18 abril, 2018

CASTELLO BRANCO, Camillo - A DIFFAMAÇÃO DOS LIVREIROS SUCCESSORES DE ERNESTO CHARDRON. Porto, Imprensa Civilisação, 1886. In-8.º (22cm) de 32 p. ; E.
1.ª edição.
O producto liquido d'este opusculo é applicado a auxiliar as despezas do anno lectivo de um estudante pobre que frequenta a Universidade de Coimbra.
Livrinho publicado por Camilo, na sequência da polémica apreensão na tipografia da sua obra Boémia do espírito, por intervenção judicial da casa livreira Lugan & Genelioux.
"O aggravo que o snr. Eduardo da Costa Santos, editor e proprietario da Bohemia do espirito, levou para a 2.ª instancia está pendente da deliberação dos juizes.
Recusei-me algum tempo a escrever sobre semelhante assumpto, receando que a minha defeza fosse interpretada como pretensão estolida de explicar aos juizes a injustiça da apprehensão da obra impressa. Se eu me defendesse com tal intento, duvidaria da intelligencia dos magistrados e da solicitude do illustre advogado do snr. Costa Santos.
Resolvi, porém, escrever logo que li os articulados dos snrs. Lugan & Genelioux para a «acção ordinaria». Ahi sou injuriado, affrontado e calumniado com quanta audacia póde impulsionar a infamia. As aleivoseias são ahi formuladas n'um tom decisivo, sem ambiguidades, sem precauçoens, nem subtergugios; mas o aviltamento de quem as suggeriu e redigiu está na documentada e irrefutavel verdade com que as repulso. Os snrs. Lugan & Genelioux confiaram tão pouco na sua justiça que recorreram á detracção insultuosa, assacando-me antigas fraudes comerciaes com os meus editores para tornarem verosimeis as modernas.
Sordido expediente!"
(Advertencia)
Belíssima encadernação inteira de pele com ferragem gravada a seco e a ouro na pasta anterior. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção.
65€

17 abril, 2018

LOPES-VIEIRA, Affonso - CONTO DO NATAL. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1905. In-8.º (20cm) de [2], 21, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Apreciado conto poético do autor, de uma beleza singela. Impresso em papel de linho.

"Vinha um mendigo triste de longada,
Naquella noite, por aquella estrada.

Era um ser de derrota e de cansaço,
Tateando com seu incerto passo

Pela noite tristissima e sombria
Que nem estrela palida alumia.

Arrimado ao cajado, o velho antigo
Veste farrapos tristes de mmendigo:

As suas calças, curtas e franjadas,
Foram de certo já despedaçadas

Pelos dentes dos cães que vão, raivosos,
Perseguindo os pedintes lastimosos.

Os compridos cabelos prateados,
Caem-lhe pelos hombros derreados;

E folhas sêcas de arvores lá vão
Nesta cabeça que dormiu no chão.

Fica perto a Cidade que procura
Esta andante e tremente criatura;

E, como usa a gente desgraçada,
Este mendigo pedirá poisada."

(Excerto do poema)

Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Contracapa apresenta ténues vestígios de traça.
Invulgar.
Indisponível

15 abril, 2018

CASTEL-BRANCO, João Bentes - ENSAIOS SOBRE O ESTUDO DA CRISE AGRICOLA E INVESTIGAÇÃO DAS SUAS CAUSAS. Por... Bacharel em Philosophia e Medicina, proprietario rural no concelho de Lagôa. Porto, Typographia da Empreza Litteraria e Typographica, 1889. In-8.º (21cm) de 343, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para o estudo da crise agrícola que assolou o país no final do século XIX, e as consequências sociais daí resultantes.
"Do norte ao sul do paiz se ouvem queixar os lavradores da diminuição no valor dos generos agricolas, do augmento no preços dos salarios e dos encargos tributarios.
Nos ultimos vinte annos, temos assistido ao flagello dos campos, pelo desenvolvimento do oidium, pela morte de valiosos pomares de laranjas e soutos de castanheiros, pelas seccas e inundações, pelo progressivo desenvolvimento da phyloxera, etc.
Presenciamos a depreciação gradual dos principaes generos agricolas, taes como: trigo, azeite, gado, figo e uva, até metade e menos do seu valor; presentemente, estamos ameaçados, não só d'uma baixa mais sensivel dos mesmos generos, mas ainda nos que, até aqui, teem florescido. [...]
Sentindo o que nos vae por caza, desejando do coração o progresso do ppaiz e da classe em que nascemos, onde apesar de tudo nos conservaremos, resolvemos saltar por cima das conveniencias e dizer quanto sentimos sobre a crise e os seus remedios, tal como se nos afigura, dôa a quem doer, sem intuito, mas tambem sem receio de offender ninguem."
(Excerto da Introducção)
Índice:
Introducção. PRIMEIRA PARTE. Investigação da crise agricola: I - Selecção regressiva nas provincias. II - Producção e remuneração do trabalho na provincia. III - Estado das classes sociais. IV - Situação dos agricultores na sociedade. V - Situação actual da agricultura em relação a um periodo anterior. SEGUNDA PARTE. Causas da crise: VI - Leis da producção da terra. VII - Leis da producção humana. VIII - Alguns pontos de economia social. IX - Economia agricola. X - Influencia da vida agricola sobre o homem. XI - Consequencias sociaes. XII - Synthese.
João Bentes Castel-Branco (Lagoa, 21 de Setembro 1850 - 15 de Julho de 1940). “Foi um médico e escritor algarvio. Formou-se em filosofia e medicina e exerceu clínica em várias terras do Algarve. Estudou diversos métodos de cura, entre os quais os de Sebastian Kneipp (que estudou com o próprio). Em 1890 foi nomeado guarda-mor de Saúde em Lisboa, funções que desempenhou até 1918. Foi director do estabelecimento termal e concessionário das Caldas de Monchique, desde 1895 até 1920. Foi um fervoroso adepto do vegetarianismo e dos métodos de cura pela natureza. Escreveu diversos livros e colaborou em revistas como «O Vegetariano e A Saúde» e participou em vários congressos em Portugal e no estrangeiro. Também colaborou na «Revista de Turismo» iniciada em 1916. Obras: Estabelecimento thermal de Monchique (1885); Ensaios sobre o estudo da crise agricola e investigação das suas causas‎ (1889); O ideal portuguez (1890); Guia do colono para a Africa portugueza‎ (1891); A Cultura da Vida: Emprego dos Agentes Físicos em Medicina, Sociedade Vegetariana Editora, (1912)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação cartonada com a lombada revestida de tecido. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas com sinais de uso.
Raro.
Indisponível

13 abril, 2018

PAIVA, Prof. Almeida - O MITRAÍSMO : notas historicas e criticas sobre o Deus persa e o Deus judeu. Prefaciado pelo Ex.ᵐᵒ Sr. Dr. Teófilo Braga. Lisboa, José dos Santos, 1916. In-8.º (19cm) de 174, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Estudo sobre o Mitraísmo - antiga religião de mistérios desenvolvida por volta do século II a.C. na região do Mediterrâneo Oriental -, a sua rivalidade com o Cristianismo e a influência que exerceu sobre este.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. José Rebelo de Melo Cabral.
"Comprehenderá o publico a importancia e opportunidade de um estudo historico sobre este phenomeno tão remoto, que se passou ha millenios na consciencia humana? Este phenomeno ainda hoje se reflecte no mundo moderno e na civilisação europêa assimilado e syncretisado no Christianismo. Ambas essas religiões resultaram de uma granda epoca da cultura humana, que procurou estabelecer o sentido moral dos mytos religiosos liberto do sentido physico do Naturalismo védico e avéstico, elevando-se á expressão universalista da concepção divina.
O Mithraismo surgiu seculos antes do Christianismo, desenvolvendo-se em seitas philosophicas e e associações asceticas, popularisou-se no Occidente degenerando do seu espirito para o sentido physico dos symbolos, das imagens, das cerimonias impostas pela exterioridade cultural. O Christianismo, vindo mais tarde, por meio das vencidos e escravos das guerras romanas, começou logo pela materialisação das ideias religiosas do Mediador e da Encarnação, revocando a mente vlgar á subordinação dos Symbolos e dos Mythos já decahidos das Religiões polytheicas. Por esta regressão a uma inferioridade racional, incrustou-se nos meios culturaes mythracistas, a que se deveu o exito da sua propaganda.
Os Padres da Egreja, não podendo occultar as semelhanças entre o Mithraismo e o Christianismo e apagando a successão historica, proclamavam como um embuste do Diabo essas semelhanças ou contrafacções do Christianismo."
(Excerto do prefácio, O problema christologico)
Encadernação em sintético com ferragem gravada a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.
Invulgar.
Com interesse histórico e religioso.
Indisponível

12 abril, 2018

ESTATUTOS DO CLUB PORTUGUEZ. Lisboa, Typographia da Viuva de Vicente da Silva, 1898. In-8.º (17cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Pouco informação existe sobre este há muito desaparecido clube lisboeta. Com a devida venia a José Leite pelo excelente post publicado em 26.08.13 no blog «Restos de Colecção», deixo um excerto do mesmo.
"O aparecimento de clubes e academias de amadores música inicia-se na década de 1830, com a fundação do Club Lisbonense (1834), da Assembleia Lisbonense (1836), da Academia Filarmónica (1838) e da Assembleia Filarmónica (1839), registando-se a sua proliferação nas décadas seguintes e apogeu nos meados do século XIX.
O Club Portuguez tem a sua origem numa quezília entre sócios da Academia Philarmonica Lusitana, fundada em 1848.
Reza a história que um dos sócios - Cândido Maia - fazia-se sempre acompanhar do seu cão nas visitas à Academia. Certo dia, o cão deverá ter feito algo que não devia e, os sócios zangados, quiseram proibir a entrada a cães. Como o dono do cão não concordou, esses sócios decidiram sair e formar o Club Portuguez, por volta de 1860, tendo-se instalado na Travessa de Santa Justa. [...]
Feitas as pazes entre a Academia e o Club, em 1871, estes fundiram-se tendo prevalecido o nome Club Portuguez. Pouco depois o clube mudava a sua sede para o Palácio Barcelinhos, na Rua Nova do Almada, onde esteve 24 anos. O palácio viria a ser ocupado pelos Grandes Armazéns do Chiado, em 1896. [...]
O Club Portuguez encerraria as portas durante os anos 20 do século XX, já no n.º 26 - 1.º andar, da Avenida da Liberdade, as suas últimas instalações."
(Fonte: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2013/08/club-portuguez.html)
"O Club Portuguez é a reunião de numero indeterminado de individuos de boa reputação, que tenham meios de viver e de apresentar-se decentemente na sociedade, admittidos pela fórma prescripta n'estes estatutos."
(Capitulo I, Artigo 1.º)
Exemplar em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeno rasgão no canto inferior esq,, sem perda de papel.
Raro.
10€

10 abril, 2018

O ACORDO ORTOGRÁFICO LUSO-BRASILEIRO de 10 de Agosto de 1945. Com um Índice organizado por Sebastião Pestana e um Pequeno Vocabulário Extraído das 51 Bases. «Não se consentem grafias duplas ou facultativas. Cada palavra de língua portuguesa terá uma grafia única». - PELA UNIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA. Lisboa, Edição da Revista «Ocidente», 1945. In-4.º (25,5 cm) de 57, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório da Conferência Interacadémica de Lisboa. Importante subsídio para a história dos acordos ortográficos entre Portugal e Brasil, questão momentosa e fracturante, sujeita a diferentes análises e interpretações dos mais diversos quadrantes políticos e culturais dos dois países.
Contém o Decreto n.º 35.228 (5 artigos) de 8 de Dezembro de 1945, que aprova o acordo de 10 de Agosto de 1945, resultante do trabalho da Conferência Interacadémica de Lisboa, para a unidade ortográfica da língua portuguesa, subscrito por António Óscar de Fragoso Carmona, António de Oliveira Salazar e José Caeiro da Mata.
"Em cumprimento do que ficou resolvido em 6 de Agosto do corrente, na nona sessão conjunta das duas delegações à Conferência Interacadémica de Lisboa, a comissão de redacção, abaixo assinada, apresenta o seu relatório, em que se define a orientação a que obedeceram os trabalhos e se resumem as conclusões unânimemente aprovadas pelas duas delegações, a fim de se eliminarem, as divergências verificadas entre os vocabulários das respectivas Academias, resultantes do Acordo de 30 de Abril de 1931 e publicados em 1940 e 1943."
(Documento n.º 1)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Ténues vestígios de humidade no pé do livro, visível pelo "ondulado" de algumas da suas folhas.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

09 abril, 2018

GUIMARÃES, Delfim de - PRÓ-MONUMENTO. Aos Mortos da Grande Guerra de Infantaria 20. Gaia, [Edição do Autor] - Tipografia Castro Silva, 1936. In-8.º (20cm) de 37, [11] p. ; B.
1.ª edição.
Capa do pintor António Piedade.
Obra poética sobre a Grande Guerra. Impressa em papel de superior qualidade.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Fala o coração de Manuel de Guimarães pelo meu coração:
«A todos os que combateram - mortos ou vivos - e sofreram o horrível inferno das trincheiras e, ainda, aos que no cativeiro morreram ou passaram as horas mais cruciantes para a sua alma de portugueses».
Manuel de Guimarães"

"Naquele raid, a ferro e fogo, a luta
Semelha o crepitar de mil geenas!
Por sôbre o 20 cai a força-bruta
Inundando de espuma e sangue as cênas!

O 20 não recua! Audaz, disputa
A trincha, palmo a palmo! Um brado, apenas,
Um grito de comando, em ânsia escuta,
E a luta de leões é contra hienas!

Há mortos! E o sangue espdaneja
 Nas pontas das baionetas! A peleja
É incitada, agora, por feridos:

- Soldados, para a frente, não temais!
E num arranco heróico os alemãis
São pelos portuguezes repelidos!"

(12 de Março de 1918)

Poesias: - 9 de Abril de 1918. - Mortos da Grande Guerra. - A Ronda dos Espectros. - Mortos da Grande Guerra! - Mortos da Grande Guerra. - 12 de Março de 1918. - A Cruz dos Serranos.
A Grande Guerra : 1914-1918: - Verdun. - Aos homens de Portugal. - Às Mãis Portuguezas. - Para os serranos das trincheiras. - Quem parte leva saüdades. - Bemdita dor. - A paixão dum cego. - O Soldado Desconhecido.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
Indisponível

08 abril, 2018

ANUÁRIO RADIOFÓNICO PORTUGUÊS : 1936. Organizado por João de Moraes Palmeiro (Chefe da Redacção de Radio Semanal). Com a assistência técnica de Manuel Antunes (Redactor técnico de Radio Semanal e técnico da Emissora Nacional). Lisboa, Edição de «Radio Semanal» : Suplemento de «O Jornal do Comércio e das Colónias», 1936. In-8.º (18,5cm) de 304 p. ; il. ; [1] f. boletim assinatura ; B.
1.ª edição.
Importante anuário sobre o panorama radiofónico nacional. Trata-se do volume I, de um total de três que se terão publicado até 1938.
Ilustrado com publicidade da época.
Valorizado pela dedicatória autógrafa de Morais Palmeiro a Acúrcio Pereira, conhecido jornalista e pai do actor Óscar Acúrcio.
"A ideia que presidiu à organização e publicação do Anuário Radiofónico Português para 1936, é uma natural resultante da acção desenvolvida durante mais de um ano pelo suplemento do diário mais antigo do país: «Rádio-Semanal».
Como através de muitas dezenas de números «Rádio-Semanal» o tem provado em absoluto, a iniciativa de «O Jornal do Comércio e Colónias» em dotar o meio português com um semanário de carácter radiofónico que servisse aos radiófilos e ao público em geral como seguro guia e orientador em face das dezenas e dezenas de emissões radiofónicas nacionais e estrangeiras que diàriamente se realizam, foi coroada de êxito e tem-lhe merecido por parte de todos os seus leitores, das entidades interessadas e até mesmo dos Poderes Constituídos a mais larga, carinhosa e lisonjeira aceitação. [...]
Ocorreu-nos por isso a ideia de juntar num volume de formato prático, todos os assuntos que mais vulgarmente interessam os rádio-ouvintes, formando, por assim dizer, um útil complemento a «Rádio-Semanal». O «Anuário» destina-se aos trezentos e sessenta e cinco dias do ano que acaba de entrar e, em conjunto com cada número de «Rádio-Semanal» deve formar um guia certo, oportuno e prático."
(Excerto do preâmbulo)
E
xemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

06 abril, 2018

O MODO DE RESUSCITAR OS MORTOS. Conto persiano. Lisboa, Na Typografia Rollandiana. 1819. Com Licença da Meza do Dezembargo do Paço. Vende-se em Casa do Editor F. B. O. de M. Mechas, no Largo do Caes de Sodré, N. 3 A. In-8.º (15cm) de 24 p. ; B.
Curioso conto oriental(?) em prosa pré-romântica de autor indefinido. Elaborado sem grandes cuidados literários, ao gosto da época, é no entanto muito mais do que um "pequeno conto"; com subtileza, foi convertido num interessante ensaio filosófico sobre a felicidade.
"Feridoun, Rei da Persia, tinha visto expirar entre seus braços a bella Irandocte; e tal era o seu extremado amor, que aborrecendo a vida queria acompanhar na sepultura esta esposa terna, e virtuosa. Já eraõ passados tres dias, e tres noites; e sem comer, nem dormir, encantoado, sómente o cortejava a sua desesperaçaõ. Já a este tempo a morte se preparava para descarregar a fatal foice sobre esta nova victima; quando eis-que hum Filosofo Indiano, que o Monarcha honrava com a sua confiança, de repente entra neste retiro lugubre, e lhe diz: Rei dos Reis, dignai-vos escutar-me hum momento. Naõ venho de modo algum irritar a vossa dôr por meio de consolações frivolas: só venho annunciar-vos a tornada proxima do bem, por que suspirais. Dentro em pouco tempo, naõ duvideis do que vos digo, dentro em pouco tempo a mesma Rainha enxugará as lagrimas, que vos fez derramar. Viverá, e fará tambem a vossa felicidade, e a nossa... Vejo o espanto, em que vos põe este discurso; porém sabei, Senhor, que acabo de descobrir nos escriptos de hum antigo sábio o modo de ressuscitar a amavel Irandocte; modo sem dúvida seguro, e que parece taõ simples, como facil."
(Excerto da 1.ª parte da obra)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Por deficiente trabalho da tipografia, as páginas 21-24 estão entre a página 16 e 17.
Raro.
Indisponível

05 abril, 2018

GUIMARÃES, Luiz d'Oliveira - ARTE DE JULGAR. [S.l.], [s.n. - Composto e Impresso: Editora Gráfica Portuguesa, Limitada, Lisboa], 1937. In-8.º (16cm) de 110, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso livrinho sobre a Justiça, polvilhado de humor e fina ironia.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Manuel Rodrigues (1889-1946), Ministro da Justiça na época, mais tarde "remodelado" por Salazar (1940), devido à publicação no jornal O Século, em 1938, de um texto a que deu o título “O homem que passou”, onde indirectamente criticava o ditador pela sua eternização no poder.
"Julgar é uma ciência, dizem muitos. Engano, suponho eu. Julgar é uma arte - que pode comparar-se à escultura. O espírito do magistrado que julga deve sêr um pouco como o do artista que esculpe. Julgar é afinal esculpir; mas enquanto o escultor pode arrancar à efémera imortalidade da pedra ou do bronze as creações da sua fantazia fulgurante, ao juiz cabe apenas a missão de esculpir na fragilidade eterna da consciência humana a mais difícil de todas as estátuas, que é da Verdade resplandescente, - e se a obra do primeiro vive, em grande parte da beleza, a do segundo tem de viver exclusivamente da virtude."
(A Justiça, Arte de julgar)
"Os antigos magistrados fungavam rapé. O rapé, porém, passou de moda. Os magistrados, hoje, não cheiram - mas quási todos fumam. Um ou outro fuma charuto; a maioria fuma cigarro, desde o cigarro bout doré elegante e subtil como um perfume até ao cigarro amarelo e escanzelado como um palito de dentes. Nada se opõe, e, pelo contrário, tudo aconselha que os magistrados fumem. Um cigarro vale um tratado de filosofia: que melhor expressão para os sentimentos humanos do que o fumo que dêle sobe - e que melhor imagem para a nossa vida do que a cinza que dêle cai?"
(Os magistrados, Magistrados que fumam)
Índice:
- A Justiça. - Os magistrados. - O juiz, em especial. - O Ministério Público. - O advogados. - O réu. - A Justiça sorridente.
Luís de Abreu Alarcão de Oliveira Guimarães (1900-1998). “Magistrado, escritor, dramaturgo, jornalista e, acima de tudo, humorista, Luís de Oliveira Guimarães acompanhou um século, particularmente conturbado, retratando-o com espírito cintilante. Amante da ruralidade portuguesa e frequentador assíduo dos bastidores intelectuais dos centros urbanos, privou com os vultos mais marcantes dessa época e soube traduzir, nas suas inúmeras crónicas, conferências e livros, quer a singeleza da cultura tradicional portuguesa, quer o fino espírito dos intelectuais do seu tempo."
(Fonte: http://humorgrafe.blogspot.pt/2008/12/luis-doliveira-guimares-exposio-bio.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.

Raro.
Indisponível

04 abril, 2018

MARTIN, Rudolpho - A GUERRA AÉREA. De Berlim a Bagdad. Traducção do Capitão Moraes Rosa. Lisboa, Typographia de «A Editora», 1912. In-8.º (18,5cm) de 234, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica; premonitório, antecipa a guerra do futuro à escala mundial, propondo a conquista dos céus como factor decisivo para o desequilíbrio da contenda. Sobre a obra, não foi possível apurar qualquer informação bio-bibliográfica, mesmo em alemão, pelo que, é de considerar a hipótese do verdadeiro autor ser o Cap. Morais Rosa, o "tradutor".
"O livro que vae lêr-se é uma interessantissima phantasia alleman, em que o seu auctor - dispondo de uma imaginação digna de Julio Verne - e baseando-se nos assombrosos progressos da conquista dos ares, nos mostra o que será a guerra do futuro, quando os poderosos apparelhos da aéronavegação tenham definitivamente alcançado o seu completo exito. É incontestavel que a politica mundial soffrerá uma profunda modificação, quando o homem conseguir dominar em absoluto os ares como já domina os oceanos. Nêsse momento, a phantasia do auctor terá, certamente, alguns pontos verosimeis e realisaveis.
Por agora, o equilibrio europeu em nada será alterado com a publicação dêste livro, que tem tanto de interessante como de inoffensivo."
(Prefácio do tradutor)
"No primeiro dia de Janeiro de 1914, segundo o costume annual, realisou-se no palacio de Berlim a reunião dos generaes e dos almirantes vindos para apresentar ao imperador as suas felicitações pelo novo anno. Tambem, segundo o habito, a cordeal allocução do imperador aos seus officies generaes não deixou de entrar nos dominios da politica, abordando, desta vez, uma questão importante para a sua dynastia, para o Estado prussiano e para a nacionalidade alleman.
Eis o texto do seu discurso:
«Expresso-vos todo o meu reconhecimento pelos progressos reaes verificados em cada corpo do exercito, como em cada esquadra, e bem assim no dominio da navegação aérea, esse recente meio de guerra, da nossa potencia militar. Graças aos successivos aperfeiçoamentos, a navegação aérea toma, de dia para dia, um maior incremento. Pode desde já assegurar-se que ella não tardará a modificar em muitas coisas as condições de vida social dos povos; mas, durante algumas décadas ainda, a sua principal esphera de acção será no dominio militar. [...]
Encarreguei o meu chanceller de pedir ao Rheichstag o voto de um crédito extraordinario de um bilião de marcos para a nossa esquadra aérea. Trinta mil machinas voadoras extra-rápidas servirão para o transporte de trinta mil homens de infantaria; porque, no estado actual da sciencia aéronautica, não parece que os aéroestatos propriamente ditos possam antes de muito tempo attingir a velocidade das machinas mais pesadas do que o ar. Demais, Krupp está encarregado de construir mil machinas para a artilharia voadora. De maneira que, com o auxilio de quatrocentos trens-transporte do modelo Zeppelin, que estão em vias de acabamento, eu posso em uma noite - da meia noite ás três horas - despejar quatrocentos mil homens sobre a Inglaterra»."
(Excerto do Cap. I, O futuro da Allemanha reside nos ares)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€

03 abril, 2018

A IGREJA DE PAÇO DE SOUSA - BOLETIM DA DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS. N.º 17 : Setembro de 1939. [Lisboa, Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais : Ministério das Obras Públicas e Comunicações, 1939. In-4.º (25,5cm) de 28, [52] p. il. ; [2] desd. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre a igreja de Paço de Sousa, porventura a mais completa que sobre este templo se publicou, e que integra a apreciada colecção "Boletim" da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1935-1990).
Ilustrada no texto com bonitos desenhos e em separado com 61 figuras impressas sobre papel couché - distribuídas por 52 páginas -, duas delas desdobráveis.
"Nos últimos anos do século IX, quando D. Afonso III, rei de Oviedo, firme no propósito de continuar a obra de seu pai e avós, acometia com vária fortuna as hordas agarenas que desesperadamente se opunham ao avanço dos cristãos para o sul da Península, um aventureiro de boa estirpe, o moço Arnulfo, terceiro filho de Gui, duque de Espoleto, e da famosa Agiltrudes de Benavente, transpôs os Pirinéus, atravessou a Biscaia pacificada e apresentou-se no arraial do sucessor de Pelágio, para combater sob a sua signa à frente dos amigos e homens de armas que consigo trouxera. Bem acolhido pelo monarca e cioso de honrar as tradições herdadas de pai e mãi, o voluntário expatriado logo se distinguiu entre os que mais bravamente procuravam exterminar a gente eslamita. Em tôdas as batalhas ou simples fossados, e sobretudo nas encarniçadas pelejas que antecederam a tomada de Lamego, Viseu e Coimbra, sempre os seus feitos de armas confirmaram sem nenhum desar, tanto no campo cristão como no sarraceno, a fama de valor que de além-fronteiras o acompanhara.
Para prender definitivamente ao seu reino um cavaleiro de tamanho esfôrço, D. Afonso III, depois de premiar com generosas doações os serviços que êle lhe prestara, decidiu casá-lo com uma das mais pretendidas donas da sua côrte, a nobre Ermezenda Eriz, filha do Conde de Lugo. Sustituídos assim, por novos e quási indestrutíveis laços, os laços que de longe o atraíam, o filho do Duque de Espoleto fixou-se para sempre nos limites do primeiro reino cristão da Espanha - e foi, pelo crescimento e lustre da sua descendência, um dos cinco mais famosos genearcas da Nobreza de Portugal. Entre linhagistas é conhecido pelo nome de D. Arnaldo de Baião. [...]
Do mais vélho de seus filhos - Goido ou Gui, como o avô - nasceu no segundo quartel do século X, com honras de primogénito, outro varão que entrou na história da família com o nome de Trocosendo Guedas. Êste, depois de haver pelejado contra os sarracenos durante a vida inteira, como os seus maiores, não se descuidou (também como êles) de carear a misericórdia divina com uma grande fundação pia, quando o pêso dos anos o inclinou para a sombra do túmulo. A liberalidade com que realizou êsse desígnio se deve o mosteiro beneditino de Paço de Sousa, edificado quási ao mesmo tempo em que Sueiro Guedas, também filho de Goido, fundava perto de Barcelos, movido por idêntico receio, outra casa monástica igualmente destinada aos religiosos de S. Bento.
A construção do mosteiro de Paço de Sousa, que se diz iniciada em 998, estaria já concluída quando Trocosendo Guedas faleceu? Ignora-se. É lícito supor, entretanto, que os beneditinos se estabeleceram ali durante os últimos anos de vida do fundador e que algumas obras de maior vulto foram depois empreendidas por seus descendentes ou sucessores imediatos, para remate, senão amplificação, dos primitivos."
(Excerto de A igreja de Paço de Sousa (notícia histórica))
Matérias:
A igreja de Paço de Sousa (notícia histórica). A igreja de Paço de Sousa: I - Antes da restauração. II - A restauração. Estampas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 abril, 2018

NOGUEIRA, José - A ACÇÃO D'UM REVOLUCIONARIO. Na Revolução para a Republica e a defeza do Quartel dos Marinheiros. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso em A Polycommercial, Lisboa], 1911. In-8.º (21,5cm) de 8 p.
1.ª edição.
Relato de um carbonário, interveniente directo nos acontecimentos que conduziram à instauração da República, tendo feito parte da pequena guarnição que defendeu o Quartel de Alcântara. Trata-se da narrativa de José Nogueira, comerciante, que, com um grupo de civis assaltou o quartel de marinheiros em Alcântara, na noite de 3 para 4 de Outubro de 1910.
Folheto publicado pouco tempo após os referidos acontecimentos. Contém referências aos grupos carbonários "Andrade" e "Franklin Lamas".
"Desde longos annos que sou republicano e feito bastante propaganda a favor da causa da Republica. Sacrificando os meus interesses no meu meio de vida, commerciante, cheguei mesmo a dar muitas vezes alguns dissabores a minha familia.
Para a revolta de 28 de Janeiro estava prompto, e não só expuz a minha vida como toda a actividade e a minha propria familia, pois que fui convidado para ceder a minha casa para se fazer d'ella uma «praça de guerra» tendo que desalojar a minha familia que se foi abrigar aonde foram passar um mau bocado. D'ahi a pouco encontravam-se em minha casa um grupo de vinte e tantos paisanos, devidamente armados e municiados com armas diversas não faltando as bombas de dinamite."
(Excerto do texto)
Exemplar em bom estado de conservação. Pelo interesse e raridade a justificar encadernação.
Muito raro.
Com grande interesse histórico.
Peça de colecção.
Sem registo na BNP, ou em qualquer outra fonte bibliográfica.
Indisponível

01 abril, 2018

PROCLAMAÇÃO. O Marechal General Lord Wellington.
[S.l.], Na Impressão Regia, [1810]. In-fólio (31cm) de [1] f.
1.ª edição.
Importante peça da Guerra Peninsular. Datada de 1 de Agosto de 1810, esta proclamação é um sério aviso (e
uma promessa de punição) aos mensageiros que, a mando do Estado Maior francês, distribuíam a correspondência pelo inimigo.
"Tendo chegado ao meu conhecimento que algumas pessoas são mandadas pelo inimigo ao interior do Reino, com cartas, e mensagens para differentes Individuos, Cidades, e Villas; todas estas pessoas deverão ser logo apprehendidas como criminosas, e remetidas com as cartas, de que se acharem encarregadas, ao meu Quartel-General."
(Excerto da Proclamação)
Arthur Colley Wellesley (1769-1852). Natural de Dublin (Irlanda), 1.º Duque de Wellington - Comandante-em-Chefe dos exécitos britânicos, portugueses e espanhóis na Guerra Peninsular -, combateu os marechais de Napoleão durante as Invasões Francesas. Além de prestigiado militar fez carreira política, ocupando o cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido em duas ocasiões.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
35€