21 janeiro, 2023

LAFOREST, Dubut de - O FIDALGO AVENTUREIRO.
Traducção de Domingos Cabral de Quadros
. Lisboa, "A Editora", [1909]. In-4.º (23 cm) de 151, [1] p. ; il. ; B. Col. Os Ultimos Escandalos de Paris: Grande romance dramatico inedito - XXX
1.ª edição.
Romance de costumes, levemente erótico, publicado na primeira década do século XX.
Livro ilustrado com bonitos desenhos ao longo do texto.
"Nos Ultimos Escandalos de Paris que tem por enredo e intriga especial: «O Processo d'Esbly», e por campo de investigação toda a vida moderna, temos tido occasião de observar alguns rufiões parisienses de casaca.
Agora vamos apresentar aos nossos leitores, a fina flor d'algumas d'essas creaturas exoticas, pertencentes ás camadas mais superiores da nossa sociedade e que futuros acontecimentos farão tomar parte importante no presente romance.
Nem todos esses formosos cavalheiros que vivem á custa das esposas ou as amantes, são fidalgos verdadeiros, como o visconde de La Plaçade, mas todos apreciam a nobreza, e se não teem titulos, compram-nos ou roubam-nos... [...]
N'umas das noites do fim do mez de novembro, o conde Giacomo Trabelli levantou-se repentinamente da cadeira, onde, sentado, estiveram meditando. [...]
- Que pena! murmurou elle... Trinta annos ou a vida d'um jogador?... O bem conhecido melodrama; que nada tem de original! Vinte e oito annos! Ainda me restam dois annos sobre a edade do jogador classico, prestes a transpôr os humbraes da eternidade. Ah! Enganei muitos maridos e amantes, e de bom grado os continuaria ainda a atraiçoar, pela simples razão de que não me sinto gasto nem satisfeito. Sou pratico em assumptos d'amor? Sim, sem duvida alguma! Aposto! os dez luizes que ainda tenho, dos muitos milhões que possui que, de olhos vendados, e as mãos atadas atraz das costas, eu sou capaz, collando os meus labios aos de uma qualquer mulher, de adivinhar, pelos movimentos a sua lingua e pelo perfume do seu halito, a edade e a cor dos seus cabellos?... Sustentei muitas amantes, mas, agora, eram ellas que começavam a manter-me: a duqueza d'Estorg não tem dinheiro; a horisontal Anna Welty, só me pode offerecer a sua boa vontade. O estafermo da duqueza avisou-me da impossibilidade que tinha em arrancar na presente occasião, algum dinheiro ao seu estupido marido. Pois minha senhora, lembre-se que bastante gozou commigo!..."
(Excerto do Cap. I - Os navios do conde)
Índice: I - Os navios do conde. II - A duqueza d'Estorg. III - O irmão Eusebio. IV - Anna Welty. V - O fidalgo trabalhador. VI - O «Supplicio de um homem». VII - O grande armador.
Jean-Louis Dubut de Laforest (1853-1902). Escritor francês. Autor prolífico, publicou vários romances sobre assuntos considerados ousados na época, alguns como folhetins em jornais e revistas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequeno rasgão marginal sem perda de suporte.
Raro.
Indisponível

20 janeiro, 2023

CARVALHO, Adelaide de - AS CRIADAS DE SERVIR E O SERVIÇO DOMÉSTICO : estudo e subsídios para a sua regulamentação
. Lisboa, [s.n. - Comp. e imp. na Tipografia de E. N. P., Lisboa], 1956. In-8.º (16,5 cm) de 50, [2] p. ; B.

1.ª edição.
Interessantíssimo trabalho sobre o serviço doméstico em Portugal durante o regime do Estado Novo. A autora discorre sobre a profissão, não se coibindo de fazer um "aviso à navegação" às serviçais - criadas e amas -, que, pelo seu comportamento desprendido e "rebelde", causa desconfiança e incómodo às donas de casa. Inclui a reprodução de inúmeros exemplos 'deliciosos'. Publicação rara e muito curiosa.
"A casa reproduz, fielmente, a vida familiar. Representa o centro dos interesses que ali se concentram, das alegrias que nela se expandem e onde os desalentos se partilham por igual.
Para esse lugar, leva o homem o produto do labor quotidiano e vai lá encontrar o repouso das fadigas, o amor da sua mulher, o afecto dos seus filhos e a estima de quantos o rodeiam. [...]
Para corresponder a estas vivas e constantes manifestações e servir o fim a que essencialmente se destina, o problema habitacional aparece-nos ligado a um misto de interesses, cuja ofensa, quando se torna intensa, muda os cambiantes da vida na sua intimidade, põe em sobressalto o bem-estar e a tranquilidade da família, e, em permanente risco, a satisfação das mais instantes necessidades.
No complexo das inúmeras manifestações, aflora, como principal, a questão do serviço doméstico.
Estamos a ver, com assombro, a serviçal ter uma vida bem diferente do que foi e a manifestar atitudes extravagantes.
Vindo a agravar-se de ano para ano, tal questão atingiu ùltimamente o ponto cruciante, que não tanto por diminuir o número das criadas que habitualmente andavam a servir, mas, sobretudo, em vista de as existentes se julgarem, na sua maioria, com direito a serem o flagelo de suas amas, com a longa série de abusos que cometem. [...]
Esgotadas de paciência e a braços com as complicações e embaraços a que as donas de casa estão expostas, em frente da estranha e anormal situação, seria interessante escutar-lhes a narração dos abusos de que são vítimas, das calamidades que têm sofrido e das façanhas presenciadas..."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

19 janeiro, 2023

ALVES, Jorge Fernandes & VILELA, José Luís - JOSÉ VITORINO DAMÁSIO E A TELEGRAFIA ELÉCTRICA EM PORTUGAL.
Texto:...
[Lisboa], Portugal Telecom, 1995. In-fólio (30,5 cm) de 91, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Homenagem a José Vitorino Damásio (1806-1875), "personagem e um actor ímpar no processo desenvolvimentista" do século XIX, cuja divisa era: "trabalhar muito e falar pouco".
Livro primoroso, integralmente impresso sobre papel couché, profusamente ilustrado ao longo do texto com estampas a p.b. e a cores. Inclui retrato do biografado em página inteira.
"José Vitorino Damásio foi o segundo director-geral da telegrafia eléctrica, muito tendo contribuído, nessa qualidade, para o nascimento em Portugal do sector que hoje se apresenta como vital para o desenvolvimento económico e social dos países - o das Telecomunicações.
Na verdade é de 1864 a 1867, enquanto desempenhava aquelas funções que a rede telegráfica passa a cobrir a quase totalidade do território nacional e se procede à unificação tarifária, medidas que constituem a base do serviço público telegráfico, embrião das telecomunicações portuguesas. [...]
Figura ímpar de liberal convicto, lutou por estes ideais e pela sua implantação em Portugal, tendo tomado parte como oficial em várias operações militares com risco da própria vida."
(Excerto do Prefácio - Luís Todo Bom)
José Vitorino Damásio CvTE (Vila da Feira, 2 de Novembro de 1806 - Lisboa, 19 de Outubro de 1875). "Foi engenheiro, professor da Academia Politécnica do Porto, director do Instituto Industrial de Lisboa e fundador da Associação Industrial Portuense, hoje Associação Empresarial de Portugal, em Portugal.
Nasceu em 2 de Novembro de 1806, na vila de Santa Maria da Feira. Depois de fazer os estudos primários e secundários, inscreveu-se na Universidade do Porto no ano lectivo de 1826 para 1827, em matemática e filosofia.
Quando estava no segundo ano da universidade, em 1828, alistou-se no Batalhão dos Voluntários Académicos, que combateu pela causa liberal durante a Guerra Civil Portuguesa. No entanto, as forças liberais foram derrotadas na Belfastada, levando ao exílio de D. Pedro para o Arquipélago dos Açores, enquanto que José Vitorino Damásio fugiu primeiro para a Galiza e Plymouth, acabando por ir também para os Açores, [Terceira]. Participou nas operações de ocupação das ilhas do Pico, São Jorge e São Miguel.
Em 1832, participou no Desembarque do Mindelo como 2.º tenente de Artilharia, durante o Cerco do Porto. Quando terminou a guerra, José Damásio voltou para a universidade para concluir o curso..."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela revestida de tecido com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada, coberta por sobrecapa de cartão a duas cores.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

18 janeiro, 2023

MACHADO, Julio Cesar, e HOGAN, Alfredo - PRIMEIRO O DEVER! : comedia drama em tres actos.
Original por...
Lisboa, Typographia do Panorama, 1861. In-8.º (22,5 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro cuja acção decorre na "actualidade", em Lisboa. Trata-se de uma de duas comédias saída da colaboração entre os dois autores: além deste Primeiro o dever!, publicaram no mesmo ano A Vida em Lisboa : comedia drama em quatro actos.
"(Ao levantar o panno, o prior de Val de Vides entra pela esquerda trazendo um pequeno cofre aberto e cheio de cartas, que elle mexe. Claudio Borges, ao fundo, occultando-se logo que o prior apparece. Um criado a meia scena.)
Prior (folgazão) - Não ha decerto mais delicado encargo: analysar as cartas de um namorado, e dar sobre as almiscaradas epistolas um parecer serio?!... Eu nunca li obras d'este genero... sinto-me embaraçado, ao mesmo tempo curioso... Vamos: vou encerrar-me n'aquella sala e metter mãos á obra."
(Excerto do Acto I - Scena I)
Júlio César da Costa Machado (Lisboa, 1835-1890). "Nasceu numa família de posses e conviveu desde cedo, pela mão do pai, no meio literário e teatral lisboeta. Foi jornalista, tradutor, autor de romances, contos e peças de teatro, destacando-se como um dos mais célebres folhetinistas e cronistas do seu tempo. Publicou o seu primeiro romance, Estrela d’Alva, com apenas 14 anos, na revista A Semana, de Camilo Castelo Branco, de quem se tornaria amigo íntimo. O seu pai morreu em 1852, deixando-lhe dívidas que o obrigaram a obter, desde jovem, rendimento da escrita. Tornou-se tradutor, folhetinista, cronista, colaborando em dezenas de periódicos: A Revolução de Setembro, Revista Universal Lisbonense, Diário de Notícias, Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, Revista Ocidental, Ilustração Portuguesa, Eco Literário, este último cofundado por si em 1886. Os seus textos eram simultaneamente populares e apreciados pelos pares, que lhe admiravam o humor, o estilo coloquial e ligeiro, a atenção aos temas do quotidiano. Publicou vários livros, nomeadamente Cláudio (1952), A Vida em Lisboa (1958), Contos ao Luar (1861), Cenas da minha Terra (1862) e Contos a Vapor (1863). Muitos dos seus folhetins e crónicas de viagem, entre os quais Do Chiado a Veneza, foram reunidos em volume. Em 1890, na sequência do suicídio do seu filho único, Júlio César Machado pôs termo à vida."
(Fonte: Wook)
Alfredo Possolo Hogan (1830-1865). "Nasceu e faleceu em Lisboa. Funcionário dos correios, cultivou a literatura negra, tornando-se um romancista e um dramaturgo bastante popular em Lisboa. Nas suas obras notam-se influências de Eugène Sue e Alexandre Dumas. Escreveu vários romances históricos, como Marco Túlio ou o Agente dos Jesuítas (1853), Mistérios de Lisboa (romance em 4 volumes, 1851), Dois Angelos ou Um Casamento Forçado (romance em 2 volumes, 1851-1852), etc. Das peças de teatro, destacam-se: Os Dissipadores (1858), A Máscara Social (1861), Nem Tudo que Luz É Oiro (1861), A Vida em Lisboa (em parceria com Júlio César Machado, 1861), O Dia 1º de Dezembro de 1640 (1862), As Brasileiras; Segredos do Coração e O Colono. Foi-lhe atribuída a autoria do romance A Mão do Finado (1854), publicado anonimamente em Lisboa, pretendendo ser a continuação de O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas."
(Fonte: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/hogan.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Rasgão (imperceptível) na capa sem perda de suporte. Lombada apresenta falhas de papel.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

17 janeiro, 2023

VITERBO, Sousa - INVENTORES PORTUGUESES.
Segunda Série (obra póstuma). Propriedade e edição da família do autor
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1914. In-8.º (22,5 cm) de [4], 38, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosa monografia sobre os inventores portugueses. Trabalho organizado por ordem alfabética de apelido, com descrição das novas criações - algumas verdadeiramente insólitas - e respectiva utilidade e aplicações.
Obra inicialmente publicada no vol. 61.º  do Instituto, vertida na presente separata.
Tiragem limitada a 50 exemplares, que não foram postos à venda.
"Teem aparecido há tempos entre nós bastantes indivíduos que pretendem ter inventado ou modificado para melhor diversos aparelhos e processos industriais e scientíficos.
Inegavelmente nem todos possuirão a mesma competência, embora não lhes falte habilidade. O curioso é um produto indigena muito frequente e pena é que ele, em vez de dar melhor rumo à sua aptidão, a consuma em futilidades e bugigangas, ou em produtos que só se tornam recomendaveis pelos extremos duma paciência chineza. Convêm da mesma forma joeirar os os ingénuos e os lunaticos, que ainda pensam na quadratura do círculo e no motu contínuo, e os charlatães, que procurar iludir a boa fé dos outros, envergonhando-nos aos olhos dos estrangeiros."
(Excerto do preâmbulo)
Francisco Marques de Sousa Viterbo (1845-1910). "Personalidade multifacetada, foi poeta, arqueólogo, historiador e jornalista. Nasceu em 1845, no Porto, e morreu em 1910, em Lisboa. De rígida educação religiosa, frequentou o seminário do Porto durante a sua adolescência. Formou-se depois em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica, mas logo abandonou o exercício daquela ciência para se dedicar a trabalhos históricos e arqueológicos, com os quais tanto se notabilizaria dentro e fora do país. Toda a sua obra revela-nos um historiógrafo defensor dos valores maiores da cultura portuguesa. De entre os títulos publicados, destacam-se Arte e Artistas em Portugal e Contribuição para a História das Artes e Indústrias Portuguesas. Graças ao seu labor incansável, muitos dados biográficos de personalidades como Damião de Góis e Gil Vicente vieram à luz. Sousa Viterbo foi ainda fundador da Associação de Jornalistas e Escritores Portugueses."
(Fonte: infopedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com sinais de humidade na capa, levando a um ligeiro "esboroamento" marginal.
Raro.
Indisponível

16 janeiro, 2023

CASTRO, Lopes de - P'RA GUERRA!! Aos soldados da minha Patria.
[Por]... (Veterano da Campanha do Nyassa de 99)
. Belem-Pará, Livraria Carioca-Editora de José Augusto Teixeira Pinto [Typographia de Lopes & C.ª, Successor, L.da - Porto], 1917. In-8.º (22 cm) de 147, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Livro publicado em plena Grande Guerra.
Obra de exaltação, apoio e ânimo às tropas portuguesas destacadas em França.
Trabalho de recolha dos feitos épicos do exército português ao longo da história nacional, de Viriato ao Nyassa.
Capa belíssima - assinada ETP - com a mítica figura de D. Afonso Henriques apontando aos militares portugueses o caminho da vitória.
"Segundo as noticias chegadas de Lisbôa e o ultimo decreto do governo, os nossos soldados vão occupar um sector das trincheiras da França.
É, pois, chegado o momento d'ir p'ra guerra, ó soldado da minha Patria! É chegado o momento de mostrardes o patriotismo estuante, o valor, a coragem inaudita dos soldado portuguez! A vossa historia é brilhante, a vossa tradição é grande! [...]
Ides combater, ó soldados do meu Paiz! pelo Direito, pela Justiça e pela civilização, contra os hunos e Atilas modernos, personificados no militarismo allemão, que rompe tratados, incendeia povoações, viola mulheres, mata velhos e creanças, corta mãos a innocentes e seios a donzellas, rouba, saqueia e não conhece outro direito que não seja o do seu 420! A elles, soldados da minha Terra, a elles! Sêde valentes, sêde valorosos, sêde dignos do diploma que levaes - a vossa Historia - que é a melhor carta de recommendação!
No fragor dos combates, no troar infernal dos canhões, na lucta truculenta, corpo a corpo, lembrae-vos sempre que a Patria querida vos contempla e que é preciso honrar e não desmentir o nome altivolante que os nosos maiores nos conquistaram e legaram! A'vante, soldados portuguezes!"
(Excerto de A caminho das trincheiras da França)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Com interesse histórico e para a bibliografia WW1.
Indisponível

15 janeiro, 2023

SERTORIO, Carlos - O SANTO ANTONIO DO POVO.
Collecção de anedoctas, rifões, anexins e poesias relativas ao Santo, precedida de uma breve biographia authentica do Santo
. Lisboa, Livraria Internacional de Marcos Gomes, 1895. In-8.º (17 cm) de 83, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa romanceada - episódios e milagres - da vida de Santo António, o santo padroeiro da devoção popular lisboeta.
Livro muito curioso, publicado em ano de comemorações Antonianas, por ocasião do centenário natalício do Santo.
"Aos quatorze annos, tendo aprendido tambem a cantar, era Fernando de Bulhões considerado um musico distinctissimo.
Por essa edade succedeu com elle um caso, que foi depois considerado o seu primeiro milagre. Num dia, Fernando passava pela majestosa nave central da Sé, quando, sob aquellas sacrosantas abobadas, elle se sentiu irresistivelmente fascinado pelos negros olhos tentadores de uma formosissima judia. Esmagando o vil instincto da sua natureza humana, Fernando quiz logo triumphar da paixão que o devorava, e afastar do seu espirito aquella extraordinaria visão de mulher ideal, tentadora como a serpente. Para fugir da egreja, subiu a escadaria que conduzia ao côro, quando novamente surge a seu lado a seductora judia, fitando nelle um olhar adente, e, para outro mais fraco, irresistivel. Mas o piedoso Fernando, devia de resistir áquella mulher, que, sendo de tão diversa religião, só por tental-o penetrára no templo de Jesus Christo; e como assim se visse perseguido, traçou na lage da parede uma cruz com o dedo, invocando ao mesmo tempo o auxilio de Deus."
(Excerto da Biographia - Introducção)
Indice:
Biographia. | Musa popular. | Narrativa (poesia e prova varia): - Santo Antonio e a princeza; - Vigilia de Santo Antonio;  - Santo Antonio e a mulher sovada; - A afilhada de Santo Antonio; - As Ave-Marias da ermida; - O preto e o sachristão; - O galego e o poço. | Ditos e rifões. | Milagres: I - Da chuva; II - Do louco; III - Da judia; IV - Livramento do pai; V - Da torre; VI - Dos cabellos; VII - Do postilhão diabolico; VIII - Da agua a ferver; IX - Dos peccados escriptos; X - Da conversão dos hereges; XI - Do veneno; XII - Da jumenta; XIII - Do capão; XIV - Do falso cego; XV - Do paralyptico; XVI - Do menino; XVII - Do esmagado; XVIII - Do aleijadinho; XIX - Do rico avarento; XX - Da mulher parida; XXI - Dos peixes. | Notas. | Nota final.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas manchas. Lombada reforçada com fita.
Raro.
Indisponível

14 janeiro, 2023

CHAGAS, M. Pinheiro - DA ORIGEM E CARACTER DO MOVIMENTO LITTERARIO DA RENASCENÇA PRINCIPALMENTE NA ITALIA.
Memoria para o Concurso á Terceira Cadeira do Curso Superior de Letras. Por...
Lisboa, Imprensa de Joaquim Germano de Sousa Neves, 1867. In-8.º (22 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação académica do autor. Obra rara da sua extensa produção bibliográfica.
"As grandes transformações do espirito da humanidade não se realisam subitamente, não se operam como as mudanças de scenario nos theatros á voz de um machinista mysterioso. Ainda que pareça ás vezes inexplicavel a transição repentina de um para outro seculo, a mudança completa das idéas dominantes de uma geração, podemos estar certos de que essa transformação se foi preparando lentamente na sombra, e de que essa luz inesperada que illumina o mundo é o clarão vermelho que brota do volcão entre-aberto, quando se rasga afinal a cratera depois de terem refervido longamente nos seios intimos do globo, depois de se terem agitados nas convulsões que produzem os abalos dos terremotos as lavas ardentes que afinal golpham em borbotões.
Isto succede nas transformações da politica, das letras, e das artes essa triplice manifestação das transformações do espirito humano. Quando nos parece que a noite mais cerrada involve o mundo, quando suppomos apagada no horisonte a luz da intelligencia humana, se fitarmos bem os olhos n'esse apparente negrume, veremos sempre fulgurar a timida estrella, que accendeu no crepusculo nocturno o seu pallido fulgor, e que hade apparecer depois no horisonte a prenunciar a aurora. Essa estrella, que foi a estrella da tarde do paganismo, será a estrella d'alva da Renascença. Essa estrella, cujo clarão, atravessando o longo periodo da idade media, virá presidir ao desabrochar do mundo moderno, é a tradição litteraria, a tradição artistica, e mesmo a tradição politica, que ligando as idéas novas aos velhos pensamentos demonstrará mais uma vez a unidade do espirito humano.
Eis-nos pois entrados no assumpto do ponto. A Renascença é considerada ainda hoje por muitos escriptores como o nascer do sol dos espiritos depois das trevas da idade media. A esta dão as sombras, e á Renascença a luz que as dissipa."
(Excerto da Tese)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo oxidadas. Lombada reforçada.
Raro.
25€

13 janeiro, 2023

EXPOSIÇÃO : "A MAÇONARIA E O ADVENTO DA REPÚBLICA" - 
Biblioteca Municipal Miguel Torga, de 5 a 31 de Outubro 2011. Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da República em Miranda do Corvo. Eng.º Carlos Ferreira; Dr.ª Anabela Monteiro; Dr. António Orfão; Sr. Vítor Gonçalves
. Miranda do Corvo, Câmara Municipal de Miranda do Corvo, 2011. In-4.º (23 cm) de 64 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da exposição "A Maçonaria e o Advento da República". Livro graficamente atraente, impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com reprodução de desenhos, portadas de livros e dos mais diversos artigos, iconografia e símbolos maçónicos.
Publicação com interesse histórico, sobretudo para a vila de Miranda do Corvo a quem os textos que integram o catálogo dizem respeito.
Tiragem de apenas 500 exemplares.
"Em 5 de Outubro de 1910 a República era vista como último patamar da História, a sociedade positiva, ao mesmo tempo que as elites culturais da época viam na educação o meio de se produzirem modificações sociais de médio e longo prazo. Daí que positivistas, republicanos, socialistas ou anarquistas acreditassem na construção do "Homem Novo", que os republicanos particularizavam como o cidadão republicano. Para atingir esse objectivo foram criados "grémios", na sua maioria uma versão profana das Lojas maçónicas, escolas, de influência maçónica, anarquista, sindical ou outra. Em Outubro de 1910 acreditava-se, genuinamente, na dádiva ao colectivo, mesmo que isso significasse a vida. Em condições difíceis de vida, como era o ambiente social e económico dos primeiros anos do século XX, os republicanos acreditavam também na educação como um valor, sinónimo de liberdade, capaz de alterar a sociedade, uma sociedade onde a participação cívica era um dever e um direito de qualquer cidadão em prol do Bem Comum e um elemento estruturador da vida política e social. Mais ainda, dessa actividade cívica emergia a virtude política e a ética republicana."
(Excerto de Texto de Apresentação)
Índice:
Texto de Apresentação. | A Questão Religiosa e a Laicidade. | O Advento da República. | Iconografia Republicana. | Maçonaria. | Miranda na 1.ª República. | Republicanos e Maçons Mirandenses. | Auto da Proclamação da República em Miranda do Corvo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
15€

12 janeiro, 2023

CODIGO ELEITORAL PORTUGUÊS.
Aprovado pelo Parlamento da Republica em junho de 1913, organisado d'acordo com os Sumarios das Sessões do Congresso
. Porto, Livraria Editora de Lopes & C.ª, Successor, [1913]. In-8.º (18 cm) de 85, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Documento histórico. Código Eleitoral republicano conhecido por ignorar por completo a participação feminina em eleições, não dando a Mulher como elegível - nem como não elegível -, sendo, neste caso, referidos os "falidos", "vadios" e "indigentes"(!). Este código pôs cobro à ambiguidade da legislação anterior, que permitiu o voto feminino condicionado para a Assembleia Constituinte de 1911.
Inclui no verso da capa, colado, um artigo coevo relacionado com o assunto da presente publicação com o título Um novo decreto sobre as eleições.
Com com quadros estatísticos no final do livro.
"São eleitores de cargos legislativos e administrativos todos os cidadãos portugueses do século masculino, maiores de 2 annos ou que completem essa idade até o termos das operações de recenseamento, que estejam no gôzo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português, e residam no território da República Portuguêsa.
Os cidadão pertencentes ao exército e à armada, a quaisquer outras instituições organizadas militarmente e aos corpos de policia cívica, que à data da eleição se encontrem em serviço efectivo não podem votar.
Não podem ser eleitores:
1.º Os alienados e bem assim os interditos por sentença com trãnsito em julgado da regência de sua pessoa e da administração de seus bens;
2.º Os falidos, emquanto por sentença com trãnsito em julgado, não forem reabilitados;
3.º Os que estiverem pronunciados por despacho com trãnsito em julgado e os privados de exercicio dos seus direitos politicos por efeito de sentença penal condenatória;
4.º Os que tiverem sido condenados como vadios, dentro do prazo de cinco anos, a contar da data da sentença que os condenou;
5.º Os que tiverem sido condenados por crime de conspiração contra a República;
6.º Os indigentes, incluindo-se neste número aqueles que estiverem internados em qualquer estabelecimento de caridade;
7.º Os estrangeiros naturalizados há menos de dois anos."
(Cap. I - Dos eleitores)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, algo oxidadas, com pequena papel no canto inferior direito.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 janeiro, 2023

ANTUNES, João - AS SCIENCIAS MALDITAS.
Esboço de Filosofia Hermetica. O Transcendentalismo através da Historia. A indução electro-magnetica dos astros. As sciencias divinatorias perante a critica positiva. A Renascença esoterica de 1886
. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira, 1914. In-8.º (19 cm) de 112 p. ; B. Colecção "Psicologia Experimental" - VI
1.ª edição.
Interessante ensaio esotérico sobre "as principais e mais abstrusas fórmas do maravilhoso que numa classificação integral dos conhecimentos humanos pode ser caracterizada pela denominação de Sciencias Malditas".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao poeta Afonso Lopes Vieira.
"A historia do maravilhosos humano é a manifestação mais fecunda do poder criador do espirito. Surgem as gerações no dobar interminavel dos tempos, sucedem-se impassivelmente os seculos e o homem numa ansia perturbadora e exaustante aspira insaciavelmente os efluvios capitosos do mistério da vida e da existencia.
Essa aspiração, que lhe é um rebate d'alma, scinde-se e afirma-se nos hieratismos empolgantes das civilizações extintas.
A esfinge do deserto penetrando com o seu olhar tranquilo uma vastidão interminavel assemelha-se a essa interrogação milenaria do homem para o infinito."
(Excerto do preâmbulo)
"As origens da magia, do transcendentalismo operatorio prendem-se na noute escura da primitividade de todas as raças. É facil encontrar-las nos totems, nos tabus, nos máná de que estão impregnadas as teogonias das civilizações nascentes. O terror absorvente do ignoto, o prestigio impositivo da natureza nas suas grandiosidades vibrantes, o temor-culto do perigo deviam suscitar no homem rudimentar a pavida adoração dos seres obsidiantes que a sua mente criára; timor in orbe primus fecit deos.
A resultante foi o mago. Afeiçoando esse temor ás formas do simbolismo e do culto deu o primeiro passo para a génese das religiões naturalistas, que se desenvolveram e desdobraram, através dos temçpos, sofrendo a erosão do cunho psicologico das raças e da influencia mesologica do habitat."
(Excerto de Nova et Vetera)
Indice:
[Preâmbulo] - A origem e evolução das Sciencias Maditas. O magismo nas Antiguidades oriental e greco-romana, na Idade Media e na Renascença. S. Frei Gil de Santarem. A Reviviscencia de 1886. Nosce te ipsum. | Nova et Vetera. | A continuidade historica duma Tradição Esoterica. | O Homem e o Universo. | A Renascença Esoterica. | Conclusão. | Notas e bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas com uma ou outra mancha.
Muito invulgar.
25€

10 janeiro, 2023

FONSECA, M. S. - FRANCIS FORD COPPOLA.
Organização e Texto de... Lisboa, Cinemateca Portuguesa / Fundação Calouste Gulbenkian / Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, 1987. In-fólio (32 cm) de 223, [1] p. ; mto. il. ; E.
1.ª edição.
Catálogo editado por ocasião do Ciclo "Francis Ford Coppola em Contexto" com o alto patrocínio da Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa.
Edição esmerada, muito ilustrada, impressa em papel de superior qualidade.
No presente trabalho, além da biografia e filmografia de Coppola, é abordado com pormenor alguns clássicos realizados pelo Mestre, como, entre outros, O Padrinho (The Godfather), Apocalipse Now e Jardins de Pedra (Gardens of Stone).
Manuel S. Fonseca (n. 1951). "É editor e autor. Viveu em Luanda de 1959 até final de 1976. Fundou a Três Sinais e a Guerra e Paz editores. Esteve ligado à Cinemateca Portuguesa, à RTP 2, à SIC e foi produtor cinematográfico na Valentim de Carvalho Filmes. Publicou livros de cinema e é cronista."
Encadernação do editor em tela de seda vermelha, com letras em baixo-relevo gravadas a azul; sobrecapa plastificada com estrelas a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

09 janeiro, 2023

A PENITENCIARIA. Planta e discripção minuciosa do edificio Situado em Campolide.
[Preço 100 réis]
. Lisboa, Typographia C. Grillo, 1885. In-8.º (18 cm) de 24 p. ; [1] Planta desdob. ; B.
1.ª edição.
Folheto descritivo da Penitenciária de Lisboa saído dos prelos no ano em que esta entrou em funcionamento, coincidindo a publicação deste folheto aqui, com a recente notícia do previsível fecho desta icónica prisão em 2026.
A Reforma Penal e das Prisões, de 1 de julho de 1867, aboliu a pena de morte e instituiu a pena de prisão maior celular, criando para o efeito as Cadeias Penitenciárias. Em 1885 deram entrada os primeiros presos na Cadeia Penitenciária de Lisboa, começada a construir em 1873, e hoje designada por Estabelecimento Prisional de Lisboa. Trata-se de um Estabelecimento concebido segundo o Sistema Panótico com uma estrutura em estrela, constituída por seis alas com quatro pisos, que convergem num ponto de onde a vigilância se exerce sobre o corredor central de cada ala."
(Fonte: website EPL)
"Foi no ministerio presidido pelo sr. Joaquim Antonio de Aguiar e por proposta do ministro da justiça o sr. Augusto Cesar Barjona de Freitas promulgada a lei de 1 de julho de 1867, que aboliu a pena de morte, de trabalhos publicos degredo, e em geral das penas perpetuas substituindo o regimen penal que então vigorava pela prisão cellular com separação de preso a preso de dia e de noite, pelo degredo como pena complementar.
Para a execução d'esta lei foi por decreto de 24 de abril de 1873 auctorisado o governo a mandar construir uma cadeia geral de penitenciaria no districto da relação de Lisboa, nos termos do artigo 28 da lei de 1 de julho de 1867.
Já tinha sido escolhida como posição mais conveniente para o edificio da penitenciaria um terreno em Campolide no sitio chamado Terras do Seabra comprehendido entre o deposito de agua do alto de Pombal, o muro exterior da linha da circunvalação, e encosta de Campolide, por reunir todas as condições desejaveis, por ser assás vasto, aberto a todos os ventos, distante de habitações, e de quaesquer focos insalubres."
(Excerto de Creação da Penitenciaria)
Matérias:
Creação da Penitenciaria. | Disposição geral da penitenciaria: Edificios de habitação; Corpo central ou edificio de entrada; Mezzaninos; Capella; Observatorios e passeios; Distribuição das aguas; Distribuição dos alimentos. | Titulo V - Da execução da pena de prisão maior cellular [Artigo 20.º a 27.º].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, observando-se pequeno orifício na capa frontal. Corte lateral irregular.
Muito raro.
Com interesse histórico.
50€

08 janeiro, 2023

CUNHA, Sebastião Pereira da - O SAIO DE MALHA : drama historico e original, em tres actos
. Vianna, Typographia Silva Braga, 1893. In-8.º (21 cm) de 85, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Peça histórica em verso cuja acção decorre em Portugal, no século  XIII. "O 1.º e 2.º actos passam-se na freguezia de Airó, junto a Barcellos, e o 3.º em Braga nos paços do arcebispo D. João Egas. Epocha; 1245 a 1248."
Exemplar com dedicatória autógrafa de António Pereira da Cunha, filho do autor.

Egreja rustica na freguezia de Airó. Em frente a serra do mesmo nome e ao lado a cabana palhiça de Martim Peres. Á porta da parochial, sentado em uma cadeira de pedra, João Annes, o abbade da freguezia, acaba de fazer a catechese e diz dirigindo-se ao grupo de vilões, que respeitosamente o tem escutado:

Terminou a oração. Agora, podeis ir
Filhos em Jesus Christo. Ide folgar e rir.
Raparigas, cuidado! A honra da donzella
É grão thesoiro, e, como a chamma de uma vella,
Qualquer sopro a desfaz. Folgae, mas sêde honestas.
Moços, amae a Deus, a patria, e as vossas béstas.
Combatei pela cruz, que a guerra é santa quando
Tem por fim destruir as hostes do nefando
Propheta Mahomet.

(Excerto da 1.º Acto - Scena I)

Sebastião Pereira da Cunha (1850-1896). "Nasceu em Viana do Castelo, a 9 de fevereiro de 1850 e faleceu a 20 de setembro de 1896, na mesma cidade. Senhor do Castelo de Portuzelo por sucessão, poeta e prosador como seu pai, [António Pereira da Cunha] - coronel de milícias de Viana, e combatente na Guerra Peninsular. Publicou a maior parte da sua obra em Viana do Castelo. Participou na revista literária Pero Galelo no ano de 1882, dirigiu e criou juntamente com João Caetano da Silva Campos e Rocha Páris, no jornal Bandeira Branca em 1893. Autor de uma obra literária diversificada, na qual se incluem O saio de malha (1893) e o ensaio, Os heróis de África (1895). Mas foi sobretudo como poeta ultra-romântico que se destacou, sendo as suas obras mais conhecidas, Martim de Freitas, datada de 1887, A cidade vermelha de 1894 e Serões de Portuzelo do ano de 1928 (“Vida Cultural em cidades de província,” n.d.)"
(Fonte: Martins, Sara Filipa Ramos Martins, O Castelo de Portuzelo: Análise interpretativa de uma construção romântica, Universidade do Minho-Escola de Arquitectura, 2019)

Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na ombada. Conserva a capa frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa frágil, algo oxidada.
Raro.
Indisponível

07 janeiro, 2023

ESTRATÉGIA PORTUGUESA NA CONFERÊNCIA DE PAZ 1918-1919 : as actas da Delegação Portuguesa.
Pesquisa e introdução de Duarte Ivo Cruz. Lisboa, Fundação Luso-Americana, Outubro de 2009. In-4.° (24 cm) de 303, [1]p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Grande Guerra através das conversações de paz que tiveram lugar após o final do conflito.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. ante-rosto.
"Com a publicação integral das Actas das reuniões da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz de 1918-19 em que se aprovou o Pacto da Sociedade das Nações e se preparou o Tratado de Versalhes, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento pretende tornar acessível ao grande público um documento fundamental para a compreensão das nossas políticas externa e colonial na Primavera República, assim se associando às comemorações do centenário da sua implantação.
Precedem as Actas um valioso estudo introdutório do Dr. Duarte Ivo Cruz qua ajuda a situar as reuniões da Delegação nos contextos nacional e internacional da época.
Integraram a Delegação personalidades de primeiro plano da vida política republicana. As Actas dão-nos conta de grande convergência desses políticos e diplomatas quanto aos objectivos a atingir e do seu realismo,apesar das divergências no domínio interno e do que sabemos das suas posições partidárias muitas vezes antagónicas. As frequentes crises e mutações políticas repercutem-se na composição da Delegação, sem contudo alterar os princípios orientadores que a norteiam, fixados logo na primeira reunião em Lisboa, sob a presidência de Sidónio Pais, em 27 de Novembro de 1918."
(Excerto do Prefácio)
Índice
Prefácio. | 1 - Introdução à Negociação de Paz: as Opções Diplomáticas de Portugal. 2 - A Composição da Delegação Portuguesa e a Política Interna. 3 - Os Grandes Temas da Estratégia Portuguesa. 4 - A Questão Colonial. 5 - A Questão das Compensações Financeiras. 6 - As Questões Diplomáticas da Negociação de Paz: Relações Bilaterais e Multilaterais. 7 - Os Açores e a Visita de Franklin D. Roosevelt. 8 - A Guerra e a Paz: Historiografia e Memória. 9 - O Tratado de Versailles e suas Consequências. 10 - Portugal depois da Guerra: Política Africana. | Notas Bibliográficas. | Anexos. | A
ctas da Delegação Portuguesa à Conferência de Paz. | Notas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

06 janeiro, 2023

PIRES, Phillipe Neri - GRAMMATICA MARATHA EXPLICADA EM LINGUA PORTUGUEZA.
Compilada das mais abalizadas que ate o presente se tem dado á luz, por... Vaki'l [Advogado] no Sadar Adalat [Supremo Tribunal de Justiça], e traductor publico nas linguas Maratha e Guzerate
. Bombaim: Na Typographia da Missão Americana. T. Graham, Impressor. 1854. In-8.º (22 cm) de [10], xiv, [2], 106 p. ; B.
1.ª edição.
A Gramática de Marata foi uma obra importante, parte de um plano linguístico da administração portuguesa no Estado da Índia, e em particular na colónia de Goa, em meados do século XIX.
Marathi (inglês: / m ə r ɑː t i / ; Marāṭhī, Marathi: [məˈɾaːʈʰiː] (ouvir)). "É uma língua indo-ariana predominantemente falada pelo povo Marathi do estado indiano de Maharashtra. É a língua oficial de Maharashtra e língua oficial adicional no estado de Goa. É um dos 22 idiomas oficiais da Índia, com 83 milhões de falantes em 2011. O Marathi ocupa o 11.º lugar na lista de idiomas com mais falantes nativos do mundo. O Marathi é a terceira língua com maior número de falantes nativos na Índia, depois do Hindi e Bengali. A sua literatura é uma das mais antigas das línguas indianas modernas. Os principais dialetos do Marathi são o Marathi padrão e o dialeto Varhadi."
(Fonte: Wikipédia)
Felipe Neri Pires, que trabalhava como tradutor e advogado no tribunal de Bombaim, escreveu ao Secretário do Governador-Geral, J. H. da Cunha Rivara, que os milhares de migrantes goeses em Bombaim estavam em estado desesperador. A cidade foi incapaz de absorver todos eles, e seu estado de penúria e miséria de fato motivou as mais "vergonhosas" representações da comunidade em alguns dos jornais de Bombaim.  [...] Para remediar esta situação, Neri Pires sugeriu a Rivara que o ensino em inglês e marataser fornecido, e recomendou que ele publicasse uma gramática para auxiliar os estudantes goeses.
(Fonte: https://academic-oup-com.translate.goog/book/9052/chapter/155575805?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=sc)
"Havendo, mercé de Deos, concluido a presente Grammatica, encetada em circumstancias pouco favoraveis, cumpre-me confessar que naó me teria aventurado a emprehender a confeccáo della, superior certamente as minhas forças intellectuaes se por ventura naó tivera a fortuna de pertencer á um Tribunal, onde estão reunidos, como no um foco, os Nativos mais versados nas differentes linguas vernaculas da India, como saó os Traductores de Profissaó, os Xeristedárs [interpretes], os Xastrís, e Mólvís ou Kazís (peritos em Leis dos Hindús e Mahometanos respectivamente, possuindo ao mesmo tempo, vasto conhecimento de Sanskrit, do Persiano e do Arabico). Estribado pois na coadjavaçáo, e auxilio que delles esperava, e que effectivamente me prestaráo franca e promptamente quando consultados, náo hesitei estrear a empreza, e traze-la ao fim tal como a appresento ao Publico."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Carimbo de biblioteca na capa e f. rosto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado

05 janeiro, 2023

JOHN SPEED em O Investigador Espacial
. Lisboa, Aguiar & Dias, Ldª, 1972. In-8.º (17 cm) de 63, [1] p. ; B. Col. Condor - N.º 36
1.ª edição.
Banda DesenhadaHistória de aventuras/ficção científica publicada na icónica colecção Condor.
"Nunca cheguei a saber como John Speed obtinha aquelas informações secretas. Eu apenas as recebia e classificava para que ele pudesse estudá-las. Mas a que acabava de receber não podia ser arquivada."
(Preâmbulo de John Speed...)
A colecção Condor foi a primeira aposta da Agência Portuguesa de Revistas (APR) no campo das histórias completas. Foi, também, a primeira colecção portuguesa de mini-álbuns de BD já que todas as revistas anteriores publicavam histórias de continuação."
(Fonte: http://tralhasvarias.blogspot.com/2012/05/condor-todos-os-numeros.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

04 janeiro, 2023

LOPO, Júlio de Castro - UM INTELECTUAL - Monsenhor Doutor Manuel Alves da Cunha : notas biográficas e bibliográficas - subsídios. Luanda, Imprensa Nacional, 1948. In-4.º (27 cm) de 79, [1] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Livro-homenagem ao ilustre flaviense Monsenhor Manuel Alves da Cunha, publicado poucos meses após a sua morte.
Ilustrado em separado com três retratos do missionário - um desenho (colagem) no início - e duas fotogravuras no interior.
"Alves da Cunha era um homem liberal e tolerante. O biógrafo que traçar seu perfil, terá de estudá-lo convenientemente dentro das épocas respectivas e sob estes aspectos: o homem, o português, o  missionário e o intelectual.
O homem trouxe do século XIX uma das grandes virtudes morais: - êle tinha horror pela existência do escravo.
O português limitava seu nacionalismo às proporções que a moral e a justiça determinam, mas pondo sempre, acima de tudo e de todos, os superiores interesses nacionais.
O missionário imprimia aos seus actos a afabilidade natural de julgar todos os nossos semelhantes com direito aos convenientes benefícios terrenos e às bem-aventuranças da «outra vida».
O intelectual tinha consciência do que fazia; e tudo o que fazia, era digno de saber-ser e de estudar-se."
(Excerto da Introdução)
Monsenhor Manuel Alves da Cunha (1872-1947). "Nasceu em Chaves, em 8.6.1872 e faleceu em Luanda, em 4.6.1947. Concluiu o bacharelato em Teologia na Universidade de Coimbra (1894). Foi professor do ensino particular na sua Terra (1897) e em 22.9.1900, é ordenado sacerdote. Em 31.10.1901 é nomeado Cónego de Luanda e nos anos seguintes, passa a provisor, e vigário geral, deão da Sé, vice reitor do Seminário Liceu vigário capitular, prelado doméstico, governador do bispado, protonotário apostólico e director das missões católicas. Foi ele que criou o liceu de Salvador Correia e aí foi professor e reitor. Também foi vereador da Câmara de Luanda e provedor da Misericórdia da mesma cidade. Em 1926 o Ministro João Bello chamou-o a Lisboa para com ele estudar o estatuto das Missões e a reorganização do Ministério do Ultramar. Regressou a Angola e prosseguiu a sua brilhante carreira polivalente, ao nível religioso, académico e político. Em tudo o que fez se mostrou um patriota impoluto, um intelectual de fino recorte, um amigo de Angola, um Transmontano inconfundível. Em 1933 foi alvo de uma homenagem pública que envolveu todos os sectores da vida angolana, a coroar uma simpatia invulgar, um trato social incomum, uma cultura fora de série. Em 1.11.1941 embarca compulsivamente no Cubango e desembarca em Lisboa, em 27 do mesmo mês. Só regressa a Angola em 2.1.1943. Nesse lapso de tempo publica e anota o III Vol. da História das Guerras Angolanas de Cadornega (1942). Alberto de Lemos, seu biógrafo e seu aluno, escreveu: "é um dos maiores vultos da História de Angola. Durante 15 anos da vacância episcopal foi sustentáculo válido duma Igreja batida pelo abandono e pelas agressões duma política que não tinha a compreensão das melhores conveniências do Ultramar Português e também atormentada pelas agressões de potências estrangeiras que ambicionavam deslocar nos dos territórios e das posições das influências em África. Dotado de inteligência superior e muito culto, modelo de virtudes cristãs, foi sempre colaborador indispensável e amado pela hierarquia que com ele privou. Polígrafo de muitos méritos, foi historiador, etnólogo, ensaísta de muito saber, mestre incomparável de todos os contemporâneos do seu convívio: Foi conselheiro prudente e auxiliar devotado de muitos governadores gerais. "A sua obra literária foi vastíssima, passando pelo jornal O Apostolado, Boletim da Diocese, Revista "Arquivos de Angola"."
(Fonte: https://de_svo.blogs.sapo.pt/30766.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 janeiro, 2023

A RIR : Album de anecdotas e bons ditos colleccionado por Agostinho Ferreira Chaves, Director-proprietario. Publicar-se-hão em cada mez duas cadernetas de 8 paginas. Faro, [s.l.], 1893-1894. In-8.º (21cm) de 384 p. (48 folhetos x 8 p.) ; il. ; E.
1.ª edição.
Curiosa revista quinzenal algarvia do género humorista; para além das anedotas e dichotes, oferece ainda aos leitores charadas, utilidades, romancetes e poesias. Publicada entre 15 de Junho de 1891 (n.º 1) e 1 de Setembro de 1895 (n.º 102).
O presente volume contém dois anos completos (1893-1894), do n.º 38 - 1 de Janeiro, 1893 ao n.º 85 - 15 de Dezembro, 1894.
Encadernação da época em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Páginas amarelecidas por acção do tempo. Mancha de humidade no canto inferior dto, transversal a toda a obra, sem no entanto prejudicar o texto. A 1.ª página do 1.º número foi recortada em cerca de 1/3.
Raro.
20€

01 janeiro, 2023

PASCOANTES, J. -
A MALICIA E A MALDADE DAS MULHERES. Solteiras, casadas, divorciadas e viuvas. A MALICIA DAS MULHERES VELHAS E NOVAS aumentada com A SANTIDADE DE TODOS OS HOMENS
. Lisboa, Livraria Barateira, [19--]. In-8.° (19 cm) de 17, [1] p. B. Colecção Economica - 32
1.ª edição.
Paródia "poético"-brejeira rural, assinada J. Pascoantes - nome fictício por certo -, publicado na primeira/segunda década do século passado. Opúsculo muito curioso, divide-se em três partes: - A maldade das mulheres, Solteiras, casadas, divorciadas e viuvas; - Malicia de todas as mulheres velhas e novas; - A santidade dos homens.
Capa sugestiva, ao arrepio dos padrões morais da época.

"Faça bem o que eu lhe digo
Custe lá o que custar,
Vá comprar um bom vestido
Mesmo sem o poder pagar!

Recomende á costureira
Que fique bem decotado,
P'r'ó rapaz desejar ver
O resto, que está tapado.

Os seio ao abandono
Para provocar desejos,
Nunca deve trabalhar
E apareça nos festejos.

Vá a toda a parte alegre
E sósinha sempre siga,
Não esquecendo que a saia
Ande por cima da liga.

Arranje um olhar bréjeiro
E um andar ensaiado,
Para um moço com dinheiro
Arranjar p'ra namorado."

(Excerto de A maldade das mulheres...)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Indisponível