03 setembro, 2018

QUINTANILHA, A. - A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA : discurso pronunciado na sua sessão inaugural. Coimbra, Edição da Universidade Livre, 1925. In-8.º (17,5cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original do discurso de Aurélio Quintanilha que assinalou oficialmente o início do projecto da Universidade Livre (1925-1933), "expondo os objectivos dêste estabelecimento de cultura e educação populares". Sobre este assunto, e com a devida vénia, reproduzimos excerto do post assinado por Octávio Sérgio publicado no blog "Guitarra de Coimbra".
"A Universidade Livre de Coimbra (ULC), fundada em 05 de Fevereiro de 1925 foi uma instituição de curta duração. À semelhança de outros projectos democratizantes, de inspiração republicana e orientação laica, a ULC viu-se condenada a curto prazo pela emergência do vigilante Estado Novo, regime que não estava disposto a tolerar a existência de projectos de instrução alheios à sua filosofia centralizadora. O modo como eram interpretados e expostos temas como a sexualidade ou a santidade não era de molde a agradar aos intelectuais da Igreja Católica.
Sem sede social própria, a ULC ficou instalada na Torre de Almedina (arquivo, reuniões, conferências, correspondência), recorrendo a espaços contíguos aos Paços do Conselho, Ateneu Comercial e Associação dos Artistas para realizar as palestras.
Na sessão inaugural, realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho estiveram presentes Bernardino Machado e o Vice-Reitor da UC Manuel Fernandes Costa. Bernardino Machado foi de opinião que a ULC era a legítima continuadora das experiências encetadas em 1897 no Instituto de Coimbra. O discurso inaugural coube a Aurélio Quintanilha que, fazendo jus aos valores republicanos, laicos e libertários, elogiou o operariado, a aproximação entre operários e intelectuais, o papel da instrução enquanto ferramenta de promoção das classes populares, o combate ao fanatismo e à ignorância."

(Fonte: https://guitarradecoimbra.blogspot.com/2007/02/o-estatuto-da-universidade-livre-de.html)
"Afirmar que o nosso povo, inculto e deseducado, carece de uma cuidada educação que venha a integrá-lo nas ideias e costumes do século, é, na verdade, afirmação tão repetida, ideia tão velha e sediça, que vos parecerá estranho, talvez, que venham repeti-la espíritos moços que buscam, por novas veredas, horizontes mais largos. E, todavia, nunca a necessidade de cuidar a sério dêste problema fundamental foi, como agora, tão imperiosa.
Parai um pouco no meio da tarefa absorvente de todos os dias e olhai por cima dêste mar de cabeças que à vossa volta formiga e tumultua. É porventura possível continuar assistindo de cabeça baixa e braços cruzados, numa passividade desonesta, numa indiferença criminosa, ao desencadear furioso das paixões, à luta de classes, encarniçada e cruel que se anuncia no horizonte por uma aurora de fogo e sangue?"
(Excerto do Discurso)
Aurélio Pereira da Silva Quintanilha GOL (Angra do Heroísmo, Santa Luzia, 1892 - Lisboa, 1987). "Professor universitário e cientista português. Foi um investigador de renome internacional nas áreas da genética, da biologia dos fungos e da cultura do algodoeiro. Desde cedo opositor ao regime do Estado Novo, foi obrigado a exilar-se, tendo vivido em França e depois em Moçambique, onde durante quase duas décadas se dedicou à investigação da cultura do algodão. Foi sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e grande-oficial da Ordem da Liberdade."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

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