderá encontrar o leitor nas páginas de Mogrovejo um pouco de paixão em face dos acontecimentos políticos do seu país. Mas essa paixão longe de ser um defeito, representa uma qualidade apreciavel do autor. Indignar-se perante crimes como os que se praticaram em Barcelona é uma demonstração de grandes sentimentos de humanidade e de justiça. Restituto Mogrovejo, ao apontar esses crimes à consciência universal, pratica um acto de generosidade e desinteresse.
É necessário que se conheçam os antecedentes da actual ditadura militar para se compreenderam as razões que levaram Primo de Rivera ao poder. Grande número dessas causas, muitas delas secretas, que se viveram nos «complots» dos quarteis, são aqui reveladas e comprovadas com a citação de testemunhas de alta categoria social. Lendo-as e analizando-as através dêste livro, o leitor compreenderá claramente que os homens que hoje estão à frente dos destinos da Espanha, não se corromperam, como tanta vez sucede, após a conquista do poder; a sua corrupção vem de mais longe, é mais profunda; os seus actos de banditismo não são uma novidade moderna, constituem um defeito antigo que impunemente se foi desenvolvendo e avolumando na sombra até surgirem à luz clara do dia, com o triunfo do golpe de Estado de Setembro de 1923."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

12 outubro, 2019

VARELA, A. - UM PROCESSO-CRIME. Romance Contemporaneo. Por... Contendo uma carta do sr. Camillo Castello Branco. Porto: Typ. Pereira da Silva, 1870. In-8.º (16 cm) de 242, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance de "crime e mistério", excelente exemplo da proto-literatura policial nacional, publicado ainda antes da obra literária do género de Leite Bastos, considerado o "pai" do romance policial em Portugal.
"O titulo d'esta obra, parece mais um negro e hediondo drama, passado n'um tribunal correccional, entre graves juizes, austeros advogados, circumspecto jury, cabisbaixos reos, e curiosos e assombrados amadores de audiencias d'este genero, do que outra cousa.
Pois não é tal.
Não julguem portanto os nossos caros leitores, que o romance Um processo-crime, é alguma veridica historia que faça estremecer as pessoas nervosas, e chorar as sensiveis, como essa hediondas narrações de crimes negros que Anna Radchiffe, Valler Scott e Skaspeere, apresentaram detalhada e extensamente nas suas obras.
Não, senhores: a nossa obra não pertence á tragedia; é puramente uma série de scenas da comedia humana, passadas n'este nosso bom Portugal."
(Excerto do prefácio, Duas palavras aos leitores)
Indice:
Duas palavras aos leitores. | I - Duas mulheres sensiveis. II - A carta mysteriosa. III - As duas irmãs. IV - Mais mulheres sensiveis. V - Os dois amigos. VI - O conselheiro Tinoco. VII - A Gazeta dos Tribunaes. VIII - Quem era o intruso. IX - A captura. X - Conversa de criados. XI - Ainda as mulheres sensiveis. XII - Um sabonete militar. XIII - Remorsos. XIV - Combates moraes. XV - O criminoso innocente. XVI - Quero e não quero. XVII - Convenio. XVIII - O supremo tribunal de justiça. XIX - Conselhos d'um conselheiro. XX - A gaiola e o seu habitante. XXI - Dedicação feminina. XXII - Dois sustos a um tempo. XXIII - Confidencias e revelações. XXIV - Terrivel descoberta. XXV - Outra descoberta horrorosa. XXVI - Esperteza de mulher. XXVII - O feitiço contra o feiticeiro. XXVIII - Quem era o criminoso. | Epilogo.
A. J. Pereira Varela (?-1878). Romancista e dramaturgo português. Pouco se sabe a seu respeito, a não ser a paternidade de algumas obras que constam da base de dados da BNP, sobretudo pequenas comédias teatrais; com alguma dimensão literária importa salientar o romance social em 2 vols Os miseraveis da aristocracia (1864), o "policial" Um processo-crime (1870) e o romance histórico Um episodio do reinado de Dom João V (1874).
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e literário.
Indisponível

11 outubro, 2019

LODY, George - A LEGIÃO MALDITA : romance. Versão livre de João Amaral Júnior. Dramas da Espionagem. As aventuras dos mais célebres espiões internacionais. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [193-]. In-8.º (21 cm) de 339, [1] p. ; il. ; B. Colecção Dramas da Espionagem ,I
1.ª edição.

Curioso romance sobre a espionagem durante a Grande Guerra. Obra da autoria de João Amaral Júnior, o 'tradutor', que assina com o pseudónimo George Lody.
Livro ilustrado na capa, e ao longo do texto com 14 belíssimas estampas (9 das quais em página inteira) por Ramos Ribeiro.

"O escândalo estalou, essa manhã, em Paris...
...Os telefones retiniam; um vasto rumôr de emoção rápidamente alastrou de boca em boca...
Mata-Hari, a célebre bailarina de corpo divinal e olhos de magia, a misteriosa mulher que adotára um nome simbólico - Sol - pois ésta é a significação das palavras Mata e Hari na poetica linguagem dos povos orientais da Malasia: - a mulher que exibindo-se nos palcos de todas as grandes capitais europeias vinha deslumbrando o mundo com a euritmia perversa  da sua da sua dansa ao mesmo tempo voluptuosa e sagrada, acabava de ser preza, ás 7 horas dessa manhã, nos seus aposentos sôb a acusação de fazer espionagem contra a França!
Estava-se a 13 de Fevereiro de 1917. E breve se viu que o rumôr levantado não era o de um méro boato. A notícia confirmava-se."
(Excerto do Cap. I, A captura de Mata-Hari)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére. Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. No interior, a página 51 encontra-se rasgada, conservando no entanto o pedaço.
Invulgar.
Indisponível

10 outubro, 2019

FONSECA, Tomaz da - NO RESCALDO DE LOURDES. Coimbra, Academica Editora, 1932. In-8.º (19 cm) de 125, [3] p. ; B. Biblioteca de Estudos Livres, IV
1.ª edição.
Obra polémica, anti-clerical, publicada na Biblioteca de Estudos Livres. Além da análise ao "fenómeno" de Lourdes, Tomás da Fonseca dedica dois capítulos do livro ao culto de Fátima.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"E voltamos ao tema das aparições miraculosas, que provocaram as minhas conferencias e os meus artigos na altura em que a Cúria Romana, segura da sua tatica e da fidelidade dos agentes portuguezes, Sidónio á frente, ordenou o avanço.
D'umas e doutras vão apenas amostras, a fim de não tornar pesado e caro um trabalho que se destina sobretudo àqueles que nem enriqueceram com a guerra, nem foram convidados a tomar parte nessa boda, onde se dão, aos convivas, indumentarias brilhantes, automoveis luxuosos e casamentos ricos, com meninas galantes e, ainda por cima, a promessa do ceu!
Aí lh'o mando, meu amigo. Não o ceu, é evidente, mas o trabalho em causa. Se tiver tempo de folhear as suas paginas, verá que tambem eu busco um micróbio - aquele de que todos sentem a acção destruidora, mas que ninguem ainda aniquilou.
Veja se encontra no seu laboratório, tão seguro em localisar e definir com precisão os infinitamente pequenos, um microscópio suficientemente poderoso para nos indicar o ponto exacto da célula onde esse agente perturbante faz as devastações, a fim de se lhe injectar o antídoto que para sempre o torne inofensivo."
(Excerto da Dedicatoria)
Índice:
- Dedicatoria. - Prefácio. - No rescaldo de Lourdes. - Lagrima num sepulcro. - Lourdes & c.ª ilimitada. - Fatima - romaria portuguesa. - O equivoco de Fatima. - Adenda. - Como nos recebem em Lourdes. - Lourdes e a medicina.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com manchas e defeitos na lombada.
Invulgar.
Indisponível

09 outubro, 2019

SAMPAIO, Jorge - UM EX-OFICIAL MILICIANO PERANTE O SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO. Peças de um Processo: I. Petição de recurso; II. Requerimento; III. Alegação do Ministro recorrido; IV. Alegação do recorrente. Lisboa, [s.n. - Comp. e impr. na Gráfica Montijense, Montijo], 1967.. In-4.º (23 cm) de 54, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Peça jurídica cujo autor é Jorge Sampaio (n. Lisboa, 1939), advogado e político, e ex-Presidente da República de Portugal. Trata-se de uma das duas primeiras obras publicada pelo estadista, que ainda no mesmo ano, em conjunto com Francisco Salgado Zenha e Jorge Santos, publicaria Universidade: processo de uma expulsão disciplinar – José Medeiros Ferreira.
"Julgou-se que as peças do processo ora trazidas a público oferecem o interesse jurídico resultante da novidade - é certo que apenas processual - do assunto focado.
Mas pensou-se também que tal objectivo poderá ser transcendido pela perspectiva de reivindicação de um estado de direito, que sem dúvida perpassa como sendo o propósito do recorrente e constitui também uma indispensável característica do exercício profissional do advogado."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e jurídico.
20€

07 outubro, 2019

CARDOSO, Tenente Antonio - CASCAIS. Relatorio do Delegado do Governo da Dictadura Militar... das Obras e Melhoramentos realisados pela Camara Municipal desde a sua nomeação para Vogal da mesma até 31 de Dezembro de 1932. Cascais, [s.n.], 1933. In-4.º (23 cm) de 32, [2] p. ; [1] desdob. ; B.
1.ª edição.
Raríssimo e importante subsídio para a história do concelho de Cascais.
Ilustrado com inúmeras fotogravuras ao longo do texto.
"Êste relatorio destina-se:
1.º - A levar ao conhecimento do Govêrno a obra realizada pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Cascais, durante a minha permanência nêste Concêlho como seu Delegado.
2.º - A facilitar o trabalho daquêles que por incumbência ou vontade própria venham a fazer a história do movimento municipalista da Ditadura.
3.º - A prestar contas ao Munícipes do destino dado ao seu dinheiro.
Não tenho a pretensão de apresentar uma obra perfeita.
Tenho apenas o orgulho de poder afirmar que ela tem sido realizada dentro dos mais escrupulosos principios de honestidade.
Como não podia deixar de sêr - porque há-se sêr sempre assim, emquanto o mundo fôr mundo e por cá nos andarmos acotovelando - têm a Câmara Municipal sofrido críticas e campanhas a que não têm sido alheios subjectivismos politicos e caprichos malévolos, de mistura por vezes com intenções honestas, mas imponderadas, na apreciação nervosa e apaixonada dos factos e dos homens.
Algumas ocasionaram certa desorientação no espírito público, sobretudo no daquêle público, que por temperamento ou defeito de educação, está sempre disposto a acreditar em tudo o que ouve e lê, sem joeirar a idoneidade dos críticos e inquirir da razão e acerto das afirmações que fazem.
Nenhuma trouxe porém, felizmente, a qualquer dos membros da Câmara motivos para se sentir abalado, pois a apreciação objectiva, que nos tem sido feita pelos homens de cérebro equilibrado e intenções lizas,, suplantou sempre as rajadas que nos têm batido.
Por tal razão, vencidas as dificuldades que semearam os que só sabem destruir, seguiremos o caminho que a nossa consciencia e a nossa inteligencia nos indicarem como melhor para o progresso do Concêlho e prestígio da Ditadura.
E como amparo dos amigos desta Terra e auxílio do Govêrno, acrescentaremos ao que já fizemos e que vou expôr, aquilo que é urgente que se faça."
(Introdução)
Matérias:
Zona urbanizada: Cascais; Alto Estoril; S. João e S. Pedro do Estoril; Parede; Carcavelos.
Zona não urbanizada - Obras feitas em várias localidades: Alvide; Abuxarda; Alcabideche; Alcoitão; Manique; Bicesse; Livramento; Alapraia; Caparide; Aboboda; Talaíde; Sassoeiros; S. Domingos de Rana; Rebelva; Murtal; S. Pedro do Estoril; Cobre; Charneca; Murches; Aldeia de Juzo; Cabreiro; Malveira; Guia; Birre.
Águas: Captações; Captações a fazer; "Distribuição"; Tratamento"; "Análise das águas tratadas pelo aparelho Raul Ressano Garcia".
A campanha das Águas: O contrato de venda de água à Câmara de Oeiras; Água de Vale de Cavalos e Parede.
"Abastecimento de carnes" (municipalização deste serviço).
As dificuldades impostas á construção: O caso Roque - Ruas particulares; O caso Roque; Ruas particulares; Episódio para juntar à campanha das águas e ás dificuldades impostas à construção.
Realizações de caracter social: Bairro operário; Caixa de Aposentações; Assistência no caso de doença; Outras regalias; Subsídios mensais concedidos às diversas Instituições de Beneficiência do Concelho [quadro].
Esgotos. | "Empréstimos" - Empréstimos existentes. | Impostos directos e indirectos - "Taxas de licença".
Palavras merecidas: Raul Cardoso Ressano Garcia (Arquitecto); Emídio Francisco d'Almeida (Secretário da Cãmara); Dr. Mario Cândido de Sousa (Veterinário Municipal); Dr. Alberto Eduardo Valado Navarro (Advogado Síndico); Jorge Segurado (Arquitecto); Dr. António Pereira Coutinho (Médico Municipal).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, em especial a capa frontal que apresenta um rasgão vertical de 6cm. Deve ser encadernado.
Muito raro.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
50€

06 outubro, 2019

QUEIROZ (Bento Moreno), Teixeira de -  A NOSSA GENTE. Por... Comedia do Campo (scenas do Minho). Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira (Livraria-editora), 1900. In-8.º (18,5 cm) de [4], 248, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Colecção de pequenas novelas campestres de cunho naturalista.
Edição original do sexto volume da série «Comédia do Campo».
"Era adoravel no berço pela sua tranquillidade feliz: esse primeiro anno de existencia passou-o a mammar e a dormir, deixando de ammar para dormir, e interrnpendo o dormir só para mammar. Nos curtos intervallos d'estas occupações sérias mostrava pouca vivacidade de caracter: para tudo e para todos olhava com tal incomprehensão, que se julgou que fosse doente, ou de somenos intelligencia. Pouco mais do que a planta que vegéta apegada á terra, e que só estima terra que a nutre; pois o unico apego ou affeição manifestado n'este primeiro periodo de vida, foi pela ama, a Antonia, mulher do caseiro, e desdenhava os afagos da mãe verdadeira, preferindo-lhe os d'aquella que a sustenttava de leite. A boa creatura ufanava-se com isto e no intimo julgava-se com melhor parte na maternidade de Margarida do que a propria D. Claudina, que a déra á luz. Este ciume levou-a a dizer ao seu homem, que mais queria aquella menina que ao seu Zé, cuja creação entregara a uma irmã, para tomar conta da filha dos patrões, como estava assente e ajustado que fosse, mesmo antes dos dois partos."
(Excerto de Santa Margarida)
Indice:
Santa Margarida. | Pastoral. | Fogo do Céu. | Voltou. | Cresce o Mar. | O Gamarrão. | O Calvario do Amor.
Francisco Teixeira de Queiroz (Arcos de Valdevez, 1848 - Sintra, 1919). “Romancista e contista, Francisco Teixeira de Queirós licenciou-se em Medicina, tendo ocupado diversos cargos públicos, entre os quais o de deputado, de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de ministro dos Negócios Estrangeiros, neste caso em 1915. Chegou a ser presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Fundou em 1880, com Magalhães Lima, Gomes Leal e outros, o jornal «O Século», tendo também colaborado nos periódicos «O Ocidente», «Revista de Portugal», «Revista Literária», «Arte & Vida», «Ilustração Portuguesa», «A Vanguarda» e «A Luta», entre outros. Em 1876, publicou o seu primeiro romance, «Amor Divino», com o pseudónimo de Bento Moreno, que viria a usar em outros livros. A sua vasta obra está repartida em dois grupos: «Comédia de Campo» e «Comédia Burguesa», imitando assim a «Comédie Humaine», de Balzac, um dos seus mentores. Durante cerca de 40 anos, reformulou o seu plano e a sua doutrinação literária sobre o romance, procurando incansavelmente aplicar o seu programa realista-naturalista de base científica. Cultivou uma escrita de feição realista, fazendo uma crítica constante à alta sociedade lisboeta, evidenciando os seus costumes, os seus modos de agir e de estar perante a sociedade portuguesa em geral. Em algumas das suas obras, por outro lado, retrata de uma forma carinhosa e saudosa os seus tempos de infância, vividos na quietude da sua terra natal.”
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

05 outubro, 2019

OLIVEIRA, Guedes d' - OS VENDILHÕES DO TEMPLO (ao Cardeal-Bispo do Porto). Porto, Typographia da Discussão, 1885. In-8.º (20 cm) de 16 p.
1.ª edição.
Violento libelo anticlerical, em verso, dirigido a D. Américo Ferreira dos Santos Silva, Bispo do Porto e cardeal na época.

"Irmãos!
A alluvião invade os Vaticanos,
E o sol que nos dá luz ha tantos centos d'annos,
O bello sol radiante, o nosso anjo da guarda,
Vae a fugir além, pelo horisonte fóra,
Como um pardal fugindo ao chumbo da espingarda,
Ou com um devedor fugindo a uma penhora!
Tudo está pervertido: os santos e o milagre;
A agua benta é choca; o vinho está vinagre;
Com o caruncho, a cruz já não sustenta o Christo;
As bullas já não dão... nem tanto como isto,
E o cofre de S. Pedro, o cofre mais feliz,
Está esgotado já, - não tem uma de X!
É preciso luctar! Luctar para vencer
Tudo isso que ahi surge e que pretende erguer
As garras contra nós, - zombando, amaldiçoado,
De tudo quanto ha de pulha ou de sagrado,
Desde a Virgem Maria á horisontal mignone,
Desde a benção do papa á phrase de Cambronne!

Luctar, irmãos, luctar! E á luz ensanguentada,
Que surge de Gomorra e surge de Sodoma,
Cantemos a victoria ao bispo-Torquemada
Que viu a lua em Braga e viu o sol em Roma!"

(Excerto do poema)

Guedes de Oliveira (1865-1932). "Jornalista, escritor dramático, director da Escola de Belas – Artes do Porto, arquitecto, republicano. Desde os doze aos treze anos colaborou em jornais, fazendo as suas primeiras tentativas em folhas humorísticas e jornais operários, como a Rebeca do Diabo, de Lisboa, e na Voz do Operário e protesto, da mesma cidade, e em O Operário, do Porto, e em outras. Aos 15 anos era nomeado correspondente, no Porto, do velho jornal O Bejense, que representou nas grandes festas do tricentenário de Camões. Pouco depois publicava o seu primeiro livro de versos, com o título: Cáusticos, a que se seguiram vários panfletos, também em verso: Vendilhões do Templo, Os Cafres, e outros."
(Fonte: https://umolharsobreriotinto.wordpress.com/historia-de-rio-tinto/presenca-romana/toponimia/guedes-de-oliveira/)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.

Raro.
15€

04 outubro, 2019

FERREIRA, Carlos - OS ALLEMÃES NA BELGICA. A violação da neutralidade e dos direitos das gentes, segundo documentos officiaes. Notas d'uma testemunha presencial. Com uma carta do Ex.ᵐᵒ Sr. Ministro da Belgica em Lisboa. [Por]... Agente Commercial Official da Republica Portugueza em Bruxellas. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1915. In-8.º (20,5 cm) de 216 p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Grande Guerra. Impressões do autor, português residente na Bélgica, que viveu por dentro o flagelo dos primeiros meses do conflito - os abusos e arbitrariedades cometidas pelas forças de ocupação allemãs em território belga.
Obra oferecida pelo autor "a Sua Magestade Alberto I, Rei dos Belgas". Muito valorizada pela sua dedicatória autógrafa ao antigo camarada e amigo Couto Brandão.
"N'um dos ultimos dias de Fevereiro de 1915 sahi de Bruxellas. Haviam decorrido os sete mezes mais dolorosos dos meus 29 annos. Eu que tenho pela formosa capital uma adoração extranha, abandonei-a, carregado de doença, de aflicção e de pavôr. Nunca julguei dizer-lhe adeus n'um estado moral tão desgraçado! [...]
Chegado a Colonia, passava da meia noite, graças á astucia da espionagem, atiraram commigo para um calabouço immundo, sem luz e cheio de frio. Ahi passei oito horas, tendo por companheiro um masso de cigarros que me alimentou até recuperar a liberdade. O caso não foi virgem, pois eu já sabia quanto custa estar aferrolhado á ordem do Kaiser  [o autor refere-se à sua detenção em Liége, a 2 de Novembro de 1914]. [...]
Dias antes da minha partida, percorri a Belgica de 1915. De Liége a Mons e de Arlon a Gand verifiquei que o povo belga está fundido n'um só ente cheio de paciencia e resignação. Desappareceram as luctas politicas, as rivalidades e as rixas occasionadas pelas raças e interesses locaes.. Todos são unica e simplesmente «Belgas», victimas da Honra, do Dever e da Razão, arruinados e massacrados pela deslealdade e pela selvageria."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Carta do Ministro da Belgica em Lisboa]. | [Preâmbulo]. | I - Antes da guerra. | II - A neutralidade da Belgica. | Alberto I perante a nação. | IV - O livro «Gris» belga. | V - Violação do direito das gentes. 1.º Relatorio: Saque de Aerschot - Arredores de Aerschot - Schaffen - Rethy; 2.º Relatorio: Saque de Lovain - Arredores de Louvain e de Malines; 3.º Relatorio: Saque de Louvain - Saque de Visé. Arredores de Louvain, Malines e Vilvorde; 4.º Relatorio: Saque de Aerschot. Constatação de prejuizos; 5.º Relatorio: Saque de Aerschot e de Louvain. Informações complementares; 6.º Relatorio: Proclamações allemãs [XI proclamações e avisos]; 7.º Relatorio: Emprego de balas explosivas. Maus tratos aos feridos e prisioneiros. Ataques ás ambulancias. Os civis obrigados a tomar parte nas operações e a marchar deante das tropas. Bombardeamentos; 8.º Relatorio: Destruições e massacres. Na provincia de Luxemburgo; 9.º Relatorio: Saque de Termonde; 10.º Relatorio: O que diz a Delegação da Commissão de Syndicancia com sede em Londres; 11.º Relatorio: Acontecimento de Namur. Saques e massacres de Tamines, Andeune, Dinant, Hastière, Hermeton e Surice; 12.º Relatorio: Historia dos acontecimentos na comuna de Warsage. | VI - Apontamentos para um relatorio. | VII - Finanças, commercio e industria. | Documentos. | Ultimas paginas.
Encadernação em tela com as capas coladas nas pastas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 outubro, 2019

MALDONADO, Martina Carolina Reboli de Bulhões - DOCUMENTOS. De..., Ex-Directora e Professora  do Recolhimento de Nossa Senhora da Serra, em Nova Gôa (India). Concorrente ao premio NOBEL (Partes litteraria e paz e bem da humanidade). [Carta a Sua Magestade o rei Frederico Oscar da Suecia]. Lisboa, [s.n.], 1906. In-8.º (20x15 cm) de [6], 95, [1] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
Processo de concurso de Martina Maldonado ao Nobel, daquela que terá sido a primeira figura portuguesa a concorrer ao prémio, numa época em que esta distinção contava com pouquíssimas edições. Reproduz cartas de apreço e apoio à sua candidatura por inúmeras personalidades da sociedade civil e religiosa portuguesa, incluindo membros da família real. Inclui missiva dirigida pela candidata ao monarca sueco, Frederico Óscar, que não é mais que um resumo da sua vida adulta, contemplando os aspectos literários e religiosos, e de "utilidade à humanidade", procurando dessa forma justificar a pretensão ao prémio atribuído pela Academia Real das Ciências da Suécia.
Livro ilustrado com 4 fotogravuras separadas do texto.
"Venho hoje humildemente apresentar-me por esta forma a Vossa Magestade pedindo-lhe a sua benefica protecção para se dignar conceder-me o premio instituido pelo grande benemerito Nobel para galardoar o merito.
Como os meios me escaceassem, por revezes de fortuna, dediquei-me então ás lettras, a vêr se com ellas poderia conseguir espargir a Crença e o Bem, ainda que limitado."
(Excerto da Carta a Sua Magestade o rei Frederico Oscar da Suecia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada. Contracapa apresenta pequena falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro e muito curioso.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 outubro, 2019

FERNANDO PESSOA : O Fado e a Alma Portuguesa. Conceito e texto: Samuel Lopes. Produção executiva e selecção musical:  Rui Chen & Samuel Lopes. Ilustração: Miguel Seixas. [Lisboa], Warner Music Portugal, Lda., 2013. In-8.º (20 cm) de 57, [1] p. ; [20] p  il. ; [1] CD-ROM ; E.
1.ª edição.
Belíssima edição bilingue (português/inglês), de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada a cores. Inclui CD-ROM.
“Fernando Pessoa - O Fado e a Alma Portuguesa foi editado numa versão deluxe de CD+livro com 80 páginas em português e inglês com textos que contextualizam a poesia de Fernando Pessoa, os poemas cantados nas versões originais ou adaptadas com traduções para inglês assinadas por Richard Zenith (vencedor do prémio Pessoa 2012) e Alexis Levitin (vencedor do National Endowment for the Arts Translation Fellowship e do Fulbright Senior Lecturer Award), e, ainda, informação detalhada sobre cada um dos temas incluídos no alinhamento.
Em 2013 passaram 125 anos sobre o nascimento de Fernando Pessoa. Para celebrar essa data a Warner Music Portugal com o apoio da Casa Fernando Pessoa e Museu do Fado edita uma colectânea que sob o título “Fernando Pessoa – O Fado e a Alma Portuguesa” reúne um conjunto de poemas de Pessoa que ao longo dos anos foram gravados na voz de vários fadistas e alguns inéditos. O alinhamento do disco incluirá um total de 20 temas interpretados pelas gerações que se afirmaram no fado a partir da década de 1990.
Inicialmente a escolha incidiu sobre temas já editados e conhecidos do grande público de artistas como Camané, Mariza ou Ana Moura porém atendendo à dimensão da obra, os editores decidiram fazer mais do que uma simples recolha de repertório existente, e lançaram o desafio a vários artistas com reconhecido mérito destas novas gerações a gravarem novos temas exclusivos, desafio este que foi aceite com elevado entusiasmo. Os artistas que integram temas inéditos nesta obra são: Ana Laíns, Débora Rodrigues, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Carminho e Ricardo Ribeiro, os três últimos com composição e produção de Diogo Clemente."
(Fonte: fnac)
"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar.
As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou.
No fado os Deuses regressam legítimos e longínquos. É esse o segredo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião.
Fernando Pessoa"
(O Fado e a Alma Portuguesa)
"O Fado e a Alma Portuguesa, escrito por Fernando Pessoa em 1929 para o Diário de Notícias, é o mote que inspirou esta obra e originou a união destes dois grandes patrimónios da cultura portuguesa e da cidade de Lisboa: A poesia de Fernando Pessoa e o Fado.
Nesta edição é feita pela primeira vez uma compilação de fados e canções integralmente com poemas do autor. Apesar da poesia de Fernando Pessoa se cantar no fado desde os anos 70 do passado século, são as gerações que têm despontado desde 1990 que mais têm interpretado  poesia homónima e heterónima do multifacetado poeta, fazendo com que actualmente seja um dos poetas mais importantes e interpretados no fado.
O disco exponencia um fado de uma Lisboa contemporânea, muitas vezes retratada na poesia de Pessoa, cujos temas continuam a ser actuais e universais. É pois com naturalidade que a selecção de artistas tenha recaído sobre as grandes vozes das mais recentes gerações do fado, incluindo um total de 20 temas dos quais 6 inéditos."
(Excerto da Apresentação)
Índice:
O Fado e a Alma Portuguesa. | Índice. | Apresentação. | O Fado em Pessoa. | Os Fados e os Artistas. | Ficha técnica.
Encadernação do editor policromada com saqueta e CD-ROM.
Exemplar em bom estado de conservação.
Esgotado.
35€

01 outubro, 2019

OLIVEIRA, Fialho de - VOANDO COM O PAPA. Lisboa, Editorial Pórtico, 1967. In-8.º (20 cm) de 63, [1] p. ; mto. il. ; B.
1.ª edição.
"Sois filhos de uma nobre Nação que tanto se distinguiu pelos serviços prestados à Igreja, abrindo os Caminhos do Mar aos seus intrépidos Missionários portadores do Evangelho de Cristo do Oriente e do Ocidente."
(Paulus PP. VI)
"Vivi seis horas com o Papa, a meia dúzia de metros, separado apenas por uma cortina. Voei de Roma para Monte Real e de Monte Real para Roma com Sua Santidade. Registei imagens difíceis de reproduzir. As palavras não traduzem tudo. Não existe mesmo para certas emoções da vida."
É com emoção que Fialho de Oliveira (n. 1933), jornalista do «Diário de Notícias», abre o livro, ponto de partida para a narrativa pormenorizada da viagem de Paulo VI a Fátima, em 1967, - a 1.ª de um Papa ao nosso país, - assinalando o cinquentenário das Aparições.
Esta foi uma viagem marcada pela polémica, dado o frio relacionamento entre Portugal e a Santa Sé, motivado pela visita do mesmo Papa, a Bombaim, em 1963, episódio visto pelo Estado Novo como o reconhecimento implícito do Vaticano pela anexação das possessões portuguesas pela União Indiana, em 1961, e que mereceu o mais veemente protesto do regime. No entanto, a deslocação papal revelou-se um sucesso - os serviços de propaganda do regime aproveitaram as celebrações e a presença do Papa entre nós com vantagem para a imagem exterior do país.
Bonita edição, por certo de curta tiragem, totalmente impressa sobre papel couché, profusamente ilustrada com fotografias a p.b. do Sumo Pontífice em viagem, descontraído, e na Cova da Iria, onde dirigiu as cerimónias. Contém ainda imagens do interior e exterior do Caravelle CS-TCC da TAP, e os retratos e testemunhos da tripulação da que transportou o Papa.
"Não consigo dormir. São duas horas e ainda há pouco acabei de telefonar a minha crónica para Lisboa. No quarto ao lado, Fernando Teixeira não se deitou sequer. Prepara o serviço para o seu jornal. Também ele, apesar de há 35 anos ter chegado aos jornais, sente que vai viver a reportagem que tantos sonharam mas que bem poucos vão ter oportunidade de realizar. Os nossos nomes figuram na lista dos privilegiados que acompanham o Papa na sua peregrinação à terra portuguesa da Cova da Iria.
Só ontem, quando no Vaticano quando me entregaram um minúsculo cartão amarelo com o meu nome e o número catorze, só ontem quando, na «Catholic Internacional Tours», recebi o bilhete para o voo charters da TAP Roma-Monte Real-Roma, tive a certeza que viajaria com o Papa."
(Excerto da narrativa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e jornalístico.
50€