CAVACO, Faustino - VIDA E MORTES DE FAUSTINO CAVACO. Organização de: Rogério Rodrigues. Lisboa, Euroclube, 1988. In-8.º (21,5x16 cm) de 516, [4] p. ; C.
1.ª edição.
Memórias
de Faustino Cavaco, conhecido assassino, assaltante de bancos, que na
sua fuga da cadeia de alta segurança de Pinheiro da Cruz (Grândola), em
1986, deixou atrás de si um rasto de mortos e feridos.
"A
29 de Julho de 1986 [...] seis perigosos reclusos tinham conseguido
fugir da cadeia de Pinheiro da Cruz, a vinte quilómetros de Grândola,
deixando para trás três guardas prisionais mortos e outros dois feridos
com alguma gravidade. [...] No interior do edifício, destruíram o rádio
para impedir comunicações com o exterior e arrombaram o armeiro de onde
tiraram quatro G3 e cinco pistolas. Três guardas que tentaram travar a
fuga foram abatidos a sangue-frio e outro ficou ferido. Outros três
foram feitos reféns e usados como escudo pelos cadastrados para chegarem
ao exterior. [...] Pinheiro da Cruz demorou meia hora a alertar o posto
da GNR mais próximo, situado a 25 quilómetros, por só haver uma linha
telefónica. [...] No final do dia, havia uma certeza: aquela era a fuga
mais sangrenta na história das prisões portuguesas."
(Fonte: https://observador.pt/especiais/faustino-cavaco-a-fuga-da-prisao-que-parou-o-pais/)
Inclui no final um glossário dos termos e expressões utilizados pela banditagem entre si.
"José
Faustino Cavaco é o anti-herói. Ninguém que mereça a nossa piedade nem o
nosso respeito. É o que foi um jovem que matou seis pessoas, por
revolta, por medo, por vezes, gratuitamente.
Condenado
à pena máxima pelos tribunais portugueses, marcado por humilhações,
vexames e mesmo violências insuportáveis por parte do sistema prisional
português, um universo contraditório e, com frequência, arbitrário, José
Faustino Cavaco, encerrado, durante meses, na solitária de Coimbra,
começou a escrever as suas memórias (curtas mas intensas), um morrer
diário com vidas de ontem.
Com
uma grande capacidade narrativa, capas de criar situações e desenvolver
instantes e gestos com uma intuição e facilidade que não deixam de nos
surpreender, este livro, a que eu tive acesso em primeira mão, num
original de letra esguia, azul, angustiada, é um ajuste de contas com a
vida, uma certa predisposição para não-viver.
Os
seus protagonistas são crápulas e vulgares, volúveis e venais, sem
gestos de honra nem actos de coragem, sem códigos nem organização,
agindo sob as necessidades de momento.
Faustino
Cavaco fez parte e um bando comummente conhecido por FP-27 que realizou
mais assaltos a bancos, em Portugal, que qualquer outra quadrilha.
Mas não se pode dizer que pertencia a uma organização complexa, com núcleos estanques e apurados estudos de alvos a atingir.
Faustino
Cavaco era um operacional de caçadeira de canos serrados. Fazia parte
de um pequeno grupo que quatro ou cinco elementos, expressões nocturnas e
excepcionais, de jovens perdidos na comunidade portuguesa, emigrada em
França.
Foi
por casualidade que o original me veio parar às mãos. Mais tarde
encontrámo-nos na cadeia de Coimbra. E falámos sobe o livro. Faustino
Cavaco parecia desejar muito pouco a vida. Era sua obsessão que, dia
mais dia menos, pode ser abatido. A sua única referência futura é o
futuro da sua filha, a sua paixão,o único elo que o liga à vida. [...]
Não
me compete emitir juízos de valor. Que cada um faça os seus. Penso,
isso sim, que este desfilar de misérias, de sofrimento e grandes
carências de toda a ordem, é um apelo à sensibilidade do leitor, à
descoberta de um tempo quase único - de brusquidão, de ternura mortal,
de infância às tiras, num universo onde só cabem os sobreviventes.
Mas as palavras de Faustino Cavaco falam por si.
Este é o seu último assalto, com tiros que não matam, mas doem."
(Excerto de Nota explicativa)
Índice:
Introdução.
| A minha infância. | A minha ida para França. | A morte da minha mãe. |
Um carrasco na pele da madrasta. | O «irmão» da minha ruína. | Regresso
ao Algarve. | Regresso do meu pai. |! A morte do meu filho. | O
princípio do meu fim. | O Pires chega de França. | Assalto ao banco de
Beja. | A morte do Laginha e dos guardas-fiscais. | A GNR sem pistolas. |
Assalto nas barbas da PJ. | Prisão do Michel. | Os últimos assaltos. |
Dois de Janeiro de 1985 - O dia em que morri. | Pela primeira vez na
prisão. | Entrada na Penitenciária. | O inferno de Pinheiro a Cruz. | A
fuga para a morte. | Perseguição e captura. | As últimas horas. |
Glossário.
Encadernação cartonada do editor em vermelho com letras a negro nas pastas e na lombada, e retrato de Faustino Cavaco na pasta posterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e criminal.
35€


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