20 abril, 2026

CASTELLO BRANCO, José Holbeche Cardoso - PRIMEIRA TENTATIVA. Contos originaes. Por... Lisboa, Typographia da Casa Catholica, 1907. In-8.º (17,5x12 cm) de 65, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de contos naturalistas, primeira obra do autor.
Pouco foi possível apurar acerca de Holbeche Castelo Branco (1888-1963), a não ser que seria natural da Costa da Caparica, ou pelo menos teria grande afinidade com esta, pois dá nome a uma rua da cidade, e ainda que, de acordo com a BNP, terá publicado meia dúzia de opúsculos, sendo alguns de pendor germanófilo.
"A pequena collecção de contos, que tenho a honra de vos apresentar, é, como o indica o proprio titulo do livrinho que os contém, a primeira tentativa dum obscuro e modesto autor."
(Excerto de Ao leitor)
"A dois kilometros da aldeia de S. Braz, povoação perdida entre os valles verdejantes da risonha provincia do Minho, permanecia quasi de todo occulta por alto e espesso mato, uma casita de reduzidas dimensões, cujo tecto alquebrado e paredes esboroadas se adornavam com variada vegetação. [...]
Pertencera a casa, conforme resava a lenda, a um casal que vivera em tempos de que ninguem já se lembrava e do qual não ficara descendente algum. Morrera primeiramente a mulher, a quem o marido, que fôra sempre dado á embriaguez, tinha por habito surrar amiudadas vezes, accelarando-lhe assim a morte. Se até então o deshumano marido só encontrava distracção no vinho, dahi por deante não mais foi visto noutro estado que não fôsse o de mais completa ebridade.
Umas vezes cambaleante, agarrado ás paredes, outras estendido junto ás soleiras das portas, elle passou os poucos annos de viuvez, até que uma manhã, em que a neve cobria os telhados e envolvia os ramos nús das arvores, o encontraram prostrado no caminho que conduzia á sua mesquinha habitação. Levado para casa, conseguiram que elle recobrasse os sentidos, e qual o espanto dos que o cercavam quando lhe começaram a ouvir sons inarticulados e conjunctamente palavras sem nexo, até que expirou. Fôra espirito mau que lhe entrara no corpo, disseram todos á uma, e nesta convicção, lhe deram sepultura no adro da egreja.
Passados tempos, cingindo-me ainda á lenda, principiou a correr na aldeia que á meia noite era costume sentir-se, junto ao adro, um certo rumor, acompanhado de um trinar semelhante ao de sinos que badalassem muito ao longe. Era a alma penada de alguem que supplicava a interferencia da humanidade junto de Deus, para que lhe fossem minoradas as penas do purgatorio a que decerto fôra lançada.
Uma bella noite, em que o luar fazia destacar na escuridão as paredes alvissimas do modesto templo, um pastor que guiava para o aprisco o seu pacifico rebanho, viu nitidamente desenhada, perto do alpendre da egreja, uma sombra em tudo identica á figura do Paulino, nome porque era conhecido o tal antigo proprietario da já referida casita."
(Excerto de O feiticeiro)
Indice:
Ao leitor | Penitencia | O ultimo adeus | Angustiosa duvida | Triste condição | Impressões de um recluso | O feiticeiro.
Exemplar brochado revestido de capas simples, lisas, em bom estado geral de conservação.
Raro.
35€
Reservado

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