08 abril, 2019

DIAS, Urbano de Mendonça - O SOLAR DA CASTANHEIRA. [S.l.], Emp. Tip Ltd. de Vila-franca do Campo, 1931. In-8.º (19,5 cm) de 266, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada em Vila Franca do Campo, S. Miguel (Açores).
Romance histórico de cariz regional que retrata as desinteligências de dois ramos de uma tradicional e influente família açoriana - miguelista uma, liberal a outra - ao longo da segunda metade do século XIX, que D. Miguel - o protagonista -, neto do Morgado da Castanheira, procura sanar.
"O Morgado Mateus, mal viu luzir o buraco levantou-se, vestiu-se e foi para a quinta passear.
Mal tinha conseguido dormir nada em quasi toda a noite, com insonias; deitara-se tarde, de estar a conversar com o neto, que chagara na vespera formado de Coimbra, e isso fizera-lhe mal: revirava-se na cama, acendera a luz por duas vezes e maçado, aborrecido, levantou-se então.
A manhã vinha abafadiça, eram as calmas de setembro, mas o Morgado sentia-se bem na alameda de carvalhos, que liga o velho Solar de seus Avós, ao mirante que tinha sobre a rocha, a cincoenta e tantos metros acima dum pequeno areal, onde o mar se espalha. E ali, sob os ramos fechados das carvalheiras copadas, ficou a passear por muito tempo.
O feitor, o João Tomé, não lhe estranhou a madrugada, aquilo era costume e com o rancho dos trabalhadores entrou na alameda. [...]
O João Tomé era também já velho, contava quasi setenta anos; era alto, rosado, alma lavada, o arcaboiço largo, vendia saude. Na Quinta, os trabalhadores chamavam-lhe - o Boi - pela sua força e corpulencia.
 - Lá vem o Boi, diziam eles: - e o João Tomé despontava então do atalho, pesado, manso, a dar as suas ordens.
Fora impedido do Morgado no tempo das lutas do senhor D. Miguel, em que ambos andaram envolvidos; estiveram no cerco do Porto, fizera toda a campanha legitimista. [...]
O Morgado Mateus do Amaral pertencia á velha nobreza legitimista, por cujo ideal se  bateu nos campos de batalha, até ficar vencido.
Nunca desanimou; na vanguarda dos seus batalhara sempre, numa fé segura, que o prestimava e enobrecia, até que, assinada a Convenção de Evora-Monte, epilogo dessas sucessivas traições que abastardaram a Patria, voltou então á terra, dobrou a sua farda de capitão, chamuscada dos combates e internou-se naquela sua quinta da Castanheira, a tres quilometros da Vila, sobre o mar, com dez moios de terra de semeadura, pomar e vinha e fez-se lavrador."
(Excerto do Cap. I, O Solar da Castanheira)
Urbano de Mendonça Dias (Vila Franca do Campo, 1878 - Vila Franca do Campo, 1951). "Jurista, pedagogo, escritor e político açoriano, autor de diversas obras sobre a história dos Açores e temas de cultura popular. Fundou a primeira instituição de ensino pós-primário em Vila Franca do Campo, o Externato de Vila Franca, onde ensinou. Foi administrador do concelho e exerceu diversos cargos autárquicos e na direcção de diversas instituições, incluindo o de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Contracapa com rasgão, alvo de restauro grosseiro.
Raro.
Indisponível

07 abril, 2019

TEIXEIRA, Carlos - A PALEONTOLOGIA E A ORIGEM DO HOMEM. [Por]... Professor da Universidade de Lisboa. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Lousanenese, Lousã], 1967. In-8.º (21cm) de 115, [1] p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
Estudo sobre a origem do Homem, com texto revisto e actualizado da Conferência realizada no Instituto Açoriano de Cultura, em Abril de 1963.
Ilustrado ao longo do texto com reproduções fotográficas em página inteira, e um quadro desdobrável - A geologia do Quaternário e as fases da evolução humana.
"O aparecimento do Homem constitui facto notável na história do mundo, fenómeno biológico de particularíssimo significado, o último (ou, pelo menos, o mais recente e, sem dúvida, o mais importante) acontecimento da cadeia ininterrupta da evolução dos seres vivos.
Surgido sobre a Terra há cerca de um milhão de anos (ou, talvez, um pouco antes), o Homem foi o primeiro ser dotado de capacidade de reflexão e raciocínio, o que confere ao fenómeno da antropogénese carácter verdadeiramente transcendente.
Não pode dizer-se que a história humana seja muito longa. Mas é, sem dúvida, muito complexa. Dela se conhecem, apenas, alguns aspectos revelados pelos estudos de paleontologia."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa ligeiramente manchada no corte lateral.
Invulgar.
Indisponível

06 abril, 2019

CAUFEYNON, Dr. - O ABORTAMENTO : abortamentos naturaes e provocados. Causas naturaes ou accidentaes dos primeiros, perigos e responsabilidades criminal dos segundos. Pelo... Com collaboração de P. Budin, Parteiro em chefe da Maternidade, Professor aggregado á Faculdade e Membro da Academia de Paris. Traducção de A. de Castro (Sócrat). Lisboa, Livraria Portugueza, [191-]. In-8.º (20cm) de 87, [9] pp. ; il. ; B. Bibliotheca de Conhecimentos Medicinaes e Psychologicos, N.º 2
1.ª edição.
Ilustrada com desenhos no texto.
"Ao publicarmos o presente livro tivemos em mira, não só divulgar conhecimentos scientificos uteis e ignorados por certas camadas sociaes menos illustradas, como tambem stygmatizar a pratica infame e odiosa do abortamento provocado com instinctos criminosos, demonstrando bem os seus perigos e as penalidades que os punem."
(Preâmbulo, Ao leitor)
Indice:
Parte Primeira. I. Anatomia - Orgão genitaes: Externos - Internos. II. Physiologia - Ovulação: Menstruação - Fecundação.
Parte Segunda. I. Definição. II. Causas d'abortamento espontaneo. III. Causas d'abortamento accidental. IV. Symptomas. V. Abortamento com intervenção medico-cirurgico. VI. Abortamento criminoso em todo o mundo. VII. O abortamento criminoso perante a lei. VIII. Praticas abortivas. IX. Observações medicas de casos extraordinarios.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Apresenta manchas de oxidação no interior.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

05 abril, 2019

LOURENÇO, Manuel - PÁSSARO PARADÍPSICO. [Ilustrações de Mário Cesariny]. Lisboa, Perspectivas & Realidades, 1979. In-4.º (23,5cm) de 167, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de poesia surrealista.
Ilustrada com três bonitas estampas (colagens) de Cesariny - A noite; A manhã; A tarde.
"M. S. Lourenço nasceu em Sintra com o Sol no Touro, a Lua no Aquário e Virgem no Ascendente, no ano de 1936. Escreveu diversos livros absurdos de Poesia até que morreu no dia 15 de Janeiro de 1973 em Dorchester, Oxfordshire, Inglaterra, ao tomar um banho quente. O seu corpo, durante o banho, revelou para a posteridade o segredo da sua natureza genética: M. S. Lourenço era uma truta. As suas escamas caíram uma a uma e foram finalmente engolidas pelos esgotos do condado.
Jaz no estrume de Dorchester com a esperança de se tonar num cacto."
(Retirado da contracapa, Um obituário afectivo)
Manuel António dos Santos Lourenço (1936-2009). Conhecido por M. S. Lourenço, foi um filósofo, tradutor e escritor português, e professor catedrático jubilado de Lógica e Filosofia da Matemática no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo sujas e manchadas.
Invulgar.
Indisponível

04 abril, 2019

OLIVEIRA, Maurício de - LEOTTE DO REGO. No primeiro centenário do nascimento de um marinheiro ilustre : reportagem de uma vida. Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1967. In-4.º (24,5cm) de 167, [5] p. ; XXXV p. il. ; [2] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do Contra-Almirante Leotte do Rego (1867-1923), distinto marinheiro e prestigiada figura da República.
Muito ilustrada no texto e em separado, a p.b. e a cores, com fac-símiles, desenhos e fotogravuras.
Livro duplamente valorizado pelas dedicatórias autógrafas do autor, e do filho mais velho do biografado, Luís Leotte do Rego.
"Foi um homem honrado que não fez fortuna, mas deixou a lição da sua vida a filhos, netos e bisnetos. Serviu com honradez a Monarquia e a República, não se aproveitando de nenhum dos regimes."
(Fonte: naval.blogs.sapo.pt)
"Completará este ano um século de existência - se fosse vivo - alguém que se revelou personalidade de singular evidência na vida pública e no meio naval deste país: Jayme Daniel Leotte do Rego, oficial ilustre da Armada, combatente das campanhas de Moçambique, governador ultramarino, parlamentar fogoso, chefe militar austero, comandante das forças navais na primeira Grande Guerra e, a par de tudo isso, homem honrado e cidadão possuidor de uma alma generosa e das mais belas virtudes cívicas."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
35€

03 abril, 2019

MONIZ, Nuno Álvares Pereira Pato - AGOSTINHEIDA : poema heroi-comico, em 9 cantos. Lisboa: Na Impressão de J. N. Esteves e Filho. Anno de 1833. In-16.º (11 cm) de 149 p. ; E.
Sátira ao poema Gama de José Agostinho de Macedo, inimigo figadal do autor, que proclamava ser esse seu poema de categoria superior aos Lusíadas de Camões.

"Eu, que, nos sons de Clio, ou nos de Eutér-
Ou já nos de Melpómene, cantava [pe,
Prazeres, e paixões, virtude, e gloria;
Agora, zombeteiro flauteando,
Canto o Camões da Rua da Bombarda
Que, d'Epico furor doudo varrido,
Poz do de Velho Camões a calva á-mostra,
Expondo aos Mares novamente o Gama. Deste furor as cauzas me revéla
Ó Deosa, ó Nynfa, ó Musa galhofeira;
Abre-me os Cofres teus, e entorna a-froxo
Aureas facécias que com mão profúsa
Soltaste outr'ora no Lutrin, no Hyssópe...
"

(Excerto do Canto I)

Encadernação coeva em meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
45€

02 abril, 2019

RAMALHO, Augusto Soares - OS SONHOS : estudo de Psychophysiologia. Dissertação inaugural. Apresentada e defendida perante a Escóla Medico-Cirurgica do Porto. Sob a presidencia do ex.ᵐᵒ snr. Miguel Arthur da Costa Santos. Porto, Typographia Occidental, 1881. In-8.º (21,5cm) de 83, [5] p. ; B.
1.ª edição.
"A sciencia moderna comprehende no seu seio tantos mysterios insoluveis que um passo, pequeno que seja, dado na direcção conveniente, representa sempre um progresso. É verdade que muitas vezes o que se arvora em principio, vem os factos mostrar que era apenas uma simples hypothese. Mas isto não quer dizer que o passo dado em falso foi inutil.
É da comparação de factos contrarios e oppostos que ha de saltar a verdade.
Quantas vezes não vem os factos dar um novo testemunho ás verdades adquiridas! Mas tambem quantas vezes não vem com a sua foice destruidora derrubar o que estava estabelecido e dar até uma nova orientação á sciencia!
Em psychologia as difficuldades sobem de ponto.
A metaphysica invadindo os espiritos mais esclarecidos, insinuando-se traiçoeiramente e agarrando-se tenazmente ao ultimo reducto onde se refugiou e que defende a todo o transe, constituiria um quadro desolador, se no meio d'esta confusão não apparecessem alguns espiritos illustrados e generosos que despedaçaram completamente as carcomidas peias theologicas."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. // Primeira Parte. I - Impressões e suas transformações. II - Fixação das impressões e reviviscencia correspondente. III - O somno. Segunda Parte. I - Mecanismo da producção dos sonhos. II - Classificação dos sonhos e sua importancia em semiotica. // Proposições.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
30€

30 março, 2019

COULANGES, Fustel de - A CIDADE ANTIGA : estudo sobre o Culto, o Direito e Instituições da Grecia e de Roma. Traducção de Sousa Costa. 2.ª edição. Volume 1.º [e Volume 2.º]. Lisboa, Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira, 1919-1920. 2 vols in-8.º (17,5cm) de 691, [1] p . (núm. contínua) ; E.
"A Cidade Antiga (La Cité Antique), publicado originalmente em 1864, é o livro mais famoso do historiador francês Fustel de Coulanges (1830-1889). Seguindo o método cartesiano, e baseado em textos de historiadores e poetas antigos, o autor investiga as origens das instituições das sociedades grega e romana. No início da obra, em Introdução, o autor adverte para o erro que constitui analisar os costumes de povos antigos com os parâmetros actuais, sendo necessário despir-nos de preconceitos a respeito desses povos e estudá-los à luz dos factos.

O fundamento das instituições dos povos grego e romano, para os historiadores, estava na religião e no culto. Cada família tinha a sua crença, os seus deuses e o seu culto. As regras de propriedade, sucessão, etc., eram reguladas por esse culto. Com o tempo, a necessidade levou os homens a relacionarem-se mais, e as regras que regiam a família foram transferidas para unidades cada vez maiores, até se chegar à cidade. Portanto, a origem da cidade também é religiosa, como indica a prática da lustração, cerimónia periódica onde todos os cidadãos se reuniam para serem purificados, e os banquetes públicos em homenagem aos deuses municipais. Mas as leis eram privilégio da aristocracia, o que logo gerou grande desconforto junto do povo e ocasionou as primeiras revoluções, que alteraram o fundamento da sociedade da religião para o bem-comum. Essa cidade ainda se transforma durante algum tempo, até à sua extinção com a chegada do cristianismo."
(Fonte. wikipédia)
"Propômo-nos mostrar aqui por que principios e regras foram governados a sociedade grega e a romana. Reunimos no mesmo estudo os Romanos e os Gregos, porque estes dois povos, que eram dois ramos d'uma mesma raça e que falavam dois idiomas derivados da mesma lingua, tiveram tambem um fundo de instituições comuns e atravessaram uma serie de revoluções semelhantes.
Esforçar-nos-hemos, sobretudo, por tornar evidentes as differenças radicaes e essenciaes que distinguem sempre estes povos antigos das sociedades modernas. O nosso systema de educação, que nos obriga a viver desde a infancia no meio dos Gregos e dos Romanos, habitua-nos a compará-los comnosco, sem cessar, a julgar a sua historia como nossa e a explicar as nossas revoluções pela d'elles. O que d'elles conservamos e que nos legaram, faz-nos crêr que a elles nos assemelhamos; contrariamo-nos considerando-os povos estrangeiros; n'elles, quasi sempre, nos vêmos a nós proprios. D'ahi procedem muitos erros.
Enganamo-nos, forçosamente, quando apreciamos estes povos antigos atravez de opiniões e factos do nosso tempo. [...]
A historia da Grecia e de Roma é um testemunho e um exemplo da estreita relação que existe sempre entre as ideias da intteligencia humana e o estado social d'um povo. [...]
Que significam essas instituições lecedemonias, que nos parecem contrarias á natureza? [...]
Mas em frente d'estas instituições e d'estas leis, collocae as crenças; os factos tornar-se-hão logo mais claros e a explicação d'elles apresentar-se-ha por si propria, Se, remontando ás primeiras idades d'esta raça, isto é ao tempo em que ella fundou as suas instituições, se observa a ideia que ella fazia do ser humano, da vida, da morte, da segunda existencia, do principio divino, percebe-se uma íntima relação entre essas opiniões e as regras antigas do direito privado, entre os ritos que derivaram d'essas crenças e as instituições politicas."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Livro Primeiro - Crenças antigas. Livro Segundo - A familia. Livro Terceiro - A cidade. Livro Quarto - As revoluções. Livro Quinto - Desapparece o regimen municipal.
Encadernação inteira de carneira com rótulo negro e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Trabalho de traça (sem expressão) no pé, visível nas primeiras e derradeiras páginas do volume.
Invulgar.
20€
OLAVO, Americo - NA GRANDE GUERRA. Lisboa, Guimarães  C.ª, 1919. In-8.º (19 cm) de 277, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Livro de memórias de Américo Olavo, oficial do C.E.P., combatente em França, na Grande Guerra.
“Nos começos de maio de 1917, foi anunciada a convocação dos elementos da minha unidade cuja partida foi marcada para meiados do mesmo.. Não ha quem não tenha sentido apertar-se-lhe o coração ao receber a nova te der que deixar por tempo indeterminado, ou talvez para sempre, familia, casa, amigos, as mais fundas e mais queridas afeições. Ha apenas quem o tenha sabido disfarçar.
Chegou o dia da partida. Imaginei sempre que alguns dos meus homens tivessem relutancia em embarcar, e preparei-me para qualquer surpresa que surgisse. Todos eles apareceram porem, tristes uns, é certo, mas dispostos a cumprirem o serviço que a Patria d’eles reclamava.
As perturbações especialmente provocadas para trazerem impedimento ou ao menos embaraço ao embarque, não surtiram o efeito desejado. E na manhã de 24, tendo tomado o comando dos meus soldados, com eles me dirigi para o caes, entrando para o transporte D, que nos deveria conduzir ao porto de Brest…”
(Excerto da primeira parte, A declaração)
Matérias:
- A declaração. - A viagem. - Em Avroult. - Os amores. - Aprendisagem. - Messe. - Em tirocinio. - Miserias. - Enguinegattes. - Le Thouret. - Fósse. - A caminho de Fauquissart. - De Fauquissart a Paradis e de Paradis a Neuve Chapelle. - Combatentes e cachapins. - Fracos e Valentes. - Visitas. - O Artista. - Dia de perseguição. - Paradis. - Champigny – Neuve Chapelle. - Na reserva. - Semana de sangue. - Um raid. - A ofensiva de 9 d’abril.
Américo Olavo Correia de Azevedo (1882-1927). “Nasceu no Funchal a 15 de Dezembro de 1882 e morreu em Lisboa a 8 de Fevereiro de 1927. Ingressou no Exército e já depois de concluído o curso de Infantaria na Escola do Exército formou-se também em Direito. O seu envolvimento em todas as conspirações republicanas, que se seguiram à ditadura franquista e até à implantação da República, valeram-lhe um lugar no gabinete do ministro da Guerra no governo provisório e a eleição, em 1911, como deputado, cargo para o qual foi sendo eleito de forma sucessiva até 1925. Fez parte do CEP enviado para França, onde por feitos de guerra foi o primeiro oficial a receber a Torre-e-Espada e esteve prisioneiro dos alemães, experiência da qual resultou um livro que chamou Na Grande Guerra. Entre 8 de Março e 6 de Julho de 1924 foi ministro da Guerra. A sua passagem por esta pasta ficou marcada pela revolta dos oficiais aviadores, ocorrida em Junho.”
(Fonte: primeirarepublica.org)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

29 março, 2019

VILELA, A. Lôbo - O DESTINO HUMANO. Rio de Janeiro, Editorial Inquérito, 1941. In-8.º (19cm) de 269, [3] p. ; B. Col. Ensaistas Contemporâneos
1.ª edição.
"Aqui tens, caro leitor, magnífico repositório de argumentos e conclusões pertinentes ao problema instante e, por assim dizer, máximo em função de consciência humana - a sobrevivência e imortalidade da alma.
Com invejavel paciência e superior critério analítico, só presumíveis nos legítimos pioneiros da Verdade em marcha a seu tempo, e para o seu tempo, o autor condensou nestas páginas o que de melhor se pudera recolher nos vastos quão fecundos campos da Palingenésia em seu tríplice aspecto: filosófico, científico, religioso. [...]
Ao Espiritismo, em sua feição actualizada, fortalecida pela técnica experimental, directa, objectiva, estaria reservada a glória de rasgar o velarium da metafísica.
O fenómeno das materializações concretas perdeu o caracter sobrenatural, estupefaciente e gerador de teorias mais ou menos hipotéticas e abstrusas, para tornar-se apanágio de lei universal."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio. Pórtico. I - A crença na imortalidade. II - O culto dos mortos. III - A crença na ressurreição. IV - A natureza da alma. V - A vida póstuma. VI - Manifestações espiritas. VII - A tradição palingenésica. VIII - As provas da palingenésia. IX - Conhecimentos inatos. X - O problema do mal. XI - A Regressão da memória.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas escurecidas. Mancha de humidade à cabeça, transversal a toda a obra. Recortes de jornais sobre fenómenos "inexplicáveis" no verso da f. rosto e página seguinte.
Raro.
Indisponível

28 março, 2019

NORONHA, Eduardo de - D. ANTÓNIO, PRIOR DO CRATO. Por... I Volume [II Volume]. Pôrto, Livraria Civilização, 1938. 2 vols in-12.º (14cm) de 304 p. e 282, [2] p. ; B. Colecção Civilização : Série Amarela, 87, 88
1.ª edição.

Biografia romanceada de D. António, Prior do Crato, filho natural do Infante D. Luís e neto de D. Manuel I, tendo sido um dos candidatos ao trono português durante a crise sucessória de 1580. Destinado por seu pai à vida eclesiástica, abraçou a causa da pátria com a espada e chegou a ser aclamado "Defensor de Portugal". Participou nas expedições em África, foi pretendente à Coroa, e lutou contra o domínio filipino. Apesar de derrotado na batalha de Alcântara, a 25 de Agosto de 1580, segundo alguns historiadores, foi aclamado rei de Portugal (o 18.º) e reinou efectivamente, em 1580, durante um curto espaço de tempo no continente, ficando, desde então e até 1583, a sua autoridade confinada a algumas ilhas dos Açores.
"D. Henrique espirara a 31 de Janeiro de 1580, pelas onze da noite. Já com um pé para além do limiar da Eternidade ainda ouvia as sugestões do duque de Ossuna e de D. Cristovam de Moura.
Os governadores do reino deliberaram celebrar as exéquias no dia imediato, 1 de Fevereiro. O cadáver dessa sombra de rei estendeu-se numa magnífica urna, alfombrada de finíssimos panos de linho. A peste que grassava em Lisboa, impedia que os seus despojos terrênos fossem transladados para Belém, para junto de seus pais e irmãos. Seria cruel obrigar a côrte a arrostar tão mortífera calamidade. Resolveram, pois, depositá-lo de momento na capela de Almeirim.
Em presença do mirrado cadáver, tão sêco de corpo como de espírito, pactuaram-se umas tréguas entre os representantes das múltiplas facções. Só durarião, porém, o espaço que elas durassem.
As argolas do ataúde, às da direita, pegaram o duque de Bragança, o comendador-mór de Cristo e o comendador-mór Manuel de Melo; às da esquerda, o conde de Tentugal, o de Linhares e D. Afonso de Castelo Branco. Acaudatavam o préstito Máximo Gonçalves da Câmara e o conde de Sortelha D. Diogo de Sousa."
(Excerto do Cap. IV, Em busca do trono)
Exemplares brochados em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. Discreta rubrica de posse nas folhas de rosto.
Muito invulgar.
Indisponível

27 março, 2019

ALMEIRIM, Zarco d' (João Pereira do Rio) - A CATEDRAL BRACARENSE : visita de estudo artístico. [Por]... S. C. da Sociedade de Geografia de Lisboa. África Ocidental - Lubango, Editor: Joaquim Fernandes dos Santos, 1931. [Na capa, Coimbra, Coimbra Editora, 1931]. In-8.º (20,5cm) de 70, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Roteiro artístico da Sé de Braga em forma de diálogo.
Ilustrado com um retrato do autor.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas, com defeitos e falhas de papel.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
10€

26 março, 2019

ANDRADE, Eugénio de - DAQUI HOUVE NOME PORTUGAL. Antologia de Verso e Prosa sobre o Porto, organizada e prefaciada por... Selecção artística e arranjo gráfico de Armando Alves. [Porto], Editorial Inova Limitada, [1968]. In-4.º (28cm) de 391, [11] p. il. ; E.
1.ª edição.

Desta Antologia de Verso e Prosa - Homenagem da Editorial Inova à Antiga, Mui Nobre, sempre Leal e Invicta cidade do Porto, nas comemorações dos dois mil e cem anos da presúria de Portugale por Viamara Peres - fizeram-se: Uma tiragem, rubricada por Eugénio de Andrade, de mil e quinhentos exemplares, numerados de 1 a 1500 [o presente exemplar leva o N.º 0725], e cem exemplares, fora do mercado, numerados de 1501 a 1600, encadernada em linho no formato 28x22,5 cm e ilustrada com 30 gravuras, 80 fotografias a preto e branco e 24 fotografias a cores. Destinados, exclusivamente, a acompanhar esta tiragem, reproduziram-se a cores dez quadros com motivos do Porto, apresentados em carteira própria. Na caixa reproduziram-se duas páginas do foral dado por D. Manuel I, em 1517, à cidade do Porto.
Belíssima antologia, edição de apurado sentido gráfico e estético, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada a p.b. e a cores. Textos de Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara, Luís de Camões, Frei Luís de Sousa, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Alberto Pimentel, João Chagas, António Nobre, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, José Régio, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Agustina Bessa-Luís, entre outros.
Dez quadros com motivos do Porto da autoria de Henrique Pousão, Eduardo Viana, Abel Salazar, Dórdio Gomes, Alvarez, António Cruz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Armando Alves.
Exemplar em bom estado de conservação. Caixa-estojo com defeitos.
Invulgar e muito apreciado.
115€

25 março, 2019

CHIADO, Antonio - LETREYROS // MUYTO SENTENCIOSOS, // OS QUAES SE ACHARAM // EM CERTAS // SEPULTURAS // DE ESPANHA, // FEYTOS POR // ANTONIO CHIADO, // EM TROVAS // As quaes Sepulturas elle vio. E hua Regra // Spiritual que elle fez ao Geral de S. fran- // cisco, e assi hua petiçam que o mesmo // Chiado fez ao Commissayro, e a re- // posta do Geral feita por Af- // fonso Alveres. // Nova ediçam copiada fialmente de outra mais // antiga do que aquella que dá noticia // a nossa Bibliotheca. // LISBOA // Na Offic. de Simão Thaddeo Ferreira. // ANNO M. DCC. LXXXIII. // Com licença da Real Meza Censoria. In-8.º (16 cm) de 43, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética de António Ribeiro Chiado - o Poeta Chiado -, contemporâneo de Camões, que dá nome a um conhecido largo da Baixa de Lisboa.
Trabalho que, pelo seu conteúdo, pode ser considerado uma 1.ª edição, uma vez que, além dos Letreyros, publicados originalmente no início do século XVII, integra outras poesias inéditas.

Autor.

ESTES Letreyros achey
Em jazigos differentes,
E sam muyto excelentes,
E eu por tais os notey,

Tome-os vossa Senhoria,
E tenha-os por seu espelho,
E de meu fraco concelho;
Lêa nelles cada dia.

Em huma See, de nossa Espanha,
Correndo as estações,
Topey com hua pedra estranha
A qual nunca vi tamanha,
Posta sobre dous Liões.

Tinha em cima humRey armado; Com Corôa Imperial,
Na mesma pedra lavrado,
E tinha por seu ditado
Nam me chegou Anibal.

Cuido que lhe vi na mam,
Hua gram maça por cetro,
E tinha os pees n'hu Alam,
Muito mór que hum Liam,
E dizia a letra em metro."

Letreyro.

Dentro está o muito forte
Invencible Emperador,
O qual sendo desta forte
Ho venceo tambem a morte
Como a qualquer lavrador.

(1.º Letreyro)

António Ribeiro Chiado (1520?-1591) "Poeta jocoso que viveu no século 16. Era conhecido pelo Chiado, por ter morado muitos anos em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, nome que se conservou até meados do século 19, em que foi mudado para o de rua Garrett. Nasceu num humilde arrabalde de Évora, e faleceu no ano de 1591. Quis professar na Ordem de S. Francisco, mas não se lhe dando por válida a profissão, passou o resto da vida como celibatário, vestido sempre com hábito clerical. Apesar de não ser muito douto, tinha verdadeiro talento e bastante conhecimento das boas letras. Improvisava versos com a maior facilidade, mais pelo impulso da natureza, que de arte, sendo os seus versos muito jocosos e joviais, provocando festivos aplausos a quem os escutava. Também imitava com muita propriedade e galanteria as vozes e os gestos de diversas pessoas conhecidas. Todos estes predicados lhe alcançaram a estima geral e a maior popularidade.
Escreveu dois autos, que se imprimiram depois da sua morte, e em que seguia os modelos de Gil Vicente. São os seguintes: Auto de Gonçalo Chambão, Lisboa, 1613, 1615 e 1630; parece que anteriormente houve outras edições, ainda em vida do autor; Auto da natural invenção, que, segundo diz Barbosa Machado, foi representado na presença de D. João III, e se imprimiu, mas não declara quando, nem onde. Escreveu também umas obras religiosas, provando assim a sua afeição ao hábito franciscano que vestia, apesar de não ter podido ser frade. São elas as seguintes: Filomena dos louvores dos Santos com outros cantos devotos, Lisboa, 1585; consta de vários géneros de versos; Letreiros sentenciosos, os quais se acharam em certas sepulturas de Espanha feitos em trovas, Lisboa, 1602. Destes Letreiros, diz Farinha, que vira outra edição mais «antiga, feita em letra quadrada», e sem ano nem lugar de impressão, a qual estava na livraria real; diz mais, que nesta edição, além dos letreiros, vinham outras peças, o que tudo ele reimprimiu, publicando uma colecção cujo título é: Letreiros muito sentenciosos, os quais se acharam em certas sepulturas de Espanha, feitos por António Chiado em trovas, as quais sepulturas ele viu. E uma regra espiritual que ele fez ao Geral de S. Francisco, e assim uma petição que o mesmo Chiado fez ao Comissário, e a reposta do Geral, feita por Afonso Alvares, Lisboa, 1783. Na livraria de D. Francisco Manuel de Melo, que passou para a Biblioteca Nacional de Lisboa, existiam num livro de miscelâneas, os três seguintes autos: Pratica Doyto feguras; Auto das Regateiras; Pratica dos compadres. António Ribeiro Chiado deixou muitos manuscritos, cujos títulos vêm mencionados na Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado, vol. I, pág. 373."
(Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/ribeirochiado.html)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel. Mancha de humidade antiga, no pé, transversal a toda a obra. Deve ser aparado e encadernado.
Raro.
Peça de colecção.
50€

22 março, 2019

PRAÇA, J. J. Lopes - HISTORIA DA PHILOSOPHIA EM PORTUGAL NAS SUAS RELAÇÕES COM O MOVIMENTO GERAL DA PHILOSOPHIA. Por... Volume I. Coimbra, Imprensa Littteraria, 1868. In-8.º (20cm) de VIII, 254, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a História da Filosofia em Portugal, dos primeiros com estas características publicados entre nós. Inclui um estudo sobre os filósofos portugueses mais antigos e notáveis.
Trata-se da rara edição original deste ensaio de Lopes Praça, inicialmente pensada para incluir um segundo volume que nunca viria a ser publicado.
"Um povo é um individuo collectivo. Antes de pensar fala. Antes de reflectir já se manifesta. Mas verdadeiramente autonomico só se torna quando pensa e diz, quando reflecte e executa. A primeira phase realiza-se na infancia e adolescencia dos povos; a segunda na adolescencia e virilidade dos mesmos. Isto em these, pondo de parte as gradações e variantes da hypothese.
Estes dois periodos dos povos não se  fundamentam na exclusão radical dos elementos, que os constituem; mas unicamente no predominio mais ou menos sensivel, mais ou menos notavel d'este ou d'aquelle elemento. A espontaneidade é mais heroica, mais desaffrontada, mais divina. A reflexão é mais humana, mais prudente, mais meritoria, mais autonomica. [...]
Muita gente instruida qualificou de chimerica o nosso proposito. Nenhum philosopho illustre se conhecia nos Fastos da Historia Portugueza. Não tinhamos um nome illustre que nos guiasse, um fio de Ariadna que nos dirigisse, um luzeiro que nos norteasse. Edificámos no vacuo. Investigámos os materiaes, e apurámol-os, na estreiteza do tempo, pelos cahos das Bibliothecas, que podémos visitar, algemados pela pobreza e singularidade dos nossos recursos moraes e materiaes."
(Excerto do preâmbulo, Duas palavras)
"A Historia da Philosophia tem por objecto expôr e criticar as tentativas do espirito humano em ordem a resolver todos os problemas, que se tem ventilado através dos seculos , nos dominios da Philosophia.
O nosso fim, escrevendo este livro, é visivelmente mais limitado, sem que deixemos todavia de participar, em grande escala, das difficuldades com que teem a luctar os historiadores da Philosophia. Por maiores, porém, que sejam as difficuldades, não é menos certo que não ha estudos nem mais interessantes, nem mais elevados."
(excerto da Introducção Geral)
Matérias:
Introducção Geral. Primeiro Periodo: Desde o começo da Monarchia até D. João III, ou desde os fins do seculo XI até 1521: I. Noticia biographico-critica dos mais notaveis Philosophos Portuguezes que floresceram desde a independencia de Portugal até 1521. II. Da Philosophia nas escholas de Portugal desde o principio da Monarchia até 1521. III. Movimento da Philosophia na Europa. Segundo Periodo: Desde D. João III até D. João V, ou desde 1521 até 1706: I. Noticia biographico-critica dos mais notaveis philosophos desde D. João III até D. João V. II. Da Philosophia nas escholas de Portugal desde desde D. João III até o reinado de D. João V, ou desde 1521 até 1706. III. Movimento da Philosophia na Europa. Terceiro Periodo: Desde D. João V até o fallecimento do Sr. Silvestre Pinheiro Ferreira, ou desde 1706 até 1846: I. Noticia biographico-critica dos mais notaveis Philosophos Portuguezes desde D. João V até o Sr. Silvestre Pinheiro Ferreira II. Da Philosophia nas escholas de Portugal desde desde D. João V até 1848. III. Movimento da Philosophia na Europa.
José Joaquim Lopes Praça (1844-1920). "Jurista, professor universitário e historiador da Filosofia em Portugal (n. Castedo, Alijó, 1844, m. Montemor o Novo, 1920). Feitos os preparatórios de Humanidades, ingressou no Seminário Arquiepiscopal de Braga, concluindo Teologia (1862), matriculando-se depois nas Faculdades de Direito e de Teologia em Coimbra, optando por Direito, cuja licenciatura obteve (1869). Nomeado professor para a sua terra natal, reingressou nos estudos universitários, com o fito de preencher uma vaga na Faculdade de Direito, para o que apresentou uma tese em 1870, mas não obteve o que desejava, por isso regressando a Montemor, onde fomentou os estudos históricos sobre a localidade. Obtém colocação no Liceu Central de Lisboa, mas o seu objectivo continuava sendo o de uma carreira universitária. Em 1881 concorre a uma de três vagas na Faculdade de Direito coimbrã, defendendo tese sobre "O Catolicismo e as Nações Católicas", sendo nomeado professor substituto da 15.ª cadeira. Perceptor e mestre de Filosofia do príncipe D. Luís e do Infante D. Manuel (1904), o regicídio de 1908 foi para ele um golpe tão duro que se retirou por completo da vida pública, apenas mantendo correspondência com alguns amigos, entre eles Ferreira Deusdado e Tiago Sinibaldi, deixando documentada em cartas a sua transição do krausismo para uma sóbria adesão ao neotomismo. Os dois aspectos mais significativos da sua obra são o de especialista de Direito Constitucional e o de historiador da nossa Fitos. Em Fitos. do Direito começou por seguir Kant, que preferia a Krause, mas, nos Estudos sobre a Carta (1878), elogia a difusão das teses de Krause, apreendidas através dos discípulos belgas Ahrens e Tiberghien, e que, no nosso país, se radicaram através do magistério de Vicente Ferrer Neto Paiva. Sendo um dos primeiros constitucionalistas portugueses, mostrou total adesão ao jusnaturalismo de Ferrer e de José Dias Ferreira, que muito admirava, tendo chegado a prometer competente estudo sobre o pensamento desses autores, no 2.° vol., projectado mas irrealizado, da sua História da Filosofia em Portugal. Estudante, ainda, influenciado pelos estudos históricos peculiares ao romantismo, e pelo exemplo de Alexandre Herculano, feria o a inexistência de uma panorâmica da fitos. em Portugal. Decidiu, por isso, investigar e escrever a História da Filosofia em Portugal nas safas Relações tona o Movimento Geral da Filosofia, prevista para 2 vols., de que só o primeiro saiu (1868). Lopes Praça tem noção das limitações do trabalho quando afirma: "Não nos levem a mal o título do livro. Chamamos-lhe o que desejávamos que ele fosse, e não o que realmente é". No título, o plano supõe uma leitura paralela comparativa da filosofia europeia com a filosofia em Portugal, e o autor consegue isso, mediante a alternância dos capítulos, que, desse modo, dá ao livro o carácter de "história universal". O propósito da obra acha se na mesma definição do objecto de História da Filosofia: "expor e criticar as tentativas do espírito humano... nos domínios da Filosofia". A amplitude temporal define se entre a escolástica medieval, assumida a partir do começo da independência política portuguesa, até meados do séc. XVIII, mediante a obra ecléctica de Silvestre Pinheiro Ferreira. L.P. não nos propõe uma noção específica de "filosofia portuguesa", preferindo, dada a sua ideia de universalidade da filosofia, a noção de "filosofia em Portugal", enquanto o seu itinerário através do tempo se apoia mais nos filósofos do que na sequência tética intrínseca ao discurso da filosofia na história. Com tudo isso, é, sob o impulso iniciado por L.P., que entre nós se desenvolve "o estudo biográfico e histórico-cultural".
(J. de Carvalho, v. Bibl., p. 153, in http://www.dodouropress.pt/)
Encadernação em meia de pele, ao gosto da época, com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada com pequenos defeitos e selo de biblioteca.
Raro.
Indisponível
HORTA, Maria Teresa - AMBAS AS MÃOS SOBRE O CORPO. Narrativas. Lisboa, Publicações Europa-América, 1970. In-8.º (19cm) de 124, [8] p. ; [1] f. il. ; B.
1ª edição.
Com um retrato extratexto.
Primeiro romance da autora.
Muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa.
"Ambas as Mãos sobre o Corpo é o primeiro livro de ficção de Maria Teresa Horta. Trata-se de um conjunto de cartas narrativas que, fundindo-se, numa mais ampla narrativa, ou num romance. [...]
Obra espectral e cruel, porventura uma das mais inquietantes da moderna literatura portuguesa, Ambas as Mãos sobre o Corpo revela um profundo talento de ficcionista e confirma o génio de um dos mais destacados poetas da sua geração."
(Excerto da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

21 março, 2019

HERCULANO, A. - DA ESCHOLA POLYTECHNICA E DO COLLEGIO DOS NOBRES. Por... (Deputado pelo Porto). Lisboa: Na Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis. 1841. In-fólio (31,5cm) de 19, [1] p.
1.ª edição.
Opúsculo publicado a propósito do Projecto de Lei apresentado por José Manuel Botelho, Deputado por Lamego, que contemplava a extinção da Escola Politécnica e o restabelecimento do Colégio dos Nobres, intenção que contrariava, e muito, a ideia que Alexandre Herculano tinha da utilidade de um e outro estabelecimento de ensino, e que o levou a refutar com fina ironia, ponto por ponto, os fundamentos do projecto, defendendo a manutenção da Escola Politécnica.
Trata-se de uma das mais antigas e interessantes obras do insígne historiador, com relevância para a história da instrução em Portugal, e que não mais viria a ser reeditada.
"Em tres pontos se divide a questão alevantada pelo projecto de lei do Senhor Deputado por Lamego ácerca do restabelecimento do Collegio dos Nobres, e destruição da Eschola Polytechnica: - questão sobre a origem da dotação em bens da fazenda, que passou daquelle para este instituto; - questão da importancia litteraria relativa entre ambos; - questão d'economia, quanto á despeza que faziam os estabelecimentos supprimidos pela creação da Eschola, comparada com a que esta faz actualmente á nação.
Principal e importantissima chama o Auctor da Analyse á primeira: aqui dá elle no vinte, com uma singelesa e verdade evangelicas: nisto se resume toda a grita e matinada erguida contra a Eschola Polytechnica. Reconheço que é duro ver resolver em fumo á roda de nós commodos, regalos, prós e precalços: d'ahi nascem em grande parte os pleitos civis. Quem gosava os proventos da propriedade mal possuida, não deixa de lamentar-se, estorcer-se, e raivar, quando chega o dia da justiça. Na mesma Camara onde appareceu o engraçadissimo projecto de foraes, em que se dizia que a extincção delles era um roubo, devia ser appresentado outro em que se dissesse que a extincção do Collegio dos Nobres era um sacrilegio. Com o restabelecimento das ordenanças, o cyclo dos poemas heroi-comicos dos donatarios da corôa ficava completo: berço de purpura e ouro para a infancia; bailes, esgrima e equitação para a juventude; bastão de alcaide ou capitão-mór para a idade grave, eis uma vida de invejar, e ao mesmo tempo de honra e gloria para a Patria. [...]
Mas, deixando estas reflexões tristes, que não produzem senão calumnias covardes e insultos insolentes para o triste que ousa faze-las na sinceridade do seu coração, venhamos ao primeiro ponto da questão, principal e importantissimo segundo o Auctor da Analyse."
(Excerto do Cap. I)
"A questão da Eschola Polytechnica e do Collegio dos Nobres resume e representa a questão immensa do systema d'instrucção nacional que hade ser, e da instrucção excepcional que foi e é; questão entre a educação e melhoramento dos agricultores, dos artifices, dos fabricantes, e a propagação dos causidiacos, dos casuistas, dos pedantes; questão entre o trabalho e o ocio; questão entre a granja e o côro da sé; entre a palheta do estampador e a metaphora do sermão; entre a machina do vapor, e o provará do rabula. Por isso, ella é uma grave e importante questão."
(Excerto do Cap. II)
Exemplar desencadernado, conforme saiu dos prelos, por aparar, em bom estado de conservação. Com dois pequenos orifícios na f. rosto. Vinco horizontal, sensivelmente a meio do livro, como se em tempos houvesse sido dobrado ao meio.
Raro.
Indisponível

20 março, 2019

LODY, George - SOLDADOS DA SOMBRA! Romance-documentário de... Versão livre de João Amaral Júnior. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [1934?]. In-8.º (21cm) de 342, [2] p. ; il. ; B. Colecção Dramas da Espionagem ,V
1.ª edição.
Curioso romance sobre a Grande Guerra e suas consequências para a Alemanha. Obra da autoria de João Amaral Júnior, o 'tradutor', que assina com o pseudónimo George Lody.
Ilustrado com 10 estampas no texto, das quais 8 em página inteira. Desenhos (inc. capa) de Ramos Ribeiro.
"Quem nos meados de Agosto de 1914 passasse pela Avenida das Tilias e circundantes avenidas de Berlim, e, quatro anos mais tarde, na primavera de 1918, lá tornasse, teria, certamente, de pasmar da extraordinária diferença de âmbiente.
Em 1914 tudo clamores de entusiasmo, gritos guerreiros, risos, alegrias, massas de povo cantando a plenos pulmões na praça pública hossana ao über alles;
Em 1918, silêncio, desalento, palidês em todos os rostos;
Em 1914 a grande azafama das tropas orgulhosas, firmes e contentes, certas de que o mundo as espera trémulo e encolhido de medo;
Em 1918 o arrastar de total amargura a enlutar a bela cidade, o desfazer doloroso de um grande e louco sonho até essa data alimentado a poder das sucessivas «mentiras» oficiais!
Em 1914 os cantos; em 1918 as lágrimas. Em 1914 as fanfarras e o orgulho; em 1918 a tristeza e a fome
Em 1914 a multidão agitava as bandeiras da guerra e gargalhava com a certeza de ir conquistar o mundo; em 1918, a substituir tudo isto, o luto, os soluços, o arrependimento...
Em 1914 a arrogância e o desafio; em 1918 a humilhação e a debandada!
Sim.
Diante das humanas muralhas de Ypres, de Verdun, de Amiens e do Marne, diante ainda da grande brecha aberta no oriente, as últimas iluzões tinham caido na lama, arrefecidas no sangue dos penúltimos cadaveres do louco morticinio...
Estamos na primavera de 1918 e, agora, o espectro da ruina assola totalmente o imperio alemão.
Até Março dêsse ano, glorioso para os aliados, fizera-se uma guerra de posições diante as frentes francêsas e tudo isto trouxera aos exercitos do Kaiser a monotonia, o despêro e o cansaço extremos."
(Excerto do Cap. I, Sonho desfeito)
João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 - ?). "Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins, não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres. Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário Universal de Literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.
Curiosamente, o Dicionário Universal de Literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da Paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system». No entanto, o verbete do Dicionário Universal de Literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).
A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc. Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére.
Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte."
(Fonte: fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=63#G)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa e lombada com falhas de papel.
Raro.
Indisponível

19 março, 2019

SAAVEDRA, Manuel de - OS DOUS VOLUNTARIOS (romance). Episodios das nossas luctas civis. Braga, Typographia Lusitana, 1891. In-8.º (18,5cm) de 164, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção ocorre durante as Guerras Liberais. Publicada em Braga, nada foi possível apurar acerca desta obra (ou do seu autor), por não existir registo na Biblioteca Nacional, nem referência à mesma em qualquer outra fonte bio-bibliográfica.
"Abre-se a primeira scena d'esta nossa humilde e tôsca narrativa em um theatro tão tôsco e humilde  como ella. Estamos em uma pequena aldêa situada a pouca distancia da margem esquerda do Douro, em territorio do antigo concelho de Rezende, tão cheio de vetustas e poeticas tradições, entre as quaes avultam as lendas da infancia do nosso primeiro rei D. Affonso Henriques, que por alli discorrera levado ainda nos braços robustos do seu heroico aio Egas Moniz.
Alli o caudaloso rio sente-se apertado em leito de rochedos, e ladeado de ingremes encostas e de collinas verdejantes, que se vão sobrepondo umas ás outras até terminarem, á direita, nas cumeadas dos montes, que se destacam da alta serra do Marão, e á esquerda na extensa cordilheira das serras de Meadas, Espinheiro, Gralheira, Monte Muro, uma fileira de gigantes, que parece espreitar lá de cima o curso arrebatado e tôrvo do fugitivo Douro. [...]
Todo aquelle territorio é sulcado por corregos e ribeiros profundos, ténues veios de agua crystalina durante o verão, de que os lavradores se approveitam para a irrigação dos campos, mas que no inverno se convertem em torrentes despenhadas e revóltas, que se precipitam de alcantil em alcantil, com temeroso fragôr, até virem emfim perder-se na corrente do Douro.
Por alli se acha disseminada uma população numerosa, já em casaes isolados, já em habitações agglomeradas em aldêas ou lugares (como lá mais commummente se diz) constituindo um certo numero d'esses lugares a freguezia ou parochia, cuja egreja com seu campanario rustico se vê alvejar a espaços no meio da verdura dos campos e dos arvoredos.
É pois a uma d'essas pittorescas aldêas, situada, como já dissemos, á esquerda do Douro, que temos a honra de condusir os nossos amaveis e condescendentes leitores.
Era nos primeiros mezes do anno de 1834. Corria um jubiloso dia para o lavrador André Collaço, em cuja casa se notavam, desde o amanhecer, uma azafama e um movimento extraordinarios. Os serviçaes, que sahiam da morada de André, uma das principaes do lugar de B... em procura das vituallas e mais aprestos necessarios para um banquete, a que elle havia convidado os sesu amigos d'aquellas visinhanças, encontravam-se no caminho com varios d'esses amigos, que anticipando-se muito á hora do jantar, vinham pressurosos cumprimentar o recem-chegado filho do lavrador, em honra do qual ia ser dada aquella jubilosa festa.
Rodrigo, o joven filho de André Collaço, alguns annos havia que estava ausente do lar paterno. Não se retirara elle, porem, d'alli como o filho prodigo do Evangelho, contra a vontade de seu pae, para esbanjar ao longe a sua letima em devassidões e loucuras.
Pelo contrario, André vira-o partir de bom grado; e se bem que, na despedida, não podéra conter algumas lagrimas, disséra-lhe todavia, abraçando-o com ternura:
«Vai, filho, com Deus, a quem peço de todo o coração te defenda dos perigos da guerra. Mas se Nosso Senhor permittir que hajas de morrer em algum combate, teu pae, sim, te chorará como a um filho querido que és; porem ufanar-se-ha ao mesmo tempo de que o teu sangue, que é tambem o meu, seja vertido em defeza da nossa Santa Religião e do throno do nosso adorado rei, o Sr. D. Miguel I.»
Fica sabendo portanto o leitor que Rodrigo Collaço era militar.
Frequentava elle os estudos em Lamego quando o governo de D. Miguel, esperando já uma tentativa armada da parte dos liberaes reunidos na Terceira começara de organisar os batalhões de voluntarios realistas."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas cansadas. Folha de rosto e 1.ª página de texto ostenta a assinatura de posse de D. Francisco Sotto-Mayor.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível