18 julho, 2022

SILVA, Pe. Deodato Maria da - EM PROCURA DO CÉU.
Pelo...
Porto, Tipografia da Casa Nun'Alvares, 1956. In-8.º (14 cm) de 321, [7] p. ; C.
1.ª edição.
"Ao elaborar este livro, que intitulou - Em procura do Céu - recorreu o Rev. P.e Deodato a vários autores, cujas obras tinham recebido aprovação eclesiástica, transcrevendo deles alguns artigos, extraindo outros da sua lavra. Prouvera ao Céu que este livro produza em quem o ler o efeito que o autor teve em vista ao prepará-lo: afervorar almas, ou, ao menos, ampará-las no seu amor a Deus."
(Nota d'Os Editores)
"O demónio tem seus interesses no mundo. Foi-lhe permitido estabelecer um reino em oposição ao de Deus; por isso tem em toda a parte agentes activos e diligentes. Armam emboscadas ao trabalhador do campo, procuram assaltar o frade no claustro e o eremita na sua cela; até nas igrejas, durante a santa Missa ou nos ofícios divinos, eles lá estão... Além disto, milhares de homens se lhe entregam como agentes. E, o que é mais deplorável, muito deles, trabalhando para o demónio, quase julgam trabalhar para Deus, tão bom e irrepreensível se lhes afigura o que fazem."
(Excerto de O demónio tem no mundo seus interesses)
Encadernação cartonada - com as pastas trabalhadas - em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Corte das folhas carminado.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas apresentam desgaste nos cantos.
Muito invulgar.
Indisponível

17 julho, 2022

ASCENSÃO, António Cabral de - GANADERO DE SEGUNDA. Lisboa, ERL, 1993. In-4.º (24 cm) de 227, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre a ganadaria Cabral Ascensão, desde a sua fundação até ao presente. Num trajecto algo errático, pejado de dificuldades, o autor, profundo conhecedor do fenómeno taurino, dá
-nos a conhecer o percurso histórico da sua ganadaria.
Livro muitíssimo ilustrado ao longo do texto, a p.b. e a cores.
"Quando, há rigorosamente vinte anos, me aventurei a publicar «Cartas Taurinas», nada faria prever e ninguém - a começar por mim próprio - se atreveria, em boa verdade, a vaticinar, que viesse a ser eu, alguma vez, o responsável mais directo pela ganadaria fundada, em 1947, por António Cabral de Ascensão. [...] Hoje, porém, a poucos meses de se encetar a quinta época em que tenho a meu cargo a administração da ganadaria, quase dez anos volvidos sobre o seu fundador e cumpridas duas décadas desde a data daquela primeira publicação, senti-me - ao pretender assumir, em pleno, responsabilidades que antes me não cabiam - no dever de produzir algo mais elaborado e concludente. Assim surgiu a ideia de dar à estampa este volume.
Imaginei-o, desde logo, como constituído por um primeiro capítulo em que me proporia abordar toda a problemática da bravura do touro de lide: buscando-lhe uma definição; delimitando-lhe os atributos; inventariando-lhe as manifestações; explicitando uma metodologia que julgo válida para a sua selecção na prática ganadera. Destinaria a segunda parte do livro à análise, tão exaustiva quanto me parecesse indispensável, do novo Regulamento tauromáquico português - tecendo-lhe, à luz dos meus atávicos conceitos, as críticas que julgasse mais pertinentes. Pareceu-me legítimo, a seguir, que o terceiro capítulo fosse inteiramente preenchido por alguns textos anteriormente publicados. [...] A quarta parte do livro, por fim, era lógico que fosse dedicada, na íntegra, à elaboração do historial, necessariamente verdadeiro, mas obrigatória e compreensivelmente subjectivo, da ganadaria «Cabral Ascensão», desde os românticos primórdios que conheceu, até a crueza da sua realidade actual."
(Excerto da Introdução)

Matérias: Introdução. | A Bravura do Touro de Lide (Conceito e Selecção). | O Espectáculo Tauromáquico em Portugal (Análise à Luz do Novo Regulamento). | Escritos Ressuscitados: As Vítimas da Festa; Perfil do Tauroescriba Lusitano; Lamento de Forcado; Llanto por Chirivía. | Anamnese Taurina (Histórias Actual e Pregressa).
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar
.
Com interesse histórico e tauromáquico.
25€

16 julho, 2022

DOCUMENTOS RELATIVOS ÁS OBRAS TOPOGRAFICAS DO SNR. JOSÉ JAMES FORRESTER SOBRE O PAIZ VINHATEIRO DO ALTO-DOURO E O RIO DOURO, mandados publicar, PELA EXM.ª CAMARA MUNICIPAL DA INVICTA CIDADE DO PORTO. Em sessão extraordinaria em 8 d'Abril de 1848. [Porto], Typographia Commercial Portuense, 1848. In-8.º (21,5 cm) de [6], 11, 3 p. ; B.
1.ª edição.
Opúculo com interesse para a história do Douro vinhateiro. Processo político relativo à publicação do mapa Paiz Vinhateiro - trabalho topográfico meritório, avançado para a época, da autoria do proprietário/produtor vinícola, e súbdito inglês estabelecido no Porto, James Forrester (1809-1861).
"Quando Joseph James Forrester chegou a Portugal, em 1831, tudo levava a prever que a sua permanência no país seria efémera. De facto, na conjuntura política e económica da época (apogeu do terror Miguelista, guerra civil, crise no sector do vinho do Porto, etc.) o futuro não se apresentava auspicioso para um jovem de 22 anos que vinha trabalhar para uma casa exportadora do Porto - a Offley, Webber & Forrester - que, tal como muitas outras envolvidas no negócio do vinho do Porto, atravessa então tempos difíceis. Porém, para o jovem idealista que ele era, o pulsar político que percorria o país e tinha no Porto, reduto liberal por excelência, o seu epicentro não poderá ter deixado de se afigurar fascinante e de lhe incutir o desejo de participar activamente no "processo revolucionário em curso". Também a crise que afectava o sector a que se vinha associar deverá ter funcionado como um estimulo para alguém que, como ele, ao longo de toda a vida mostrou ter um espírito combativo e não "baixar os braços" perante qualquer desafio.
Tanto ou mais determinante terá sido, no entanto, a atracção que, desde logo, terão exercido sobre o artista, que ele também era, quer a cidade do Porto, quer, sobretudo, o rio que nela desaguava - o Douro - e a região duriense. Daí que de imediato (ainda em 1831) tenha encetado o trabalho pioneiro de cartografar o rio Douro e o país vinhateiro do Alto Douro, cuja execução o ocuparia por vários anos e iria intercalando com desenhos, pinturas e fotografias de cenas e paisagens portuenses - a Rua Nova dos Ingleses, a feira da Cordoaria, o Porto visto de vários ângulos, o Freixo, a Igreja de S. Nicolau, os conventos da Serra e de Santo António, o Castelo da Figueira, etc. - e de personalidades da vida política e social nacional e local (marquês de Saldanha, José da Silva Passos, Félix Manuel Borges Pinto, Emanuel de Clamouse Browne, etc.). Seria, aliás, por esta sua vertente artística que seria agraciado, em 1855, com o título de barão de Forrester em reconhecimento pela "transcendente utilidade para este pais" da sua obra cartográfica - Carta Geológica das margens do rio Douro, Carta topographica do curso do rio Douro e Mappa do Paiz Vinhateiro do Alto Douro -, «um trabalho primoroso e perfeitamente acabado, rico pela abundância de informação original, (e) pela exactidão e beleza de execução».
"
(
Martins, Conceição Andrade - Forrester, o "país vinhateiro" e o retorno ao velho método de fazer vinho do Porto, ICSUL, 2008)
"Tendo chegado ao conhecimento da Camara Municipal desta Invicta Cidade do Porto, que V. S.ª emprehendêra varias obras relativas ao Rio Douro, e melhoramento de sua navegação, as quaes se achão em grande adiantamento, principalmente um mappa do paiz vinhateiro, - tendo para tão nobres fins feito grandes sacrificios, tanto de seu tempo, como de cabedaes, não e tendo poupado a cousa alguma para que tal mappa seja o mais perfeito possivel, e contenha uma minuciosa descripção de tudo quanto ha naquelle paiz de notavel, além de muitas e diversas exposições instructivas e scientificas em que V. S.ª patentea o seu abalizado talento, transcendente engenho, e o appreço que faz da nossa patria: - Resolveu, em Sessão de 7 do corrente, a mesma Camara, a que tenho a honra de presidir, [...] roga[r] instantemente a V. S.ª que não desista de levar ao cabo tão gloriosa empreza, fazendo publicos seus trabalhos, a que disveladamente se tem dedicado; e se necessario é, a Camara protesta prestar a V. S.ª toda a coadjuvação que estiver ao seu alcance, para se conseguir o desejado fim."
(Excerto de Ao cidadão britannico... por Antonio Vieira de Magalhães, Presidente da CMP)
Matérias:
Ao cidadão britannico, O Snr. Joze James Forrester. | Extracto da acta [da CMP]. | Primeira resposta dada á illustrissima Camara Municipal pelo Snr. Forrester. | Segunda resposta dada á illustrissima Camara. | Ao Sr. Joze James Forrester - Antonio Vieira de Magalhães. | A municipalidade do Porto sobre o Mappa do Rio Douro. | Representação á Camara do Snrs. Deputados da Nação Portugueza, pedindo garantia de propriedade das Plantas do Paiz Vinhateiro, a favor do Cidadão Britanico José James Forrester. | Acta da Vereação extraordinaria da Exm.ª Camara Municipal, para apresentação dos trabalhos topographicos, do cidadão Britannico José James Forrester, sobre o Rio Douro.
Joseph James Forrester (Kingston upon Hull, Inglaterra, 1809 - Cachão da Valeira, São João da Pesqueira, 1861). Foi um empresário inglês radicado em Portugal. James Forrester foi o primeiro barão de Forrester, título que lhe foi concedido por D. Fernando II, em 1855, na condição de regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Em 1831 Joseph juntou-se à empresa vinícola de um tio seu no Porto, e iniciou uma reforma no comércio de vinhos. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Também estudou o oídio da vinha causado pelo Oidium tuckeri, desenhou notáveis mapas do vale do Douro (Mapa do Rio Douro). Por este trabalho, foi-lhe concedido o título de Barão, por D. Fernando II, em 1855, regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Pintou várias aguarelas, e foi autor de O Douro Português e País Adjacente (1848) e de Prize Essay on Portugal and its Capabilities (1859), pela qual recebeu uma medalha de ouro.
Em 1861, o barco de Forrester virou-se no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 julho, 2022

CELEBRAÇÃO DOS EXORCISMOS : Ritual Romano reformado por decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II e promulgado por autoridade de S. S. o Papa João Paulo II
. [Coimbra], G.C. - Gráfica de Coimbra : Conferência Episcopal Portuguesa, [2000]. In-4.º (23 cm) de 91, [5] p. ; E.
Manual de exorcismos publicado pela Igreja Católica, de harmonia com o Decreto da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, de 22 de Novembro de 1998.
Inclui transcrição de salmos e ladainhas utilizados nos esconjuros.
"Dada a delicadeza do exercício do ministério dos exorcismos, especialmente do exorcismo maior, impõe-se que os sacerdotes dele incumbidos, além de animados de espírito de fé, prudência e fortaleza, tenham bem presentes as normas e orientações estabelecidas no Direito e nos respectivos Preliminares."
(Excerto da Apresentação)
"As criaturas angélicas estão presentes ao longo de toda a história da salvação: umas permanecem ao serviço do desígnio divino e prestam continuamente a sua protecção ao ministério da Igreja; outras, decaídas na sua dignidade - e chamadas diabólicas -, opõem-se a Deus, e à sua vontade salvífica e à obra redentora de Cristo e esforçam-se por associar o homem à sua rebelião contra Deus.
Na Sagrada Escritura, o Diabo e os demónios são designados por vários nomes, alguns dos quais indiciam a sua natureza e a sua acção.
 O diabo, que é chamado Satanás, serpente antiga e dragão, é quem seduz o mundo inteiro e combate contra os que observam os mandamentos de Deus e dão testemunho de Jesus. É denominado adversário do homem e homicida desde o início, pois, pelo pecado, tornou o homem sujeito à morte. Porque, pelas suas insídias, provoca o homem a desobedecer a Deus, o Maligno é chamado Tentador, mentiroso e pai da mentira, actuando astuta e falsamente, como testemunham a sedução feita aos primeiros pais, a tentativa de desviar Jesus da missão que o Pai Lhe confiou, e finalmente a sua transfiguração em anjo de luz. É também chamado príncipe deste mundo; isto é daquele mundo sobre o qual o Maligno exerce domínio e não conheceu a Luz verdadeira. Finalmente, o seu poder é designado poder das trevas, porque odeia a Luz que é Cristo e atrai os homens às suas própria trevas."
(Excerto do Proémio (sem referências bíblicas))
"No rito do exorcismo, além das fórmulas do próprio exorcismo, dê-se especial atenção aos gestos e ritos que têm maior importância pelo facto de serem utilizados no tempo de purificação do itinerário catecumenal. Tais são o sinal da cruz, a imposição as mãos, o soprar e a aspersão de água benta.
O rito começa com a aspersão de água benta, pela qual, como memória da purificação recebida no Baptismo, se protege o atormentado contra as ciladas do inimigo.
A água pode benzer-se antes do rito ou no próprio rito antes da aspersão e, se parecer oportuno, com a mistura de sal.
Segue-se a prece litânica, na qual se invoca para o atormentado a misericórdia de Deus pela intercessão de todos os Santos.
Depois da ladainha, o exorcista pode recitar um ou vários salmos, que imploram a protecção do Altíssimo e exaltam a vitória de Cristo sobre o Maligno. [...]
Depois o exorcista impõe as mãos sobre o atormentado, a invocar o poder do Espírito Santo para que o Diabo saia daquele que pelo Baptismo se tornou templo de Deus. Ao mesmo tempo pode soprar para a face do atormentado.
Recita-se então, o Símbolo ou renovam-se as promessas do Baptismo com a renúncia a Satanás. Segue-se a oração dominical, na qual se implora a Deus, nosso Pai, que nos livre do Mal.
Depois disso, o exorcista mostra ao atormentado a cruz do Senhor, que é a fonte de toda a bênção e graça, e faz o sinal da cruz sobre ele, a manifestar o poder de Cristo sobre o diabo."
(Excerto de Preliminares - IV - O rito a seguir)
Índice:
Apresentação. | Decretos. | Proémio. | Preliminares: I - A vitória de Cristo e o poder da Igreja contra os demónios. II - Os exorcismos na função santificadora da da Igreja. III - O ministro e as condições para realizar o exorcismo maior. IV - O rito a seguir. V - Adições e adaptações. VI - Adaptações que competem às Conferências Episcopais. | Capítulo I - Celebração do exorcismo maior: Ritos iniciais; Súplica litânica; Recitação do Salmo; Leitura do Evangelho; Imposição das mãos; Símbolo da fé ou Promessas baptismais; Oração dominical; Sinal da cruz; Sopro; Fórmulas do exorcismo: - Fórmula deprecativa; - Fórmula imperativa; Acção de graças; Ritos finais. Capítulo II - Textos vários que podem ser utilizados no rito: I - Salmos. II - Evangelhos. III - Fórmulas do exorcismo. | Apêndices: I - Súplica e exorcismo que podem utilizar-se facultativamente em circunstâncias peculiares da Igreja. II - Suplicas que os fiéis podem utilizar privadamente contra os poderes das trevas.
Encadernação editorial com ferros gravados a ouro na pasta frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Sublinhados a lápis (e duas frases a feltro) nas primeiras folhas do livro.
Muito invulgar.
Indisponível

14 julho, 2022

CASTELINHO, Joaquim Augusto - MEMÓRIAS DE UM COMBATENTE
. [Por]... Licenciado em Ciências Históricas pela Universidade do Porto.... Lisboa, [s.n. - Comp. e impresso nos Serv. G. da Liga dos Combatentes - Lisboa], 1985. In-8.º (19,5 cm) de 97, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro de memórias do autor, combatente em África durante a Guerra Colonial, redigido em prosa, mas polvilhado com trechos poéticos. Para além do seu "diário de guerra", Castelinho homenageia camaradas de armas e personalidades da sua terra - Mós do Douro - e povoações visinhas, que pela sua dedicação e bravura, merecem referência na História de Portugal.
Consagra dois capítulos do livro à Grande Guerra:
A Intervenção de Portugal na I Grande Guerra: [Introdução.] | O Sector Português. | A Batalha de La Lys. | Reprodução de (15) versos cantados por Ernesto Reto, com voz roufenha, nas trincheiras ao som da metralha, longe da sua Pátria, deixando transparecer um sentimento de nostalgia e de saudade pela sua terra natal, tão distante. | As Baixas Portuguesas: Flandres; Angola; Moçambique. | A Participação da Força Aérea Portuguesa na 1.ª Grande Guerra. | Proeminentes Figuras, consideradas como Heróis Nacionais: Comandante Carvalho Araújo; Soldado Aníbal Augusto Milhões.
Combatentes da I Grande Guerra: [Fotos de soldados].

"Se já não há igualdade
Diga-me meu general
Se só vai quem tem dinheiro
De licença a Portugal

No abrigo das trincheiras
Em silêncio e sem abrigo
Com cinto e cartucheiras
Ando em guerra metido

Para ir à Pátria Querida
Só vai quem tem dinheiro
Que vida tão triste a minha
Por ter ficado prisioneiro 
 
Encostado ao parapeito
Vem um morteiro e... Pum!.......
Vai um homem para o maneta
A dançar o trinta e um!!!!!!"

(A Batalha de La Lys - Soldado Ernesto Reto, feito prisioneiro pelos alemães - Versos 1; 2; 8; 15)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

13 julho, 2022

PASSOS, Annibal - A TRAGEDIA DE LISBOA E A POLITICA PORTUGUÊSA
. Editores: Porto, Emprêsa Litteraria e Typogr. - Rio de Janeiro, Francisco Alves & C.ª, 1908. In-8.º (19 cm) de 322, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Análise da situação política nacional após, e na sequência do regicídio.
"A tragedia de Lisboa, que em 1 de fevereiro de 1908 victimou S. M. El-rei D. Carlos I, e seu filho, o principe real D. Luiz Filippe, pelas circumstancias em que se produziu, é uma monstruosidade sem precedentes na Historia de todos os povos civilizados.
A proximidade a que nos encontramos d'ella, á hora de traçar estas linhas, se nos permitte sentir todo o justificado horror que inspira a quem tem senso e tem coração, não nos consente apreciar com exactidão e medir rigorosamente as suas consequencias.
Todavia, e oxalá que o futura desminta previsões que consideramos bem fundadas, essas consequencias, ao nosso amor patrio alarmado, afiguram-se funestissimas.
Difficuldades de ordem interna e externa, prejuizos materiaes e moraes inevitavelmente irremediaveis, com certeza o nome português considerado ignominia no mundo, e possivelmente a perda da nossa independencia - eis a obra fatal das balas disparadas por alguns desvairados fanaticos, - os menos responsaveis, - acirrados e transviados por uma propaganda de bandidos - os verdadeiros criminosos. [...]
A morte crúa d'El-rei D, Carlos e de seu filho o principe D. Luiz Filippe foi para nós uma barbaridade, uma imbecilidade e uma injustiça."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Primeira Parte - A Tragedia de Lisboa: Introducção. | I - A Barbaridade; II - A Imbecilidade; III - A Injustiça; IV - As virtudes do Rei; V - Os erros do Rei; VI - João Franco; VII - Governo liberal de João Franco; VIII - Senhor.
Segunda Parte - A politica portuguêsa: I - O sentimentos do partido republicano; II - A ideia do partido republicano; III - Os homens do partido republicano; IV - Desvantagens da Republica; V - Inconvenientes da existencia do partido republicano; VI - O Rotativismo; VII - A Solução; VIII - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas marginais.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

11 julho, 2022

FEIO, Maria - CAMÕES E A ALMA LUSO-ESPANICA-BRAZILEIRA
. [S.l.], [Edição da Autora(?) - Tip. Carvalho - Porto], [192-]. In-fólio (32 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Ary d'Almeida.
"Plaquete" poética de generosas dimensões, dedicada ao grande vate português Luís de Camões, cujo objectivo "tem por fim agitar o plano da grande aliança Luso Espanica Brazileira". A autora procura associar a "Alma" - o sentimento nacional -  aos laços de sangue e culturais que nos unem, segundo ela, à vizinha Espanha e ao Brasil, país irmão.
Inclui uma poesia da mãe da autora - D. Catharina M. de Figueiredo Feio Abreu Castelo Branco - publicada no seu livro "Fragmentos de Prosa e Verso", de 1882.
No final, em página inteira, Maria Feio explica por palavras suas a simbologia patriótica patente no desenho da capa.

"Se Camões moribundo, ao vêr perdida,
Em Africa da patria e liberdade.
- Patria, morramos juntos, - disse, e a vida
Exhalou!... Quanta extrema heroicidade,
Lhe quebrava os grilhões, na ardente lida,
D'esse dia de gloria e felicidade!...
Se no pó, dos sepulchros não jazera
Diria - Ó patria exulta! - E não morrera."

(A Restauração)

Poesias:
A Restauração. | Camões. | Rosas Misticas da Germania. | Camões. | Camões em Espanha e no Brazil. | Alma Luso-Espanica-Brazileira.
Exemplar brochado, preso por atilhos, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel; ligeiramente oxidadas. Apresenta vinco sensivelmente a meio do opúsculo.
Peça de colecção.
Raro.
Indisponível

10 julho, 2022

BRITES, Geraldino - CATALOGO DA COLECÇÃO DA MORGUE DE COIMBRA. 1900 - Julho de 1911
. Coimbra, Typographia França Amado, 1911. In-4.º (23,5 cm) de 58, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio forense e médico-legal. Ao longo do livro são descritas as circunstâncias de diversos casos que resultaram na morte dos pacientes, vindo estes a ser sujeitos a autópsia na Morgue de Coimbra e expostas as respectivas conclusões médicas.
Ilustrado ao longo do texto com desenhos exemplificativos.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Geraldino Brites ao Prof. António de Pádua (1869-1914), ilustre médico e professor catedrático.
"Este catalogo tem por fim archivar as descripções das peças, que constituem a collecção da morgue de Coimbra, e as constatações dignas dignas de registo feitas no decurso das autopsias. [...]
A actual collecção é essencialmente anatomo-pathologica; todas as lesões constatadas nas autopsias vão sendo cuidadosamente recolhidas e todos os especialistas sabem quão valiosas são por vezes as descobertas accidentaes das necropsias, quer em lesões pathologicas, quer em desvios da conformação anatomica normal; se as primeiras são dignas de registo, a conservação das segundas não é merecedora da menor importancia. [...]
Em collecções d'esta natureza é absolutamente indispensavel recorrer a todos os meios conducentes a pôr bem em evidencia as lesões, destacando-as no conjuncto, que tantas vezes occulta a lesão principal. [...]
N'essa orientação o catalogo não será sómente descriptivo mas tambem iconographico, porque é impossivel por simples descripções fazer perfeita ideia d'uma peça. As dscripções serão acompanhadas do estudo miscroscopico e de gravuras e eschemas destinadas a dar uma ideia tão completa quanto possivel da collecção. [...]
A descripção de cada peça será precedida d'um resumido extracto do caso medico-legal a que se refere, tirado dos registos da Morgue."
(Excerto da introdução)
Geraldino da Silva Baltazar Brites (Paranhos, Porto, 1882 - Lisboa, 1941). "Foi um médico, investigador, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e cientista português. Ao longo da sua carreira exerceu diversas funções: médico municipal em Loulé (1908-1910), Chefe do Laboratório da 1ª Clínica Cirúrgica (1910), Director do Hospital Escolar de Lisboa (1910), naturalista da cadeira de Zoologia na Universidade de Coimbra (1910-1913), 1º assistente do Laboratório de Histologia e Embriologia da Universidade de Coimbra (1912-1913), Secretário da Morgue da 3.ª Circunscrição Médico-Legal (1911-1915) e Médico alienista do Conselho Médico-Legal da 3.ª Circunscrição (1913-1915). A 2 de janeiro de 1915 sai de Coimbra e vai para Lisboa, onde passa a exercer funções de Chefe do Laboratório de Terapêutica Cirúrgica. A 14 de janeiro deste ano, cessa as suas funções enquanto Secretário da Morgue e Médico alienista do Conselho Médico Legal da 3.ª Circunscrição. De 1915 a 1922, esteve no serviço de Tanatologia do Instituto de Medicina Legal em Lisboa, do qual foi Chefe de serviço de 1918 a 1921. Entre as centenas de autópsias de que fez parte, destaca-se a autópsia ao Presidente da República Dr. Sidónio Pais que realizou conjuntamente com o Dr. Asdrúbal António d'Aguiar, Chefe de serviço de Clínica Médico-Legal de Lisboa e principal responsável pela autópsia supracitada. Após exoneração do cargo de Chefe do serviço de Tanatologia do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, regressa a Coimbra por convite. Em 1927, fez parte integrante na organização da Sociedade Portuguesa de Biologia e de 1928 a 1933 foi Diretor do Instituto de Investigação Científica."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e vincos.
Raro.
35€

09 julho, 2022

A FACULDADE DE MEDICINA E A PORTARIA DE 15 DE JUNHO DE 1866
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1866. In-8.º (19,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo com interesse para a história das relações entre o poder político e a Universidade de Coimbra.
Considerações do Conselho da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra a propósito do "puxão de orelhas" de Martens Ferrão ao mesmo Conselho por portaria emanada do Ministério do Reino, aprovada e subscrita pelo rei D. Luís I.
Inclui transcrição da Portaria "ofensiva".
"Foi presente a Sua Magestade El-Rei a representação de 14 de maio ultimo, em que a faculdade de medicina da universidade de Coimbra expoz a conveniencia de que os concursos a que se devia procder não fossem adiados para o futuro anno lectivo, e egualmente pediu lhe fosse permittido pôr ponto em alguns dos ultimos dias do mez de maio, permissão de que sómente usaria quando a urgencia do serviço assim o exigisse.
Tendo sido ouvido o conselho geral de instrucção publica, foi este de parecer em consulta de 29 do dito mez que em vista das disposições dos estatutos e legislação subsequente, e em respeito á conveniencia do serviço e regularidade do ensino publico, não havia fundamento algum legal para a dispensa dos mesmos estatutos..."
(Excerto da Portaria - preâmbulo)
"E censura-se d'este modo um corpo docente, sem que fossem ouvidas, nem perguntadas as razões do seu procedimento!
Contra as injustas censuras, contidas neste documento official, podia a Faculdade de Medicina representar a El-Rei, e pedir reparação do aggravo.
Não o quiz fazer.
Escudada com a lei e tranquilla pelo exacto cumprimento de seus deveres, houve por mais conforme a sua dignidade não importunar o Soberano, e não pedir desaggravos de censuras que lhe não cabem. Mas, para que em todo o tempo constem os motivos do seu procedimento e a sem-razão das censuras, resolveu que no livro das actas, que é o livro da sua historia, ficasse exarado o que adiante se segue, manifestando o desejo de que se lhe désse publicidade."
(Comentário-desabafo-introdução às Considerações do Conselho)
Exemplar desencadernado (sem capas) em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

08 julho, 2022

BOXER, Major C. R. - SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DOS CAPITÃIS GERAIS E GOVERNADORES DE MACAU (1557-1770)
. Macau, [s.n.], 1944. In-4.º (26,5 cm) de 106 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho de recolha e compilação respeitante à governação de Macau entre 1557 e 1770, período mais "nebuloso" da história da administração do território por ausência de fontes coevas.
Livro ilustrado no texto com a "Reprodução da Assinatura autógrafa e brasão de armas em sêlo de lacre vermelho, de António de Mesquita Pimentel", bem como, noutras páginas, uma pequena estampa e desenhos do brasão de armas português.
"Que eu saiba, não existe um catálogo completo dos Capitãis e Governadores de Macau, e até julgo que já não é possível fazê-lo. De um lado, a perda de tantos documentos da Casa da Índia em Lisboa, no terramoto de 1755, e de outro os estragos feitos pela maldita formiga branca nos arquivos de Goa e Macau, têm feito desaparecer muitos papéis originais de que nunca se tiraram cópias, emquanto a inércia e a incúria dos homens têm tristemente contribuído para o desaparecimento de tanta documentação, perda já hoje em dia irremediável. [...]
Cremos não errar afirmando que existe uma só lista dos Governadores de Macau, impressa, e que é aquela que foi organizada pelos Sr. Marin Chaves, e publicada pela primeira vez em pp. 101-114 do Anuário de Macau de 1922 sob o título Lista dos Governadores de Macau e datas de posse... [...]
Embora Macau (então sòmente aldeiazinha de pescadores ou covil de piratas), fôsse freqüentada de vez em quando pelos portugueses que saíam da ilha vizinha de Lampacau (Lang-pak-sui) para o Rio da Pérola e Cantão, já antes da fundação da povoação europeia em 1557, claro é que as autoridade dos Fulangki só foi lá estabelecida neste ano. Infelizmente as pesquisas de muitos escritores, desde o cronista António Bocarro, até os nossos eruditos contemporâneos Jack Braga e Padre Manuel Teixeira, não conseguiram apurar nem o dia nem o mês em que os portugueses tomaram psse da colónia, após a tradicional derrota duma armada de piratas chineses. Fica de pé, porém, que esta façanha (se façanha houve) se deu no ano de 1557, último do reinado de Dom João III e primeiro do deventurado Dom Sebastião, então apenas criança. Por isso começamos o nosso catálogo naquele ano, e vamos até 1770, porque, dali em diante, é fácil averiguar o nome e os actos de qualquer governador da colónia, por serem muitos os livros que tratam da Cidade de Nome de Deus de Macau na China, desde o último quartel do século XVIII."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
Primeira Parte - Desde a fundação da Cidade em 1557 até a separação da Capitania da Viagem de Japão em 1623.
Segunda Parte - Desde a nomeação de Dom Francisco Mascarenhas em 1623 até à de Dom Rodrigo de Castro em 1770.
Terceira Parte - Capitãis e Governadores de Macau, desde 1557 até 1770 - (Documentos comparativos).
Charles Ralph Boxer (Sandown, ilha de Wight, 1904 - St. Albans, Hertfordshire, 2000). "Foi um historiador britânico, notável conhecedor da história colonial portuguesa e holandesa.
Filho do coronel Hugh Boxer e de sua esposa Jane Patterson, Charles Boxer foi educado no Wellington College e no Royal Military College, em Sandhurst. Tenente no Regimento do Lincolnshire em 1923, serviu naquele regimento durante 24 anos, até 1947. Foi destacado para a Irlanda do Norte e, de 1930 a 1933, tradutor no Japão alocado ao Regimento de Infantaria nº 38, com base em Nara. Em 1933, formou-se como intérprete oficial da língua japonesa. Enviado para Hong Kong em 1936, serviu como oficial nas tropas britânicas na China em Hong Kong, em serviços de inteligência. Em 1940, foi promovido. Ferido em ação durante o ataque japonês a Hong Kong em 8 de dezembro de 1941, foi levado pelos japoneses como prisioneiro de guerra e mantido no cativeiro até 1945. Solto, voltou ao Japão como membro da Comissão Britânica no Extremo Oriente em 1946-1947. Durante sua carreira militar, publicou cerca de 86 livros e opúsculos sobre a história do Oriente, sobretudo dos séculos XVI e XVII.
Como major no Exército, aposentou-se em 1947, quando o King's College, em Londres, lhe ofereceu sua Cadeira Camões de Português, cargo que deteve por vinte anos até 1967. Em tal período, a Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres o nomeou seu primeiro Professor de História do Extremo Oriente, servindo no cargo por dois anos, de 1951 a 1953.
Aposentando-se em 1967 da Universidade de Londres, Boxer aceitou o posto de professor visitante na Universidade de Indiana, onde serviu ainda como conselheiro para a Biblioteca Lilly, ou Lilly Library, em seu campus em Bloomington, Indiana. De 1969 a 1972, teve uma cadeira de história da Expansão Europeia no Ultramar na Universidade de Yale."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

07 julho, 2022

VIEIRA, Afonso Lopes - ANIMAIS NOSSOS AMIGOS
. [Lisboa], Parceria A. M. Pereira, L.da, 1973. In-fólio (30,5x23,5 cm) de 64 p. ; mto il. ; C.
Bonito álbum de cunho pedagógico, em verso, - superiormente ilustrado por Eugénio Silva -, e dedicado pelo Poeta ao público infantil.

"Aqui agora acabou
o livro dos Animais;
quem o leu e quem gostou,
amigo deles ficou
destes e também dos mais:
do cão de bom coração;
do gato todo caseiro;
do burrinho caminheiro;
dos grandes bois da lavoira;
das abelhas que o Sol doira;
dos sapos que amam as flores;
dos passarinhos cantores;
do lobo que tinha fome,
e é manso porque já come."

(Estrofe final)

Indice:
O Cão | O Gato | O Burro | Os Bois | As Abelhas | O Sapo | Os Passarinhos | O Lobo e São Francisco de Assis.
Encadernação cartonada do editor policromada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
15€

06 julho, 2022

PARREIRA, José - CANTOS, MUSICAS E DANÇAS (escorço).
Por... Congresso Regional Algarvio
. Lisboa, Composto e impresso da Typographia da «Gazeta dos Caminhos de Ferro», [1915]. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Tese apresentada ao Congresso Regional Algarvio.
Encontro histórico. "Além dos principais órgãos de imprensa nacional e regional, no congresso estiveram presentes alguns dos mais ilustres representantes da elite algarvia, habitando ou não no distrito, nomeadamente ministros, deputados, senadores, altos funcionários, académicos, cientistas, médicos, advogados, professores, engenheiros, agrónomos, militares, etc. [...]
As teses apresentadas [em número de 25] focaram especialmente o turismo, a indústria, o crédito bancário, a pesca e o ensino da pesca, as vias de comunicação, o ensino, a cultura, a tradição oral, o comércio, o clima, etc., confirmando ao mesmo tempo a intenção de servirem de base a futura legislação para enquadramento do que se viesse a projectar. [...]
Na ocasião foi anunciado um novo congresso, que teria lugar na cidade de Faro, durante o ano de 1918. Todavia, por razões que desconhecemos este nunca se chegaria a realizar."
(Fonte: https://www.jornaldemonchique.pt/o-congresso-regional-algarvio-de-1915-e-os-seus-reflexos-no-concelho-de-monchique-iii/)
Opúsculo raro, com o maior interesse histórico, etnográfico e regional, por certo, com tiragem reduzida.
"A paizagem falla á alma e falla ao espirito, creando n'elle como que um instrumento, que alheiadamente desferirá as notas tristes ou alegres, melancholicas ou joviaes: cahidas do céo, vindas das almas que em nossa alma fallam.
Que bellos cantos que nos campos algarvios se ouvem! Que toadas! A musica simples, cheia de singella e de despreoccupada arte, mas dizendo muito mais que, ás vezes, as preoccupadas lucubrações dos amaneirados compositores. É a ternura do céo passando para a ternura da voz; é a tepidez do ar temperando o coração; é o mar infinitamente azul alongando o sonho, n'um rasto de tristeza que até á vista se esfuma...
O canto no sul é como esse sul. Descamisando o milho, encaixando o figo, colhendo as uvas ou apanhando a alfarroba, a rapariga do campo canta, não para espantar seus males, mas porque refecte nas cambiantes do seu sentimento o que n'elle incute o mundo exterior. Fazei por as ouvir! A phantasia e o poetico! [...]

Quem não quizer ver mulher
Em outros braços rendida
Não a deixe um só momento,
Por toda a parte a persiga.

Mas coitadinha d'aquella
Que cae em boccas do mundo,
Que é como uma barca sem leme,
Que se anaga, e vae ao fundo!

Fazei por que o Algarve não se desregionalize. Em tudo, elle tem um caracter proprio e que merece ser apreciado e mantido.
Conserva a tua toada que te vem da Natureza; vella pela tua musica, que corda é dos instrumentos variados que em teu redor artistas naturaes te fabricam; não desprezes mesmo as tuas danças, mais quentes, mas d'um fino erotismo, que todas as lubricas, banaes e landanescas mornas..."
 
(Excertos da Tese)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Falha de papel na capa frontal, visível na foto publicada.
Raro.
25€

05 julho, 2022

RAU, Virgínia - RUMOS E VICISSITUDES DO COMÉRCIO DO SAL PORTUGUÊS NOS SÉCULOS XIV A XVIII.
Universidade de Lisboa : Faculdade de Letras
. Lisboa, Faculdade de Letras, 1963. In-4.º (23,5 cm) de 27, [1] p. ; [2] f. desdob. ; il. ; B. Separata da Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, III série, n.º 7, 1963
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história da produção e comercialização do sal nacional, sobretudo no que à península de Setúbal diz respeito.
Ilustrado no texto com quadros e tabelas estatísticas, e em separado com dois gráficos:
1) Sal transportado através do Sund, em milhões de "lasts"/Sal exportado por Setúbal, em milhares de moios/Sal exportado por Brouage, em milhares de "muids ras";
2) Comércio do sal de Setúbal nos séculos XVII e XVIII/Preços médios anuais do sal em Amesterdão, por "cento" de 404 medidas, durante os séculos XVII e XVIII, segundo N. W. Posthumus.
Separata muito valorizada pela dedicatória autógrafa da autora.
"Portugal com a sua extensa costa marítima exposta a ventos dominantes fortes e quentes durante uma parte do ano, e a temperatura elevada e constante dos seus verões, estava, desde sempre, fadado geográfica e climàticamente a ser um país produtor de sal."
(Excerto do estudo)
Virgínia Roberts Rau (1907-1973). "Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorando-se em 1947. Professora Catedrática na mesma instituição durante vinte anos, fundou, em 1958, o Centro de História da Universidade de Lisboa, então Centro de Estudos Históricos. Foi, também, a primeira mulher a assumir a direcção da Faculdade de Letras (1964-1969). A sua obra como historiadora, transversal cronológica e geograficamente, é balizada por um lado pela formação medieval do reino e por outro pelo seu processo moderno de atlantização, sem nunca perder de vista uma escala de comparabilidade europeia. Uma concepção moderna da oficina do historiador, baseada no trabalho colectivo, numa precoce internacionalização assim como na articulação entre a investigação e o ensino, garantem-lhe uma posição singular na historiografia portuguesa. "
(Fonte: http://www.centrodehistoria-flul.com/virginia-rau.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

04 julho, 2022

CARDOSO, Pedro - FOLCLORE CABOVERDEANO.
[Prefácio de J. B. Amâncio Gracias]
. Pôrto, Edição Maranus, 1933. In-8.º (17 cm) de 120 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Trabalho pioneiro sobre o folclore cabo-verdiano. Importante ensaio com interesse histórico e etnográfico sobre a cultura popular da antiga ex-colónia portuguesa.
Livro ilustrado com diversas fotogravuras dispersas pelo texto, e em página inteira, com um mapa de Cabo Verde, e noutra, a reprodução de um autógrafo de Gago Coutinho com a sua explicação para a localização estratégica do arquipélago para a aviação.
"Li dum fôlego o seu magnífico manuscrito sôbre o Folclore Caboverdeano e devolvo-o com agradecimentos. É um valioso subsídio para uma obra mais vasta e completa sôbre a etnografia do Arquipélago, da qual o assunto, sôbre que V. produziu tam belas páginas, constitui um capítulo importante.
Cabo-Verde presta-se a grandes estudos. A sua história, pròpriamente dita, está mais ou menos feita, mas, quanto à sua etnografia, nos seus diversos aspectos e modalidades, pouco ou nada vejo escrito.
E, no entretanto, a história hoje adquire mais valor, fixa-se melhor, quando as ciências antropológicas a iluminam com os lampejos das suas investigações acêrca da raça, dos usos e costumes, lendas, mitos, superstições, cantares e folclore dos países a que respeita.
Muitos factos históricos, que às vezes nos parecem inexplicáveis, têm a sua origem nos caracteres étnicos, nos fenómenos sociais do respectivo povo.
Que eu saiba, o trabalho, o trabalho de V. é o primeiro no género em relação à etnografia desta Colónia, e por isso mesmo merece V. os mais entusiásticos aplausos por se ter dedicado a semelhantes estudos."
(Excerto do Prefácio)
"Folclore é vocábulo aportuguesado do inglês «Folk» (povo), «Lore» (saber), não sabemos se inventado mas proposto, em 1846, por W. J. Thoms, para representar o conjunto dos factos correlativos, conhecidos sob várias denominações, tais como lendas, ritos, jogos e danças, romances e cantigas, etc.
Englobando e versando semelhantes temas, constitui-se, sem dúvida, parte integrante da ciência etnográfica, se a sistematização dos conhecimentos por esta ministrados nos autoriza tal classificação.
O estudo do nosso «Folclore» implica conhecimento perfeito do dialecto e, conseqüentemente, convivência de espaço e íntima como o povo, assistindo às suas festas, jogos e trabalhos, e ouvindo os seus cantares e adágios, suas lendas e superstições."
(Excerto da I Parte - Folclore caboverdeano)
Índice:
Prefácio. | 1460. | I Parte: Folclore caboverdeano; Cabo-Verde e Brasil; Noções elementares de gramática. II Parte (Cancioneiro): A Morna; Morna; Crioulo do Fogo; Crioulo de Santiago: - Palavras prévias; - Batuque; - Cimbó; - Batuque; - Finaçon; - Declaração de amor; - Glossário. | Apêndice: Mornas - Canções crioulas. | In-memoriam: António Cortez: - Sol de Bedjiça; - Morna. Eugénio Tavares: - Já m'crê-bo! - Amo-te!
Pedro Monteiro Cardoso (190-1942). "Escritor cabo-verdiano nascido em 1890, na Ilha do Fogo, e falecido em 1942, na cidade da Praia. Professor do ensino primário, salientou-se no jornalismo ao defender os interesses sociais, políticos e económicos de Cabo Verde. Publicou Folclore Cabo-Verdiano (1933), Pelos Direitos do Crioulo (1933) e Profissão de Fé (1934), uma série de sonetos e redondilhas. Dirigiu o jornal Manduco e colaborou na Voz de Cabo Verde."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

03 julho, 2022

MENSURADO, Joaquim - QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM. Contributo para a história dos Páras em África.
[Por]... (Ten.Cor. ex-Paraquedista)
. Lisboa, Lusolivro, 1993. In-4.º (24 cm) de 245, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias de guerra do autor, paraquedista em África durante a Guerra do Ultramar - as suas impressões e vivências do conflito. Em 1975, participou no 11 de Março, golpe spinolista que redundaria em fracasso, tendo sido preso e encarcerado em Caxias. Também sobre este período da sua vida militar o autor se pronuncia, recordando o dia a dia na prisão e os abusos cometidos sobre ele e os seus camaradas na mesma situação. Para a construção do livro, resolveu Mensurado mudar o nome de certa personagens - algumas bem conhecidas - mas que com facilidade se percebe quem são, pelo sentido, e (ou) até por não deferirem muito dos originais.
Obra invulgar, há muito esgotada, por certo, com tiragem reduzida.
"É um livro com personagens de ficção, em que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, tanto em nomes, como em hierarquias e factos.
Não pretendo, de modo algum, ser um escritor e as minhas memórias militares não são mais que um relatório, propositadamente não sequencial, por forma a não o tornar muito maçudo, e representam apenas a expressão da verdade dos meus sentimentos.
Podia ter escrito mais, dado que as histórias são muitas, mas não o fiz por não o achar necessário e porque quero apenas dizer o que vi com os meus olhos, o que mais me chocou e me agradou, em especial no que se refere às campanhas de África.
Posso dizer que senti uma grande satisfação pessoal por ter escrito este livro, que representa um desabafo que vem bem de dentro de mim, e só agora, por só agora estarem reunidas as condições mínimas para o poder fazer.
A verdade é que durmo melhor, estou melhor com  minha consciência e mais satisfeito comigo próprio."
(Excerto do Prólogo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

02 julho, 2022

DECRETOS E PRINCIPAES ACTOS DO GOVERNO CONCERNENTES AO ASYLO DE D. MARIA PIA E ASSOCIAÇÃO AUXILIADORA DOS ESTABELECIMENTOS DE BENEFICIENCIA DO REINO
. [S.l.], [s.n.], 1867. In-8.º (19,5 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Decretos e Regulamento do Asilo de D. Maria Pia (Xabregas - Lisboa) emanados do Paço da Ajuda - entre 14 de Março e 20 de Julho de 1867 - e subscritos pelo Rei D. Luís I e Martens Ferrão, ministro e Procurador-Geral da Coroa.
O Asilo de D. Maria Pia foi uma instituição de recolhimento, compreendendo "duas secções especiaes e distinctas, que se denominarão, uma «casa de asylo», a outra «casa de detenção e correcção»". Criado por Decreto de 14 de Março de 1867, e entregue pelo rei à protecção da rainha D. Maria Pia de Saboia, sua mulher, o asilo viria a ser instalado no Palácio Nisa, contíguo ao Convento da Madre de Deus, comprado pelo Estado nesse ano para o efeito.
"Merecendo a maior solicitude do governo a extincção da mendicidade em todo o reino; dependendo porém a realisação d'esse pensamento de uma serie de providencias policiaes e de beneficiencia tendentes a reprimir os habitos de mendicidade e vadiagem, extremando os verdadeiros dos falsos mendigos, obrigando estes a procurarem no trabalho proprio os meios da sua sustentação, e ao mesmo tempo proporcionando os socorros da caridade publica áquelles que por absoluta invalidez não podem d'aquella fórma prover ás suas necessidades.
Sendo o districto de Lisboa um d'aquelles em que mais urge a adopção das indicadas providencias, por concorrerem a elle, e especialmente á capital, indigentes de todos os pontos do paiz."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar desencadernado, sem as capas lisas de protecção, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e social.
15€

01 julho, 2022

A FLUTUAÇÃO DO NAVIO-APOIO «GIL EANNES» E DO NAVIO-MOTOR DE PESCA À LINHA «SAM TIAGO» E OS DISCURSOS QUE SE PRONUNCIARAM NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO -
["Gil Eannes" : navio que é símbolo de uma grande tarefa]
. [S.l], Editado pelo Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau, [1955]. In-8.º (21,5 cm) de 52, [2] p. ; [5] f. il. ; B.
1.ª edição.
Cerimónia de baptismo do navio-hospital «Gil Eannes» - o segundo com estas funções (e com este nome) - para apoio à frota bacalhoeira portuguesa, bem como o «Sam Tiago», o mais novo navio da frota de pesca longínqua nacional, e os discursos pronunciados na ocasião por eminentes figuras do regime.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 5 estampas intercaladas no texto, reproduzindo fotografias da chegada dos convidados aos Eslaleiros, dos navios na doca e da benção à capela do «Gil Eannes».
"O dia 20 de Março de 1955 ficou para sempre assinalado nos anais de Viana do Castelo - a Viana do Mar.
Com a presença de algumas das figuras mais representativas da vida nacional, viveram-se horas de inolvidável emoção quando se procedeu, no meio do estralejar dos morteiros e das palmas de milhares de pessoas, à flutuação do magnífico navio de apoio da frota bacalhoeira «Gil Eannes» e de mais um moderno navio-motor de pesca à linha - o «Sam Tiago».
O «Gil Eannes», todo pintado de branco, com a cruz vermelha - símbolo universal da assistência - a sangrar-lhe na chaminé, embandeirado em arco, enchia a ampla doca em que foi construído, sob projecto português e por mãos de operários portugueses.
O «Gil Eannes» - a maior construção erguida até hoje pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, e também, por outro lado, a construção mais complexa até este momento concebida e executada em qualquer estaleiro naval nacional - estava ali, elegante, imponente,  testar aquela grande verdade de que Portugal volta ao mar, como um dia definiu, lapidarmente, Sua Ex.ª o ministro Américo Thomaz, o renascimento rápido das nossas actividades marítimas. [...]
Desde manhã que Viana do Castelo estava em festa, apesar da chuva e do vento que fustigavam impiedosamente a cidade do Lima. [...]
Mas o povo de Viana e as terras vizinhas, acostumado às inclemências do clima local, não faltou. E acorreu em massa. Uma torrente de milhares e milhares de pessoas em camionetas ou em automóveis (e quantas a pé!) afluiam aos estaleiros num desaguar de caudal humano. Alto-falantes transmitiam música popular portuguesa ou números conhecidos do folclore ribeirinho. Faltava uma hora para principiar a cerimónia e os estaleiros eram já um mar imponente de povo. Nunca se vira coisa assim!
Pouco antes das 15 horas, o silvo estridente de uma Diesel anunciou que o comboio especial em que vinham de Lisboa as personalidades oficiais e quase trezentos convidados, estava quase a chegar ao apeadeiro do Campo da Agonia. Estralejaram morteiros, perdidos nas nuvens baixas."
(Excerto de 20 de Março de 1955 : uma cerimónia inolvidável)
Matérias:
Bênçãos da Igreja - Manuel, Arcebispo de Mitilene. | 20 de Março de 1955 : uma cerimónia inolvidável. | As importantes afirmações que se fizeram: «Este navio representa mais uma prova de que se podem confiar à nossa indústria de construção naval, os empreendimentos mais arrojados e de maior vulto», Jacques de Lacerda (Adm. Del. ENVA); «Na sua linguagem muda mas eloquente do ferro e dos rebites este navio prega uma mensagem e amor», Dr. Araújo Novo (Pres. CMVC); «A nossa gratidão para com S. Ex.ª o ministro da Marinha não tem limites!», Um operário dos estaleiros; «Toda a grandiosa obra já levada a cabo nos assegura que não fomos ludibriados com promessa vãs», Cap. Manuel de Oliveira Vidal (Rep. Capitães da Frota); Foram o Estado Novo e a Organização Corporativa que permitiram o renascimento da nossa frota», Dr. Duarte Silva (Adm. S.N.A.B.); «E assim se tornou realidade - realidade magnífica que podemos orgulhosamente proclamar - um sonho ansiosamente vivido durante muitos anos!», Henrique Tenreiro (Del. Governo); «O novo «Gil Eannes» representa um grande e audacioso esforço», Américo Thomaz (Min. Marinha).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, capa vincada.
Raro.
A BNP tem registado apenas um exemplar na sua base de dados.
Com interesse histórico.
Indisponível