16 dezembro, 2021

HENRIQUES, Balthasar - ÁVANTE : episodio dramático em verso e prosa com dois quadros
. Mafra, Tipografia Liberty, 1916. In-8.º (21,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro em verso sobre o tema da Grande Guerra, dedicada à Cruz Vermelha Portuguesa, interpretada por sete senhoras, nos papeis da: Bélgica; Morte e depois Alemanha; França; Inglaterra; Itália; Portugal; Cruz Vermelha.
"Primeira representação na noite de 10 de abril de 1916, no Teatro do Grémio Mafrense, em recita a favor da Sociedade Portuguêsa da Cruz Vermelha, para que foi escrita expressamente."

Livrinho valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.

"Ávante!
Da terra intumecida irrompe a vida
Na fôrça máter duma seiva quente,
E á pobre haste á terra já pendida
Um beijo cai do novo Sol nascente!
Em florões de sorrisos desabrocha
A epopeia do fecundo amôr:
Palpita a vida até na própria rocha,
Soam hinos, hossanas de labor,
Enfeita-se d'amor a natureza!
E num canto de virgem adorada,
Esparge pelo mundo a madrugada,
Em mil jorros de vida e de beleza.
E vós, nações armadas e blindadas,
Cheias de aço e de ferro, preparadas
Para a guerra feroz, olhais a vida,
 - Um campo em flôr, uma canção sentida, -
Como cousa sem brilho e sem valor!
Para vós é a guerra, o exterminio,
O sonho da vitória, e do dominio!
O campo, as oficinas, as aldeias
- A Natureza pura da verdade -
Sejam as covas negras de alcateias
Qu'esperam ordens p'rá ferocidade!
Sim!... caminhai. Seguis para a Vitória.
Mas comvosco eu hei-de ir. A vosso lado,
Meu dever cumprirei. Não é matar!...
Outra é minha missão. Não se assemelha
Á vossa."

(Excerto da Scena VII - Todas e a Cruz Vermelha)

Exemplar brochado, preso por atilhos, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
Indisponível

15 dezembro, 2021

BASTOS, Teixeira - A FAMILIA.
Por... Estudos de Sociologia
. Porto, Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, 1884. In-8.º (18,5 cm) de 218, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Estudo pioneiro. Importante ensaio sociológico sobre a Família elaborado no primeiro período evolutivo desta disciplina em Portugal. Raro e muito interessante.
"Que a familia é a cellula organica das sociedades, demonstram-o, além de outras muitas considerações, algumas de ordem puramente biologica, porque para se fazer uma idéa completa das relações sociaes convém estudal-as desde a sua origem. O instincto da conservação individual preside aos actos que têm uma relação mais ou menos directa com a prolongação da vida pessoal na lucta permanente com o meio, tanto cosmico, como social. Geralmente aos actos de perpetuação da especie presidem os instinctos sexual e maternal, que procuram resguardar, defender e crear a prole, com tanto mais diligencia e cuidado, quanto maiores são os obstaculos materiaes que encontram no seu meio, ou quanto menor é o numero dos descendentes."
(Excerto da Introducção)
"Como cellula organicada sociedade, a familia é a fonte de todas as eergias intellectuaes, moraes e sociaes, que se conservam e transmittem pela hereditariedade, que se desenvolvem pela educação e instrucção, e emfim que se propagam e multiplicam nas relações mutuas de individuo para individuo e nos conflictos permanentes da existencia. Sendo a fórma mais elementar da associação, e ao mesmo tempo a mais espontanea, a familia representa a primeira manifestação d'essa complexa ordem de phenomenos que obedecem não só ás leis cosmologicas e biologicas, mas ainda a uma terceira especie de leis, puramente sociologicas e moraes. É, portanto, um elemento social, quer como base da organisação politica, quer como gerador da sociedade futura. A sua missão consiste em arrancar o individuo do sentimento egoista da personalidade para o elevar pouco a pouco á sociabilidade pelo desenvolvimento dos instinctos altruistas. Na realidade a familia, tirando as suas raizes dos instinctos egoistas da sexualidade e da maternidade, aperfeiçoa-se gradualmente pelas relações especiaes a que dá origem; a protecção maternal e paternal, a obediencia, a submissão e a veneração dos filhos, as affeições fraternaes, o respeito, o amor, a amizade são sentimentos que brotaram espontanea e successivamente da vida domestica, á medida que o homem se afastava da primitiva animalidade para entrar no caminho da civilisação. A familia serviu de intermediaria entre o egoismo e o altruismo."
(Excerto do Cap. I - Concepção geral da familia)
Indice:
Introducção. | I - Concepção geral da familia. II - Instituição da familia. III - Perpetuação da familia. IV - A familia no presente. V - A familia no futuro.
Francisco José Teixeira Bastos (1856-1901). "Natural de Lisboa, foi poeta, ensaísta e jornalista e um dos principais divulgadores do positivismo de Augusto Comte em Portugal. Frequentou o Curso Superior de Letras, onde foi aluno de Teófilo Braga, que influenciou a sua obra ensaística e sua concepção de poesia filosófica visando o progresso da humanidade - expressa em Rumores Vulcânicos (1875) ou em Vibrações do Século (1882). Em Princípios de Filosofia Positiva (1883) resume o Cours de Philosophie Positive daquele filósofo francês. Foi colaborador de vários jornais e revistas, como «O Século», «Renascença» (1878-1897), «O Pantheon» (1880-1881), «Galeria Republicana» (1882-1883) ou o «Diário Mercantil» de S. Paulo (Brasil). Dirigiu a «Era Nova» (1880-1881), a «Revista de Estudos Livres» (1883-1886) e, com Teófilo Braga, fundou «O Positivismo». Foi ainda sócio fundador da Associação de Jornalistas de Lisboa e membro da Academia das Ciências de Lisboa."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/colecoes_autores/n109_bastos_teixeira.html)
Encadernação simples inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Páginas manchadas na última parte do livro.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
Indisponível

14 dezembro, 2021

A ROTA DO MÁRMORE DO ANTICLINAL DE ESTREMOZ. Coordenação, investigação e textos: Alfredo Tinoco; Carlos Filipe; Ricardo Hipólito. [Prefácio: Prof. Jorge Custódio]. Lisboa, Centro de Estudos de História Contemporânea, Instituto Universitário de Lisboa, 2014. In-4.º (24 cm) de 71, [1], [72] p. ; il. , B.
1.ª edição.
Importante estudo cultural e turístico, e histórico e geológico, sobre o Anticlinal de Estremoz.
Livro ilustrado a p.b. e a cores com fotografias, tabelas, desenhos, plantas e mapas.
Tiragem: 500 exemplares.
"A obra que agora se publica integra as três partes constituintes do referido projecto, antecedidas de uma introdução. A primeira parte consta de um pequeno estudo sobre as relações entre património cultural, turismo e desenvolvimento, essencial para a compreensão do significado das rotas turísticas. Segue-se um capítulo sobre a história e geologia do Anticlinal de Estremoz e da sua localização geológica e geográfica, onde se atende ao papel histórico que desempenhou na sub-região alentejana, quer do ponto de vista da extracção do mármore, como da sua exploração oficinal e industrial, como ainda do seu consumo histórico enquanto material de construção utilizado na arquitectura monumental e artística e de uso doméstico. Finalmente, uma terceira parte contém a própria Rota do Mármore proposta para os principais concelhos da sub-região."
(Excerto do Prefácio)
"O presente estudo teve como principal objectivo a criação de um roteiro turístico e a valorização do seu recurso endógeno - o mármore -, enquanto elemento identitário da Zona dos Mármores (concelhos de Alandroal, Borba, Estremoz, Sousel e Vila Viçosa) e enquanto principal elemento dinamizador da economia local.
Recurso natural de excelência, os mármores alentejanos são aqueles que mais se destacam no contexto nacional, conseguindo ombrear com os melhores mármores do mundo, conquistando, assim, prestígio e popularidade assinalável.
Do ponto de vista turístico, a região dispõe de um património digno de registo e a Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz tem uma vertente marcadamente de roteiro industrial. Embora a temática do turismo industrial seja cada vez mais um produto apetecível, o projecto que desenvolvemos não se limita a abordar o lado industrial do sector sob pena de este se esgotar rapidamente, correndo o risco de se tornar um produto pouco atractivo e pouco apetecível, exceptuando, talvez, o interesse de um público especializado. [...]
Embora tratando-se de um trabalho académico, o leitor é convidado a percorrer e descrição de algum do património existente numa sub-região bem identificada culturalmente, procurando enriquecer o seu conhecimento e o debate de ideias."
(Excerto da apresentação)
Índice:
Prefácio. Agradecimentos. Introdução. I - Património, Turismo e Desenvolvimento. II - História e Geologia. III - Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz. Bibliografia e webgrafia. Cartografia. Anexos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Com interesse histórico e regional.
15€

13 dezembro, 2021

ÀS JOVENS MÃIS. Paris, Sociedade dos Produtos do Milho [Maizena], [193-]. In-8.º (18 cm) de 35, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Muito ilustrada com desenhos e excelentes fotogravuras em página inteira.
Raro livrinho dirigido à mães com conselhos de puericultura. Trata-se de um esplêndido exemplo de propaganda comercial, obra subsidiada pela Maizena, e produzida pela Draeger (Paris), importante impressora francesa e pioneira no ramo da publicidade, famosa por, durante décadas, ter executado obras primas da edição francesa e alguns dos mais belos e conseguidos catálogos de conhecidas marcas.
"A mais elevada e mais sagrada missão da mulher é gerar os seus filhos e criá-los bem. Mas a ternura maternal nem sempre atinge êsse fim. Quantas crianças adoecem, por vezes gravemente, devido à falta de tratamento inteligente!
É perfeitamente compreensível a atrapalhação duma jovem mãi em presença do seu primeiro filho. Êste apresenta a cada instante reacções que ela desconhece; na sua terna solicitude a mãi imagina logo que o seu filho está doente: daí, quantas intervenções desastradas da parte dela e das pessoas que a rodeiam!"
(Excerto da introdução)
"Chama-se desmamar o separar a criança do peito. Esta mudança deve fazer-se normalmente aos 16 meses. Mas antes disso há um período transitório.
Preparação da criança para o desmame.
Assim que a criança atinja os 7 meses, poderemos começar a dar-lhe qualquer coisa além do leite. Substituímos uma mamada por farinha láctea preparada com água (3 colheres de café de farinha láctea, 170 gramas de água, cozedura 10 minutos), ou por uma papa de Maizena.
A Maizena é um produto de primeira ordem, que convém especialmente à criança de mama, e dada a sua composição, poderá ser o seu primeiro alimento depois do leite."
(Excerto de, O desmame; A Maizena)
Quanto à farinha Maizena, deixamos uma breve sinopse da sua história: "A farinha de amido de milho MAIZENA nasceu nos Estados Unidos no distante ano de 1856, uma criação dos irmãos Duryea. A empresa dos irmãos, a Corve Stach Manufacturing inicialmente vendia farinha fina de milho mas de uma forma a granel pelo que a Maizena surgiu devidamente embalada de modo a oferecer melhores condições de higiene e depressa se tornou num produto comercial com muita popularidade. A Maizena chegou a Portugal quase meio século depois, em 1905 e desde então tem-se mantido num produto muito popular, com diversas utilizações. Inicialmente e durante várias décadas foi até utilizado como produto adequado para engomar vestuário mas sobretudo na confecção de papas para bébés."

(Fonte: hiperdescontosepromocoes.com)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

12 dezembro, 2021

QUINTELLA, Santos - OS ESTUDANTES DE COIMBRA E AS SUAS PARTIDAS.
Historia recreativa e anecdotica da Aacademia Universitaria desde tempos remotos até hoje. Por... (com muitas gravuras)
. Porto - (Portugal), Escriptorio de Publicações de J. Ferreira dos Santos, [191-]. In-8.º (18 cm) de 80 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo repositório dos costumes académicos de antanho, sobretudo no que à farra e à diversão diz respeito.
Livrinho não datado, publicado algures na segunda década do século XX. Ilustrado com bonitos desenhos e fotogravuras a p.b. ao longo do texto.
"De liteira ou a cavallo. Os Divodignos. A Thomarada. A Rolinada. A Sociedade do Raio: Anthero, Vieira de Castro, João de Deus. O traje academico. A porta ferrea, o canellão, a cabra; o archeiro, o praxista, o bedel... Bichos, formigões, caloiros, novatos, veteranos. O cabula, o chronico, o dr. Espera, o urso. Gaticidas, noctivagos, trocistas, bisnaus. Tricanas, saccos de carvão. Musicos afinado e desafinados. Cabides, pés de banco, semi-putos, candieiros, troupistas. As tristes. A Sebenta. A arvore do ponto. O estudante á lebre. A moca, a palmatoria, a thesoura. Enfarruscadelas, bigodes pintados, freio na bocca, albarda ás costas. A gréve: tudo partido! As republicas. Queima das fitas, as latadas. Os kagas. Anecdotas e larachas. As partidas. Etc."
(Retirado da capa)
"Até 1854-55, antes de se inaugurar a malaposta, fazia-se a viagem para Coimbra de liteira ou a cavallo. Costumavam os estudantes formar caravanas contra o perigo de serem roubados pelo caminho. Os sitios escolhidos pelos ladrões para o assalto eram:
O afamado pinhal da Azambuja, Cruz de Meroiços - na estrada de Coimbra a Lisboa; na do Porto, a Ponte d'Aguas de Maias, o Carquejo, a Mealhada."
(De liteira ou a cavallo : Salteadores)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas marginais. F. rosto apresenta rasgão no pé, sem falha de papel.
Raro.
Com interesse histórico e académico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

10 dezembro, 2021

RAPOSO, José Hippolyto - SENTIDO DO HUMANISMO. Dissertação para concurso á Faculdade de Letras de Lisboa, no grupo de Filologia Românica. (Diário do Govêrno de 19 de Setembro de 1913). Coimbra, Tipografia França Amado, 1914. In-8.º (19,5 cm) de 76, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original de uma das primeiras e mais invulgares obras do autor.
"O conceito atribuído á palavra Renascença, deriva naturalmente da interpretação que fôr dada ao período medieval.
A diversidade de aspectos e critérios por que tem sido estudada esta época histórica e as prevenções com que cada qual se propõe resolver o problema, têm impedido a critica de formular até hoje uma síntese definitiva.
A Igreja reivindica para ela a gloria de ter sido em quinze séculos, o mais forte e quasi o único elemento de coordenação social.
O Feudalismo foi pedir á disciplina dos seus preceitos a força de coesão que tornou possivel então a jerarquia territorial, e por ela, a garantia dos interesses legitimos, a estabilização da familia, a ordem nas classes.
Foi á sombra dos santuários e mosteiros que se guardaram os pergaminhos de nobreza da sabedoria antiga, começaram a viver as universidades e se alimentou de motivos fecundos a Arte religiosa, no Oriente e no Ocidente.
Á continuidade da sua tradição de governo, devemos o traço de união do mundo antigo para o moderno."
(Excerto de Espirito da Renascença)
Índice:
I. Espirito da Renascença. II. Humanismo e Nacionalismo. III. A Língua dos Quinhentistas.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). “Um dos teóricos e dirigentes do Integralismo Lusitano. Era companheiro de mesa de Nobre de Melo com quem coabitava. Professor no Liceu Passos Manuel. Diretor do jornal A Monarquia em 1919. Advogado em Angola em 1922-1923. Reintegrado no professorado em 1926, passa a ser docente do Conservatório. Não apoia o salazarismo, de quem se torna crítico precoce. Um livro publicado em 1940 é apreendido pela polícia política e leva-o ao desterro. Considerava, então, a existência de uma salazarquia. Novamente demitido, apenas volta a ser reintegrado em 1951.”
(Fonte: www.politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa com defeitos. Sem f. anterrosto.
Muito invulgar.
15€

09 dezembro, 2021

AGUIAR, Manoel Caetano Pimenta de - D. JOÃO I. Tragedia. Por... 
Lisboa: Na Impressão Regia. Anno 1817. Com Licença. In-8.º (15,5 cm) de 106, [4] p.
1.ª edição.
Peça histórica. Trata-se de um drama em verso sobre os acontecimentos que antecederam a restauração da independência nacional, em 1640, incluindo o episódio da morte do Andeiro às mãos do Mestre de Aviz.
"Quasi no fim do XIV seculo se vio Portugal ameaçado de perder a sua existencia politica, que com tanta gloria havia sustentado desde o meio do XII, debaixo do heroismo de seu fundador, e dos Augustos Monarchas que lhe succedêrão.
D. Fernando, IX Rei de Portugal, casou sua unica filha e Infanta D. Brites com D. João Rei de Castella, contra a vontade da Nação, que presagiava neste consorcio as mais funestas consequencias, as quaes se verificárão por morte de D. Fernando.
Nomeou este, em seu testamento, a sua mulher, a Rainha D. Leonor, Regente do Reino, em quanto sua filha não tivesse descendencia, pois se tinha estipulado, tanto no tratado de paz, como no contracto de casamento, que o primeiro filho viria para Portugal, e seria acclamado Rei.
Porém o ambicioso Rei de Castella quiz, logo depois da morte de D. Fernando, fazer acclamar sua mulher, Rainha de Portugal, e desta sorte completar a absurda politica de seus antecessores.
A Regente do Reino, instada pelo amor maternal, ameaçada pelas armas de Castella, seduzida pelos perfidos conselhos de seu particular favorecido, João Fernandes Andeiro, Conde de Ourem, Castelhano de Nação, e por alguns Fidalgos, que apoiavão illudidos esta atroz maquinação, entrava como parte essencial nas vistas de seu genro.
Para darem rapido impulso a este projecto, convierão, que logo depois das exequias do Rei, fosse solemnemente acclamada D. Brites, Rainha de Portugal, como legitima successora de D. Fernando. Verificou-se este acto escandaloso, porém como nelle se ofendia a lealdade e brio Portuguez, houverão tantos tumultos populares, principalmente em Lisboa, Santarém, e Elvas, que os que lancavão os pregões forão obrigado a fugir, para salvarem as vidas, ameaçados pela indignação do Povo. [...]
Restava com tudo hum heróe, destinado pela Providencia, para salvar a Náo do Estado, combatida das mais furiosas tempestades. D. João, Mestre de Avis, filho natural de D. Pedro I. e irmão de D. Fernando, por suas brilhantes qualidades era o idolo da Nação. Possuia em alto gráo o valor, a prudencia, a justiça, a liberalidade, e todas as virtudes dignas do Throno."
(Excerto do Argumento)
Manuel Caetano Pimenta de Aguiar (1765-1832). “Poeta e dramaturgo. Foi representante da ilha da Madeira nas Cortes Constituintes de 1822 a 1823, tendo sido também deputado, pela Madeira, para a sessão legislativa de 1826 a 1828. Escreveu muitas tragédias de que se conhecem dez: Virgínia (1815); Os Dois Irmãos Inimigos (1816); D. João I (1817); Destruição de Jerusalém (1817); Conquista do Peru (1818); Eudoxa Licinia (1818); Morte de Sócrates (1819); Carácter dos Lusitanos (1820); Arria e D. Sebastião em África. Existe uma tradução francesa da obra Carácter dos Lusitanos publicada em Paris (1823), por Ferdinand Denis.
Nasceu na ilha da Madeira, na freguesia da Sé, a 16 de maio de 1765 e faleceu, com 67 anos, em Lisboa, na R. Direita da freguesia de São Paulo, a 19 de fevereiro de 1832, vítima de um ataque apoplético. Foi sepultado na igreja paroquial de S. Paulo. Alguns conhecedores da sua obra consideram-no precursor de Almeida Garrett, nomeadamente no que diz respeito à criação do teatro trágico nacional, evidenciando, assim, a importância de Pimenta de Aguiar na história da literatura portuguesa. Muito reconhecido no seu tempo, as suas tragédias, contextualizadas pelos defeitos próprios da época, evidenciavam, sem dúvida, a sua originalidade, um estilo distinto e uma elegância admirável, características pouco comuns naquele período, pelo que o autor era frequentemente aclamado com entusiasmo pelo público. Nascido numa época privilegiada da intelectualidade portuguesa, foi um estilista inteligente e original. No seu Résumé de L’Histoire Littéraire du Portugal, Ferdinand Denis refere-se-lhe de modo bastante lisonjeiro. Ilustre madeirense e distinto escritor, que seguiu a causa de D. Pedro IV, patriota zeloso e intransigente na defesa da independência nacional, M. C. Pimenta de Aguiar não ficou conhecido entre os madeirenses. Contudo, e apesar de ter residido fora da Madeira a maior parte da sua vida, a Câmara Municipal do Funchal decidiu atribuir o seu nome a uma travessa da cidade."
(Fonte: http://aprenderamadeira.net/aguiar-manuel-caetano-pimenta-de/)
Exemplar desencadernado, por aparar, em bom estado de conservação.

Raro.
25€

08 dezembro, 2021

CORREIA, Palmira – DOM DUARTE DE BRAGANÇA. 
Um homem de causas - causas de rei. Prefácio de Teresa Costa Macedo. Fotografias de António Homem Cardoso. Lisboa, Dom Quixote, 2005. In-4.º (23,5 cm) de 135, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro ilustrado com fotografias a p.b.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de D. Duarte Pio.
Entrevista da jornalista Palmira Correia. “Dom Duarte fala das causas que abraça, das suas ligações às casas reais europeias, das viagens, da infância, dos pais, do exílio forçado, das suas recordações da Suiça, onde nasceu, da sua passagem pelo Colégio Militar, e do seu tempo de tropa em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Timor, a democracia, a independência das ex-colónias, a defesa do ambiente, o mutualismo e os traços da cultura portuguesa no mundo são também alguns dos temas abordados neste livro. “ (Excerto da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

07 dezembro, 2021

CORRÊA, Mendes - CREANÇAS DELINQUENTES. Subsidios para o estudo da criminalidade infantil em Portugal. Coimbra, F. França Amado, editor, 1915. In-8.º (19 cm) de [4], 131, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre a criminalidade infantil, elaborado já sob os auspícios da República, com algum rigor e método. Contém dedicatória autógrafa do editor na f. anterrosto.
“Teem sido estabelecidos os principaes tipos de anormais que fornecem contingentes sensiveis para a delinquência infantil. Citarei: os anormais por deficit intelectual (idiotas, imbecis, fracos d’espirito e sobretudo os simples atrasados mentaes), os instaveis com ou sem debilidade mental, os astenicos (apaticos, abulicos, preguiçosos), os anormaes por deficit afectivo ou moral (indisciplinados, amoraes e viciosos), os anormais convulsivantes (perturbações graves da epilepsia, histeria e coreia) e os alienados propriamente ditos. Os anormais por deficit físico ou sensorial também contribuem frequentemente para a criminalidade infantil, mas em geral as suas anomalias colaboram apenas por incidente com mais importantes fatores do crime. Os chamados anormaes por defeito educativo (ignorantes, atrasados pedagogicos, muito viciosos e imoraes por habito adquirido ou influencia do meio, etc.), dão muito maior quota de delinquentes, mas na verdade trata-se de falsos anormaes, porque os seus cerebros não teem necessariamente uma estrutura anomala ou patologica. Educadas convenientemente, essas creanças em nada se distinguem das creanças normaes.”
Matérias:
I. - «A creança delinquente». II. - «Vadios». III. - «Prostitutas e libertinos». IV. - «Gatunos». V. - «Agressores, assassinos e outros». VI. - «A criminalidade de menores em Portugal». VII. - «A lucta contra a criminalidade infantil». VIII. - «O exame medico-antropológico da creança delinquente».
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto inferior dto; assinatura de posse no verso da f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

06 dezembro, 2021

CORREIA, General J. Santos - OCUPAÇÃO DO SUL DE ANGOLA.
Conferência efectuada na Sociedade de Geografia em 10 de Janeiro de 1952
. Lisboa, [s.n. - Composto e Impresso na Gráfica Boa Nova, Lda. - Lisboa], 1952. In-4.º (23,5 cm) de 29, [3] p. ; [1] mapa ; B.
1.ª edição.
Resenha dos episódios militares portugueses que conduziram à pacificação do Sul de Angola, desde o século XIX até ao final da Primeira Guerra Mundial.
Livro ilustrado extra-texto com mapa: "Sul de Angola - Situação aproximada das vias de comunicação em 1914 (Escala 1 : 6.000.000)".
"Na época em que decorrem as campanhas de que vamos tratar, isto é, de meado do século passado ao fim da 1.ª Guerra Mundial, era prática seguida nas lutas entre povos civilizados serem respeitados os vencidos, tratados os feridos e sepultados os mortos; nas lutas do Sul de Angola, o gentio matava à machadada e maça todos os prisioneiros, despojava-os do fato, mutilava-os e abandonava os seus corpos ao repasto das hienas e aves de rapina."
(Ocupação do Humbe - Esclarecimento necessário)
Índice: I - Preâmbulo. II - Lubando e Sá da Bandeira. III - Ocupação do Humbe. IV - Ocupação do Cuamato. V - Do Cunene ao Cubango. VI - Naulila. VII - Ocupação do Cuanhama. IX - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta leve sombreado nas margens laterais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

05 dezembro, 2021

TADEU, Viriato - "EVOCAÇÃO DE WENCESLAU DE MORAES" (Diaporama do Japão). Por...
Lisboa, Centro de Estudos da Marinha, 1978. In-4.º (24x15,5 cm) de 58, [2] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo trabalho biográfico sobre Wenceslau de Moraes e o Japão, sua pátria por adopção. «O texto foi acompanhado com a projecção de cerca de 200 dispositivos e o acompanhamento de acordes de música japonesa. Os diapositivos vão assinalados por sub-títulos de identificação». Claro que o livro não inclui os diapositivos (muito menos os acordes musicais), foi algo que fez parte da apresentação pública. Em todo o caso, contém uma selecção de oito bonitas estampas - impressas sobre papel couché - a p.b. e a cores - separadas do texto.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Almirante Alfredo Motta.
Junta-se um convite do Centro de Estudos da Marinha para as sessões culturais que inclui a comunicação sobre a presente obra.
"Certo apreciador do Japão a que adiante farei referência, disse que a palavra «amor» - um dos pilares do nosso universo interior - não encontra equivalente no Oriente, porque a linguagem dos orientais construiu o seu mundo de maneira completamente diferente.
Este ideograma, por exemplo, tem um significado mais filosófico, mais sereno e menos ardente do que a nossa palavra «amor». Em japonês não há expressão capaz de abarcar tal palavra, em todo o seu significado. A amizade japonesa não se exterioriza por sentimentos, que nós dizemos procedentes do coração - solidamente, enraiza na natureza.
Isto, só para tentar justificar o tema em que lhes vou falar de Wenceslau de Moraes, «em ligeiras notas que quizera tornar pouco enfadonhas...» - como aquele escritor certa vez asseverou.
Ao entusiasmo que, no começo deste século, mereceu o exotismo dos livros de Moraes, sucedeu o esquecimento e várias críticas - que não vou discutir. A interpretação do homem e da obra são demasiadamente complexas e naturalmente favoráveis ao malabarismo as  abstracções. A 58 anos da sua morte, que importa porem o estilo e vernáculo da sua prosa, se os japoneses têm maior autoridade para ser juízes do que ele escreveu?
Quanto ao homem e às atitudes que assumiu perante a eternidade, como o deve julgar a actualidade cristã?
Vou no entanto tentar expor-lhe o meu ponto de vista, que é dominado pelo que observei no Japão e por uma visita a Tokushima.
Tudo parece indicar que o nosso escritor foi infeliz e desastrado em seus amores ocidentais, e que o afecto mercenário de duas mulheres japonesas foi interrompido pela morte. Até o seu amor pelo Japão nunca o fez «plenamente feliz, sem dúvida por incompetências e incongruências dos seus dotes afectivos», como confessou.
Talvez por isso, o conhecido livro Os amores de Wenceslau de Moraes, comece com a seguinte afirmação de Camilo:
«As mulheres, as mulheres!... Por causa d'elas, diz a história que se teem perdido nações. Que admira que se perca um homem por maior que seja o seu tino e por mais cristãos que sejam os seus costumes! Até os santos teem estado a pique de se perderem, e eu creio até que alguns se perderam por causas delas».
Como sucedeu a muitos da minha geração, eu tinha lido na juventude alguns livros de Wenceslau de Moraes e devo confessar que nem sempre os entendi - além de considerar hoje ultrapassados muitos dos acontecimentos que relatou.
Sucede porém que, a partir de 1957, e, ao longo dum período de doze anos, estive algumas vezes no Japão, ou seja, aproximei-me e privei com os japoneses.
Em tais visitas ainda me coube o privilégio de conhecer o nosso ilustre confrade Doutor Virgílio Armando Martins - ao tempo nosso Embaixador no Nippon - e de apreciar a sua multifacetada e operosa acção cultural e diplomática.
Num meio tão pouco permeável, esse nosso confrade honrou-nos com o trabalho de reavivar o prestígio do nome de Portugal no Japão.
Ele foi atraído por Moraes, e, como declarou, «ganhou-lhe um afecto particular que permitiu compreendê-lo pelas afinidades que tão longo convívio e o seu progressivo conhecimento e amor do Japão foram desenvolvendo».
Daí permitir-me tomá-lo também como guia desta remomeração audio-visual, que me propuz oferecer-lhes.
Considero o nosso confrade como o mais válido intérprete da obra de Moraes, por me parecer que ela só pode ser devidamente apreciada e entendida por quem conheça o Japão."
(Excerto de 1 - Traços de personalidade)
Matérias:
1 - Traços de personalidade. 2 - Contactos com o actual Japão. 3 - Panorâmica japonesa. 4 - Recordações históricas portuguesas. 5 - Excursão a Tokushima. 6 - «Awa Odori». 7 - Monumento de Kobe. 8 - Apreciações finais. | Notas finais.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 dezembro, 2021

OLIVEIRA, J. Fernandes d' - O GRANDE PROBLEMA NA CONFERENCIA SOCIALISTA DE COIMBRA. A attitude do partido socialista perante a acção e propaganda dos partidos monarchicos e republicanos. Concentrações politicas. Cooperativas. 2.ª Sessão Publica da Conferencia em 16 de Junho de 1901. Gaya, Typ. de Francisco Martins Barboza, 1901. In-8.º (20,5 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante peça histórica relacionada com o Partido Socialista, organização partidária criada em 1875 por Azedo Gneco, Antero de Quental, Nobre França e José Fontana, entre outros, com a designação "Partido Socialista Português". Trata-se do relatório da conferência organizada para debater a estratégia a seguir face ao delicado contexto político da época, e ao cooperativismo - tema caro ao partido.
"O partido socialista encara a sua acção e o seu programma em face do programma e acção moral, politica e economica dos partidos monarchicos, não póde manter em face d'elles outra attitude que não seja a da mais completa e absoluta intransigencia. Não pretende, porventura, o partido socialista a abolição de todos os privilegios com o estabelecimento d'uma sociedade nova onde todos os seres humanos tenham o seu logar? Pois moral, politica e economicamente, os partidos monarchicos, seja qual fôr o rotulo liberal ou conservador que elles adoptem para uso das clientellas respectivas, são absolutamente incompativeis com o Ideal socialista. [...]
Radicaes ou moderados, os programmas republicanos não resolvem a questão social. A fórmula republicana burgueza, que se sustenta ser o unico remedio para os males que ora affligem esta nacionalidade, não resolve entre nós o problema da miseria; isto é: - com a implantação da republica burgueza não terá sido concluida a missão do partido socialista."
(Excerto de Fixação da attitude do partido socialista perante a acção e propagando dos partidos monarchicos e republicanos)
Matérias:
Duas palavras. | I - Fixação da attitude do partido socialista perante a acção e propagando dos partidos monarchicos e republicanos. | II - O que valem em principio as concentrações politicas? III - Qual a melhor fórma do partido levantar as sua cooperativas e de as guiar no Ideal Socialista? | Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP tem registado 1 exemplar na sua base de dados.
Com interesse histórico e político.
20€

03 dezembro, 2021

FRAGOSO, Braancamp de Barahona - O
PRIMEIRO AMÔR (romance)
. Lisboa, Edição do Autor, 1929. In-8.º (19 cm) de [4], 165, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance de costumes taurinos.
Ilustrado no texto com bonitos desenhos de Álvaro Duarte de Almeida. Inclui no final do livro três partituras, respectivamente, de um fado, uma canção e um toque de cornetins.
"Este curioso livro de José Manuel Barahona, é um verdadeiro auto de noticia de costumes d'aquelle sport tauromachico que tendo florescido n'uma epocha da vida gentilhomenesca de Portugal, quasi desaparecido vae.
E esta vivida representação de taes costumes tornam este livro, aliás feito com uma sinceridade quasi ingenua, mas pleno de gout de terroir, digno de ser lido; e, mais ainda que lido, de ser conservado ad perpetuam rei memoriam, para consulta e uso dos que no futuro venham a dar-se a escrever amena historia de sociedades que foram elegantes e sportivas."
(Excerto do prefácio)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€

02 dezembro, 2021

ARAGÃO, A. C. Teixeira de – DIABRURAS, SANTIDADES E PROPHECIAS. Por... Socio Effectivo da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Lisboa, Por Ordem e na Typographia da Academia Real das Sciencias, 1894. In-4.º (24 cm) de XII, 150, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Obra insólita e curiosíssima. Trata-se da rara versão original de um dos trabalhos mais invulgares de Teixeira de Aragão, historiador português que se distinguiu sobretudo na área da numismática, tendo publicado diversos ensaios de referência sobre o assunto.
Livro ilustrado com fac-símiles de assinaturas ao longo do texto.
"Haverá dez anos, revendo um maço de papelada, que havíamos escripto sobre vários assumptos em diversas epochas, condemnámos a um auto de fé a maior parte, escapando apenas das chammas este opusculo que, sem pretensões, oferecemos ao benevolo leitor. Não é romance: são esbocetos troncados, ou scenas de costumes, crenças e visões, devidas a embustes, a fraquezas de espirito e á educação fanática, que produzem de ordinario o embrutecimento moral. [...] Os nevropatas são espiritos ignorantes e fracos que se levam pela crendice da goécia. É a reacção mystica supplantando o materialismo pelo fanatismo da fé religiosa, e que na sua cegueira acceita todos os phenomenos por mais disparatados, como o pacto com o diabo, etc. [...] As superstições da gente ignorante ou pouco illustrada fluctuam entre o espirito de Deus e o do diabo. Na sua phantasia não ha personalidades definidas; do pequeno fazem grande, do sagrado profano; e a imaginação exaltada pinta-lhes ao mesmo tempo maravilhas e terrores. Os  cerebros encandecidos criam encantos surpreendentes, julgando sentir, ver e ouvir as bruxas com os seus sortilégios… [...] As abusões e praticas supersticiosas vem de tempos imemoráveis… [...] As superstições de um povo são o barometro por onde melhor podemos apreciar o grau da sua civilisação, tendo, sobretudo, em attenção que estes prejuizos não pertencem só ás classes rudes. Na sciencia temos a busca da pedra philosophal; e a astrologia judiciaria, com a consulta dos corpos celestes para conhecer o futuro, sevia de guia até ao fim do seculo XVII a alguns monarchas e pontifices."
(Excerto da introdução)
índice:
Diabruras, o autor trata de Satanás, das Fadas, Feiticeiras e Bruxas e dos Lobisomem e Asininohomem. | Santidades, dos Bruxos Santos, Conventos e Mosteiros e O Santo Tribunal. | Profecias, refere dois falsos profetas famosos do século XVI.
Augusto Carlos Teixeira de Aragão (1823-1903). "Militar, médico, numismata, arqueólogo e historiador português. Foi secretário geral do govêrno da Índia, aonde acompanhou o infante D. Augusto, e desde 1867 director do gabinete numismático do Rei D. Luiz I. Foi socio efectivo da Academia das Sciencias de Lisboa; da Sociedade de Geographia de Lisboa, da Sociedade de Sciencias Médicas, da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses; membro do Instituto Politécnico Português; do Instituto Vasco da Gama, do Instituto Geografico Argentino, da Academia Hungara de Paris, da Sociedade Numismatica Belga da Academia de Roma; do Instituto de Coimbra, da Academia Real de La Historia, de Madrid; do Instituto Historico e Geographico Brazileiro; e sócio honorário do Instituto Historico de S. Paulo. Como oficial do Exército Português, reformou-se no posto de general. É considerado um dos "pais" da numismática portuguesa."
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
65€

01 dezembro, 2021

BRAGA, Theophilo -
HISTORIA DO DIREITO PORTUGUEZ.
Por... Os Foraes
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1868. In-4.º(23 cm) de [2], XV, [1], 157, [3] o. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural para o Acto de Conclusões Magnas de Theophilo Braga.
Argumento:
Seriam os Foraes direito municipal, administrativo, lei civil ou simplesmente um privilegio?
Até que ponto foram recebidos na moderna legislação?
Importante ensaio histórico-jurídico sobre os Forais - documentação emanada do poder régio para estabelecer concelhos e regular a sua administração.
Dedicatória pungente do autor a seu irmão, "assassinado nos desertos de Africa". - "Eras mais feliz do que eu, porque acreditavas na existencia da patria, a que te sacrificaste; foste devorado pelos selvagens e acabaram os teus desalentos. Eu continuo na brecha, sem saber para que, nem até quando.".
"Como ha para cada zona constellações, temperatura e uma vegetação particular, egualmente para as raças humanas são diversos os sentimentos e paixões que as animam, e diversas as creações fataes da sua alma. As sciencias modernas tornaram-se antropologicas; aonde se via um facto ou acção de uma individualidade, descobre-se hoje uma lei da consciencia humana. As linguas, as theogonias, as poemas e as legislações, em vez de se considerarem como um resultado da revelação immediata, ou de naturezas superiores e quasi divinas, vão sendo attribuidos á humanidade, é medida que ella se vae tornando obra de si mesmo."
(Excerto do Cap. I - Influencia das raças sobre a realisação do Direito)
Index:
Primeira Parte - Organisação social da Edade Media portugueza: I - Influencia das raças sobre a realisação do Direito. II - Caracter germanico dos Foraes portuguezes. III - Os Foraes portuguezes estão em opposição com o Codigo Wisigothico. IV - Symbolica do Direito portuguez procurada nos Foraes. V - A jurisdicção popular absorvida pelo jurisdicção real.
Segunda Parte - Creação definitiva do poder monarchico: I - Renascimento do Direito Romano na Europa. II - Reforma dos Foraes no tempo de Dom Manoel. III - Decadencia das garantias populares alcançadas nos Foraes.
Joaquim Teófilo Fernandes Braga (Ponta Delgada, 1843 - Lisboa, 1924). "Foi um poeta, sociólogo, político, filósofo e ensaísta literário português. Estreia-se na literatura em 1859 com Folhas Verdes. Bacharel, Licenciado e Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra, fixa-se em Lisboa em 1872, onde lecciona literatura no Curso Superior de Letras (actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).
Aluno brilhante, quando em 1867 terminou o curso foi convidado pela Faculdade de Direito a doutorar-se, o que fez defendendo em 26 de Julho de 1868 uma tese intitulada História do Direito Português: Os Forais. Contudo, a sua pública adesão aos ideais republicanos levaram a que fosse preterido quando em 1868 concorreu para professor da cadeira de Direito Comercial na Academia Politécnica do Porto.
Da sua carreira literária contam-se obras de história literária, etnografia (com especial destaque para as suas recolhas de contos e canções tradicionais), poesia, ficção e filosofia, tendo sido ele o introdutor do Positivismo em Portugal. Depois de ter presidido ao Governo Provisório da República Portuguesa, a sua carreira política terminou após exercer fugazmente o cargo de Presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, entre 29 de Maio e 5 de Outubro de 1915."
(Fonte: wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos nos cantos. Páginas ligeiramente oxidadas.
Raro.
Com interesse histórico e jurídico.
35€