13 dezembro, 2018

DELDUQUE, Capitão Adelino - NOTAS DO CAPTIVEIRO. (Memórias d'um prisioneiro de guerra na Alemanha). Lisboa, Depositário J. Rodrigues & C.ª, 1919. In-8.º (18,5cm) de 103, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Diário do autor - prisioneiro de guerra - escrito ao longo do seu período de cativeiro na Alemanha. Trata-se de um dos mais importantes documentos da WW1 que se publicaram sobre o dia a dia - os maus tratos e privações sofridos pelos prisioneiros portugueses nos campos alemães.
"O primeiro grupo de inimigos que chegou até nós, comandado por um graduado inferior, devia constituir uma patrulha de flanco da coluna que avançava pela rua du Bois.
É ele que nos faz prisioneiros, mas a nossa qualidade de oficiaes exigia que só a um oficial nos entregassemos.
A linguagem dos gestos que é universal, mais do que os rudimentares conhecimentos de alemão da nossa parte, de francez da parte do inimigo, fez perceber a nossa reclamação. Durante pois mais de um quarto de hora, de meia hora talvez, sob os ultimos rebentamentos da barragem que agora se alonga, aguardamos a chegada dum oficial.
O captiveiro tinha começado para nós e só a muito custo um ou outro poude conseguir que o deixassem ir procurar quásquer artigos de toilette, qualquer pequena coisa d'essas tantas que tanta falta nos vão fazer.
Os nossos captores não nos tratam mal, antes quasi tomam uma atitude até certo ponto afavel e bastante egualitária nesta situação em tudo desigual, de oficiaes e de soldados, de vencedores e de vencidos. [...]
No entanto chegava o oficial que solicitáramos.
Saudou-nos militarmente, recebeu de nós as nossas armas, transmitiu aos soldados quasquer instruções e com um gesto indicou-nos que nos puzessemos em marcha.
Havia em nós ainda qualquer coisa do atordoamento, do cansaço de nove horas d'um intenso e desconhecido bombardeamento, d'essa qualquer coisa que abrira, que escancarára deante de nós as portas da morte que só o Destino ou a Providência nos livraram de transpôr. A tudo isto juntáva-se agora o sofrimento moral de vencidos. [...]
Alguns metros andados, talvez nem duas centenas, transpostos drenos e arames, contornadas as não sei quantas crateras em que o chão se abria quasi de metro a metro, chegámos até junto d'uma outra fracção inimiga que nos desapossa dos cintos que usavamos."
(Excerto de De Cense de Raux a Salomé la Bassée)
Índice:
- De Cense de Raux a Salomé la Bassée. - De Salomé la Bassée a Carvin. - De Carvin a Lille. - Dois dias de Lille. - Para onde? - Do «Russenlager» á estação de Rastatt. - De Rastatt a Francfort. - De Francfort ao Hannover. - De Hannover ao Campo de Breessen. - Mais Horrores da fome. - Não ha mal que dure sempre. - Abandonados! - A primeira chegada de encomendas. - Arrelias do sr. Mota. - Dos preliminares do armisticio á sua conclusão. - Uma apreciação insuspeita. - Como passamos o tempo. - Como eu sahi da Alemanha.
Adelino Delduque da Costa OC • CvA • OA • ComA • GOA • OSE (Viana do Castelo, 1889 - Lisboa, 1953). "Foi um militar, administrador colonial e escritor português, Coronel de Infantaria do Exército Português, membro do Corpo Expedicionário Português, Chefe do Estado-Maior da Índia Portuguesa e Governador do Distrito de Damão. Nasceu na rua de São Sebastião de Viana do Castelo, atual rua Manuel Espregueira, no seio de uma das famílias mais proeminentes da cidade. Estudou no Real Colégio Militar e na Escola Politécnica de Lisboa, e completou o curso de Infantaria na Escola do Exército. Prestou serviço como alferes na Guarda Republicana e fez parte do Estado-Maior da 5.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português na Primeira Guerra Mundial como tenente do Batalhão de Infantaria nº 10. Foi louvado em ordem de serviço em campanha e combateu na Batalha de La Lys, sendo feito prisioneiro pelas tropas alemãs a 9 de abril de 1918. Durante oito meses e meio de cativeiro, escreveu sob forma de diário entre os campos de Rastatt e Breesen as suas Notas do cativeiro, um dos mais vivos relatos dos acontecimentos que seguiram a derrota portuguesa, assim como das precárias condições em que houveram de sobreviver os oficiais portugueses aprisionados na Alemanha. Finalmente, desembarcou em Lisboa a 17 de janeiro de 1919."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto. Lombada com falhas de papel.
Muito raro.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

12 dezembro, 2018

VILLENEUVE, B. - OS DEVASSOS DE ROMA. Os deuses do amor e da orgia - Messalina no postibulo - Os maridos de Nero e as suas amantes. Lisboa, Emprêsa Literaria Universal, [s.d.]. In-8.º (19cm) de 28, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Folheto sem data - espécie de História do erotismo romano -, publicado no primeiro quartel do século XX, por certo após a instauração da República.
Ilustrado com um bonito desenho na f. rosto e um outro encimando a 1.ª página de texto, após o prefácio.
"Não é a primeira vez segundo creio, que entre nós se publica um livro de historia acerca do erotismo na antiguidade. Estes estudos, pela falsa educação que sempre tivemos em Portugal - educação que a religião até ao fanatismo, contrária a toda a alegria e a todos os praseres da vida - foram sempre vistos com desconfiança e má vontade. Nos proprios conventos, aliás magnificas escolas de volúpia e de praser, foram destruidos quási todos os documentos que pudessem guiar-nos na historia do erotismo - como se o conhecimento dos requintes da vida sexual, produtos de todas as super-civilisações, não fôsse elemento indispensável para a história dos povos.
Êste livro, pois, não é uma obra erótica. Faça-se justiça ao sábio investigador que tão habilmente o conseguiu coligir. É uma obra sôbre erotismo, dando-nos um quadro perfeito e fiel da orgia romana, nos tempos da decadência."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos marginais.
Raro. 
Sem registo na BNP, ou outra fonte bibliográfica.
Indisponível

11 dezembro, 2018

FERREIRA, Cassiano - O OSCULO DA PATRIA. Alocução patriotica aos sobreviventes de 9 de Abril. [S.l.], Papelaria e Tipografia Paleta d'Oiro, [191-]. In-4.º (23,5cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Preito do autor aos soldados portugueses que combateram na Grande Guerra. Narrativa patriótica, algo ingénua, em que o "herói" se envolve no combate com bravura após intervenção 'sobrenatural'.
Opúsculo raríssimo e muito interessante, sem quaisquer referências bio-bibliográficas conhecidas. Impresso em papel encorpado.
"Numa fecunda e linda aldeia de Portugal residia um mancebo de faces tisnadas pelo esbraseante sol do estio. Era um belo rapas, alegre, prazenteiro, tendo sempre a desabrochar-lhe dos labios um eterno e doce sorriso, que retratava a pureza da sua alma limpida e diamantina. [...]
E assim vivia despreocupado e feliz o solicito proletario, quando um dia... - Oh maldição! - a Alemanha declara guerra a Portugal e o honrado cavador é incorporado nas fileiras expedicionarias. [...]
Ei-lo na França, na Flandres, entre milhões de compelidos, oriundos de varios pontos do globo. E quando, já aprestado para a luta com o colosso teutonico, no momento em que a sua vida ia ser jogada tão tragicamente e os pequenitos lá tão longe deixados na orfandade, sem pão, sem agasalho e sem carinho, nesse instante... teve medo de morrer."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP, e sem notícia de qualquer outra fonte bibliográfica.
Peça de colecção.
Indisponível

10 dezembro, 2018

HISTORIA DO IMPERADOR CARLOS MAGNO, E DOS DOZE PARES DE FRANÇA, augmentada com a noticia circumstacial das estaturas, e fisionomias do imperador Carlos Magno, e dos Doze Pares de França. Dividida em tres partes. Traduzida do castelhano em portuguez, com maior elegancia para a nossa lingua. Nova edição. LISBOA: Na Typ. de Mathias José Marques da Silva. 1854. In-8.º (15,5cm) de [8], 464, 16 p. ; E.
Romance de cavalaria, obra clássica da literatura cavalheiresca, originalmente publicado sob anonimato, em França, no século XVI. Conheceria a 1.ª edição portuguesa na primeira metade do século XVIII, em duas partes (1728-1737), sendo seu tradutor Jerónimo Moreira de Carvalho.
"Na era de 467 floreceo o Imperador Carlos Magno, respeitado de todos os Monarcas, pelo seu distincto valor, e de seus Paladinos, de que se faz uma breve descripção.
Carlos Magno era de grande estatura, e mui robusto, com 70 pollegadas de alto, cara espaçosa, e redonda, olhos avermelhados, que indicavão ferocidade ao gesto, cabellos bastante ruços, pernas grossas, e grandes pés; conservava a barba do comprimento de 7 pollegadas; dormia pouco, porque velava parte da noite, occupado em Santos exercicios; era pois observante Catholico e de rectissima justiça."
(Excerto de Noticia circunstancial)
"Mandando Carlos Magno apregoar por todo o Reino, a sua partida contra os Turcos, muitos principaes Cavalheiros, e Senhores grandes se resolvêrão acompanhallo, deixando as suas casas, mulher, filhos e familia, e se ajuntárão em pouco mais de trinta mil homens de peleja, e vendo-se Carlos Magno acompanhado de tão luzida gente, zelosa pela Fé de Jesu Christo, partio de París para Jerusalem, com grande esperança de alcançar victoria, e restaurar as cousas santas.
Chegado á Turquia; entrárão em hum aspero monte, que tinha quinze legoas de comprido e dez de largo; e por cauda da immensidade de Leões, Tigres, Ursos, Guidos, e outros ferozes animaes, soffreo grande ruina no Exercito, e principalmente de noite; e com a fadiga e sobresalto dos ditos animaes; perdêrão os guias o caminho, e não sabião o que havião de fazer; e buscando estrada direita, chegou a noite e se achárão todos cançados, e sem mantimentos.
Vendo isto Carlos Magno, mandou que em huma planicie, que alli estava, se ajuntasse todo o Exercito, e poz nas entradas os soldados, que lhe pareceo estavam mais descançados, para se defenderem dos animaes, que com grande furor os accommettião para fartar a fome; e retirado Carlos Magno junto a huma arvore, se encommendou a Deos, e lhe pedio que tivesse piedade da sua gente."
(Excerto deo Cap. IX, Como Carlos Magno se partio com um grande Exercito para Jerusalem)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Com seis páginas alvo de restauro.
Raro.
Inocêncio não menciona esta edição, que também não se encontra recenseada na BNP.
Indisponível

09 dezembro, 2018

RÉCIO, Manuel e FREITAS, Domingos S. de – FORTUNAS D’ÁFRICA. Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1933. In-8.º (19cm) de 250, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Fortunas d’África é um grito de revolta.
Focando aspectos da vida africana, apenas desejamos vir mostrar, um pouco, a existência amargurada dos trabalhadores indígenas e brancos, e sobretudo a destes, que cheios de ilusões e na ambição justa de trabalharem para si e para os seus se dirigem a terras de África, convencidos que encontram lá, - por serem brancos – o bem-estar e as regalias, que lhes sirvam de incitamento para alcançarem a felicidade e a riqueza, a que se julgam com direito. […] Todos – os míseros que arrastam uma vida de martírio e de trabalho na selva, à luz escaldante do sol, nós que sentimos e escrevemos, romantizando, o seu sofrimento, e os maus patriotas, que visamos também – têm de ser julgados.
O Público – Grande Juiz – ditará o seu veredictum."
(Excerto da introdução)
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal manchada à cabeça.
Invulgar.
10€

08 dezembro, 2018

MORENO, Mateus - SINFONIA MACABRA. Da Guerra e da Paz. Máximas coligidas. Por... [3.ª edição]. [S.l.], Edição da "Alma Nova", 1925. In-8.º (15cm) de [2], XV, [1], 44 p. ; [5] f. il. ; il. ; B. "Colecção Ressurgimento"
Ilustrações de Roberto Nobre R. Migueis e Saavedra Machado.
Curiosa paródia do autor a personalidades alemãs das mais diferentes áreas, tendo a Grande Guerra como pano de fundo.
Livro ilustrado com duas fotogravuras em página inteira com o título "Flandres martir (1914-1918)", reproduzindo uma fotografia do autor - «A igreja de Richbourg S. Vaast, destruida pelos alemães» e o «desenho de um combatente», e 5 caricaturas intercaladas no texto.
"Esta colectânea de algumas das mais arrojadas afirmações da mentalidade alemã, principalmente do último meio século, e a que, dado o caracter de indiscutivel sinceridade com que na grande nação eram colectivamente admitidas, não podemos deixar de dar o titulo de "maximas", é não só uma fotografia, diga-se de passagem, execravel, da alma sanguisedenta da velha raça, mas a própria e insofismável demonstração de que a Alemanha, ao desencadear da recente guerra, estava de ha muito moral e e materialmente preparada para um grande conflicto de potências, de cuja victoria, que reputava "infalivelmente" sua, esperava sair "soberana" absoluta, não já sómente da Europa, mas "de todo o mundo"..." (Prólogo)
Mateus Martins Moreno Júnior (1892-1970). Natural de Faro. “A paixão pela cidade que o viu crescer e pelo Algarve revelaram-se logo na mocidade, através da participação na imprensa e no movimento associativo locais. Presidiu à Academia do Liceu de Faro, onde fez estudos preparatórios. Fundou, em Outubro de 1911, o quinzenário académico A Mocidade, sendo da sua lavra a rubrica «Horas líricas», onde publicou muita poesia.
Em finais de 1914, Mateus Moreno veio para Lisboa para frequentar o curso de Matemáticas da Faculdade de Ciências. Terá sido essa a razão da transição da redação, administração e impressão da Alma Nova para a capital.
Nem mesmo a sua mobilização, em 1917, e ordem de marcha para França, incorporado no C.E.P., como alferes miliciano de artilharia de campanha, conseguiram interromper a atividade como escritor e como diretor da Alma Nova. No entanto, não é de excluir que as dificuldades que a revista registou no cumprimento da periodicidade, no final de 1916 e início do ano seguinte, se ficassem a dever, entre outras causas, à ausência de Mateus Moreno.
Redigiu e publicou alguns livros sobre o conflito militar e estudos técnicos sobre a sua arma, que foram apreciados pela hierarquia do exército. No que se refere à Alma Nova aí foram publicadas 5 cartas com as suas impressões da viagem e da chegada a França.
Terminada a guerra, Mateus Moreno optou pela carreira militar frequentando a Escola de Guerra. Também fez o Curso Superior Colonial, em resultado do qual obteve algumas missões em Angola e desempenhou diversos cargos. Atingiu o posto de Major em 1942.”
(Fonte: https://research.unl.pt/files/3627477/CMF_Anais_de_Faro_2017_miolo_10_A._Paulo_Dias_Oliveira_1_1_1_.pdf)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Esta edição não se encontra recenseada pela BNP.
Indisponível

07 dezembro, 2018

UNIÃO REPUBLICANA - PROGRAMMA E ESTATUTO. Séde. Largo do Calhariz, 17. Lisboa. [Lisboa], [s.n.], [1912]. In-8.º (22cm) de 31, [1] p. a 2 cols (inc. capas)
1.ª edição.
Opúsculo raro, com interesse para a história da República. Trata-se do documento programático e estatutário da União Republicana, partido fundado por Brito Camacho em 1912, que resultou da cisão com o PRP de Afonso Costa.
"O partido político que se denominou União Republicana surgiu anunciado em 26 de Fevereiro de 1912, por iniciativa de Brito Camacho (um dos principais protagonistas do novo regime e director do jornal A Lucta) acompanhado, nessa iniciativa pelos seus “amigos políticos” (expressão muito frequente entre os novos chefes políticos, para se referirem aos seus correligionários); e surgiu – tal como o Partido Evolucionista, que apareceu na mesma altura, por iniciativa de António José de Almeida – de um processo de cisão e demarcação do partido a que todos pertenciam, que fora o seu tronco comum e onde tinham a sua base social de apoio: o Partido Republicano Português.
Aparentemente, a constituição destes novos partidos deveu-se ao radicalismo político no Partido Republicano Português, sob a influência dominante de Afonso Costa.

A União Republicana colhera a sua base social de apoio no Partido Republicano Português. Era nessa base que residia a legitimidade da sua representação política. Tinha, portanto, de a mobilizar e identificar para a sua diferenciação específica, sob o risco de ter um déficit de legitimidade social e a prazo, converter-se numa “patrulha” política (como tantas vezes será apodada pelos “democráticos”) cooperando, instrumentalmente, com os governos que se iam sucedendo no Poder. Para superar estes perigos, a União Republicana, ao constituir-se escolheu uma Comissão Politica e uma Comissão Administrativa (27 de Março); elaborou e publicitou um Programa e publicou uns Estatutos."
(Fonte:https://vilanovaonline.pt/2017/12/17/partidos-e-movimentos-politicos-1910-1974-uniao-republicana-1912-1919-norberto-cunha/)
"A unidade do partido republicano historico manteve-se até ser banida a Monarchia, porque era uma convergencia de forças imposta pela necessidade de produzir o mais rapidamente possivel o maximo effeito util. Havia um programma doutrinario, que todos aceitavam, embora sobre muitos dos principios e disposições que elle consignava, as opiniões fossem varias, e algumas vezes irreducctiveis. Mas uma aspiração commum enfeixava todas as vontades, ruduzia ao systema uma ou outra energia rebelde, que parecia acomodar-se mal dentro da acção que era necessario intensificar para que o triumpho fosse decisivo e rapido.
Tal unidade desapareceu inteiramente ao entrar-se no exercicio normal do regimen republicano, cada qual reivindicando uma ampla liberdade de pensar, e procurando integrar-se em agrupamentos ou partidos que sejam o instrumento de realisação do seu pensamento em materia de administração publica. Taes agrupamentos, para que não tenham o ar e a inconsistencia d'uma multidão gregaria, precisam assentar n'uma solida base de ideias e sentimentos, ideias que sejam communs e sentimentos que sejam reciprocos. A União Republicana é uma agrupamento d'essa natureza, um verdadeiro partido politico, tomadas as palavras no seu alto e rigoroso significado.
O que se propõe fazer?
Propõe-se congregar e disciplinar todas as energias aproveitaveis, por qualquer titulo, na obra de regeneração nacional, que é urgente emprehender e levar a cabo. E porque considera a Republica como o instrumento indispensavel d'essa regeneração, os seus melhores esforços empregal-os-ha na consciente republicanisação do Paiz, servindo-se para isso de todos os meios efficazes e legitimos de propaganda - o jornal, o livro, o folheto, o comicio, a conferencia."
(Excerto do preâmbulo)
Manuel de Brito Camacho (1862-1934). "Nasceu em Aljustrel a 12 de Fevereiro de 1862. Médico, escritor, jornalista (fundando o jornal A Lucta), deputado (pela primeira vez em 1908) e político, seria uma das mais destacadas figuras da República, fazendo a sua iniciação política no contexto do Ultimatum. Teve um papel de alguma importância no '5 de Outubro'. Ministro do Fomento do Governo Provisório, tem uma importante obra legislativa, sendo igualmente da sua autoria o famigerado 'decreto-burla' sobre o direito à greve. Líder do Partido União Republicana, conservador, combate a hegemonia 'afonsista' e as políticas democráticas, nomeadamente a participação portuguesa no teatro de guerra europeu. Apoia, inicialmente, o sidonismo. Depois de 1918 e após a fusão do partido unionista e do evolucionista, desliga-se da política. Aceitará, contudo, em 1921, o cargo de Alto Comissário em Moçambique. Morreu em Lisboa a 19 de Setembro de 1934."
(Fonte: http://www.fmsoares.pt/aeb/crono/biografias?registo=Brito%20Camacho)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Muito raro.
Com interesse histórico.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Peça de colecção.
Indisponível

06 dezembro, 2018

EXPOSIÇÃO HISTÓRICA DA OCUPAÇÃO. Principais factos da ocupação ultramarina (séculos XIX e XX, até à Grande Guerra) - REPÚBLICA PORTUGUESA : Ministério das Colónias. Lisboa, Divisão de Publicações e Biblioteca : Agência Geral das Colónias, 1937. In-8.º (20cm) de 76, [2] p. ; B.
Exposição cronológica da ocupação militar das províncias ultramarinas - no século XIX, desde 1807 (Timor) até Setembro de 1915 (Angola) - com uma breve resenha dos acontecimentos históricos.
1.ª edição.
Matérias:
I. Ocupação militar de Guiné. - Resumo histórico extraído dum trabalho inédito do Ex.mo Sr. Tenente-coronel João José de Melo Migueis.
II. Ocupação militar de Angola. - Resumo histórico organizado pelo Capitão Sr. Gastão Sousa Dias.
III. Ocupação militar de Moçambique. - Resumo histórico organizado pelo Ex.mo Sr. General José Justino Teixeira Botelho.
IV. Ocupação militar da Índia. - Resumo histórico organizado pelo Capitão Sr. A. Delduque da Costa.
V. Ocupação militar de Timor. - Resumo histórico organizado pelo Capitão Sr. José Simões Martinho.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel nos cantos, junto às extremidades da lombada. Páginas com picos de acidez, fruto da qualidade do papel utilizado na impressão do livro.
Pouco vulgar.
15€

05 dezembro, 2018

RÉCITA DE GALA DOS PADRÕES DA GRANDE GUERRA : 10 de Abril 1923 - TEATRO NACIONAL ALMEIDA GARRETT. Lisboa, Imp. Libanio da Silva, 1923. Folheto in-4.º (25cm) de [4]  p. ; B.
Programa da récita de gala, comemorativa do esforço da Raça. Inclui duas poesias inéditas, tanto quanto foi possível apurar, de António Correia de Oliveira, Padrões da Guerra, datada de 1922 (pág. 1) e de Hernãni Cidade, Versos do cativeiro : a saudade, datada de 1918 (pág. 4). As páginas centrais são preenchidas com o rico programa aprontado para a ocasião.
Capas de Augusto Pina.

"Padrões de gloria a quem morreu na guerra
Erguei-os, sim! aos astors do Infinito,
Como Oração, ou Canto heroico, ou Grito,
Enchendo o vale e dominando a serra.

Enchendo o vale e dominando a serra!
Em tronco vivo, em bronzes, em granito,
Padrões de amor em seu alor bendito,
Lembrando eternamente a Nossa Terra."

(Excerto de Padrões da Guerra)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com defeitos marginais.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

03 dezembro, 2018

[MESLIER, Jean] - O BOM SENSO, DO CURA MESLIER. A razão d'um padre. Traducção de M. Com uma noticia de França Borges. Lisboa, Livraria Centreal de Gomes de Carvalho - Editor, 1901. In-8.º (18cm) de 328 p. ; E.
1.ª edição.
Obra polémica de um "padre ateu". Divulgada postumamente, alcançaria notoriedade após a sua publicação parcial por Voltaire, em 1762.
"Este livro que ora apparece precisava de mais alguma cousa a prefacia-lo que d'uma ligeira noticia por mim escripta, rapidamente , despretenciosamente, na lufa-lufa que constitue o meu trabalho quotidiano, sem estudo nem disposição moral.
É um livro que devia ser lançado, espalhado, vulgarizado, como uma obra capaz de formar consciencias e de fortalecer cerebros, lançando as bases d'uma sociedade nova, desacorrentada de preconceitos, illuminada por uma razão livre e por uma moral sã. [...]
Quem foi Meslier?
O que é a sua obra?
João Meslier, filho d'um operario e nascido em 1678[?], foi cura de Etripigny (Champagna), bondoso mas reservado como esses tantos romances nos teem feito visionar á frente d'aldeias povoadas de selvagens bons.
Simples e modesto, não accumulou fortuna á custa dos sacrificios e do fanatismo estupido dos crentes na religião que elle, por officio, serviu.
Cumpridor dos seus deveres, de poucas falas, observador escrupuloso da castidade, dava, todos os annos, aos pobres o que lhe restava das suas despezas.
Morreu em 1733[?], com cincoenta e tantos annos. Suppoz-se que, desgostoso da vida, se abstivera propositadamente de se alimentar, porque, durante a doença, não quiz tomar nada.
Morrendo, deixou o pouco que possuia aos seus parochianos. Em sua casa, encontraram-se trez manuscriptos, de trezentas e tantas folhas cada um, intitulados O meu testamento. Eram trez exemplares da mesma obra.
Junto d'um d'esses exemplares - o que era dedicado aos seus parochianos - via-se um papel com estas palavras:
«Vi e reconheci os erros, os abusos, as vaidades, as loucuras e a malvadez do homem; tenho-os odiado e detestado; não ousei dize-lo durante a vida mas dilo ei moribundo e depois da morte, e é para que o saibam quee faço e escrevo a presente memoria, para que possa servir de testemunho de verdade a todos que a virem e lêrem, se lhes parecer conveniente.»
O Bom Senso é a parte mais importante d'essa memoria e é a que apparece em portugues.
Livro d'um padre, livro sincero, d'um padre bom, que viveu moderadamente, o Bom Senso, como obra de logica, como obra realmente de bom senso, é, todavia, mais que a refutação da sciencia da mentira denominada theologia. É a sua condemnação em forma, é a sua exauctoração solemnissima."
(Excerto de Uma noticia)
Relativamente a esta obra e ao seu autor, com a devida vénia a Hervé Baudry pelo excelente artigo publicado no n.º 20 da Revista Lusófona de Ciência das Religiões (2017), infra deixamos um excerto do mesmo.
Jean Meslier [Mazerny, 15 de junho de 1664 - Étrépigny, 17 de junho de 1729], "pároco, ou cura, de uma aldeia do norte da França, não foi o primeiro ateu da história na era cristã. Também não foi o primeiro homem da história da humanidade que exprimiu uma visão pura e exclusivamente desencantada, ateia, do mundo e da existência. Tinha trinta anos quando nasceu Voltaire (1694-1778), tornou-se padre em 1688 e no ano seguinte instalou-se na sua paróquia, Etrépigny, para aí morrer quarenta anos mais tarde, em 1729, deixando para os vivos a sua obra manuscrita. Define-se este autor como inteiramente póstumo. O título do seu texto é Mémoire des pensées et des sentiments de J... M... [...] pour être adressé à ses paroissiens après sa mort pour leur servir de témoignage de vérité [...]
Os pensamentos e sentimentos de Jean Meslier espalharam-se rapidamente após a sua morte, conhecendo o destino dos manuscritos clandestinos, isto é passando a ser copiados.
Meslier tinha deixado três cópias autógrafas, que apresentam entre si algumas diferenças de pormenor. As cópias dessas cópias nunca são idênticas. Mas esta obra não foi conhecida à grande escala através da integral, mas de extractos correspondendo a menos de dez por cento do original que também se multiplicaram e circularam cedo no mundo francófono do século XVIII. E é a partir de um desses extractos que Voltaire, em 1762, publica o seu próprio extracto, encurtando ainda mais e suavizando o teor do original. Portanto o verdadeiro Meslier não chegou ao público das Luzes em geral. Ficou ateísta de pena. Quanto ao chumbo, passou a divulgar um pensamento falsificado. Nesta tendência, nenhum filósofo, radical ou não, assumiu a obra. Sob o nome de Meslier, D’Holbach inventou um texto, O Bom senso do cura Meslier, que teve êxito até o século XX. [...]
A célebre frase de um homem do povo relatada por Meslier, ilustra o extremismo já mais que moderno ao lado do qual o voltairianismo ocupa de pleno direito o seu lugar de pensamento pequeno-burguês dos futuros Homais. Este homem, escreve o autor, «gostaria de ver todos os grandes da Terra e todos os nobres enforcados e estrangulados com tripas de padres».
O Mémoire de Meslier é a obra secreta de um homem só que sabe não ser o único a pensar dessa maneira. Numerosos, pensa ele, são os sábios que partilham as mesmas verdades sobre as imposturas que denuncia, mas ficam calados. Ele fala por todos, querendo «poder fazer ouvir a [sua] voz». Talvez o seu sofrimento seja mais forte neste aspecto do que do lado psicológico. É uma profunda dor intelectual. A sua voz não faz ouvir um de profundis. A certeza absoluta de deter a verdade, como outros, fundamenta a argumentação materialista e ateia. É movido por uma energia e convicção de homem vivo que não teme a morte. A morte, na reapropriação da palavra ateia em Meslier, é o facto que faz a mediação entre ele, escritor clandestino, e o espaço público. O seu Mémoire é um testemunho. E passou, a partir da segunda edição, anónima, do Extrait de Voltaire (Genebra, 1762) por um testamento, para ficar como o título da edição de 1864. Memória, testemunho, testamento. […] Para Jean Meslier, o escândalo da verdade era para explodir, e não para circular como qualquer rumor. Para ele, o ateísmo não é uma doença vergonhosa. Daí o carácter provisional da declaração e a sua encenação através da revelação póstuma.
O livro é tudo, o autor nada. O Mémoire acaba com estas palavras: «Termino pois isto com o nada. Também já sou pouco mais que nada e, em breve, não serei nada.» Este niilismo não deve passar por marca de desespero, mas antes pelo seu contrário. É precisamente a expressão nas suas próprias palavras do anti-idealismo e do radicalismo ateu."
(BAUDRY, Hervé. Universidade Nova de Lisboa, Anticlericalismo : Ateísmo de pena, ateísmo de chumbo. Jean Meslier entre o silêncio e a explosão. REVISTA LUSÓFONA DE CIÊNCIA DAS RELIGIÕES – nº20 (2017))
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas com defeitos marginais.
Raro.
Indisponível

02 dezembro, 2018

AGUILAR, Eduardo de - ENTRE ESPADAS E AMORES : romance do tempo de Luis XV. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco (Casa fundada em 1890), [1925]. In-8.º (18 cm) de 576 p. ; C.
1.ª edição.
Romance histórico ao gosto da época, dedicado pelo autor a Magalhães Lima.
Capa de Alfredo de Moraes.
"No ano de 1714, Luis XV de França, sentindo-se bastante doente, fez-se transportar de Paris para Versailles, sitio da sua predilecção, mas deveras detestado pelo seu primeiro ministro Colbert, muito principalmente desde que o rei, numa noite celebre de 1684, recebera por esposa, clandestinamente, a senhora de Mantenon, de quem existiam dois filhos, o duque de Maine e o conde de Tolosa. A senhora de Mantenon, viuva do poeta burlesco Scarron, mostrava umas certas disposições para o trono, mas elas mais se acentuaram quando o arcebispo de Paris se prestara á indignidade da ceremonia do casamento, deitando-lhe a benção nupcial.
O rei contava, então, quarenta e sete anos de edade e ela uns cincoenta.
Quando, pois, Luis XV se instalou em Versailles, e a sua enfermidade se ia agravando a cada momento, a habil senhora, conhecendo muito bem as intenções do duque Filipe d'Orleans, pretendeu aniquila-las e, para isso, conseguiu um édito declarando dignos do trono os filhos legitimados do rei."
(Excerto da Introdução)
Eduardo de Aguilar (1875-1942). “Nasceu no Porto a 5 de Março de 1875, falecendo em Lisboa no ano de 1942. Além da função de contabilista que exerceu mais tardiamente, é com ligação à área das letras, nomeadamente através da actividade jornalística, que Eduardo de Aguilar se estreia no plano profissional. Com uma obra literária de cariz popular que oscila entre a tendência neo-romântica e incursões no realismo, Eduardo de Aguilar foi autor do livro de versos Cantigas à Bandarra (1924), a única obra poética que se lhe conhece, tendo-se destacado, sobretudo, enquanto romancista e autor dramático. No âmbito do romance, género a partir do qual granjeou a simpatia da crítica jornalística, publicou, no ano de 1912, A morgadinha de Silvares, a edição a favor da Sociedade das Escolas Liberais intitulada De profundis e O mistério da ressurreição. No ano seguinte, foi autor do romance Tragédias de Roma, que atraiu a atenção e as melhores críticas da imprensa da época, e, em 1921, publicou Amores Trágicos e o romance realista A caminho das trevas. Seguiram-se-lhes Almas gentis de namorados e Os fidalgos do cruzeiro, ambos publicados em 1922, e posteriormente O ilustre Bernardo, Vida de miseráveis e Entre espadas e amores, tendo sido ainda autor do romance campestre Os sinos da minha aldeia (1941)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=43&Itemid=122#porto_01)
Exemplar cartonado, aparado, em bom estado de conservação. Capas apresentam falhas marginais.
Muito invulgar.
Indisponível

01 dezembro, 2018

LUACES, Juan G. de - A GUERRA EUROPEIA DE 1914. (La guerra europea de 1914). Em português y en español. Lisboa, Bertrand, 1940. In-8.º (22,5cm) de 14 p.
1.ª edição.
Curiosa peça bibliográfica da WW1, em edição bilíngue (português/espanhol). Trata-se de um resumo histórico das frentes de combate na Grande Guerra, precedido dos antecedentes que contribuíram para a conflagração.
"Nos Balcãs, as armas aliadas foram, duma maneira geral, desafortunadas. A Bulgária e a Turquia inclinaram-se a favor dos Impérios Centrais. A grécia e a Roménia uniram-se aos aliados. [...]
A intervenção da Itália originou uma nova frente que foi distrair muitas massas de combatentes austríacos. [...]
Portugal declarou a guerra à Alemanha e enviou a França um corpo expedicionário que se bateu com notável valentia, especialmente na batalha do Lys. Também em África as tropas portuguesas lutaram heróicamente ao lado dos aliados, expulsando dos seus territórios tôda a ameaça militar dos alemães."
(Excerto do Os Balcãs. - Os Dardanelos. - A Itália na contenda. - A intervenção de Portugal)
Juan González-Blanco de Luaces (1906-1963). Foi um dos mais prolíficos tradutores do pós-guerra civil. Na década de quarenta publicou mais de cem livros traduzidos para espanhol. Biógrafo, romancista e poeta, Luaces foi um de tantos intelectuais espanhóis cuja trajectória profissional foi interrompida com a Guerra Civil de Espanha e a vitória do bando "nacionalista". A ditadura franquista e a subsequente censura, obrigou-o a deixar o seu trabalho de escritor para se dedicar de corpo e alma à tradução, e poder assim, manter a família.
(Fonte: http://arbor.revistas.csic.es/index.php/arbor/article/view/399)
Exemplar brochado (sem capas) em bom estado geral de conservação. Contém notas manuscritas nas margens ao longo do texto.
Raro.
Indisponível