MENEZES, Bourbon e / COTTA, Gonçalves – O GRANDE E HORRIVEL
CRIME! Publicação semanal de combate e de critica politica e literária. Nº 1.
Lisboa, [s.n.], [1915]. In-8º (19cm) de
16 p. ; B.
Sumario:
A quem ler.
Bourbon e Menezes – Democracia e Infercarcia: Politica
infecciosa; A «superstição da lei»; A educação politica dos nosso políticos; Como
sair «disto?»; Pela monarquia nunca!
Gonçalves Cotta – A bengala do Sr. Regis d’Oliveira e a
mentalidade e a mentalidade do Sr. José de Castro – Um conselho generoso.
Notas á margem: Covardia
moral; A juventude e a Republica.
Primeiro (e único?) número publicado deste interessante e
verrinoso opúsculo.
“Houve tempo – meus senhores! – em que o facto sinistro e trágico
de um sapateiro dar duzia e meia de facadas numa ajuntadeira de calçado – quasi
sempre por ele suspeitar que ela ajuntava também amantes – houve tempo, ia
dizendo, em que se chamava a isso, por exemplo, um grande e horrivel crime.
Hoje, não. A sensibilidade publica, semi-anestesiada de tanto ver poucas-vergonhas
feitas com a lamina de uma navalha, já não se alvorota por aí alem com coisas
dessa laia. Hoje, todavia, ainda há para toda-a-gente grandes e horríveis crimes.
Há. Esta panfleto vai ser, por exemplo, um deles. Os autores preveem a forte
indignação que as suas paginas vão levantar. Desculpem senhores se elas vos
irritarem também. Não é com um intuito perverso que vamos escrever algumas
verdades claras.” (nota de abertura – A quem
ler)
“Num país em que qualquer bicho-careto se julga com pleno
direito a ter voz activa – e um emprego suculento – pelo simples facto de ter
estado na «rotunda», de ter tomado parte na revolta de 14 de maio ou de ter
tido muito boa vontade de ter permanecido naquela e ter entrado nesta entende
que possue absoluta idoneidade para falar sobre as coisas publicas da sua pátria,
e em especial, sobre o trilho que a Republica leva…” (excerto do 1º artigo)
“Afonso Augusto Falcão Cotta de Bourbon e Menezes
(1890-1948). O seu nome ficou ligado, sobretudo, ao jornalismo republicano. Estreou-se
nas páginas de A Manhã, jornal dirigido por Mayer Garção, passando
depois pelas redacções de O Mundo, Primeiro de Janeiro, Voz do
Operário e Diário de Notícias, onde firmou a coluna "Pedras
soltas". Grande prosador e polemizador, deixou também vários livros de
contos e o poema Menino (1925) que Fernando Pessoa teria chegado a verter para inglês.
No 2º artigo, Gonçalves Cotta “desanca” José de Castro* pelo
seu comportamento, a propósito do episódio do desaparecimento, no Parlamento, da valiosa
bengala de Régis de Oliveira, Ministro Plenipotenciário do Brasil junto do
governo português.
*José Ribeiro de Castro (1848-1929). "Formou-se em Direito
na Universidade de Coimbra, tendo trabalhado como advogado na Guarda e em Lisboa.
Aderiu à Maçonaria em 1868, e veio a tornar-se Grão-Mestre Mestre adjunto. Iniciou
a carreira política como monárquico, no Partido Progressista, mas em 1881
aderiu ao Partido Republicano Português (PRP). Alcançou também grande prestígio
como redactor principal do periódico O Distrito da Guarda. Em 1882, fundou o
primeiro jornal republicano fora dos grandes centros urbanos, O Povo Português,
conseguindo que este semanário local se transformasse num órgão de audiência
nacional. Manteve-se no PRP depois da implantação da República e após a queda
da ditadura de Pimenta de Castro foi escolhido para presidir ao Ministério. Na
sequência da revolução de 14 de Maio de 1915, assumiu a presidência do Conselho
de Ministros e as pastas da Guerra e da Marinha (entre 17 de Maio e 29 de
Dezembro de 1915).”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível
Indisponível
Sem comentários:
Enviar um comentário