24 setembro, 2022

VASCONCELLOS
(Mariotte), Amadeu de - A AEROSTAÇÃO. Actualidades Scientificas - III
. Porto, Editado pela Livraria Portuense de Lopes & C.ª - Successor, 1908. In-8.º (18 cm) de 146, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo científico - para a época - da conquista do ar.
Livro ilustrado com 47 gravuras ao longo do livro, composto por alguns (poucos) desenhos, mapas e fotogravuras de balões e dirigíveis, sendo algumas delas em página inteira.
"O homem não se contenta com ser elevado ás altas regiões da atmosphera com fins scientificos ou meramente sportivos. Apenas conseguiu devassar os ares, logo reconheceu que a sua conquista não seria absoluta emquanto não deixasse de ser um joguete dos ventos entro do oceano aereo e não podesse atravessa-lo em todas as direcções desejadas. É por isso que o problema da dirigibilidade dos aerostatos é tão antigo como os proprios balões."
(Excerto do Cap. V - Balões dirigiveis)
Matérias:
I - Os primordios da aerostação. II - Balões esphericos. III - Aerostação militar e aerostação scientifica. IV - Navegação aero-maritima e sport aerostatico. V - Balões dirigiveis.
Amadeu de Vasconcelos (pseud. Mariotte) (1879-1952). "Numa época em que ainda persistia a ideia da incompatibilidade entre a religião e a ciência, o padre portuense Amadeu Cerqueira de Vasconcelos (1878-1952) foi capaz de conciliar as actividades de divulgador científico com as de apologista do catolicismo, lutando assim contra “a apregoada antinomia entre a sciencia e a fé”.
Amadeu de Vasconcelos viveu longos períodos da sua vida em Paris e aí escreveu e publicou vários dos seus livros e artigos - em Português e Francês - em prol da ciência, contra a maçonaria e a favor do catolicismo e de um nacionalismo original. Para além de um escritor prolífico, O padre Amadeu de Vasconcelos foi crítico severo da sociedade civil e eclesiástica do seu tempo.
No Porto, teve acesas polémicas com as autoridades episcopais, os professores do seminário, o secretário do bispo e o próprio bispo. As agressões verbais e escritas chegaram a tal ponto que o secretário episcopal o padre Manuel Pereira Lopes ─ um jovem arrogante e pedante, acabado de regressar de Roma com um doutoramento em Teologia - prometeu ajustar contas com o incómodo padre ameaçando “partir-lhe a cara em plena rua”. A ameaça, prometida e muito anunciada, concretizou-se no dia 2 de Julho de 1907. O próprio bispo D. António Barroso rematou a agressão física com uma agressão moral: “uma pena de suspensão de 30 dias”, que foi muito criticada nos jornais da época e que reforçou o sentimento anti-clerical que então existia no Porto e em quase todo o país. O padre Amadeu de Vasconcelos não se resignou com tais humilhações, como o demonstram os vários artigos, que publicou na imprensa, e os manuscritos, que tencionava publicar em 1908 e nos quais revela dramaticamente a sua revolta contra o “cynismo” do bispo e o “pedantismo” do seu secretário “bruta-montes”.
Muitos foram os assuntos que abordou na sua extensa obra escrita. Publicou livros de crítica social, política, filosófica e religiosa."
(Fonte: http://oholoscopio.blogspot.com/2007/08/o-padre-amadeu-de-vasconcelos-mariotte.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel. Com falta última página de texto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Indisponível

23 setembro, 2022

PINA, Luís da Câmara - DEVER DE PORTUGAL PARA COM AS COMUNIDADES LUSÍADAS DA AMÉRICA DO NORTE. Lisboa, [s.n. - imp. Atelieres Gráficos Bertrand (Irmãos), L.da, Lisboa], 1945. In-4.º (24 cm) de 73, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Com uma carta-prefácio de Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa.
Obra ilustrada com quadros e tabelas ao longo do texto.
"Sem estudar o pormenor da instalação dos primeiros portugueses na América do Norte e sem remontar aos grande navegadores, aos soldados e marinheiros da época dos Descobrimentos, é ponto assente que em 1654 já existiam núcleos lusíadas em New Amsterdam - hoje chamada New York.
Poucos a princípio, atraídos pela aventura ou pela riqueza, foram aumentando durante os séculos XVII e XVIII com pescadores que os azares da pesca afastavam das ilhas do Atlântico, principalmente dos Açores e da Madeira, e a perspectiva de vida melhor fixava na costa ocidental do continente americano."
(Excerto do Cap. I... Valor demográfico)
Índice:
I - Valor das Comunidades Lusíadas da América do Norte: 1) Valor demográfico; 2) Valor económico; 3) Valor religioso. II - Missão das Comunidades Lusíadas da América do Norte: 1) Conservação do Sentimento Português; 2) Expansão da Língua Portuguesa. III - Dever de Portugal. IV - Conclusões.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Invulgar.
10€

22 setembro, 2022

FERREIRA, I. Emerson - O VALOR DAS NAÇÕES
. Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1918. In-8.º (19,5 cm) de 110, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Projecto de estudo sobre as nações envolvidas na Grande Guerra, sob o ponto de vista histórico e da organização económica e social, administrativa, política e legislativa. Publicado durante o conflito, apenas este volume - dedicado aos EUA e à Alemanha - veio a lume.
Livro ilustrado com quadros e tabelas estatísticas.
"Esta pequena serie de Resumos Historicos ou antes Estatisticos, dados em quatro pequenos volumes, de dois ou trez paizes em cada um, é escripta sem pretensões litterarias, e são publicados por que estamos convencidos de que serão uteis como notas estatisticas, a todos que escrevem para o publico. A guerra, que, ha quasi quatro annos, tem envolvido e victimado a maior parte das nações do mundo, tem despertado, em muita gente que, antes, com o resto do mundo pouco se importava, o desejo de colher informações sobre as nações tanto de um lado como do outro do conflicto."
(Excerto de Uma introducção para o publico)
Camillo Castello Branco, ao escrever o Discurso preliminar ás suas «Memorias do carcere», principia por pedir ao leitor que o não julgue immodesto em querer ligar ao seu trabalho grande importancia - com um introito empavezado. Este prefacio é só e simplesmente uma pequena exposição das razões que teve o auctor para dar no seu modesto trabalho estatistico: Valor das Nações, o primeiro logar aos Estados Unidos da America, nada mais.
Nenhum paiz no mundo é tão pouco conhecido e tão mal comprehendido na Europa e especialmente em Portugal como a grande confederação norte-americana. [...]
Até certo ponto entende-se a razão d'esta ignorancia; antes de 1912, pouca gente europeia se lembrava de ir viajar para a America."
(Excerto de Um pequeno prefacio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Indisponível

21 setembro, 2022

DARBOY - VIDA DA VIRGEM MARIA.
Por... Arcebispo de Paris. Traducção de João de Deus. Nova edição. Correcta e acrescentada
. Lisboa : Porto, Livraria Catholica, MDCCCLXXV [1875]. In-8.º (15 cm) de 101, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição popular.
Interessante biografia mariana traduzida pelo poeta João de Deus.
Ilustrada com uma gravura muito bela da Virgem em extra-texto.
"A Vida da Virgem Maria é a corôa de uma serie de quadros historicos, onde o sabio e virtuoso Barboy, arcebispo de Paris e martir da Communa, desenhou admiravelmente as heroinas da Biblia. [...]
A nossa traducção foi primeiro luxuosamente editada pela casa Rolland: mas a naturesa da obra, e o bom acolhimento que alcançou estava pedindo uma edição poplular, que a Livraria Catholica, no espirito da sua instituição, se incumbiu de fazer."
(Excerto do Prologo)
Indice:
Prologo. | I - Oração de Margarida. II - Pensamento d'um protestante. III - Virgem Mãe. IV - Mãe do Céo. V - A Conceição de Maria. VI - Essa é a Virgem Mãe. VII - Stabat Mater, VIII - A Mulher mais celebre. | Virgem Maria.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, algo sujas, com falha de papel no canto inferior direito da contracapa.
Raro.
Indisponível

20 setembro, 2022

GORDON, Dan - WYATT EARP. Romance de… Baseado no argumento de Dan Gordon e Lawrence Kasdan. Lisboa, Temas da Actualidade, [1994]. In-8.º (22 cm) de [10], 243, [3] p. ; B. Col. Romance Contemporâneo Planeta, 2
1.ª edição.
Fotografia da capa: Ben Glass.
Biografia de Wyatt Earp, mítico xerife do wild west americano.
"Nos anos oitenta do século passado, um vasto território começava a abrir-se a Oeste da América para os homens e mulheres com vontade de o reclamar para si. Wyatt Earp e os seus irmãos eram a essência desses corajosos pioneiros apostados em fazer fortuna numa terra jovem e sem lei. Mas algures ao longo do caminho, a vida transformou-os: os seus desejos e os seus princípios tornaram-se diferentes. E Wyatt Earp, um homem de lei que conseguira ganhar respeito num raio de muitos quilómetros, tornou-se um homem cujo nome inspirava medo e ódio.
Era um herói ou um homem obcecado pela vingança? Wyatt Earp tornou o Oeste mais seguro para todos os que vieram a seguir, ou estava apenas a cumprir a sua própria vingança a coberto da lei? A história de Earp tornou-se lenda – mas por detrás da longa sombra da lenda estava um homem… um homem cuja vida acompanhou lado a lado as mudanças de uma nação inteira e o fim de um modo de vida. Durante os anos de vida de Earp, o Oeste americano nasceu, cresceu e lutou para se tornar parte da grande nação americana. E um rapazinho tornou-se um homem inesquecível…"
(Apresentação)
Índice:
I – Dodge City. II – Tombstone. III – Deserto. | Post-scriptum.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

18 setembro, 2022

SEIA : Santuários do Concelho
. [S.l.], Município de Seia, [2006?]. In-8.º (20 cm) de 24 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capa: Júlio Saraiva.
Curioso roteiro nos monumentos religiosos mais representativos do concelho de Seia - Serra da Estrela.
Livro muitíssimo ilustrado com fotografias a cores dos Santuários, bem como da arte sacra relevante - pintura e escultura - que integra o espólio dos monumentos em causa.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"Os Santuários, locais onde se verificavam manifestações divinas, foram recolhendo, ao longo dos anos, inúmeras obras, sendo umas de cariz popular e outras, obras primas da arte sacra. Os habitantes das localidades onde esses templos estão localizados guardaram-nas religiosamente, tendo-se transformado alguns em autênticos museus. [...]
Recolheram-se lendas, ouviram-se pessoas que rebuscaram no fundo da sua memória histórias que nos ajudaram a compreender o quanto os Santuários são importantes na vida das populações."
(Excerto do texto)
Santuários:
Santa Eufêmia - Paranhos da Beira. | Nossa Senhora de Fátima - Vodra. | Santa Eufêmia - Sazes da Beira. | São Sebastião - Santa Marinha. | Nossa Senhora da Ribeira - Folhadosa. | Nossa Senhora do Desterro - São Romão. | Santa Eufêmia - São Martinho. | Nossa Senhora da Lomba - Pinhanços. | Nossa Senhora do Espinheiro - Póvoa Velha. | Nossa Senhora da Saúde - Valezim. | Nossa Senhora da Guia - Loriga.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
Indisponível

17 setembro, 2022

ANTUNES, João - AS ORIGENS DO CHRISTIANISMO E O RACIONALISMO CONTEMPORANEO.
(Esboço de crítica positiva. Notas e commentarios)
. Porto, Typ. da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1911. In-8.º (19 cm) de 127, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio filosófico, sendo esta a primeira obra do autor.
"Hoje, como sempre, os conflictos de tendencias inttelectuaes affirmam-se com uma pujança intensa. As religiões cáem. Ouve-se o ruido confuso do bloco demolidor da critica e as constricções violentas dos systemas theogonicos, que o homem fez. A crise mental penetrou e corroe todo o corpo de doutrina. As vagas alterosas da descrença, em procella forte, conclamam em grita que «os deuses se vão.»
Esta affirmação concretisa um facto. As gerações primevas da humanidade tinham uma fé suave, tranquila e forte. Desdobraram-se as gerações e povoaram o orbe. Esse germe fecundo, que no povo judaico, segundo a Revelação christã, se encorporou, tendo por directriz psychica os elementos dynamicos da Inspiração, nas outras raças que impellidas por motivos mesologicos foram para longes terras, deturpou-se através dos tempos e através da consciencia. A consciencia, porém, não reagiu; esses corpos de doutrina formavam-se autonomamente."
(Excerto do Cap. I - Conflicto de tendencias)
Indice:
I - Conflicto de tendencias. II - Historicidade das origens do Christianismo. III - Jesus-Christo na Historia. IV - A Divindade de Christo. V - Os Evangelhos. VI - A primitividade christã (synchronismos). VII - A primitividade christã (continuação). VIII - Tres seculos de Christianismo nascente (synthese historica). IX - A Historia atravez da Historia. X - Reivindicações. XI - Prismas philosophicos. XII - A obra social do Christianismo. XIII - O Modernismo (conclusão.).
João Antunes (1885-1956). "Escreveu com rara inteligência, um conjunto apreciável de artigos (em revistas) e livros, sobre "conhecimentos que pela sua natureza se não devem vulgarizar". Trata-se, evidentemente, de temas ligados ao ocultismo (na sua versão primitiva, via Papus), cabalismo, esoterismo, teosofia, martinismo, teurgia, templarismo, maçonaria, carbonarismo, etc. Mas foi, particularmente, um grande mentor do pensamento teosófico, quando este estava ainda (por cá) no seu começo, tendo sido um dos fundadores (e primeiro presidente: até 1924?) da Sociedade Teosófica de Portugal [STP], nascida em 1921 [juntamente com Silva Júnior (secretário-geral e presidente a partir de 1924?), Oscar Garção, Berta Garção, Francisco Esteves da Fonseca, Artur Nascimento Nunes, Domingos Costa, Maria O'Neill].
João Antunes conhece, estuda e divulga os grandes iniciados, de Hermes Trismegisto aos pitagóricos e mestres gnósticos, passando por Besant, Elifas Levi, Blavatsky, Guaita, Leadbeater, Peladan, Huissmans, G. Encausse (ou Papus, grão-mestre martinista), Saint-Martin, recorre até a Filon, Dante, Leonardo, Goethe. Conhece, portanto, a melhor (e, surpreendentemente, também a mais restrita) da bibliografia iniciática do seu tempo. Ao mesmo tempo convoca para as "ciências malditas" alguns autores ou adeptos lusos, incorporando-os na tradição iniciática portuguesa. Refira-se aos trabalhos feitos (ou às notas expostas) sobre Gil Eanes (ou Rodrigues) de Valadares, Colombo (vários artigos), Camões, D. Francisco Manuel de Melo, Pascoal Martins (ou Martinez de Pasqualys, reorg. do cabalismo maçónico), Padre António Vieira, Visconde Figanière e Morão [um dos primeiros membros da S. Teosófica de Blavatsky e pouco estudado por cá], Leonardo Coimbra, José Teixeira Rego, Ângelo Jorge (da O. Martinista), Sampaio Bruno, Alphum Sair (pseud. de um sócio do Instituto de Coimbra).
Alguma Bibliografia: As origens historicas do Christianismo e o racionalismo contemporâneo, s.d. / O Hipnotismo e a Sugestão, 1912 / Hipnologia Transcendental, 1913 / Oedipus: As Sciencias Malditas, 1914 / O Espiritismo, 1914 / A Teosofia: estudo da filosofia sincrotista, 1915 / A História e a Filosofia do Hermetismo, 1917 / A Maçonaria Iniciática, 1918 / O Livro que mata a morte [de Mário Roso de Luna, em versão port. de J. A.], Ed. Isis, 1921 / O Ocultismo e a Sciencia Contemporânea, 1922."
(Martins, José Manuel - João Antunes : notas e bibliografia, in http://almocrevedaspetas.blogspot.com/2007/02/o-dr.html~)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa algo manchada, com pequena falha de papel no canto inferior dto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

16 setembro, 2022

CARMO, Dr. Cardoso do - CONTRA A TUBERCULOSE.
(Com 10 gravuras). Prefácio do Prof. Alfredo de Magalhães
. 2.ª Edição : 3.º e 4.º Milhares. Porto, Companhia Portuguesa Editora, L.da, 1927. In-8.º (19 cm) de 100, [2] p. ; [5] f. il. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
Capa de Luís de Pina.
Obra de profilaxia e propaganda anti-tuberculose publicada em época de grande incidência da doença entre nós, e no combate intenso que lhe foi movido.
Ilustrada com desenhos no texto e 6 estampas em separado, sendo uma delas em folha desdobrável.
"Tem por objecto êste opúsculo, tão útil e substancial, como simpaticamente despretensioso, difundir em prosa muito chã e correntia, preceitos, regras e sugestões, que nem por serem extremamente familiares aos profissionais da medicina, deixam de constituir sã doutrina, essencial à educação e à higiene de toda a gente que préza a própria saúde e tem alguma consideração pela saúde pública."
(Excerto do Prefácio)
"Este livro tem a sua razão de ser no verdadeiro flagélo que está sendo a tuberculose entre nós.
A quantidade de doentes tuberculosos e a mortalidade actual são muito elevadas. Segundo os boletins de estatística demográfico-sanitária da cidade do Pôrto, temos, para cada um dos últimos anos, a cifra aproximada de 1.000 falecimentos por tuberculose (pulmonar e outras tuberculoses). Esta cifra, que por várias razões fáceis de compreender não representa senão de longe a grande mortalidade no Pôrto, (sobretudo com o nome de bronquite, congestão pulmonar, pneumonia, bronco-pneumonia, meningite, etc. oculta-se a verdadeira cauda de morte, que póde ser, e é muitas vezes a tuberculose), corresponde à perda de 84 criaturas por cada mês, ou seja aproximadamente 3 pessoas por dia, ou ainda: que de oito em oito horas morre 1 portuense, vítima desta enfermidade, depois de ter semeado à volta dele a miséria e a morte."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | O que é a tuberculose. | Contágio. | A tuberculose é uma doença da infância. | Outras causas. | Predisposição. | Sintômas de início. | Tuberculofobia. | Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos marginais.
Invulgar.
10€

15 setembro, 2022

LIMA, Archer de - PAIXÃO E MORTE DE CAMILLO CASTELLO BRANCO. Romance. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1917. In-8.º (18,5 cm) de 208 p. ; E.
1.ª edição.
Romance sobre o último período da vida de Camilo, ou, nas palavras do autor na homenagem prestada a Silva Pinto - insígne camilianista - que precede o texto, "o romance do romancista da hora tragica da cegueira até ao seu lamentavel fim; encontrando-se com a natureza, com a sua obra e com o amor e a morte, sob a paixão cruciante da Luz".
"- Ana! Ana!
- Que é?! Diz?!... Que tens tu?!... Fala-me!...
- Dá-me luz!
- Mas, meu filho, não vês que é dia. Estás sempre semelhando ter-se apagado o fulgor desses olhos! Para que é isso?... Não queres responder?!... Queres que te leia algum livro?!...
- Não!...
- Porque é esse dessasocego agora?!
E D. Ana Placido tomou a cabeça tragica de Camillo e encostou-a ao peito com meiguice, tendo a sua mão delicada uma fina caricia para esses cabelos que branqueavam, como relatando, historiando, todo um estranho poema de vida que se sumia nas trevas..."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

14 setembro, 2022

MAGOS, ASTRÓLOGOS E CABALISTAS. Os livros dos ensinamentos ocultos da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra
. [S.l.], Palácio Nacional de Mafra, 2007. In-8.º (21 cm) de 105, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso catálogo da notável colecção da Biblioteca do Palácio de Mafra, contendo as obras consideradas proibidas, ou relacionadas com Magia, Astrologia e Cabala. Livro com indubitável interesse histórico e bibliográfico.
Obra ilustrada com inúmeras portadas de livros em página inteira.
"A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, situada na ala nascente do Monumento, ao nível do quarto piso, a Livraria ocupa a mais vasta e nobre de todas as alas do edifício com cerca de 85m de comprimento e 9,5m de largura. [...]
A primeira tentativa de sistematização e arrumação deve-se à iniciativa de Frei Joaquim da Conceição, Padre Mestre Bibliotecário, em finais do século XVIII, cuja morte interrompeu a organização da Livraria, só retomada após as invasões francesas em 1809 por Frei João de Sant'Ana. [...]
A diversidade e quantidade de livros é imensa, mas o que nos surpreende ainda hoje é a metodologia, a arrumação sistemática, como que a transposição de um grande espaço para uma enciclopédia."
(Excerto de A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra)
"Fernando Pessoa escreveu que "Império é domínio e pode ser domínio material, domínio intelectual e domínio espiritual. A fórmula profética do Quinto Império é pois aplicável a estes três planos e em cada plano se revelará da mesma maneira."
Esta terá sido a motivação para que D. João V, para que se cumprisse a Profecia de Ezequiel, como se lê no «Oráculo Profético» escrito em 1733 por Anselmo Caetano Castelo Branco, tenha mandado construir o Real Edifício de Mafra "para Corte do Quinto Império de Cristo". Esta nova Cidade de Deus, concebida por João Frederico Ludovice, aluno e protegido da Companhia de Jesus, seria a concretização da implantação de um vasto plano de ensino que permitiria a construção de um Mundo Novo, como anunciara o Padre António Vieira."
(Excerto de Os livros dos ensinamentos ocultos na Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra - A Biblioteca)
Índice Geral:
A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra. | Os livros dos ensinamentos ocultos na Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra. | Abreviaturas. | Catálogo das Obras. | Índice dos Autores. | Índice de Títulos. | Índice Cronológico. | Índice de Locais de Impressão.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

12 setembro, 2022

PEREIRA, Alfredo - OPERAÇÕES E PREPARAÇÕES PHARMACEUTICAS. (Apontamentos para uso dos estudantes de pharmacia). Por... Pharmaceutico pela Escola Medico-Cirurgica do Porto..., etc.
Porto, Typographia Occidental, 1899. In-8.º (21,5 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual farmacêutico para elaboração das mais variadas drogas e medicamentos. Nada foi possível apurar acerca do autor desta curiosa obra, para além da informação impressa no frontispício, uma vez que não existem referências ao livro, incluindo na Biblioteca Nacional.
Livro ilustrado com 23 desenhos ao longo do texto.
"A Technica das manipulações pharmaceuticas, por mais que sobre ellas se escreva e diga, só ao laboratorio pertence, isto é, ao laboratorio em que os utensilios e apparelhos necessarios existam e no qual o pharmaceutico em vez de patrão seja professor.
Theoricamente pouco ha, sobre ellas, que dizer. Apenas definições, modo de corrigir as alterações e modo de conservação, as ultimas duas coisas, que em vista das incessantes descobertas da sciencia, unicamente podem utilisar-se. O que á pratica pertence não ha que tirar-lh-o.
Resumindo, pois, n'este pequeno volume o que sobre as preparações pharmaceuticas, mais importantes por generalisadas, de essencial convém conhecer tenho simplesmente em vista auxiliar os praticantes ou ajudantes de pharmacia na comprehensão de que a technica, de per si, não póde ensinar-lhes e ao mesmo tempo preparal-os para o estudo da pharmacia galenica, parte importante do seu exame final.
A inscripção das fórmulas, comprehendidas, por cada manipulação na Pharmacopêa Portugueza, considero-a vantajosa, visto que assim essas formulas se rememoram e mais facilmente se especificam."
(Preâmbulo)
"A pharmacia divide-se em pharmacotechnia e em pharmacologia. A primeira comprehende o estudo das manipulações pharmaceuticas; a segunda o estudo das substancias que entram n'essas manipulações. Arte pela primeira a pharmacia é sciencia pela segunda.
De um modo geral, pois, pharmacia pode dizer-se a arte que ensina a preparar os medicamentos, tendo-se préviamente conhecimento scientifico indispensavel dos simplices que os constituem."
(Excerto de Preliminares)
Exemplar em brochura, revestido por capas simples, lisas, em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico e assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

11 setembro, 2022

BOXER, Major C. R. - ANTONIO COELHO GUERREIRO E AS RELAÇÕES ENTRE MACAU E TIMOR NO COMÊÇO DO SÉCULO XVIII
. [Macau], Escola Tipográfica do Orfanato da Imaculada Conceição de Macau, 1940. In-4.º (26 cm) de [4], 49, [1] p. ; [3] f. il. ; [1] planta desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de duas antigas províncias orientais portuguesas - Macau e Timor - tendo como denominador comum o governador de Timor António Coelho Guerreiro.
Livro ilustrado com 4 folhas separadas do texto: um fac-símile de um manuscrito autógrafo de António Coelho Guerreiro; duas plantas: Planta da fortaleza da praya de Liphao e Planta da praia de Limpao; uma folha desdobrável (25,5x39 cm) - Planta da costa da China nas vizinhanças de Macau.
No final, em Documentos, vem reproduzida correspondência relevante sobre o assunto.
"Em 1702, António Coelho Guerreiro foi o primeiro governador e capitão geral das ilhas de Timor e Solor que logrou ser empossado e desempenhar as suas funções, na sequência de outros esforços que, desde meados do Século XVII, o Estado da Índia vinha desenvolvendo com o intuito de impor a sua autoridade e controlo nesses domínios. Coelho Guerreiro lançou as bases da administração portuguesa que se manteve sedeada em Lifau até 1769, ano em que, sob a continuada pressão de forças rebeladas, o então governador António José Teles de Meneses decidiu transferir a sede do governo para Dili."
(Fonte: https://run.unl.pt/handle/10362/20751?locale=en)
"Quando da sua nomeação para Governador de Timor, apresentou António Coelho Guerreiro um orçamento mostrando a guarnição e oficialidade, operários mecânicos e outros que considerou serem necessários, juntamente com o cômputo dos seus soldos e ordenados anuais. Pedia naquela ocasião uma tropa com onze Capitães, doze Alferes, 4 Ajudantes, 12 Sargentos, 560 soldados e 60 artilheiros afora pagens e tambores; mas só conseguiu levar consigo, de Goa, uma diminuta companhia de 50 soldados rasos que nem todos passaram além de Macau, onde pôde alistar, com grande trabalho seu, mais 32 homens! A tal estado de penúria e míngua de fôrças tinha chegado o outrora tão rico e populoso Estado da Índia.
A viagem de Coelho Guerreiro de Goa até Macau vem bem descrita na sua carta dando conta dela ao Visorei, e que adiante publicamos. Na mesma carta descreve António Coelho Guerreiro os acontecimento ocorridos durante a sua estada em Macau desde fins de Julho de 1701 até Janeiro de 1702. Descreve como negociou dous barcos para a viagem de Timor (porque a fragata Nª. Sra. das Neves em que passou àquela cidade teve que voltar a Goa), e como preparou munições e mantimentos, mandando fazer arcabuzes, enxadas, machados, marrões, cunhas, serras e "todo o mais aviamento para o oficio de carpinteiros", e almofarizes para limpar salitre e enxofre e fazer pólvora; não se esquecendo também de arranjar 200 picos de arroz "para levar consigo por não entrar logo naquelas ilhas pedindo esmola em tempo que se achão faltas desse mantimento"."
(Excerto do estudo)
Charles Ralph Boxer (Sandown, ilha de Wight, 1904 - St. Albans, Hertfordshire, 2000). "Foi um historiador britânico, notável conhecedor da história colonial portuguesa e holandesa.
Filho do coronel Hugh Boxer e de sua esposa Jane Patterson, Charles Boxer foi educado no Wellington College e no Royal Military College, em Sandhurst. Tenente no Regimento do Lincolnshire em 1923, serviu naquele regimento durante 24 anos, até 1947. Foi destacado para a Irlanda do Norte e, de 1930 a 1933, tradutor no Japão alocado ao Regimento de Infantaria n.º 38, com base em Nara. Em 1933, formou-se como intérprete oficial da língua japonesa. Enviado para Hong Kong em 1936, serviu como oficial nas tropas britânicas na China em Hong Kong, em serviços de inteligência. Em 1940, foi promovido. Ferido em ação durante o ataque japonês a Hong Kong em 8 de dezembro de 1941, foi levado pelos japoneses como prisioneiro de guerra e mantido no cativeiro até 1945. Solto, voltou ao Japão como membro da Comissão Britânica no Extremo Oriente em 1946-1947. Durante sua carreira militar, publicou cerca de 86 livros e opúsculos sobre a história do Oriente, sobretudo dos séculos XVI e XVII.
Como major no Exército, aposentou-se em 1947, quando o King's College, em Londres, lhe ofereceu sua Cadeira Camões de Português, cargo que deteve por vinte anos até 1967. Em tal período, a Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres o nomeou seu primeiro Professor de História do Extremo Oriente, servindo no cargo por dois anos, de 1951 a 1953.
Aposentando-se em 1967 da Universidade de Londres, Boxer aceitou o posto de professor visitante na Universidade de Indiana, onde serviu ainda como conselheiro para a Biblioteca Lilly, ou Lilly Library, em seu campus em Bloomington, Indiana. De 1969 a 1972, teve uma cadeira de história da Expansão Europeia no Ultramar na Universidade de Yale."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

10 setembro, 2022

SILVA, Luciano - A MORTE DOS TOUROS :  A MORTE DAS TOURADAS.
Compilação de interessantes artigos de ilustres escritores e jornalistas. Por... Questão Moral Oportuna Nacional
. Lisboa, Agencia do Livro e do Jornal, [1927?]. In-4.º (25x16 cm) de 16 p. (inc.capas) ; B.
1.ª edição.
Folheto de propaganda anti-Festa Brava, composto por crónicas e artigos de personalidades de vários quadrantes a vida pública nacional.
"A leitura do oportuno manifesto da Sociedade Protectora dos Animais, com toda a proficiencia elaborado pelo seu activo e respeitavel vice-presidente e nosso particular amigo sr. dr. Julio Eduardo dos Santos, sinceramente empenhado, como nós, na extinção da vergonha nacional que é a tourada, sugeriu-nos a selecção de alguns recentes artigos mais expressivos ao nosso «dossier» anti-taurista cuja reprodução deu a presente brochura. [...]
Este folheto, com o duplo fim de propaganda e receita, é o arauto que toca a reunir. Maior venda equivalerá a um aumento de munições.  Combateremos o inimigo com a mesma arme de que se orgulha ter-nos vencido, quando na realidade a nossa aparente derrota constitui a base de uma mais proxima vitoria. O dinheiro, força malefica nas suas mãos, tenha uma feição construtiva nas nossas. Fará obra meritoria quem o adquirir e propagar.
Sob palavra de honra garantimos positivamente que vamos acabar com as corridas de touros e se alguns de nós forem vitimas da sorte da morte em que os «matadores» são «maestros», muitos mais ficarão persistentes na lide até decisivo sucesso final.
E então, os bois irão para as campinas e os toureiros e aficionados que se ponham a cavar... batatas, mister bem mais digno e util que poderão empregar toda a sua «coragem» a não ser que a opinião publica, considerando-os réus de malvadez, desrespeitadores da lei, selvagens em cujas florestas possa mostrar como são «valentes» defrontando-se desarmados, com o rei dos animais ou, na «alternativa» enviados para a secção de «féras» do Jardim Zoológico ou ainda, que em espectaculo de beneficiencia sejam corridos, sofrendo o «castigo» das varas, ao rojão, das farpas e arranque da mesmas e, sendo martirizados com varios «pinchazos» até cairem... em si!"
(Excerto de Abaixo as touradas!)
Artigos:
Abaixo as touradas!, por L. S. | As touradas : diálogo entre mãe e filha, por Adelaide Cabette (Médica). | As touradas têm de acabar. Para os feridos da Guerra! (A filosofia de Marino, [o touro]), por Martins do Rego (Jornalista). | A morte do touro, por Ferreira de Castro (Escritor). | O prazer da morte, por Dr. Mayer Garção (Escritor e jornalista). | Touradas - Escola de imoralidade e crime. O proletariado defendendo sãos principios, por Carvalhão Duarte (Professor primário). | Optimistas, mesmo assim!, por José A. Fernandes (Redactor do Portugal Evangelico). | Touradas e imprensa, por Luís Leitão. | Apêlo da Liga Nacional contra as Touradas - Às pessoas de bem, por A Comissão Organizadora. | [Apelo] Aos individuos cultos; Á agremiações de qualquer género; Aos jornais do país.
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação, com excepção da margem superior que apresenta cortes e pequenas falhas de papel. Deve ser aparado e encadernado.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

09 setembro, 2022

SOARES, Maria Micaela - VARINOS.
O Tejo. Pesca e Pescado : Pescadores e Peixeiras
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso & Moita Lda - Lisboa], 1989. In-4.º (26,5 cm) de 67, [5] p. ; [25] p. ; B.
Separata do Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, III Série N.º 90 - 1984/1988.
1.ª edição independente.
Importante trabalho sobre os pescadores do rio Tejo, sob o ponto de vista histórico, sociológico e etnográfico.
Livro ilustrado no final com 56 fotogravuras distribuídas por vinte e cinco páginas separadas do texto.
"A considerável amplidão, a jusante, da bacia hidrográfica do Tagus romano e a amenidade dos terrenos marginais propiciaram singulares condições para a exploração industrial das suas águas, pródigas em espécies, tanto adventícias como sedentárias.
Daí que a pesca tenha atingido neste rio grande desenvoltura, de modo pertinaz na sazão da fauna que o tornou famoso - o sável."
(Excerto de Pesca e Pescado)
"Verificou Baldaque da Silva que o número e a categoria das embarcações pesqueiras que, à volta de 1880, trabalhavam, durante a safra, no baixo Tejo e seu estuário, era de «quarenta barcos varinos, denominados batis-batis, tripulados por oitenta homens, número médio destas embarcações que, do distrito de Aveiro, emigram para o Tejo; trinta barcos ílhavos tripulados por quatrocentos e cinquenta homens que, depois da pesca costeira à tarrafa, vão pelo rio acima para a pesca do sável», além dos barcos do Barreiro e Seixal, das canoas da Trafaria e doutros pontos marginais.
Quem eram, então, estes pescadores que tão afanosamente se empenhavam na pescaria desta tira aquosa que enfaixa Portugal?"
(Excerto de Pescadores e Peixeiras)
Índice:
Varinos - O Tejo. Pesca e Pescado. Pescadores e Peixeiras. | Tejo. | O Tejo. | Pescadores e Peixeiras. | A Descarga do Peixe. Venda. | Barcos. | Vestuário. | Habitação. | Varinas. | Varina. | A Varina e a Literatura Popular. | Poesia Profana. | O Amor. | Encanto. | Desencanto. | Desgarrada. | Fado do Caminho-de-Ferro. | O Mar e a Ria. | A Borda d'Água e demais Estremadura. | A Alegrete. | O Senhor da Boa Morte. | A Senhora de Alcamé. | Alhandra. | Azambuja. | Senhor da Serra. | Evocação de Lisboa. | Musa Satírica. | Vária. | O casaco de rotina. | O canairo. | Carnavalesca. | Musa Dramática. | A órfã. | Poesia Religiosa. | Orações. | A barca nova. | Padre-nosso pequenino. | O Presépio. | Ao entrar na igreja. | Quando o sacerdote sobe ao altar. | Ao receber a hóstia. | Depois de comer. | Ao deitar. | Oração a São Jerónimo. | Benzeduras. | Talhar o sol. | Benzer da lua. | Talhar a inzipla. | Curar a linha torcida. | Benzer o quebranto. | Benzer o ógamento. | Informantes. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
30€

07 setembro, 2022

SILVA, Francisco José Ferreira da Naya e - «A HIPNOTERAPIA NOS DOENTES NEURÓTICOS».
Trabalho efectuado nos Serviços de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Porto sob orientação do Ex.mo Senhor Doutor António Fernandes da Fonseca. Dissertação para o Acto de Licenciatura apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
. [S.l.], [s.n. - Tip. Nobreza - S. Mamede de Infesta], 1961. In-4.º (23,5 cm) de 109, [1] p. ; [1] f. errata ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre a aplicação da hipnose em pacientes com patologias do foro psiquiátrico.
Inclui no final 8 "Observações" - amostra de oito pacientes portugueses, incluindo o quadro clínico de cada um dos casos, que serviu de base prática para o estudo.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Abandonando a velha ideia de que só aqueles que possuíam o «fluído magnético» é que podiam praticar a hipnose, chega-se hoje à conclusão de quase todos os indivíduos a podem praticar.
Se não se afirma na generalidade, é porque se trata dum trabalho de habilidade e persuasão, compreendendo-se por isso que nem todos consigam resultados favoráveis, por não conseguirem convencer, persuadir ou prender a atenção do paciente para o fim desejado. [...]
Tudo nos leva a crer que os indivíduos em que seja possível o entendimento entre si e o médico, sejam susceptíveis de serem hipnotizados, embora uns com facilidade maior que outros. Ficam assim eliminados os doentes com grande falta de inteligência, assim como os casos de psicoses, nos quais o contacto fica interrompido pelas alucinações, inibições primárias, emoções tempestuosas ou outras causas."
(Excerto do Cap. III - Metodologia)
Sumário:
I - Evolução histórica do conceito da Hipnose. II - Diferentes graus de hipnose. III - Metodologia. IV - Emprego da psicoterapia no estado de sonolência e de sono sugerido. V - Alguns perigos da hipnose. VI - Material, método e classificação das neuroses. VII - Conclusão. VIII - Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€

06 setembro, 2022

COSTA, Dr. Joaquim Pinto da - ASSISTÊNCIA MORAL E RELIGIOSA AOS DOENTES. 
Notas de teologia pastoral prática e acção social católica. Prefácio de Monsenhor Dr. Manuel Pereira Lopes. Livrinho muito util aos sacerdotes, aos confrades das Conferências de S, Vicente de Paulo, ás damas da Caridade, às associação da Liga de Acção Social Cristã, às Filhas de Maria, às mães de família e em geral a todas as pessoas que exercem a enfermagem ou velam à cabeceira dos doentes. Porto, Edição da Biblioteca Utile Dulci, [1925]. In-8.º (16 cm) de VIII, 495, [1] p. ; E.
1.ª edição.
"A assistência moral e religiosa aos enfermos é um dos apostolados mais necessários e eficazes da hora presente.
Apostolado necessário, porque na quadra sombria da doença todos carecem de lenitivo e confôrto; eficaz, porque, com a carne amortecida pela garra do sofrimento, o espírito, embora também conturbado, está de ordinário mais bem disposto para acolher os dons de Deus e para não opôr obstáculos à acção maravilhosa da sua graça."
(Excerto do Prefácio)
"O livrinho Assistência moral e religiosa aos doentes vem preencher uma lacuna que de há muito se constatava. Essa lacuna era a falta dum livro apropriado para sacerdotes, confrades das Conferências de S. Vicente de Paulo, damas de Caridade, enfermeiras, mães de família, etc., que servisse como manual instrutor para a acção moral e religiosa dos doentes e que contivesse, como em coordenado, oportuno e actualizado repositório, as indicações mais uteis, as indústrias mais eficazes, e os conselhos mais autorizados dos mestres e veteranos no apostolado da assistência.
O livro Assistência moral e religiosa aos doentes é ainda o terno amigo dos que sofrem um vêem sofrer e de todos os que se encontram no limiar da Eternidade... A uns e outros serve de guia, difunde luz celeste, dá alento, confôrto, esperança..."
(Excerto de Duas palavras ao leitor ou leitora)
Índice:
[Prefácio]. | [Duas palavras ao leitor ou leitora]. | I . O apostolado da assistência aos doentes. II - A visita aos doentes. III - Assistência pela caridade intelectual. IV - A leitura e o espírito dos doentes. V - Pensamentos de beleza, confôrto e vida moral para doentes. VI - Assistência especial a doentes de nervos. VII - Assistência médica e consciência moral. VIII - Iniciação prática na sciência médica elementar e nas generalidades de higiene e da enfermagem. IX - Assistência social-económica aos doentes pobres. X - Os doentes e a sua reconciliação com Deus. XI - A união eucarística e a alma dos doentes. XII - Sacramento de graça, perdão, força, alívio e saúde. XIII - Baptismo em casos extremos. XIV - Matrimónio «in extremis». XV - Na hora da morte!... XVI - Depois da morte. | Apêndice.
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
20€

05 setembro, 2022

MOREIRA, Eduardo - DURANTE A GUERRA.
Últimos écos duma campanha económica. Por... S. I. C. e J. H. M. [Receita para fazer ouro]
. Edições «Portugal Novo», 1926. In-8.º (19 cm) de 193, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Colectânea de artigos de economia, publicados durante a guerra. Trata-se da compilação de artigos do autor dispersos pela imprensa durante a Grande Guerra para, em tempos de penúria, poupar de forma criativa e ajudar ao aproveitamento dos recursos. Raro e muito interessante.
"No museu de Amiens, em França, há um célebre fresco de Puvis de Chavannes que se intitula «Ave, Picardia nutrix» - «Nós te saüdamos, Picardia nutridora!»
É belo. Chama a atenção geral, não só pela técnica e pelo colorido como também pelo assunto e a composição que êle inspirou. Nos tons puros e nas linhas nobres dêsse fresco, diz Edmond Pilon, erigiu-se um belo poema ao país dos pomares. [...]
É como nós sonhamos vêr o nosso Portugal. É como êle poderia e deveria ser, pois tem para isso excepcionais condições."
(Excerto do Cap. I - Lusitânia criadora)
Índice:
I - Lusitânia criadora. II - A incultura da Terra e a incultura do Homem. III - Um manual do lavrador em bases novas. IV - A dupla solução dum problema. V - Receita para fazer ouro. VI - Talento económico. VII - Pela agricultura. VIII - «Não é costume...». IX - O ouro e as rosas. A transmutação duma lenda. X - Estética párvoa. XI - O comercio da Ti'Estrudes. XII - Alimentação de inverno. A aveia. XIII - O conducto. XIV - Economizemos, trabalhemos. XV - Aproveitemos as próprias cascas. XVI - A utilização dos desperdícios vegetais. XVII - O que se pode comer? A propósito de «Vaca e riso». XVIII - O pão e seus succedâneos. XIX - Iniciativa culinária. XX - A educação larária. XXI - O pensionato as Laranjeiras, por A. A. Azevedo. XXII - O ensino profissional feminino. XXIII - Economia doméstica. XXIV - O valor do alimento. XXV - A moda, factor negativo. XXVI - A guerra ao luxo. XXVII - O jôgo e a economia nacional. XXVIII - Bondade é riqueza. XXIX - Animais úteis. XXX - O incremento zootécnico e piscícola. XXXI - Galinhas e ovos. XXXII - O problema da hulha branca. XXIII - A nossa preparação química. XXXIV - Questões do dia, por A. XXXV - Martelando. XXXVI - Martelando, por A. XXXVII - Volfrâmio, a riqueza nova. XXXVIII - A indústria dos pretextos. XXXIX - O renascimento das indústrias textís. | Nota final.
Eduardo Henriques Moreira (1886-1980). "Pastor evangélico, professor no Seminário Evangélico, poeta e enciclopedista. Começou muito cedo a aprofundar as matérias teológicas. Pastor evangélico desde 1913, foi de 1922 a 1925 primeiro-secretário da Aliança Evangélica Portuguesa, após o que assumiu as funções de presidente. Em 1917 foi nomeado pelo então ministro da Guerra, Norton de Matos, capelão evangélico em França, missão que não chegou a cumprir porque entretanto se deu a revolução de Sidónio Pais. Em 1920 foi eleito vereador da Câmara de Lisboa e em 1921 assumiu as funções de vice-presidente do Senado camarário. Fez os estudos toponímicos para a restauração da bandeira de Lisboa. Foi secretário do presidente do Ministério coronel António Maria Baptista, até que em 1922 se afastou da vida política. Representou Portugal em vários congressos protestantes no estrangeiro e foi secretário-geral da Associação dos Escuteiros de Portugal, tendo sido ele a iniciar no Porto, em 1923, «o dia do gaiato». Colaborou na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, no jornal O Século e noutros jornais diários de Lisboa. Como procurador das Missões Evangélicas em África, visitou em 1934 Cabo Verde, Angola e Moçambique. Fundou o Triângulo Vermelho, do qual foi secretário geral. Reviu a versão seiscentista da Bíblia de João Ferreira de Almeida com o bispo protestante Santos Figueiredo e outros colaboradores."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/bio/eduardo-henriques-moreira)
Exemplar brochado em bom estado geral de conervação. Capas algo sujas, como uma ou outra mancha.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Indisponível

03 setembro, 2022

SOARES, Maria Luísa Couto - DO OUTRO LADO DO ESPELHO : linguagem, pensamento, acção
. [Porto], Fundação Eng. António de Almeida, 2005. In-8.º (21 cm) de 235, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio filosófico.
"Tem um carácter introdutório aos problemas da linguagem, que se cruzam inevitavelmente com os grandes problemas da filosofia - da epistemologia, da metafísica, da antropologia. Não se trata de uma introdução à filosofia da linguagem, no sentido académico; muitas questões ficam por tratar, e a selecção de pensadores para fazer o percurso que traçámos deixou de fora muitos nomes fundamentais da analítica contemporânea. Trata-se de formular alguns problemas básicos para compreender a tarefa de uma filosofia da linguagem, e avaliar o seu lugar e o seu papel no contexto de toda a reflexão filosófica. A transformação da filosofia que a análise linguística, sobretudo no início do século XX, originou é inegável. Essa transformação não se traduziu na mera redução ou mesmo eliminação do discurso filosófico, mas pelo contrário, foi ocasião para fazer renascer e revisitar muitas das questões clássicas da filosofia e da metafísica. A título de exemplo, a elaboração de uma teoria do significado, é uma tarefa transversal que passa por questões fundamentais da epistemologia, da antropologia, da filosofia da acção, das ciências sociais. As discussões em torno da noção de sentido são pautadas pelas diferentes concepções de conhecimento, de aprendizagem, de crença e acção racional."
(Sinopse)
"Este livro é um esboço da tensão entre duas atitudes frente ao espelho: ou olhamos para a imagem que nos reflecte confiada e despreocupadamente, sem exigir maia nada, sem querer ver através ou para além dela; ou fazemos como a criança que o contorna, espreita, toca na superfície lisa porque resiste a aceitar pacificamente aquela imagem reflectida, devolvida magicamente pelo espelho. Por isso, há um fundo lúdico em todo este percurso através do problema da linguagem e sua relação com o pensamento, a acção e o reflexão filosófica que ele suscita."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
15€

02 setembro, 2022

PESSANHA, Henrique A. - DAS FESTAS DOS MERCADOS AO SPORT DA CONQUISTA  Á FLÔR
. Lisboa, [s.n. - Imp. Lucas & C.ª, Lisboa], 1925. In-8.º (19,5 cm) de 223, [3] p. ; [1] mapa desd. ; il. ; B.

1.ª edição.
Curioso projecto desportivo do autor - um verdadeiro "protector" dos direitos das flores - para instituir em Lisboa a realização de jogos 'florais' que pudessem "concorrer" com os desportos físicos onde, segundo ele, prevalecia a compleição e força bruta, o que prejudicaria o desenvolvimento mental da juventude.
Ilustrado nas folhas de texto com desenhos representativos das braçadeiras e distintivos do Júris e dos "Gladiadores", Galhardetes e Bandeiras, e do Distintivo do Sport; Apito; Craveira e Surpresa Victoriosa, e em separado, com o "Mapa Classificativo" em folha desdobrável. Raro e muito interessante.
"Em Portugal tem-se desenvolvido ultimamente, duma maneira progressiva o gosto pelo sport. A mocidade das oficinas, a mocidade das escolas, numa palavra os jovens que estudam e os que trabalham como proletarios do campo e da cidade, entregam-se vivamente ao exercicio de varios jogos e de variadas manifestações sportivas. Os domingos de Lisboa são a caracteristica evidente desse entusiasmo, dessa verdadeira devoção, que dia a dia se vai mais se vai avolumando, que hora a hora vai adquirindo maior incremento. Os torneios hipicos, as corridas ciclistas, os desafios de foot-ball, principalmente, representam o maior aperitivo da mocidade de hoje. Chega até a assustar essa tendencia absorvente de energias e de actividade, pela exibição do sport, se verificarmos que, paralelamente não corre a actividade mental. [...]
Toda a obcessão é prejudicial, todo o excesso é nocivo, mas, quando essa obcessão, quando esse excesso assentam no exercicio de diversões em que o instinto e a materia se dilatam sem o contrabalanço da educação intelectual, só ha que receiar que avultem tendencias grosseiras, manifestações boçais que definhando a raça psiquicamente, levem á pratica de atos menos consentaneos com as exigencias duma civilisação adiantada. [...]
O sr. Henrique Augusto Pessanha a quem o movimento sportivo internacional seduz, mas que não leva o seu gosto a tumultuarias e desordenadas manifestações de apreço por ele, vem numa cruzada de benemerencia, numa ancia de renovação moral, apresentar a publico um jogo gracioso, delicado, persuasivo e fino a que deu a denominação sugestiva de: Sport de Conquista á Flôr. [...]
O Sport da Conquista á Flôr, tem todos os aspectos de consagração á flôr, desbanalisando-a, aprumando-a no seu vertice de maravilha. A sensibilidade das flôres opõe-se a que as sacrifiquem a usos antiquados, defeituosos em que a personalidade da flôr é vexada, quando não desdenhada. Sujeitar a flôr a costumes, a usanças ridiculas, humilhantes, maguando-a, escravisando-a, é um crime. O Sport da Conquista á Flôr é um sport delicadissimo, duma elegancia e dum requinte quasi cavalheiresco. A luta nessa conquista galante tem o aroma tradicional dum torneio medieval, reveste por vezes aspectos dum palacianismo delicioso. É uma luta de ardil, mas uma luta de graça leve em que a flôr é alvejada por processos curiosos e subtis. Já que se comete o crime de colher a flôr, ao menos que a sua posse seja disputada com galhardia, com amõr, com finura.
O cerimonial deste sport é exuberante, variado, com pormenores duma grande gentileza."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Em prol da Flôr. Á guisa de prefacio. A lenda da rosa vermelha. I - Explicando. Do Autor para o Leitor. II - Cerimoniais e elementos indispensaveis á sua constituição: Cerimonia nupcial; Cerimonia do «copo de agua»; Alianças, braceletes e travessões; Como se devem jusar os braceletes, as alianças e os travessões. III - Recordam-se as festas dos mercados: Os travessões ou barretes; As alianças; Os meus festejos; Descrição das minhas festas independentemente da parte oficial; Das festas do Mercado [da Praça da Figueira]; O Mercado á noite; Praça da Figueira; Agradecimento. IV - Uma grandiosa festa promovida por dois amores-perfeitos. V - Ao Sport da Conquista á Flor [regras e regulamento do jogo (com 103 artigos)].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com evidente interesse olisiponense.
A BNP possui apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Indisponível

01 setembro, 2022

RIBEIRO, João Pedro - SERMAÕ // PREGADO // NA ENTRADA DE HUMA // RELIGIOSA, // POR // HUM PRESBYTERO // SECULAR. / SEGUNDA IMPRESSAÕ. //
PORTO: // Na Offic. de Pedro Ribeiro Fran- // ça, e Viuva Emery. // Anno de 1791. // Com Licença da Real Mesa da Comis- // saõ Geral sobre o Exame, e Cen- // sura dos Livros.
In-8.º (16x9,5 cm) de 31, [1] p. ; B.
Documento coevo, com indubitável interesse para o conhecimento do cerimonial e acto de entrada das religiosas para uma instituição monástica. Raro e muito interessante.
Obra anónima. De acordo com Inocêncio, a sua autoria pertence a João Pedro Ribeiro (1758-1839). A 1.ª edição foi publicada em Coimbra, 1788 (BNP não menciona).
"Riquezas, liberdade, e prazeres, saõ os atractivos, que nos offerece o Mundo,  que huma Alm que generosamente o renuncia, deixa fóra dos muros do Claustro, trocando por huma voluntaria pobreza, por huma obediencia inteira, por huma perpetua castidade. Se o Mundo nos podesse mostrar que aquelles seus bens saõ bens reaes, que elles se pódem gozar com prazer, que naõ custaõ mais do que valem: se elle podesse persuadir-nos que a paz, e a alegria se naõ póde encontrar n'huma clausura, que tudo ahi he desgosto, tudo angustia: que pelo contrario a estrada do Seculo conduz huma alma ao seu unico fim, com igual segurança, e menos obstaculos, que a da Religiaõ; oh! quanto eu chamára louco  quem largasse aquellas venturas do Mundo, para se ir sepultar dentro de hum Clautro, trocando todos os prazeres do Seculo por huma continua penitencia!
Minha amada Irmã em J. C. o Mundo com effeito assim o pensa, e elle tem muitos sectarios. Idolatra dos seus apparentes bens, chora hoje a vossa resoluçaõ, como nascida do pouco, que ainda o conheceis, do pouco que vos saõ patentes as austeridades, e desgostos da vida em que hoje entris. Mas quanto he elle antes acredôr das nossa lagrimas, e de todos os sensatos!
Permittîme, que por hum pouco vos levante este mystico véo, que apartou de vossos olhos o Mundo, e vos esconde para o Seculo..."
(Excerto do Sermão)
João Pedro Ribeiro (Porto, 1758 - 1839). "Presbítero secular, doutor em cânones pela Universidade de Coimbra, cónego doutoral nas sés de Faro, Viseu e Porto, desembargador honorário da Casa da Suplicação, conselheiro da Fazenda, cronista dos domínios ultramarinos, censor régio do Desembargo do Paço, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, etc.
Era um dos escritores mais eruditos de Portugal, verdadeiro percursor de Alexandre Herculano nas investigações históricas dos documentos existentes pelos arquivos e cartórios do reino, fundador da ciência diplomática em Portugal, quer dizer, da ciência que trata do estudo dos diplomas. João Pedro Ribeiro seguiu a carreira eclesiástica e recebeu ordens de presbítero. Matriculou-se depois na Universidade de Coimbra, na faculdade de cânones, em que se doutorou a 6 de maio de 1781. Passou a reger uma das cadeiras dessa faculdade, ficando em Coimbra, onde exerceu também funções sacerdotais. Em 1790 era já considerado como homem tão perito no estudo dos antigos documentos, que a Academia Real das Ciências o escolheu, apesar de não ser ainda seu sócio efectivo, para ir com Joaquim José Ferreira Gordo visitar os cartórios das câmaras, conventos, etc., para tirar quantos subsídios pudesse para a história pátria."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/ribeirojp.html)
Exemplar em brochura (capas simples, lisas), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
Indisponível