22 setembro, 2018

LEITÃO, António - INSTRUÇÃO CÍVICA. [Por]... Professor da Escola Normal de Coimbra. Porto, Livraria Chardron de Lélo &Irmão, editores, 1917. In-8.º (18,5cm) de 45, [3] p. ; il. ; E.
Curiosa "cartilha" republicana.
"O homem civilizado não pode dispensar o auxílio dos seus similhantes.
Sòzinho êle não consegue cultivar a terra que lhe dá o pão, tecer o pano que o há-de vestir, construir a casa onde se há-de abrigar, e produzir tudo o mais, que são imensas coisas, absolutamente indispensável à sua vida.
Faz o que pode, na arte, profissão ou indústria a que se dedicou; mas vai ter com os outros, para que lhe dêem aquilo que não é capaz de produzir e lhe falta, dispondo por sua vez a favor dêles do que o seu trabalho dá e êles tambêm precisam."
(Excerto do Cap. I, O Estado)
Ilustrada no texto com desenhos e fotogravuras, algumas delas em página inteira, e com a reprodução fotográfica do busto da República de Simões de Almeida.
Matérias: I - O Estado. II - Os poderes do Estado: 1.º Poder legislativo; 2.º Poder executivo; 3.º Poder judicial. III - Organização Administrativa: 1.º Divisão administrativa; 2.º Delegados do poder central. IV - A Defesa Nacional: a) A armada; b) O exército metropolitano; c) O exército colonial. V - Deveres e Direitos do Cidadão: 1.º Deveres cívicos; 2.º Direitos do cidadão.
Encadernação editorial cartonada com desenhos a negro na capa anterior e o retrato de Bernardino Machado na capa posterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

21 setembro, 2018

BRITO, Casimiro de - POESIA 61. Canto adolescente. Faro, Composto e Impresso na Tip. Cácima, 1961. In-8.º (21 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética publicada na apreciada colecção Poesia 61, constituída por 5 plaquettes de outros tantos autores.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido ensaísta Luís Francisco Rebello.
"Canto as raízes do silêncio: o mar a sua génese. O fundo do mar é um seio dissolvido onde sou uma pedra em flor. Tenho os olhos abertos debaixo de água e falo aos corais que desabrocham na sombra. Incido em mim. Sou, neste momento de cinza, a medida mais sensível de mim mesmo. Respiro.me amplamente."
(Texto 1)
Casimiro de Brito (n. 1938). "Poeta, romancista, contista e ensaísta, nasceu no Algarve, em 1938. Esteve ligado ao movimento Poesia 61, [de que foi seu mentor]. O seu primeiro livro surgiu em 1957 (Poemas da Solidão Imperfeita) e, desde então, publicou 38 títulos. Dirigiu várias revistas literárias: Cadernos do Meio-dia; Cadernos Outubro e Loreto 13. Actualmente é co-director da revista luso-brasileira de poesia Columba, responsável pela colaboração portuguesa na revista internacional Serta, e director da colecção Grito Claro."
(Fonte: https://www.assirio.pt/autor/casimiro-de-brito)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta pequenas manchas dispersas pelo texto.
Raro.
35€

19 setembro, 2018

ALVES Junior, José Ribeiro - O MAGNETISMO, O HYPNOTISMO E A SUGESTÃO NA TERAPEUTICA E NA CRIMINOLOGIA. Estudos de investigação scientifica. Apresentados á Academia de Sciencias de Portugal. Discutidos e aprovados na sessão de 2 de Dezembro de 1920. Prefácio de Ex.ᵐᵒ Sr. Dr. Julio de Bettencourt Ferreira. Lisboa, Portugal-Brasil Limitada, 1921. In-8.º (18 cm) de 88 p. ; B.
1.ª edição.
"Os estudos de hypnologia não contam entre nós uma literatura abundante, longe disso, para que deixe de se notar o aparecimento de alguma produção sobre o assunto, seja sobre a filosofia, que leve o autor á teorização imaginativa, hipotese sobre hipotese, conjectura a conjectura, seja sobre a feição pratica, que se traduz nos multiplos casos de experiencia e aplicação. [...]
Convidados a escrever sobre o seu apreço e interesse scientificos, no intuito de autorizar a sua publicação, em breves palavras o fizemos, como hoje, salientando o esforço de não vulgar erudição do autor e o método com que dispõe as suas considerações e aproveita os conhecimentos teoricos e praticos sobre a materia tantas vezes debatida nos circuitos scientificos mais notaveis e até com calor discutida, onde as questões interessantissimas que ela suscita tomam maior incremento.
Assim foi que noutros tempos se poz em duvida a legitimidade de privar alguem, ainda que momentaneamente, de liberdade moral, para lhes impor (sugerir) uma ideia, um acto, antes de se reconhecer que o hypnotismo repousa em uma serie de fenómenos naturais. Contrapunha-se a este conhecimento essencial a confusão com a magia e os sortilegios. Hoje poré, que a nuvem dos preconceitos se desfez deante do sopro vigoroso do positivismo, não só é permitido o emprego do hypnotismo pela sciencia, mas até pela religião. Sai de uma fase de tentativa, de duvida e de controversia, para se formar um método, um processo de investigação, de analise psiquica e de cura."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Consagração. Dedicatoria. Prefacio. Introdução.
Primeira Parte: O Magnetismo, o Hypnotismo e a Sugestão. Um pouco de historia. Desvendando o misterio. Causas e efeitos. Não existe o magnetismo? Contradições. Algumas observações criticas.
Segunda Parte: A Sugestão e a Auto-sugestão na Medicina. Sua pratica como meio terapeutico. Critica. Utilidade na creação d'uma cadeira especial de Magnetismo animal, Hypnotismo e Sugestão nas Faculdades de Medicina de Portugal.
Terceira Parte: As sciencias fisico-experimentaes na criminologia. Seus beneficios. Fraudes a prevenir. Legislação. Critica.
Bibliografia. Referencias. Indice.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada apresenta restauros com fita translúcida.
Raro.
Indisponível
COMISSÃO DOS PADRÕES DA GRANDE GUERRA. Relatório de 1935 e parecer acêrca da sucessão na guarda do «Museu das Oferendas». Lisboa, Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, 1936. In-8.º (18cm) de 31, [1] p. ; [1] tabela desd. ; B.
1.ª edição.
Relatório da Comissão dos Padrões da Grande Guerra relativo ao ano de 1935. Este foi o último, e precedeu o Relatório Geral que viria a dar por concluído o trabalho da Comissão.
Com uma folha desdobrável extratexto.
"Em cumprimento do artigo 18.º dos nossos Estatutos, a Comissão Executiva dos Padrões da Grande Guerra entrega a V. Ex.ª Sr. General Norton de Matos, como eminente Presidente na nossa Comissão Central, o relatório da gerência do ano de 1935.
Relatório muito breve, visto que, prestes a concluirmos a nossa obra, já preparamos e submeteremos à apreciação da Comissão Central, na ocasião em que fôr discutido êste relatório, nos termos do artigo 10.º dos Estatutos, o plano do Relatório Geral da Comissão, no qual daremos conta do nosso mandato, e nos dissolveremos em observância das disposições estatutárias, que nos regem, e com o qual a Obra dos Padrões da Grande Guerra finalizará sua patriótica missão, publicando o resultado da sua taréfa.
A ano de 1935 foi, pois, um ano de realizações. Com inteira satisfação a vossa Comissão Executiva regista êste facto e cumpre-lhe salientá-lo, pois que tal èxito foi devido ao esfôrço persistente e cheio de entusiásmo, com o apoio decidido e patriótico dos Srs. Governadores Gerais de Angola e de Moçambique, das nossas Comissões Executivas locais, de Luanda e de Lourenço Marques, a que presidiram, dando aos trabalhos finais, valioso e tenaz impulso, os nossos camaradas Ex.mos Srs. Major Raul Rato, em Luanda, e Capitão de Mar e Guerra José Valentim Pedroso de Lima, em Lourenço Marques.
Assim como êsse prestimosos auxílio foi possível fazer a entrega, em 15 de Setembro, à cidade de Luanda e, em 11 de Novembro, à cidade de Lourenço Marques, dos monumentos dos Padrões da Grande Guerra, que nas duas Capitais se erguem por nossa iniciativa, exaltando o esfôrço da intervenção militar de Portugal na Grande Guerra e glorificando os nossos camaradas mortos nos campos de batalha de Angola, de Moçambique, de França e do Atlântico - mare mostrum."
(Excerto do Relatório)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

18 setembro, 2018

CARVALHO, Licinio F. C. de - OS DOUS PROSCRIPTOS OU O JUGO DE CASTELLA. Drama historico em cinco actos e seis quadros. Por... Porto, Typ. de J. L. de Sousa, 1850. In-8.º (20cm) de [2], 174, [2] p. ; [4] f. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada em separado com quatro estampas - o retrato do autor, e três cenas históricas.
"Esta peça teve várias edições e, segundo Jorge de Faria, "até há pouco, notavelmente adulterada, se exibia em palcos brasileiros no primeiro de Dezembro".
À casa do Duque de Bragança chegaram alguns proscritos, há muito afastados da pátria, mas que agora tencionam ajudar a libertar da ocupação filipina. Aqui se encontram 40 fidalgos que, depois de debaterem a situação, combinam levar a cabo, no dia 1.º de Dezembro, uma conjuração.
Um desses proscritos, D. Álvaro de Abranches, fora levado pela Inquisição a professar, depois de o fazerem acreditar que a sua amada, D. Maria de Vilhena, tinha morrido. Pretende agora que Roma anule os seus votos para poder desposar Maria, no que sofre a rivalidade de um castelhano, La Puebla. Este conflito de interesses vai fazer despoletar inúmeras peripécias, verosímeis apenas neste real construído, acabando La Puebla por morrer, permitindo, finalmente, que Álvaro e Maria gozem o seu amor, num Portugal agora já liberto do jugo castelhano."

(Fonte: http://ww3.fl.ul.pt/biblioteca/biblioteca_digital/publicacoes/th/obras/ULFLOM02470/ULFLOM02470_item1/index.html)
Licínio Fausto Cardoso de Carvalho (1827-1854). "Foi engenheiro nas obras públicas do Porto. Na contenda civil de 1846-47 serviu como oficial no corpo de "Fuzileiros da Liberdade" sob ordens da Junta do Porto. Publicou dois volumes de teatro. O primeiro, de 1850, inclui o drama histórico Os dois proscritos ou O jugo de Castela, a que depois no Brasil, [em 1854], deram o nome de Dois proscritos ou a restauração de Portugal em 1640, e que foi representado com imenso êxito. O segundo volume, publicado em 1854, inclui o drama heróico O Rajah de Bounsoló, precedido de um estudo intitulado "História da origem da arte dramática".
(Fonte: http://ww3.fl.ul.pt/biblioteca/biblioteca_digital/publicacoes/th/html/carvalho-licinio.html, com correcções)
Encadernaçãop simples em meia de pele. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado, fendido junto à lombada. Páginas apresentam, aqui e ali, manchas de oxidação.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar registado no seu acervo.
25€

17 setembro, 2018

PERDIGÃO, Álvaro Gaspar - SENHORES D"O SETUBALENSE": EU NÃO SOU VANGUARDISTA, SOU ÁLVARO GASPAR PERDIGÃO! Visado pela Comissão de Censura. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia "Sado", Setúbal], [1933]. In-8.º (21x15 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo. Trata-se de uma polémica entre o autor e o jornal O Setubalense sobre a prática do nudismo e a repressão policial a esta. O presente folheto reproduz a troca de correspondência e os comentários do autor sobre o assunto.
Em termos bibliográficos, esta será porventura uma das primeiras obras que sobre esta temática se publicaram entre nós.
 "O primeiro registo histórico da prática do naturismo em Portugal terá ocorrido na década de 1920, estando associado à Sociedade Naturista Portuguesa. Nessa altura praticava-se já em Portugal a nudez em certas praias fluviais do interior (sem estruturas de apoio) e nas praias da Costa da Caparica. Com a implantação do regime ditatorial do Estado Novo [1933], os movimentos naturistas foram impedidos da prática da nudez coletiva. A nudez pública era proibida e associada ao crime de "atentado ao pudor". Só depois do 25 de Abril foram retomadas ou reinstituídas as instituições ligadas ao naturismo."
(Fonte: wikipédia)
"Já todos mais ou menos teem conhecimento de que pela autoridade foram adotadas medidas severas para reprimir o abuso do semi-nudismo nas praias de banho, e do nudismo nos recintos fechados.
Tão a propósito veio esta lembrança das autoridades quanto é certo as praias portuguêsas estarem infestadas ou infectadas, por uma praga de individuos dos mais diferentes sexos, que, a pretexto da saúde e não sei que mais, não se envergonhavam de trazer para um lugar, que neste caso os outros animais respeitam melhor, todo o género de devassidão, de baixeza e e de infamia que praticam no caixote do lixo onde vivem - a cidade."
(Início do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas vincadas, sendo visível na capa frontal um corte sem importância, e uma pequena falha de papel no canto inferior direito.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

16 setembro, 2018

LIMA, Alfredo Pereira de - OS MILHÕES DE KRUGER. Com um prefácio do Dr. Alexandre Lobato. Lourenço Marques, [s.n. - Tip. Minerva Central, Lourenço Marques], 1963. In-4.º (23cm) de 78, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Investigação levada a cabo pelo autor sobre o tesouro de Paul Kruger. Os "Milhões de Kgruger" é um tesouro de ouro que terá sido escondido na África do Sul por, ou em nome do, presidente Paul Kruger (1825-1904), para evitar que fosse capturado pelos britânicos durante a guerra dos Boer (1899-1902). De acordo com o mito, cerca de dois milhões de libras em ouro e diamantes foram enterrados na área do rio Blyde, na província de Mpumalanga. O seu valor nos dias de hoje ronda os US $ 500.000.000.
Livro integralmente impresso em papel couché, muito ilustrado com fotogravuras a preto e branco no texto.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A razão que me levou a escrever este livro é simples. Nada ainda encontrei escrito na nossa língua sobre uma das mais apaixonantes histórias de tesouros em África - Os Milhões de Kruger.
Todas as fonte de informação são de origem inglesa ou sul-africana e falavam, até agora, apenas no Transval como palco do drama. [...]
Encontrei casualmente uma ligação de Moçambique com a história dos «Milhões de Kruger» e tanto bastou para que sobre o assunto me debruçasse.
Não sou caçador de tesouros, nem me move o intuito de poder vir a sê-lo um dia. O interesse histórico da questão é que me levou a ocupar-me dela e a apresentar ao leitor o resultado das minhas pesquisas. Tudo o que se vai ler é real, autêntico. Tudo isso aconteceu.
Apresento ainda como exemplo dos extremos a que pode chegar a ambição de enriquecer, essa de todas a mais ferina das paixões humanas. Já Eça dizia que onde aparece ouro, imediatamente os homens em redor se entreolham com rancor e levam as mãos às faca.
É ue não há histórias de tesouros em que não esteja envolvida essa louca ambição que a maior parte das vezes se suja com sangue e se afunda em lama.
Esta é uma delas.
"
(Excerto da introdução, Pórtico...)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo manchadas.
Raro.
20€

14 setembro, 2018

SERZEDELLO, Carlos - A MOEDA DA REPUBLICA. Por... Lisboa, 20 de Maio de 1911. PREÇO 5 CENTAVOS (meio tostão). Lisboa, Typographia A Publicidade, 1911. In-8.º (20,5cm) de 13, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo técnico e estético sobre o "escudo". O escudo português, cujo símbolo é o cifrão ($), foi uma moeda implementada por ocasião da proclamação da República, que veio substituir a anterior, designada por Réis.
Opúsculo dedicado pelo autor a José Relvas, conhecido político republicano, e uma das mais insignes figuras do regime.
Ilustrado com um quadro-resumo sobre a Moeda da República.
Livrinho valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Ex.mo Snr. José Ferreira Dias.
"É o povo o supremo da nação e, por isso, a ele me dirijo e aos denodados soldados de terra e mar que em 5 d'outubro evolucionarm e implantarm a Republica, bem como ao Governo provisorio, o primeiro, em toda a extensão da palavra, que, na continuação d'esta obra sublime, em poucos dias fez o que poderosas nações fizeram en annos, grangeando pelos seus trabalhos o respeito e a admiração e todo o mundo.
Cidadãos: Desculpem esta minha impertinencia, e peço licença para explicar este quadro, que é uma simples idéa que apresento como inspector quimico; vou dizer o que penso e o que sei da nova moeda da Republica. [...]
Cidadãos sobre a estética da moeda honra-me sobre maneira o voto de v. ex.as - no anverso, apresentará a efige da Republica, inspirada na Venus de Milo, sintese de feições ideais; porém, para lhe dar o cunho da formosura nacional teriamos de modelar-lhe a saliente rectilinidade da sua linha facial, conforme o perfil das nossas portuguezas d'Aquem e d'Alem mar, beijadas estas pelo sol da America, que lhes imprime subtilisando, o sentimento patrio - saudade - e no conjunto das suas graciosas feições a expressão de ternura e energia, humildade e altivez, amôr e abnegação."
(Excerto do texto)
Matérias:
- Extracto das conferencias feitas nas sédes dos Batalhões Voluntarios 4 de Outubro, Miguel Bombarda, Almirante Candido Reis e Centro Antonio José d'Almeida antes de ser decretada a nova lei da moeda; e «Omnia spont». - Quadro. - Unidade Monetaria. - Titulo ou toque. - Moedas de Nickel. - Moedas de prata. - Moedas de ouro. - Quadro-resumo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos marginais.
Raro.
Peça de colecção.
Sem registo na BNP.
Indisponível

13 setembro, 2018

LOUREIRO, Fernando Manuel Gomes de - LENDA DE D. BRANCA DE VILHENA. Reconstituição em verso de uma lenda beirã. [S.l.], [s.n. - Composição e impressão Tipografia Guerra, Viseu], 1959. In-8.º (22 cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Livro ilustrado com um bonito desenho no texto representando a figura de D. Branca e Satanás.
"Escrever, em verso ou em prosa sobre as coisas do passado é tarefa grata, porém espinhosa, quando essas coisas têm raízes históricas; a lenda de D. Branca está no caso das que são espinhosas, porque se opõe ao trabalho do poeta, a conduta do historiador."
(Excerto do preâmbulo)
"A vida de D. Branca é toda ela um enigma, e sobre quem foi, há opiniões mais dispares, que imaginar se possa. Dizem biógrafos que seu apelido era Silveira, outros Vilhena, mas no que todos eles concordam é que era filha dos Condes de Sortelha."
(Excerto das Notas)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

12 setembro, 2018

PAIVA, Manoel Joseph de - INFERMIDADES // DA // LINGUA, // E ARTE QUE A ENSINA // a emmudecer para melhorar: // AUTHOR // SYLVESTRE // SILVERIO DA SILVEIRA E SILVA. // INVOCA-SE // A PROTECÇAM DO GLORIOSO S.ᵀᴼ ANTONIO // DE LISBOA // Por MANOEL JOSEPH DE PAIVA. // LISBOA: M. DCC. LIX. [1759] // Na Of. de MANOEL ANTONIO MONTEIRO. // Com todas as licenças necessarias // E á sua custa impresso. In-8.º de [12], 212 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada na primeira folha preliminar com uma gravura em madeira que representa Santo António.
Sobre a presente obra, com a devida vénia, reproduzimos um excerto do excelente trabalho de Telmo Verdelho, da Universidade de Aveiro, cujo link infra indicamos.
"Nos anos de 1759 e 1760 viveram-se em Portugal momentos de grande violência e até de crueldade no exercício do poder, de grandes rupturas, e, certamente, de uma grande dramatização da vida pública. É uma data histórica também para a língua portuguesa porque, com a expulsão dos Jesuítas, se aniquila a parte mais importante do suporte institucional do ensino, especialmente do ensino pré-universitário. […] Esta conjuntura suscitou grandes transformações e algumas decisivas e definitivas mudanças na política da língua, da sua escolarização e, finalmente, do seu percurso histórico. Uma das consequências mais importantes ressente-se sobretudo na dimensão do actual espaço lusófono e na unidade linguística do Brasil, que não pode deixar de se relacionar com a política planificadora do Marquês de Pombal. O estudo da língua portuguesa foi também objecto da reforma pombalina, decretou-se a escolarização da gramática e criou-se uma rede embrionária e centralizada de ensino público.
Na sequência destas transformações, embora não seja necessário estabelecer uma relação de causalidade, verifica-se um significativo incremento da reflexão metalinguística sobre o português, discute-se a norma linguística, institui-se a Academia das Ciências (1779) e alarga-se a produção linguisticográfica. o livrinho Infermidades da Lingua e arte que a ensina a emmudecer para melhorar, publicado por Manuel José de Paiva (de que se conhecem exemplares com datas diferentes, de 1759 ou de 1760, correspondentes, todavia, a uma única edição), integra-se com uma certa originalidade neste discurso metalinguístico. É uma obra rara, quase única, entre o espólio bibliográfico português, pelo menos no que respeita a obras publicadas.
A obra de Manuel José de Paiva oferece-se à leitura, antes de mais nada, como um texto literário, elaborado com grande investimento de arte, de recursos linguísticos e de presunção literária. É uma obra caracterizadamente barroca em que se intertextualiza a abundância retórica da oratória sacra, com especial destaque para a memória do P. António Vieira.
Por outro lado, correspondendo à indicação do próprio título, o texto Infermidades da Lingua propõe uma reflexão sobre a norma linguística e sobre a moralidade da língua, ou, melhor dito, sobre a língua como um comportamento susceptível de aferição moral. Estas duas vertentes, embora o autor as não tenha explicitado no plano do discurso, distinguem-se, de maneira muito óbvia, na estruturação do texto. A obra apresenta uma elaborada alegoria em que a língua assume a configuração de uma dolorida enferma que recebe um médico dedicado, sábio e bom entendedor que, numa série de oito visitas, a observa e lhe prescreve um adequado receituário. O texto divide-se assim, em oito sub-unidades, como se foram capítulos, correspondentes a cada uma das visitas. A doutrinação moral e a transgressão (a mentira, a verborreia, a murmuração, a detracção, a crítica injusta, etc.) ocupam a maior parte das visitas e correspondem a uma espécie de moralidade da língua. Diferente desta é o pronunciamento normativo que se encontra na visita sétima: nela o autor recolhe e ordena, pelas letras do alfabeto, um longo "corpus" lexical constituído por palavras e frases "impróprias", "indecentes" ou "indiscretas", acrescentando a recomendação de que o seu uso deve ser evitado. O discurso moralista parece ser predominante sobre o discurso normativo, mas o trabalho lexicográfico, consubstanciado no elenco recolhido de formas e frases a evitar, é tão quantioso que bem se pode equiparar às numerosas páginas da reflexão moral.
Manuel José de Paiva nasceu em Lisboa em 1706, formou-se em Direito, em Coimbra, e exerceu durante algum tempo a magistratura nas vilas de Odemira e de Avis, e depois a advocacia em Lisboa. Segundo a informação bibliográfica fornecida por Inocêncio (1. VI, 30 e 1. XVI, 244), escreveu, além das Infermidades, vários textos teatrais, comédias joco-sérias e obras moralistas. Do conjunto da sua obra parece poder delinear-se, a respeito de Manuel José de Paiva, um perfil de homem de letras moralista, amigo da tradição, com ideias generosas como a contestação da pena de morte, justamente quando ela era executada com requintes de escarmento público. As suas reflexões repercutem, de modo geral, o discurso do desengano e a literatura do apelo moral. Manifesta-se como um cavaleiro sozinho, sem nem sequer um Sancho Pança que o acompanhe e o distinga como herói e lhe conceda o estatuto de mestre. Ligado à ordem antiga, era já velho quando surgiu Pombal, não teria ânimo para assumir a renovação do pensamento e da arte literária que então se operava. Adopta um criptónimo singular - Silvério Silvestre Silveira da Silva -, que poderá ser entendido como uma alusão caricatural e crítica aos nomes poéticos dos árcades, os eruditos pastores do Monte Ménalo. Pela sua parte prefere a "imitação dos antigos poetas".
As Infermidades, sob o ponto de vista literário, são um exemplo excelente da literatura barroca, da literatura que termina o seu percurso durante o governo do Marquês de Pombal e que é substituída pelo Neo-classicismo, pela Arcádia (agremiação a que Manuel José de Paiva não pertenceu por incompatibilidade do seu credo poético e talvez, por falta de afinidade política). Em todo o caso tratase de um texto dotado de uma certa legibilidade, quer no respeitante à textura lexical, quer ainda na engenharia retórica em que predomina a acumulação, a enumeração e a simetria, tudo numa construção linear, com sóbrios encadeamentos, que se vão distanciando dos hipérbatos e dos artifícios da sintaxe latina. Oferece momentos de leitura agradável, com uma intertextualidade em que se repercute toda a enciclopédia da época, e muitos símiles de sabor antigo como o da comparação da língua com a espada.

Mas é sobretudo a riqueza do vocabulário e um especioso investimento retórico que fazem das Infermidades um texto merecedor de ser revisitado. Apresenta séries abundantes de sequências sinonímicas ou parassinonímicas e antonímicas."
(Fonte: https://ruc.udc.es/dspace/bitstream/handle/2183/2583/RGF-2-7.pdf?sequence=1&isAllowed=y)
Encadernação moderna em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pequenos picos de traça marginais.
Raro.
115€
Reservado

11 setembro, 2018

VEIGA-SIMÕES, Alberto da - A FUNÇÃO SOCIAL DO TEATRO. Tése de concurso para a 3.ª cadeira da Escola da Arte de Representar. Por... Lisboa, Typographia Mendonça, 1912. In-4.º (23 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante dissertação histórica sobre a função social do teatro, e a sua expressão artística. O autor - personagem fascinante, - hoje pouco conhecido, foi figura de relevo nos meios diplomáticos, políticos e culturais do Estado Novo.
"Isso que por aí anda apregoado em críticas e papeis, a propósito de cada obra, e que se chama - a função social do teatro, constitue um vasto logar comum digno de quem desconhece o conceito da obra de arte o ignora que o princípio artístico é fonte imanente no próprio organismo humano, e por isso mesmo, e só por isso, é social.
Em todo o caso, a enorme frase tem ganho fóros taes que será interessante destrinçar o que ella tem de lógico e de certo, - neste país em que o teatro é uma blague e a crítica teatral vive à custa duma coisa que não eziste.
Quando sobre uma fórma geral se formúla a interrogação da função social do teatro, surgem-nos naturalmente duas respostas em estremo diferentes. Uma atende ás conveniéncias imediatas duma obra teatral; a outra eleva-se ao horisonte mais vasto do conceito de obra de arte, e procura naturalmente seguir o conceito da obra de arte teatral atravez duma longa evolução que revestiu as maiores modalidades."
(Excerto da dissertação)
Alberto da Veiga Simões (Arganil, 1888 - Paris, 1954). "Intelectual e historiador, pertenceu à geração de António Sérgio (1883-1969) e Jaime Cortesão (1884-1960). Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, entrou, cedo, para a carreira diplomática. Entretanto, colaborou na imprensa, publicou os primeiros livros, incluindo poesia, memórias da vida estudantil coimbrã, teatro e os resultados dos primeiros passos dados na investigação histórica. Entre os últimos, destaca-se um estudo sobre as recentes tendências literárias, publicado em 1911 com o título “A nova geração: estudo sobre as tendências actuaes da literatura portuguesa”. A sua participação na revista “A Rajada” (1912), ao lado de Vergílio Correia e do muito jovem Almada Negreiros, revela também a sua ativa participação em movimentos literários e artísticos. [...] O seu prestígio como diplomata foi reconhecido politicamente, o que lhe valeu a pasta de ministro dos Negócios Estrangeiros (1921), durante a Primeira República, num governo que não foi além dos cinquenta e nove dias. [...] Em 1933, Veiga Simões foi nomeado ministro plenipotenciário em Berlim (Portugal não tinha na Alemanha representação ao nível de embaixada). Nos seus relatórios para Lisboa, passou a analisar a ascensão de Hitler. As políticas de expansão imperial alemãs, conforme escreveu de Berlim em abril 1938, assentavam no “primarismo confortável da doutrina nazista”, recorda Lina Madeira num outro livro, “Alberto da Veiga Simões: esboço biográfico”, de 2002. A sua oposição ao nazismo era, pois, inequívoca. Advertiu também que Portugal se deveria demarcar da Alemanha e optar por um alinhamento com a França e a Grã-Bretanha. A partir de 1938, a sua correspondência com o MNE revela um envolvimento direto na concessão de vistos a judeus que procuravam emigrar e fugir da política racista do Reich. Porém, não se sabe quantos vistos terão sido passados por sua iniciativa nem em que condições concretas. Em Lisboa, nos círculos do MNE e da PVDE, existiam interpretações diferentes acerca da mesma política de concessão dos vistos, a par de diferentes sensibilidades em relação à figura de Veiga Simões."
(Excerto de um notável artigo da autoria do historiador Diogo Ramada Curto, publicado no semanário Expresso (05.11.17). Consultar no link: http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-11-05-O-desconhecido-Veiga-Simoes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior direito.
Raro e muito curioso.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
20€

09 setembro, 2018

MACHADO, António de Sousa - A FORÇA SOCIOLÓGICA DA SAUDADE. Braga, [s.n. - Tip. Editorial Franciscana, Braga], 1970. In-8.º (21cm) de 37, [3] p. ; B. Separata dos n.os 53, 54 e 55 do «Boletim da Academia Portuguesa de Ex-Libris»
1.ª edição.
Na capa: O Desterrado, de Soares dos Reis.
Tiragem: 250 exemplares (informação BNP).
Interessante estudo sociológico sobre a "Saudade", sentimento abstracto tão português.
"É sabido que a arte de lidar com os homens é uma arte difícil; sendo a política a arte de organizar, manter e administrar a sociedade humana, é, lògicamente, ofício ingrato.
Mas não é só a arte de lidar com os homens que é difícil porque as próprias ciências que se originam no intercâmbio humano encontram por vezes graves dificuldades em precisar os seus conceitos. Vamos hoje considerar um deles qual seja o que está na base do aglomerando nacional fazendo algumas considerações sobre o vínculo que se estabelece entre os homens dando origem ao que se chama Nação. [...]
É um facto que a vida comum feita no passado, garante a coesão no presente e projecta-se no futuro, pelo que os homens conviventes sentem iguais necessidades que melhor se satisfazem pela solidariedade estabelecida. E, para nação, nenhuma outra definição se pode encontrar com melhor precisão que qualquer que se baseie na existência desse vínculo estabelecido por uma história comum. [...]
O conceito de nação está pois desligado da vinculação a uma terra, pelo que à nação portuguesa pertencem todos aqueles que deixaram a sua pátria e em terras estranhas trabalham, como os milhares de portugueses que povoam o Rio de Janeiro, S. Paulo ou outros núcleos de qualquer parte do mundo.
Acima de tudo, parece, pois, que uma base sentimental está na formação e manutenção dos agregados nacionais.
Qual ou quais serão esses sentimentos?
Estarão ainda por traduzir ou serem revelados?"
(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

08 setembro, 2018

HAECKEL, Ernesto - O PROBLEMA DO HOMEM E OS PRIMATAS DE LINNEU. Conferência realisada por Ernesto Haeckel, na Camara Municipal de Jena, em 17 de Junho de 1907. Traduzida do original alemão por João Maria Bravo. Lisboa, Imprensa Beleza, 1928. In-8.º (20,5cm) de 72 p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada no texto com quadros e desenhos esquemáticos e em separado com três estampas.
"Deu ocasião á conferencia de hoje o desejo que, por vezes, me foi manifestado, de que fosse discutido em público o «Problema do Homem», isto é: «a importantissima questão sobre o lugar que o homem ocupa na Natureza e a sua relação com o conjunto das cousas», segundo os meus conhecimentos técnicos em zoologia. [...]
Que significa a surpreendente semelhança exterior e completa homogeneidade interna existente entre o organismo humano e o daqueles animais, que lhe estão imediatamente próximos, os macacos antropomorfos (de forma humana)? Que significa, sôbre tudo, o lugar natural do homem na classe dos mamiferos?"
(Excerto da Conferência)
Ernst Heinrich Philipp August Haeckel (1834-1919). "Foi um biólogo, naturalista, filósofo, médico, professor e artista alemão que ajudou a popularizar o trabalho de Charles Darwin, e um dos grandes expoentes do cientificismo positivista. Descreveu e nomeou várias espécies novas e elaborou uma árvore genealógica que relaciona todas as formas de vida. As contribuições de Haeckel para a zoologia eram uma mistura de pesquisa e especulação; ampliou as ideias do seu mentor, Johannes Müller, argumentando que os estágios embrionários num animal recapitulam a história de sua evolução, e, portanto, a ontogenia é a recapitulação da filogenia. Foi médico e um artista versado em ilustração que se tornaria professor em anatomia comparada. Foi dos primeiros a considerar a psicologia como um ramo da fisiologia. Propôs alguns termos utilizados frequentemente como filo, ecologia, antropogenia, filogenia e Reino Protista em 1866."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas, com pequena falha de papel no canto inferior dto da capa frontal.
Raro.
15€

06 setembro, 2018

BROCHADO, Alfredo - O SANGUE DOS HEROIS. Amarante, Typ. «Flor do Tamega», 1921. In-4.º (23cm) de [8] p. (inc. capas)
1.ª edição.
Opúsculo poético composto por uma ode de homenagem ao Soldado Desconhecido, combatente na Grande Guerra, em França e África.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao escritor e expedicionário Augusto Casimiro.

"Meu heroi, meu heroi da Grande Guerra!
Bemdito seja o sangue teu vertido!
Que ungiu, frutificando a nossa terra!
Bemdito seja o heroi desconhecido!

E a nossa Pátria revolvendo a História,
Ergueu-se lá do fundo do Passado,
Para abraçar, num ímpeto de glória,
- D. Nuno Alvares Pereira da Vitória -
O corpo heroico e belo dum soldado!

O corpo de um soldado que é afinal,
O grito, a afirmação altissonante,
Que Portugal é ainda Portugal!
E não há-de morrer, porque é imortal
A alma de uma raça triunfante!

Por isso Portugal agradecido
Num cântico d'Amor alto e profundo,
Celebra o seu heroi desconhecido,
Que concorreu p'rá Paz de todo o Mundo!"

(Excerto da Ode)

Alfredo Monteiro Brochado (1897-1949). "Nasceu na freguesia de S. Gonçalo, Concelho de Amarante a 3 de Fevereiro de 1897. Obteve os seus estudos superiores, em Direito, pela Universidade de Coimbra. Desempenhou funções superioras no Tribunal da Relação de Lisboa. Na imprensa escrita, foi redactor da revista literária "Gazeta dos Caminhos de Ferro" e articulista no "O Primeiro de Janeiro", "Diário de Lisboa", "Diário Popular", "República", "Semana Portuguesa", "A Águia", "Ilustrações o Século Ilustrado" e na "Seara Nova". Como títulos literários refere-se, em 1921, O Sangue de Heróis, uma Ode, que foi escrita propositadamente para a Sessão de Homenagem ao Herói Desconhecido, em Amarante, sendo recitada pelo próprio, em 10 de Abril de 1921."
(Fonte: http://olhaioliriodocampo.blogspot.com/2014/05/mae-um-poema-de-alfredo-brochado.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, com defeitos marginais e pequena falha de papel no canto superior direito.
Raro.

Sem registo na BNP.
Peça de colecçção.
Indisponível

05 setembro, 2018

ABREU, Adelino de - SERRA DA ESTRELLA. Topographia. Viriatho. Ethnographia. Hydrographia. Estações pre-historicas. Crusta do terreno. Monographias locaes. Instantaneos da Serra. Por... Alumno do 5.º anno juridico, socio ordinario da Sociedade de Geographia de Lisboa e da Real Associação dos Archeologos Portuguezes da mesma cidade. Coimbra, Francisco França Amado - Editor : Antiga Livraria Orcel, 1895. In-8.º (20cm) de [8], 173, [5] p. ; [3] f. il. ; [1] mapa ; E.
1.ª edição.
Rara edição original desta apreciada monografia sobre a Serra da Estrela.
Ilustrada com três fotogravuras intercaladas no texto e um mapa desdobrável da Serra (26x32,5cm).
"Quando em agosto de 1892 visitámos pela primeira vez as altitudes da Serra da Estrella, resolvemos escrever este livro; para isso começámos de colher alguns apontamentos.
Tal foi a impressão assombrosa, que nos deixaram tão sublimas paisagens!
Careciamos, porém, de melhor conhecer a topographia da serra; uma só excursão não bastava para descrever conscienciosamente os sitios que visitámos.Continuaram nos annos subsequentes as nossas explorações pelas altitudes da cordilheira da Estrella. Só este anno damos a lume o resultado do nosso esforço, pois assim o permitiu a fadiga dos trabalhos universitarios e uma ou outra publicação congenere.
Certamente ficou muito por descrever. A secção ethnographica da serra é demasiadamente vasta, e n'estas condições se torna impossivel elaborar um trabalho completo; por isso escaparam, sem duvida, muitas curiosissimas lendas da tradição oral, que não chegaram ao nosso conhecimento.
Não vimos, portanto, apresentar um trabalho definitivo de critica historica ou de complata erudição bibliographica; o nosso fim é simplesmente vulgarisar o Herminius Mons como estancia aprasivel para os que se deliciam nas grandes altitudes e na contemplação dos vastissimos horisontes."
(Preâmbulo)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Página 1 apresenta pequeno restauro à cabeça.
Raro.
Indisponível

04 setembro, 2018

GALLO, Thomaz - FESTAS // DE SACAVEM, // EM OBSEQUIO DA SENHORA // S.ᵀᴬ ANNA. // Descripçaõ dellas em o terceiro dia. // Em que foraõ os Cavalleiros combatentes // FRANCISCO DE MATTOS, E JOZÉ ROQUETE. // Autor // THOMAZ GALLO, // Irmaõ gemeo de Thomáz Pinto, natural de Lisboa. // LISBOA: // Com as licenças necessarias. In-8.º (21 cm) de 19, [1] p.
1.ª edição.
Obra singular, jocosa, muitíssimo curiosa. Dedicada pelo autor aos que naõ foraõ ver as festas. Folheto publicado no século XVIII, sem data, e sem indicação da casa impressora.
"Bem sei, que ainda naõ chegou o tempo de dar-vos as boas festas; porém disvella-se o meu affecto em fazer-vos participantes de humas festas boas. Táes foraõ as de Sacavem nos tres dias de touros, de que vos dou parte, que ainda que nos dous primeiros naõ fuy testemunha de vista; porque me cegára o dezejo, e a necessidade, como fuy ver o terceiro, delle sou capaz de ser testemunha ainda que fuy do vento bem açoutado. Dizem alguns, que eu nos dous dias naõ fizera falta na praça; porém no terceiro he certo, que naõ se fizeraõ os touros sem mim. [...] Ha homens para pouco, e de qualquer occupaçaõ fazem hum impossivel; mas se era muito hir ver os touros na Praça de Sacavem, naõ lhe custarà muito velos no breve campo deste papel. Pois vos procuro curiosos, espero-vos amantes de noticias; as das gazetas vem todas as semanas, as de taes festas huma vez na vida, que no es la burla para dos vezes."
(Excerto da preâmbulo)
Exemplar desencadernado, por aparar, em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico para a Festa Brava e para a cidade de Sacavém.
Indisponível

03 setembro, 2018

QUINTANILHA, A. - A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA : discurso pronunciado na sua sessão inaugural. Coimbra, Edição da Universidade Livre, 1925. In-8.º (17,5cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original do discurso de Aurélio Quintanilha que assinalou oficialmente o início do projecto da Universidade Livre (1925-1933), "expondo os objectivos dêste estabelecimento de cultura e educação populares". Sobre este assunto, e com a devida vénia, reproduzimos excerto do post assinado por Octávio Sérgio publicado no blog "Guitarra de Coimbra".
"A Universidade Livre de Coimbra (ULC), fundada em 05 de Fevereiro de 1925 foi uma instituição de curta duração. À semelhança de outros projectos democratizantes, de inspiração republicana e orientação laica, a ULC viu-se condenada a curto prazo pela emergência do vigilante Estado Novo, regime que não estava disposto a tolerar a existência de projectos de instrução alheios à sua filosofia centralizadora. O modo como eram interpretados e expostos temas como a sexualidade ou a santidade não era de molde a agradar aos intelectuais da Igreja Católica.
Sem sede social própria, a ULC ficou instalada na Torre de Almedina (arquivo, reuniões, conferências, correspondência), recorrendo a espaços contíguos aos Paços do Conselho, Ateneu Comercial e Associação dos Artistas para realizar as palestras.
Na sessão inaugural, realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho estiveram presentes Bernardino Machado e o Vice-Reitor da UC Manuel Fernandes Costa. Bernardino Machado foi de opinião que a ULC era a legítima continuadora das experiências encetadas em 1897 no Instituto de Coimbra. O discurso inaugural coube a Aurélio Quintanilha que, fazendo jus aos valores republicanos, laicos e libertários, elogiou o operariado, a aproximação entre operários e intelectuais, o papel da instrução enquanto ferramenta de promoção das classes populares, o combate ao fanatismo e à ignorância."

(Fonte: https://guitarradecoimbra.blogspot.com/2007/02/o-estatuto-da-universidade-livre-de.html)
"Afirmar que o nosso povo, inculto e deseducado, carece de uma cuidada educação que venha a integrá-lo nas ideias e costumes do século, é, na verdade, afirmação tão repetida, ideia tão velha e sediça, que vos parecerá estranho, talvez, que venham repeti-la espíritos moços que buscam, por novas veredas, horizontes mais largos. E, todavia, nunca a necessidade de cuidar a sério dêste problema fundamental foi, como agora, tão imperiosa.
Parai um pouco no meio da tarefa absorvente de todos os dias e olhai por cima dêste mar de cabeças que à vossa volta formiga e tumultua. É porventura possível continuar assistindo de cabeça baixa e braços cruzados, numa passividade desonesta, numa indiferença criminosa, ao desencadear furioso das paixões, à luta de classes, encarniçada e cruel que se anuncia no horizonte por uma aurora de fogo e sangue?"
(Excerto do Discurso)
Aurélio Pereira da Silva Quintanilha GOL (Angra do Heroísmo, Santa Luzia, 1892 - Lisboa, 1987). "Professor universitário e cientista português. Foi um investigador de renome internacional nas áreas da genética, da biologia dos fungos e da cultura do algodoeiro. Desde cedo opositor ao regime do Estado Novo, foi obrigado a exilar-se, tendo vivido em França e depois em Moçambique, onde durante quase duas décadas se dedicou à investigação da cultura do algodão. Foi sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e grande-oficial da Ordem da Liberdade."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

02 setembro, 2018

CARDIA, Dr.ª Amélia - PECADORA : romance psicológico. Lisboa, Casa Editora Gonçalves, 1934. In-8.º (18cm) de X, 269, [1] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com um retrato da autora a sépia em separado.
"Para te contentar, meu querido Pedro, darei finalmente a público, já que tanto mo tens pedido, o meu romance «Pedacora», atirado para o fundo da minha gaveta de inéditos, no propósito deliberado de nunca o deixar ver a luz.
Concebido numa época de pretensa independência mental, estultamente declarada (como se qualquer de nós não fôsse um dependente, um escravo do grupo social de que faz parte...) não o julguei consentâneo no seu audacioso realismo, depois de mais acertada ponderação, nem com certas convenções, aliás respeitaveis, duma sociedade que, outrora, pouco se me dava de melindrar, contanto que me sentisse na Verdade, nem com o acordo tácito dos escritores moralistas que se propõem, como eu, na fase evolutiva actual do meu pensamento, enviar para o Éter sideral do Espaço, formas-pensamentos de pureza imaculada, evitando pô-las em contraste com as abjecções e torpezas que na Terra nos obrigam a desviar os olhos turvos de nojo.
Eis porque me não pareceu digno da publicidade o romance «pecadora».
A minha análise psicológica fôra feita nesse romance, mergulhando a fundo num repositório de dejectos nauseabundos, excreções eliminadas por vísceras putrefactas, com o fimm de descobrir fibrilas sãs que ainda pudessem ser encontradas nêsse magma difluente onde os meus tenáculos as extremassem cuidadosamente, na ânsia de verificar se persistiam intactas por entre a podridão que as contaminava, o que me permitiria identificar nelas a mola impulsora do seu dinamismo consciente, , o quid divinum que as vitalisa, essa coisa ignota, oculta nos meandros da natureza humana, por todos apodada de sórdida, vil, desprezível."
(Excerto do prefácio, Carta a Pedro Cardia)
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). “Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas – Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita.”
(Fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)

Encadernação editorial com dourados gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.

Indisponível

01 setembro, 2018

J. F. M. M. - BREVE NOTICIA // DE // Como entrou neste Reyno a devoçam da gloriosa // SANTA ROSALIA // VIRGEM // Padroeira da Cidade de Palermo Cabeça do Reyno // de Secilia, // E mercê, que modernamente fez aos moradores da Villa // da Ponte da Barca aonde se venera a sua Santa // Imagem neste mez de de Março de 1754. / Escrita à instancia de hum devoto // POR // J. F. M. M. // [No cólofon] LISBOA: // Na Officina de Pedro Ferreira, Impressor da Augus- // tissima Rainha Nossa Senhora. // Anno do Senhor 1754. // Com todas as licenças necessarias, e Privilegio Real. In-8.º (21 cm) de 4 p.
1.ª edição.
Raro folheto sobre o culto da Santa Rosália em Ponte da Barca, e a intervenção milagrosa da santa para acabar com uma epidemia que assolou a vila em Março de 1754. Quando todos os outros santos "falharam", Santa Rosália não vacilou. Inclui ainda alguns casos de curas miraculosas por interseção da mesma.
"Navegando para a Ilha de Maltha hum Portuguez natural da Villa da Ponte da Barca, situada na comarca de Vianna do Lima, lhe sobreveyo na altura da Ilha de Sicilia hum vento tam contrario, que lhe foy precizo arribar ao porto de Palermo, Cidade principal, e cabeça daquelle Reyno. Sahiu do navio para ver aquella antiquissima povoaçam; e encontrando hum grande concurso de gente sem saber o motivo o foy seguindo, e viu que toda se encaminhava a vezitar a sepultura da glorioza Virgem Santa Rosalia, natural do mesmo Reyno, onde se lhe tributa huma especialissima veneraçam, que a Santa retribue pelas infinitas merces que cósegue de Deos para os seus devotos, os quaes em reconhecimêto lhe dà o titulo de milagrosa. O que notou, e o que produziu nelle huma dovoçam tam grande à mesma Santa, que mandou esculpir huma Imagem que trouze consigo para o Reyno quando voltou, e querendo-a introduzir na sua Patria a colocou na hermida de Santo Antonio, chamado da carreira na mesma Villa da Ponte da Barca, onde tres annos sucessivos a festejou muy solemnemente.
Cresceram os devotos da Santa, e começo ella a florecer el milagres, que destribuia por todos os que recorriam a fazerlhe prèces diante da sua veneranda Imagem. Esfriou depois este fervor devoto, e poucos se lembravam já da Santa, nem do culto da mesma Imagem senam quando a viam. Parece que se servia Deos de que ella continuasse, porque permitiu que houvesse na Villa da Ponte da Barca huma epidemia malina, e como especie de contagio, de maneira que se fecharam muitas cazas por haverem perecido todos os seus habitantes. Fizeram os mais da Villa huma procissam de préces em que levaram as Imagens de Nossa Senhora da Conceiçam, de Santo Antonio dito do buraco, e de S. Sebastiam. Prègou sobre o motivo o Reverendo P. M. Prégador geral Fr. Diogo de Santa Gitrudes Mexia Monge Beneditino; reprehendendo os peccados como cuasa de tal castigo, e amoestando a emmenda para fazer cessar o falgello; mas nam só nam cessou antes se aumentou com tanta força que morria muito mais gente de que antes, e com tanto excesso, que os Medicos prohibiam que nam entrasse ja ninguem nas cazas dos doentes mais q os Parocos para lhes administrarem os Sacramentos. Notouse que na rua da carreira de Santo Antonio, e nas suas vezinhanças era a parte onde o mal fazia mais estrago, e cauzava mais mortandade o contagio, e ponderouse que poderia ser o motivo nam se haver recorrido á proteçam de Santa Rozalia..."
(Excerto do texto)
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação.
Raro e muito curioso.
Com interesse histórico e religioso.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível