BASTOS, Francisco Leite - MALDITAS CARTAS : comedia em 1 acto. Original por... Representada a primeira vez no Theatro da rua dos Condes. Lisboa, Typographia de F. J. Gonçalves, 1865. In-8.º (16,5x11,5 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Trabalho muito curioso, sendo este uma das primeiras produções do autor. Trata-se de uma peça de costumes, onde o autor desmonta com graça a astúcia pelintra e bem falante dos "figurões" que na época davam o "golpe" nas moças incautas. No final, o intuito moralizador da peça permite que tudo acabe em bem.
O livrinho encontra-se pejado de correcções e anotações coevas a tinta. Inclui ainda um desenho a lápis da "cena" de interiores a três dimensões no verso na f. rosto. Exemplar do autor? Exemplar de cena?
"José só
(á janella fazendo visagens para a rua). Sim, meu bem, meu pastel de nata, meu... Queres fallar-me? Sem falta? Hoje? Quando o casmurro saír? Pois sim, não faltarei. (para a scena). Isto é que é derriço. (para a rua). Ah!... Adeus; então adeus. Olha (atirando-lhe um beijo) ahi váe para o caminho: saudades á familia e recommendações ao papá. (descendo á scena). Parabens, sr. José Minhoto; é v. s.ª o futuro de uma capellista baixinha, trigueirinha, bonitinha e... Agora vejo que vim a Lisboa fazer alguma coisa. Conquistei em menos de quinze dias a filha do sr. Bigorna, casmurro de feio nome, e horrenda cara. Mas... Mas tudo isto não é devido ao meu trabalho, que lá isso sei eu, que não tenho barbas para tanto. A umas cartinhas de amor, que eu, com muita esperteza, empalmei ao patrão, e ainda com maior labia offereci á capellista, é que eu devo todo este cantar de papo! Pois então! A rapariguinha anda mesmo louca por mim; de sorte que tenho sempre charutos de môfo, trincadeira de vez em quando; e tudo isto são coisas, que se não prendem o coração, acorrentam pelo menos o estomago e afinam muito melhor a garganta. (canta:)
Esta vida de criado
Não me offerece garantias;
Pela vida de criado
Já não tenho sympathias.
Vou largar, já sem demora
Uma vida tão cruel,
E biscar melhor fortuna
Em qualquer lua de mel.
Agora é descançarmos das fadigas. (senta-se).
(Scena I)
Francisco Leite Bastos (Lisboa, 1841-1886). "Dramaturgo,
romancista popular e jornalista. Dos 17 aos 22 anos, foi escrevente na
Repartição do Major-General da Armada, lugar que deixou para viver
apenas das letras. Foi, descontinuadamente, redactor do Diário de Notícias
e deu colaboração a outros jornais de Lisboa. O seu teatro teve, à
época, bastante êxito dada a imaginação que demonstrava e a crítica de
costumes que continha, o que não obstou a que a sua peça O incendiário da Patriarcal,
quando foi estreada no Ginásio, fosse pateada. À reacção da plateia,
contrapôs o autor, de uma frisa, com um discurso fortemente insultuoso
dos espectadores que, perante os impropérios que lhes eram dirigidos,
romperam numa longa ovação. De qualquer forma, não voltou a escrever
teatro, embora o tema daquela peça lhe tenha servido, depois, para um
folhetim.
Teve também êxito a escrever folhetins e romances populares, mais pela desmedida imaginação do que pelo português que era descuidado por muito apressado. Na sua ânsia de publicar para viver, compôs um volume de continuação de Rocambole, quando aquela obra foi pela primeira vez publicada em Portugal. O livro devido a Leite Bastos, cuja acção decorria em Londres, intitulava-se As maravilhas do homem pardo e nenhum dos muitíssimos leitores dos numerosos volumes deu por nada, como conta Mayer Garção em Os esquecidos (Lisboa: 1924, p. 15). Aliás, As maravilhas do homem pardo foram reeditadas em 1915, em Lisboa, como sendo a 12ª. parte de Rocambole.
Figura característica da vida lisboeta, percorria as ruas da capital numa pequena carroça, puxada por um cavalo, que devia a alimentação à caridade dos lojistas que seguiam os folhetins do dono a quem o equídio acompanhava nas suas peregrinações pelas tabernas mais típicas, partilhando do vinho que nelas lhes ia sendo servido."
Teve também êxito a escrever folhetins e romances populares, mais pela desmedida imaginação do que pelo português que era descuidado por muito apressado. Na sua ânsia de publicar para viver, compôs um volume de continuação de Rocambole, quando aquela obra foi pela primeira vez publicada em Portugal. O livro devido a Leite Bastos, cuja acção decorria em Londres, intitulava-se As maravilhas do homem pardo e nenhum dos muitíssimos leitores dos numerosos volumes deu por nada, como conta Mayer Garção em Os esquecidos (Lisboa: 1924, p. 15). Aliás, As maravilhas do homem pardo foram reeditadas em 1915, em Lisboa, como sendo a 12ª. parte de Rocambole.
Figura característica da vida lisboeta, percorria as ruas da capital numa pequena carroça, puxada por um cavalo, que devia a alimentação à caridade dos lojistas que seguiam os folhetins do dono a quem o equídio acompanhava nas suas peregrinações pelas tabernas mais típicas, partilhando do vinho que nelas lhes ia sendo servido."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=7678)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Revestido de capas simples, lisas, com título manuscrito.
Raro.
45€


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