19 outubro, 2016

CHAGAS, M. Pinheiro - OS GUERRILHEIROS DA MORTE. Romance historico original de... [Introducção de Innocencio F. da Silva]. Lisboa, Escriptorio da Empresa, 1872. In-8.º (17,5cm) de 296, [4] p. ; E. Col. Bibliotheca Universal dedicada ao Visconde de Castilho
1.ª edição.
Com uma carta do Visconde de Castilho para Eduardo Coelho, fundador e proprietário do Diário de Notícias.
Romance histórico cuja acção decorre durante a 1.ª Invasão Francesa, liderada por Junot.
Trata-se da rara edição original desta conhecida obra de Pinheiro Chagas, à época, um sucesso de vendas; no mesmo ano da primeira (1872) publicaram-se mais duas edições; seguiu-se a 4.ª edição em 1874, e outras mais até ao final do século, bem como durante o século XX.
"Era uma noite fria e chuvosa de novembro de 1807. No largo da Ajuda, onde assobiava com furia o vendaval, reverberava-se nos charcos produzidos pela agua do ceo o clarão das luzes que allumiavam os salões, e que se coava pelas vidraças. De vez em quando um vulto inquieto approximava-se dos vidros, e procurava descobrir alguma coisa na profunda escuridão do terreiro. Via apenas as arvores estorcerem-se debaixo do açoite da tempestade, e, de vez em quando, o relampago cortar com a sua luz rapida e sinistra a escuridão nocturna. Voltava então para dentro, e, atravez das vidraças podia-se divisar ainda a sombra agitada de varias pessoas, que passavam e tornavam a passar por diante das janellas.
Não seria difficil imaginar o motivo da agitação dos habitantes dos regios paços da Ajuda a quem tivesse conhecimento dos acontecimentos que então se passavam na Europa, e dos desastres que ameaçavam este pequeno reino occidental. Napoleão chegára ao fastigio do seu poder."
(excerto do Cap. I, O embaixador inglez)
Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895). "Escritor português nascido a 12 de Novembro de 1842, em Lisboa, e falecido a 8 de Abril de 1895, na mesma cidade, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas foi também um célebre polígrafo da segunda metade do século XIX, jornalista, poeta, novelista, historiador, dramaturgo, crítico literário e tradutor (de Ponson du Terrail, Alexandre Dumas, Octave Feuillet, Alfred de Vigny e Jules Verne, entre outros autores). Interessou-se pela política, tendo-se notabilizado como orador e tendo exercido os cargos de deputado pelo Partido Regenerador e de ministro da Marinha, em 1883. Ocupou, entre várias funções, o cargo de professor no Curso Superior de Letras, para o qual concorreu com Teófilo Braga. Em 1865, publicou o Poema da Mocidade, cujo posfácio, assinado por António Feliciano de Castilho, seu amigo, viria a suscitar a Questão Coimbrã, na qual Pinheiro Chagas tomou parte, com o opúsculo Bom senso e bom gosto. Folhetim a propósito da carta que o sr. Antero de Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho, onde defendeu Castilho, contestando a novidade e a substância das ideias literárias sustentadas por Antero. Em 1869, publicou A Morgadinha de Valflor, que o notabilizaria como dramaturgo. Em 1871, interveio a favor do encerramento das Conferências Democráticas do Casino. Fundou, em 1876, o Diário da Manhã, mas colaborou em variadíssimos jornais e revistas, entre os quais O Panorama, Arquivo Pitoresco, Gazeta de Portugal, Jornal do Comércio, Diário de Notícias, A Ilustração Portuguesa, Revolução de Setembro e Artes e Letras. Neles assinou numerosos artigos de crítica literária, em parte recolhidos nos volumes Ensaios críticos e Novos ensaios críticos, de 1866 e 1867, respectivamente. Conhecido hoje em dia sobretudo pelo conservadorismo das posições assumidas contra a Geração de 70 e pelo convencionalismo da sua obra literária, excessivamente marcada pelo ultra-romantismo, Pinheiro Chagas mereceria porventura uma releitura, principalmente no tocante à sua produção como crítico literário. Pinheiro Chagas deixou-nos livros magníficos, onde demonstra as suas imensas faculdades intelectuais, de entre os quais ressaltam títulos como A Flor Seca, Os Guerrilheiros da Morte, O Terramoto de Lisboa e A Mantilha de Beatriz."
(fonte: www.wook.pt)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Miolo bom. Pastas e lombada cansadas, com defeitos. Uma folha da dedicatória encontra-se solta.
Raro.
A BNP não tem recenseado na sua base de dados a 1.ª edição.
Indisponível

18 outubro, 2016

LOPES-VIEIRA, Affonso - «MARQUES» (Historia d'um perseguido). Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (19cm) de 164 p. ; E. 
1.ª edição.
Romance revelador da faceta anarquista do autor à época. No ano seguinte, em 1904, traduz um conhecido texto de Kropotkine - Á Gente Nova.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Lopes Vieira.
"Publicado em 1903, Marques (Historia d’um perseguido), de Afonso Lopes Vieira, revela-se um texto de enigmática singularidade no percurso literário do então jovem autor, o que talvez explique que João Gaspar Simões, defendendo que a novela «no género, e para a época, (...) é uma obra-prima», logo acrescente, desalentado, que «aí ficará ela até aos nossos dias ignorada de todos».
(fonte: http://www2.dlc.ua.pt/classicos/modernidade.pdf)
Sobre esta obra, diz-nos ainda João Gaspar Simões: "Raúl Brandão, Patrício, Mário de Sá-Carneiro, Almada, o próprio Almada da Engomadeira, mestres da ficção portuguesa da primeira metade do século, foragidos do realismo, avatares da ficção em que o real se torna poético, como que foram beber a esta fonte oculta da novelística nacional. O "Marques", de Afonso Lopes Vieira, é uma obra prima do género".
"Marques não era Marques: - era Marcos. Mas toda a gente lhe chamava Marques!
Marcos soffrêra com salivações amargosas na bocca esta corrupção do seu nome, e com uma vontade de lhes bater, nelles - a quem ninguem estragava os nomes.
Mas não batêra nunca...
- Adeus, oh Marques!
Ficára Marques para todo o sempre."
(excerto do texto)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. 
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

17 outubro, 2016

O TEMPLO DE HYGIA OU A SAUDE PUBLICA INFLUIDA PELOS GOVERNOS. Poema composto e offerecido a seus concidadaos. Pelo auctor do Triumpho da Natureza das Jeremiadas, &. &. [Lisboa], Typographia Lisbonense, 1837. In-8.º (16,5cm) de 25, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética de forte matriz liberal, da autoria de Vicente Pedro Nolasco da Cunha.

 "Dos povos desligando o soberano
Destruindo a união dos dous poderes
Elles correm sem tino a sepultar-se
No horror do Despotismo, ou da Anarquia,
E revoltando contra os paes os filhos,
E os irmaõs contra irmaõs, o faxo acendem
Da civil guerra, que as nações dessola
  Oh vós nacionaes legisladores
Aquem dirijo agora estes accentos
Da celeste verdade á vóz dictados,
(Com profunda attenção vos cumpre ouvilos,)
Sabeim, que huma Nação não póde unir-se
Sem hum ponto central, que as leis lhe firme
Que lhe sustente o jus, os bens, e a gloria.
  Este ponto central não jaz na força
De armas que sustentar as Leis só devem
Porem nunca dictalas. - Esse abuso
De internas convulsões he sempre origem
Este ponto central só jaz no throno
Que legitimo reina; e justo, e firme
No bem geral o poder summo exerce.
E não esse, que veste os atavios
De huma esteril, e frivola nobreza,
Titulos vãos de orgulho, e falso lustre. - 
A nobreza não se herda, so se imita.
Não he como fortuna, que os paes deixão
Aos filhos por herança. - Mas d'aquella
Que o merito assignala, e que o proveito
Geral gradua. - A verdadeira gloria
Esta he do throno, que honra tal Nobreza."

(excerto do poema)

Vicente Pedro Nolasco da Cunha (1773-1844). “Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra. Liberal, exilou-se em Inglaterra, onde fundou e co-dirigiu o jornal político-literário mensal “O investigador português em Inglaterra”, (1811-1819), de que foi o principal redactor, tornando-se a partir de então figura proeminente do período do pré-romantismo. De facto, já nessa altura e nesse período, é dos primeiros intelectuais portugueses a analisar mais profundamente a obra de Rousseau, que considera, quer como filósofo quer como escritor, “um génio”. Núcleo fundamental de formação do romantismo português, nesse periódico são publicados, entre outros, textos de José Anastácio da Cunha, Filinto Elísio e Bocage, traduzindo-se vários pré-românticos ingleses e alemães e analisando-se já as obras de Schiller, Walter Scott, Byron. Nolasco da Cunha traduziu Racine, Shakespeare, Erasmo, Darwin e Schiller. Da sua obra poética, destacam-se as seguintes obras: O Jardim Botânico de Darwin, ou a economia da vegetação : poema com notas filosóficas, traduzido do inglês, Lisboa, 1803; O tempo da Glória, Lisboa, 1802; O Triunfo da natureza, 1809 (dedicado a Domingos de Sousa Coutinho); O Incêndio de Moscovo, ou a Queda de Napoleão, Londres, 1812."
(fonte:pt-br.sis-medicos.wikia.com)
Exemplar brochado, aparado, em bom estado geral de conservação. Manchado na f. rosto. 
Raro.
Indisponível

16 outubro, 2016

NOVAES, João - O LIMITE DAS HORAS DE TRABALHO NAS FABRICAS. Dissertação inaugural apresentada á Escóla Medico-Cirurgica do Porto. Porto, Typographia Occidental, 1890. In-8.º (22,5cm) de 91, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro sobre as condições de trabalho do operariado em finais do século XIX. O autor defende a diminuição das horas de trabalho, demonstrando uma consciência social e um ideal progressista pouco comum para a época.
"No 1.º de maio d'este anno, o operariado do mundo inteiro reclamou, como limite para o dia de trabalho, - 8 horas.
No Porto, tambem a manifestação foi imponente. Mais de 12:000 operarios vi eu reunidos em comicio, protestando pacificamente contra o excessivo trabalho a que os obrigam, e confesso que esta grande reunião me impressionou dolorosamente, inspirando-me toda a sympathia pela sua causa.
O que elles pediam, hoje, como hontem, como ha um seculo já, era uma diminuição, uma delimitação das horas de trabalho; e na sua estatura diminuta, na sua magreza, no rachitismo de muitos, no macilento de todas as faces, na pouca limpeza dos seus vestuarios andrajosos, se reconhecia a justiça da sua petição.
Toda uma classe de victimas escravisadas pelo capital alli estava, paciente e ignorante, pedindo, talvez sem fé de serem attendidos, o que é uma necessidade que se faça não só para bem d'elles, mas por utilidade da nação, por utilidade do proprio industrial.
Sim, porque é preciso que se saiba, como mais adeante creio provar á evidencia, que longe de diminuir, a producção augmenta, se o operario não soffrer um trabalho excessivo, que dia a dia o vae definhando até o inutilisar."
Matérias:
 O dia de trabalho na Europa:
Inglaterra; Allemanha; Hollanda; Austria; Italia; Suissa; Belgica; França; Hespanha; Portugal.
Indústrias:
Fundições de ferro: Massarellos; O Ouro; Fundição de Miragaya; Fabrica do caes do Bicalho e da Arrabida; Fundição do Bolhão; Boa Viagem e Monchique.
Distillações: Distillação da Furada; Fabrica de Paço de Rei; Distillação do Cavaco e Furada; Fabrica de distillações de Campanhã.
Serração de madeira e pregaria de arame: Aurificia.
Lanificios: Lordello.
Fiação de tecidos de algodão: Salgueiros; Asneiros.
Regulamento do Trabalho nas Fabricas [35 artigos], 1889, O administrador geral, Oliveira Martins.
Regulamento do Serviço de Saude e Beneficiencia da Administração geral dos tabacos
I - Organisação geral. II - Serviço medico. III - Cooperativas. IV - Caixa de socorros. V - Reformas. VI - Caixa economica.
Physiologia e hygiene do trabalho nas fabricas. Trabalho e repouso.
O dia normal de trabalho (conclusões).
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas, com defeitos. Assinaturas de posse na contracapa.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

15 outubro, 2016

LIMA, Diogo Martinez de & LIMA, Eduardo Martinez de - RUMORES DA GUERRA. Porto, Imprensa Moderna, 1923. In-8.º (19,5cm) de 128, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Crónicas dos campos de batalha da Flandres. Relato do dia a dia de dois irmãos que integraram o contingente do C. E. P. em França.
Obra dedicada pelos autores ao Ex.mo General Gomes da Costa, "Nosso chefe desde Tancos a Flandres", à memória de seu (deles) pai, o Tenente Gabriel José Gomes de Lima, e aos camaradas de África.
Livro ilustrado com o retrato dos irmãos Martinez de Lima em extratexto.
"Será hoje, será àmanhã, foi a nossa vida durante cinco meses, aguardando a partida para França.
Em 19 de Janeiro [de 1917], a ordem chega, sêca como tôdas as ordens militares e com ela um combóio especial.
Manhã fria de inverno.
A formatura na parada situada na margem esquerda do Lys, orlada de gigantescos eucaliptos, foi magestosa. [...]
Depois da chamada, a continência à Bandeira, linda como jámais a vira, na frente de tam grande significado:
Os filhos de Portugal, que naquela homenagem punham tôda a sua fé: - Defender a Bandeira para tornar maior e respeitado o torrão em que nasceram.
Por entre abraços de despedida, o batalhão seguiu, acompanhado da turba de parentes e conhecidos que nos não deixou até à partida do combóio. [...]
Lisboa!!!
Oito horas da tarde.
A vinte passos o transporte de guerra inglês que nos aguarda.
A largada, dias depois, foi fria como frios eram os dia daquele mês: Éramos de longe; nem um único ente que nos dissesse adeus.
Viagem repleta de peripécias.
Cuidados sem conta.
A guerra submarina vinha de ser declarada. A comboiar-nos o «Guadiana», soberbo na sua missão de destroyer.
Brest: Que encanto e entusiasmo o daquela gente.
Que admiração pelos nossos soldados!
Era mais um aliado para cooperar na obra, prontos a auxiliar a França."
(excerto de Em Bolandas)
Índice:
- Bico de Pato. - Em Bolandas. - Número 13 Mascotte. - Mauquissart-Chapelle II. - Baile de Máscaras. - Trincheiras e seus derivados. - O «Raid». - Muzeu-Zoólogo-Botânico. - Apenas Frisando. - Gozos-Básicos. - Ferme du Bois. - O Funga. - Guedelhas & Carecas. - D. D. I. - O Padre Zé. - De Calças na Mão. - Grupo dos Folgadinhos. - Rapioquices. - Medalhas, Medalhinhas e Medalhões. - De Volta às Tripas. - Avé-Maria de «Gounod».
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

14 outubro, 2016

BURITY, Braz - ÍDOLOS, HOMENS E & BÊSTAS. Depoimentos e impressões sôbre as gentes e as coisas da Terra Portuguesa. I. FIALHO DE ALMEIDA [ e II. COLUMBANO - FIGUEIREDO & C.ª, L.da. Sociedade exploradora de Malas-Artes e peores ofícios. Seus sócios, seus feitos e seus processos ou os excessos duma consagração nacional e os cordelinhos duma exposição em Paris]. Texto de... Ilustrações de Abel Salazar. Pôrto, Edição de Maranus, 1931. 2 vols in-4.º (25cm) de 1-68 p. (I) e 69-132 p. (II) ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra em dois volumes (é tudo quanto foi publicado). O 1.º é dedicado a Fialho de Almeida, e o 2.º, a Columbano Bordalo Pinheiro.
Ilustrada nas páginas do texto com a reprodução de retratos, desenhos e pinturas a p.b.
"Sem prazo fixo, sem poiso certo, sem assunto definido, em calhanços de oportunidade, no bambúrrio dos acontecimentos, no imprevisto das situações, fazendo gôsto ao dedo, desenferrujando a língua, dando ao Demo tristezas, que não pagam dívidas, Ídolos, Homens & Bêstas procurarão, pelo tempo fora, fixar depoimentos, grifar notas, focar aspectos, exprimir impressões sôbre as gentes, os factos e as coisas da terra portuguesa...
Com a pena sôlta de Bráz Burity e o lápis ligeiro de Abel Salazar, Ídolos, Homens & Bêstas não se propôem reformar costumes, derrubar instituïções, defender princípios, queimar preconceitos, organizar partidos, engordar porcos, intelectualizar burros, matar pulgas - arrumar ou desarrumar a casa, que, com a dispensa vazia e cheia de trastes, do subterrâneo ao sótão, em casa de Orates, onde todos ralham e ninguém tem razão, já não arrumo ou desarrumo que valha o pau e corda da muda - e, menos ainda, as tábuas do esquife e a cêra ruim dos ruins defuntos...
No meio da barafunda em que todos nos agitamos, a chafurdar no charco em que nos atolamos todos, Ídolos, Homens & Bêstas tentarão, apenas,  ver claro e falar alto e direito, fazendo da Verdade um dogma, e rendendo à verdade um culto, que, fora dos cânones das Conveniências, ao avêsso da tôdas as liturgias do Arrivismo, desagradando a todos, não poupando ninguém, há de chocar muita gente boa..."
(Vol. I, excerto da introdução, Saibam quantos)
Joaquim Madureira (Braz Burity) (1874-1954). "Nasceu em Lisboa e faleceu no Porto. Juiz português. Escritor, panfletista, articulista, personalidade polémica e impulsiva, adotou o pseudónimo literário de «Braz Burity». Entre as suas principais publicações, destacam-se os seguintes (e sugestivos) títulos: Insolências (1894); Um Processo de Imprensa (apreendido pela polícia); Impressões de Teatro (1905); Caras Amigas (1909) e Na "Fermosa Estrivaria" (1912). Crítico de arte, comentado e apreciado no seu tempo pela firmeza que imprimia às suas prosas, fez acalentado furor com uma crónica publicada no Diário do Povo, aquando da morte de Basílio Teles, em Matosinhos. Foi ainda diretor de O Diabo - Semanário de Literatura e Crítica, sendo depois substituído por Adolfo Barbosa. Tendo residido durante largos anos em Leça da palmeira, aí privou com artistas e intelectuais de primeiro plano da cena nacional."
Abel Salazar (1889-1946). Médico, cientista, professor, artista plástico, crítico de Arte, prosador e pensador. "Pintor e professor universitário, nasceu em Guimarães em 1889 e morreu em Lisboa em 1946. Médico de profissão e professor catedrático de Histologia e Embriologia na Universidade do Porto, notabilizou-se sobretudo como artista amador, além de ensaísta, historiador e crítico de arte. No campo da ciência criou novos métodos de técnica histológica, entre eles o método tano-férrico que o irá tornar mundialmente conhecido. A sua pintura, de temática urbana e rural, saída do naturalismo, vai fixar-se numa iconografia de crítica social, com especial incidência na problemática da mulher trabalhadora. Em 1935, começou a ser perseguido por razões de ordem política e foi afastado da sua cátedra. Apesar de expulso da Faculdade e das múltiplas dificuldades que lhe foram levantadas, continuou a publicar importantes trabalhos de índole científica. Abel Salazar foi também pedagogo ousado, prosador de excepcionais recursos, crítico agudíssimo, filósofo criador e sistematizador, divulgador de doutrinas e ideais progressistas, e acima de tudo, homem de honra e homem de coração."
(Fonte: paginas.fe.up.pt/porto-ol/fr/biograf.html)
Exemplares brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
Indisponível

13 outubro, 2016

VITAL, Fézàs - MAGALHÃES COLAÇO : Professor de Direito. [Por]... Professor da Faculdade de Direito de Coimbra. Coimbra, Of. da Coimbra Editora, L.da, 1934. In-4.º (26cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Discurso pronunciado na sessão que os condiscípulos do Prof. Magalhães Colaço realizaram, em 31 de Agosto de 1932, na Sala dos Actos Grandes da Universidade de Coimbra.
Opúsculo de homenagem ao Prof. Magalhães Colaço, falecido em 1931. Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Fezas Vital.
"Nesta Sala - há cêrca de vinte e dois anos - conheci eu Magalhães Colaço, então segundanista de Direito, que a convite do Ex.mo Prelado Universitário, Dr. Manuel de Arriaga, lia uma conferência.
Formara-me meses antes e, por isso, sentia-me ainda de certo modo académico, só com académicos convivendo.
Vim com um grupo de contemporâneos e disposto, como êles, a uma crítica severa do novato que, em desobediência a velhas praxes, se atrevia a subir aos doutorais, para - não duvidamos - os deshonrar e diminuir no seu prestígio.
Magalhães Colaço tinha 17 anos!
Inicia a conferência num ambiente hostil, mas, finda ela, a crítica, que, de severa, se tornara benévola, começou a ver naquele jóvem, pálido e débil, uma das figuras de maior relêvo da sua geração."
(excerto da conferência)
Domingos Fezas Vital (1888-1953). “Professor de direito, chega a reitor da Universidade de Coimbra com a Ditadura Nacional (1927-1930). Presidente da Junta de Educação Nacional (1940-46) e da Câmara Corporativa (1944-46). Dirigente da Causa Monárquica e lugar-tenente do duque de Bragança (desde 1942). É um dos redactores do projecto da Constituição de 1933, é também um dos introdutores em Portugal das teorias institucionalistas de Maurice Hauriou (1856-1929) e Georges Renard (1867-1943) que, nos anos trinta, permitem uma actualização das teorias corporativistas, fazendo-as ligar ao próprio neotomismo. É um dos subscritores do Parecer da Câmara Corporativa que apoia o projecto de extinção da Maçonaria em 1935, juntamente com Afonso de Melo Pinto Veloso, Gustavo Cordeiro Ramos, José Gabriel Pinto Coelho e Abel de Andrade. Como professor de direito, é um cruzamento de inspirações, dado que tenta conciliar a tecnicidade juridicista de Duguit com a costela jusnaturalista."
(fonte: maltez.info/biografia/fezas.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Raro.
15€

11 outubro, 2016

MELO, Henrique de Sousa e - O CAMINHO DOS HERÓIS : romance. [S.l.], Edição do Autor, 1950. In-8.º (19cm) de 179, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico sobre a invasão de Timor pelas forças japonesas, em 1942, no contexto da 2.ª Guerra Mundial, e a resistência que lhes foi movida por um punhado de portugueses e timorenses.
"Dedico este livro aos heróis desconhecidos de Portugal, àqueles que sentindo brotar do peito a chama sagrada do patriotismo, souberam, sem esperança de qualquer recompensa, dignificar a terra que lhe deu a luz." (dedicatória do autor)
"Raimundo apertou a fivela do capacete e camuflou-se com ramos verdes. Escondia-se, absolutamente invisível, no cimo de uma grande árvore. Ajustou o binóculo aos olhos ansiosos e espreitou num rodar de lentes.
A quinze quilómetros avistava Dili ainda perdida nas últimas névoas daquele dia 22 de Fevereiro. Tudo parecia calmo. Na baía pôde distinguir alguns barcos de guerra nipónicos.
Na noite anterior o rádio anunciara, de Camberra, que não recebiam informações algumas de Timor o que levava a crer que todas as comunicações jaziam cortadas. Timor capitulara! Só da parte holandesa de Timor viera alguma coisa de favorável: para-quedistas japoneses haviam sido aniquilados ao descer nos arredores de Koepang e uma parte das forças desembarcadas fora feita prisioneira. Porém não se esperava que os holandeses resistissem mais de três ou quatro dias."
(excerto do Cap. II)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam manchas de oxidação.
Invulgar.
Indisponível
ALBUM COMMEMORATIVO DO 50.º ANNIVERSARIO DA FUNDAÇÃO DO COLLEGIO DE CAMPOLIDE : 1858-1908. [Lisboa], [s.n. - Tip. do Annuario Commercial], [1908]. In-4.º oblongo (24x32cm) de [25] f. il. ; [2] f. bco. ; B.
1.ª edição.
Obra luxuosa, comemorativa do cinquentenário do Colégio de Campolide.
Ilustrada com 24 estampas a p.b. e 1 estampa a cores, representando o Colégio ao longo do tempo, fotografado de diversos ângulos arquitectónicos e paisagísticos; outras, dedicadas a pormenores  relevantes da sua arquitectura interior e exterior, de arte sacra que integrava o seu espólio e de algumas figuras que passaram pelo Colégio.
Encadernação em brochura. Capa em tons de vermelho, com inscrições e frisos gravados a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas apresentam cor algo desvanecida, com manchas na contracapa. Estampa a cores com escritos a tinta.
Raro.
35€

10 outubro, 2016

CASTRO, Augusto de - CAMPO DE RUÍNAS : impressões da guerra. [2.ª edição]. 6.º milhar. Lisboa, Emprêsa Literária Fluminense, Lda, 1922. In-8.º (19cm) de 205, [3] p. ; B.
Conjunto de crónicas da Grande Guerra redigidas pelo autor, jornalista, a partir de França.
"Campo de ruínas, campo da morte - horizonte das grandes batalhas, donde a vida se sumiu, sôbre êle passa, por vezes, afugentada pela tempestade da artilharia, uma revoada de aves que corta o espaço e foge, desaparece no céu crispado e trágico. [...] Os homens, nas grandes covas do lôdo e da traição, espiam-se da sombra. Só os aviões, pássaros sinistros do Ódio, se elevam no ar que o eco dos canhões agita com o marulhar do vento. A voz das coisas calou-se. Os próprios corvos debandaram. Nessa sepultura gigantesca, povoadas de vivos, a voz de Deus emmudeceu.
É neste lívido scenário, em que o sol nasce tinto de sangue, que se desenrola o grande Drama Humano."
(excerto do preâmbulo, Campo de ruínas)
"Eis-me equipado e armado para entrar nesse grande mar de lama das trincheiras: botas altas, até ao joelho, grande impermeável de militar, capacete para proteger a cabeça dos estilhaços das granadas e o grande saco com a máscara dos gases a tiracolo. Na antevéspera, a aprendizagem na escola dos gases fôra completa e já estou familiarizado com o escafandro horrível e indispensável para a dura travessia das linhas de fogo.
Felizmente não chove. O ruído dos motores dos aviões corta, com o seu vôo sinistro, o espaço e, à medida que a estrada nos aproxima das extremas posições da frente de batalha, êsse ruído sibilante, áspero, contínuo, mistura-se com o matraquear das metralhadoras e, de momento a momento, com o trovão da artilharia. É um dia calmo, êste."
(excerto do Cap. I, Soldados portugueses, Nas trincheiras)
Índice:
Dedicatória. Campo de ruínas. I - Soldados portugueses: - O sol de Portugal! - Uma parada militar na Flandres. - Nas trincheiras. - Nas ambulâncias e nas baterias. - O general Tamagnini. II - Ruínas e heróis: - Como se vive na guerra. - O Milagre. - A Catedral. - Nas linhas inglêsas. - A morte da águia. - A cidade morta. III - O eco das batalhas: As deusas brancas. - A ofensiva da paz. - Como a Alemanha será vencida. - Paisagens da guerra. - Venizellos e Lloyd George. - Uma falsa «alerte». - O que é preciso dizer a Portugal.
Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (Porto, 11.01.1883-Estoril, 24.07.1971). Foi um escritor, jornalista, advogado, político e diplomata português.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

08 outubro, 2016

CASTRO, Eugenio de - GUIA DE COIMBRA. Por... Publicação official da Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra. Coimbra, F. França Amado - Editor, [s.d.]. In-8.º (16,5cm) de 103, [1] p. ; [27] f. il. ; [1] planta desd. ; [16] p. pub. ; B.
1.ª edição.
Curioso guia de Coimbra. Muito ilustrado com 27 estampas intercaladas no texto e uma planta desdobrável de Coimbra e arredores. No final do livro contam-se 16 páginas inteiramente dedicadas à publicidade local.
"Coimbra é como certas mulheres que depois de haverem soffrido os maiores ultrajes do tempo e do destino, conservam ainda na decrepitude eloquente signaes da belleza que tiveram em moças.
Ao passo que, nos outros paizes da Europa e até na visinha Hespanha, injustamente classificada de barbara, a modernisação das povoações historicas se tem feito assisadamente, abrindo-se novos bairros de ruas amplas e arejadas, mas conservando-se com respeito a parte antiga nos seus elementos monumentaes e pittorescos, em Portugal, pelo contrario, a falta de cultura artistica, a decadencia da aristocracia, o desdem pela tradição e a incompetencia da maior parte das edilidades, descaracterisaram por completo as cidades, arrasando ou deixando cahir desalmadamente castellos e muralhas, templos e solares, duplamente interessantes e veneraveis, pelo que valiam como obras d'arte e pelas nobres coisas que do passado nos diziam. [...]
Mas paremos. Não é nosso intento fazer uma resenha minuciosa e completa de todos os crimes de lesa-arte e de lesa-historia perpetrados em Coimbra, o que nos levaria muito longe. [...]
O que resta, e de que daremos succinta mas verdadeira noticia n'esta Guia, pode ainda proporcionar aos espiritos delicados alguns dias de elevada delicia."
(excerto da introdução)
Indice:
- Aqueduto de S. Sebastião. - Arco de Almedina. - Associação dos Artistas. - Asylo da Infancia Desvalida. - Brasão de Coimbra. - Cemiterio da Conchada. - Collegio Novo. - Collegio de S. Bento. - Collegio da Trindade. - Collegio das Ursulinas. - Collegio de Santa Thereza. - Convento de S. Francisco. - Egreja do Carmo. - Egreja da Graça. - Egreja de S. Salvador. - Egreja de Santa Cruz. - Egreja de Santa Justa. - Egreja de S. Bartholomeu. - Egreja de S. Domingos. - Egreja de S. Thiago. - Jardim Botanico. - Jardim da Manga. - Monumentos commemorativos. - Mosteiro de Cellas. - Mosteiro de Sant'Anna. - Mosteiro de Santa Clara. - Museu Machado de Castro. - Paço de Sub-Ripas. - Palacio Ameal. - Parque de Santa Cruz. - Passeios e excursões. - Penedo da Meditação. - Penedo da Saudade. - Picôto dos Barbados. - Preambulo. - Santa Clara a Velha. - Santo Antonio dos Olivaes. - Seminario Episcopal. - Sé Nova. - Sé Velha. - Thesoiro da Sé. - Universidade.
Eugénio de Castro e Almeida (1869-1944). "Nasceu em Coimbra em 4/3/1869 e faleceu a 18/8/1944. Poeta e professor universitário, em Coimbra, onde também fez os seus estudos preparatórios e concluiu o seu curso superior de letras (1885-1888). Nomeado pouco depois adido à legação de Portugal em Viene de Áustria, não tardou em desistir da carreira diplomática, escolhendo a carreira do magistério. Considerado o introdutor do simbolismo em Portugal, tem um percurso literário que oscila entre uma fase inovadora e uma outra neoclássica, de maior sobriedade estilística, até se aproximar do movimento neo-romântico, desembocando num culto de simplicidade e num regresso de forma tradicionais como por exemplo a quadra popular. Muitos dos seus poemas foram traduzidos em diversas líguas, para espanhol, italiano, sueco, entre outras.”
(fonte: wiki.ued.ipleiria.pt)
Exemplar em bom estado geral de conservação. Assinatura possessória datada na capa. Pequena falha de papel na extremidade inferior da lombada.
Invulgar.
Indisponível

07 outubro, 2016

FERREIRA, Admário - FOLHAS OUTONIÇAS : 1910-1955. Capa especial desenhada pelo distinto amador Ex.mo Sr. António P. Marques. Póvoa de Varzim, Edição da Livraria Académica, 1956. In-8.º (19,5cm) de 94, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Exemplar n.º 316 de uma tiragem de 500 exemplares numerados e assinados [chancela] pelo autor e editor.
Colectânea de poesias dispersas por várias publicações e recolhidas pelo autor neste volume. Inclui uma pungente homenagem aos pescadores poveiros mortos na faina, lembrando o acidente que vitimou seu avô, também ele pescador.
Ilustrada com bonitas vinhetas tipográficas encimando cada um dos poemas.

"27 de Fevereiro

Á memória de meu avô materno, José Francisco Neves (o Agulha), vítima da tragédia de 27-02-1892, na qual perdeu a vida à entrada da barra das Caxinas. Só na Póvoa de Varzim, na costa marítima, entre Leixões e Vigo (Espanha), morreram 105 pescadores poveiros, mergulhando na maior orfandade e na mais profunda dor esta infeliz terra.

De Fevereiro, em vinte e sete, eu
A Póvoa, em dor e luto amortalhado,
Perdi meus filhos... Só, martirizada,
Eu vos peço, meus Deus, um Cireneu...

Oh! minha terra crente, abandonada,
Qu'é dos Heróis? A sua voz morreu?!
Onde estão êles, Santa Mãe do Céu?...
- No mar ficaram. Choro-os resignada...

Varzim, berço de bravos pescadores,
De Santos, Santas, d'Assunção e Dores,
Como é ingrato o negro labutar

Com traiçoeiras ondas, meu Poveiro!
Se tens a sorte não ficar's no mar,
Tenas na terra a miséria, por Coveiro!...

Póvoa de Varzim, 27-2-922"

Admário Ferreira (1891-1973). "Nasceu na Póvoa de Varzim em 22 de Fevereiro de 1891. Filho de pais pobres e modestos da classe piscatória, sua mãe - Constança Gomes Pedra (Agulha) - foi muito conhecida na política local do seu tempo. (…) Em 1914 deixou definitivamente o Brasil regressando à sua Póvoa, onde fundou a livraria Académica. (…) Já no Brasil, Admário Ferreira fora co-proprietário de um pequeno jornal humorístico "A chaleira"e colaborou no jornal português "O Lusitano". Apaixonado pelos livros e pelos versos, aqui foi gerente do semanário "O Intransigente" (1912), foi director de "O Banhista" e "O Banhista Informador" (semanário poético, humorístico e noticioso, que depois apareceu como quinzenário, com saída irregular e mais frequente no Verão), cuja publicação teve lugar de 1914 a 1927, indicando a Livraria Académica como redacção e administração. Em 1924/25 publicou "A Bibliográfica" (arquivo e divulgação de toda a publicidade em língua portuguesa) (…).
Admário Ferreira publicou os seguintes livros de versos: "Suspiros" (1911), "Os tristes rebentos" (1918), "Folhas Outoniças" (1956), "Escrínio de cem beijinhos" (1957), "Juninhas"(1962), "Tufo de violetas", "Saquinhos de amêndoas" e "Tigela de amoras" (1964). Os versos de "Os tristes rebentos" haviam sido publicados em "O Torneio" (Jornal dos novos), Porto.
Foi sócio da Associação Comercial sob o nº 244 desde 18 de Maio de 1932.
Faleceu no dia 23 de Novembro de 1973.

(BARBOSA, Jorge - Toponímia da Póvoa de Varzim. Póvoa de Varzim Boletim Cultural. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, Vol. XXVII, nº. 1 (1990), p. 237-238, in http://web.cm-pvarzim.pt/rev_apovoadevarzim/index.php/item/48-admario-ferreira)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

06 outubro, 2016

GARCIA, Ápio - O CUSTÓDIA DA AMÁLIA. [Lisboa], Jornal de Lisboa, [1978?]. In-8.º (20,5cm) de 38, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Aníbal, o «Custódia da Amália», nome por que ficou conhecido o admirador n.º 1 da célebre fadista.
Obra ilustrada com inúmeras fotogravuras no texto.
"Este bosquejo biográfico, aparentemente sem excepcional significado, pode ser ponto de meditação para muitos que julgam não terem grande importância os itinerários da existência dos simples no panorama social.
Parece-nos errado se pensarmos que são perfis como o do protagonista que vai surgir nestas páginas, que não ocupam, muitas vezes, lugar de honra entre os homens mais ricos em bens de qualquer espécie!
Por isso o trazemos a terreiro, embora saibamos, de antemão, merecermos o reparo de certo público que só admite biografias de vultos preponderantes e universalmente identificados."
(excerto do prólogo)
António Augusto Ápio Garcia (1918-1979). Natural de Vila Flor. Escritor, jornalista e produtor radiofónico. Foi proprietário e director do Jornal de Lisboa. Publicou diversas obras literárias, sobretudo de cariz biográfico. Faleceu em Lisboa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse para a bibliografia amaliana.
Indisponível

04 outubro, 2016

VITORINO, António - GENTE DE VIEIRA (Luiz André, Maria do Rosário, Ti Luzia Tocha, Nazário e «Naufragados» do Salsinha). Edição do Autor. Lisboa, Depositários : Editorial, Organizações, Lda., [1938]. In-8.º (19cm) de 239, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Joaquim Rodrigues (Quim).
Conjunto de contos de inspiração neo-realista.
"A mãe da Maria do Rosário era uma velha de sessenta e oito anos. «Um moio e oito - dizia ela - repassados de trabalhos e aflições». Ouvindo-a, porém, todos a julgavam em êrro vendo-a assim tão curvada - tão curvada que dir-se-ia uma interrogação a fechar qualquer frase de cem anos. Mas aos que duvidavam logo ela respondia:
- Nasci no ano do fogo grande nas barracas da praia. Fogo maldito, dizia a minha mãe, que não se lembrava de um ano de maior desgraça. Um francês que aí estivera, um vagamundo... parece que por malvadez, ou descuido... nunca se soube bem."
(excerto de Maria do Rosário)
António Gomes Vitorino (1886-1962). “Nasceu em 26 de Março de 1886, em Vieira de Leiria. Frequentou a instrução primária na Vieira, onde também trabalhou desde muito novo: foi pastor, pescador, almocreve, marçano.
Desde que, aos 18 anos, recém-chegado a Lisboa (cerca de 1916) assiste à representação de uma revista, o teatro volveu-se num dos seus mais fortes interesses.
Através do teatro e de Araújo Pereira, António Vitorino liga-se aos meios culturais oposicionistas, tornando-se ele próprio antifascista e democrata.
O seu primeiro livro, Chuva de Maio (versos), sai em 1930, com o apoio de Araújo Pereira. 1938 é a vez de Gente da Vieira (onde se inclui o conto "Maria do Rosário", que ganhou em 1938 o prémio da revista Pensamento), publicando-se seis anos depois A vida começou assim. O último volume a ser dado à estampa, em 1950, é Praia da Vieira. Sua pena e sua glória, ensaio e narrativas sobre o passado e o presente da localidade. A temática destas obras - o difícil quotidiano dos trabalhadores manuais vieirenses - mostra a ligação que o autor manteve à terra de origem, onde voltava e permanecia sempre que lhe era possível.
Faleceu em Lisboa, em 27 de Abril de 1962.
Em 1977, a Assembleia de Freguesia da Vieira de Leiria deliberou atribuir o seu nome a uma das ruas da localidade.”
(fonte: mgrande.net/mg/palavras/antonio-gomes-vitorino/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Parcialmente por abrir; algumas folhas apresentam falhas de papel por descuido na abertura dos cadernos.
Invulgar.
Indisponível

02 outubro, 2016

VASCONCÉLLOZ, Prof. Dr. António de - REAL CAPELLA DA UNIVERSIDADE. (Alguns apontamentos e notas para a sua história). Coimbra, Imprensa da Universidade, 1908. In-4.º (24 cm) de 263, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Edição de prestígio sobre a capela da Universidade de Coimbra, totalmente impressa sobre papel couché. Ilustrada no texto com bonitas capitulares, desenhos em várias cores e fotogravuras, e com três estampas em separado.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"O presente opúsculo não foi escrito com pretensões literárias, nem tampouco houve o intuito de nelle se produzir um trabalho histórico definitivo. Nada disso.
No desempenho do seu cargo de director do archivo de Universidade, o obscuro autor destas linhas tem ali encontrado bastantes referências e documentos desconhecidos, relativos à real capella universitária. Encarregado por outro lado, ha seis annos, da direcção da mesma real capella, tem tomado conhecimento dos serviços, do pessoal e do material deste estabelecimento, e ao mesmo tempo tem recolhido interessantes tradições, prestes a perderem-se."
(excerto do preâmbulo)
"Remonta aos inícios da nacionalidade portuguêsa a fundação da capella real de S. Miguel nos paços da Alcáçova em Coímbra. Assentando nesta cidade a sua residéncia habitual, el-rei D. Affonso Henríquez erigiu no seu próprio palácio uma capella, onde quotidianamente se celebrasse o Sacrifício eucarístico, e se recitassem privadamente as horas canónicas, para satisfação da piedade de el-rei e da régia família."
(Excerto da Cap. I, A capella real de S. Miguel em Coimbra)
Índice
:
I - A capella real de S. Miguel de Coimbra. II - Edifício e objectos de culto. III - Actos do culto. IV - Pessoal e seus vencimentos.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas e lombada frágeis, com defeitos. Apresenta mancha de humidade antiga, na parte inferior do livro (sem afectar a mancha tipográfica), transversal a toda a obra.
Raro.
Indisponível