15 junho, 2013

MARIA, Padre Francisco de S. – SERMOENS // DO PADRE // FRANCISCO DE S. MARIA // CONIGO DA SAGRADA CONGREGAÇAM DE S. JOAM // Evangelista, Cronista gèral da mesma Congregaçaõ, Mestre // jubilado na sagrada Theologia, & Qualifica- // dor do Santo Officio. // I. PARTE. // DEDICADA // Ao muito Alto, & muito Poderoso Rey // DOM PEDRO II. // NOSSO SENHOR // LISBOA. // Com todas as licenças necessárias. //Na Officina de MANOEL LOPES FERREIRA // Anno M. DC. LXXXXIX. // E à sua custa impressa. In-8º (20cm) de [8], 382 p. ; E.
Ilustrado com vinhetas tipográficas e florões.
Este é o I de V tomos publicados entre 1869 (o presente) e 1738.
“SENHOR.
Ponho aos Reas pés de V. Magestade, este Primeira Parte dos meus Sermões, esperando, que serà recebida nos braços da clemencia igualmente benefica, & soberana, com que V. Magestade, como Planeta dominante, & Senhor, naõ dos anos, mas dos animos, que he mais, impera nos corações de seus Vassallos. A qual julgo, para com estes Sermões taõ propicia, & taõ certa, quanto sey que foy singular a attençaõ, & notorio o agrado, com que V. Magestade se dignou de ouvir os que prèguei em sua Real presença.
(excerto da dedicatória)
Sermões que constam deste tomo:
1. Da Conceiçaõ da Virgem Santissima. 2. De Santo Antonio de Padua. 3. Do deseggravo do Santissimo Scacramento. 4. Da Ascensaõ de Christo Senhor nosso. 5. De Santa Clara. 6. De Quarta feira de Cinza. 7. Das Saudades da Virgem Santissima. 8. Da terceira Dominga do Advento. 9. De Saõ Joaõ Evangelista. 10. Da terceira Quarta feira da Quaresma. 11. Do Santissimo Sacramento. 12. Da Lagrymas de Saõ Pedro. 13. De Nossa Senhora a Grande. 14. De Nossa Senhora do Valle. 15. De Santa Theresa de Iesu. 16. Primeira tarde da Quaresma. 17. Segunda tarde. 18. Terceira tarde. 19. Quarta tarde. 20. Quinta tarde.
P. Francisco de Sancta Maria, Conego secular da Congregação de S. João Evangelista, Doutor em Theologia pela Universidade de Coimbra, Reitor da Casa de Sancto Eloy, e Geral da mesma Congregação, Provedor do Hospital Real das Caldas da Rainha, etc. Diz se que rejeitára o bispado de Macau, para o qual elrei D. Pedro II quiz nomeal o em 1692. N. em Lisboa a 11 de Dezembro de 1653, e m. na mesma cidade a 13 de Novembro de 1713. Para a sua biographia vej. o Elogio que á sua memoria dedicou Manuel da Cunha de Andrade, impresso em 1739, e os Estudos biographicos de Canaes a pag. 234. Ha na Bibl. Nacional dous retratos seus. E. 1429) (C) O Céo aberto na terra. Historia das sagradas Congregações dos Conegos Seculares de S. Jorge em Alga de Veneza, e de S. João Evangelista em Portugal. Lisboa, por Manuel Lopes Ferreira 1697. fol. gr. de XXIV 1146 pag. Bella edição, ornada com um elegante frontispicio gravado a buril. Além da chronica da ordem contém especies diversas, e entre estas a serie chronologica dos reis de Portugal, com o resumo da vida e feitos de cada um d'elles. O preço d'este livro era ha tempos de 1:600 a 1:800 réis, e este ultimo paguei eu pelo exemplar que possuo. Actualmente consta me que algum se vendêra por 2:400 réis.” (Inocêncio II, 462).
Encadernação coeva inteira de pergaminho com título na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa posterior apresenta defeitos. Mancha de humidade desvanecida no canto inferior dto, transversal a toda a obra.
Raro.
35€

13 junho, 2013

AZEVEDO, Antonio A. Marques de - ÁVANTE!!! (sonetos patrioticos). Porto, Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, 1915. In-8º (20cm) de [16] p. ; B.
Opúsculo em verso dedicado a Afonso Costa, que terá passado despercebido à Biblioteca Nacional. Escrito em tom de arrebatado fervor republicano, foi publicado após o “Movimento das Espadas”, em época de grande turbulência, durante a ditadura de Pimenta de Castro.
“Ao Ex.mo Snr. Dr. Affonso Costa, alma vibrante da Republica.
Permitta sua excellencia, que eu lhe consagre este grito, que me saiu do alvoraçado peito, no triste cogitar da hora presente.
Não é um trabalho de arte, nem fóros de canto, mesmo de guerra, pode ter. É um grito, como lhe chamo e que, no proprio titulo, vibra os ansiosos appellos d’um portuguez, que não sabe calar-se ante as tristes miserias a que estão levando a Patria…
Barcellos, 28-III-915”
(excerto da dedicatória)

O povo ao longe, em grito altissonante,
O jovem militar victoriava.
- «Ás armas, cidadãos!» Elle bradava,
Em defeza da Patria agonisante!

Que volte a Lei ao trôno que lhe dava
A Republica livre e dominante;
E volte a Liberdade, triumphante,
A ser a dôce luz que nos guiava.

Ás armas! Oh! Ás armas! Sem demora!
Vamos da Treva p’ra clarões d’Aurora.
Despindo á pressa as vestes da Deshonra.

Saibamos, Portuguezes, afirmar,
Que somos - «Nobre Povo, Heroes do Mar»!
Com Pundonor, com Brio, com Valor e Honra!

(Appello)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade perceptível na capa, transversal a toda a obra.
Muito raro.
Peça de colecção.
Sem indicação de registo na BNP (Biblioteca Nacional).
Indisponível

12 junho, 2013

WRIGHT, Nicky - FERRARI : o eterno mito do Cavalo Rompante. Lisboa/SãoPaulo, Editorial Verbo, 1990. In-fólio (36,5cm) de 160 p. ; todo il. ; E.
Edição de luxo sobre a mítica marca da Maranello e dos seus modelos mais emblemáticos. Livro de grandes dimensões, totalmente impresso sobre papel couché, profusamente ilustrado com fotografias a cores.
"Nenhum outro emblema do mundo automóvel atingiu a notoriedade da Ferrari, representado pelo cavalo rompante. Nenhum outro automóvel do Mundo atraiu tantos olhares de admiração como o Ferrari.
Desde que, em 1947, o primeiro carro saiu da fábrica de Maranello, o automobilismo foi enriquecido com a vasta frota dos velozes e excitantes carros que ostentam a marca inconfundível do génio de Enzo Ferrari.
Dino, Testa Rossa, Daytona, Mondial - eis os nomes que serão sempre familiares a todos os «doentes» do Ferrari - nomes que são simplesmente sinónimo do que há de melhor no mundo do automóvel desportivo.
E se os «visuais» concebidos por estilistas tão famosos como Pininfarina, Bertone, Boano e Zagato têm dotado o Ferrari com a sua característica beleza latina, os motores que lhe conferiram a sua vertiginosa velocidade são resultado da concepção de veraddeiros génios da mecânica como Lampredi, Colombo, Jano e Forghieri."
(excerto da apresentação)
Belíssima encadernação policromada do editor com sobrecapa de protecção com igual composição fotográfica.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta manchas de cor amarelada na 1ª e última folha e respectivas folhas de guarda (em bco).
Invulgar e muito apreciado.
15€

11 junho, 2013

SEQUEIRA, Mont'Alverne de - HYPNOTISMO E SUGGESTÃO. Dissertação inaugural. Apresentada e defendida perante a Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Por... Julho de 1888. Lisboa, Adolpho, Modesto & C.ª - Impressores, 1888. In-8.º (22cm) de [18], 266, [6] p. ; [5] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tese de licenciatura do autor. Trabalho pioneiro em Portugal, não escapou à polémica nos meios médicos.
Obra ilustrada com desenhos no texto e fototipias em separado.
"Hoje o hypnotismo é um assumpto palpitante, o que justifica o desejo de o querermos saborear, já que nos falta a competencia para o esclarecer.
Quando reconhecemos que elle era superior ás forças do nosso folego scientifico era tarde para retroceder. Avançando, cumprimos um preceito, que nos é imposto por uma lei absurda e iniqua.
Este trabalho, que é apenas um esboço de estudo, está eivado de defeitos, filhos da incompetencia do auctor, da falta de um guia, que o encaminhasse nas observações, e da precipitação com que são sempre manufacturadas as dissertações inauguraes."
(Excerto da introdução)
Gil Montalverne de Sequeira (1859-1931). “Foi um dos mais influentes paladinos do Primeiro Movimento Autonómico dos Açores, do qual resultou a primeira autonomia dos Açores em 1895. Médico e político, desempenhou diversos cargos, entre os quais o de director das Termas das Furnas, reitor do Liceu de Ponta Delgada, deputado às Cortes e procurador à Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa.”
Encadernação em meia de percalina com título e autor gravados na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta pequenos danos na encadernação; gravuras ligeiramente oxidadas.
Raro.
Indisponível

10 junho, 2013

OLIVEIRA, Augusto d'  - CRIMINALIDADE INFANTIL. Protecção Moral e Jurídica à Infância. Pelo advogado..., Administrador e Inspector Geral do Ministério da Justiça e vice-presidente da Associação Internacional da Protecção à Infância. Lisboa, Composto e Impresso na Tip. do Reformatório Central de Lisboa - «Padre António de Oliveira» - Caxias, 1929. In-8º grd. (22,5cm) de XXVII, [1], 110, [2] p. ; B.
Estudo sobre a criminalidade infantil desenvolvido ao longo da segunda metade da década de 20 do século passado, pouco tempo após o final da Grande Guerra, em pleno período de Ditadura Militar.
Inclui um quadro dos tribunais de menores e casas de correcção e uma relação dos estabelecimentos e serviços auxiliares de outros Ministérios e particulares que podem colaborar com as Tutorias, no internamento de menores em perigo moral.
"Publicamos a conferência e documentos contidos neste livro unicamamente com o fim de servir pela propaganda uma obra olhada em tôda a parte como do mais largo alcance, entre nós muito carecida da colaboração do público e da imprensa. [...] Em 1924 foram julgados 411 menores nos tribunais centrais de Lisboa e Pôrto. De ano para ano tem aumentado o número de julgamentos. No ano corrente, estando já a funcionar os tribunais centrais de Lisboa, Pôrto e Coimbra e os tribunais  auxiliares em quasi tôdas as outras comarcas, só na Tutoria de Lisboa foram instaurados, até Novembro, cêrca de 1:200 processos. [...] O que na verdade registam estudos feitos na quási totalidade dos países, é uma recrudescência de causas - agentes e ambientes da criminalidade infantil, à qual se opõe, como barreira eficaz, a política criminal preventiva seguida hoje por todos os governos. Aquela recrudescência é assinalada em face do exame geral de diversos aspectos sociais, denunciadores de uma larga e profunda conturbação cujos veículos são principalmente a má imprensa, o mau teatro, o mau cinematógrafo, a literatura pornográfica e sediciosa e outros portadores de excitantes nocivos a actuar em populações já atingidas por uma grande depressão. Êste estado gerado por factores de ordem económica, social, moral e familiar foi profundamente agravado pela Grande Guerra que, só por si, formou um ambiente psicológico de desmoralização, pela inversão de alguns princípios e subversão total de outros. O consumo de tantas vidas e energias, de abnegados sacrifícios, de fé e vontades heróicas, de saúde e dinheiro, a justificação de todos os meios perante os fins, a sistemática postergação do direito das gentes, a perda enfim de todo êsse património de bens morais e materiais sacrificados numa convulsão cujas causas todos repudiam, cujas responsabilidades todos engeitam, foram como em nenhuma outra guerra, de efeitos profundamente desmoralizadores."
(excerto do prólogo)
Matérias:
- Prólogo. - Conferência realizada em Lisboa em 22 de Maio de 1929. - Relatório sôbre o funcionamento dos Tribunais de Menores. - Circular n.º 19-Sôbre a classificação jurídica de menores. - Profissões perigosas. - A colonização do povoamneto de Angola com menores das Tutorias. - A situação dos filhos ilegítimos. - Circular n.º 10-Sôbre a organização e regimen dos internatos. - Ordem de serviço de 8 de Maio de 1929.
Exemplar brocahdo em bom estado de conservação. Carimbo de biblioteca (2) na f. rosto e em diversas outras páginas do texto.
Invulgar.
Indisponível

09 junho, 2013

ARGUS (pseud.) – A MAÇONARIA EM PORTUGAL : o sub-solo da revolução. Cartas da Belgica – 1.ª Serie. Paris, Ligue Anti-Maçonnique, [1910-]. In-8º (19,5cm) de XVI, 126, [2] p. ; B.
Publicação anti-maçónica. Obra publicada sob pseudónimo e atribuída a José Ernesto Marques Donato (1871-?), antigo conservador da Biblioteca da Universidade de Coimbra, ou ao Conselheiro José Fernando de Sousa (1855-1942), engenheiro, jornalista, escritor, político e militar, que também utilizava o pseudónimo jornalístico «Nemo». Esta 1ª série das «Cartas da Bélgica» foi tudo quanto se publicou.
“Vão correr mundo, reunidas em volume, as Cartas de Belgica, que constituiram a primeira serie e foram bem acolhidas pelo publico, quando vieram a lume na imprensa periódica.
Valem apenas pelos factos que revelaram, mercê de um feliz acaso, que me proporcionou o exame de authenticos documentos maçonicos, clandestinamente impressos e subtrahidos, na sua distribuição, ás vistas do mundo profano.
Apesar das naturaes reservas de tão malfazeja associação, que não submete aos azares da impressão os seus segredos mais tenebrosos, encontrei n’elles o bastante para desmascarar, em toda a sua hediondez, o sectarismo, a maldade e a hypocrisia d’esse corrilho. Dou por bem empregadas as horas d’exilio que a essa tarefa improba, mas necessaria, consagrei. Abriram-se os olhos de muitos que sorriam compassivamente da caturrice dos accusadores da Maçonaria.
As publicações jornalísticas exercem uma acção no momento e por isso efémera e fugaz. Excellente arma de combate, embora não dispensem o livro.”
(excerto da advertência)
Matérias abordadas:
- A Maçonaria é a grande corruptora dos povos. – O seu cerimonial é repugnante de baixezas. – A maçonaria é autocrata e descricionaria. – O regímen inquisitorial maçonico. – A Maçonaria é o estrangeirismo em Portugal. – Intolerancia e ferocidade maçonicas. – A maçonaria é antes de tudo anti-catholica. – Covil para satisfazer ambições. – O segredo das lojas e a alçada do Codigo Penal. – Bajoujices e patacoadas maçonicas. – A chuchadeira das fitas, trolha e aventaes. – Caçada aos tolos e armadilha aos parvos. – Antro politico de perturbação social. – Agencia tenebrosa de espionagem. – Galopinagem e bachanaes maçonicas. – A grande corruptora da escola e da familia.
“Ahi teem os leitores a livre crapula, associada ao livre pensadeirismo, que tem na seita o seu baluarte.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

08 junho, 2013

O VERDADEIRO // PRÉGADOR // NO SECULO XVIII. // REFERINDO // OS PROGRESSOS, DECADENCIAS E // Restauraçoens, que tem tido a Oratoria // sagrada, desde o principio do Mun- // do até ao prezente. // E REPROVANDO // O Systema, adoptado por alguns dos Pré- // gadores, mais modernos: // PROPOEM ULTIMAMENTE // Em differentes Sermoens, differentes no- // dellos da Eloquencia Evangelica. // PORTO: // NA OFFINA DE JOAÕ AGATHON, // Anno de 1798. // Com Licença de Mesa do Desembargo do Paço. In-8º (19cm) de [6], 156, [2] p. ; E.
1ª (e única) edição publicada.
Raro e muito curioso estudo publicado sob anonimato. O autor condena o uso da oratória “rendilhada”. Aprecia e elogia Fr. Manuel da Epifânia (autor do Verdadeiro Método de Pregar, 1759).
“Distinguir o Verdadeiro Prégador n’hum seculo taõ critico, e taõ abundante deles, como he o nosso: parece, ou temeridade; ou prezumpçaõ. Naõ he nada disto. O deploravel estado, a que vai caminhando este honroso Ministerio, excita espiritos zelosos: naõ convida coraçoens, nem temerarios; nem presumidos. Ha muitos Prégadores, he verdade: porém sendo muitos os chamados, saõ poucos os escolhidos. Dividamos a soma total destes Obreiros Evangelicos. Separemos os dignos dos indignos, e os primeiros sirvaõ de exemplares aos segundos. Mas que ha de fazer esta divizaõ? E depois della feita, que ha de separar os bons dos maos? Leaõ-se os Capitulos desta obra: pezem-se na balança da razaõ, e o sentido intimo do Leitor desapaixonado poderá decedir o problema.”
(excerto da introdução)
“Correo por bastantes anos este geral aplauso [a um famoso pregador da época, “modelo da Eloquencia”], sem que eu podesse ouvir o Prégador, até que finalmente se me offereceo huma occasiaõ, que logo aproveitei. O Sermaõ era de hum santo martyr. Subio ao pulpito o novo mestre da Oratoria. Eu logo desconfiei quando o vi de cabeleira muito penteada, roquete finíssimo, e estola bordada de ouro, &c.: mas naõ me quis parecer com aquelles, que reprovaõ os livros sem os lerem; a pezar de conhecer o caracter da carta pelo caracter do sobrescrito, sempre quis ouvir o Sermaõ. Naõ me lembro se o Prégador tomou thema, lembro-me que principiou o seu exordio por estas, ou similhantes palavras: O navegante aflicto, vendo soprar desconcertadamente os ventos; sentindo gemer o curvo lenho, combatido por todos os lados de crespas, e encapelladas ondas…
Fiquei taõ atordoado ouvindo similhante bateria, que naõ me lembra mais nada do tal exordio. Parece-me, que lhe ouvi dizer ao determinar-se para entrar no discurso, que tinha já a imaginação escaldada; e que, por isso mesmo, tomava a palheta, e os pinceis, e principiava a traçar o painel. E com efeito principiou a traçar o painel, e tambem me naõ lembro como elle fez isto: só me recordo apenas da pintura, que fez das feras, a quem foi lançado o Santo. Pouco mais ou menos deste calibre: Hum esfaimado leaõ, sentilando fogo nos olhos, açoitando os flancos com a propria cauda, escavando na terra, sacudindo a crespa gadelha se lançou á inocente victima.
Finalmente acabou-se o Sermaõ, e eu fiquei tal, que nem podia responder a milhares de apaixonados, que me perguntavaõ; o que me tinha parecido aquella Oraçaõ? Agora, que já estou mais senhor meu, sempre digo: que o tal Prégador, (sem offensa a sua crespa gadelha) sabia tanto da Eloquencia sagrada, como sabia outro de titulos de livros, que querendo imprimir os seus Sermoens no anno de 1694 os inculcou com este.
Pancarpia, ou Capella Florida matizada, e odorifera tecida com 18 Sermoens diferentes; e intitulados Guarnecida com flores Panegiricas, Moraes, e Metaphoricas, dedicadas ao Taumaturgo Lusitano S. Antonio para diadema fragante de seus inclitos meritos.
(excerto do texto)
Encadernação inteira de pele com rótulo e ferros a ouro gravados na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
A última página apresenta gralha na numeração (159) ao invés de 156.
Raro.
90€

07 junho, 2013

MESQUITA, Alfredo – DE CARA ALEGRE. Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, Editores, 1897. In-8º (19cm) de [8], 255, [5] p. ; B.
Conjunto de interessantíssimas crónicas versando os mais variados assuntos, algumas relativas a personalidades influentes da época como é o caso de Bernardino Machado e João Franco.
Matérias:
- De Cara Alegre. – Homens de Lettras. – Os Bordallos [família Bordalo Pinheiro]. – Gaiatos de Lisboa. – Carlos Lobo d’Avila. – Filhas de Eva. – Diogenes. – Cafés-Concertos. – O Actor Amaro. – Phases do Sol. – Bernardino Machado. – Dia de Maio. – Jacome. – Os Aspirantes. – Conselheiro Paiva. – Estrangeiros. – O Pote. – Os Mordomos. – João Franco. – Feira Lusitana.
Alfredo de Mesquita Pimentel (1871-1931). “Jornalista, escritor, olisipógrafo e diplomata português. Foi redactor do Jornal do Comércio, do Diário de Notícias e da revista O Occidente. Colaborou, também, nos jornais humorísticos «António Maria» e «Paródia». Publicou uma extensa obra literária, incluindo biografias, ensaios literários, contos, teatro, literatura de viagens e um romance. Pertenceu à Maçonaria, com iniciação em 1892, na Loja Tolerância, em Lisboa.”
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Falha de papel no terço inferior da lombada. Ausência da capa posterior.
Muito invulgar.
Indisponível

06 junho, 2013

FARIA, Eduardo de - AUTO DAS TRÊS ALMAS. Lisboa, [s.n. - imp. na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra], 1929. In-8º grd. (22cm) de 15, [1] p. ; B.

Comovente peça de teatro em verso tendo a Grande Guerra como pano de fundo. Um mutilado da guerra conta à mãe e filha de um camarada de armas morto a seu lado em França, a 9 de Abril, o seu sacrifício e recorda as suas últimas palavras.




"Senhoras. Vinde ouvir
estes versos dedicados àqueles pobres soldados
que andaram àlem na Guerra.
Lusitanos esforçados por seu valôr imortal.
Luctando por sua terra
em louvôr de Portugal.

Vinde ouvir a odisseia
dêsses infantes valentes
que marcharam deligentes
e que tão poucos voltaram.
Vinde vêr o brio ardente
traduzido em mago canto.
Vinde a enxugar o pranto
que suas noivas choraram.

Senhoras, senhores, crianças,
vinde ouvir os tons plangentes
dêsses serranos valentes
luctando mesmo sem esp'rança
...........................................
Caem calmas e bonanças
a cobrir já toda a terra,
após o esfôrço imortal.
Soldados da Grande Guerra,
Ó heróis de Portugal."

(Prólogo)

Eduardo de Faria (1896-1951). Tenente, oficial miliciano combatente da Grande Guerra.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta vinco no canto sup. dto da capa. 
Muito invulgar.
Indisponível

05 junho, 2013

RAIMUNDO, Domingos de Mendonça – CENTRO CULTURAL DE BELÉM : aspectos significativos da construção. Lisboa, Centro Cultural de Belém : Sociedade de Gestão e Investimento Imobiliário, S. A., 1994. In-4º (25cm) de [8], 90, [6] p. ; [44] p. il. ; B.
Fotografia de Francisco Leite Pinto e José Alexandre Inácio.
Orientação artística e gráfica de João Paulo de Abreu e Lima.
Tiragem: 500 exemplares.
Muito ilustrado em separado com fotografias a cores das diversas fases da obra.
Documento da maior relevância para o conhecimento técnico das diversas variáveis e fases de construção do CCB - Centro Cultural de Belém.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, Domingos de Mendonça Raimundo, Engenheiro-Residente da obra.
“O Centro Cultural e Belém é a expressão visível e concreta da vontade, assumida a nível decisório, de conferir aos espaços que se estendem entre dois magníficos monumentos, classificados património mundial e dos mais evocativos da grandes feitos da nossa História – O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém – a dignidade imposta pela sua importância histórica e arquitectónica.
Esta realização consubstanciou ainda o aparecimento de novas estruturas culturais, atinentes à prática dos mais prestigiados tipos de espectáculos – teatro, ópera, bailado, concertos – e à mostra das mais valiosas peças do património cultural e artístico mediante exposições temporárias ou permanentes. Criou ainda espaços vocacionados e equipados para todo o tipo de reuniões, congressos, conferências culturais, técnicas, científicas em local prestigiado, propiciador do ambiente adequado a tais realizações.
Transitoriamente, permitiu ainda a instalação de todos os serviços e das áreas requeridas pela realização da presidência portuguesa das Comunidades Europeias.”
(excerto da introdução)
Matérias:
Descrição Sumária do Projecto
- Módulo 1. - Módulo 2. - Módulo 3.
A Gestão da Obra
- Planeamento e controlo do progresso. - Seguimento e fiscalização da obra. – Concursos/Aprovisionamentos. – Controlo de custos.
A Gestão do Projecto
- O Protocolo para Gestão e acompanhamento do projecto. – Assistência Técnica do Projecto à Obra (ATP). – A gestão dos projectos da área de Electricidade e afins. – O Núcleo Integrado para o Desenvolvimento Coordenado dos Projectos.
O Planeamento
- Organização Estrutural. – O Planeamento geral. – O programa integrado. – O controlo do progresso. – A coordenação Geral em obra. – A gestão técnica e o controlo de qualidade.
O Controlo de Qualidade
- Os betões. – As estruturas metálicas. – Os ensaios sónicos das estacas de fundação. A recepção dos materiais.
A Execução da Obra
- Trabalhos preparatórios. – Fundações. – Estruturas e Alvenarias. – Acabamentos e vãos interiores, impermeabilizações e revestimentos em terraços e pavimentos exteriores. – Fornecimento e assentamento de pedra em paramentos exteriores.
Espaços Cénicos
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

04 junho, 2013

FREIRE, J. Carlos - DOM TRUITOSENDO GUEDES. Prefácio de Emmanuel Guedes. Lisboa, Editorial Minerva, 1953. In-8º (18,5cm) de 228, [4] p. ; B.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Ensaio histórico sobre a fundação da nacionalidade.
"O «Dom Truitosendo» não é apenas um erudito trabalho histórico a focalizar um dos mais obscuros e trágicos períodos da Europa medieval e o nascimento de uma gloriosa nação: dá forma ou se origina na tessitura de vetusta árvore genealógica e, não obstante a inactualidade ou particularidade dos assuntos, fascina o leitor pelo claro e interessantíssimo encadeamento dos acontecimentos."
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Carimbo de biblioteca na capa, f. rosto e f. anterrosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 junho, 2013

BASTOS, Leite : O ULTIMO CARRASCO (Luiz Negro). Por... Lisboa, Officina Typographica de J. A. de Mattos, [1880]. In-8.º (19 cm) de 272, [3] p., [4] p. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com 4 belíssimas estampas em extratexto.
«O Último Carrasco» é um romance histórico, cuja acção decorre no século XIX, e que relata a vida de Luís António Alves dos Santos, o “Negro”, o último carrasco português.
Francisco Leite Bastos (1841-1886). “Jornalista, autor de contos e romances policiais, dramas e comédias, nascido a 17 de setembro de 1841, em Lisboa, e falecido a 5 de dezembro de 1886, na mesma cidade. Gozou, no seu tempo, de um relativo êxito popular. Colaborou no Diário de Notícias e em vários jornais literários.”
Encadernação coeva em meia de pele lisa.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta defeitos nas pastas e na lombada; ostenta carimbo de posse na f. rosto..
Raro.
Indisponível

01 junho, 2013

OLIVEIRA, Antonio Corrêa d’ – LADAINHA. Lisboa, Typographia do Commercio, 1897. In-8º (18cm) de 23, [1] p. ; B. 
1ª edição.
Edição cuidada, de grande qualidade estética. Trata-se da primeira obra do poeta publicada quando somava apenas 18 anos de idade.
Muito valorizada pela sua dedicatória autógrafa a Agostinho de Campos.





Na minha terra os noivados
Passam por arcos de flores.
As almas dos esposados
Vão no peito como andores…

As Virtudes são ceifeiras,
O Bem ceára de luz;
Ha lá no ceo largas eiras,
E o lavrador é Jesus!

O sete’strello é um tear,
As nuvens d’oiro novellos…
Astros de prata, a cantar,
Teceram-te os teus cabellos!...

Dezoito annos… Isto é vida?!
Não ha quadros sem côres…
E na procissão da Vida
Os sonhos são os andores!...
Creanças loiras, sem vida,
Levam mortalhas d’amores!..."

(I poema)

António Correia de Oliveira (1879-1960). “Nasceu em São Pedro do Sul em1879 e faleceu em Antas, Esposende, em 1960. Estudou no seminário de Viseu, indo depois para Lisboa onde trabalhou como jornalista no Diário Ilustrado. Tendo casado com uma rica proprietária minhota, fixa-se na aldeia de Belinho, conselho de Esposende. Foi um dos cantores do Saudosismo, juntamente com Teixeira de Pascoaes e outros. Colaborou na revista A Águia, Atlântida, Ave Azul e Seara Nova. Foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada‎ a 5 de outubro de 1934 e Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública a 26 de Agosto de 1955. Foi um poeta conotado com o Estado Novo.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta etiqueta numerada colada sobre a lombada. Carimbo de biblioteca (2) na f. rosto.
Raro.
Indisponível