13 junho, 2025

GONÇALVES, Doutor Luís da Cunha -
A VIDA RURAL DO ALENTEJO : breve estudo léxico-etonográfico.
Conferência feita na Academia das Sciências de Lisboa. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922. In-4.º (23x15 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a ruralidade alentejana nos seus mais variados aspectos, publicado em separata do «Boletim da Classe de Letras», volume XV.
"Se a língua é um dos elementos mais salientes em que se afirmam a autonomia nacional, a unidade político-económica, a solidariedade psíquica e moral dum povo, ela é também a revelação claríssima das suas faculdades criadoras, da riqueza da sua imaginação, que lhe faz encontrar, para cada idéa, cada acção ou facto, cada coisa ou entidade, cada emoção ou sentimento, modalidades e cambiantes, uma distinta palavra, que a exprime ou abrange. Sob êste ponto de vista, pode considerar-se a língua portuguesa uma das mais perfeitas e ricas, como o têm já afirmado, em prosa e verso, muitos dos mais notáveis cultores dela e o têm reconhecido todos os filólogos e lexicógrafos."
(Excerto de I - Generalidades - Linguagem - População - Território - Excelências da agricultura)
Luís da Cunha Gonçalves (1875-1956). "Nasceu em Nova Goa a 24 de agosto de 1875 e faleceu em Lisboa a 24 de março de 1956. Licenciou-se e doutorou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, seguindo a carreira como docente, tornando-se catedrático de Direito Civil, Político e Administrativo do Instituto de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa. Jurista conceituado, publicou diversos trabalhos no domínio do Direito, com destaque para p “Tratado de Direito Civil em Comentário ao Código Civil Português”.
Foi membro da Associação dos Arqueólogos de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia de Jurisprudência e Legislação de Madrid e da International Law Association.
Recebeu o doutoramento "Honoris Causa" pela Universidade de São Paulo e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 24 de fevereiro de 1911, passando à categoria de efetivo a 11 de abril de 1929, na 2.ª secção (Ciências Jurídicas e Políticas)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21027)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais. Interior correcto.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

12 junho, 2025

MELO, Luís de Sousa -
VICENTES PHOTOGRAPHOS. Funchal - Madeira, Edições Ilha Tur, 1978. In-8.º (21,5x15 cm) de 43, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capas: Medalha concebida pelo Escultor Anjos Teixeira.
Obra de homenagem aos "Vicentes" - quatro gerações de fotógrafos madeirenses - dada à estampa na ocasião em que se assinala a posse do espólio do conhecido estúdio para a posse do Arquipélago da Madeira.
Ilustrada com inúmeras estampas a p.b. que reproduzem retratos, documentos e fotografias de estúdio e exterior.
"Vicente Gomes da Silva e seu filho Vicente Gomes da Silva Júnior - lembremos os dois. O primeiro, no dizer do Diário da Madeira de 13 de Dezembro de 1931, fotógrafo distintíssimo, um desenhador, um escultor e um fundidor digno do maior apreço, o introductor da fotografia e estereotipia, e quem primeiro fabricou os carimbos de borracha e fundiu o ferro nesta Ilha, aquele que com uma habilidade instintiva, fixou na tela óleos admiráveis das figuras mais em evidência do nosso meio, e aguarelava, em flagrante luz, as passagens da nossa terra,pintando, em miniatura, sobre placas de marfim, maravilhosos retratos e que como a maior parte dos verdadeiros artistas, não dava exacto valor ao seu esmerado trabalho."
(Excerto do trabalho)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

10 junho, 2025

DIAS, Miguel Antonio -
SALOMÃO OU UM DIA EM JERUSALEM. Drama allegorico em 5 actos. Pelo auctor da Bib.∙. Maç.∙. e Arch.∙. Mystica, Etc. Lisboa, [sn.], 1851. In-8.º (21x13,5 cm) de 64 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro, com interesse histórico e maçónico, alvo de polémica aquando da sua publicação.
"A maior parte dos episodios para este drama foram tirados de Terrasson e Sethos; e transferidos do Egypto (2,000 annos antes de Christo) para Jerusalem (1,000 annos depois), por quatro rasões:
1.º Porque alguns patriarchas hebreos até Moysés foram iniciados nos mysterios de Isis e Osiris em Memphis, e Salomão o foi tambem nos de Céris em Eleuses.
2.º Porque, tanto Moysés, como Salomão, transportaram comsigo para a sua patria os costumes, as artes, as sciencias, e os mysterios do Egypto.
3.º (Esta é allegorica, para a qual tinhamos direito e plausibilidade).
4.º Porque quizemos pôr em scena um facto biblico é historico, que foi posto em duvida por um membro do nosso Conservatoria Dramatico.
Este Sr., tendo declarado em sessão geral, não entender as allegorias do nosso drama, ousou criminar-lhe o 8.º acto, por ser (disse elle) «uma copia fel do que a imprensa periodica m'estes ultimos tempos tem produzido, relativamente á divisão dos poderes do Estado, e da responsabilidade dos ministros.»
Este nosso drama tinha entrado no Conservatorio sem padrinho, e previamos que suas allegorias haviam de chocar algum dos seus membros ; mas achámos a confissão do censor tão ingenua, e o seu reparo critico tão chistoso, que loucura fôra não retirar o drama, e não o publicar.
Foi peor a emenda que o soneto.
E, para sua mais facil intelligencia, acrescentaremos que:
Os mysterios de Isis e Osiris, celebrados em Memphis, primeira capital do Egypto, consistiam em uma reunião de sabios, que tinha por fim secreto a civilisação dos povos primitivos, e por fim ostensivo o culto do sol e da lua.
«Porem esta seita e culto (diz o doutor Vassal), oriundos dos Brachmnes da India, e dos Magos da Persia, passaram do Egypto á Grecia, a Roma, aos Gallos, e a muitas «seitas secretas, e hoje existentes na Europa, como os Templarios, os Maçons, os Carbonarios, etc., etc.,»
Mas para ainda melhor fazer sentir as correlações, que estas seitas teem com os mysterios de Ísis e Osiris, e para chegar por mais curto caminho ao nosso proposito, que é todo allegorico, foi mister pôr-lhe muitos episodios de nossa layra, e substituir-lhe nomes historicos, coevos de Salomão, e conhecidos pela tradição oral e escripta entre os iniciados modernos.
Por tal forma, em vez d'um, teremos dois dramas: um escripto para todos, e outro allegorico para alguns, sendo este ultimo o que mais apreciâmos.
E finalmente por este drama se conhecerá que os antigos iniciados trabalhavam não só em favor dos verdadeiros interesses do Estado, mas principalmente em favor dos reis e dos altares; o que ainda hoje muita gente não entende, ou finge não entender."
(Prologo)
António Joaquim de Santa Bárbara (1813-1865). [Miguel António Dias]. "Nascido portuguez em 1805, academico da Universidade de Coimbra em 1821, perseguido por amôr as liberdades patrias em 1823, doutor em Medicina pela Universidade de Louvain em 1833, autor da Bibl. Maç. em 1834. Socio correspondente das Sociedades Litterarias, Portuense em 1835. Civilisadora de Castello Branco em 1837: Delegado do Conselho de Saude Publica do Reino em 1838: Membro da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa em 1839: Author da Historia Franc. Maç.∙., da Arch.∙. Myst.∙. e Socio da Academia Lisbonense das Sciencias e das Lettras em 1843"
(Fonte: Retrato do biografado em: https://purl.pt/13009)
Outro apontamento biográfico do autor saiu no Almanaque Republicano de 4 de Junho de 2020, da autoria de José Manuel Martins [J.M.M.] que, com  a devida vénia, reproduzimos:
Miguel António Dias (1805-1878); nascido na Covilhã, teve de exilar-se em 1828 quando cursava em Coimbra, continuando os seus estudos médicos em Paris e Lovaina; liberal, patuleia e importante maçon - Irmão Gama e Grão Mestre da Maçonaria Eclética (1853-1860) - foi secretário-geral do governo civil de Santarém e deixou impresso obra importante e de leitura obrigatória], em que se defende em nome dos emigrados portugueses e da nação portuguesa, a “necessária e indispensável intervençam dos Governos nos negocios de Portugal”, protegendo a legitimidade das pretensões D. Pedro IV e os direitos de D. Maria.
(Fonte: https://arepublicano.blogspot.com/2020/06/vozes-dos-emigrados-portuguezes-miguel.html)
Exemplar brochado, protegido por simples capas, lisas, em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

09 junho, 2025

1.ª EXPOSIÇÃO NACIONAL DE FLORICULTURA -
Tapada da Ajuda : Junho 1940. [Lisboa], [Câmara Municipal de Lisboa], 1940. In-8.º (23x15 cm) de [42] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotografias, bem como reprodução dos brasões de alguns dos municípios participantes no certame. Inclui no final publicidade alusiva ao tema.
"A I Exposição Nacional de Floricultura, que terá lugar no dia 2 de Junho, na Tapada da Ajuda, por iniciativa do Município de Lisboa, com a colaboração do Instituto Superior de Agronomia, representa um acontecimento de grande interêsse nacional.
Durante muitos anos assistiu-se em Portugal à destruição de maravilhosas matas, parques e jardins que constituíram, em épocas passadas, motivos de rara beleza. [...]
Nos parques, jardins e arruamentos as plantas típicas da nossa flora têm sido substituídas, em grande parte, de acôrdo com os gostos da moda, por espécies exóticas, algumas das quais de diminuto valor ornamental.
Contudo, o povo continua ainda a ter pela árvore e pelas flores o maior interesse. O gôsto e o sentido estético com que a mulher portuguesa compõe o quadros garridos de muitas sacadas, varandas e janelas, das cidades, vilas e aldeias de Portugal, demonstram bem que não está apagado no espírito da grei o amor pelas plantas ornamentais."
(Excerto de Duas palavras)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

08 junho, 2025

GARCIA, A. Elias -
AS MOEDAS VISIGODAS DA LUSITÂNIA
. Guimarães, Sociedade Martins Sarmento, 1950. In-8.º (22,5x14,5 cm) de 81, [1] p. (73-153 p.) ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo numismático sobre a moeda visigótica. Trata-se do artigo de fôlego sobre o assunto extraído da Revista de Gvimarães, Volume LX - N.ºs 1-2 - Janeiro-Junho 1950, do qual conserva apenas a capa frontal, para além do artigo em causa.
Ilustrado com desenhos esquemáticos no texto.
"O presente trabalho é uma compilação das moedas visigodas dispersas pelas publicações e de outras cuja existência chegou ao meu conhecimento, abrangendo o período de amoedação nacional na Lusitânia, província onde está incorporado quase todo o território português. [...]
Para melhor coordenar o problema numismático convém recordar, duma forma sucinta,  o panorama histórico desta época das migrações.
Os Alanos, Vândalos e Suevos invadiram a Península Ibérica nos primeiros anos do século V (409), na ânsia da luta e da destruição.
Os Suevos fixaram-se na faixa sul da Galiza até ao rio Douro, de onde mais tarde se expandiram. Os Alanos foram ocupar, a sul do Douro, toda a Lusitânia, entendendo-se pelo centro da Península (Cartaginense) até ao Levante. Os Vândalos asdingos permaneceram no noroeste da Península ainda cerca de dez anos e depois dirigiram-se para África, por mar e por terra, fundando ali, na parte norte, um reino que veio a ser destruído em 53.4 por Belisário. Os Vândalos silingos, que se tinham apoderado da Baética, debandaram para as Baleares em 426.
Por consequência o Império Romano ficara reduzido a todo o nordeste da Espanha, por assim dizer, à província Tarraconense.
Entretanto na Gália o domínio romano declinava perante a invasão dos Burgundos (413), Francos (420) e Visigodos (412).
Os Francos, como mais poderosos, vieram mais tarde a absorver o reino dos Burgundos, e, enraizando-se ali, fundaram a nacionalidade francesa, com o começo da dinastia merovingia da qual foi úllimo rei, em 742, Childeberto III.
Os Visigodos tinham-se apossado do sul da Gália e eleito a cidade de Tolosa para capital; mas prevendo naquela região uma permanência instável, trataram de ampliar o seu domínio de Península Ibérica (416), no que foram auxiliados com vantagem pelo imperador Honório.
O Império Romano, apesar da decadência que o conduziu à derrota, tinha a sua moeda (ouro, prata e cobre) acreditada em todo o mundo da época. Duma maneira geral, todos estes povos das migrações, de raça germânica (excepto os Alanos) já utilizavam o numerário romano e continuaram a usá-lo nos primeiros anos da sua invasão.
No que diz respeito aos Visigodos, com o decorrar do tempo, como é de prever, surgiu a necessidade de novas amoedações e, na impossibilidade do fabrico da moeda de prata e cobre pelas grandes dificuldades técnicas com que lutavam, além da enorme despesa que isso acarretava, limitaram-se ao ouro, batendo soldos e  muito principalmente trien tes para mais lhes facilitar o movimento comercial.
A partir desse imperioso momento (como, aliás, o dos outros povos) o numerário visigodo passou a ser constituído por puras imitações bárbaras da moeda romana do ocidente e mais tarde da bizantina, subordinado à mesma metrologia, porque, de resto, a efígie imperial lhe garantia a aceitação em toda a parte."
(Excerto do Estudo)
António Elias Garcia (S. Pedro, Torres Vedras, 1885 - Castelo Branco, 1959). "Tenente-coronel e numismata português, figura de referência no estudo das moedas em Portugal, grande estudioso da numária visigoda e moedas antigas.
Bonita encadernação em tela com ferros gravados a ouro nas pastas e na lombada. Conserva a capa frontal da Revista.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

07 junho, 2025

BESSA, Carlos -
A LIBERTAÇÃO DE TIMOR NA II GUERRA MUNDIAL.
Importância dos Açores para os interesses dos Estados Unidos : subsídios históricos. Pelo Académico de Número... Lisboa, Academia Portuguesa da História, 1992. In-4.º (25,5x19,5 cm) de 175, [9] p. ; [1] mapa desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo histórico sobre a ocupação de Timor durante a 2.ª Guerra Mundial e sua posterior libertação, e a relação que o interesse estratégico dos Estados Unidos nos Açores, teve para esse desfecho.
Valorizado pelo prefácio do Prof. Joaquim Veríssimo Serrão.
Livro ilustrado no texto com reprodução de documentos e quadros estatísticos, e fotografias a p.b. (em página inteira), e em separado, com um mapa desdobrável de Timor (25,5x30 cm).
"O livro do Senhor Coronel Carlos Bessa explica toda a trama dos episódios de 1941 a 1945, quando Timor passou a ser um dos teatro de guerra entre as potências em luta na II Guerra Mundial. A ilha não dispunha de grandes meios de defesa e nela o convívio das duas etnias era o exemplo de um oásis de paz no Extremo Oriente. Sem haverem recebido a autorização do Governo Português, tropas australianas e holandesas desembarcaram na ilha de 17 de Dezembro de 1941, a pretexto de a defender de um ataque nipónico. De imediato fez-se sentir a reacção do Doutor António de Oliveira Salazar, ministro dos Negócios Estrangeiros, que numa eficaz acção diplomática se opôs com a força do direito à injusta invasão. A Grã-Bretanha não tardou em reconhecer o atropelo cometido, aceitando a substituição das tropas invasoras por um corpo de forças portuguesas, o qual seguiu de Lourenço Marques e a 26 de Janeiro de 1942 desembarcou na ilha. Mas três semanas depois ocorria a invasão nipónica, que ocupou por inteiro a zona de Timor português, enquanto as tropas da Holanda e da Austrália se retiravam para a parte flamenga da ilha. [...]
Quase três anos durou o sacrifício da comunidade luso-timorense, sem que o Governo Português do tempo jamais a tivesse abandonado. A nossa diplomacia buscou apoios na Inglaterra e nos Estados Unidos, para impor os direitos de ordem internacional que nos eram devidos. O principal objectivo estava em garantir o reconhecimento da soberania nacional, logo que as circunstâncias políticas e militares a tornassem possível. Neste quadro se insere a importância estratégica dos Açores para apressar o fim do conflito. Sem trair os princípios da neutralidade de há muito assumido, o nosso país concedeu à Grã-Bretanha, no ano de 1943, facilidades para a utilização de bases naquele arquipélago. A 28 de Novembro de 1944, por meio de um acordo secreto assinado em Lisboa, era a vez dos Estados Unidos da América receberem outras facilidades para a sua aviação que descesse nos Açores. [...]
A trama global destes acontecimentos vem descrita na obra do Senhor Coronel Carlos Bessa, com a lógica articulação dos factos ocorridos nos planos diplomático, político e militar."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

06 junho, 2025

BARRENECHEA, Eduardo -
O PLANO DE BADAJOZ DESMISTIFICADO
. Lisboa, Edição da Associação Central da Agricultura Portuguesa e do Grémio da Lavoura de Beja, 1972. In-8.º (22x16,5 cm) de 45, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Balanço crítico sobre o "Plano de Badajoz". Estudo com interesse para a gesta da colonização da zona junto da fronteira portuguesa levada a cabo por Madrid em meados do século XX, suportada pela propaganda económica e social do governo de Francisco Franco.
Obra rara, sem referências bio-bibliográficas, quer em Espanha, quer entre nós. A BNP não possui.
"O Plano Badajoz foi um conjunto de atuações ambiciosas de sucessivos governos espanhóis, propostas já a princípios do século XX (Plano Gasset), postas em fim em marcha durante a ditadura franquista e completadas pelos primeiros Governos da democracia (regadios do Zújar), sobre a província de Badajoz (Espanha).
Na realidade, tal denominação, refere-se mais estritamente ao Plano de Transformação e Colonização aprovado pelo governo de Francisco Franco em 1952 e destinado a dotar à agricultura pacense de um sistema melhorado de eletrificação, irrigação, processo de fabricação e transformação e de comercialização de produtos agrários, tendo como base o rio Guadiana e como principal objetivo melhorar a produção e renda agrária da província. [...]
Nasceram povoações como Palazuelo, Povoa de Alcollarín, Zurbarán, Alonso de Ojeda, Os Guadalperales, Gargáligas, Valdivia, Entrerríos, Guadiana del Caudillo, Valdelacalzada, Pueblonuevo del Guadiana, Sagrajas, Novelda do Guadiana, Gévora do Caudillo, Valdebótoa, Alvarado, Vivares, Las Vegas Altas, Villafranco del Guadiana, São Francisco de Olivença ou São Rafael de Olivença. É verdadeiro que a construção dos embalses como a de García Sola, anulou as vegas de alguns povoações do norte da província, o qual teve um impacto na posterior saída da população destes municípios."
(Fonte: Wikipédia)
Livro ilustrado no texto com tabelas e mapas estatísticos, e em separado com quadro desdobrável.
"... O Plano de Badajoz, baptizado nas numerosas publicações da Secretaria Gestora do mesmo (com sede no Instituto Nacional da Indústria, em Madrid) como «el exponente mas acusado de la politica agro-social del regimen», dista muito - muitíssimo - de ter alcançado tampouco os objectivos que lhe foram fixados pela lei de 7-4-1952.
Não quero dizer que o Plano Badajoz seja um fracasso, mas não é - desde logo - um êxito.. Não é um «êxito» nem social nem económico. Também não é um fracasso, porque transformou por completo a fisionomia física de uma pequena parte das terras pacences (pouco mais de 4% das terras de Badajoz) e conseguiu para uns milhares de colonos (antes na maior parte trabalhadores agrícolas eventuais), nívesi mínimos de vida digna e humana. Mas está longe de ser um êxito, talvez por ter sido politizado desde o princípio..."
(Excerto de Politização excessiva)
Sumário:
Primeiro artigo - Balanço aos 19 anos da «Fundação» | Segundo artigo - O Plano de Badajoz Desmistificado | Anexo A - O Plano de Badajoz, visto por D. Miguel Siguán | Anexo B- Vários elementos económicos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas com sinais de humidade. Interior correcto.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
20€

05 junho, 2025

SEIXAS, J. M. da Cunha - O PANTITHEISMO NA ARTE : canticos e poesias. Por... Advogado em Lisboa, socio do Instituto de Coimbra, etc. Lisboa, Typographia da Bibliotheca Universal, 1883. In-8.º (17x13 cm) de XL, 279, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante obra em termos literários e filosóficos, cujo objectivo - ambicioso - o autor procura transmitir através da sua devoção ao pantiteísmo, corrente filosófica derivada do sistema de Krause, que reconhece a presença de Deus em tudo.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Manuel J. Teles, cujo carimbo de posse é visível na f. rosto.
"Este livro é nos dominios da arte a expressão de um novo systema de philosophia. Tendo por fito uma obra d'este, aspira a divinisar tudo o que é bello na natureza e na socidade sob a idea pantitheista. [...]
O apostolado de uma idea, se tal fosse a minha mira, poderia consistir, não no convencimento mas ao menos em se conseguir desvio á corrente contraria.
Se eu, solitario e melancholico lidador, conseguir, no pobre outono da minha vida, que alguem pense, já alcanço muito."
(Excerto do Ante-prologo)
José Maria da Cunha Seixas (Trevões, São João da Pesqueira, 1836 - Lisboa, 1895). "Foi um intelectual e filósofo, criador e adepto do pantiteísmo, uma dissidência do krausismo (panenteísmo) que tem por doutrina reconhecer a presença de Deus em todos os lugares e em tudo, mas propondo que apesar de Deus estar em tudo, Deus não se identifica com a coisa criada. [...] Com apenas 14 anos de idade, em 1850, tomou ordens menores iniciando de seguida estudos de teologia. O isolamento em que cresceu e estrita educação católica a que foi submetido parecem ter influenciado a sua personalidade, deixando-o solitário e com poucas aptidões sociais. Manuel António Ferreira Deusdado, que privou com ele, descreve-o assim: "O José Maria da Cunha Seixas não foi nem poderia ser um político, porque lhe faltavam qualidades de adaptação; não poderia ser um dramaturgo, um romancista, porque na sua abstracção não tinha o jeito da observação social. Era excêntrico, ingénuo de mais; muitas coisas não as via, a sua boa-fé quase infantil prejudicou-o muitas vezes e gravemente." Apesar de se ter matriculado no ano de 1858 nos cursos de teologia e filosofia da Universidade de Coimbra, aparentemente para ser eclesiástico, transferiu-se para a Faculdade de Direito daquela Universidade, onde se formou em 27 de Junho de 1864, aprovado Nemine discrepante, com honras de accessit, distinção que já obtivera nos três últimos anos do curso. Ainda estudante em Coimbra iniciou-se como publicista, colaborando com artigos de crítica literária e de política em diversos periódicos, entre os quais O Viriato (Viseu), Comércio de Portugal, Jornal de Lisboa, Académico de Coimbra, Comércio de Lisboa, Jornal do Comércio, Distrito de Beja e muitos outros periódicos, em especial de Lisboa. Terminado o curso, fixou-se em Lisboa, com banca de advogado e como professor de filosofia no Instituto de Ensino Livre de Lisboa. Manteve a sua intensa colaboração com periódicos diversos e fez-se sócio de diversas agremiações científicas, estabelecendo a sua reputação de intelectual."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com duas assinaturas de posse na f. rosto, sendo uma em carimbo oleográfico.
Raro.
Indisponível

04 junho, 2025

REIS, Mário Simões dos -
A VADIAGEM E A MENDICIDADE EM PORTUGAL.
(Estudo preventivo  repressivo, etiológico, sociológico, psicopatológico, político e jurídico...). [Por]... Advogado. Lisboa (Portugal), Imprensa Libanio da Silva, 1940. In-4.º (22,5x17 cm) de 780, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Importante estudo criminal sobre delinquência em Portugal - a vadiagem e a mendicidade, "mal que assola a humanidade."
Ilustrada no texto e em página inteira com inúmeros gráficos, mapas estatísticos e geográficos, quadros e tabelas.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao seu Primo e Amigo Dr. José Ferreira Martins e Família".
"A vadiagem e a mendicidade revestem, na época que corre, aspectos de verdadeiros crimes, estão abrangidas, em todas as nações cultas do meu conhecimento, nos respectivos Códigos, e são punidas com penas mais ou menos severas, não com o fito de debelar radicalmente o terrível mal, o que, a meu ver, é impossível, devido a circunstâncias diversas e excessivamente complexas, mas para o reduzir, o que é lògicamente de esperar, embora nem sempre tal se tenha conseguido.
A vadiagem e mendicidade, como a restante criminalidade, estudadas em conjunto nos grandes centros culturais, numa cruzada de beneficiência, por sábios e pensadores, alarmados pelo seu progressivo, contínuo e assustador desenvolvimento, têm sido atacadas, nas suas causas as mais íntimas e ocultas, segundo as novas ideias dos criminalistas, quer preventivamente, antes da sua exteriorização, no início, cuidando-se da assistência das classes pobres, e em especial, da criança, do adolescente, do menor, ainda não pervertido nem contaminado na sua contextura, porque ninguém nasce criminoso, como não nasce tuberculoso, quer posteriormente, aplicando-se ao delinqüente, após a prática do delito, só a terapêutica necessária e útil, e não ùnicamente a sua detenção, sob o erróneo preconceito da culpabilidade ou do sofrimento, nas cadeias e penitenciárias, sem o seu estudo médico, antropológico, mental e psicológico, o que muitas vezes se despreza, com manifesta violação das ideias cientistas modernas sôbre a criminalidade e com graves prejuízos para a prosperidade das nações, porque a solução do problema da delinqüência tem uma importância fundamental no progresso e selecção da raça.
A observação médica dos criminosos de todas as idades deve ser, pois, segundo a opinião hoje corrente, sistemática, completa e precisa, antes e depois do julgamento, não só nos laboratórios mas também nas enfermarias, a-fim-de ser possível o estudo das causas do flagelo..."
(Excerto do preâmbulo - Breves considerações)
Índice - ver em:
https://www.dgsi.pt/bpjl.nsf/83cbe9acef94db5a8025730800549412/f3b82af2cd857b3e8025806b0035a479?OpenDocument 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com rasgão ao centro na capa frontal, canto restaurado e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Com interesse histórico e criminal.
100€

03 junho, 2025

AS SOCIEDADES INSULARES NO CONTEXTO DAS INTERINFLUÊNCIAS CULTURAIS DO SÉCULO XVIII -
Região Autónoma da Madeira
. Funchal, Secretaria Regional de Turismo e Cultura : Centro de Estudos de História do Atlântico, 1994. In-8.º (21x15 cm) de [2], 202, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de conferências subordinadas ao tema em título, colóquio organizado pelo Centro de Estudos de História do Atlântico, Funchal, Outubro de 1993, onde são desenvolvidos assuntos relacionados com as Ilhas da Madeira, Açores e Canárias.
Ilustrado no texto com gráficos, quadros e tabelas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

02 junho, 2025

TOURADAS E TOUREIROS.
Paginas soltas - Publicação Quinzenal - 1895 : Lisboa, 14 de abril : N.º 1. [Dir. Carlos Abreu]. Lisboa, [s.n.], 1895. In-8.º (22,5x16cm) de 16 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosa de informação e divulgação taurina.
Ilustrado nas páginas do texto.
Publicação efémera, este n.º 1 é tudo quanto foi distribuído.
Raro. A BNP não menciona.
"Aqui está mais uma publicação tauromachica. Logar para ella, senhores, porque se não traz desembainhado o fino estoque de Guerrita ou de Mazzantini, se não se apresenta com as bandarilhas em punho, como Roberto ou Calabaça, traz enrolado no braço, de envolta com o capote, um programma que não é muito longo, mas é sincero.
Discutirá e apreciará a tauromachia, com imparcialidade, mas com desassombro. E, á semelhança dos artistas, quando sentem o primeiro toque para a sahida do bicho, procurará tomar pé no campo onde se vae collocar, sem perder a serenidade tão precisa n'esta lucta impiedosa e ingloria, onde ha que arcar com obstaculos que aos profanos parecem de pouca monta, mas que aos aficionados se antolham difficeis e por vezes insupperaveis.
Correcta, sem que uma phrase escripta n'estas paginas tenha o fito de melindrar alguem, esta publicação occupar-se-ha unica e exclusivamente de assumptos tauromachicos, como o seu titulo indica, publicando em cada numero um retrato, pelo menos, e respectiva biographia, artigos criticos e profissionaes, poesias, contos, etc., de maneira a formar um volume no fim de cada época.
está soando o clarim... Já saltou para o redondel o primeiro touro, nervoso, bonita estampa, os olhos cheios de laivos vermelhos, e as narinas fremendo como que em procura do inimigo...
Vae começar a corrida... Por isso está apresentada a publicação."
(Apresentação, Duas Palavras)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas apresentam vestígios antigos de humidade junto à lombada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
Peça de colecção.
25€

01 junho, 2025

PIMENTEL, Alberto – PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA
. Porto, Livraria Universal de Magalhães & Moniz, 1874. In-8.º (18,5x13 cm) de 120 p. ; B.
1.ª edição.
Interessantes quadros da vida lisboeta pela pena inconfundível de Alberto Pimentel.
"Estava finalmente deante do Tejo.
Não é preciso espraiar por muito tempo o olhar na vastidão magestosa das suas aguas para saudar enthusiasticamente o primeiro rio de Portugal. Os arvoredos da Outra-banda esbatem-se n’aquella grande distancia como no fundo d’um quadro. O céo de Lisboa é de tal modo lucido, que permite á corrente o azulejar-se com igual beleza. Isto faz com que o Tejo não só supplante o Douro pelas dimensões do seu vasto leito como pela festiva alegria das margens, da agua, do céo."
(Excerto do capítulo III, O Tejo)
Indice:
I - Do Douro ao Tejo. II – Divagações. III – O Tejo. IV – Pregões e pregoeiros. V – Barjona de Freitas. VI – Photographia… da verdade. VII – José Carlos dos Santos. VIII – Os burgaus. IX – Caracteres. X – Um ridiculo applicado á politica. XI – A guitarra. XII – Da rua dos Capellistas ao passeio da Estrella. XIII – Mais caracteres. XIV – A proposito do jornalismo lisbonense. XV – Os domingos de Lisboa. XVI – Madame Burocracia e seus filhos. XVII – Dois talentos populares. XVIII – O Natal em Lisboa. XIX – Epidemia em Lisboa. XX – Epilogo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
30€

31 maio, 2025

BARBOSA, Jorge -
TOPONÍMIA DA PÓVOA DE VARZIM -
VI. Póvoa de Varzim, [s.n.], 1994. In-4.º (23x16 cm) de 52 p. (253-304 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata do Boletim Cultural Póvoa de Varzim : Vol. XXI - N.ºs /1/2 - 1994.
Ilustrada ao longo do texto com 27 croquis viários.
"Nos Boletins Culturais "Póvoa de Varzim", vol. XXVII (1990) e vol. XXVIII (1991), n.º 1, publiquei uma 1.ª actualização da Toponímia da Póvoa de Varzim, a partir de Outubro de 1982 e por aqui me ficaria, como escrevi no Preâmbulo de 1990, esperando que "outros carolas se encarregarão pelos tempos fora, de ir completando este trabalho e de elaborar um actualizado ementário toponímico da nossa terra". [...]
Porém, contra o que eu esperava, a Divina Providência ainda me permitiu dar mais uma achega (será a última) como adiantamento a este estudo da nossa toponímia, registando e desenvolvendo mais 27 topónimos locais, oficializados desde 13 de Maio de 1992 a 24 de Fevereiro de 1993. É natural que por aqui fique o meu modesto contributo na actualização deste estudo."
(Excerto do Prefácio)
Jorge da Silva Barbosa (1913-2006). "Nasceu na Póvoa de Varzim a 28 de Março de 1913. Frequentou os ensinos primário e secundário (1té ao 5.º ano) na sua terra natal, e continuou (6.º e 7.º anos) no Liceu de Rodrigues de Freitas na cidade do Porto. Tirou o Curso Preparatório de Medicina (F.Q.N.) na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (ano lectivo de 1931-1932) e frequentou a Faculdade de Medicina da mesma Universidade, na qual concluiu a licenciatura, com distinção, em 1937. Apaixonado pela vida e história da sua terra natal, desde o seu tempo de estudante, e na linha seguida por seu irmão Fernando Barbosa (mais novo quatro anos), dedicou-se, nos seus momentos de lazer, à investigação, estudo e publicação de trabalhos sobre a história local, biografias de personalidades diversas e crónicas sobre temas poveiros. O Dr. Jorge Barbosa faleceu no dia 25 de Abril de 2006."
(Fonte: https://www.cm-pvarzim.pt/comunicacao/noticias/mostra-documental-recorda-poveiros-ilustres/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

30 maio, 2025

NABAIS, António J. C. Maia - MOINHOS DE MARÉ : património industrial. 
História do Concelho do Seixal
. [Seixal], Câmara Municipal do Seixal, 1986. In-8.º (21 cm) de 155, [1] p. ; [XVIII] f. il. ; [5] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos moinhos de maré situados na Margem Sul do estuário do Tejo.
Livro ilustrado com 28 estampas extra-texto - impressas sobre papel couché - que reproduzem esboços, mapas, desenhos e fotografias relacionadas com o assunto, bem como 5 folhas desdobráveis referentes a dois moinhos de maré: Planta do Moinho do Castelo - Corroios (1); Desenhos do auto de levantamento do Moinho Velho dos Paulistas - Seixal - realizado em 1981/82 (4).
"O presente estudo subordinado aos moinhos de maré pretende apenas divulgar alguns aspectos gerais deste tipo de actividade industrial que, desde a Idade Média até ao século XX, ocupou um espaço importante  entre a indústria alimentar da Margem Sul do Estuário do Tejo, não só para servir as populações locais e os Fornos do Biscoito de Vale de Zebro, mas, especialmente, para abastecer a cidade de Lisboa, que recebia a maior parte de farinha através dos barcos dos moinhos que, ao mesmo tempo, garantiam o transporte do cereal. [...]
O estudo não se reduziu aos moinhos de maré da área do território do concelho do Seixal. Houve, antes de tudo, a necessidade de os integrar no conjunto moageiro que se ergueu na Margem Sul do Estuário do Rio Tejo e de estabelecer a sua relação com a cidade de Lisboa, a fim de compará-los, e, ao mesmo tempo, recolher dados que ajudassem a compreender os aspectos técnicos e arquitectónicos. Por outro lado, tentámos fazer um levantamento geral dos moinhos de maré portugueses, a fim de obter informações quanto à sua localização e quanto às características gerais  destas construções industriais populares, não só para as podermos comparar, como também para melhor situarmos, no tempo, a antiguidade deste tipo de moagem."
(Excerto da Introdução)
Índice geral:
Nota de abertura. | Introdução. | Abreviaturas. | Cronologia. | Os moinhos de maré: situação geográfica. | Moinhos de maré do estuário do rio Tejo. | Barcos dos Moinhos. | Moinhos de maré do concelho do Seixal. | Arqueologia do moinho de maré: - Funcionamento e equipamento; - Mecanismo da moagem; - morfologia do edifício; - materiais, processos e elementos de construção. | O moinho e o moleiro. | O projecto Jorge Higgs: o motor hidráulico «Seixal». | Apêndice documental: [8 documentos]. | Glossário. | Fontes e bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

29 maio, 2025

SILVA, Bispo Conde, D. Manuel Luiz Coelho da -
A IGREJA E A QUESTÃO OPERÁRIA
. Coimbra, Tip. da Gráfica Conimbricense, Limitada, 1925. In-8.º (22,5x15 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo dedicado à questão operária, assunto momentoso na época, em tempos de grande ansiedade e agitação social, publicado pouco tempo antes da eclosão do movimento que conduziria ao poder o regime da Ditadura Nacional.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Conselheiro António Teixeira e ...?
"O tempo, em que vivemos, não é realmente um período de paz e prosperidade. O mundo hoje, (são claros os sintomas que por toda a parte se manifestam), prepara-se para catástrofes inauditas. Assim como um doente ferido de mal profundo se estorce em leito por vezes sumptuoso, assim as sociedades modernas agitam-se e sofrem no seio mesmo da sua opolência.
Emquanto que tudo no nosso século parece concorrer para a unidade na ordem física, tudo parece conspirar a produzir a divisão na ordem moral e social.
Divisão, separação, ódio, antagonismo - eis o grande mal das sociedades modernos. Odio e antagonismo entre homens e homens, entre classes e classes. Antagonismo entre as classes trabalhadoras e as que se chamam dirigentes, entre patrões e operários, entre o rico e o pobre, e isto por toda a parte, nas grandes cidades e nas pequenas povoações."
(Excerto da Pastoral)
D. Manuel Luís Coelho da Silva (Bustelo, Penafiel, 1859 - Coimbra, 1936). 23.º conde de Arganil, 58.º bispo de Coimbra. "Foi nomeado Bispo de Coimbra em 31 de Dezembro de 1914 e fez a entrada na Sé de Coimbra em 15 de Abril de 1915. A acção primeira de D. Manuel foi o Seminário, fazendo aumentar a sua população e defendendo a posse dos seus edifícios. Reuniu um Sínodo em 30-31 de Julho de 1923. Organizou e publicou umas Constituições do Bispado em 1929. Cuidadoso do bem do Clero, instituiu em 1917 a Obra de S. José para auxiliar o Clero velho e doente. Deu toda a protecção à fundação do Refúgio da Rainha Santa, hoje Casa da Formação da Rapariga, ao Patronato para auxílio dos Pobres; ao Recolhimento do Paço do Conde e à Cozinha Económica. Durante o seu pontificado fundou-se o Escutismo (1927), o Noelismo (1925), a União Operária Católica (1925), o Correio de Coimbra (1922), o Amigo do Povo (1916); e lançaram-se as Bases da Acção Católica em 1933. Faleceu em 19 de Março de 1936."
(Fonte: https://www.diocesedecoimbra.pt/diocese/historia/bispos/1914-1936-d-manuel-luis-coelho-da-silva:1150)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Indisponível

28 maio, 2025

BARBOSA JUNIOR, José Correia Leite -
MYSTERIOS D'ALDEIA : romance original
. Porto, Livraria Progresso de Peixoto & Pinto Junior - Editores, 1873. In-8.º (18x12 cm) de 257, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance de cariz histórico e rural, baseado em factos reais ocorridos no século XVIII, de acordo com as palavras do autor na oferta a sua mãe, da qual reproduzimos um excerto:
"A vós, minha mãe, dedico este fructo das minhas vigilias.
Foste vós que m'o inspirastes, quando, na minha infancia, me contaveis alguns factos mysteriosos, ocorridos na aldeia que me viu nascer.
Da recordação vaga d'essas narrativas, que tanto me impressionavam, nasceu-me mais tarde o desejo de escrever um romance, que se tornasse uma especie de monumento de lembranças do passado..."
Nada foi possível apurar acerca do autor por inexistência de fontes bio-bibliográficas, com excepção de uma notícia impressa no Diario Illustrado (Lisboa, de 27 de Agosto de 1873), que nada desvenda sobre o autor, sob o título Um romance original portuguez, que transcrevemos:
"A Livraria Progresso, dos srs. Peixoto e Pinto Junior, da cidade do Porto, que já tantos serviços tem feito á liiteratura nacional, publicando no nosso idioma varias obras dos mais abalizados escriptores estrangeiros, e algumas de primorosos escriptores naionaes - edictou o interessantíssimo romance original de costumes portuguezes intitulado Mysterios de Aldeia, de que é auctor o sr. Jose Correia Leite Barbosa Junior. Este senhor já publicou um semanario de litteratura Voz do Douro, de que foi proprietário, vários capítulos d'este bello romance, dos quaes se pôde colligir o grande interesse do seu entrecho e a incontestável naturalidade da sua redacção. Auguramos um brilhante successo ao auctor, e ao seu romance, que recommendamos a quem preze os bons livros."
Obra rara, por certo com tiragem reduzida. A BNP não menciona.
"No concelho de..., em Portugal, a pequena distancia da antiga estrada real, via-se, ha bastantes annos, uma linda casa de campo, agradavelmente situada.
Edificada no meio da planura d'uma collina, tinha a frente voltada para a aldeia, que se estendia em baixo, no valle, com as suas casinhas brancas ou pardacentas, engrinaladas de cêpas e trepadeiras, e com seus quintaes e pomares de verdejantes e floridos matizes. [...]
Esta casinha, de que acabamos de dar uma pequena ideia, era habitada em 17... por um padre, uma mulher e uma joven, mãe e filha.
Não tinham servos.
Os quintaes eram amanhados por jornaleiros, que, ao pôr do sol, se retiravam para a aldeia.
Não havia visinhos. Viviam na mais completa solidão.
A mulher dirigia a casa de portas para dentro; a joven lavava a roupa, cosia-a e brunia-a.
O padre dizia missa todos os dias ao romper d'alva, no verão, e ás 8 horas, no inverno.
Chamava-se João do Nascimento. Tinha quarenta annos. Era alto, magro, de feições agradaveis, d'olhos pequenos e vivos.
Quem era, d'onde viera, a que familia pertencia, ninguem o sabia dizer.
Chegara alli havia dous annos, comprara aquelle terreno, fizera aquella casa, e alli vivia.
Nada mais constava.
Tratava a todos com boas maneiras, dava bastantes esmolas, e era muito bem-quisto.
A mulher orçava pela mesma idade.
Devia ter sido bella. Chamava-se Margarida.
Maria do Sacramento, a joven, mostrava ter 16 annos. Era linda como as que o são. Através da saia de chita côr de cinza, e do collete de duraque preto, adivinhava-se umas fórmas perfeitamente modeladas.
Ao vêl-a, com o seu rosto pallido, olhos castanhos, cabello d'ebano, mãos mimosas, pés pequeninos, julgal-a-ias uma dama de distincção disfarçada em camponeza para travessuras de Cupido."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Assinatura de posse na f. rosto. Ausência f. ante-rosto. 
Muito raro.
100€

27 maio, 2025

OLIVEIRA, J. Domingues d' -
OS CANCROS E O RADIO. Subsidios para a diagnose precoce d'alguns e para a sua curietherapeutica. Por... Combate do Cancro e Protecção aos Cancerosos (Congresso luso-hespanhol - Porto 1921). Porto, Typographia Pereira, 1923. In-4.º (23x15 cm) de XXI, [3], 189, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre o cancro, o seu diagnóstico e combate, por José Domingues de Oliveira, pioneiro na luta contra o cancro no nosso país, introdutor da prática da radioterapia.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a seu amigo Joaquim Pacheco.
"Dezenas de milhares de pessoas morrem de cancro.
Calcula-se a proporção de 1 para 10. As estatisticas de todos os paizes civilisados marcam-lhe o seu graphico ascendente; em algumas regiões, e em idades para além dos quarenta annos, já elle vae acima do da tuberculose. [...]
Dos meus apontamentos, colhidos das lições e das observações dos professores de Paris, seguidas em muitos mêses de assistencia hospitalar, desfiados e annotados no remanso das férias na minha Leça compuz quinze capitulos a que dou publicidade. [...]
N'estes capitulos vão elementos d'uma therapeutica nova que, emaranhada ainda nas incognitas de tantas hesitações dão aos primeiros passos, se firma já, com confiança, em acquisições obtidas na experiencia, vindas de tentativas, que não têem sido sempre estereis, e que no seu esforça trazem o segredo da resistencia a oppôr á impetuosa acção da critica e á dissolvente reacção da invidia medicorum."
(Excerto da introdução - Os porquês)
José Domingues de Oliveira (1865-1925). "Natural de Leça da Palmeira. Foi um médico notável. Exerceu atividade, durante muitos anos, na Estação de saúde de Leixões. Através do seu estudo em Paris de Curieterapia (tratamento por aplicação de radio) e pela sua ação vem a ser criado no Hospital Geral de Santo António, no Porto, um serviço pioneiro de Curieterapia. Foi autor de vários livros de medicina de relevo. Em 1907 foi presidente, no Porto da Cruz Vermelha. Em 1921 fez parte da comissão de combate ao cancro e à proteção dos doentes oncológicos. Foi condecorado pelo governo português com o grau de “Cavaleiro da Ordem de Cristo” e com o grau da “Ordem de Santiago d’ Espada”. Foi também condecorado pelo governo francês com a “Cruz da Legião de Honra” pelos serviços que prestou à esquadrilha francesa ancorada no Porto de Leixões durante a Primeira Guerra Mundial."
(Fonte: https://www.cm-matosinhos.pt/frontoffice/pages/1468?poi_id=8414)
Exemplar brochado em bom estado geral e conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas manchas.
Muito invulgar.
20€

26 maio, 2025

SCALI, Marion -
MESTRE NUNO OLIVEIRA. Ilustrações: Jean-Louis Sauvat
. Lisboa, Edições Inapa, 2007. In-4.º (24 cm) de 317, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra sobre a arte equestre e o seu ensino, cuidada, impressa em papel de superior qualidade, iIustrada no texto com fotografias a p.b.
"Nuno Oliveira (1925-1989) foi sem dúvida o mais brilhante cavaleiro do século XX, o «mestre de equitação», como era tratado pelos seus inúmeros alunos dos quatro cantos do mundo. Reconhecido mundialmente, consagrou a sua vida ao ensino e à dressage. Marcou a linha de acção da Alta Escola promovendo o cavalo lusitano como exemplo perfeito do "equilíbrio e ligeireza"."
(Fonte: Wook)
Nuno Waldemar Núñez Marques Cardoso Pery de Linde de Abreu de Oliveira OIH (1925-1989). "Foi um cavaleiro português. Mestre brilhante da equitação do século XX[ Nuno Oliveira dedicou a sua vida ao ensino e à dressage, tornando-se num verdadeiro embaixador da arte equestre no mundo. Tendo começado a montar com apenas sete anos de idade, começou por receber os ensinamentos do mestre Joaquim Gonçalves de Miranda, que influenciou o seu estilo de montar, francês de Versailles. Em 1940, após a morte do mestre Miranda, Nuno Oliveira prosseguiu a sua carreira, apresentando-se diversas vezes em público e abrindo escola na Póvoa de Santo Adrião. Na década de 1960 granjeava já de uma significativa visibilidade, o que se refletiu não apenas no seu percurso, mas também na valorização do cavalo lusitano. Atuou em diversos países da Europa, América, Ásia e Oceânia, e foi lhe confiado o ensino de inúmeros jovens praticantes da equitação, vindos de todo o mundo. Em 1973 comprou a Quinta do Brejo, na freguesia de Santo Estêvão das Galés, concelho de Mafra, onde abriu escola e passou a viver. Publicou Princípios clássicos da arte de treinar cavalos, entre outros trabalhos escritos em português, francês e inglês, em que expôs o seu método equestre, refletindo sobre o contributo do cavalo lusitano para tão complexa arte. A 7 de Fevereiro de 1985 o Presidente da República, António Ramalho Eanes, agraciou-o como Oficial da Ordem do Infante D. Henrique."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€