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26 janeiro, 2019

NINGUEM, João - O 9 DE ABRIL. Por... Folhetim do «Jornal de Benguela» (separata). Benguela, Tip. do «Jornal de Benguela», 1921. In-8.º (19cm) de 60, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante trabalho publicado em Benguela, Angola, devotado por inteiro aos aspectos tácticos da Batalha de La Lys e os seus antecedentes, justificados com a opinião escrita de Ludendorff e Gomes da Costa. O autor critica ainda com severidade os "patriotas" - a classe política e alguns militares - que qualificaram desastroso o «9 de Abril», "o momento mais traumático da acidentada participação portuguesa na Grande Guerra".
Sobre o pseudónimo que encobre o seu verdadeiro nome, no final do livro o autor esclarece: Não é por modestia ou por receio de contestações que resolvi entrincheirar me por detraz de um pseudonimo tão vago, como é o de João Ninguem. [...] Com responsabilidades profissionaes na guerra em França eu seria necessariamente levado ao campo das referências a pessoas, lugares, factos e datas a que o meu nome anda ligado nessa campanha; porém eu resolvi nêste trabalho de compilação, satisfazer apenas a curiosidade dos leigos em materia militar e não tratar de mais nada e muito menos de mim.
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"Um dos mais ilustres de entre os soldados portuguêses que á Flandres foram manter, mais uma vês, perante o mundo e perante a sua Patria, o bom nome das tradições da raça lusitana; - honrou o Jornal de Benguela, cedendo-lhe para publicação as páginas que se seguem.
Nelas palpita, tumultuoso de expressão e de sinceridade, o arranco indomavel de uma mal contida indignação perante o qualificativo, tão miseravel quão injusto, com que os nossos politicos alcunharam a Batalha do Lys, onde os Soldados de Portugal souberam pelejar com brio e morrer com honra.
Esse qualificativo foi o de - Desastre de 9 de Abril - e, de facto, êle em desastre redundou finalmente para todos nós, que sofremos o choque reflexo de tão desastrada denominação.
Não precisamos encarecer o valor dessas páginas  que não pretenderam enfeitar-se das galas e ouropeis do estilo, nem dos efeitos literarios.
Elas são sobrias e claras como a linguagem rude e precisa do soldado; elas são breves e incisivas como uma voz potente de comando.
É que foi a mão nervosa e seca de quem soube comandar em França, com assiduidade e valentia, os nossos soldados, quem as escreveu, para explicar, pela primeira vês,  em terra portuguêsa e a portuguêses, por modo que todos o compreendessem, o que foi na verdade o 9 de Abril, o que ele teve de batalha normal e honrosa e o que não teve de desastre afrontoso."
(Excerto da Nota da Redacção)
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"Como é do conhecimento de todos, ninguem em Portugal chegou até hoje a ter uma noção aproximada do que foi O 9 de Abril.
Ao fazer esta afirmativa, refiro-me aos leigos em assuntos militares, como é a massa da população e até áqueles que tendo estado em França e nas linhas, não tiveram ocasião de apreciar com documentos idoneos, o papel do nosso exército, nesse dia de 9 d'Abril de 1918.
Toda a política do meu país, dos últimos seis anos, caíu sôbre os soldados de Portugal, que na Flandres receberam um dos muitos e varios ataques, com que os alemães procuraram vencer os aliados.
O período da guerra que, para a Alemanha, constituiu a sua última ofensiva no «front ocidental», começou em 21 de Março de 1918 e prolongou-se, sem interrupção sensivel, por toda a primavera dêsse ano, numa série de batalhas e avanços correspondentes, até 18 de Julho, dia em que começou a contra-ofensiva dos aliados.
De facto, começando as tropas alemãs, em 15 de Julho de 1918, pela manhã, a passar o Marne, num avanço que Luderdorff classifica de brilhante; na madrugada de 18, as tropas alemãs, não só detêem o seu avanço, mas começam, a perder terreno. Daí em deante o resto da campanha foi uma derrota sucessiva para o exercito alemão, assistindo, desde essa data, o general Ludendorff, seu Quartel Mestre General, ao desabar de todos os seus sonhos!"
(Excerto da primeira parte da obra)
Encadernação simples em meia de percalina com cantos. Corte das folhas pintado. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Aparado. Assinatura de posse(?) - Autógrafo do autor(?) na f. rosto.
Raríssimo.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP ou de qualquer outra fonte bibliográfica.
Peça de colecção.
125€
Reservado

10 dezembro, 2018

HISTORIA DO IMPERADOR CARLOS MAGNO, E DOS DOZE PARES DE FRANÇA, augmentada com a noticia circumstacial das estaturas, e fisionomias do imperador Carlos Magno, e dos Doze Pares de França. Dividida em tres partes. Traduzida do castelhano em portuguez, com maior elegancia para a nossa lingua. Nova edição. LISBOA: Na Typ. de Mathias José Marques da Silva. 1854. In-8.º (15,5cm) de [8], 464, 16 p. ; E.
Romance de cavalaria, obra clássica da literatura cavalheiresca, originalmente publicado sob anonimato, em França, no século XVI. Conheceria a 1.ª edição portuguesa na primeira metade do século XVIII, em duas partes (1728-1737), sendo seu tradutor Jerónimo Moreira de Carvalho.
"Na era de 467 floreceo o Imperador Carlos Magno, respeitado de todos os Monarcas, pelo seu distincto valor, e de seus Paladinos, de que se faz uma breve descripção.
Carlos Magno era de grande estatura, e mui robusto, com 70 pollegadas de alto, cara espaçosa, e redonda, olhos avermelhados, que indicavão ferocidade ao gesto, cabellos bastante ruços, pernas grossas, e grandes pés; conservava a barba do comprimento de 7 pollegadas; dormia pouco, porque velava parte da noite, occupado em Santos exercicios; era pois observante Catholico e de rectissima justiça."
(Excerto de Noticia circunstancial)
"Mandando Carlos Magno apregoar por todo o Reino, a sua partida contra os Turcos, muitos principaes Cavalheiros, e Senhores grandes se resolvêrão acompanhallo, deixando as suas casas, mulher, filhos e familia, e se ajuntárão em pouco mais de trinta mil homens de peleja, e vendo-se Carlos Magno acompanhado de tão luzida gente, zelosa pela Fé de Jesu Christo, partio de París para Jerusalem, com grande esperança de alcançar victoria, e restaurar as cousas santas.
Chegado á Turquia; entrárão em hum aspero monte, que tinha quinze legoas de comprido e dez de largo; e por cauda da immensidade de Leões, Tigres, Ursos, Guidos, e outros ferozes animaes, soffreo grande ruina no Exercito, e principalmente de noite; e com a fadiga e sobresalto dos ditos animaes; perdêrão os guias o caminho, e não sabião o que havião de fazer; e buscando estrada direita, chegou a noite e se achárão todos cançados, e sem mantimentos.
Vendo isto Carlos Magno, mandou que em huma planicie, que alli estava, se ajuntasse todo o Exercito, e poz nas entradas os soldados, que lhe pareceo estavam mais descançados, para se defenderem dos animaes, que com grande furor os accommettião para fartar a fome; e retirado Carlos Magno junto a huma arvore, se encommendou a Deos, e lhe pedio que tivesse piedade da sua gente."
(Excerto deo Cap. IX, Como Carlos Magno se partio com um grande Exercito para Jerusalem)
Encadernação em meia de pele dom ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Com seis páginas alvo de restauro.
Raro.
Inocêncio não menciona esta edição, que também não se encontra recenseada na BNP.
Indisponível

04 novembro, 2018

CANCIONEIRO DO BAIRRO ALTO. Colecção de chistosas poesias de um patusco oferecidas às meninas finas da Baixa. [S.l.], Edições Vénus, [197-]. In-8.º (20,5cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de poesias "impublicáveis" publicadas por um patusco 'sem nome', certamente após 25 de Abril de 1974. O autor procurou associar o título desta a uma obra obscena editada no século XIX, que pelo seu conteúdo indecoroso, a tornou conhecida e procurada; trata-se do Cancioneiro do Bairro Alto : collecção de chistosas poesias de um author patusco offerecidas a certas meninas que fazem certas coisas, Cadiz, 1864.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP, e sem qualquer outra referência bibliográfica.
Peça de colecção.
50€

01 novembro, 2018

RECOPILAÇÃO DO DIREITO CANONICO E DOUTORES SOBRE A QUESTÃO DE JURISDICÇÃO ECCLESIASTICA. POR UM SACERDOTE SECULAR DO BISPADO DE VISEU. Coimbra: Imprensa de Trovão, & Comp.ª - 1840. In-8.º (21,5cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante obra sobre a disciplina eclesiástica, incidindo sobretudo na legitimidade dos vigários capitulares em substituir os Bispos ausentes das suas dioceses - das suas obrigações e afazeres.
"Ha cinco annos que constantemente se falla e se escreve sobre a legitimidade canonica dos Vigarios Capitulares; e para se dar valor e legalidade aos seus actos, por diversas causas se tem pretendido mostrar as Sés vagas, ou impedidas: e quando se tem querido espalhar a luzes da evidencia sobre tão importante materia, pelo contrario se tem obscurecido e desfigurado, offerecendo-se argumentos em que se descobrem antes motivos de capricho, do que razões de Direito bem fundadas. Sempre a paixão cega: e não é por isso muito facil ao homem voltar sobre seus passos, e marchar desembaraçado de prevenções, e ainda de condescendencias pouco airosas pelo caminho seguro das Leis e da Justiça, até deparar com a verdade, posto que fugitiva, sempre augusta. Pessoas aliás de merecimento e literatura tem sustentado e deffendido aquellas vacaturas ou quasi vacaturas, e pennas igualmente bem apparadas as tem negado, produzindo razões e principios incontrastaveis; mas infelizmente até'gora sem effeito, ou porque se tem tido em pouco materia de tamanha gravidade, ou porque se lhe não tem querido dar o devido assenso. Não posso eu, nem devo por todos os motivos, esperar melhor fortuna; entretanto tocarei neste objecto, tanto quanto permittir a minha pequena capacidade, apontando as fontes, e extrahindo a doutrina Canonica respectivamente ás obrigações e direitos dos Bispos, e dos seus Cabidos assim como qual a pratica seguida neste Reino desde tempos mais remotos."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Aparado à cabeça. Capas simples, frágeis, com defeitos. Para encadernar.
Muito raro.
Com interesse jurídico, histórico e religioso.
Sem registo na BNP, ou outra fonte bibliográfica.
Indisponível

26 setembro, 2018

O CASTELLO D'ALBERT, OU O ESQUELETO AMBULANTE, traduzido do inglez para o francez por Mr. Cantwel, e deste para o portuguez por J. L. Vieira de Castro. Publicado por uma sociedade. Tomo I [e Tomo II]. Lisboa. Typographia de Lucas Evangelista, 1849. 2 vols in-8.º (15,5cm) de [2], 126 p. e 120, [2] p. ; E. num único tomo
1.ª edição.
Romance negro*, do género fantástico, publicado originalmente sob anonimato em Inglaterra (1798), e traduzido para o francês, um ano depois (Paris, 1799). Foi um best-seller na época. O enredo apresenta uma mistura incomum de terror e comédia sombria diferente de qualquer outro romance gótico. A acção decorre em França durante a Idade das Trevas - o bom conde Richard desaparece misteriosamente, reinando tiranicamente em seu lugar o usurpador Albert e a sua perversa mulher Brunchilda. The Animated Skeleton (Le Château d'Albert, ou le Squelette ambulant) é uma obra-prima do terror gótico, e trata-se, possivelmente, da primeira novela que com estas características literárias se publicou entre nós.
Ilustrado com 4 bonitas gravuras abertas em metal assinadas por Botelho.
*"Romance negro, ou romance gótico, é um subgénero literário nascido na Inglaterra, em meados do século XVIII, tendo como principal característica o terror, suscitado pelas situações do enredo e pela intervenção do sobrenatural. A narrativa de terror ou gótica penetra tardiamente em Portugal, já na terceira década do século XIX, altura em que se assiste ao surto do romance histórico, outro subgénero com o qual a primeira se vem confundir. É neste tipo de romance que comparecem os ingredientes habituais da literatura negra: cenários medievais, castelos e abadias geralmente em ruínas; paisagens sombrias e aterradoras; figuras de salteadores e vilões; espectros e cadáveres. Elementos do romance negro ou gótico estão, assim, presentes nos romances históricos como Eurico, o Presbítero (1844), de Alexandre Herculano, ou mesmo O Arco de Santana (1845-1851), de Almeida Garrett, mas também nas baladas em verso cujo paradigma é A Noite do Castelo (1836), de António Feliciano de Castilho."
(Fonte: infopédia)
Quanto ao tradutor francês, André-Samuel-Michel Cantwell (Paris, 1744-1802) cujo nome vem impresso no frontispício da edição portuguesa, por curiosidade, e porque a sua tradução do inglês forçosamente terá influenciado a versão portuguesa, ficam alguns dados biográficos: foi arquivista e tradutor. Serviu no exército como tenente-marechal da França, entrando mais tarde, em 1792, como bibliotecário, no hotel des Invalides. Sozinho ou em colaboração, traduziu do inglês romances, crónicas de viagem e obras literárias, históricas e políticas. De acordo com a Biographie Universelle de Michaud , "Cantwell foi um dos tradutores mais ignorantes e imprecisos que afligiram a literatura".
"Ouvia-se o sibilar dos ventos, e o bramir da tempestade. As janellas de Jaquemar, deffendidas apenas por simples canniçadas, davam facil entrada á neve violentamente impellida contra a sua choupana, cujo tecto mal construido, a distillava no interior, aonde os filhos de Jaquemar se estreitavam horrorisados contra o peito de seu pai.
Faz tanto frio, papá, lhe dis o mais velho, envolvei-nos no vosso capote. Contai-nos uma historia, diz o mais novo, em quanto esperamos que a maman nos traga algum alimento: e porque se demora ella hoje tanto, papá? [...]
Oh! é a maman, é a maman, gritaram os filhos transportados d'alegria.
Meus filhos, diz Jaquemar, se fosse ella, entraria imediatamente; mas, para vos satisfazer, eu vou examinar.
A choupana de Jaquemar tinha dous quartos, um dos quaes servia de cozinha e de alcova; e no outro, um pouco mais pequeno, alimentavam uma cabra. A porta principal conduzia a este ultimo, motivo porque elles não podiam ver a pessoa que entrava; mas aproximando-se á porta, Jaquemar reconheceu a sua cara Dunifléda, cujas forças atenuadas não lhe permittiam entrar, e ainda menos abrir a porta: o frio, o susto, e a fraqueza tinham entorpecido suas mãos!... Logo que Jaquemar abriu a porta, ella fez um esforço para entrar; mas faltando-lhe as forças, cahiu sem sentidos nos braços de seu esposo!... Jaquemar a conduziu para proximo do lume que a neve tinha já quasi apagado; a dor, e o espanto não lhe permittiram procurar-lhe outros socorros. Engolfado em uma especie de entorpecimento, elle a unia a seu coração, e suspirando contemplava as suas roupas despedaçadas, e seu rosto ensanguentado."
(Excerto do início da obra)
Encadernação coeva inteira de carneira com rótulo carmim e dourados gravados na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta posterior ligeiramente fendida junto da lombada.
Muito raro.
Com interesse bibliográfico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
60€

17 julho, 2018

AS FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO. [Lisboa], Grémio Montanha, 1926. In-8.º (17,5cm) de 23, [1] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de propaganda anticlerical publicada pouco antes da instauração do regime da Ditadura Militar. Opúsculo distribuído gratuitamente pela loja maçónica «Grémio Montanha».
Trata-se de um resumo histórico da actuação da Inquisição ao longo da história, com particular ênfase para o caso português, que vem pincelado com episódios particularmente sangrentos nalgumas cidades e vilas, de norte a sul do país.
Livrinho ilustrado com bonitas gravuras ao longo do texto.
"Foi no século XIII que a Inquisição, com todos os seus horrôres, começou a exercer a sua tenebrosa acção no sul de França aparecendo, mais tarde, como nome de Santo Oficio, na Espanha e em Portugal.
Logo que nestes ultimos países se repetiu, com todos os requintes de malvadez, o canibalêsco espectáculo de assar pessoas vivas, a Peninsula revestiu-se de côres rubras apresentando o aspecto deum pavorôso incendio que iluminou a Europa inteira.
Milhares de creaturas, inocentes vítimas do ódio nêgro dos clericaes, fôram impiedosamente arrastádas para as chamas.
Por toda a parte labarédas, fumo, sangue...
Até ao primeiro quarto do século XIX jamais deixou de ser ateiado o terrivel brazeiro no qual crepitáva ininterruptamente a carne humana que a Igreja, em nome de Cristo, atiráva para as fogueiras purificadôras das almas."
(Excerto da introdução)
Matérias: [Introdução]. No sul de França. Na Flandres. Em Espanha. Em Portugal: A Santa Inquisição em Portugal; Em Miranda do Douro; Em Lamêgo; Em Coimbra; Em Aveiro; Em Trancôso; Na Covilhã; As torturas do Santo Tribunal; No Porto; Em Évora; Em Lisboa; Carta a el-Rei.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, sujas, com defeitos.
Raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

14 julho, 2018

ALMAFALLA - GUERREIRO  MONGE. Braga, Typ. a vapor dos "Echos do Minho", 1916. In-8.º (18,5cm) de [4], 80 p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa histórico-biográfica sobre os feitos de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável.
"Almafalla surge com o seu bello espirito medieval, consolando-nos das amarguras da hora presente, com as doiradas miragens do passado, evocando tempos de maravilhosa grandeza. [...]
São paginas d'oiro com illuminuras, como esses velhos missaes, que só por si valem um thesoiro,  Guerreiro e Monge é um poema em prosa, um rosario de feitos d'essa epocha em que Portugal mostrou ao mundo que tinha heroes como os que o poeta grego canta na sua famosa Illiada."
(Excerto do preâmbulo)
"Em 1360, anno bissexto, nasce em Sernache do Bomjardim, em plena Beira, n'uma noite tão caracteristicamente portugueza como a de S. João, D. Nuno Alvares Pereira, decimo terceiro filho de D. Alvaro Gonçalves Pereira, pae de trinta e dois filhos! [...]
Seu pae, grande influente na côrte, priva intimamente com os Reis, e D. Nuno aos treze annos incompletos é apresentado no Paço. Todos os olhos o devoram, todas as attenções convergem sobre elle, lindo adolescente, robusto e sadio, gentil e gracioso. [...]
Falla pouco, medita muito, os seus ideaes absorvem-no, por vezes ouve como vozes, sons confusos de tropeis e clarins, sente-se heroe, e como tal cheio de energia e de Fé. [...] Na côrte é querido e amado por todos; cae nas graças dos soberanos e é armado cavalleiro pelas lindas mãos da perfida Rainha Leonor que o escolhe para seu escudeiro."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

06 abril, 2018

O MODO DE RESUSCITAR OS MORTOS. Conto persiano. Lisboa, Na Typografia Rollandiana. 1819. Com Licença da Meza do Dezembargo do Paço. Vende-se em Casa do Editor F. B. O. de M. Mechas, no Largo do Caes de Sodré, N. 3 A. In-8.º (15cm) de 24 p. ; B.
Curioso conto oriental(?) em prosa pré-romântica de autor indefinido. Elaborado sem grandes cuidados literários, ao gosto da época, é no entanto muito mais do que um "pequeno conto"; com subtileza, foi convertido num interessante ensaio filosófico sobre a felicidade.
"Feridoun, Rei da Persia, tinha visto expirar entre seus braços a bella Irandocte; e tal era o seu extremado amor, que aborrecendo a vida queria acompanhar na sepultura esta esposa terna, e virtuosa. Já eraõ passados tres dias, e tres noites; e sem comer, nem dormir, encantoado, sómente o cortejava a sua desesperaçaõ. Já a este tempo a morte se preparava para descarregar a fatal foice sobre esta nova victima; quando eis-que hum Filosofo Indiano, que o Monarcha honrava com a sua confiança, de repente entra neste retiro lugubre, e lhe diz: Rei dos Reis, dignai-vos escutar-me hum momento. Naõ venho de modo algum irritar a vossa dôr por meio de consolações frivolas: só venho annunciar-vos a tornada proxima do bem, por que suspirais. Dentro em pouco tempo, naõ duvideis do que vos digo, dentro em pouco tempo a mesma Rainha enxugará as lagrimas, que vos fez derramar. Viverá, e fará tambem a vossa felicidade, e a nossa... Vejo o espanto, em que vos põe este discurso; porém sabei, Senhor, que acabo de descobrir nos escriptos de hum antigo sábio o modo de ressuscitar a amavel Irandocte; modo sem dúvida seguro, e que parece taõ simples, como facil."
(Excerto da 1.ª parte da obra)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Por deficiente trabalho da tipografia, as páginas 21-24 estão entre a página 16 e 17.
Raro.
Indisponível

23 fevereiro, 2018

NOVISSIMA ARTE DE COZINHA. Illustrada com numerosas gravuras e contendo As melhores receitas culinarias, ao alcance de todos, uma secção completa de dôces, pudins, massas, etc., variadissimos pratos e o modo de servir á meza e de trinchar. 2.ª edição Enriquecida com muitas receitas pelas mais distinctas damas argentinas, paraguayas, chilenas, mexicanas, etc. Por UM MESTRE DE COZINHA. Lisboa, Editores-Proprietarios : Tavares Cardoso & Irmão, 1897. In-8.º (19cm) de 412, [4] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
Curioso tratado de cozinha, contendo centenas de receitas variadas, entre sopas, molhos e temperos, carne, peixe, doçaria, etc., bem como o serviço da cozinha e da copa, sendo ainda, o primeiro tratado do género que procura divulgar entre nós a cozinha brasileira.
Muito ilustrado no texto e com uma gravura em separado.
"Publicando o presente trabalho, tivemos em vista condensar os methodos mais simples, a par das mais completas receitas de cozinha, para que as nossas prescrições fossem comprehensiveis e practicaveis, sem grandes esforços para os que desejem estudar completamente esta especialidade.
Apesar de não havermos ultrapassado uma 400 paginas, que tantas são as que constituem este volume, crêmos, todavia, que não deixámos de enunciar cousa alguma que pudesse ser de utilidade á realisação de uma boa cozinha. Puzemos de parte as theorias complicadas, que apenas serviriam para crear difficuldades áquelles que nos consultassem, e tractámos de reunir todos os elementos necessarios para a execução de boas refeições, quer familiares, quer extraordinarias, por exigencias de fino gosto.
Ao passo que as donas de casa encontrarão n'este livro indicações facilimas, visto que não só a leitura dos melhores auctores que teem tractado de cozinha, mas tambem a pratica de muitos annos, guiaram o auctor convenientemente, levando-o a abstrahir tudo quanto fosse superfluo e de difficil execução, - os cozinheiros que pretendam aperfeiçoar a sua arte, creando-lhe elementos novos, acharão tambem aqui tudo o que necessitarem para esse fim e que o auctor buscou nas fontes mais authorisadas, quando não o praticou por sua mão.
Pareceu-nos ainda conveniente incluirmos em o nosso trabalho alguns pratos de cozinha brazileira, dignos de figurar a par de muitos que a cozinha franceza nos tem fornecido, e que não estão vulgarisados entre nós, pelo simples motivo de não serem conhecidos. E quantas pessoas, d'aquellas que os conhecem, não se lembrarão por vezes, com saudade, do delicioso churrasco do Rio Grande e dos finissimos dôces que no Brazil saborearam, e que, voltando á patria, nunca mais tornaram a contemplar, como se, ao trocarem a America pela Europa, mão fatidica se lhe houvesse traçado deante dos olhos cubiçosos aquellas tremendas palavras de Dante: Lasciate ogni speranza!
Não, a esperança não está de todo perdida. Os manjares brazileiros surgirão nas mezas de Portugal, e será a Novissima Arte de Cozinha o generoso Moises d'essa grande obra.
Acompanha-nos esse desejo, bem como a crença de que não darão por desperdiçadas as suas consultas aquelles que seguirem á risca as nossas prescripções. Todas as receitas que apresentámos podem ser usadas com perfeita segurança, accrescendo a circumnstancia de havermos tornado as nossas indicações o mais economicas possivel, resultado a que o bom cozinheiro deve attender continuadamente."
(Prefácio dos editores)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

23 novembro, 2017

PROCESSOS CELEBRES DO MARQUEZ DE POMBAL : factos curiosos e escandalosos da sua epoca. Documentos historicos ineditos : 1782-1882. Por um Anonymo. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1882. In-8.º (22,5cm) de 93, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Publicação com grande interesse pombalino. Trabalho alicerçado na exposição de documentos menos conhecidos de, e sobre o Marquês de Pombal.
O seu autor terá sido Brito Aranha.
"O marquez de Pombal, como todos os homens eminentes, e invejados, tem tido salientemente duas ordens de escriptores para o apreciarem: - os que tem pensado unicamente em o desculparem, pretendendo apagar os actos maus com o clarão immenso de seus actos grandiosos; e os que tem posto á luz indecisa, tetrica e traiçoeira, da inimisade, da inveja e do odio, as qualidades más que sem critica parcial e injusta sobrepujam as boas.
Nem uns, nem os outros, acertam. Exigem a imparcialidade e o rigor da historia que, sobre certos actos, não seja lavrada uma sentença para os vindouros, sem que appareçam no tribunal todas as provas, a favor e contra. [...]
Ao darmos ao prélo estas notas na vespera do centenario do marquez de Pombal, tivemos em vista reunir mais alguns elementos em beneficio dos estudiosos, e dar publicidade a documentos, que por assim dizer, em parte desconhecidos, e em parte ineditos. Possuimos estes ultimos desde alguns annos, sem que se nos offerecesse a opportunidade de divulgal-os."
Matérias:
I - O marquez de Pombal - Preliminares. II - Dados biographicos - Serviços - Apreciações. III - Processos particulares e politicos. IV - Ainda os processos politicos - Supplicio dos Tavoras - Tentativa para a sua rehabilitação. V - A mesa censoria - Pagliarini - A bibliotheca real da Ajuda. VI - O centenario. VII - Notas para uma bibliographia pombalina.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada com defeitos. Ausência da capa posterior.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

20 novembro, 2017

DEFINIÇÃO DA MULHER E LIÇÃO IMPORTANTE PARA DESENGANO DO HOMEM, PRINCIPALMENTE DA MOCIDADE. Lisboa: 1826. Na Imprensa da Rua dos Fanqueiros N.º 129 B. Com Licença. In-8.º (20,5cm) de 22 p.
1.ª edição.
Curiosíssimo folheto oitocentista pouco abonatório para a "mulher". Nele, o autor (anónimo) pôe a nú os perigos e 'manhas' que o "sexo fraco" representa para todos os homens  - os incautos e os mais avisados.
A BNP dá notícia de apenas uma edição posterior à presente, de 1832, em oitavo de 15cm com 30 pp.
"Foi a mulher creada para companhia e allivio do homem; a desgraça da culpa a fez menor, pela odediencia com que Deos a sugeitou ao homem por pena do seu delicto. Na nobreza d'alma, e no uso das suas potencias he tão perfeita como o mesmo homem. [...]
Não sei com que razão os homens as considerão em tudo defeituosas: alguns como Aristoteles lhe chamão animal imperfeito; e estes mesmos que as infamão, são os que mais as adorárão. [...]
Como pois a ninguem se offende em particular, quando se falla geralmente, vamos a dizer o que he a mulher, definindo-a para desengano, e cautella do homem. Todos sabem que os inimigos da nossa alma são tres, Mundo, Diabo, e Carne; mas eu digo que são quatro, e este ultimo he a mulher. O mundo he inimigo pelos seus enganos; o Diabo pelas suas tentações; e a carne pelos seus deleites: todos os males destes tres inimigos repartidos, se achão junto juntos da mulher; porque esta engana como o mundo, tenta como o Diabo, e deleita como a carne; e o peior he, porque o mundo vence-se com o desprezo; o Diabo com a Cruz; e a carne com o castigo; porém a mulher desprezada he peior que tudo: não foge da Cruz, e não se emenda com o castigo. Semelhante á rocha que se faz mais dura com os açoites do mar, assim he inimigo maior do que os tres inimigos juntos. Muitos e graves Authores chamão á mulher corda de Satanaz; e tem tazão: pois que outra cousa he a mulher senão corda suave que conduz brandamente as victimas dos homens a infernal sacrificio!"
(excerto do texto)
Exemplar desencadernado (cozido à mão), em bom estado geral de conservação. Vincado. Apresenta rasgão (sem perda de papel) sensivelmente a meio do folheto, e pequeno orifício na última página, sem perturbar o texto impresso. Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de restauro.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

30 julho, 2017

CENSURA / sobre / O Regimento do Juiz do Povo, Procuradores, e Mesteres da Casa dos Vintequatro da Cidade do Porto / ou / BREVE RAZOAMENTO / sobre / A origem destes Homens publicos, e Representantes da terceira Ordem do Estado, e sua jurisdiçaõ, deveres, e funções dos seus officios, e utilidades vantajosas que do seu Regimento decisivamente resultaõ ao Soberano, ao Povo, e ao Estado / que contem / Monumentos antigos que extaõ no Archivo da Camara da quella mui antiga, nobre, e sempre leal Cidade, e que tanto sublimaõ, engrandecem, e felicitaõ os seus moradores. Londres: Impresso por W. Lewis, St. John's Square, 1814. In-8.º (21,5cm) de 56, [2] p.
1.ª edição.
Opúsculo publicado sob anonimato, sabe-se que o seu autor foi João Pereira Baptista Vieira Soares (1776-1852), advogado, natural do Porto. Esteve exilado no Brasil durante o reinado de D. Miguel I, entre 1828 e 1834, período durante o qual fez publicar folhetos críticos do regime, redigidos em tom cáustico contra D. Miguel, e tudo o que este representava.
No presente opúsculo, o autor reclama para o Porto gente capaz de assegurar a sua gestão municipal, independentemente do seu estatuto social, uma vez, em seu opinião, se encontra entregue a ineptos.
"Se as Confrarias resolviam o mais grave problema dos que trabalhavam nos mesteres - o da assistência em caso de necessidade -, não resolviam o da defesa dos mesteres nos municípios, enquanto estes não tivessem uma uma representação própria nos orgãos municipais. Apenas no final do século XIV surgiu a primeira expressão organizada com esta finalidade: a casa dos vinte e quatro.
Afirmação política dos mesteres nos concelhos ter representantes nos orgãos municipais, dois por cada doze dos ofícios mais importantes da cidade; participavam nas Assembleias Municipais com representantes eleitos, e nas eleições de procuradores ás Cortes.
No Porto, a Casa do Vinte e Quatro teve uma vida muito agitada, em grande parte devida á oposição que lhe era movida pelos mercadores. Mas sobreviverá até 1834, com alguns momentos de grande actividade: a luta contra a intervenção do papel selado em 1661; os protestos contra a criação do monopólio da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro em 1757, e por último a comparticipação na insurreição de 1808 contra a ocupação das tropas de Junot."
(fonte. http://www.filorbis.pt/educar/histFormProf010.htm)
 "Se as leis saõ a base da sociedade civil, consequinte he, que naõ saõ cousas, que possaõ acompanhar-se, o despotismo dos que mandaõ, e a felicidade dos que obedecem. Da justiça dependeo sempre o esplendor, e conservaçao dos Imperios; da sem justiça nasceraõ sempre oos desastres, e ruina dos povos. Os quaes, ainda que por dita sua os governe um Filosofo Legislador, por que naõ podendo elle por si só exercer os poderes da soberania, confia a outros a balança de pesar os direitos, e a espada de punir os crimes; carecem de Representantes, que longe do seu Rei os deffendaõ da prepotencia, e demasias da Nobreza, que tanto tem affligido o resto dos cidadaõs em todos os Estados, e Republicas."
(excerto da Censura ou Breve razoamento..., Ponto 1.º)
Exemplar desencadernado em razoável estado de conservação. As primeiras folhas apresentam falhas de papel nos cantos inferiores, sem no entanto, atingir a mancha tipográfica. No interior do livro, algumas folhas possuem antigas manchas de humidade.
Raro.
Com interesse histórico para a cidade do Porto.
Sem registo na BNP.
35€

27 julho, 2017

VIA-SACRA OU MODO PRATICO DE VISITAR AS CAPELLAS E IGREJA PRINCIPAL DO INSIGNE SANTUARIO DO SENHOR BOM JESUS DO MONTE, SITO NO MONTE ESPINHO, SUBURBIOS DA CIDADE DE BRAGA. Obra util, e proveitosa a todos os que quizerem lucrar as muitas Indulgencias, que os Summos Pontifices concedêrão aos que as visitarem. FEITO POR UM DEVOTO DO MESMO SENHOR. [Escudo de armas de Portugal encimado por coroa real]. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade. 1826. In-8.º peq. (14cm) de 95, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Vetusto guia do percurso da Via Sacra no magnífico santuário bracarense, exemplarmente informativo e descritivo, salvo melhor opinião, o primeiro saído dos prelos com estas características, e das mais antigas publicações sobre o Bom Jesus do Monte.
"O Santo exercicio da Via-Sacra he uma das obras mais meritorias e mais agradavel a Deos, que se póde praticar; foi devoção da mesma Virgem, de quem uma pia tradição diz, que depois da morte de seu amado Filho, ella frequentemente visitava as Estações da sua Paixão; era a devoção dos primeiros Christãos, que como escreve S. Jeronymo, não julgavão haver cumprido, nem haver merecido o nome de Christãos, em quanto não visitavão as Santas Estações, consagradas pelos soffrimentos do Senhor; he a devoção mais util ao homem, e a que mais lhe attrahe as bençãos do Ceo, pois, como diz Alberto Magno, uma breve meditação da Paixão de Jesus Christo traz mais proveito á alma, do que se jejuasse todo um anno a pão e agua, e se disciplinasse cada dia até derramar sangue; por quanto não deve haver fiel Christão, que deixe de exercitar um acto de tanta piedade, qual he a visita das Capellas de Igreja Principal do Senhor Bom Jesus do Monte; pois se em todas as Vias-Sacras, feitas com devoção, se lucrão tão innumeraveis thesouros de graças, quantos thesouros se poderão lucrar na Via-Sacra do Senhor Bom Jesus do Monte, onde vivamente se mostra o objecto, de que se trata, e se excita a piedade, para melhor meditar."
(Exhortação)
Encadernação coeva, simples, em meia de pele.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, pastas e lombada acusam desgaste. Apresenta declaração de posse antiga no pé do frontispício.
Raro.
A Biblioteca Nacional conta com apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

10 julho, 2017

M. J. V. M. - AS MULHERES DESMASCARADAS, OU O VERDADEIRO REMEDIO D'AMOR. Extrahido, e publicado por... Porto : - Na Typographia de J. A. G. M., 1849. In-8.º (16cm) de 70 p. ; B.
1.ª edição.
As mulheres desmascaradas é um “sério” aviso aos homens sobre a leviandade das mulheres e seus encantos. Adolfo, um jovem atormentado pelo amor não correspondido deambula até encontrar Aristeu – providencial personagem com o nome de um bondoso deus mitológico, conhecido pelos dons proféticos e da cura - que, em 14 lições, alerta o seu “pupilo” para a perfídia do sexo oposto.
"Tocava apenas o meu decimo oitavo anno que me subjuguei ás leis d'amor. Os encantadores olhos de Licoris, souberam prender-me, e tornar-me seu escravo. Eu suspirava por Licoris, e ella, não o ignorando, disfructava os meus tormentos, e os augmentava, prodigalisando na minha presença familiaridades, e caricias a meus rivaes. Tratava-me emfim com desdens. Eis o motivo do meu tormento..."
(excerto do 1.º parágrafo da obra)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos; contracapa apresenta falha de papel com relevo.
Raro e muito curioso.
Sem registo na BNP.
Indisponível

25 março, 2017

O VOLUNTARIO DA ROTUNDA. Narrativa Historica da Revolução. Lisboa, Bibliotheca do Povo, 1910. In-8.º (22cm) de 100 p. ;il. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada sob anonimato, ainda em 1910, pouco depois da implantação da República. Trata-se do relato romanceado da Revolução de 5 de Outubro de 1910, abrangendo os episódios históricos que lhe estão associados, com particular destaque para a resistência oferecida pelos revoltosos na Rotunda.
Apesar da narrativa configurar algum cunho ficcional, a prosa, poderosa e crua, por certo baseada em relatos 'vivos', dá uma outra perspectiva dos acontecimentos - por sinal muitíssimo curiosa -, a visão popular dos factos.
Livro Ilustrado no texto com bonitas capitulares, vinhetas tipográficas e fotogravuras da época.
"- Que vem a ser isto? perguntou ao chegar ao largo a alguns populares.
- Começam a bombardear o palacio das Necessidades.
Então, a despeito da sua edade e da sua prudencia , essa curiosidade que a tanta gente victimou por se irem metter quasi entre os contendores, fez com que o mestre, em logar de ir para casa, se dirigisse para os pontos mais altos do bairro da Lapa, a vêr se d'alli descobria o terrivel espectaculo.
Viu com effeito dois navios de guerra o S. Rafael e o Adamastor disparando tiros para o lado da cidade.
Junto d'elle n'uma culminencia proxima do Pau da Bandeira, havia muitos outros espectadores, a quem um recemchegado d'Alcantara contou o enthusiasmo dos gritos, e vivas á Republica, que partiam d'aquelle revoltado bairro, a cada rombo que as granadas abriam na real morada, e que se a tropa que a defendia d'alli marchasse sobre os revolucionarios do quartel de marinheiros, sahiriam dois mil homens ao seu encontro.
Quando o mestre prestava attenção a estes dizeres, ouviu-se o ribombar de canhões no outro lado da cidade, e logo escutou esta inquietadora nova. A bateria de Queluz tomára posição junto da Penitenciara e travára-se um duello com os defensores do quartel de artilharia 1 e com o campo dos revolucionarios."
(excerto do Cap. IV, O dia 4 de outubro)
Matérias:
I - O placard do «Seculo». II - No Chinquilho. III - A primeira noite da Revolução. IV - O dia 4 de outubro. V - Noite medonha. VI - A proclamação da Republica. VII - Viva a Republica! VIII - O foragido do Quelhas. IX - O governo saudando os heroes da Rotunda. X - O funeral dos martires.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, sujas, com defeitos.
Muito raro.
35€

12 agosto, 2016

PRISCA : narração historica do reinado de Claudio : primeiro seculo da era christã. Traduzido do italiano. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro Editor : Paris, E. Belhatte, Livreiro, 1879. In-8.º (18cm) de [4], XI, [1], 448, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico sobre Santa Prisca, mártir do século I da nossa era. Desconhece-se a identidade do autor, assim como do responsável pela tradução. A Biblioteca Nacional não tem catalogado nenhum exemplar na sua base de dados.
"A vida que escolhemos em primeiro logar, he a da Virgem Martyr S. Prisca, nobre Romana, descendende da nobre familia cujo nome herdou; familia não só senatoria, mas consular, tendo mesmo seo Pai duas vezes desempenhado cargo durante o imperio, ella teve a fortuna de ser baptisada pelo Principe dos Apostolos e primeiro Santo Pontifice, S. Pedro. Soffreu o martyrio, talvez mais cruel do que nenhuma outra Virgem depois padecesse, e na tenra idade de treze annos.
Duas causas decidiram esta escôlha, ambas plausiveis. A primeira que se infere da historia e monumentos que nos restão, he ser ella a Protomartyr não só de Roma, mas da Igreja Romana. O que dá logar a descrever o principio desta Igreja á universalidade dos fieis agora ignorantes, os costumes gentilicos de Roma, e o contraste com os dos Christãos primitivos; de que resulta sobresahir melhor o heroismo desta Menina, que foi depois o exemplo das illustres virgens que floresceram nos tres seculos seguintes, as Bonosas, as Cecilias, Martinhas, Domitilias, Ignez, e outras semelhantes, e não teve Prisca antes de si exemplo que seguir. [A segunda causa tem que ver com o desencanto do autor por, em Roma, não estar assinalada a igreja de Santa Prisca e, encontrado o monumento, ter constatado a sua degradação.].
Conservaremos a excatidão historica; e referiremos os factos como então se passaram, e quando faltarem documentos individuaes, nos cingiremos aos geraes daquella epocha, sendo certo que a Protomartyr, podemos dizer a Primogenita da Igreja Romana, teria escrupulósamente executado as leis ecclesiasticas então em vigor."
(excerto da introdução)
"A 24 de Janeiro havia tres dias que Roma inteira exultava em festas e rogozijos por causa das honras de Augusto. Jogos, divertimentos, corridas, torneios, espectaculos de gladiadores, combates de féras, distribuição de pão, de dinheiro, outras dadivas havião embriagado a feroz plebe romana. O amphitheatro erigido expressamente para a festa, apezar de mui extenso, na ultima manhã estava todo cheio. Cedo entrou Augusto Caio Caligula, com séquito de senadores e libertos, contra seo costume, mostrava-se jovial e affavel; estrondósos vivas e palmas o acolhêram."
(excerto do Cap. I, Scenas de Roma (Era christã anno XLI))
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
15€

28 janeiro, 2016

DUBRAZ, João - ACHMET : conto de fadas. Fundado em lendas patrias. Lisboa, Vende-se na Loja de A. M. Pereira, Rua Augusta, N.º 188. [imp. na Imprensa de Lucas Marcelino], 1852.
In-8.º (16cm) de XII, [2], 250 p . ; E.
1.ª edição.
Romance histórico de João Dubraz publicado sob a capa do anonimato. Obra oferecida pelo editor a Francisco d'Assis Salles Caldeira, que sobre a autoria de Achmet, nos diz na dedicatória: "O author do livro que ousei dedicar a V. S.ª já não existe: viveu obscuro e morreu ignorado - vida e fim communs a todos os engenhos desvalidos n'esta epoca corruptamente alchymica, que parvos e velhacos intitularam civilisada. Sem ser um genio, o author do Achmet era comtudo mancebo de rasão clara, juizo recto, e leal coração, que algumas decepções haviam quiçá lançado no scepticismo".
A última parte do livro, desde a página 211 até ao final, é preenchida com uma colecção de poesias do autor do Achmet, também de cariz histórico-lendário.
                                             .................
"O som da buzina venatoria fere as montanhas, e echôa nas profundezas do valle. O real veado, surprehendido em seu leito de verdura, ergue-se d'um pulo ao fatal clangor estirando os membros ageis; e depois d'haver interrogado a impregnada aragem, e escutado com ouvido attento, busca refugio nos matos onde alteia sobrelevada a sua ramosa corõa; entretanto o bravo javali corre por entre as moitas intrincadas, e evita o perigo que se aproxima, fugindo por instincto ao ruido da montaria.
Sôa ao longe o latido dos sabujos, que em matilha farejam os passos da rez fugitiva: conjuntamente rebôa o galope de guerreiros ginetes e o clangor das buzinas de caça, tangidas com frequencia por fervidos caçadores.
Redobra mais e mais este ruido longinquo: os cães seguem açodados a pista da venção, e os briosos corceis, contidos por seus cavalleiros, brincam agora impacientes, porque os não deixam ultrapassar as recovas dos alões.
Progride a montaria, e o arruido é cada vez maior. Olfactando a caça, os sabujos embrenham-se nas selvas, e vam descobrir o real fugitivo, que colhido em asylo da charneca, de mau grado o deixa para correr diante dos mastins que inutilmente o perseguem."
(excerto do Cap. I, O Lago do Muro)
Índice:
Achmet
Invocação. 1.º O Lago do Muro. 2.º A dama do corcel fouveiro. 3.º A lucta das alimarias. 4.º A ilha encuberta. 5.º A Torre-do-Moiro. 6.º O Castello-do-Amor. 7.º O torneio na Cabela-aguda.
Poesias
- A pastora perdida. - O pagem cioso. - Dom Florisel. - Dom Rodrigo, o Trovador. - Liberdade. 
João Francisco Dubraz (1818-1895). Natural de Campomaior. "Professor de latim e francês. Dedicou-se ao comércio, que depois trocou pelo professorado. Foi também advogado provisional. Escreveu: Achmet (Lisboa, 1852); Recordações dos últimos quarenta anos, esboços humorísticos, descrições, narrativas históricas, e memórias contemporâneas (Lisboa, 1868) (2.ª edição em 1869); A Republica e a Ibéria (Lisboa, 1869); Cinco finados ilustres (autopsias e comemorações) (Lisboa, 1869); O aventureiro francês (Lisboa, 1869). Colaborou também em vários jornais."
(in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. IX, p. 327.)
Encadernação inteira de tela. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Número manuscrito no canto superior dto da f. rosto.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar registado na sua base de dados, em mau estado, com acesso sob autorização.
Indisponível

22 julho, 2015

ECCOS DA REVOLUÇÃO : 5 - Outubro - 1910. Lisboa, Typographia Almeida & Machado, 1910. In-8º (21,5cm) de 16 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com os retratos de Machado dos Santos e Cândido dos Reis.
Narrativa, a par e passo, da revolução republicana de 5 de Outubro, e os seus antecedentes.
Raro e curioso opúsculo publicado em 1910 sob anonimato. Classificado como "raridade bibliográfica" pela Hemeroteca Digital da CML.
"A 31 de Janeiro, regressava a Lisboa, João Franco, portador do mesmo decreto [punitivo dos conspiradores de 28 Janeiro], assignado pelo rei. No dia seguinte desembarcava D. Carlos na estação do Terreiro do Paço, e tomando uma carruagem descoberta, como que provocando esse bando de ovelhas, como elle designava o nobre povo d'esta nação. [...]
Ao passarem, porem, á esquina do Terreiro do Paço e Rua do Arsenal, dois homens avançaram, puxando um d'uma carabina, e outro d'um revolver, dispararam alguns tiros sobre a carruagem regia, que feriram mortalmente o rei e o principe D. Luiz, e mui ligeiramente o infante D. Manuel."
(excerto de Precedentes da Revolução)
"Rompia a madrugada gloriosa. Lá em cima, nos pontos altos da cidade, a fuzilaria echoava, deixando no espirito de todos a dolorosa incerteza do que se ia passar.
Seis horas da manhã. Um grupo de amigos, resolveu partir para a Outra Banda, e assim levar ali o grito de revolta. [...]
De volta a Lisboa, pediram ao mestre do barco que passasse o mais proximo possivel do Adamastor, que talvez pudessem communicar assim com as praças que estavam a bordo. Transportava-os um vapor da carreira, e não puderam por isso parar junto do cruzador como era seu desejo. Mas alguem da amurada d'aquelle vaso de guerra, fazia signaes para que ali fossem sem demora. Era o tenente Cabeçadas, que facilmente reconheceram entre a marinhagem."
(excerto de A bordo do Adamastor e do S. Raphael)
Matérias:
Precedentes da Revolução
A Revolução
- Em Infanteria 16. - Em Artilheria 1. - A bordo do Adamastor e do S. Raphael. - Momentos decisivos.
A fuga da Família Real
- "Das Necessidades a Gibraltar".
Candido dos Reis [Homenagem]
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, com manchas. Apresenta pequenas falhas de papel marginais na parte superior das primeiras páginas.
Raro.
Peça de colecção.
A BNP possui apenas um exemplar registado, da Biblioteca João Paulo II (Universidade Católica).
Indisponível

20 julho, 2015

OS MARIDOS. Descripções minuciosas dos homens casados feitas conscienciosamente por Um Grupo de Senhoras Desenganadas. Scenas do Natural. Nova edição. Lisboa, Livraria Avellar Machado, [189-]. In-8º peq. (15cm) de 127, [1] p. ; E.
Curiosíssimo livrinho sobre os "tipos" de maridos.
“Aos Maridos. Apesar d’este livro não conter ofensas á moral, comtudo nenhum homem casado deve consentir que sua mulher o leia.
Não vá ella descobrir, nestas honestas descripções, motivos de aborrecimento prematuro, que aos maridos convém evitar.

As Autoras”
“Para que capricham frequentemente [os maridos] em dar causa a que não os amem?
Para que são tão simples, ou tão parvos, que convidam os homens mais bonitos, mais espirituosos, mais intelligentes, ou mais endinheirados para lhe frequentar a casa, correndo o risco dos confrontos que os collocam em situação pouco invejavel?”
(excerto da introdução)
Matérias:
1.º - Considerações preambulares. 2.º - O marido na lua de mel. 3.º - O marido na lua de fel. 4.º - O marido ama secca. 5.º - O marido aia de creanças. 6.º - O marido implicante. 7.º - O marido disvellado. 8.º - O marido hypocrita. 9.º - O marido agressor. 10.º - O marido que se desfeia. 11.º - O marido mulherengo. 12.º - O marido conquistador. 13.º - O marido dissoluto. 14.º - O marido patusco. 15.º - O marido desleixado. 16.º - O marido ciumento. 17.º - O marido que tem enguiços. 18.º - Considerações finaes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Sem indicação de registo na BNP (Biblioteca Nacional).

Indisponível

12 maio, 2015

[CHERNOVIZ, Pedro Luís Napoleão] - MEMORIAL THERAPEUTICO OU BREVE INDICAÇÃO DE VARIAS FORMULAS EMPREGADAS COM INEXCEDIVEL EXITO NO DECURSO DE MAIS DE TRINTA ANNOS DE EXERCICIO PRATICO DE CLINICA E PHARMACIA NO IMPERIO DO BRAZIL. Acompanhado como additamento de uma exposição botanica das plantas medicinaes brazileiras, cujos usos vão indicados no texto d'esta obra. Lisboa, Typgraphia Universal de Thomaz Q. Antunes, Impressor da Casa Real, 1873. In-8º peq. (13,5cm) de [2], 123, [1] p. ; E.
1.ª (e única) edição.
Curiosíssimo trabalho publicado sob anonimato, sabe-se que o seu autor foi Pedro Luís Napoleão Chernoviz, médico polaco, durante muitos anos radicado no Brasil. O livro divide-se em duas partes:
O Memorial Therapeutico, que inclui 185 preparados;
A Descripção das Plantas Medicinaes Brazileiras citadas em varias fórmulas d'este Memorial.
Mais tarde, o autor integraria esta obra em edições posteriores do seu conhecido Formulario ou Guia Médica (1841), julgamos que, a partir da 10.ª edição (1879).
"A presente publicação nada tem de commum com essa alluvião de formularios, que um desejo de ganhar nome, ou a cubiça do lucro acarretam quasi quotidianamente para o mercado dos livros; não passando a maior parte das vezes de meras especulações, com que se illude a credulidade do vulgo ignaro sem proveito da sciencia.
As fórmulas recoplidas n'este livrinho, e entregues hoje á publicidade, são exclusivamente o fructo de conscenciosas observações e experiencias medico-pharmaceuticas, emprehendidas e executadas no periodo de tres decadas de annos em que o auctor residiu e exerceu os dois ramos da arte de curar no imperio de Vera Cruz."
(excerto da introdução)
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz (1812-1881). "O doutor Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, nome abrasileirado de Piotr Czerniewicz, nasceu na Polônia (Lukov), em 1812. Em 1830, já como estudante de medicina na Faculdade de Varsóvia, foi obrigado a sair de seu país, ainda bem jovem, por ter participado de um levante contra o domínio russo. Assim como milhares de outros poloneses, recebeu abrigo em território francês, onde pôde continuar seus estudos, doutorando-se, aos 25 anos, em medicina pela Faculdade de Montpellier.
Na busca de fama e fortuna, resolveu, em 1840, aventurar-se pelas terras brasileiras, uma vez que o país era visto como promissor na área da saúde. Em dezembro do mesmo ano, teve seu diploma reconhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi aceito na Academia Imperial de Medicina, como membro titular. Entretanto, ao entrar em contato com as vivências e costumes da capital brasileira, percebeu que, para atingir seus propósitos de enriquecimento, o meio mais eficaz não seria clinicar ou dedicar-se à arte cirúrgica. Isto porque já existiam muitos consultórios médicos e de cirurgiões renomados na cidade carioca.
Entretanto, esse quadro não se repetia nos vilarejos interioranos, afastados dos grandes centros urbanos. Havia uma numerosa população rural carente de todo tipo de assistência relacionada à saúde. A partir dessa constatação, Chernoviz dedicou-se à idéia de produzir manuais em língua portuguesa, que tivessem explicações sobre o conjunto posológico e indicações de procedimentos básicos, que pudessem orientar leigos e acadêmicos nos atendimentos diários e nos primeiros diagnósticos.
A idéia viria a se materializar com as publicações do Formulário e Guia Médico (1841) e do Dicionário de Medicina Popular e das Ciências Acessórias (1842), que se tornaram referência para as questões médicas. Grande foi a aceitação desses manuais, o que resultou na publicação de várias edições. Segundo o estudioso Hilton Seda, possivelmente em virtude das críticas que estava recebendo pelo fato de seus manuais facilitarem o acesso dos leigos à medicina, Chernoviz teria se desligado, em 1848, da Academia Imperial de Medicina.
Em 1855, retornou a França, em companhia de sua mulher Julie Bernard e de seus seis filhos (um dos quais daria continuidade a seu grande projeto editorial) e morreu, em Paris, em 1881. Sem dúvida, foram várias as contribuições de Chernoviz para o campo da saúde: publicou diversos artigos na Revista Médica Fluminense e na Gazeta Médica da Bahia. Entretanto, não ficou conhecido no Brasil por sua atuação acadêmica ou clínica, mas por seus manuais médicos, que se tornaram instrumentos essenciais para disseminar práticas e saberes aprovados pelas instituições médicas oficiais no cotidiano daquela população.
A imagem de Chernoviz foi, assim, associada aos próprios manuais, como fica claro a partir do poema Dr. Mágico, de Carlos Drummond de Andrade: "Dr. Pedro Luís Napoleão Chernoviz / Tem a maior clientela da cidade. / Não atende a domicílio / Nem tem escritório. / Ninguém lhe vê a cara. / Misterioso doutor de capa preta ou invisível, (...)"."
(in http://www.museudavida.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=40&sid=30)
Encadernação inteira de percalina com título da obra gravado a seco e a ouro na pasta frontal.
Raro.
45€