20 março, 2021

SALVATERRA, Rui de - ANTÓNIO LUÍS LOPES. (O cavaleiro ribatejano). Sua vida. Sua carreira artistica
. Lisboa, [Edição do Autor]. Composto e impresso na Tipografia Beleza, [1930]. In-8.º (17,5 cm) de 103, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do cavaleiro ribatejano Luís António Lopes, figura de proa do toureio equestre nacional nas décadas 20/30 do século passado.
Na época, o homenageado dividiu os êxitos e as praças com outras grandes figuras da lide a cavalo, entre outros - e especialmente -, João Branco Núncio, de quem foi padrinho de alternativa.
L
ivro muito ilustrado ao longo do texto com fotogravuras a p.b. e um retrato do biografado, no início, em página inteira.
"António Luís Lopes, o cavaleiro ribatejano de que nos vamos ocupar, tem timbrado sempre em manter uma personalidade propria, um modêlo sui-generis, sem cópias reles e degradantes, individualisando-se, usando um processo seu, superior, inconfundivel.
É incontestavelmente o cavaleiro tauromaquico português que melhor e mais sabiamente soubre interpretar a maravilhosa arte do Marquês de Marialva, arte portuguesissima, cheia de valentia e de nobreza, quando posta em prática com o rigor clássico de que nos falam os velhos livros de cavalaria."
(Excerto da introdução - Razões do livro)
António Luiz Lopes (Alhandra, 1893 - Coruche, 1972). "Foi um cavaleiro tauromáquico português. Cursou a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém e recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico na Praça de Touros do Campo Pequeno, a 3 de maio de 1923. Cavaleiro bem sucedido, obteve muitos êxitos nas praças portuguesas, atuando também em Espanha e no Méxic
o. Participou nos filmes A Severa, de José Leitão de Barros, na popular figura do Conde de Marialva, e no filme mudo Tragédia rústica, de Alves da Cunha, ambos rodados no ano de 1931. Em 1932 foi produtor de Campinos do Ribatejo, rodado no Ribatejo, sagrando a lezíria e a figura do campino, e na praça de touros de Algés, com interiores na Sociedade de Belas-Artes. Esteve estabelecido no Brasil, dedicando-se a treinar jovens para a equitação. Foi padrinho de alternativa do seu filho, o também cavaleiro tauromáquico Alberto Luiz Lopes. Foi irmão de outro cavaleiro profissional, Mário Luiz Lopes, com alternativa tirada a 20 de maio de 1927."
(Fonte: wikipédia)
Matérias: [Dedicatória]. | Razões do livro. | António Luís Lopes - Breve esboço psicológico sôbre a sua personalidade. | Alguns subsídios para a biografia do grande cavaleiro ribatejano - A sua infância - A sua «aficcion» - Coimbra... - A sua estreia como cavaleiro - Touros em pontas! - Os grandes exitos de António Luís Lopes em Portugal e Espanha. | António Luís Lopes, primeiro toureio português contratado para tourear na América - Seus triunfos formidáveis na República Mexicana - O que disseram os críticos - ... «el Caballero Lopes es muy certero con los rejones de muerte» - ... «el portugués ejecuta las suertes con precisión, y hace la reunión con el toro clásicamente». | Ouvindo António Luís opes - Sensacionalissimas declarações do notável cavaleiro - O que é o toureio de verdade - Lopes e João Nuncio - Boas e má tarde - Lopes ante o problema cine-teatral - O que êle pensa das mulheres - Suas predilecções pelos desportos - Homenagem a Vitorino Frois - A imprensa - Bandarilhas a duas mãos - Paisagem ou «pamplina»? - «Há que tourear de verdade e não iludir o público... | Algumas opiniões da imprensa, criticos e aficionados em geral sôbre António Luís Lopes - A conversão do critico José Vicente. |
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas,  frágeis e manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel nos cantos. Miolo correcto.
Raro.
Indisponível

19 março, 2021

COSTA, Cunha e - AS PEDRAS DA BATALHA.
Conferencia pronunciada na noite de sabbado 12 de Fevereiro de 1916, em casa dos senhores drs. Alfredo Arthur de Carvalho e Arthur Euler de Carvalho
. Lisboa, Livrarias Ferreira : Ferreira, L.da, Editores, 1916. In-8.º (22 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"A sessenta milhas, mais milha menos milha, ao norte de Lisboa, entre collinas sombreadas de pinheiros maritimos, pinheiros mansos e grupos de eucalyptus globulus, levanta-se o mosteiro da Batalha, de quem todos fallam, mas que poucos viram e pouquissimos estudaram. O que devêra ser logar de romaria de todos os portuguezes, é apenas a furtiva curiosidade de alguns touristes em transito, nas poucas horas que medeiam entre a meridiana e as Aves Marias. E. comtudo, não ha em Portugal, que eu saiba, affirmação mais solemne de soberania, nem expressão mais vehemente da certeza de um destino."
(Excerto da Conferencia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos, rasgões e falhas de papel nos cantos.
Raro.
A BNP dá notícia de apenas um exemplar.
Com interesse histórico.
15€

18 março, 2021

MONTEIRO, Gomes - A INOCENCIA DE URBINO DE FREITAS
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, [1933]. In-8.º (19 cm) de 258, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"Obra misto de ensaio e romance que retrata o processo de Urbino de Freitas, famoso médico portuense, acusado de ter envenenado diversos familiares nos finais da década de 80 do século XIX. O caso teve enormes repercussões públicas, com discussões médico-forenses, tendo Urbino de Freitas sido condenado a oito anos de prisão, seguidos de degredo."
(Fonte: pedroalmeidavieira.com)
Livro ilustrado em separado, incluindo um retrato de corpo inteiro do Dr. Urbino de Freitas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado; ligeiramente amarelecido.
Invulgar.
15€

17 março, 2021

CRAVINA, Santos - TROVEIRO DE ROMARIAS
. [Coimbra], Coimbra Editora, Limitada, 1949. In-8.º (19 cm) de 118, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico para a história do folclore. Trabalho de recolha das canções que acompanham as romarias nas épocas festivas, realizado pelo autor de norte a sul do país.

"Troveiro de Romarias
a brincar e sem fadiga
canta modernas poesias
a troar à moda antiga.

Futuristas fantasias
de poesia o não castiga
pois é truão de alegrias
da mais singela cantiga.

Canta a rir coisas banais
com ar de bobo rural
com os antigos jograis.

Simples poesia banal
dos humildes arraiais
do Povo de Portugal."

(Apresentação, I)

Índice:
Troveiro de Romarias : Apresentação - I; II; III. | O Ídolo dos Arraiais. | Trovas da Alvorada. | Trovas da Missa de Alva. | Trovas dos Feirantes. | Trovas do Arraial. | Trova das Romarias de Portugal. | Trovas do Minho. | Trovas de Trás-os-Montes. | Trovas do Douro Litoral. | Trovas do Alto Douro. | Trovas da Beira Litoral. | Trovas da Beira Alta. | Trovas da Beira Baixa. | Trovas da Estremadura. | Trovas do Ribatejo. | Trovas do Alto Alentejo. | Trovas do Baixo Alentejo. | Trovas do Algarve.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

16 março, 2021

SILVA, Oliveira e - SIMPLES GYMNASTICA NATURAL : imprescindivel para a mocidade dos lyceus, collegios e clubs. Inexcedivel.
Salutar, hygienica, racional e benemerita. Para todas as pessoas. 1.ª edição
. Porto, Typographia Coelho (a vapor), 1905. In-8.º (19 cm) de 69, 
[1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual gímnico que reflete a importância que a actividade física, e a ginástica em particular, vinham conquistando na época entre nós.
Certo da sua excelência e relevância, o autor acalentava a esperança de inclusão deste seu estudo nos programas escolares com carácter obrigatório.
Livro ilustrado com 20 figuras exemplificativos dos exercícios ao longo do texto.
"A planta humana, á falta de cultivo physico, ou vive morbida, ou sécca de todo. Lucidissimos espiritos que se chamaram Julio Diniz, Hamilton d'Araujo, Soares de Passos, Eça de Queiroz, José Estevão e tantissimos outros, eram organisações fracas ou enfermiças, mas que os exercicios da gymnastica natural, podiam regenerar a par do cultivo da intelligencia. E quando ella se começava a manifestar radiante, esses homens foram conduzidos ao cemiterio, mercê do abandono a que nós os portuguezes deitamos a racional gymnastica.
E quantos homens privilegiados pela intelligencia em todos os ramos da actividade humana, são fracos, doentes, derreados? O seu debil corpo apagará, com a morte breve, o seu lucido espirito. [...]
A gymnastica natural é um pequeno livro. Mas, pequenino que elle é, encerra as meditadas lucubrações de muitas noites de pensar.
É um estudo solidamente baseado em factos. A sua analyse criteriosa, eu rogo a V. Ex.as. Benemeritos da alma pela instrucção da infancia, resultarão ainda V. Ex.as. philantropos da humanidade, pelo seu robustecimento physici."
(Excerto do "apelo" Aos doutos professores do paiz e aos preclaros Legisladores)
Matérias: [Dedicatórias] - A Suas Altezas, o Príncipe D. Luís Filipe e o Infante D. Manuel; ao Presidente do Conselho de Ministros, Ministros da Nação e Conselheiro Abel de Andrade; ao Dr. Ricardo Jorge. | Aos doutos professores do paiz e aos preclaros Legisladores. | Á imprensa e aos Medicos : Explicação prévia da factura d'este livro e justificação do seu titulo "Gymnastica natural". | Prefacio. | Estimulos, Razão, Coherencia, Gymnastica prejudicial. | O banho frio e as suas beneficas utilidades - lucidez de memoria - conjugadas com a Gymnastica natural e a natação benemerita. | O salutar exercicio. | Applicação da "Gymnastica natural" aos novos e velhos. | A sala de hygiene: o banho. | A gymnastica medica, o banho hygienico e a natação salutar. | A gymnastica dos pulmões. | Mandamentos do bem-estar corporal: [10] - Beneficios do corpo; Proveitos do espirito. | Prescripção referente á applicação da salutar "gymnastica natural". | Conclusão da gymnastica natural.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
25€

15 março, 2021

FIGUEIREDO, Mauricia C. de - O EXILADO (romance historico).
Por...
Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira (Livraria-Editora), 1900. In-8.º (20 cm) de 190, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico-biográfico sobre el-rei D. Sancho II, e o seu reinado.
"Foi das mais attribuladas a infancia de D. Sancho. Este principe, que mais tarde seria uma victima da familia e do clero, que se veria abandonado pela nobreza, e que seria deposto, estava predistinado pela fatalidade a soffrer desde o berço.
Logo ao alvorecer da vida teve o principe uma doença tão grave, que a rainha, vendo a vida do filho estremecido ameaçada, - fez uma promessa, que consistia em vestir ao principe um habito monastico da ordem de S. Francisco, - e que elle ficaria usando até certa edade. D'aqui ficou chamarem a D. Sancho o Capello."
(Excerto da 1.ª Parte - O guerreiro desconhecido, Cap. I - Infancia de D. Sancho II)
"O tempo estava magnifico, os campos verdes e as arvores cobertas de flores como é proprio dos bellos dias de abril; as aves cantavam, voando no espaço.
O exercito commandado por Martim Annes, approxima-se da fronteira de Elvas.
Á frente via-se D. Sancho, que levava o estandarte com a cruz vermelha, symbolo da redempção."
(Excerto do Cap. V, Os guerreiros da Cruz)
Encadernação simples em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Escurecido; com uma folha solta.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

14 março, 2021

MELO, Costa e - GENTE DE TOGA E BECA (fogachos de lareira forense). Prefácio de António Almeida Santos
. Aveiro, Edição da Câmara Municipal de Aveiro, 1994. In-8.º (22 cm) de 162, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias do foro de Manuel Costa e Melo, advogado e escritor, histórico fundador do Partido Socialista.
Livro muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa.
"É sabido que o continente tem ou pode ter a ver com o conteúdo. Ainda assim, não se esperam subtilezas de um peso pesado. Pois bem: pesado e bem, robusto como só ele, tonitruante como um Júpiter e senhor de um murro de mesa que tem escavacado algumas, é o meu Camarada, colega e amigo Costa e Melo. Não obstante, registou a patente de um temperamento sensível, de um coração generoso, de uma alma de artista. Surpresas do criador. [...]
Manifestamente, escreve como quem se recria. Tanto que, por vezes, sentimos pena de que o seu discurso não flua mais enxuto.
Surge-me agora com estes seus "fogachos da lareira forense" a que chamou "Gente de Toga e Beca".
Dito o mesmo sem arte, gente do foro, magistrados e advogados com quem trabalhou, privou ou a quem simplesmente conheceu."
(Excerto do Prefácio)
"A permanência ao longo de meio século, pelos corredores, salas, ficheiros, livros e almas de repartições, tribunais e escritórios, deu-me um baú bem atulhado de recordações onde encontro, sempre que o abro, algo que faz sorrir, pensar e às vezes chorar. [...]
Os fogachos aí ficam e com eles, a verdade que têm, aquela que eu vi com os olhos ou ouvi com os ouvidos e, não poucas vezes, como coração a sangrar ou a rir."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito interessante.
Indisponível

13 março, 2021

COSTA, Velloso da - UM CYCLISTA : cançoneta para homem.
Representado com geral agrado em diversos theatros particulares
. Lisboa, Typ. Economica, [191-]. In-8.º (16 cm) de 6, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra picaresca em verso, sendo o passeio de bicicleta o pretexto para algumas estrofes picantes. Não datada, terá sido publicada na segunda década do século XX.

"Uma tarde, a mulher do Garcia,
com o primo foi dar um passeio,
como estava muito lindo o dia
affastaram-se em doce recreio.
Mas a volta contou-me, a tremer,
que apanhara uma grande bolota
e que o primo a fisera estender,
n'uma cambalhota!
(declama) O marido ao vel-a com o fato em desalinho disse-lhe: - Não quero que montes mais a bycicleta. Em querendo passeiar monta-te em mim que te levo. Nada! ficás-te muito maguada na...
na tal cambalhota!"

Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, algo sujas, com pequena falha de papel marginal.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

12 março, 2021

BARROS, João de - A PRYMEIRA PARTE DA CRONICA DO EMPERADOR CLARIMUNDO DONDE OS REYS DE PORTUGAL DESÇENDEM
. Lisboa, Biblarte, Ldª : Ernesto Martins, 2003. In-fólio (31 cm) de [4], 342, [2] p. ; E.

Edição fac-símile. Tiragem fora de mercado xerocopiada do único exemplar original conhecido, existente na Biblioteca Nacional de Madrid, conforme informação e cedência do professor Eugénio Asensio. Salvo melhor opinião, trata-se da única reprodução da Crónica alguma vez publicada com estas características.
"A Crónica do Imperador Clarimundo foi escrita por João de Barros quando era ainda um jovem fidalgo da corte do rei D. Manuel. Como o próprio virá a expressar anos mais tarde, tratou-se de um "debuxo" da sua obra maior, as Décadas da Ásia.
Esta obra relata as façanhas do cavaleiro Clarimundo ao longo de um percurso de vida heróico, desde o dia do seu nascimento envolto em acontecimentos extraordinários. Fantasia e realidade conjugam-se aqui para a mitificação das origens de Portugal através da sua realeza, cuja ascendência remontaria a esta figura de excepção. A temática da identidade ganha aqui uma importância relevante, na relação com a glorificação do reino.
Os "livros de cavalarias", são testemunhos literários de um tempo de transição entre a Idade Média e o século XVI, nomeadamente no que respeita ao imaginário cavaleiresco e à expressão do maravilhoso. Esta obra é também identificadora de uma cultura peninsular voltada para a expansão e auto-glorificação. Sendo o primeiro livro de cavalarias português, segue o modelo de "Amadís de Gaula", escrito anteriormente em língua castelhana por Garcí Rodriguez de Montalvo, em sintonia com o ideário dos reis católicos."

(Fonte: http://www.bnportugal.pt) 
João de Barros (Vila Verde, Viseu, 1496 - Vermoil, Alcobaça, 1570). "Historiador, geógrafo, autor de importante obra doutrinária, pedagógica e gramatical e alto funcionário da coroa portuguesa no reinado de D. João III. Nascido provavelmente em Viseu, de família fidalga, ainda muito jovem entrou na corte régia onde, com outros moços-fidalgos, aprendeu latim, matemática e humanidades.
A Crónica do Imperador Clarimundo (1522), romance de cavalaria que exalta as origens imaginárias da casa real portuguesa, oferecida a D. Manuel em 1520, assinala a sua estreia como escritor. Nela, o herói Fanimor profetiza em prosa de aspiração épica as futuras glórias dos reis de Portugal. O Clarimundo constitui sobretudo um "ensaio" de João de Barros, nascido dois anos antes da chegada de Vasco da Gama à Índia, para aquele que já então era, inegavelmente, o seu verdadeiro projecto: a narração dos feitos dos portugueses no Oriente.
A Crónica agradou de tal forma a D. Manuel que o monarca quis encarregá-lo da escrita das "cousas das partes do Oriente", já que até então, apesar de querer celebrar os feitos portugueses, "nunca achara pessoa de que o confiasse" (Década I, “Prólogo”). A morte do rei veio interromper o projecto já que o novo soberano, D. João III, lhe concedeu, logo em 1522, o governo do Castelo da Mina, cargo que não terá chegado a exercer, embora talvez tenha viajado até S. Jorge. [...] Foi como historiador que João de Barros ganhou maior projecção. Projecto de uma vida, a Ásia constitui a "coroa de glória" da sua actividade como escritor. [...]
Historiador dos feitos do Oriente, amigo e panegirista de D. João III, distinguido pelo monarca com mercês várias e cargos de relevo na administração, João de Barros foi um dos expoentes e um dos porta-vozes destacados da ideologia expansionista da coroa portuguesa no século XVI. A sua concepção da história, servida por um inequívoco rigor documental, por uma vasta erudição e por uma língua grave e majestosa, reflecte a prudência do cortesão que serve o seu rei, mas também a noção humanista da necessidade da glorificação dos heróis."

(Fonte: http://www.fcsh.unl.pt/cham/eve/content.php?printconceito=762)
Encadernação inteira de percalina com cercadura e ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

11 março, 2021

BRASIL, Jaime – A PROCRIAÇÃO VOLUNTÁRIA : processos para evitar a gravidez. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, 1933. In-8.º (21 cm) de 124, [4] p. ; il. ; B. Col. Biblioteca de Educação Sexual, 1
1.ª edição.
Curioso estudo sobre a concepção humana e as formas para evitar a gravidez.
Livro ilustrado com 20 figuras no texto.
Os livros de divulgação sexual de Jaime Brasil foram considerados indecorosos pelo regime do Estado Novo e proibidos de circular, tendo o autor, pela sua militância e irreverência, sido forçado ao exílio.
Índice:
1.ª Parte - Teoria da Regularização da Natalidade (VII capítulos).
2.ª Parte - Prática da Limitação dos Nascimentos (VI capítulos).
Artur Jaime Brasil Luquet Neto (Angra do Heroísmo, 1896 – Lisboa, 1966). "Jaime Brasil nasceu nos Açores; veio estudar para Coimbra em 1909 com Adriano Botelho e outros, seguindo depois para a Escola de Guerra e entrando na carreira de oficial do Exército. Afastando-se dela com a patente de tenente, enveredou cedo pela profissão de jornalista, que desempenhou por toda a vida, vindo a ser chefe da delegação em Lisboa do diário “O Primeiro de Janeiro”, sucedendo a Pinto Quartim, nos anos 50. Em 1932-33 publicou vários livros sobre a questão sexual, liberdade afectiva e controlo dos nascimentos, que lhe valeram polémicas com os católicos e o exílio em França e Espanha. Durante a guerra civil neste país, advogou uma frente única antifascista. Foi preso em 1940, no seu regresso a Portugal. No final desta década foi à Palestina e publicou o livro “Shalom, Shalom”. Nos últimos tempos da sua vida conviveu com a jornalista Antónia de Sousa."
(Fonte: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=427)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

10 março, 2021

CARDOSO, Nuno Catharino - TUMULOS PORTUGUESES.
Relação de cento e cincoenta e sete  dos mais belos ou curiosos tumulos e sarcofagos existentes em Lisboa e em diversas cidades e vilas de Portugal, acompanhada de elucidativas gravuras através das quais facilmente se pode avaliar o que são estes monumentos
. Lisboa, Edição do Autor, 1937. In-4.º (24,5 cm) de 15, [1] p. (inc. capas) ; il. ; B. Col. Arte Portuguesa - XX
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da arte tumular.
Ilustrado com fotogravuras de monumentos funerários ao longo das páginas de texto.
No final do opúsculo inclui o "Indice Alfabetico dos 157 Tumulos citados neste trabalho".
Tiragem: 350 exemplares.
"Em Portugal há bastantes tumulos, sendo alguns dentre êles muito artisticos, como poderá verificar quem percorrer o país e fizer o respectivo inventário.
Ora revestidos da maxima simplicidade, como serve de exemplo o tumulo dos Sete Cavalheiros mortos, em 1242, na tomada de Tavira, ora sumptuosos, como são entre outros, os tumulos de D. Pedro I e de D. Ignês de Castro, em Alcobaça, verdadeiras maravilhas em pedra lavrada, existem em Portugal tumulos de estilos e epocas bem diversas, a começar no seculo XII, formando um conjunto admiravel que completa o nosso patrimonio artistico que possue, nesse e noutros generos, exemplares de grande belesa e valor, como tenho demonstrado através da paginas desta colecção.
Falar dos tumulos portugueses corresponde a recordar muitas paginas da Historia de Portugal desde D. Afonso Henriques á Grande Guerra, pois bastantes desses monumentos perpetuam a memoria de vultos  nacionais bem ilustres, ácerca dos quais a morte não teve verdadeiramente poder, tais foram os feitos que legaram á posteridade, enobrecendo os seus nomes."
(Excerto do preâmbulo, Alguns dos mais belos ou curiosos tumulos existentes em Portugal)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

09 março, 2021

SAGUER, Theophilo - FALEMOS DA GUERRA.
[Por]... Professor do Conservatorio. [Prefacio do Dr. Santos Gil, Prof. do Conservatorio e do Lyceu Passos Manoel]
. Lisboa, [s.n. - Composto e Impresso no Centro Tip. Colonial, Lisboa], Outubro de 1920. In-8.º (21,5 cm) de [2], 61, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Obra interessantíssima, talvez a mais invulgar da bibliografia do autor. Numa visão muito pessoal do conflito, o autor discorre sobre a Grande Guerra, as causas que concorreram para a sua eclosão e os responsáveis. Faz um balanço do pós-guerra e aponta a democracia - num apontamento visionário muito curioso - como o caminho a seguir para a salvação da humanidade.
Livro muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor, datada, ao Maestro Pedro Blamelo.
Matérias: I. - Lições da guerra - Ambições que falharam - Profecia cumprida - A Força e o Direito. | II. - Civilisação e guerra - O Ideal latino e o germânico - Valentia e baixeza - A Marselheza hino da liberdade. | III. - Um «livro branco» de monstruosas malicias - Fazer o mal e a caramunha - Mentiras refalsadas - A verdade nua e crua - Metternichs e a politica cavilosa. | IV. - A politica prussiana no século XIX, as anexações - O papel de Bismark - Guerras e alianças - Habilidades politicas - A guerra franco-prussiana (1870). | V. - Depois de seis mezes de silencio o auctor volta a ocupar-se das questões da guerra - Feita a Paz seguem-se as mesmas mentiras as mesmas ambições e o mesmo e egoismo. | VI. - Guilherme II e a atitude da Holanda - Já se esqueceram os milhões de mortos - Os estropeados, as miserias e o esgotamento da humanidade de que Guilherme II foi o maior culpado. | VII. - A crise moral - O crime dos neutros - O heroismo portuguez. | VIII. - Ainda a crise moral - O açambarcador - O novo rico - A falta de honra e a falta de vergonha - O bolchevista imitando o burguês. | IX. - A guerra e a patria - O que é a democracia - Como a democracia ha-de salvar a humanidade - A taboleta do bolchevismo servindo de isca aos germanofilos - Remedios do mal contemporaneo - Reflexões filosoficas.
Teófilo Saguer (1880-1954). "Filho de João Saguer Carbonell, natural de Peratallada, província de Girona (Catalunha) e de Francisca Antónia, filha ilegítima de João Alexandre Guerreiro Barradas, nasceu em Grândola em 1 de dezembro de 1880. Demonstrando, desde cedo, dotes musicais, assentou praça em Caçadores 5 e matriculou-se no Conservatório Nacional. Integrou a banda da Guarda Nacional, ingressou nas orquestras dos Teatros de São Carlos e da Trindade e, mais tarde, como trompista, nas orquestras sinfónicas de Lambertini, Blanch, Cardona e David de Sousa. Em 1912, casou com a violoncelista Adelaide Guerreiro Saguer e, nas palavras da filha Albertina Saguer, com ela viveu uma vida de perfeita comunhão de ideais, a par tocando, ensinando e escrevendo. 4 Em março de 1915 estreou-se como compositor no Teatro Politeama com o poema sinfónico Ode à Bélgica e, no mesmo ano, apresentou e dirigiu em São Carlos a Abertura Sinfónica. Quatro anos depois, tornou-se professor de Composição no Conservatório onde regeu as cadeiras de Ciências Musicais, Piano e Instrumentos de Sopro e Metal, atingindo o grau de professor de Alta-Composição. Dedicou-se ao estudo da musicologia e exerceu crítica musical publicando artigos em diversos jornais. Foi autor das seguintes obras: Monárquicos e Republicanos, Falemos da Guerra, A Entoação, A Anarquia dos Sons, Pedagogia Musical e A Radiotelefonia, para além de outras que deixou inéditas. Segundo sua filha, quando a doença o acometeu, veio despedir-se de Grândola, que entre todos os lugares da terra, ele, Teófilo, a conservou sempre no lugar que lhe cabia, e que para ele, seu filho distante e sempre presente, foi sempre o primeiro. Faleceu em Lisboa, em 1 de dezembro de 1954."
(Fonte: http://arquivo.cm-grandola.pt/_docs/Os%20Guerreiro%20Barradas%20e%20a%20M%C3%BAsica.pdf)

Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha de humidade antiga à cabeça.
Raro.
Indisponível

08 março, 2021

BOTELHO, Affonso - O SENHOR REITÔR
. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1899. In-8.º (19 cm) de 264 p. ; B.

1.ª edição.
Romance rural. Narrativa da vida do padre Ruy, o senhor reitor, um engeitado entregue ainda recém-nascido aos cuidados dos fidalgos da Casa grande. Obra dedicada pelo autor a Lourenço Cayolla, conhecido militar e jornalista natural de Campo Maior.
"Pelo estreito caminho, que tortuosamente cortava a meio a encosta, seguia o rancho, que andava no peditorio do folar; era domingo de Paschoa. Na frente claudicava em contratempo o Zacharias, (o sacristão, que era côxo), com a caldeirinha de agua benta e o hyssope; atraz, o senhor reitôr, seguia de sobrepelliz, branca como as azas das pombas nevadas, que n'aquella occasião se espalhavam na altura pela limpidez azul, espelhante de sol bom; logo após, dois rapazólas levavam um grande cesto, onde se recolhiam as offertas, os folares; no couce ia o rapazio das aldeias, ávido sempre da nota alegre e festival, de tudo quanto o venha despertar da vida monotona dos campos. [...]
De repente o Zacharias quebrou o silencio:
- Sôr reitor, já se avista Villarinho, d'aqui lá é um pulo. Olhe, no meio do arvorêdo como branquêja a Casa grande...
E, como se o reitor continuasse silencioso, elle tornou:
Em casa do snr. seu padrinho sempre a gente bebe um golásio, e do bom!... Vem mêsmo a calhar com esta calorina; .. safa!... parece que estamos já no mez do S. João!...
O reitor, sem responder ao Zacharias, fixava pensativo o solar do fidalgo, que, no tôpo d'um pequeno cabêço, se ostentava em baixo por entre as grandes arvores do quintal, cercado pelas casitas pardacentas da aldeia: a Casa grande, como o pôvo lhe chamava."
(Excerto do Cap. I)
Afonso Botelho (1849-1901). Natural de Elvas(?). Não existem referências acerca do autor, a não ser a informação retirada da BNP sobre as obras que publicou: para além d'O Senhor Reitôr, dois livros de contos: Contos (1894) e Azul e Negro (1897), e a participação num jornal/revista(?) O Imparcial (1888).
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura
.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
25€

07 março, 2021

CARDOSO, Julio Arthur Lopes - HYPNOTISMO E SUGGESTÃO. Por... Medico e Professor. Lisboa, David Corazzi - Editor, 1888. In-8.º (17 cm) de 64 p. (inc. capas). Col. Bibliotheca do Povo e das Escolas, 20.ª Série, Numero 157
1.ª edição.
"Hypnotismo e Suggestão: - tal é o interessantissimo assumpto que todos hoje discutem, que os proprios jornaes exploram largamente, e que modernamente veio dar um impulso enorme ás sciencias psychologicas e á medicina mental.
Nos tribunaes e nas academias procura-se determinar a responsabilidade criminal do hypnotizado, verdadeiro automato sem consciencia nem liberdade, obedecendo á vontade a só á vontade de quem lhe suggere a idéa do acto criminoso; a sciencia procura avidamente estabelecer de um modo positivo as condições physiologicas e pathologicas d'estes phenomenos tão extraordinarios; finalmente, nos theatros surgem a todos os momentos hypnotizados e hypnotizadores, deslumbrando o publico com as suas experiencias tão maravilhosas - como, até certo ponto, verdadeiras e sinceras. [...]
O assumpto é, com effeito, tão interessante, tão palpitante de actualidade, tão cheio de elementos imprevistos, que, acreditamos piamente, não pranteará o curioso leitor como perdido o tempo que gastar em ler o presente livrinho."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Introducção. | I - O Magnetismo e o Hypnotismo no passado. II - Que é o Hypnotismo? III - Phenomenos geraes do Hypnotismo. IV - Suggestão. V - Suggestões no estado de vigilia. Dupla vista. VI - Fascinação. VII - Theoria do Hypnotismo. VIII - Applicação do Hypnotismo á cura das doenças. IX - Suggestão e criminalidade.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
15€

06 março, 2021

CANTOS, Paulo - LISBOA. [Roteiro gaio-útil - Lisboa dentro da Betesga, ou bodas d'urânio da - Alface frescalhota].
Por... [Quarta Edição]
. [S.l.], [s.n. - Composto, impresso e depósito na Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Lisboa], [1947?]. In-8.º (18,5 cm) de 192 p. ; il. ; B.

Obra ilustrada com bonitos e curiosos desenhos ao longo das páginas de texto.
Roteiro de Lisboa e Arredores, livro sui generis, interessantíssimo, como aliás toda a imaginativa produção artística-tipográfica do autor.
O volume foi concebido em jeito de agenda, contendo os seguintes capítulos, partindo das iniciais que compõem a palavra LISBOA:
L - Leste - Risco do 1.º Bairro - Freguesias : Presépios
I - In centro (Baixa, etc.) - Debuxo do 2.º Bairro - Freguesias Ruidosas!
S - Sul, a Norte, pelo Bairro Alto. - Traçado do 3.º Bairro - Freguesias Cidades
B - Belo Oeste. Topodiagrama do 4.º Bairro - Freguesias Marinheiras
O - Os arruamentos - Abreviaturas
A - Arre! dores... - Arredores
Paulo de Cantos (1892-1979). "Nasceu em Lisboa, estudou em Coimbra, onde foi contemporâneo de Salazar. Foi professor no Liceu Pedro Nunes, reitor do Liceu Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, fez cursos de química, belas-artes e até vitivinicultura. Regressou a Lisboa onde fundou o Centro de Profilaxia da Velhice na sua casa, e criou a Bibliarte, um alfarrabista por onde passaram Fernando Pessoa, Cesariny, entre outros.Não é fácil sintetizar quem foi Paulo de Cantos (1892-1979). Professor, editor, gráfico, filantropo, filólogo. Foi tudo isto, mas talvez a melhor forma de o descrever seja a expressão “o livr-o-mem” (o livro-homem). O interesse em torno de Paulo de Cantos surge precisamente por causa dos livros, manuais didácticos, opúsculos, que editou freneticamente desde os anos 20 do século passado até morrer. São livros sobre os mais diversos temas - linguística, geografia, anatomia, literatura, matemática, folclore – e cuja particularidade é a forma como aproveitou a composição tipográfica para criar esquemas, desenhos estilizados, mapas antropomórficos. O resultado é um trabalho de vanguarda, praticamente desconhecido, muito visual, com uma preocupação pedagógica. Não é raro encontrar livros que podem ser lidos nos dois sentidos como Os reis do RISO…As leis do SISO (sem data) ou Sal-Azar/Sol!Az!!Ar!! (1961?). Ou ainda o Adágios (1946?), que compila um conjunto de adágios traduzidos em 10 línguas. De Cantos criou ainda uma língua própria. Depois de uma viagem ao Brasil, por volta de 1965, o autor organizou em sua casa um Congresso Luso-Brasileiro dedicado à língua portuguesa. Daí surgiu a ideia de unificar a grafia das duas línguas, a que chamou PAK."
(Fonte: https://www.publico.pt/2013/03/23/culturaipsilon/noticia/paulo-de-cantos-um-editor-a-frente-do-seu-tempo-1588835)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Lombada apresenta pequena falha de papel na extremidade inferior.
Raro.
A BNP possui apenas um exemplar no seu acervo, não aludindo à edição.
Com interesse bibliográfico e olisiponense.
Peça de colecção.
Indisponível

05 março, 2021

MARTINS, Manuel de Oliveira - PILOTOS DA BARRA DE VIANA DO CASTELO : 100 Anos de História (1858/1958). [Prefácio de José Carlos de Magalhães Loureiro]. Viana do Castelo, CER : Centro de Estudos Regionais, 2010. In-4.º (23 cm) de 199, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com retratos e fac-símiles, e fotografias a p.b. do porto de Viana, dos estaleiros e de navios e veleiros que se dedicaram à faina bacalhoeira, incluindo o Gil Eanes e o Santa Maria Manuela.
Tiragem: 500 exemplares.
"Em Pilotos da Barra de Viana do Castelo. 100 Anos de História (1858-1958), Manuel de Oliveira Martins oferece-nos um fresco da vida desses homens da barra vianense, resgatando uma memória sócio-profissional que, no contexto da produção regional, ainda não tinha merecido atenção. Esse é um dos seus méritos: inscrever estas memórias na memória da cidade, promovendo a identidade e o reconhecimento social que lhe é devido."
(Excerto do Prefácio)
"O primeiro contacto que o navio tem com o porto é feito através do piloto da barra. O piloto é o primeiro interlocutor que o capitão ou mestre do navio tem à chegada a um porto.
Como primeiro emissário, cabe-lhe desempenhar várias tarefas cometidas a outras entidades. Desempenha um papel polivalente; é fiscalizador, inspector sanitário e autoridade marítima e portuária, para além do essencial da sua missão que é a segurança da navegação. [...]
Ao longo dos tempos, o papel do piloto da barra revestiu-se sempre duma importância fundamental na relação navio/porto e vice-versa, tendo sido sempre considerado um elemento imprescindível e primordial na actividade portuária."
(Excerto do Cap. II, O piloto da barra, primeira entidade a entrar a bordo)
Índice: Prefácio. | Introdução. | I - As origens dos pilotos; Enquadramento legal. II - O piloto da barra primeira entidade a entrar a bordo; Os pilotos de Viana face aos regulamentos; O serviço de vigia; A vertente militar dos pilotos; Os pilotos e as guerras mundiais; Os pilotos e a imprensa; Outras atribuições dos pilotos; Os pilotos e o salvamento marítimo; Guardas de saúde; Boletins de saúde; Transgressões e penalidades; Louvores e censuras; Acidentes de pilotos em serviço nas barras; Os pilotos mor. III - As barras; Faróis-Marcas-Balizas-Sinais; As cheias; O temporal de Março de 1888; Outros temporais; Sinistros na barra. IV - As obras portuárias; Imposto para as obras da barra; Estaleiros Navais; Os navios; Embarcações de pilotos; Companhias e Armadores; Agentes e consignatários. | Conclusão: Anexos - I. Regulamento Geral dos Serviços de Pilotagem; II. Decreto n.º 11.111 de 19-09-1925; III. Decreto n.º 24.931 de 10-01-1935; IV. Decreto n.º 41.668 de 07-06-1958; V. Regulamento Geral de Sanidade Marítima; VI. Relação de Pilotos; VII. Movimento da Navegação; VIII. Mapa dos navios de comércio da praça de Viana do Castelo; IX. Capitães do Porto de Viana do Castelo (desde 1838). | Glossário. | Fontes e Referências Bibliográficas.
Manuel de Oliveira Martins (n. 1947). Nasceu em Vale de Cambra e, desde muito novo, é um apaixonado pelo mar, motivo pelo qual decidiu seguir a carreira de Oficial da Marinha Mercante. Tendo exercido durante quase 20 anos a função de Piloto da Barra de Viana do Castelo, o autor contribui, através desta publicação, para a divulgação da vida portuária e, particularmente para o conhecimento daquela profissão. Nas duzentas páginas deste livro registam-se, pela escrita e imagem, algumas das memórias e das histórias vividas por estes homens do mar, entre meados do século XIX e meados do século XX.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
45€

03 março, 2021

BASTOS, José Joaquim Rodrigues de - O MEDICO DO DESERTO.
Pelo Conselheiro...
Porto: Na Typographia de Sebastião José Pereira, 1857. In-8.º (21 cm) de [6], 231, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance introspectivo, redigido na primeira pessoa, que narra a vida de um médico egípcio que, após formar-se em Paris, retorna a casa com a reputação abalada pelo boato de tentativa de envenenamento de sua mulher. Após a morte desta, que o acompanhou no regresso, o desgosto e o remorso impelem-no ao deserto, onde vagueia, até ser recolhido meio-morto por uma tribo de beduínos, iniciando aí a sua "segunda vida".
A BNP não possui no seu acervo esta edição (a original); apenas a 2.ª edição - publicada no mesmo ano que a primeira (1857) -, e a 3.ª edição (1864). História invulgar, bem construída e e muito curiosa.
"A historia deve ser verdadeira, ainda que seja inverosimil; o romance deve ser verosimil, ainda que não verdadeiro. Ambas estas coisas são difficeis, principalmente para um octogenario como eu, que não tem a força de olhos necessaria para vêr e explorar, nem a riqueza de imaginação precisa para inventar e descrever.
Qual é mais util? O historiador talvez dirá que a historia, o romancista que o romance; e eu sem me abalançar a decidir, direi apenas que exprimio um grande pensamento o philosopho que disse, que a historia é o romance do espirito humano, e que o romance é a historia do coração."
(Excerto do Prefacio)
"Meu pae era Francez. O encarregada da sua educação quiz que ella nem fosse meramente liberal, nem meramente mecanica, para que, se uma não fizesse a sua felicidade, podesse a outra fazêl-a.
Nós nascemos para trabalhar, dizia elle, como as aves para voar: mas quantos ha que querem trabalhar, e não acham em que? Quantos Advogados não teem clientes? Quantos Medicos não teem enfermos? Quantos, habilitados para os cargos publicos, são subplantados pela ignorancia e pela intriga? Um officio é, em taes circumstancias, um grande recurso. [...] Meu pae, assim educado, nem se deu á profissão das letras, nem á das artes; e, levado do enthusiasmo do tempo, se alistou voluntariamente na das armas, fez a guerra de Italia, e acompanhou Buonaparte em sua expedição ao Egypto.
Ahi foi ferido em diversos combates; e, arrependido de haver entrado n'uma carreira, que já lhe não parecia ser aquella para que se alistára. [...]
Feita a capitulação, e concluido o embarque do exercito, sentio-se repassado de uma grande saudade, vendo-se separado, e talvez para sempre, de seus antigos companheiros de gloria, nos trabalhos e nos perigos.
Dado este passo, era necessario dar outro, o de prover á sua subsistencia: o que se lhe não figurava difficil, nem o era com effeito.
Havia em Alexandria um estatuario insigne, cujos officiaes preparavam as obras, até o estado de receberem os ultimos traços, que elle para si reservava; e com os quaes parecia dar-lhes vida, e fazêl-as respirar. [...]
O estatuario tinha uma filha de uma belleza rara. Meu ape, tendo-a visto uma vez, atravez do veo que a cobria, concebeu logo por ella uma d'essas paixões, que captivam, que fazem enlouquecer, e que se não sabem explicar.
Sem esperança de a conseguir, e apenas de a tornar a vêr, foi offerecer-se ao estatuario, para trabalhar na sua officina."
(Excerto do Cap. I)
José Joaquim Rodrigues de Bastos (1777-1862). "Nasceu a 8 de Novembro de 1777 em Moutedo, Valongo do Vouga, e veio a falecer no Porto a 4 de Outubro de 1862.
Matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra e formou-se em 1804, passando a exercer a advocacia no Porto. A partir de 1812 envereda pela magistratura ao ser nomeado Juiz de Fora em Eixo e vilas de Paus, Óis da Ribeira e Vilarinho do Bairro. Em 21 de Novembro de 1823 é nomeado Corregedor e Provedor da Comarca do Porto e, no ano seguinte, a 9 de Abril de 1824, é ordenado Cavaleiro da Ordem de Cristo. De 22 de Junho de 1825 a 16 de Agosto de 1826, exerce as funções de Desembargador da Relação e Casa do Porto, posto o que foi Intendente Geral da Policia da Corte e do Reino, em 1827, e tomou o título de Conselheiro. A 25 de Outubro de 1826 a Infanta regente, D. Isabel Maria, nomeia-o Fidalgo da Casa Real.
Politicamente, milita nas fileiras do Partido Liberal Conservador, sendo eleito deputado pela Província do Minho em Dezembro de 1820, e tendo participado nas primeiras Assembleias Gerais Legislativas portuguesas. Em 1833 abandonou em definitivo a vida política e passou a dedicar-se, exclusivamente, à literatura e a estudos religiosos.
Obras publicadas: “Colecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios” (1847); “Meditações ou Discursos Religiosos” (1842);  “A Virgem da Polónia” (1849); ”Os dois artistas ou Albano e Virginia” (1853); ”O Médico do deserto” (1857); “Biografia da Sereníssima Senhora Infanta D. Isabel Maria”."
(Fonte: http://agueda.bibliopolis.info/Catalogo/Autores-Locais/ModuleID/1497/ItemID/1068/mctl/EventDetails)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sólido. Pastas cansadas, com acentuado desgaste nas margens e nos cantos. Sinais de humidade.
Raro.
35€

02 março, 2021

CARVALHO, Ruben de - AS MÚSICAS DO FADO.
[Prefácio de Rui Vieira Nery]
. Porto, Campo das Letras, 1994 [aliás, Lisboa, A Bela e o Monstro, 2016]. In-8.º (20,5 cm) de [8], 135, [1] p. ; B. Colecção Campo da Música - I
Edição fac-símile da 1.ª edição de Dezembro de 1994.
Importante ensaio histórico sobre o Fado.
"A carreira política de Ruben de Carvalho levou-o, através da Câmara Municipal de Lisboa, a participar activamente no Lisboa ’94 - Cidade Europeia da Cultura. Para as comemorações, o autor preparou um caderno e um CD (que nunca viria a sair) que dissertavam sobre o Fado, a sua génese, e os autores que ajudaram a elevar o estilo musical a património, como Alfredo Marceneiro e Amália Rodrigues. O livro Músicas do Fado é precisamente este caderno de 1994 e, além do já referido trabalho de investigação, age como uma defesa do Fado aos ataques da esquerda que conotava o estilo musical como um instrumento do Estado Novo."
.............................
"Durante muitos anos a literatura sobre o Fado assumiu uma dimensão sobretudo polémica: era a favor do Fado ou contra o Fado. Nos últimos anos, com o próprio desenvolvimento das Ciências Humanas em Portugal, a questão tem vindo a ser abordada de forma mais objectiva, mas não despida, felizmente, do debate a que a investigação não pode ser alheia.
"As Músicas do Fado", aceitando diversos aspectos hoje dados como razoavelmente adquiridos - a origem brasileira de um fenómeno musical antecessor do Fado, as suas raízes em Lisboa, cidade portuária e historicamente ponto de intenso cruzamento cultural - propõe essencialmente a consideração da evolução do fenómeno em três épocas (no Brasil, até ao regresso da Corte em 1823, em Lisboa entre essa época e os anos 20 e daí até ao presente). Simultaneamente defende uma contemporaneidade do do Fado, que se constitui, enquanto género musical estruturado, no quadro da formação da cultura urbana contemporânea, mesclando as influências musicais e culturas anteriores com as mutações tecnológicas que alteraram o campo da criação artística e do espectáculo: o disco, a rádio, o cinema, a organização profissional, etc."
(Sinopse retirada da contracapa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

01 março, 2021

SALGARI, Emílio - A ESTRÊLA CADENTE : novela de aventuras. Versão do original italiano de Henrique Marques Junior. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [1940]. In-8.º (19 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de pequenas novelas, umas de ficção, outras de fundo histórico, com especial relevo para a que dá o nome ao livro - A Estrêla Cadente - imaginativo 'ensaio' de ficção científica.
Em Os pescadores de bacalhau, o autor debruça-se sobre a pesca longínqua francesa nos bancos da Terra Nova, mostrando conhecer esta temática tão cara aos portugueses, abordando as motivações dos pescadores para a "faina", a família, a religiosidade e os infortúnios, bem como os preparativos e as despedidas que precedem as campanhas - rituais em tudo parecidos com os nossos - condimentos de uma pequena história, supostamente verídica, de pai e filho que se perderam no nevoeiro enquanto pescavam.
"Numa linda manhã de Agôsto de 1900, inaudita suprêsa levava ao cúmulo o assombro dos bons habitantes de S. Francisco da Califórnia, a rica e populosa cidade de magníficos arredores, que não tem rival ao longo das costas americanas, banhadas pelas ondas do Oceano Pacífico.
As imensas ruas que dividiam essa gigantesca cidade, as praças, as pontes, os telhados das casas, os terraços e os «squares», que tão numerosos são na capital da Califórnia, após uma noite sem vento e perfeitamente sêca, tinham aparecidos cobertos por miríades de bilhetes multicolores, e que apenas continham estas duas palavras: «Estrêla Cadente».
Que cousa seria a «Estrêla Cadente»? [...]
Quem podia ter inundado a cidade de tais avisos? E de que meios se havia servido, pois ninguém vira coisa alguma?
Êsse acontecimento, absolutamente extraordinário, tinha desordenado todos; até os cientistas e os jornalistas. [...]
Haviam decorrido oito dias após aquêle acontecimento extraordinário, quando nova chuva de prospectos multicolores, mais abundante do que a primeira, cobriu a cidade. [...]
Na manhã de 21 de Agôsto, tôda a população estava na rua. Rios de pessoas se juntavam sem descanso nos imensos jardins do «Garden Square», a custo contidos por infinito número de agentes de polícia. [...]
Ao meio dia, clamor imenso, saído de centenas de milhar de peitos, propagou-se de um extremo ao outro do parque, clamor que se repercutiu em tôdas as ruas, nos terraços, nos telhados e até nas toldas dos navios que estavam apinhadas de curiosos.
 - Olhem!... Olhem!...
Uma linha escura, não bem definida ainda a distância, aparecera na direcção dos montes da Costa e avançava para a gigantesca cidade com fulminante velocidade, aumentando a olhos vistos. [...]
Descia dos montes com incrível celeridade. Mal fôra descoberta e já se principiavam a distinguir bem as suas formas.
- Uma nave aérea! - bradaram de tôda a parte - «Hurrah... Hip»!... [...]
Não se tratava de vulgar balão. Era enorme fuso, com o comprimento de uns cinqüenta metros, munidos de diversas ordens de hélices dispostos nos flancos e que giravam com vertiginosa rapidez.
Pormenor interessante: não se via vestígio algum de fumo, pois o misterioso engenho devia ser privado dos vulgares motores a gás ou benzina adoptados nos últimos tempos por Santos Dumont, Severo, etc., os inventores mais ou menos felizes dos balões dirigíveis."
(Excerto de A Estrêla Cadente)
Índice:
A estrêla cadente; O escravo da Somália [episódio de pirataria marítima]; Os pescadores de bacalhau; O correio da Califórnia [episódio (verídico?) sobre a diligência - o serviço dos correios no oeste americano]; O naufrágio do «Dordonha» [episódio de salvamento de náufragos recorrendo a um aparelho Marconi, novidade na época]; A ponte maldita [episódio aventuroso no Canadá selvagem]; A ponte da morte [episódio biográfico de Solano Lopez, segundo presidente constitucional da República do Paraguai, comandante das Forças Armadas e chefe supremo do seu país durante a Guerra do Paraguai].
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€