18 junho, 2023

GERALDES, Dulce Barbosa -
ACTUALIDADE DE PENSAMENTO EM ANTERO DE QUENTAL.
Dissertação para Licenciatura em Ciências Histórico Filosóficas apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra, [s.n.], 1972. In-8.º (23x17,5 cm) de [6], V, [1], 201, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para biografia de Antero de Quental, elaborado sob o ponto de vista da sua humanidade e filosofia de vida, remetendo-nos para a actualidade do seu pensamento.
Raro. A BNP não menciona.
"Em pleno século XIX, quando a grande maioria dos mais esclarecidos espíritos da época aceita como doutrina única o positivismo, impressionados pelo progresso das Ciências, deslumbrados pelas novidades das invenções da época, Antero de Quental reage contra esta corrente geral. E reage porque vê o perigo que tais doutrinas na sua ânsia de tudo explicar, representam para uma concepção realista de humanidade. A sua reacção pode considerar-se talvez, todas as contas feitas, e carácter moral. Acima das maravilhas da indústria, para lá das sensacionais descobertas feitas no campo da ciência, mais digno de atenção do que todo o resto, ele situa o homem, expressão do divino na natureza, ser consciente e livre, superior a todos os outros seres. O conceito que Antero de Quental faz da pessoa humana, coloca-o muito afastado da visão dos seus contemporâneos. Excêntrico ao pensar comum da época, Antero de Quental antecipa certas atitude do nosso tempo, podendo mesmo dizer-se que pelo pensamento vive nos nossos dias. Vincar a superioridade nítida dos factores morais, espirituais, sobre todos os outros que norteiam a conduta humana é o plano de toda a sua filosofia. Chamar a atenção para a importância que o factor sentimento tem na existência do homem, é a preocupação dominante de Antero. O engrandecimento do homem, a sua específica natureza que qualitativamente o faz diferente e superior a toda a criação é a sua aspiração máxima."
(Excerto de Introdução)
Exemplar em brochura, batido à máquina e policopiado, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e biográfico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

17 junho, 2023

XAVIER, Felippe Nery - COLECÇÃO DOS FAC-SIMILES DAS ASSIGNATURAS, E RUBRICAS DOS VICE-REIS, E GOVERNADORES GERAES DO ESTADO DA INDIA, COORDENADA, POR DETERMINAÇÃO DO Ill.mo e Ex.mo S.or Visconde D'Ourem, GOVERNADOR GERAL DO MESMO ESTADO, POR... Official-maior graduado - Chefe da primeira Secção da Secretaria do Governo Geral, e Director da Imprensa Nacional. Nova-Goa: Na Imprensa Nacional, 1853. In-8.º (21 cm) de [246] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra impressa em Goa. Trata-se da colecção dos fac-símiles das assinaturas dos Vice-Reis e Governadores do Estado da Índia, desde o 1.º Vice-Rei, D. Francisco de Almeida (1505-1509) até ao mandato governativo de José Joaquim Januário Lapa, Visconde de Vila Nova de Ourém (1851-...), época em que foi publicado o presente livro. Acompanham os fac-símiles das assinaturas breve apontamento biográfico dos governantes.
Inocêncio atesta a sua raridade: "Estas colecções são muito raras na Índia, e ainda mais em Lisboa".
"Os alludidos Fac-similes, são extrahidos das originaes assignaturas que á força de enfadonhas buscas descubrimos humas exaradas nos autos das posses, e assentos doss Conselhos do Estado, e do extincto Conselho da Fazenda, e outras finalmente em diversas Cartas, Patentes, Alvarás, e Provisões de épocas remotas que reunimos; e ainda que se possa afiançar da sua exactidão com os originaes; com tudo he preciso dizer que a nitidez que parece faltar-lhe he devida á difficuldade em a conseguir neste Paiz avesso ás obras lithographicas, por causa da sua temperatura."
(Excerto da Advertencia)
Filipe Nery Xavier (Goa, 1801- Goa, 1875). Historiador, ilustre funcionário e administrador colonial. "Cavalleiro e Commendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Christo e Cavalleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, Official-maior da Secretaria Geral do Governo do Estado da Índia, director da Imprensa Nacional, vogal de numerosas e importantes commissões de serviço publico, durante mais de 50 annos. Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa e de varias outras sociedades litterarias, premiado nas exposiçoes de Pariz, Porto, Madrasta."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos.
Carimbo de posse de Bello Carvalho na capa e na f. rosto.

Raro.
Com interesse histórico.
60€
Reservado

16 junho, 2023

RAMOS, Jerónimo - MADRUGADA TRÁGICA EM TEIXEIRA DE SOUSA. Textos em português e inglês. [Luanda], Edição do Autor (Tipografia Angolana - 1967), 1967. In-4.º (24,5 cm) de 25, [3] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Fotos de A. Sequeira.
Importante subsídio para a Guerra do Ultramar. Relato da surtida da UNITA à vila de Teixeira de Sousa (actual Luau - Moxico, Angola), ataque prontamente rechaçado por civis e militares portugueses, com elevados custos humanos para o movimento de Jonas Savimbi, e cinco baixas do lado português - 4 colonos e um elemento da PIDE.
Livro ilustrado com fotografias a p.b. de feridos nos confrontos, dos defensores da povoação e autoridades civis e militares.
"Escrita poucas horas depois dos acontecimentos de Teixeira de Sousa, só agora é possível trazer à luz a publicidade esta pequena reportagem, por razões que não nos compete discutir, mas que residem, naturalmente, na obediência e no respeito a uma orientação que nos foi sugerida.
Se, como se reconhece, a oportunidade desta publicação deixou de ter interesse, é também verdade que ela servirá para esclarecer aqueles que estão menos a par do que se passa e ainda os outros que, em Angola, desejarem continuar a obra que todos nós levantámos durante séculos de uma permanência escudada em direitos que não são discutíveis."
(Excerto da Introdução)
"Conforme foi divulgado pelo Comando Chefe das Forças Armadas, processou-se um ataque a esta Vila por indivíduos vindos do Congo ex-Belga, na madrugada do dia 25 de Dezembro de 1966. [...]
Os terroristas eram portadores dos mais diferentes amuletos, tais como chapéus embrulhados em peles de animais selvagens. Depois de saquearem residências próximas da fronteira, dirigiram-se ao quartel militar.
Aí, a guarnição reagiu de acordo com as circunstâncias, infligindo ao inimigo cerca de 200 baixas, enquanto que os restantes elementos, em número de cerca de 500, se refugiavam nas matas, em direcção ao território do Congo.
Entretanto, os terroristas cortaram também a linha do Caminho de Ferro de Benguela, nas proximidades da Vila, paralisando assim o tráfego ferroviário."
(Excerto de Madrugada trágica)
Índice:
[Introdução] | | Madrugada trágica | Natal de 1966 | Momentos de expectativa  | Quem atacou?  | A lição e o rescaldo... | Tragic early-morning in Teixeira de Sousa.
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Conserva as capas de brochura.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

15 junho, 2023

ALMEIDA, Julia Lopes d' - A VIUVA SIMÕES
. Lisboa, Antonio Maria Pereira - Editor, 1897. In-8.º (16,5 cm) de 210, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes brasileiro cuja acção decorre no Rio de Janeiro. Originalmente saído dos prelos em livro pela mão do editor António Maria Pereira (Lisboa), foi anteriormente publicado como folhetim na Gazeta de Notícias (Rio, 1895). A obra da autora - Júlia Lopes de Almeida - insere-se na corrente literária do Realismo/Naturalismo, e foi "reconhecida pelos críticos coetâneos como a primeira romancista brasileira, uma profissional das letras".
"Em uma de suas obras mais relevantes, A viúva Simões, Júlia Lopes de Almeida enfatiza as prescrições às mulheres brasileiras, o que se dá pela representação de uma viúva e o ressurgir de uma paixão há tempos esquecida. Telles (2008) resume a narrativa dizendo que:
[...] temos mãe e filha da alta burguesia apaixonadas pelo mesmo homem.
No conflito, a mãe experiente e conhecedora das artes da sedução e a filha
inocente e ingênua, as duas enlouquecem e permanecem encarceradas nos
anseios e culpas de uma vida sem nenhuma perspectiva, a não ser a regra
social do casamento
(Telles, 2008, p. 438).
Conforme a estudiosa destaca, a transgressão da personagem acaba punida, revelando, portanto, o destino daquelas que ousavam transgredir os papéis impostos socialmente."
(Fonte: Guimarães, Cinara Leite - O espaço ficcional em narrativas de Júlia Lopes de Almeida: A viúva Simões e a Falência, João Pessoa, 2015)
"Apesar de moça e de rica, a viuva Simões raras vezes sahia; dedicava-se absolutamente á sua casa, um bonito chalet em Santa Thereza. Vivia sempre alli, inquirindo, analysando tudo n'um exame fixo, demorado, paciente, que exasperava os seus cinco criados: a Benedicta, cosinheira preta, ex-escrava da familia; o Augusto, copeiro, francez, habituado a servir só gente de luxo; a lavadeira Anna, allemã, de roasto largo e olhos deslavados; o jardineiro João, portuguez, homem já antigo no serviço, e uma mulatinha de quinze annos, cria de casa, a Simplicia, magra, baixa, com um focinho de fuinha e olhos pequenos, perspicazes e terriveis.
Não era facil dirigir pessoal tão differente em raças e em educação. A viuva, modesta, e um pouco indolente para os deveres exteriores, consumia alli, dentro das suas paredes, toda a sua actividade.
Em vida do marido frequentara algum tanto a sociedade; mas depois que elle partiu sósinho para o outro mundo, ella encolheu-se com medo que se discutisse lá fóra a sua reputação, cousa em que pensava n'uma obsessão quasi nevrotica.
Adquirira fama de menagère exemplar; e então levava o escrupulo a um ponto elevadissimo, para não desmerecer nunca do conceito de boa dona de casa."
(Excerto do Cap. I)
Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). "Nasceu no Rio de Janeiro, a 24 de setembro de 1862, numa família de abastados imigrantes portugueses. Importante escritora, ativista pelo abolicionismo e cronista brasileira, teve uma educação liberal e esmerada. Em 1886, mudou-se para Lisboa e, no ano seguinte, já casada com o poeta português e diretor da revista A Semana Ilustrada Filinto Almeida, publicou o seu primeiro livro de contos, Traços e Iluminuras. Colaborou intensamente com diversas publicações periódicas sobre temas políticos e sociais, como a abolição da escravatura e os direitos civis, e, depois do seu regresso ao Brasil, para São Paulo, em 1889, publicou o seu primeiro romance, Memórias de Marta. Ao longo dos seguintes, Júlia Lopes de Almeida publicará alguns dos seus mais conhecidos romances, entre eles, A Falência. Nos primeiros anos do início do século, o casal mudou-se para uma casa no Rio de Janeiro, conhecida como Salão Verde, um espaço frequentado por intelectuais cujas conhecidas tertúlias eram organizadas e dirigidas por Júlia. Apesar de ter sido uma das impulsionadoras da criação da Academia de Letras Brasileira, viu, por ser mulher, o seu nome preterido da lista de membros-fundadores, em favor do marido. Em 1925, a família cruza novamente o Atlântico para se fixar em Paris. De regresso ao Brasil, Maria Júlia Lopes de Almeida, um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, morre na sua cidade-natal, vítima de malária, a 30 de maio de 1934."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeníssima falha de papel no pé.
Muito raro.
75€

14 junho, 2023

KATZENSTEIN, José Pedro -
VENTO MEU NO BRASIL 500. Linda-a-Velha, DG edições, 2005. In-8.º (21 cm) de 173, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Diário de bordo do veleiro «Vento Meu». Relato da travessia do Atlântico num pequeno barco à vela de quatro tripulantes, entre os quais o autor, realizada por uma frota de 23 embarcações semelhantes, repetindo a rota de Pedro Álvares Cabral 500 anos depois.
Livro ilustrado no texto com mapas e fotografias a cores.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Para os tripulantes do veleiro Vento Meu, foi a primeira experiência de uma travessia atlântica de Lisboa ao Rio de Janeiro.
«Passou um navio bem perto, à nossa popa, a menos de meia milha. Foi atentamente seguido. O nosso problema não era propriamente ele não nos ver. Era ele passar-nos por cima! No mar alto, seguimos uma regra de sobrevivência: o mais forte tem sempre razão.
Não vale a pena discutir prioridades e travar razões com milhares de toneladas.»."
(Retirado da contracapa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

13 junho, 2023

BRAGA, Theophilo -
CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA.
Adaptada ás aulas de instrucção secundaria. Por... Professor de Litteraturas modernas... Lisboa, Nova Livraria Internacional - Editora, 1885. In-8.º (22 cm) de 411, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Incursão pedagógica de Teófilo Braga pelo ensino liceal português com este Curso de História da Literatura.
"Muitos povos que se elevaram a avançadas fórmas sociaes e crearam poderosas condições de existencia politica, não chegaram a possuir uma Litteratura. Este phenomeno, resultante do accordo mutuo dos progressos da sociedade com os do individuo, a que se chama civilisação, é extremamente complexo, pois que para que uma Litteratura se fórme, é preciso que uma raça consiga uma prolongada estabilidade, a aggregação moral de nacionalidade, o estimulo de resistencia da sua tradição, o desenvolvimento e fixação de uma lingua escripta, e por ultimo uma relação psychologica entre as emoções populares e as expressões concebidas pelos genios artisticos. Comprehendido assim este importante phenomeno, a Litteratura é rigorosamente uma synthese, o quadro do estado moral de uma nacionalidade, a expressão consciente da sua evolução secular e historica. Uma tal consideração nos revela que o valor de qualquer Litteratura só poderá ser comprehendido por o exame das condições do seu desenvolvimento, ou das relações com os factores sociaes que a motivaram e de que ella é a expressão. Eis o processo e destino scientifico da Historia da Litteratura."
(Excerto de I - Elementos staticos da Litteratura)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado; lombada envelhecida.
Invulgar.
20€

12 junho, 2023

LIMA, Durval R. Pires de - A EMBAIXADA DE MANUEL DE SALDANHA. Ao Imperador K'hang hi em 1667-1670 (Subsídios para a História de Macau). Lisboa, [s.n. - Tip. e Papelaria Carmona - Lisboa], 1930. In-4.º (24 cm) de 23, [1] p. ; [1] f. desd. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história de Macau e das relações sino-portuguesas.
Ilustrado no final do livro em separado com folha desdobrável (24x37 cm): Genealogia de Manuel Saldanha, segundo Andrade Leitão.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Com a devida vénia a João Botas, publicamos parte do seu artigo A Embaixada de Manuel de Saldanha inserto no blogue Macau Antigo, cujo link infra deixamos:
"Depois de Fernão Mendes Pinto e Tomé Pires esta terá sido a mais significativa tentativa de estabelecer relações diplomáticas com a China por parte de Portugal. Feita a pedido das gentes de Macau.
Os padres jesuítas - em Pequim muitos dos seus nomes perduram até hoje - foram esperar Manuel de Saldanha a Tianjin para, com o embaixador português, fazerem o último percurso do Grande Canal até Pequim, enquanto lhe ensinavam as regras do cerimonial chinês para ser recebido pelo imperador da dinastia Qing, Kangxi (1661-1722).
Inúmeras 'embaixadas' se seguiriam...
Eduardo Brazão (1907-1987), que cônsul de Portugal em Hong Kong, escreveu em 1948 um livro sobre o tema - Subsídios de para a historia das relações diplomáticas de Portugal com a China: a embaixada de Manuel de Saldanha - de que retirei este pequeno excerto:
"A vida não decorria tranquila no Império do Meio, o que era mau presságio para os comerciantes de Macau. Manuel de Saldanha, diplomata experiente, foi enviado a Pequim ao grande Kang-Si para trazer da boca do imperador garantias de estabilidade e as difíceis licenças para o comércio com a China. A morte colheu Manuel de Saldanha já no fim da sua melindrosa missão; no entanto, tinha conquistado de tal modo as boas graças de Kang-Si, que este o fez sepultar com todas as honras devidas aos mais distintos mandarins do seu império."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/11/a-embaixada-de-manuel-de-saldanha.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com cortes e pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

11 junho, 2023

IKOSOFF, Ivan - MANUAL DO HYPNOTISADOR PRATICO. Methodo completo de hypnotismo. Pelo celebre... Traduzido e adaptado por A. F. Couto Sousa Castro, Professor de hypnotismo e magnetismo. Contendo a mais completa instrucção que se tem dado até nossos dias sobre esta materia. Sciencias Ocultas. Lisboa, Livraria Portuguêsa de João Carneiro & C.ta, [1913]. In-8.º (18x11 cm) de 142, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual de hipnotismo - muito completo - publicado na segunda década do século XX, numa época em que o esoterismo e as ciências ocultas conquistavam adeptos mais ou menos (in)crédulos, sendo objecto de polémica e divisão nas classes médicas e ilustradas, no país e no estrangeiro.
Nele, o ilustre "guru" Ikosoff descreve com pormenor as mais variadas aplicações do hipnotismo como alívio e panaceia para males e enfermidades, tais como o alcoolismo, o tabaco, a anestesia para operações, a gaguez, a neurastenia, a técnica hipnótica à distância - pelo correio, telefone e imprensa(!), dos animais, das doenças sexuais, entre outras deliciosas utilizações.
Raro e muito interessante. BNP não menciona.
"Aqui te apresento, eu um amante da sciencia tão apaixonado que sou capaz de morrer por ella, esta obra que será o teu guia na complicada sciencia que se convencionou chamar hypnotismo. [...]
Na obra que te apresento, procurei tratar a materia da forma que me pareceu melhor para ti, admittindo que nada sabes de hypnotismo, e por isso chamei: Manual do hypnotisador pratico, para principiantes, se já conheces a materia, tanto melhor. [...]
Paes da familia que quereis que os vossos filhinhos sejam bons e trabalhadores, segui as minhas instrucões; medicos, parteiras, enfermeiras, segui-as tambem para bem e allivio dos que estão confiados aos vossos cuidados; padres que procuraes atrahir fieis á santa religião do maior dos socialistas, d'esse santo que foi Christo, aprendei hypnotismo. Todos emfim, qualquer que seja a sua profissão ou modo de vida, necessitam da sua comprehensão e instrução, pois que sem ellas não podereis ter bom resultado na vida.
Para dominar os outros, ter bom logar na sociedade, e ser importante, aprendei as regras da influencia pessoal!
Ella só vos trará felicidade e bem estar.
O hypnotismo é uma sciencia extensissima.
Ela serve para recrear, ella serve para curar, ella serve para a justiça e para nos dar merecimento e confiança.
Adiante veremos detalhadamente explicadas estas e outras applicações do hypnotismo.
Acrescentarei que esta sciencia está actualisada, e que está adoptada, como uma verdade. Não virá longe o dia em que para tudo se empregue o hypnotismo. [...]
Toda a gente com as instruções que aqui damos poder tornar-se habil hypnotisador; entretanto urge que qualquer quando se deixe impressionar, saiba d'antemão da perfeita honorabilidade, moralidade e educação d'aquelle que a impressiona, pois de contrario, teremos como sempre tivemos e talvez tenhamos de ter, serios perigos a constatar.
Toda a senhora que, voluntariamente, se deixe hypnotisar por um homem de duvidosa moralidade, commete uma imprudencia que pode tornar-se irremissível.
Paes da familia, aprendei o hypnotismo para bem orientardes os vossos filhinhos, na estrada da honra, do bem!
Desiludidos d'amor, aprendei esta maravilhosa sciencia, que ella vos trará submissas como ovelhinhas e vice-versa, aquellas (ou aquelles) que resistirem aos vossos afectos os mais puros e bons! [...]
Todos emfim devem aprender esta sciencia para bem da peccadora e perversa humanidade!"
(Excerto de Prefacio)
Indice dos capitulos:
[Prefacio] | Parte Primeira: I - Braid e o hypnotismo. II - Qualidades do hypnotisador. III - Processos Neuroscopicos (Reconhecimento da suggestibilidade). IV - Processos de hypnotisação. V - Estados hypnoticos VI - A Suggestão. Parte Segunda: I - Hypnotisação das creanças; auto-hypnotisação; cegos, surdos, mudos; mudança do somno natural em hypnotico, etc. II - Hypnotismo recreativo - Experiencias diversas. III - Adextramento de somnambulos. Suas vantagens. IV - Medicina hypnotica. V - Hypnotismo medico-legal (continuação do capitulo anterior). Medicina hypnotica (continuação). VI - O despertar da hypnose; observações; a descoberta d'um suggestionador criminoso; o despertar em casos difficeis. Parte Terceira: I - As boas qualidades. II - A educação dos vossos meninos. III - Os empregos e a sociedade. IV - Hypnotismopedagogico e a religião. V - O hypnotismo na philosofia, nas artes e nas lettras. VI - Os perigos do hypnotismo. | Conclusão | Supplemento - Instrução occulta.
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e a negro e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado. Pastas cansadas, com pequenos defeitos.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

10 junho, 2023

PINHEIRO, Raphael Bordallo - ALBUM DE CARICATURAS PHRASES E ANEXINS DA LINGUA PORTUGUEZA. Com um prefacio por Julio Cesar Machado. Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, 1876. Oblongo (24x31 cm) de 30 p. ; [13] estampas ; B.
1.ª edição.
Obra de referência bordaliana, publicada em Lisboa numa época em que o autor se encontrava no Brasil, em trabalho (1875-1879). - "A 19 de Agosto de 1875 parte para o Brasil onde trabalha nos jornais O Mosquito, Psit!!! e O Besouro e desfruta dos prazeres do Rio de Janeiro com os seus companheiros da "República das Laranjeiras". Do lado de lá do oceano Atlântico continua a enviar a sua colaboração para jornais e revistas, exemplo disso é o Álbum de Phrases e Anexins da Língua Portuguesa (1876) e o Almanaque da Senhora Angot (1876-77). As saudades da Pátria e as constantes ameaças contra a sua vida fazem-no regressar a Portugal, onde chega em Maio de 1879, para começar logo a trabalhar n'O António Maria (1879). Seguiu-se o Álbum das Glórias (1880), No Lazareto de Lisboa (1881), Pontos nos iis (1885) e, finalmente, A Paródia (1900)." (in http://www.caestamosnos.org/efemerides/034.htm)
Livro belissimamente ilustrado com 13 estampas separadas do texto (completo), protegidas por lamina de papel vegetal (com excepção de uma).
"Dizia elle, que a sua patria era a rua de S. José, n.º 47 (hoje 33); estamos felizmente n'um paiz em que isto se póde escrever para o publico sem receio que o senhorio do predio augmente a renda aos actuaes inquilinos para fazer valer a prenda gloriosa de haver nascido alli o talentoso artista. O predio continuará a valer o mesmo; talvez até o senhorio embirre de haver estado a fazer uma casa para lhe nascerem artistas n'ella! Mais valera malvas ás portas!...
Em todo o caso, que o senhorio estime, que não estime, que o predio fique valendo o mesmo, que valha mais, que valha menos, o certo é que Raphael Bordallo Pinheiro alli é que nasceu.
Seu pae, á força de desgostos adquiridos na vida artistica, em que o seu nome conseguiu todavia sobresair como o de um homem de merecimento e de bom caracter, não queria por nenhum modo que elle se dedicasse á mesma carreira, para a qual aliás o moço sentia irresistivel vocação.
- Ha de ser outra cousa!
- Que outra cousa, meu pae? Eu não sirvo senão para artista!
- Mas ser artista, aqui, não serve para cousa nenhuma!
- E então?
- E então, é preciso estudares, a ver se te faço advogado como teu avô, como teu tio..."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manusedo. Sem capas, preso por atilhos. Última estampa (13.ª) apresenta pequena falha de papel marginal, no canto inferior direito, sem afectação da mancha tipográfica. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse bordaliano.
50€

09 junho, 2023

UMA ILHA É UMA PORÇÃO DE TERRA CERCADA DE ÁGUA POR TODOS OS LADOS - MENOS POR UM - O BRAÇO FORTE E RESOLUTO DO POVO ESTENDIDO AOS SEUS IRMÃOS /
L. A. P. A. - Liga de Acção Patriótica dos Açores
. [S.l.]: L.A.P.A., [1976?], In-8.º (18,5 cm) de [32] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética contra a extrema direita açoriana corporizada pela FLA. Trata-se de um opúsculo de intervenção - anti-separatista - publicado no período conturbado que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, sendo a CIA sugerida como apoiante da "linha dura" independentista. Raro e muito curioso.
Exemplar com dedicatória autógrafa (não legível) na f. guarda: "Para a Gabriela que conhece a nossa Realidade e que, connosco, poderá contribuir para uma mudança radical. Contra o fascismo, Contra o separatismo".

"Os Açores são dos açoreanos"
eis a palavra de ordem
dos FLAcistas-separatistas.

Não!!!
Com essa não nos enganam.

De quantos?
De quais açoreanos?

Não nos atirem areia para os olhos.
Os Açores,
hão-de ser dos açoreanos
Portugal,
há-de ser dos portugueses
mas
dos que trabalham,
ouviram bem?

DOS QUE TRA-BA-LHAM !
Não venham cá com histórias
de independênCIA.

Somos e seremos
portugueses

E, sobretudo,
queremos construir um país
em que não haja
tubarões
parasitas
como vocês.

Ouviram bem?

(Ouviram bem)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
25€

08 junho, 2023

GUIMARÃES, Julio -
O "AMOR DE PERDIÇÃO", EM VERSO
. Lisboa, Livraria Barateira, [192-]. In-8.º (19 cm) de 64 p. ; E.
1.ª edição.
Capa de Alberto de Sousa (1880-1961).
Importante peça camiliana com indubitável interesse histórico e bibliográfico, publicada, julgamos, na década de 20 do século passado. Trata-se da versão em verso do Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, por Júlio de Guimarães - o "poeta fadista".
Obra dividida em três partes, todas em verso: Introdução; A fisionomia dos principais personagens do Amor de Perdição, onde o autor traça o retrato psicológico das personagens; Amor de Perdição.
Em nota do antigo proprietário, numa folhinha batida à máquina, é-nos transmitido que a edição "deste curioso folheto em verso, feito pelo livreiro Julio de Guimarães (o poeta fadista) foi totalmente apreendida e destruída, tendo escapado uma meia duzia de exemplares", dando ainda conta do seguinte: "O nosso ostenta a capa de brochura ilustrada pelo mestre aguarelista Alberto de Sousa o que o torna mais valioso e raro." Só não explica porque foi dizimada esta edição, algo que também não conseguimos deslindar. No entanto, atestando a veracidade destas informações, as referências ao livro são praticamente inexistentes, tanto quanto foi possível apurar, com excepção de um artigo de Maria Aparecida Ribeiro, da Universidade de Coimbra, intitulado Amor de Perdição, de novela portuguesa a cordel brasileiro. A BNP dá notícia de um exemplar.

"O «Amor de Perdição»,
Que as desventuras revela
Dum amor intranquilo,
Foi escrito na prisão,
Na penumbra duma cela,
Pelo seu autor: - Camilo.

Por ventura existe alguem
Que não tenha lido ainda
Este episódio de amor;
Jóia a onde se retém
A fulguração infinda
Do primoroso escritor?!...

Não ha ninguem, certamente,
Que não tivesse chorado
Nas paginas dêste drama;
Fatal código, fremente,
De todo o ser desgraçado
Que na vida sofre e ama!"

(Excerto da Introdução)

"Domingos José Botelho,
Da alta nobreza o espelho,
Juiz de fóra em Cascaes,
Sentindo do amor a chama,
Contraiu com linda dama
Laços matrimoniais.

Dona Rita Preciosa
Era o nome da formosa
Esposa do nobe juiz;
Que a-pesar d'amor lhe ter
Nunca a conseguiu fazer
Inteiramente feliz.

[...]

Tendo apenas quinze anos,
Libertos de desenganos,
- Quadra em que a vida é vergel, -
Simão estudava em Coimbra :
- Cidade que encantos timbra! -
Com seu irmão Manuel.

Co´a enfusiante alegria
Da sua alma bravia.
Por esboçar desacatos;
Simão Botelho era tido
Por valente, destemido,
Entre os colegas pacatos

Com sua grande bravura
Honrava a nobre figura
Do seu bisavô paterno;
Porém, fremindo no peito
Tinha um coração perfeito,
Bondoso, simples e terno."

(Excerto do Cap. I - (1779 a 1802)

Encadernação em meia de percalina com cantos e ferros gravados a ouro na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível

07 junho, 2023

MACHADO, Falcão -
GEOGNOSE DE PALMELA
. Palmela, [s.n. - Tip. Simões - Palmela], 1956. In-4.º (23 cm) de 24 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio geológico de Palmela.
Ilustrado com uma folha separada do texto.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Fernando Falcão Machado (Coimbra, 1904 - Porto, 1993). Nasceu em 28 de Maio de 1904 no Largo da Castelo, Coimbra. Professor e publicista. Casou com Maria Ana Cabedo Garcia, natural de Setúbal. Publicou trabalho de temática diversa - etnográfica, sociológica, geográfica, etc. - relacionada sobretudo com a zona de Coimbra, de onde era natural, e Setúbal, a sua cidade por adopção. Faleceu em 23 de novembro de 1993 na freguesia de Paranhos, Porto (89 anos de idade).
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta tonalidades diferentes por acção da luz.
Invulgar.
Indisponível

06 junho, 2023

FARIA, Antonio de Portugal -
GENEALOGIA DA FAMILIA BARREIROS.
(2.ª edição). Por... Consul de Portugal em Livorno. Lisboa, Typ. da Companhia Nacional Editora, 1896. In-8.º (22 cm) de 44 p. ; B.
Importante estudo genealógico sobre a Família Barreiros, apelido originário do Alto Alentejo.
"Manuel Rodrigues Barreiros, natural da freguezia de S. Lourenço (Portalegre), casou com D. Isabel Garcia, natural da freguezia de Nossa Senhora das Neves (da villa de Pedroso), e teve:
I
Francisco Vellez Barreiros, natural de Villa da Fronteira, assentou praça no regimento de infanteria d'Elvas em 1757, foi reformado em tenente coronel com o soldo de major, tinha o habito de Aviz. Falleceu d'uma apoplexia a 3 de maio de 1813. Em primeiras nupcias tinha casado com D. Eufemia Thereza de Jesus, natural de Extremoz, freguezia de Santo André e fallecida em Elvas em 1781, e em segundas a 5 de dezembro de 1775 ou 1785 com D. Thereza Ignacia de Belem Barreiros."
(Excerto da primeira parte do estudo)
António de Portugal de Faria (1868-1937). "Filho de Augusto de Faria, 1.º visconde de Faria, foi o 2.º visconde de Faria e marquês de Faria, título que lhe foi atribuído por breve de Leão XIII. Nasceu em 1868 e faleceu em 1937. Foi cônsul, secretário do comissário português na Exposição Universal de Paris, etc. Integrou várias associações científicas."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=92574)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 junho, 2023

SÁ, Mário de Vasconcelos e - 31 DE JANEIRO : 1891. Porto, Editado pela Comissão das Comemorações, [1956]. In-4.º (23x17 cm) de 16 p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Folheto comemorativo da revolta de 31 de Janeiro de 1891, primeiro movimento revolucionário que eclodiu no Porto, tendo por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal.
Opúsculo muito ilustrado com desenhos e fotogravuras alusivas aos acontecimentos, sendo uma delas em página inteira: Emigrados politicos em Hespanha.
"A causa próxima e directa da eclosão do movimento de 31 de Janeiro de 1891 foi a consciência do contraste entre uma Pátria, forte e digna, que abrira à Europa e, em particular à Inglaterra, as estradas dos Oceanos e as portas do Oriente, e a Pátria de então, que cedeu, com humilhação e opróbrio, à brutalidade do "Ultimatum" inglês.
Mais uma vez o Porto assumiu, heróica mas isoladamente, as responsabilidades que lhe cabiam como capital cívica do país. O Porto salvou a honra da nação. Viu-se que nem tudo estava perdido. E o malôgro dos precursores acendeu uma chama de esperança, que não voltou a apagar-se."
(Excerto de Causas da eclosão e do malôgro)
índice:
Causas da eclosão e do malôgro, por Jaime Cortesão | A Revolução de Trinta e Um de Janeiro : o panorama político português à data da aclamação de D. Carlos | As aspirações de Cecil Rodes e o "Ultimatum" | A Nação reage | A «Liga Liberal» e o Governo | Na véspera da revolução | Madrugada do dia 31 de Janeiro: a revolução e a concentração das forças republicanas | A proclamação da República e do Governo Provisório | A Guarda Municipal ataca | O rescaldo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil, algo oxidado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 junho, 2023

AO PARLAMENTO PORTUGUEZ.
Representação dos Filhos de S. Thomé. Lisboa, Typ. da Pap. Estevão Nunes & Filhos, 1908. In-8.º (22,5 cm) de XXIII, [1], 142, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Protesto veemente dos colonos de S. Tomé, devidamente fundamentado, dirigido ao Parlamento da Nação.
"Na exposição que vamos fazer sobre o que tem sido a administração na Provincia de S. Thomé, propositadamente nos abstemos d'apreciar a forma porque as differentes auctoridades têm cumprido os seus deveres.
Não curamos das pessoas, mas apenas do que ellas custam.
Como contribuintes vimos protestar contra os impostos iniquos que tendem a esmagar a população nativa da provincia, matando-a á fóme.
Como eleitores vimos perante o parlamento expôr o mal e pedir o remedio que é seu dever dar-lhe."
(Excerto de preâmbulo)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Ténue mancha de humidade atinge marginalmente primeiras 4 folhas do livro.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

03 junho, 2023

CUNHA, Luís - CHINA NA GRANDE GUERRA.
A Conquista da Nova Identidade Internacional. Macau, Instituto Internacional de Macau [imp. Gráfica Maiadouro - Lisboa], 2014. In-4.º (23 cm) de 231, [1] p. ; il. ; B. Col. Suma Oriental - 10
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da intervenção chinesa na Grande Guerra.
Ilustrado com inúmeras fotografias, desenhos e reprodução de documentos oficias distribuídos pelas últimas 45 páginas do livro.
Foto da capa:  Nove membros do Chinese Labour Corps junto às ruínas de uma casa em França, entre os quais dois capatazes e um intérprete (sentados) - autor desconhecido.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"[...] Esta foi uma guerra travada entre homens de todas as nacionalidades, raças e credos. Todos tentaram, ingloriamente, salvar impérios feridos de morte.
No Verão de 1914 a imprensa mais patriótica assegurava que, no Natal desse ano, o conflito estaria terminado. Os jornais não voltariam a reincidir em prognósticos semelhantes nos anos seguintes. Das ofensivas massivas passou-se rapidamente para a defesa estratégica, traduzida em trincheiras que serpenteavam por muitas centenas de quilómetros. O impasse e a guerra de nervos instalar-se-iam nas fileiras de todos os exércitos em confronto. A terra era de ninguém; a pólvora e o chumbo de todos.
Exauridos e sujeitos a uma guerra de desgaste interminável, os Aliados foram obrigados a recorrer às forças armadas das dependências coloniais, bem como trabalhadores estrangeiros destinados a suportar o esforço de guerra, substituindo desse modo os homens chamados à linha da frente. O império britânico mobilizou australianos, canadianos, neo-zelandeses, indianos e sul-africanos, entre outros. O franceses convocaram marroquinos, senegaleses e vietnamitas. Muitos caíram no combate que foram travar por delegação.
Mais curiosa, porquanto relativamente desconhecida, é a saga dos trabalhadores chineses que participaram activamente nos palcos europeus da Grande Guerra. Os cemitérios chineses, espalhados pelo norte de França e Bélgica, são testemunhos silenciosos da premeditada entrada em cena da China no sistema internacional e de um esforço de guerra que nunca seria devidamente reconhecido.
Recrutados pela França e Grã-Bretanha, mais de 140 000 trabalhadores braçais - os "coolies" na expressão inglesa - viajaram até à Europa, onde deram um contributo significativo para o esforço de guerra aliado, designadamente nas fábricas de material de guerra (por vezes ao lado de portugueses também recrutados para o efeito), na construção e reparação de caminhos-de-ferro, na manutenção de tanques, na construção naval ou no reabastecimento da linha da frente. Na versão britânica integraram o Chinese Labour Corps (CLC). Quando os Estados Unidos da América (EUA) entraram na guerra, também o contingente expedicionário americano passou a contar com o apoio logístico destes chineses, cedidos pelos franceses. Sujeitos à disciplina castrense, eram considerados "soldados-trabalhadores".
(Excerto da Introdução)
Índice:
Agradecimentos. | Prefácio. | Introdução.| I - O apocalipse imperial. II - A guerra no Oriente. III - A China na Grande Guerra. IV - Os trabalhadores chineses na Europa. V - A China na Conferência de Paz. VI - A China moderna nas Relações Internacionais. VII - Conclusões. | Bibliografia. | Websites de referência. | Fontes vídeo. | Fotos - o "Exército" esquecido.
Luís Cunha. "É doutorado em Relações Internacionais (ISCSP/Universidade de Lisboa) e licenciado em Comunicação Social (FCSH/Universidade Nova de Lisboa). É investigador no Instituto do Oriente (ISCSP/UL) e autor de vários livros sobre temática oriental. Tem obra publicada, na área de geopolítica da Ásia-Pacífico, em revistas nacionais e estrangeiras. Desempenhou actividade profissional em Macau (China) durante década e meia."
(Retirado da contracapa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
45€

02 junho, 2023

GRUTAS DO CERRO DA CABEÇA.
A «Gruta da Senhora», para possível aproveitamento turístico.
Por um grupo de Jovens Espeleólogos. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da Empresa Litográfica do Sul, S. A. R. L. - Vila Real de Santo António], 1985. In-8.º (22 cm) de 14 p. ; [1] f. il. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Monografia de propaganda à Gruta da Senhora, cavidade que integra o importante conjunto espeológico algarvio do Cerro da Cabeça, em Moncarapacho - Olhão.
Opúsculo ilustrado com duas fotografias da gruta em página inteira, e duas folhas separadas do texto: o desenho esquemático da gruta e, em folha desdobrável (21x30 cm), o "Esboço Topográfico" (1/1000) da mesma gruta.
"O Cerro da Cabeça (249 m) é a elevação mais oriental da Serra de Monte Figo. Localiza-se na freguesia de Moncarapacho, concelho de Olhão. Esta elevação calcária é considerada pelos geólogos um monumento natural, devido ao valor das suas formações cársicas. A sua superfície encontra-se ocupada pelo maior lapiás do sul do país, e as suas grutas têm um elevado valor ambiental, servindo de abrigo a diferentes espécies de morcegos. Para além disso, são muito procuradas pelos amantes da espeleologia. Do património etnográfico da região fazem parte várias lendas que associam as grutas deste cerro a mouros e a mouras encantadas e a passagens secretas. De destacar ainda o seu património botânico, encontrado-se revestido pelo maquis, típico do Barrocal algarvio. A sua vertente sul constitui um excelente miradouro do qual é possível vislumbrar a metade oriental do litoral algarvio."
(Fonte: Wikipédia)
"Trata-se de uma cavidade subterrânea, formada nos calcários do Jurássico, sita na base do Cerro da Cabeça, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho, freguesia de Moncarapacho, concelho de Olhão.
É uma gruta de médias dimensões, formada a partir de fissuras e fendas de plano vertical e horizontal, nos estratos calcários que compõem o solo desta região. A sua orientação é sensivelmente a Sudoeste-Nordeste, possuindo no entanto outras galerias com direcção diversa."
(Excerto de A «Gruta da Senhora», para possível aproveitamento turístico)
Índice:
Introdução. | A «Gruta da Senhora», para possível aproveitamento turístico |Condições a impor na cavidade, para um futuro aproveitamento turístico: 1. Iluminação; 2. Condições de visita; 3. Conservação do meio ambiente; 4. O percurso turístico.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico e regional.
15€

01 junho, 2023

MACHADO, Fernando Falcão - UM JORNAL DE COIMBRA: O DESPERTAR : 1917-1967.
Palestra comemorativa do cinquentenário do popular jornal, realizada na Associação dos Artistas de Coimbra na noite de 5-3-1967. Coimbra, Edição de «O Despertar», 1967. In-8.º (17 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Pequena monografia-resumo sobre a história deste conhecido jornal coimbrão - ainda hoje existente - por ocasião das comemorações dos seus 50 anos, celebrados em 1967.
"Hoje pouco se sabe de concreto relativamente à fundação de O Despertar, em 1917.
Sem dúvida que houve reuniões preparatórias, aquisição de material tipográfico, arrendamento de casa para instalação, contrato de tipógrafos, recepção de artigos segundo um plano prèviamente traçado, nomeação de correspondentes arrabaldinos, angariação de anúncios e de assinantes. Em suma: uma planificação.
Numa dessas reuniões assentou-se na escolha do Director - o Dr. José Pires de Matos Miguens - e deu-se o nome ao novo periódico: O Despertar.
Quem lhe deu o nome foi o colaborador Ezequiel Correia, funcionário postal em Coimbra (f. 4-VI-21).
Foi ele o padrinho de O Despertar.
Entre todos os títulos adoptados pelos jornais portugueses, este era o mais sugestivo (23-IV-21).
Se não era uma injunção imperativa - Despertar! - para tirar do sono ou da apatia, e entrar-se na acção - era a enunciação desse mesmo facto, como realidade."
(Excerto de Um jornal de Coimbra: O Despertar)
Exemplar brochado revestido de capilhas simples, lisas, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
15€