22 agosto, 2016

GOMES, A. Luiz - PRESENÇA DE ALBERTO MAC BRIDE. Conferência realizada na Sala Nobre da LIGA DOS COMBATENTES DA GRANDE GUERRA em 29 de Abril de 1953. [Prefácio de Júlio Dantas]. Lisboa, [s.l. - imp. nas Oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1953. In-4.º (25,5 cm) de 57, [7] p. ; [8] p. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Alberto Mac-Bride, médico português que integrou o C. E. P., em França.
Obra ilustrada em separado com fotogravuras de diversas ocasiões em que o homenageado esteve presente.
"Dois sentimentos me conduziram a esta nobre Casa-Lar dos Combatentes da Grande Guerra - o sentimento de enternecida devoção que por ela sempre sentiu a figura ilustre que procurarei descrever, e o meu próprio sentimento - de respeitosa gratidão como português pela acção meritória e heróica daqueles que combateram denodadamente nas Terras da Flandres e na nossa querida terra de África - nossa Pátria também. [...]
Mas mais do que o amor de Mac Bride à Liga, explica e impõe que neste recinto se fale dele, da sua vida e da sua obra, do seu exemplo e das suas virtudes é o espírito de combatente, através de tudo - na mocidade, na vida prática, no meio social!
Quando o dever militar o chamou para se incorporar no Corpo Expedicionário Português a França, nenhuma dúvida, nenhuma perturbação, nenhuma hesitação passou pelo seu espírito e pela sua alma! [...]
Partir para a guerra, reunido a outros médicos distintos, camaradas e amigos, não podia deixar de ser grato ao seu patriotismo, ao seu modo de pensar, ao seu carácter!"
(Excerto da Conferência)
Alberto Mac-Bride (1886-1953). "Nasceu em Lisboa a 11 de Setembro de 1886. Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1909), tendo feito nessa altura uma notável dissertação sobre o síndrome de Litle. Fez parte do CEP (1917-1919), como adjunto dos serviços de saúde do QGB foi destacado nos hospitais militares ingleses, canadiano e como chefe de cirurgia no hospital da base n.º 1 em Ambleteuse.
Foi director da Associação dos Médicos, Membro do Conselho Geral da Ordem dos Médicos (1939-43) e Presidente da Direcção Central da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Condecorado com a Medalha Militar de Ouro de Serviços Distintos em Campanha; a Medalha de Prata de Campanhas do Exército Português, a Medalha da Vitória Military Cross, o Grau de Cavaleiro da coroa da Bélgica e comendador da Ordem de Santiago."
(Fonte: ihc.fcsh.unl.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Invulgar.
Indisponível

20 agosto, 2016

SILVA, Dr. Eduardo - CURAS MARAVILHOSAS. Realizadas pelo... Estados Unidos do Brazil. S. Paulo, Typographia da Industrial de S. Paulo, 1899. In-4.º (23cm) de 238, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de reflexões e testemunhos explicativos das curas milagrosas operadas por Eduardo Silva, súbdito inglês, natural de Gibraltar (n. 1843). Engenheiro de minas de profissão, chegou ao Brasil em 1891. Aplicou curativos desde muito novo a membros da sua família por meio de "fricções ou fomentações". Entusiasmados com a sua "arte curativa", alguns amigos incentivaram-no a abrir consultório em S. Paulo, Brasil, algo que viria a fazer em 1894, com sucesso assinalável.
Livro ilustrado no texto e em separado.
"Quem não terá ainda ouvido fallar nesta capital do homem que cura sem intervenção de medicação de qualidade alguma, e sem outro meio que não seja o de passes fuidicos sobre os enfermos.
De dia a dia cresce sua influencia, tão mais notavel e admiravel, que não é só nas classes ignorantes mas muito proninciadamente nas camadas sociaes de preparo intellectual sufficiente ppara ajuizar dos factos observados que não se tracta de um especulador, mas de um homem extraordinario cujo poder desconhecido se manifesta incontestavel pelas innumeras curas que tem realisado."
(Dr. Eduardo Silva, por Matheos da Silva Chaves Junior)
"De boamente accedo ao honroso convite de traçar algumas linhas que sirvam para apresentação deste opusculo.
Limitar-me-ei a pouco mais do que mencionar o objectivo da sua publicação.
Não traz ella a pretenção de um systema e, ainda menos, a de um corpo de doutrina; visa modestamente a archivar subsidios de regular importancia para um estudo que já começa, finalmente, a ser feito pelos homens competentes.
Como verá o leitor, as paginas que se seguem registram, em sua primeira parte, sob a responsabilidade de nomes conhecidos, alguns ensaios para a explicação dos estranhos phenomenos therapeuthicos operados nesta capital, analogos, quanto a sua natureza, a outros que têm ultimamente attrahido a attenção de notaveis investigadores scientistas. [...]
Tenho para mim que alguns dos factos produzidos são o resultado therapeutico dos proprios fluidos do Dr. Eduardo Silva; outros, porém, são consequentes da poderosa faculdade mediaminica, de que elle é dotado.
Taxem, embora, de mystica ou derisoria em fface da sciencia positiva, essa hypothese é a unica que póde explicar de modo comprehensivel e satisfactorio todos os factos a que nos temos referido, e que, sem ella, continuarão a ser problemas impenetraveis e insoluveis."
(Introducção, por J. L. de Almeida Nogueira, Lente cathedratico da Faculdade de Direito de S. Paulo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil com defeitos - alguns escritos e falhas de papel. Sem contracapa.
Raro.
Indisponível

19 agosto, 2016

PACHECO, Luiz - MANO FORTE : dezassete cartas de Luiz Pacheco a António José Forte. Transcrição e apresentação de Bernardo de Sá Nogueira. [Lisboa], Alexandria, 2002. In-8.º (19,5cm) de 168, [8] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com fac-símiles da correspondência em página inteira, ao longo do livro.
Desta primeira edição de MANO FORTE [dezassete cartas de Luiz Pacheco a António José Forte, transcritas e apresentadas por Bernardo de Sá Nogueira], edição Alexandria, fez-se uma tiragem de mil exemplares sobre papel Renovaprint de 90 g., numerados de 1 a 1000, e uma tiragem especial de cento e trinta exemplares sobre papel Renovaprint de 120 g., cartonados, assinados pelo autor, dos quais cem numerados de 1 a 100, e trinta, reservados a bibliófilos e numerados de I a XXX, com estojo e encadernação em tela. Impressão e acabamento nas oficinas gráficas da Editorial Minerva, no mês de Fevereiro de 2002.
Exemplar da tiragem especial de 100 assinado pelo autor.
"Imagens escritas, traçadas à máquina e à mão em carta e postal e enviadas, entre 1961 e 1966, pelo editor-escritor Luiz Pacheco, de Lisboa, Cacilhas, Almoinha (Santana - Sesimbra), Macieira (Sertã), Porto, Setúbal e Caldas da Rainha, ao poeta António José Forte, em Vieira do Minho, Tomar, Portalegre e Santarém; onde se fala da vida (altos, baixos, ramerrame), dos amores, dos amigos e dos inimigos, da escrita (de uns e de outros), de livros, folhetos, postais (lidos, escritos, publicados) e da edição como forma de guerra (principalmente pela sobrevivência), talvez ccom sonhos de fama ou outros, mas tentando sobretudo agarrar o dia a dia - com (ou sem) pessoas, sonhos, vinho, lecas, miragens, textos; textos fortes feitos de  palavras fortes, ao serviço de ideias fortes."
(apresentação)
"Nos anos em estudo, António José Forte dirigia uma biblioteca do Serviço Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian. [...]
Ao longo de todo o período em questão, só muito raramente Luiz Pacheco se esquece de enviar cumprimentos a Amélia, mulher de António José Forte.
Nesta época Luiz Pacheco viveu sucessivamente com duas irmãs - Maria do Carmo (1959-1962) e Maria Irene Matias (1962-1967) -, mães dos seus filhos Luís (n. 1959) e Adelina Maria (n. 1961), a primeira, e Paulo (n. 1963), Maria Eugénia (n. 1964) e Jorge (n. 1965), a segunda.
Em 4 de Outubro de 1961, LP tinha um quarto na Rua Almirante Barroso, 7-1º, "só para este mês. Claro!" (carta II). Regresso a uma rua com recordações, onde vivera alguns anos antes, em meados de cinquentas, no número 44-6º esquerdo. Tudo perto da Estefânia da sua meninice.
Aí LP diz ter quatro empregos. 1 - revisor-chefe na Seara Nova: 2 - revisor-paginador-chefe na Revista Portuguesa de Economia e Finanças; revisor-literário-chefe na Editorial Livros do Brasil; 4 - revisor-aprendiz no jornal "O Século". Três deles, porém, seriam mais empregos em perspectiva que outra coisa: "de todo este grande futuro, só comecei ainda a trabalhar na Seara". Menos de um mês depois, em 1 de Novembro (carta III), informa AJF que perdeu em Lisboa "os empregos todos, com certa alegria"."
(excerto da nota prévia)
Luiz Pacheco (1925-2008). Escritor, editor, polemista, epistológrafo e crítico de literatura português. "Era capaz das loucuras mais desapiedadas, mas também de actos de grande generosidade. Pessoa cheia de contrastes e incoerências, tinha uma enorme facilidade para relacionar-se com os outros e, depois, para cortar relações. Impulsivo e inconstante, aparecia e desaparecia de repente. Capaz de prescindir de tudo e de começar do zero, durante anos viveu em pensões manhosas, de onde muitas vezes era expulso por falta de pagamento. Era um especialista em dívidas e em não as pagar. Conheceu a miséria, o vício e a degradação. Gostava de estar perto dos marginais e das ovelhas ranhosas, porque com aqueles que não têm nada a perder conhecem-se melhor os labirintos da alma humana. Fundador da Editora Contraponto, conhecia bem o campo da edição e o meio das Letras, onde fervilhavam as intrigas e as capelinhas, e contra tudo isso lutou, recusando-se a participar na engrenagem dos manejos literários. Desmascarou os falsos prestígios e maltratou alguns intocáveis da cultura. Alguns viam Pacheco como um apocalíptico, um herdeiro da tradição dos grandes inconformistas. Mas foi simultaneamente um produto do próprio meio literário. Capaz de aparecer nu no meio do Montijo ou de pijama no Largo do Carmo, no 25 de Abril, em torno de Luiz Pacheco criou-se uma lenda, histórias e boatos que circulavam e que quase nunca se incomodou em desmentir, porque, como alguém disse, essa era a melhor forma de chegar a génio."
(www.fnac.pt, apresentação da obra Puta Que os Pariu - A Biografia de Luiz Pacheco)

Encadernação editorial em tela revestida com sobrecapa de protecção, impressa com uma fotografia de Luiz Pacheco da autoria de Luís Ochôa.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

17 agosto, 2016

LEITÃO, Fernando Rodrigues - O CUMPRIMENTO DAS PENAS NO ULTRAMAR PORTUGUÊS. Luanda, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Angolana], 1968. In-8.º (19,5cm) de 158, [10] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre o sistema prisional Ultramarino. Monografia ilustrada no texto com fotogravuras de diversas instituições prisionais.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Há anos escolheramos para dissertação de licenciatura um tema subordinado ao estudo dos Serviços Prisionais no Ultramar. Esta tarefa permitiu, a conselho de pessoas amigas, que agora pudessemos publicar o presenta trabalho. Para isso serviu-nos de base o estudo referido que foi remodelado com um novo capítulo, dando-se-lhe um novo arranjo com certas alterações que sofreu, e actualizando-o com a mais recente legislação em vigor. [...]
A nossa época é essencialmente adequada à meditação do valor dos territórios em relação à Metrópole. Uma época de perfídia política, em que se faz tudo para desagregar nações, dá azo para pensar na importância das parcelas Ultramarinas em relação à Mãe Pátria."
(excerto do preâmbulo, Palavras prévias)
"Não nos é fácil estudar e citar as penas que do respectivo direito consuetudinário todos os diversos povos, que habitam o solo pátrio ultramarino, aplicavam. Mas poderemos formar uma ideia revelando as penas que alguns povos utilizavam.
Geralmente, no direito gentílico, as penas principais são a morte, a escravidão, as indemnizações, as penas corporais, o desterro, a maldição, as violências e as penas menores."
(excerto da Introdução, I - Referência histórica sobre a evolução da pena)
Matérias:
Palavras prévias. INTRODUÇÃO: I - Referência histórica sobre a evolução da pena. II - O crime. Factores sociais que influem  na delinquência. A individualização das penas.
O ESPÍRITO SOCIOLÓGICO NO REGIME DAS PRISÕES: I - O serviço social nas prisões. Tutela - Importância da técnica do Casework Social. - O Sistema conhecido pela Probation.
O TRANSPORTE DE CONDENADOS: I - O degredo em Portugal: passado e história. II - As duas correntes opostas de opinião sobre o degredo.A colonização penal. III - Extinção do degredo e criação de estabelecimentos especiais no Ultramar. IV - A Reforma Prisional e a Lei Orgânica do Ultramar, de 27 de Junho de 1953. A Reforma Prsional (Decreto-Lei n.º 26 643, de 28 de Maio de 1936. V - Extensão da Reforma Prisional ao Ultramar. O Decreto-Lei n.º 39 997, de 29 de Dezembro de 1954. VI - Aspectos especiais do problema prisional nas Províncias da Guiné, Angola, Moçambique, Timor e Estado da índia. VII - Construções prisionais. VIII - O trabalho prisional. IX - Classificação de delinquentes. X - Legislação recente.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas e lombada sujas, com defeitos. Últimas folhas com sinais de humidade.
Raro.
Indisponível

15 agosto, 2016

KROPOTKINE, Pedro - Á GENTE NOVA. Versão de Affonso-Lopes Vieira. Lisboa, Livraria Editora: Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Exortação à juventude do russo Piotr Kropotkin - célebre ideólogo do movimento anarquista mundial -, em versão traduzida por Afonso Lopes Vieira, ilustrativo de um aspecto menos conhecido da vida do poeta português.
A tradução do folheto de Kropotkine, cujas cópias subsistentes o autor tentou posteriormente recolher, é legitimada algo parodicamente: «Não tenho que me envergonhar. De resto, essa brochura explica-se ainda por uma paixoneta que tive pela sobrinha de Kropotkine que conheci em Paris. Não me arrastou ela até Londres?».
"É á gente nova que eu hoje quero falar.
Que os velhos, - os velhos de coração e de espirito, - ponham de parte, pois, esta brochura, para não fatigarem inutilmente os olhos com uma leitura que nada lhes dirá.
Supponho que vos aproximaes dos dezoito ou vinte annos; que acabastes agora a vossa aprendizagem ou os vossos estudos; que ides entrar na vida. Tendes, creio eu, o espirito desembaraçado das superstições que procuraram incutir-vos; não temeis o diabo e não ides ouvir curas e pastores. Sobretudo, não sois janotas, tristes productos de uma sociedade moribunda, que passeiam nas ruas as suas calças á moda e as suas faces de macacos, e que nesta idade não teem já senão appetites de gozo, custe o que custar...; acredito, pelo contrario, que tendes o coração muito no seu logar, e eis porque vos falo.
Uma pergunta, sei-o bem, a vós proprios fazeis:
- Que vou eu ser?"
(excerto do Cap. I)
MEDINA, João - AFONSO LOPES VIEIRA : anarquista. Introdução e notas de... Lisboa, Edições António Ramos, 1980. In-8.º (21cm) de 97, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo de João Medina sobre a faceta anarquista de Afonso Lopes Vieira. Ilustrado com um retrato do poeta.
"A evolução estético-ideológica de Afonso Lopes Vieira, a sua marcada inflexão conservadora, embora inconformista e sempre anti-salazarista, tendem a fazer esquecer a especial atmosfera um tanto nihilista, para não dizer libertária, que rodeia as suas primeiras produções literárias, nomeadamente um estranho livro invulgar que publicou em 1904, a novela «Marques». Colega e amigo do anarquista e bombista Alberto Costa, o Pad Zé coimbrão, com ligações de amizade e até profissionais com o tipógrafo e revisor anarquista Alexandre Vieira, tradutor de Kropotkine, o autor de Náufrago deixou-se fortemente impregnar por uma especial atmosfera finissecular composta de nihilismo, toslstoísmo, acracia e certas ideias eslavas muito em voga, que parece estar na base do seu romancezinho de 1904. Empenhado posteriormente em valores de casticismo e de «reaportuguesamento» anti-republicanos e, em geral, antidemocráticos, sequaz moderado das hostes do Pelicano, que ele mesmo, num banquete de homenagem a Sardinha, definira como «antiquários fanáticos», Lopes vieira deixa transparecer na sua obra de 1904, escrita quando tem ainda apenas vinte e sete anos e publicada no mesmo ano em que traduz Kropotkine, um ideário que só muito dificilmente se imagina conjugável com o do poeta e critíco que se empenhava em restituir à língua portuguesa o Romance de Amadis, dos Lobeiras, e a Diana de Jorge de Montemor, ao mesmo tempo que colaborava na revista Lusitânia e militava com crescente ardor contra a República, a ponto de se ver prisioneiro por algumas horas no Governo Civil, em 1921, por via dum poema Ao Soldado Desconhecido, de intenções claramente hostis à atitude política que ditara a nossa entrada na guerra de 14-18 ao lado das nações aliadas."
(excerto do Cap. II, A tentação anarquista)
Matérias:
I - Afonso Lopes Vieira anarquista: 1 - Estreia literária. 2 - A tentação anarquista. 3 - A novela eslava «MARQUES». 4 - Humilhados e ofendidos. Notas. II - Antologia: Da novela «MARQUES»: 1 - O nascimento de «Marques». 2 - O lusco-fusco lisboeta. 3 - A cidade do terramoto. 4 - Os sonhos do corcunda. 5 - Os varredores. 6 - Deus e os humilhados. 7 - O sonho de Marcos. 8 - Conto de Natal. Do livro de poemas «AR LIVRE»: 9 - À Cruz. Do «CONTO DE NATAL»: 10 - Um Pobre fala a Jesus.
Exemplares brochados em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
Indisponível

13 agosto, 2016

NAVARRO, Arlete Lopes - FLORBELA OU A VITÓRIA DA BONDADE. Lisboa, Editorial Globo Limitada, 1942. In-8.º (18cm) de 170, [6] p. ; il. ; B. Col. Narrativas Infantis, II
1.ª edição.
Conjunto de três novelas de cunho histórico-lendário, dirigido aos mais jovens.
Livro belissimamente ilustrado no texto e em página inteira.
"No lindo palácio dourado do Rei Florentino, havia uma grande festa! Realizava-se a cerimónia da apresentação da princezinha às fadas que a iriam baptizar.
De todos os lados partiam gargalhadas e risos alegres, que, convergindo numa onda de alegria, espalhavam-se pelos salões. E o eco dessas risadas ia soar ao ouvido da populaça, dispersa pelo parque, que, numa gritaria ensurdecedora, repetia a mesma frase, proferida já, um incalculável número de vezes:
- Viva a princezinha!...
(excerto de A vingança da Fada-Negra)
Contos:
- Florbela ou a vitória da Bondade. - A Gruta Misteriosa. - A vingança da Fada-Negra.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas. Vestígios antigos de humidade nas f. de guarda e de anterrosto.
Invulgar.
Indisponível

12 agosto, 2016

PRISCA : narração historica do reinado de Claudio : primeiro seculo da era christã. Traduzido do italiano. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro Editor : Paris, E. Belhatte, Livreiro, 1879. In-8.º (18cm) de [4], XI, [1], 448, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico sobre Santa Prisca, mártir do século I da nossa era. Desconhece-se a identidade do autor, assim como do responsável pela tradução. A Biblioteca Nacional não tem catalogado nenhum exemplar na sua base de dados.
"A vida que escolhemos em primeiro logar, he a da Virgem Martyr S. Prisca, nobre Romana, descendende da nobre familia cujo nome herdou; familia não só senatoria, mas consular, tendo mesmo seo Pai duas vezes desempenhado cargo durante o imperio, ella teve a fortuna de ser baptisada pelo Principe dos Apostolos e primeiro Santo Pontifice, S. Pedro. Soffreu o martyrio, talvez mais cruel do que nenhuma outra Virgem depois padecesse, e na tenra idade de treze annos.
Duas causas decidiram esta escôlha, ambas plausiveis. A primeira que se infere da historia e monumentos que nos restão, he ser ella a Protomartyr não só de Roma, mas da Igreja Romana. O que dá logar a descrever o principio desta Igreja á universalidade dos fieis agora ignorantes, os costumes gentilicos de Roma, e o contraste com os dos Christãos primitivos; de que resulta sobresahir melhor o heroismo desta Menina, que foi depois o exemplo das illustres virgens que floresceram nos tres seculos seguintes, as Bonosas, as Cecilias, Martinhas, Domitilias, Ignez, e outras semelhantes, e não teve Prisca antes de si exemplo que seguir. [A segunda causa tem que ver com o desencanto do autor por, em Roma, não estar assinalada a igreja de Santa Prisca e, encontrado o monumento, ter constatado a sua degradação.].
Conservaremos a excatidão historica; e referiremos os factos como então se passaram, e quando faltarem documentos individuaes, nos cingiremos aos geraes daquella epocha, sendo certo que a Protomartyr, podemos dizer a Primogenita da Igreja Romana, teria escrupulósamente executado as leis ecclesiasticas então em vigor."
(excerto da introdução)
"A 24 de Janeiro havia tres dias que Roma inteira exultava em festas e rogozijos por causa das honras de Augusto. Jogos, divertimentos, corridas, torneios, espectaculos de gladiadores, combates de féras, distribuição de pão, de dinheiro, outras dadivas havião embriagado a feroz plebe romana. O amphitheatro erigido expressamente para a festa, apezar de mui extenso, na ultima manhã estava todo cheio. Cedo entrou Augusto Caio Caligula, com séquito de senadores e libertos, contra seo costume, mostrava-se jovial e affavel; estrondósos vivas e palmas o acolhêram."
(excerto do Cap. I, Scenas de Roma (Era christã anno XLI))
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
15€

11 agosto, 2016

OLIVEIRA, Augusto Soares de - METRALHADORA VICKERS BERTHIER DE 7mm,7. Descrição. Organização dos Serviços e Combate. [Por]... Primeiro tenente. Lisboa, Imprensa da Armada, 1930. In-8.º (16,5cm) de 64, [2] p. ; [10] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo técnico sobre a Metralhadora Vickers 7mm,7.
Ilustrada com desenhos esquemáticos nas páginas de texto e com 10 estampas em separado, uma delas, em folha desdobrável.
"O fornecimento de metralhadoras ligeiras Vickers à Brigada de Artelheiros da Armada em 1926, levaram-me ao estudo desta arma, das condições do seu emprêgo e da sua adaptação à nossa marinha.
Resumiu-se êste estudo a uma méra curiosidade e possivelmente a uma aplicação dos princípios nos regulamentos que decerto iriam aparecer sôbre o emprêgo  dêste armamento, novo para a armada.
Própriamente sôbre espingardas metralhadoras, e a Vickers é uma espingarda metralhadora, não encontrei referências desenvolvidas nos livros citados [cuja lista é divulgada no interior], mas deduzi deles tudo que me pareceu adaptável a esta arma."
(introdução)
Metralhadora Vickers Berthier de 7mm,7 : descrição
"Compõe-se esta metralhadora das seguintes partes: Cano, caixa da culatra e dos maquinismos, culatra móvel, aparelho imflamador, extractor, ejector, aparelho motor, alimentador, maquinismo de repetição, aparelho de segurança, aparelho de pontaria, coronha e acessórios."
(excerto da descrição da arma)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse datada na f. rosto. Capa apresenta pequenas falhas de papel no terço superior, junto à lombada.
Raro.
Indisponível

09 agosto, 2016

NERY, Rui Vieira & CASTRO, Paulo Ferreira de - HISTÓRIA DA MÚSICA. Lisboa, Comissariado para a Europália 91 - Portugal : Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1991. In-8.º (21cm) de 197, [7] p. ; B. Col. Sínteses da Cultura Portuguesa
1.ª edição.
"Desde o aparecimento da História da Música Portuguesa de João Freitas Branco, em 1959, que não se publica entre nós qualquer visão de conjunto da evolução da Música em Portugal, do período medieval aos nossos dias. Esta situação contrasta com os progressos substanciais que se realizaram nas últimas três décadas no domínio da investigação musicológica, graças aos quais dispomos, designadamente, de um extenso corpus de edições modernas da nossa Música dos séculos XVI a XVIII, bem como de um volume considerável de novos dados bibliográficos sobre os nossos músicos passados e presentes. [...]
O presente trabalho representa acima de tudo uma síntese de natureza problematizante, que procura não só traçar as linhas de fundo da evolução da nossa Música mas propor simultaneamente modelos operacionais para o seu enquadramento interdisciplinar no contexto mais global da História da Cultura Portuguesa. [...]
Este trabalho conclui com uma bibliografia actualizada, que inclui não só todos os títulos citados no corpo do texto como uma vasta escolha de obras que se consideram de referência fundamental para o leitor que procure aprofundar os seus conhecimentos sobre esta matéria."
(excerto da nota introdutória)
Matérias:

Primeira Parte, por Rui Vieira Nery
1 - Do Período Medieval ao Renascimento. 2 - O Período Maneirista. 3 - O Período Barroco.
Segunda Parte, por Paulo Ferreira de Castro
4 - Do fim do Antigo Regime às raízes da Modernidade. 5 - O Século XX.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Indisponível

08 agosto, 2016

MAIA, Francisco d'Athayde Machado de Faria e - VENCIDO : romance. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1914. In-8.º (19cm) de 224 p. ; E. Colecção Antonio Maria Pereira, 87
1.ª edição.
Obra constituída por um romance histórico, que preenche a quase totalidade do livro, e três pequenos contos.
A acção do romance decorre na última década do século XIX, em Coimbra e arredores, num ambiente universitário de grande exaltação, entre protestos e rebeliões, que culmina no malogrado golpe de 31 de Janeiro de 1891, na sequência do Ultimatum inglês.
"Fôra numa tarde triste de outomno que elle a vira pela primeira vez.
Sahira a passear pelos campos que, como um lindo diadema de verdura, cingem apertadamente a poetica e lendaria Lusa Athenas.
O tempo estava sereno, mas triste e sombrio. Era uma destas tardes de outomno em que a natureza, preparando-se para o longo luto do inverno, tem a suavidade triste duma proxima viuvez. As folhas das arvores cahiam lenta lenta e desoladoramente. Os ramos seccos e nús, erguidos para o céu, como braços esqueleticos, pareciam implorar socorro. As heras, enlaçando-se estreitamente aos troncos despidos de verdura, pareciam, num abraço meigo, querer consolá-los da sua desolação, aconselhando-lhes resignação. Os choupos que ladeavam o rio já não tinham a mesma altivez e os salgueiros dobravam-se na saudosa e muda contemplação do Mondego, parecendo relembrar o tempo em que elle corria limpo e crystalino e não  escuro e turvo como agora.
Absorvido na contemplação da paisagem tão bella, nesse tom melancolico da tarde, fôra caminhando sem attender a que se afastava demasiadamente da cidade. Estava, talvez, a uma legua de Coimbra quando o tempo se toldou subitamente e grossa bagas de agua começaram a cahir, a principio espaçadamente, depois a mais e mais, ameaçando converterem-se, em breve, em contínua e violenta chuva."
(excerto do Cap. V)
Francisco de Ataíde Machado de Faria e Maia (Ponta Delgada, 1876-Ponta Delgada, 1959). “Foi um intelectual, jornalista e historiador açoriano. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1901), foi inspector escolar, professor liceal e político. Entre outras funções, presidiu à Câmara Municipal de Ponta Delgada e foi senador eleito para o Congresso da República. Deixou publicada uma extensa obra historiográfica. Nos seus tempos de estudante conviveu com alguns dos futuros vultos da cultura portuguesa, entre os quais Teixeira de Pascoaes e Afonso Lopes Vieira."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação editorial da Parceria com ferros gravados a ouro e a negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
15€

07 agosto, 2016

CARVALHO, XAVIER DE - CANTOS EPICOS DA GUERRA. Á memoria gloriosa de meu filho Rafael, soldado da Legião Estrangeira morto na batalha de Champagne em 28 de Setembro de 1915. Paris : Bruxelles, L'Édition d'Art : Gaudio, 1918. In-8.º (21,5 cm) de 29, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética dedicada pelo autor à memória de seu filho, morto em combate. Precede-a dois epitáfios: um de autoria não identificada, e o outro, da pena do poeta Gomes Leal.


"Inviolavel, augusta, imaculada,
Verdun, terra imortal...
Recebeste, co'a cruz da Torre-e-Espada,
A alma de Portugal.

Heroes de mil acções
Onde vibra o peito lusitano,
Ala dos Namorados,
Os santos e os soldados
Que sublimaram versos de Camões
E a prosa aurifulgente d'Herculano:

Vinde beijar as triunfaes ruinas
De Verdun resplandecente!
Oh, combatentes! épicos guerreiros!
Irmãos dos que em Valverde e em Atoleiros
Nimbaram d'oiros o pendão das quinas,
Enaltecendo a Lusitana Gente. [...]

E n'um extasis d'almas,
Vem Nun'Alvares, da mansão ignota,
Com um punhado d'heroes d'Aljubarrota,
Cobrir Verdun de bençãos e de palmas!"

(Excerto de Portugal á Verdun)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. 
Raro.
Indisponível

06 agosto, 2016

APONTAMENTOS PARA A HISTORIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO NAS COLONIAS PORTUGUEZAS. Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1880. In-8.º (20cm) de 62, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de artigos de Casal Ribeiro publicados num periódico de Madrid sobre a abolição da escravatura nas colónias portuguesas, procurando desta forma, contribuir para o apoio aos esforços abolicionistas desenvolvidos em Espanha, que viriam a conhecer o seu epílogo a 7 de Outubro de 1886, data simbólica em que a escravidão desapareceu legalmente no país vizinho.
"Na Epoca, periodico de Madrid, muito acreditado, foi publicada uma serie de artigos narrativos da historia da abolição da escravatura nas colonias portuguezas, escriptos por um compatriota nosso e assignados com a inicial C.
A simples leitura denuncia immediatamente que é o escriptor distincto que deu á imprensa aquelles notaveis apontamentos.
O intuito d'essa publicação era fazer conhecidas em Madrid as diversa providencias que adoptamos até ao ponto de decretar definitivamente a liberdade dos pretos nas nossas colonias."
(introdução)
"Em Portugal a idéa abolicionista teve tambem a seu serviço, para se converter em acto pratico, o apostolo, o estadista, o soldado - foi o marquez de Sá da Bandeira. A historia da libertação dos negros nas nossas colonias cabe toda na biographia do honrado e valoroso general. [...]
Sem nos determos nas medidas promulgadas durante o antigo regimen em favor dos escravos, com fortuna varia e incerta execução, apontamos apenas de passagem a época do celebre marquez de Pombal - o Aranda portuguez - dobrada a primeira metade do seculo XVIII. Em 1761 decretava-se a emancipação ipso facto de todo o escravo vindo das colonias para o continente portuguez. Em 1773 declaravam-se livres todos os individuos nascidos no reino de mãe escrava, e aptos a quaesquer misteres, honras e dignidades. Estas medidas, prestando homenagem ao principio da egualdade civil proclamado pela philiosophia, então em voga, dos encyclopedistas, obedeciam não obstante, mais a um pensamento politico, que a um principio humanitario. Nas colonias lá ficava a escravidão de raça negra; lá o trafico dos escravos com todas as brutalidades e horrores usados pelo vil interesse. Na Europa, Pombal visava sobretudo a destruir os privilegios da nobreza, nivelar a sociedade com rasoura democratica, assentando no cimo o throno absoluto do rei e o poder omnimodo do ministro.
Era n'aquelles tempos o Brazil emporio de riqueza por nos explorada, onde inconscientemente estavamos lançando as bases de um imperio independente e prospero, do qual hoje, por amigavel e fraternal trato de industria e commercio, arrecadamos, nós os portuguezes, maiores e mais reaes vantagens que os produzidos emquanto foi colonia. [...]
Nos tempos do grande marquez, e nos que proximos se lhes seguiram, as nossas colonias de Africa onde desde os gloriosos tempos da famosa escola de Sagres, os Diogo Cão, Bartholomeu Dias e tantos outros, haviam plantado immortaes padrões, eram apenas grandes repositorios de gente negra, que a especulação feroz arrancava aos seus nativos palmares, acorrentando-os a caminho da America. Um manuscripto official do principio d'este seculo, citado pelo marquez de Sá da Bandeira, assevera que, nos 44 anos decorridos de 1759 a 1803, se haviam embarcado, só dos portos de Loanda e Benguella para o Brazil, 642:000 escravos, sendo a media annual 14:000 a 15:000. O imposto de exportação por cada cabeça, peça de India, denominação que se dava ao adulto robusto n'aquelles tempos, e o que pagavam as peças de inferior cathegoria, representavam para o thesouro proximadamente 85 0/0 do rendimento total da provincia de Angola. Em 1817 a 1819 pouco variava em proporção, tendo-se augmentado a 22:000 o numero de escravos annualmente remettidos para o Brazil. Em 1834, época da restauração da dynastia e da liberdade, vespera de medidas energicas contra o trafico, o imposto de exportação de carne humana excedia ainda 80 por cento do rendimento total da provincia.
Era então axioma geralmente aceite que sem trafico e sem escravos, Angola seria arruinada."
(excerto do Cap. I)
José Maria do Casal Ribeiro. Conde do Casal Ribeiro desde 1870 (1825-1896). “Depois de ter sido um revolucionário republicano em 1848, casa em 1851 com uma filha do barão de Quintela e passa-se para os regeneradores, de que é deputado e ministro. Deputado em 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1860-1861; 1861-1864; 1865; 1865. Par do reino desde 1865. Ministro da fazenda de 16 de Março de 1859 a 4 de Julho de 1860. Ministro interino dos negócios estrangeiros de 24 de Abril a 4 de Junho de 1860. Volta à pasta dos estrangeiros no governo da fusão, de 9 de Maio de 1866 a 4 de Janeiro de 1868, acumulando a das obras públicas, comércio e indústria de 9 de Maio a 6 de Junho de 1866. Como par do reino em 1884, é um dos opositores à lei eleitoral de Fontes e Barjona que veio alargar o sufrágio, anunciando a intenção de formar um novo partido, dito católico, apenas concretizado entre 1903 e 1910, com o partido nacionalista, liderado por Jacinto Cândido. Morre em 14 de Junho de 1896."
(fonte: www.politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenas manchas e defeitos nos cantos.
Raro.
30€

04 agosto, 2016

MONTEIRO, Henrique Pires - A BRIGADA DO MINHO NA GRANDE GUERRA. Discurso proferido no Teatro Sá da Bandeira, em Viana do Castelo, no dia 3 de Maio. O produto líquido reverte para a Subscrição Nacional dos Padrões da Grande Guerra, Consagração do Esforço da Nação Portuguesa e Glorificação dos nossos Mortos. [S.l.], [s.n. - Composto e imp. na Tipografia da Escola Militar, Lisboa], 1922.
In-8.º (22cm) de 23, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do Coronel Eugénio Carlos Mardel, antigo comandante interino da Brigada do Minho, a quem a obra é dedicada.
Obra ilustrada com uma estampa colada na 1.ª folha representando a bandeira da Brigada do Minho, com a seguinte legenda: Ás senhoras de Viana do Castelo, que bordaram a bandeira da Brigada do Minho e nas dobras dessa seda colocaram os seus corações e a sua fé no valor e na audacia do glorioso soldado minhoto.
Inclui correspondência trocada entre o Tenente Coronel Henrique Pires Monteiro e o Coronel Eugénio Carlos Mardel.
"A população do Minho deu valioso concurso para a nossa Armada e para o nosso Exercito, durante esses quasi cinco anos em que duas Humanidades e duas Civilisações europeias se chocaram, destruindo riquesas, mas afirmando a força soberba do Direito, finalmente vencedor; ceifando vidas, mas criando energias morais, que serão a gloria historica desta nossa geração. Os homens sadios e fortes dos campos e cidades deste rincão da Terra Portuguesa, o prospero e risonho "formigueiro minhoto", de que nos fala Ramalho, combateram em Africa, nas nossas duas ricas colonias de Angola e de Moçambique, onde a Grande Guerra, pavoroso digladio de Povos, teve natural eco; e lutaram em França, defendendo as trincheiras da Flandres, durante mais dum ano, igualando, excedendo por vezes, os melhores soldados dos Exercitos Aliados, cuja historia tantos exemplos regista de honra e de audacia, de resolução e de persistencia.
Em França. os soldados desta Provincia constituiram uma unidade a Brigada do Minho. Aos meus camaradas - Oficiais e Praças - désta Brigada constituida pelos Batalhões de Viana do Castelo, de Braga, de Guimarães e de Barcelos, especialmente me quero referir, prestando-lhes a devida homenagem pelo nobilissimo exemplo de virtudes civicas, que, com o seu consciente cumprimento do Maior Devêr, deram a todos os portuguêses."
(excerto do Discurso)
Henrique Sátiro Lopes Pires Monteiro (1882-1958). "Militar de Infantaria, nasceu em Lisboa a 12 de Janeiro de 1882. Depois de concluir o liceu, ingressou na Escola Politécnica e assentou praça na Escola do Exército (1898), tendo tirado o curso de arma de Infantaria (1901) e o curso do Estado-Maior, na mesma Escola (1907). Foi promovido a alferes (1902), a tenente (1906), a capitão (1912), a major (1917), a tenente-coronel (1919) e a coronel (1927), tendo passado à reserva em 1938. Participou nas tropas que defenderam a República contra as incursões monárquicas (1911-1912), e contra a monarquia do Norte (1919). Professor na Escola de Guerra (1912-1927), serviu em diversas unidades do Exército e do Corpo do Estado-Maior. Participou na expedição ao Sul de Angola (1915), com as funções de chefe do Estado-Maior do quartel-general do chefe da coluna, general Pereira de Eça. Integrou o CEP (1917-1918), em França, onde desempenhou o cargo de chefe de Repartição de Organização e Instrução do Quartel-General do Corpo. Foi condecorado diversas vezes, entre estas, com a Cruz de Guerra e medalhas de Valor Militar, Bons Serviços, Comportamento Exemplar, comemorativas da campanha do Sul de Angola (1915), e do CEP, em França (1917-1918), da Vitória. Oficial da Ordem da Legião de Honra, por serviços prestados na Grande Guerra, em França. Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (1918), pelo PRP-Democrático. Governador civil do Porto (1919). Deputado (1922-1925), eleito por Santo Tirso. Ministro do Comércio (Julho a Novembro de 1924). Morreu em Lisboa a 23 de Abril de 1958."
(Fonte: www.portugal1914.org/portal/pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 agosto, 2016

BANDEIRA, José da Silva - AUXILIAR DO CHARADISTA. Livro indispensavel para os decifradores de charadas e utilissimo para quem deseje encontrar, rapida e facilmente, termos especiaes de Armas, moedas, trajos, plantas, animaes, etc. Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, 1906. In-8.º (22cm) de VIII, 334, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual para auxílio dos adeptos das charadas.
"Nunca o meu Auxiliar aspirou a correr mundo, porque tambem nunca me passou pela ideia publical-o.
Foi unicamente para meu uso que, em 1882 (quando se me começou a manifestar a charado-mania), principiei a compilar uma especie de calepino, sem ordem nem plano, tirado do unico diccionario que possuia e que era então o de mais voga: o de Fonseca e Roquette.
Se a principio eu considerava esse meu trabalho como essencial, cedo vim ao convencimento de que elle deixava muito a desejar, porque de anno para anno reconhecia que pouco tinha lucrado com elle, visto que a maior parte dos termos usados pelos charadistas de então não se encontravam no meu pobre calepino, que tantos mezes de trabalho me tinha custado. Mister foi começar a comprar outros diccionarios e a enriquecer o calepino com novos termos. [...]
Declaro que se hoje me déssem dois contos de réis para tornar a fazer este mesmo trabalho em dois annos, eu, que apenas vivo do pão nosso de cada dia que me dá a minha patente de capitão de infanteria, recusava abertamente tal proposta e nem em quatro annos e por quatro contos de réis eu queria fazel-o. [...]
Eu creio que o meu Auxiliar é bem util, principalmente aos principiantes e aos que possam dispôr de poucos meios para comprar livros."
(excerto da introdução, Duas palavras acerca do livro)
Encadernação editorial em tela com ferros gravados a seco e a verde na lombada e na pasta frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Discreto carimbo de posse nas f. rosto e de anterrosto.
Muito invulgar.
20€

02 agosto, 2016

FALCONE, Giovanni & PADOVANI, Marcelle - COSA NOSTRA : O Juíz e os «homens de honra». Tradução de J. Machado Maia. Lisboa, Difel, 1992. In-8.º (22,5cm) de 167, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Cosa Nostra - a Máfia - violenta organização criminosa originária da Sicília, Itália, com múltiplas ramificações internacionais, e responsável por inúmeros crimes financeiros e de sangue. A presente obra foi publicada poucos meses após a morte do Juíz Falcone, vítima de cobarde atentado perpetado pela máfia siciliana.
Livro ilustrado no texto com diversos quadros, e o diagrama da estrutura organizacional da Cosa Nostra.
"Depois de onze anos passados no escritório-fortaleza do Palácio de Justiça de Palermo, o juíz Falcone, figura mestre da luta anti-máfia, conta a sua guerra ao mesmo tempo que o duro quadro da organização, expurgado da sua legenda, da sua verdade mais violenta.
Para combater eficazmente a Cosa Nostra, foi-lhe necessário primeiro compreendê-la «no interior», descobrir o sentido de cada palavra, de cada gesto, relacioná-la com esse todo de uma implacável racionalidade que constitui o mundo mafioso. Como uma partitura que decifraria para nós, Giovanni Falcone descobre os modos de funcionamento, os valores, as finalidades, os códigos de linguagem da Cosa Nostra. Engenhosamente retranscrita por Marcelle Padovani, é uma magistral lição de semântica mafiosa que ele nos dá.
Para entender a voz dos arrependidos, para compreender a organização do sistema de poder e de lucro da Cosa Nostra, para sentir as contiguidades que ele conserva com a sociedade siciliana, para viver de perto a sua violência, entra-se progressivamente no coração do problema: a existência face ao Estado, de um Estado-Máfia.
Pouco antes da publicação deste livro, precisamente em 23 de Maio último, o juíz Giovanni Falcone sucumbiu a um atentado da máfia, que colocou no seu carro blindado uma tonelada de explosivos activada por controlo remoto.
Apesar de "marcado" pela máfia, pois era considerado o seu "inimigo número um", a chocante notícia surpreendeu todos quantos conheciam o cuidado sempre posto em onze anos no combate à Cosa Nostra e o respeito que inspirava a todos os membros da organização, pela humanidade, correcção e respeito com que os tratava quando procedia às investigações e inquéritos que concluíram com a condenação e prisão de muitos deles.
Toda a acção desenvolvida pelo juíz Falcone contra a máfia é habilmente relatada pela jornalista Marcelle Padovani neste interessante livro, em que o juíz, profundo conhecedor da organização, dos seus métodos e dos seus membros, transmite, com uma grande riqueza de pormenores, o seu funcionamento, poderes, violências e até influências políticas.
Terá sido isso que levou a máfia a assassiná-lo tão barbaramente? Terá sido o que nos conta neste livro a razão da sua morte?..."
(apresentação)
Matérias:
Prólogo: O método Falcone. Aviso. I - Violências. II - Mensagens e mensageiros. III - Contiguidades. IV - Cosa Nostra. V - Perdas e lucros. VI - Poderes. Anexos.
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ligeiramente aparado e carminado à cabeça.
Invulgar.
15€

01 agosto, 2016

A d'O. B. & J. M. N. - FLORES DO PRADO. Collecção de trechos historicos, anecdotas, ditos espirituosos, poesias, motes, sonetos, acrosticos, e charadas. Por... Lisboa, Typographia de M. de J. Coelho, 1867. In-8.º (18,5cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos em poesia e em prosa, com um estilo marcadamente ingénuo, assim como pequenos trechos humoristas, charadas e respectivas soluções.
"Não é dos nossos labios, que desponta a súpplica de um fervoroso perdão, mas sim dos nossos feitos. Não foi um espirito maligno, que nos conduziu a levar este insignificante volume a effeito, com o fim de obter a paga de um vantajoso trabalho, foi unicamente a necessidade que tinhamos de desinvolver as nossas enleadas intelligencias. Todos sabem que o fructo nasce verde, e que só o tempo o poderá amadurecer. Portanto, ahi apresentamos hoje o nosso primeiro ensaio litterario; e confiando desde já na indulgencia do leitor, esperam um confortado perdão para estas puras e singelas Flores do Prado."
(Introdução, Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Pequena falha de papel na extremidade superior da lombada. Páginas apresentam manchas de oxidação. Última folha com manchas escurecidas. Anotações a lápis ao longo do livro.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível