30 abril, 2022

MORENO, Mateus - A NOVA GUERRA E A ARTILHARIA. [Por]... Tenente de Artilharia. Com um estudo sôbre a missão, emprêgo e organização modernas da Artilharia de Campo de Batalha pelo Tenente-Coronel J. J. Ferreira da Silva. Lisboa, «Ressurgimento», 1927. In-8.º (19,5 cm) de 106, [6] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
A Grande Guerra sob o ponto de vista da arma de Artilharia. Ensaio técnico-militar vertido em conferência. Monografia com interesse histórico, militar e estratégico.
Livro ilustrado com quatro estampas intercaladas no texto: Tenente-coronel Ferreira da Silva [retrato]; Grande canhão britânico em marcha, na última guerra; O canhão pesado francês de 145; Um "carro d'assalto" francês.
"O presente estudo, análise sintética das características evolutivas dum dos principais elementos de acção nas novas guerras - a Artilharia -, se não vem preencher, de facto, uma lacuna de há muito entre nós existente sôbre o assunto, é pelo menos um incitamento para que outros, com mais competência, a tal se abalancem.
É indispensável que através das Inspecções de cada arma a nação se preocupe com o seu Exército, não esquecendo que este hoje vale bem mais pelo seu aperfeiçoamento e potência do seu material utilizável, do que pela grandeza e complexidade do próprio efectivo em homens.
O modesto trabalho que segue, foi exposto pela primeira vez em despretenciosa palestra aos oficiais de um dos fortes do antigo Campo Entrincheirado de Lisboa... [...]
Nesta adaptação e desenvolvimento da referida palestra, continuamos a manter os três capítulos em que a haviamos dividido. No primeiro lançamos um olhar rápido sôbre as características e organização geral da Artilharia nos últimos anos que precederam a Grande Guerra; no segundo apreciamos as características mais notáveis a evolução, tanto orgânica como material, da referida arma durante a guerra; no terceiro e último, discutida a possibilidade de novas guerras, procuraremos apresentar algumas rápidas considerações ácêrca das prováveis características materiais e propriedades tácticas da mesma arma, no caso de se desencadear um novo conflito com as características do último."
(Excerto do Prefácio)
Índice dos capítulos:
Dedicatória. | Prefácio. | Cap. I - Antes da Grande Guerra: I. A Artilharia de Campanha, sua organização e emprêgo no início da conflagração; II. A Artilharia alemã. Cap. II - No fim da Grande Guerra: I. Evolução da Artilharia durante a Grane Guerra. Suas principais características; II. A Artilharia divisionária francesa. Seu confronto com a alemã; III. Características técnicas da evolução da Artilharia. III - A Nova Guerra: I. A possibilidade de novas guerras; II. A nova táctica. Princípios gerais; III. A futura artilharia; suas propriedades características. | Anexos: A) Missões, emprêgo e organizações modernas da Artilharia de Campo de Batalha, - pelo ten.-coronel José Jorge Ferreira da Silva. B) A classificação das armas segundo o Novo Regulamento Provisório do Serviço de Campanha. | Post-Scriptum: Teremos uma nova guerra dentro de 15 a 20 anos? Como será essa guerra?
Mateus Martins Moreno Júnior (1892-1970). Natural de Faro. "A paixão pela cidade que o viu crescer e pelo Algarve revelaram-se logo na mocidade, através da participação na imprensa e no movimento associativo locais. Presidiu à Academia do Liceu de Faro, onde fez estudos preparatórios. Fundou, em Outubro de 1911, o quinzenário académico A Mocidade, sendo da sua lavra a rubrica «Horas líricas», onde publicou muita poesia.
Em finais de 1914, Mateus Moreno veio para Lisboa para frequentar o curso de Matemáticas da Faculdade de Ciências. Terá sido essa a razão da transição da redação, administração e impressão da Alma Nova para a capital.
Nem mesmo a sua mobilização, em 1917, e ordem de marcha para França, incorporado no C.E.P., como alferes miliciano de artilharia de campanha, conseguiram interromper a atividade como escritor e como diretor da Alma Nova. No entanto, não é de excluir que as dificuldades que a revista registou no cumprimento da periodicidade, no final de 1916 e início do ano seguinte, se ficassem a dever, entre outras causas, à ausência de Mateus Moreno.
Redigiu e publicou alguns livros sobre o conflito militar e estudos técnicos sobre a sua arma, que foram apreciados pela hierarquia do exército. No que se refere à Alma Nova aí foram publicadas 5 cartas com as suas impressões da viagem e da chegada a França. Terminada a guerra, Mateus Moreno optou pela carreira militar frequentando a Escola de Guerra. Também fez o Curso Superior Colonial, em resultado do qual obteve algumas missões em Angola e desempenhou diversos cargos. Atingiu o posto de Major em 1942."
(Fonte: https://research.unl.pt/files/3627477)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

29 abril, 2022

MAGRO, Abilio - A REVOLUÇÃO DE COUCEIRO. Revelações escandalosas. Confidencias. Crimes. (Depoimento, baseado em provas e documentos, d'um antigo servidor da Monarchia, apodado na Galliza de espião da Republica). Editor - O Autor. Porto, Imprensa Moderna, 1912. In-8.º (19 cm) de XIV, 369, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história do recém-empossado regime republicano e para o movimento monárquico chefiado por Paiva Couceiro. O autor atribui ao clero a força motriz da contra-revolução monárquica, arrasando Couceiro, e acusando-o - a ele e aos que lhe são próximos - de  serem um bando de infames malfeitores. Na apresentação do livro, dirigida a D. Manuel II, recomenda ao monarca que, "para sua felicidade", deixe de subsidiar o movimento e se afaste de Couceiro.
Livro profusamente ilustrado ao longo das páginas de texto com reprodução de fac-símiles de diversos documentos autógrafos - bilhetes, circulares e correspondência vária relacionada com as acusações de Abílio Magro.
A contracapa do livro apresenta ao centro foto de uma máquina fotográfica com a legenda: "A melhor testemunha contra os conspiradores", sendo sua intenção, por certo, atestar a veracidade das acusações através dos documentos fotografados e reproduzidos no livro.
"Ha quasi um anno que abandonando a familia, a patria, os amigos e a posição social, me dirigi para terras de Hespanha.
O fim que para cá me trouxe é legitimo, é humano.
Desviar da conspiração monarchica um irmão querido, João Magro, sacerdote exemplar muito estimado e considerado pelo seu correctissimo procedimento de sempre.
João Magro, obcecado pelas suas arreigadas crenças religiosas que nunca olvidou, conscio de que algumas leis da republica haviam postergado o direitos seculares da Egreja, que sempre defendeu, e sabendo que o movimento iniciado por Paiva Couceiro, uma vez thriumphante, não só restabeleceria á mesma Egreja direitos que elle, e eu tambem, julgavamos inatacaveis, mas ainda outros que todos nós, os catholicos, desejavamos, deixou a sua parochia (S. João de Ayrão) e veio filiar-se como soldado nas hostes couceiristas.
Para pelejar, defendendo a Monarchia?
Sim, mas unica e exclusivamente para attingir o seu unico e verdadeiro ideal - luctar em prol da Egreja.
Como elle, muitos outro sacerdotes se sacrificaram, fazendo-se tambem conspiradores.
São muitos, mais de duzentos talvez.
A todos elles o Messias, que é como se sabe Paiva Couceiro, annunciou, quando fôsse... do governo, a satisfação absoluta e completa dos desejos do clero portuguez."
(Excerto do Cap. I)
"Como referi no capitulo primeiro, vim para Hespanha.
Mal havia chegado a Tuy, um reduzido mas criminoso bando de conspiradores, com largo cadastro de emeritos malandrins, imbecis e egoistas, (já com praça assente na columna que mais tarde invadia Portugal) capitaneados pelo celebre policia Marujinho, apodou-me de republicano-espião, esquecendo os miseraveis, para que a denuncia surtisse bons effeitos, que eu tinha sido nos tempos da ominosa, um dos homens não só odiados, mas até dos mais discutidos pela imprensa republicana e tambem aquelle a quem um livro - «Como thriumphou a republica» - escripto com um distincto escriptor, o Dr. Hermano Neves, consagra as honras... de um pequeno periodo, no qual o auctor se expressa assim:
«Foi ainda o Dr. Bernardino Machado, quem horas antes de rebentar um complot contra a vida do policia Abilio Magro, conseguiu por identico processo demover os conjurados da sua intenção. Muitos monarchicos não sabem o que devem ao eminente democrata.»
Eu li, mas soube, no proprio dia, da conjura em que se resolveu liquidar a minha vida pelo infame assassinio! [...]
Toda a gente, que conhece o obscuro nome de Abilio Magro, sabe que a campanha de odios e diffamação que certos republicanos lhe moveram, obedeceu sómente a um fito unico: o de obrigarem a exonerar-se do logar para que o chamaram, após a tragedia do Terreiro do Paço, e secretario do juiz de instrucção criminal de Lisboa, que a seu cargo tinha a investigação de todos os crimes politicos.
Exemplar em brochura, por aparar, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

28 abril, 2022

QUADROS, António -
PORTUGAL : Razão e Mistério.
Livro I - Uma Arqueologia da Tradição Portuguesa : introdução ao Portugal arquétipo, a Atlântida desocultada, o país templário.  
QUADROS, António - PORTUGAL : Razão e Mistério. Livro II - O Projecto Áureo ou o Império do Espírito Santo : o Império segundo segundo Dinis e Isabel, o Império segundo Avis, os Painéis de Nuno Gonçalves e a «Religião de Avis».
Lisboa, Guimarães Editores, Lda, 1986-1987. 2 vols in-8.º (21 cm) de 195, [21] p. (I) e 294, [26] p. ; [1] f. desdob. (II) ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego, a maior do autor, justamente considerada, sob o ponto de vista filosófico, uma das mais importantes da História de Portugal. O plano previa a publicação de um terceiro volume que nunca viria a ser concretizado, motivo de tormento nos últimos anos de vida do ensaísta.
"Portugal, Razão e Mistério é por uma parte a razão, razão teleológica, que guiou a inteligência portuguesa na aventura do seu ser e do seu estar no mundo, e por outra parte o mistério, subjacente ao seu destino glorioso e infeliz, universalista e contudo sempre problemático.
Ao abordar temas como a caracterização de um Portugal arquétipo, a Atlântida finalmente identificada com a civilização megalítica galaico-portuguesa ou as raízes templárias, cistercienses e joaninas do nosso país nos seus primeiros séculos, e, seguidamente, o que foi o projecto áureo de um Império do Espírito Santo, e depois os caminhos labirínticos para onde nos levou a saudade da Pátria prometida em termos cíclicos de mito, de decadência e de desejo regenerador, António Quadros procura mostrar-nos simultaneamente um Portugal profundo, um Portugal imaginário e também um Portugal ainda potencial, que depende menos de uma vontade política do que de um saber da sua essência ocultada e empecida."
(Fonte: wook)
O 2.º volume da obra inclui em separado uma folha desdobrável que reproduz os Painéis de S. Vicente, devidamente legendado por secção.
"A razão de Portugal, a razão de ser deste país antigo, encontra-se envolta na mais densa bruma. Tornou-se um mistério ou é um mistério?
Emergência da nação lusíada, seu destino inesperadamente fulgurante, seu projecto áureo, sua persistente resistência à adversidade, sua longa e relutante decadência, seus mitos de regeneração, suas obras de génio, suas estrelas cintilantes e dir-se-ia que proféticas no crepúsculo, tudo hoje é interpretado casualmente, a partir de de teorias da história opacas, diminutivas, reducionistas, que no fundo espelham o dominante espírito empecido da nossa época positivista, materialista, utilitarista. [...]
A razão de Portugal, a razão de ser de Portugal é antes de tudo uma razão teológica, isto é, uma razão aberta para com um telos ou um fim que é a justificação última do seu movimento no tempo e no destino."
(Livro I - Excerto do Prefácio)
"Com o impulso da cavalaria templária e da caridade cisterciense, na interpretação peculiar que lhe deram necessariamente o carácter guerreiro de uma luta contra o mouro que não contradizia o substracto da antiga aculturação moçárabe, foi-se desenvolvendo pouco a pouco, ao longo do nosso primeiro século como nação independente, um embrião de projecto civilizacional, de «sistema» axiológico, de psicilogia colectiva à procura de univocidade, caracterizados não só pela persistência do espírito cruzado segundo os ideais joanino e graalista, mas também pela evolução brilhante da língua portuguesa a partir da matriz luso-galaica: língua popular e também, língua literária com riqueza e qualidade para propiciar o aparecimento da notável poesia de amor dos trovadores ao lado da poesia dos Cancioneiros e dos Romanceiros tradicionais, exprimindo lendas, mitos, crenças e valores de arcaica ascendência ou bem assim dos romances de cavalaria e das canções de gesta do ciclo arturiano."
(Livro II - Excerto do Cap. I - Introdução à Paideia dionisíaca)
Exemplares em brochura, bem conservados.
Invulgar.
Indisponível

27 abril, 2022

TESTA, Carlos - SOBRE A PUNIÇÃO DOS CRIMES.
Artigo por...
[Lisboa], Imprensa de J. G. de Sousa Neves, [1874]. In-8.º (22 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
"Haverá dois annos, praticou-se entre nós um gravissimo crime de assassinio, com flagrante ofensa e quebra de disciplina militar.
Agora, quando crimes de tal magnitude se enovam, por se ter avigorado a convicção de que qualquer enormidade no crime não tem punição que amedronte quem o pratica, julgo a proposito reproduzir umas breves considerações que então emitti, olhando a questão como de principios e não individual.
Se ouso entrar no assumpto, aliás tão discutido, é porque me persuado que o protestar contra certas doutrinas que me parecem pseudo-humantarias, é quási um dever moral, de quem por qualquer motivo não póde ficar indifferente perante a perspectiva dos perigos que correria a sociedade, se aquellas houvessem de prevalecer em detrimento d'esta."
(Justificação)
Carlos Testa (1823-1891). "Alistou-se na Marinha Portuguesa em 1839, tendo sido graduado em guarda-marinha a 2 de março de 1843. Como jovem Oficial de Marinha começou por prestar serviço na costa ocidental africana, mais concretamente na fiscalização do tráfico ilegal de escravos, função esta que foi louvada pela sua eficácia e zelo. O seu comportamento foi novamente alvo de destaque quando a 9 de dezembro de 1856 contribuiu para a extinção do incêndio que deflagrou a bordo do brigue Cearense, onde estava embarcado.
No dia 18 de setembro de 1859 começou a prestar serviço no Ministério da Marinha, como Ajudante de Ordens do Ministro da Marinha, o que lhe permitiu vir a conhecer profundamente a organização da Marinha. Anos mais tarde foi nomeado comandante interino da corveta Sá da Bandeira e em 1866 lança o seu primeiro livro, Considerações sobre os navios de guerra em relação aos sistemas de construção e armamento."
(Fonte: https://ccm.marinha.pt/pt/museumarinha_web/multimedia_web/Paginas/efemeride-150-anos-anais-clube-militar-naval-17nov20.aspx)
Exemplar em brochura, com capas simples, lisas, bem conservado.
Raro.
10€

25 abril, 2022

OFÍCIO MENOR DE NOSSA SENHORA EM PORTUGUÊS E LATIM : seguido de um breve devocionário
. Porto, Editores Machado & Ribeiro, L.da, [1947]. In-8.º (14 cm) de 167, [1] p. ; E.
1.ª edição.
"A Igreja Católica, nossa Mãe e guia, empenha-se toda em santificar os seus filhos e em os ir exercitando cá na terra no que depois hão-de fazer no Céu. No Céu, os Anjos e bem-aventurados empregam-se de contínuo nos louvores de Deus. A Igreja compôs um Ofício, chamado divino, e manda a seus Ministros, que rezem todos os dias, cá na terra.
No Céu, diz S. Boaventura, enquanto uns Anjos louvam a Deus, outros louvam a Maria Santíssima. Por isso, a Igreja, por boca do seu Pontífice Gregório VII, encarregou S. Pedro Damião de compor também um Ofício em honra de N. Senhora, e, não manda mas aconselha, pede e insta com os fiéis em geral, para que o rezem e assim louvem a Mãe de Deus. E, por esta forma, podemos dizer que os Ministros sagrados, recitando o Ofício divino, são os Anjos de Deus na terra e os que rezam o de N. Senhora são os Anjos de Maria Santíssima! Qu grande dita, cristão, que honra tão grande!"
(Excerto de Ofício Menor de Nossa Senhora - Sua origem)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Corte das folhas carminado.
Invulgar.
Indisponível

24 abril, 2022

ALGUNS APHORISMOS POPULARES PARA A DEFEZA CONTRA A TUBERCULOSE.
1.ª edição
. Lisboa, Assistencia Nacional aos Tuberculosos, 1900. In-8.º (15,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa (belíssima) de P. Marinho.
Curioso livrinho de propaganda popular anti-tuberculose - composto por pequenas rimas - numa época de grande incidência da doença entre nós. Este opúsculo faz parte de uma série de acções preventivas desenvolvidas pela ANT, Associação criada sob os auspícios da Rainha D. Amélia, para obstar ao avanço da moléstia.

Algumas rimas "pedagógicas":

"A saude é, com certeza,
do mundo, a maior riqueza"

"Quem o seu mal não descura
adianta meia cura."

"Muita gente se mata por não ter
da hygiene o culto e o prazer."

"Léva o mau tratamento á sepultura,
ainda que a molestia tenha cura."

"Fugirás de curandeiros
e de remedios caseiros."

"Em tenra idade, ou velho, não te cazes,
que filhos não consegues ter capazes."

"O beijo mais innocente
póde ao são, tornar doente."

"Para casa os microbios são trazidos
pelas damas, nas caudas dos vestidos."

"Cazar-se o tuberculoso,
é tornar-se criminoso."

"Cuspir no chão
é má acção."

"Com ar puro, luz, limpeza,
com descanço e bom comer,
pode quasi haver certeza
do tuberculo vencer."

Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

23 abril, 2022

ROSA, João Pereira da - HISTORIA D'UM CRIME MEDICO-CIRURGICO. Como em Portugal se pode matar impunemente. Lisboa, Secção Editorial d'O Seculo, [1933?]. In-8.º (19 cm) de 64 p. ; B.
1.ª edição independente.
Compilação de artigos publicados n'O Século. O autor - proprietário e director do jornal -, denuncia três conhecidos médicos - Costa Sacadura, Francisco Gentil e Augusto Monjardino
- por corrupção e incompetência (reportando ao seu caso clínico) - em oposição ao médico Amândio Pinto, o seu "salvador". Trata-se de "uma memória da sua vida íntima, que evocava a história da sua doença e do que sofrera às mãos dos ditos médicos". (Rita Correia, 16 Dez. 2016, Hemeroteca Lx)
"O que vai lêr-se borbulha ha muito na minha reminiscencia. Ha mais de dois anos que dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, arranha cruelmente a minha sensibilidade. [...] Deram-se, porém, factos recentes, que me obrigam a tornar publico aquilo que tantas vezes julguei ter de conservar para sempre arquivado no meu fôro intimo. A fatalidade assim o quis. [...]
Sôbre a opinião publica adeja uma infamia - a dum homem que quere inutilizar outro homem, a dum cirurgião que pretende esmagar outro cirurgião, por ele lhe fazer sombra, por ser seu concorrente, por ameaçar subverter-lher o prestigio, destruindo-lhe a fama, alcançada em muitos anos de isolamento, de unico grande sacerdote da nobre arte de retalhar o corpo humano, para se lhe restituir, mercê do bisturi e da lanceta, um fluido vital, a abandoná-lo lentamente.
João Pereira da Rosa (1885-1962). "O homem do jornal O Século. Aí começa a trabalhar com 13 anos, mas cinco anos depois já é sub-diretor, com Silva Graça. Este sai da direção em 1921, quando o jornal é comprado pelas Moagens. Pereira da Rosa abandona o jornal em 1922 passando para secretário da Associação Comercial de Lisboa, onde se liga ao grupo de Moses Amzalak e os dois, em conjunto com Carlos de Oliveira, dirigentes da União dos Interesses Económicos, criada em 18 de setembro de 1924, compram o mesmo jornal no fim desse ano. Depois do 28 de maio de 1926, Pereira da Rosa passa a diretor do jornal, transformando-o no de maior circulação no país e que se assume como um dos esteios do novo regime, sempre ligado a uma mentalidade maçónica conservadora, distante do Grande Oriente Lusitano. Procurador à Câmara Corporativa, é também presidente do Grémio da Imprensa."
(Fonte: http://www.politipedia.pt/rosa-joao-pereira-da-1885-1962/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
10€

22 abril, 2022

DOMINGUES, Mario - DELICIOSO PECADO.
Por...
Lisboa, Imprensa Libanio da Silva, 1923. In-8.º (16,5 cm) de 24 p. ; B. Col. Novela Sucesso, N.º 8
1.ª edição.
Capas e ilustrações do pintor/ilustrador modernista Bernardo Marques (1898-1962).
Novela escandalosa. Aquando da sua publicação, foi proibida de circular e apreendida pela censura, apesar das amplas liberdades editoriais que vigoravam. História dos amores incestuosos entre pai e filha, fórmula utilizada pelo autor - anarquista  militante na época - "como forma libertadora de impulsos reprimidos".
Opúsculo ilustrado com dois belíssimos desenhos de Bernardo Marques em página inteira.
"Sabia que ela era bonita, que sua voz terna se insinuava em meu ânimo e me apaziguava todas as iras, que os beijos de filha submissa lhe afloravam aos lábios rubros, frescos, como reflexos dourados e irrequietos do sol, brincando nos serros vermelhos dessa terra algarvia - mas só naquela tarde, ao sol-pôr, quando regressávamos juntos do passeio habitual, descobri que os seus desasseis anos eram duma perturbante sedução..."
(Excerto da Novela)
Mário José Domingues (Roça Infante D. Henrique, Ilha do Príncipe, 1899 - Costa da Caparica, 1977). "Foi um escritor, publicista, jornalista, tradutor e historiador, considerado um dos mais fecundos no panorama literário português. Colaborou em diversos periódicos anarco-sindicalistas. Com inúmeros pseudónimos estrangeiros, alguns dos quais muito popularizados, escreveu algumas centenas de romances policiais, "cor-de-rosa" e de aventuras, que se venderam geralmente com grande êxito.
Com dezoito meses de idade foi enviado para Lisboa, sendo educado pela avó paterna. Aos dezanove anos de idade aderiu ao ideário do anarquismo e iniciou colaboração no diário anarco-sindicalista A Batalha e, posteriormente, no jornal anarquista A Comuna, da cidade do Porto. Nesse período participou nas atividades de um grupo libertário que, entre outros, integrava Cristiano Lima e David de Carvalho. Fez parte da redação da revista Renovação (1925-1926) e colaborou na organização do congresso anarquista da União Anarquista Portuguesa (UAP). Publicou diversas obras de ficção, entre as quais Hugo, o Pintor (1922), Delicioso Pecado (1923), A Audácia de um Tímido (1923), Entre Vinhedos e Pomares (1926) e O Preto de Charleston (1930). Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 dedicou-se ao jornalismo e tornou-se escritor profissional. Voltou-se para a história, escrevendo mais de uma dezena de volumes. Também se dedicou ao romance policial, de aventuras e à literatura cor-de-rosa recorrendo a pseudónimos pretensamente estrangeiros.
A 10 de julho de 1970, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, preso por agrafe, em bom estado geral de conservação. Frágil. Cadernos separados das capas.
Raro.
Indisponível

21 abril, 2022

MASON, James - CATALOGO DOS OBJECTOS PERTENCENTES Á MINA DE S. DOMINGOS. Exhibidos na Exposição Internacional do Porto em 1865. Por..., Engenheiro e Director Gerente. Lisboa, Typ. da Sociedade Typographica Franco-Portugueza, 1865. In-8.º (22,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Notável subsídio para a história da Mina de São Domingos, importante pólo mineiro alentejano localizado no concelho de Mértola, redigido por um dos seus proprietários - James Mason.
"A tradição mineira na zona de São Domingos remonta aos Fenícios e Cartagineses e, depois destes aos Romanos, cujo labor mineiro se estendeu desde o inicio do séc. I até aos finais do séc. lV, sendo o seu principal objetivo a extração de cobre, ouro e prata.
A exploração mineral no local de São Domingos é anterior à invasão romana da península Ibérica, período em que os trabalhos se intensificaram com a exploração do "chapéu de ferro" que cobria a massa piritosa, para a exploração de cobre, ouro e prata.
Em 1858 tem início a moderna exploração da mina, por iniciativa da companhia de mineração "Mason & Barry". Os trabalhos prolongaram-se até 1965, ano de esgotamento do minério e de encerramento da mina. Neste período, a lavra foi feita a céu aberto até aos 120 metros de profundidade, tendo os trabalhos continuado por meio de poços e galerias até aos 400 metros.
Com o fim da lavra, a aldeia mineira entrou em decadência. Esta foi a primeira aldeia do país a ter luz elétrica.
O conjunto encontra-se atualmente em Vias de Classificação."
(Fonte: Wikipédia)
"Tres legoas ao nascente da antiga Myrtilis Julia, hoje Mertola, edificada sobre o rio Guadianna, via-se ha poucos annos a serra de S. Domingos tão erma como nua de vegetação.
A meia encosta do lado poente via-se apenas um humilde hermiterio com a invocação do Santo que deu nome á serra: a cruz hasteáda na empêna convidava o viandante ou o pastor a descançar á sombra de duas annosas oliveiras, emquanto os pequennos rebanhos iam, de passagem, pelando o magro pasto que a aridez do solo deixava com custo vegetar. [...]
A mina de S. Domingos tem hoje um logar impotante entre os primeiros estabelecimentos mineiros da Europa, posição conquistada á custa de um capital avultado sob a egide de uma administração prudente e de uma acertada direcção techinca. É com estes elementos que se tem sabido aproveitar todas as condições naturaes que a riqueza e posição do jazigo offerecem. É por este modo de James Mason e F. T, Barry, director commercial em Londres, têm conseguido collocar a mina de S. Domingos na vanguarda de todas as suas congeneres da provincia de Huelva em Hespanha, dominando completamente o mercado inglez, o verdadeiro mercado do mundo, d'onde afastam todos os concorrentes que não podem medir-se em forças productivas com a mina de S. Domingos. [...]
Em dezembro de 1858 via-se apenas na encosta da serra a pequena ermidinha de S. Domingos, hoje é tal a transformação que custa distinguil-a entre as numerosas edificações que constituem a povoação mineira, com,posta de mais de 300 fogos, com uma bella igreja, casa para escola, hospital, palacio da empreza, laboratorio, sala de desenho, theatro, casa de philarmonica, casa de recreio com bilhar e gabinete de leitura, hoetl, cavallariças, e officinas apropriadas para todos o serviços.
Todos estes edificios, constuidos em seis annos, estão assentes em torno das excavações antigas que seguem alinhadas a crista da serra. [...]
A extracção tem logar por galerias inclinadas que communicam os dois andares com a superficie; e o transporte é feitos em waggons puxados por meio de um malacate de cavalgaduras no tunel do andar inferior, e em zorras puxadas por muares no tunel do andar superior.
A mesma machina a vapor, que hoje é empregada no esgoto, deverá em pouco tempo substituir na extracção o emprego do motor de sangue.
Um caminho de ferro communica a mina com o Pomarão, porto de embarque situado na margem esquerda do Guadiana, junto á foz da ribeira de Chança que separa o Alemtejo da provincia de Huelva. A distancia a percorrer é proximadamente de 18 kilometros, e o transporte, feito primeiramente por meio de muares, depois por um systema mixto de muares e locomotivas, é agora completamente executado por locomotivas de construcção especial.
O porto do Pomarão não existia, fez-se. As margens foram aprumadas do Guadiana foram rasgada e formou-se o espaço necessario para as differentes vias de resguardo do caminho de ferro, para deposito de mineral, para casas de habitação, escriptorios e armazens.
Um excellente caes reveste em grande extensão a margem e a elle encostam numerosos navios de vela e a vapor que ali vêm receber carga. O serviço está de tal modo montado que os waggons vêm directamente descarregar o mineral nos porões dos navios.
Um vapor da empreza anda constantemente em viagens entre o Pomarão e a barra de Villa Real de Santo Antonio, dando reboque aos navios de vela quando não tem vento de feição. São oito legoas de rio on de até 1859 se ouvia apenas o som compassado e monotono dos remos de algum batel; hoje as aguas do Guadiana agitam-se aos impulsos dados pelo movimento de centanares de navios de vela e pelos propulsores dos barco de vapor, que dão ao rio uma animação e uma vida acima de toda a descripção, e tornam admiravel o panolrama que o Pomarão hoje nos offerece."
(Excerto de A mina de S. Domingos)
Para além da descrição da mina 
e dos elementos naturais circundantes, o autor discrimina lista de objectos a apresentar na Exposição do Porto:
- Pinturas, photografias, modelos, e desenhos.
- Specimens de mineraes e alguns objectos encontrados nos trabalhos antigos.
- Collecção especial de moedas e de diversos objectos de pequenas dimensões, encontrados nos trabalhos antigos.
James Mason (1824-1903). "Nasceu no condado de Norfolk em Inglaterra a 24 de Julho de 1824, filho de James Mason e Elizabeth Peowans.
Licenciado em Engenharia de Minas pela Escola de Minas de Paris, foi membro das sociedades: Sociedade de Química de Londres; Sociedade Geológica de Londres e Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses.
A 9 de Outubro de 1858 James Mason celebra em Paris com a La Sabina um contrato de arrendamento e cessão de direitos de exploração da Mina de S. Domingos por 50 anos, para o efeito funda com o seu cunhado Francis Tress Barry a sociedade Mason And Barry Ltd.
Em Julho de 1860 James Mason foi vitima de um atentado, não consumado, perpetrado por uma Quadrilha de Banditti da Aldeia de Corte do Pinto. O atentado foi preparado por João Félix e José Félix Mourinho, o "Chato", ambos envolvidos no movimento da Patuleia (movimentos de revoltas populares como o liderado pela jovem Maria da Fonte) e fugitivos do Limoeiro e do Forte do Bugio. Os dois tornaram-se célebres pelos atos criminosos, apoiados pelas populações autóctones e por amigos em várias povoações das duas margens do Guadiana, personificando um tipo de banditismo descrito por, (E. J. Hobsbawn e Gorge Rudé, Revolucion Industrial y Revuelta Agraria. El Capitán Swing. Madrid, 1978. Também descrito pelo primeiro autor em, "Rebeldes Primitivos", estudo sobre as formas arcaicas dos movimentos socias nos séculos XIX e XX).
Em 1866, recebe o título de 1º Barão de Pomarão. A 7 de Dezembro de 1868 recebe o título de Visconde de S. Domingos. A 25 de Novembro de 1897 recebe o título de Conde do Pomarão. James foi ainda agraciado em vida com a Comenda da Ordem de Cristo.
James Mason faleceu no dia 2 de Abril de 1903, aos 79 anos, no condado de Oxford em Inglaterra."
(Fonte: https://www.cemsd.pt/node/5770)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, com pequenos defeitos. Mancha de humidade antiga atinge últimas páginas.
Raro.
A BNP dispõe de um exemplar "sem acesso", e um outro, disponível em microfilme.
Indisponível

20 abril, 2022

TESTA, C. - A ARTILHARIA MODERNA E A CANHONEIRA DE PEÇA FIXA E SUA IMPORTANCIA PARA A DEFENSA DE PORTOS. Por... Capitão de fragata da armada, Socio do Instituto dos architectos navaes, de Londres. Lisboa, [s.n.], Maio 1879. In-8.º (21 cm) de 36 p. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo com interesse histórico, ilustrado com uma estampa desdobrável do risco de uma canhoneira sob várias perspectivas.
"É um facto notavel que se apresenta a quem contempla a origem e os progressos das sciencias e artes scientificas, que, ao passo que estes teem sido tão successivos como constantes, outro tanto não póde dizer-se com relação á arte de guerra maritima, pois ahi se deixam vêr como que largos periodos de estacionamento, para depois terem logar tão rapidas transformações, a ponto de, por assim dizer, anullar n'um dia o que fôra adoptado na vespera."
(Excerto do texto)
Matérias:
I. Retrospecto. II. Modernas condições da marinha de guerra. III. A artilharia, seus systemas, progressos e importancia. IV. A peça fixa em reparo fluctuante.
Carlos Testa (1823-1891). "Alistou-se na Marinha Portuguesa em 1839, tendo sido graduado em guarda-marinha a 2 de março de 1843. Como jovem Oficial de Marinha começou por prestar serviço na costa ocidental africana, mais concretamente na fiscalização do tráfico ilegal de escravos, função esta que foi louvada pela sua eficácia e zelo. O seu comportamento foi novamente alvo de destaque quando a 9 de dezembro de 1856 contribuiu para a extinção do incêndio que deflagrou a bordo do brigue Cearense, onde estava embarcado.
No dia 18 de setembro de 1859 começou a prestar serviço no Ministério da Marinha, como Ajudante de Ordens do Ministro da Marinha, o que lhe permitiu vir a conhecer profundamente a organização da Marinha. Anos mais tarde foi nomeado comandante interino da corveta Sá da Bandeira e em 1866 lança o seu primeiro livro, Considerações sobre os navios de guerra em relação aos sistemas de construção e armamento."
(Fonte: https://ccm.marinha.pt/pt/museumarinha_web/multimedia_web/Paginas/efemeride-150-anos-anais-clube-militar-naval-17nov20.aspx)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

19 abril, 2022

GUIMARÃES, Rodolfo - VIDA E DESCENDÊNCIA DE PEDRO NUNES.
Por... Academia das Sciências de Lisboa. Separata do «Boletim da Segunda Classe», Vol. IX
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1915. In-4.º (23 cm) de 22, [2] p. ; E.
1.ª edição independente.
Importante subsídio histórico - biográfico e genealógico - sobre o famoso matemático português, Pedro Nunes (Alcácer do Sal, 1502 - Coimbra, 1578).
"Dada a atenção que me merecem todos os documentos que directa ou indirectamente se referem a Nunes, entendi dever expôr, em artigo, as impressões que me deixaram a leitura do importante trabalho do ilustre director da Torre do Tombo, [António Baião].
Um dos pontos mais controversos, tem sido o ser Nunes de família judáica. Pelo estudo do sr. António Baião prova-se efectivamente que êle descendia de israelitas.
A primeira vez que ouvi que P. Nunes era cristão-novo foi em 1908, em carta que a 26 de outubro dêsse ano o sr. Joaquim Bensaude me escreveu, e da qual transcrevo o trecho seguinte: «Sei que numa obra rara sôbre problemas de matemática publicada na Holanda em 1629 por Joseph del Medigo há uma nota com relação a Pedro Nunes o grande matemático «von Samen der juden». A obra de Medigo é em hebraico; ainda me não foi possível obter cópia desta passagem do livro que diz ser Pedro Nunes «christão-novo».
Confesso ter sido tal afirmação para mim uma surpreza, pois nunca havia lido, nas centenas de autores que se teem ocupado do do Cosmógrafo-mór, que êste fôsse oriundo de israelitas."
(Excerto do texto)
Bonita encadernação moderna em meia de pele com rótulo na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

18 abril, 2022

NUNES, Sousa - O AMOR NO DEGRÊDO : romance.
Por...
Deposito - Livraria Popular de Francisco Franco, 1929. In-8.º (19 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Romance algo exótico, levemente erótico, cuja acção decorre maioritariamente em Angola, durante o período da Ditadura Militar, principia com o embarque de Paulo - o "herói" da trama - em Cascais rumo ao degredo. A história acaba mal.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa de José de Sousa Nunes, datada de 31-12-929, "ao seu ilustre amigo o Cap. Carlos Cordeiro".
"O navio parou nas alturas de Cascais, para meter deportados, na calada a noite, com destino às colónias. Era um acontecimento banal, naquele período de efervescência revolucionária, a que já se não dava importância, mas desta vez, por excepção, uma curiosidade invencível estimulava todos os espírito e não deixava ninguém arredar pé, sem ver chegar certo prêso.
Tratava-se dum chefe algarvio, e quem os jornais se ocupavam vivamente, publicando-lhe fotografias espaventosas e criando-lhe um prestígio romanesco, que era qualquer coisa de considerável para as almas apaixonadas das nossas mulheres portuguesas.
Oficial dos mais distintos nos últimos tempos do democratismo, tanta gente se lembrava dêle em Lisboa, de o verem estadear a sua bela figura de militar cheio de garbo, quer à frente do seu pelotão de cavalaria da Guarda, nos dias solenes de parada, quer numa reünião oficial, o peito constelado de medalhas e cordões, lado a lado do seu Ministro, de quem muitas vezes foi ajudante, ou numa estação de desembarque, à espera dalgum adido militar estrangeiro, no impedimento do mestre de cerimónias legítimo!
Obrigado a residir em Faro, após o advento da ditadura, era detido, tempos depois, em Moncarapacho, sob o pêso duma acusação gravíssima, de que lhe resultou ser julgado sumàriamente, demitido do seu pôsto, privado de todos os seus direitos cívicos e deportado para Luanda, até lhe ser dado melhor destino.
Pouco haverá quem tenha esquecido aquela aterradora conspiração no Algarve, em que se viram envolvidos os mais ilustres e graúdo nomes do Sul, de todos os graus da sociedade, onde entravam generais e superabundavam os doutores e as classes produtoras.
Pois o jovem tenente de cavalaria, Paulo Faisão de Tôrre de Ares, êsse simpático oficial moreno, tão elegante como um  mosqueteiro, que fez durante anos o encanto e delícia das raparigas de Lisboa, foi o chefe dêsse conluio - dizia-se."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente manchadas; pequena falha de papel na lombada.
Raro.
Indisponível

17 abril, 2022

DIAS, Joaquim Augusto Prata - PREPARAÇÃO DO SOLDADO DE INFANTARIA PARA O COMBATE.
Conferência realizada no regimento de infantaria n.º 16, pelo capitão....Secretaria da Guerra : Repartição do Gabinete
. Lisboa - Imprensa Nacional - 1916. In-8.º (22 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Importante alocução dirigida à arma de infantaria, promovida em 1916, numa época em que o conflito bélico alastrava na Europa, no ano em que a Alemanha oficialmente declarou guerra a Portugal, e quando já combatíamos esse oponente em África.
Opúsculo com interesse histórico, estratégico e militar, muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
 "Tu. F. ..., hoje soldado do regimento de infantaria n.º... contraíste o dever solene de defender a Pátria e a República contra os seus inimigos externos e internos. Perante a tua consciência e sôbre a bandeira gloriosa juraste fidelidade e obediência; tens de respeitar por toda a vida êsse juramento. O teu sangue, até a última gota, pertence à Pátria."
(Excerto de 1.º - Dever)
"No decorrer das batalhas, quando, mortos os chefes, a direcção do fogo sofra perturbações ou falhas, cabe aos homens mais decididos e corajosos assumi-la quanto possível, e, arrogando-se o papel de chefes, impulsionar os mais pelo exemplo, encaminhando-os até ao objectivo final, a Vitória.
Considera como um dever fazer por pertencer ao número dêsses bravos. Será honroso para ti, e também para o teu regimento, desempenhares entre os camaradas as funções de chefe."
(Excerto de 12.º - Fogo não comandado)
Matérias:
1.º - Dever. 2.º - Batalha. 3.º - Cuidados a ter com a espingarda, em campanha. 4.º - Munições. 5.º - Posição de tiro. 6.º - Avaliação de distâncias. 7.º - Maneira por que devemos instalar-nos na posição. 8.º - Descobrir, reconhecer e descrever objectivos. 9.º - Ponto a visar, repartição do fogo e correcção da pontaria. 10.º - Espécie de fogo. 11.º - Disciplina de fogo. 12.º - Fogo não comandado. 13.º - Condições do terreno. 14.º - Utilização do terreno em combate: I. Utilização do terreno para posição de fogo: 1.º Alturas; 2.º. Parapeitos e trincheiras; 3.º Matas, bosques, etc.; 4.º. Muros. II. Utilização do terreno para alcançarmos nova posição mais avançada. 15.º - Combate. 16.º - Ataque. 17.º - Ataque a uma posição fortificada. 18.º - Perseguição. 19.º - Defesa. 20.º - Final.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga de humidade transversal a todo o livro.
Raro.
Peça de colecção WW1.
Indisponível

16 abril, 2022

SARMENTO, José - A CONFISSÃO DE CAROLINA
(romance)
. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1899. In-8.º (16 cm) de 187, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Belíssima capa de Condeixa. [Ernesto Condeixa, pintor naturalista (Lisboa, 1858-1933)].
Obra curiosa, composta por um romance e quatro pequenas novelas, cuja acção ocorre em França. A história principal, que dá o título ao livro, versa sobre os encontros e desencontros do amor, em que o ciúme, a traição e o despeito conduzem a um final trágico - bem ao gosto de certa franja literária da época, cultores do romantismo tardio.
Nada foi possível apurar acerca de José Sarmento; a BNP menciona a obra, mas pouco mais: não atribui autoria, limitando-se a um lacónico "em processamento".
"Pelas dez horas da manhã, a sr.ª d'Armaillac que acabava de acordar, chamou a sua creada de quarto.
Esta, segundo o su costume, trouxe n'uma bandeja os jornaes da manhã e uma chavena de chocolate.
- Diga-me, Maria, viu Joanna esta manhã?
- Não, minha senhora.
- Vá dizer-lhe que sahiremos antes do almoço.
- Não sei se a menina sahiu; parece-me que foi á missa das oito.
E a menina Maria murmurou entre dentes:
- Primeiro a salvação da alma!
- Vá já vêr se a minha filha está no quarto.
Ha pessoas que teem o presentimento das catastrophes. A sr.ª d'Armaillac não possuia o dom da dupla vista, vivia descuidosa, sem pensar no dia seguinte. A condessa não mandava chamar a filha senão para lhe fallar no seu vestido de noiva.
A menina Maria voltou dizendo que a menina d'Armaillac não estava no quarto. Não se tinha dado ao trabalho de lá ir, porque sabia bem que Joanna não tinha ainda recolhido.
A sr.ª d'Armaillac, fallando consigo mesma, disse que afinal de contas era tempo de casar aquella grande madrugadora."
(Excerto de A confissão de Carolina - Primeira Parte: As duas amantes - I. O acordar de uma mãe)
Novelas:
A confissão de Carolina. | A inundação. | A morte de Olivier Bécaille. |  Madame Neigeon. | Jacques Damour.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a (bonita) capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

14 abril, 2022

HOMENAGEM A ALMEIDA GARRETT. Pelos escritores da Tertúlia "Rio de Prata".
[Coordenador: Ulisses Duarte]. Lisboa, Universitária Editora, 1999. In-8.º (21 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos (27) de vários autores - em prosa e verso - de homenagem ao vate português.
"João Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto em 1799 no seio de uma família burguesa. Sua mãe pertencia à "burguesia brasileira". A família materna, de fracos recursos económicos, fora para o Brasil e aí tinha feito fortuna; pelo lado do pai, funcionário superior da Alfândega, com propriedades na Ilha Terceira e três irmãos eclesiásticos duma boa cultura, saía duma burguesia letrada.
O apelido Garrett foi adoptado por ele e vinha duma ascendente paterna, de origem irlandesa, que dizia-se, tinha vindo para Portugal no séquito duma princesa.
A família embarcou para as propriedades açorianas aquando das Invasões Francesas, e foi o tio, Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra, que com a sua erudição iniciou João Baptista nos estudos A família destinava-o à carreira eclesiástica mas ele preferiu cursar Direito e matriculou-se em Coimbra."
Com o saber arcádico aprendido com o tio, e as ideias liberais político-religiosas bebidas em Coimbra, começou a escrever tragédias, odes, soneto e outras composições. Já adoptara o apelido Garrett e começou a ser notado pelo seu entusiasmo pelas ideias liberais, pelos discursos e poemas."
(Excerto de Almeida Garrett, Político e Homem de Letras - Armanda Veríssimo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico e biográfico.
10€

13 abril, 2022

TORRES, Eng. Carlos Manitto - O TRANSPORTE TRANSITÁRIO ATRAVÉS DO TEMPO. Lisboa, Edição da Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1942. In-8.º (20 cm) de 22, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Separata do n.º 1297 da Gazeta dos Caminhos de Ferro, de 1 de Janeiro de 1942.
Curioso trabalho histórico sobre os Caminhos de Ferro, transporte ao serviço de pessoas e bens, meio de ligação entre os povos.
Livro valorizado pela extensa dedicatória autógrafa do autor datada de 1942.
"Nenhum teatro mais qualificado do que o Egipto para observar a evolução típica do transporte através das idades. [...]
As resumidas ideias que seguem dar-nos-ão apenas uma mancha esquemática de tão pitoresca evolução, no meio ubérrimo de tradição e mistério em que a nobre indústria de transportar assumiu - para o mundo inteiro - significação mais alta e definitiva!
A função do transporte é coéva das primeiras idades e tão antiga como o homem."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. | Período faraónico. | Período greco-romano. | Período arábico. | Período europeu. | Período ferroviário.
Encadernação em percalina, com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas cansadas, com pequena falha do revestimento na lombada.
Raro. 
Com interesse histórico e bibliográfico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

12 abril, 2022

PALMA-FERREIRA, João - ACADEMIAS LITERÁRIAS DOS SÉCULOS XVII E XVIII.
Ministério da Cultura e Coordenação Científica : Secretaria de Estado da Cultura
. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1982. In-4.º (23,5 cm) de 60, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio histórico sobre o academismo.
"A notícia acerca das primitivas Academias, intimamente ligas ao passado remoto e mítico, estão amplamente divulgadas.
A palavra «academia» é muito velha. Deriva de Ekademos ou Akademos, o homem que revelou aos perseguidores de Helena e de Teseu o local onde a heroína se escondia, um jardim das cercanias de Atenas que Akademos legou ao povo. [...]
"Mais modernamente passou a entender-se por Academia uma instituição que não se destina ao ensino sistematizado de todas as ciências, mas apenas de uma ou de várias ou que - o que é mais comum - se aplica a estudos artísticos. Na essência, porém, as Academias como tal tradicionalizadas continuam a ser autênticas sociedades de erudição, regidas por estatutos próprios, tendo como modelo mais recente a Academia Francesa. A sua intervenção cultural, notável em finais do século XVIII e no século XIX, tem sofrido as consequências naturais do envelhecimento das instituições e do desgaste da reacção antiacadémica que começa fazer sentir-se a partir das últimas décadas do século XIX.
Não convém esquecer que o próprio associativismo (que em Portugal floresceu depois de 1860) timbrou de um cariz social específico as Academias fundadas a partir dos últimos decénios de Oitocentos, muito distintas já das suas congéneres dos séculos XVII e XVIII e com as quais, aliás, têm poucas afinidades; algumas dessas últimas Academias, instituições de compromisso das novas tendências associativas e das velhas motivações académicas, receberam, em muitos casos, o nomes significativos de associações e sociedades, num caso e noutro respondendo as graus diferentes de exclusividade e vocação e interesses, de objectivos científicos ou meramente sociais, repetindo, na prática, conceitos em voga noutros sectores, muito distintos, de convívio e de preocupações."
(Excerto do preâmbulo - Nota prévia)
Índice:
Nota prévia. | O academismo no século XVII. Aspectos gerais. II - No século XVII: Academia dos Singulares de Lisboa; Academia dos Generosos; Academia Instantânea; Academia dos Únicos; Academia dos Estudiosos. III - No século XVIII: Academia dos Ocultos; Academia dos Anónimos; Academia dos Ilustrados; Academia Problemática; Academia dos Aplicados; Academia dos Unidos de Torre de Moncorvo; Academia Vimaranense; Academia dos Escolhidos; Outras Academia; Arcádia Lusitana ou Olissiponense;A Nova Arcádia. IV - Academias eclesiásticas: Academia Eborense; Academia Conimbricense; Academia Bracarense ou dos Engenhosos Bracarenses; Academia do Núncio; Outras Academias eclesiásticas. V - Paródias académicas: Academias dos Sovelantes e dos Fleumáticos. VI - As Academias no Brasil: Academia Brasílica dos Esquecidos; Academia Brasílica dos Renascidos; Outras Academias brasileiras. | Alguns textos exemplificativos: António Serrão de Castro; Bartolomeu de Faria; Francisco Lopes Sueiro; Sebastião da Fonseca e Paiva; André Leitão de Faria; António de Brito e Oliveira; Vicente da Silva; Pedro José da Silva Botelho; Joaquim Bernardes de Santa Ana; Pedro António Correia Garção; Lourenço Botelho Soto Maior; José do Couto Pestana. | Bibliografia seleccionada.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e literário.
25€

11 abril, 2022

RIBEIRO, Joaquim Pedro Victorino - SOCCORROS DE URGENCIA (breves notas)
. Porto, Imprensa Nacional, 1910. In-8.º (22,5 cm) de 74 p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Importante contributo para a história dos cuidados de saúde relacionados com a estabilização e prestação de primeiros socorros levados a cabo em situações de emergência no exterior dos hospitais, cujos procedimentos se mantêm actuais ainda hoje.
"No Porto, em 1910, Pedro Vitorino Ribeiro, com uma brilhante tese intitulada Socorros de Urgência (Breves Notas) apresentada à Faculdade de Medicina do Porto opina esclarecidamente acerca da Urgência extra-hospitalar. [...]
Como outros hospitais em Portugal o Hospital Geral de Santo António sempre se viu envolvido em acções de Urgência Extra-hospitalar. Como Hospital Universitário foi escola de muitos clínicos e proeminentes figuras, de entre eles o Dr. Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro, que apresentou a sua dissertação em 1910 denominada «Socorros de Urgência (Breves Notas)» onde relatou a necessidade e as vantagens da organização dos serviços de cuidados de emergência. (Bandeira 1995): «Apresentada como dissertação inaugural à Faculdade de Medicina do Porto em 1910, a doutrina nela expendida é duma actualidade marcante. Constituída por 58 páginas de texto, logo nas palavras prévias o autor escreveu: «O desastre sucedido num diário desta cidade, onde em um aluimento foram arrastadas dezenas de pessoas da altura de um andar. Contaram-se numerosos feridos e dez mortos. Acorreram prestes os bombeiros, libertando os desventurados do pavoroso amontoado em que jaziam. Sucessivamente iam sendo transportados em macas para o hospital os que não podiam caminhar por seu pé. Ferimentos, asphixias, fracturas, tudo foi, se bem que mal, a caminho da misericórdia, numa extensa caravana desoladora. Eis a questão. Se houvesse um serviço de socorro organizado, com pessoal idóneo, médicos e auxiliares, uma selecção teria sido feita no momento, e não haveria por certo a registar um número tão elevado de mortos. Aventarei mesmo que todos escapariam... algumas das vitimas, as sufocadas por asphixia, deveriam ser socorridas imediatamente nas casas próximas.
Matou-as a longa caminhada para o hospital. As conclusões das autópsias o confirmam: das dez vitimas, nove morreram devido a asphixia por sufocação e uma pela hemorragia proveniente dos ferimentos.»
E mais adiante «Proclamar, pois, as sumas vantagens da organização dos socorros médicos nos sinistros, do estabelecimento de postos nas margens, fluviaes e marítimas, e da vulgarização dos socorros de urgência, taes são os intentos déste desprendido tentamen que a lei determinou, mas que a razão dos factos concebeu, embora precipitadamente, atabalhoadamente...»
O I Capítulo intitula-se «Necessidade e vantagens do serviço de pronto socorro. Sua organização em diversos países» do qual se extracta:
«Contudo, no sentido de socorros de urgência, nenhuma tentativa séria foi ainda feita. Os estabelecimentos hospitalares que tentam suprir esta falta são, sob tal ponto de vista, o que todos sabem – insuficientes. A ineficácia da sua acção resulta simplesmente de ser - demasiado tardia. Tal sucede aqui, no Hospital de Santo António. Único oásis no meio de um enorme deserto, muitas vezes a sua Iympha nem chega a humedecer os lábios d’aqueles que o demandam. O último sopro de vida extinguiu-se no caminho. Concretizemos. Afoga-se uma criatura no Douro, e por qualquer meio é agarrada e conduzida a terra. Que é uso fazer-se em tal conjectura? Apitar, para acudir a polícia que manda buscar uma maca à esquadra mais próxima e faz transportar, com uma duvidosa ligeireza, o desventurado para o Hospital da Misericórdia."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/AppData/Local/Temp/Miguel%20Bombarda%20e%20Singularidades%20de%20Uma%20%C3%89poca%20(2006)%20Bandeira,%20Teiga,%20Gandra,%20Pereira-Pinto.pdf)
"Dada a importancia que hoje vêm merecendo, nos diversos paizes, os serviços de primeiro soccorro, já com organisação propria, já mesmo individuaes, affigura-se-me de vantagem, visto taes serviços serem entre nós em extremo precararios, tomal-os para assumpto da obrigada prova final. [...]
Entre nós taes soccorros seriam de proveitosos effeitos, quer na margem ribeirinha e maritima, quer no seio da população. Em uma e outra parte ha, por fortuna, sempre a contar com individuos prestimosos que encaram o risco para valer a uma vida. Mas bem bastas vezes o esforço resulta inutil, por não ser racionalmente completado. E como deverá ser cruel e doloroso para o dedicado salvador vêr perdido o seu denodo e baldado o seu sacrificio! O ente desfallecido e inane que tanto lhe custou a arrancar ao perigo, umas vezes em fragil casca de noz ou em pleno elemento defrontando o arremetter das vagas, outras vezes em debil escada mordido pelas labaredas, não mais accordou do somno profundo em que cahira. É que o acto de generosidade fôra incompleto."
(Excerto de Palavras prévias)
"Na epocha presente, de vida activa e laboriosa, onde os serviços de assistencia social são por demais necessarios, assignalam-se como dos não menos importantes aquelles que visam soccorro rapido e efficaz. Augmentadas as causas do perigo, pelo uso assombroso do vapor e da electricidade, nas industrias e nos transportes, devia consequentemente crescer o numero dos accidentes. D'ahi a necessidade de um socorro prompto, em harmonia com as exigencias imperiosas do viver moderno."
(Excerto do Cap. I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro)
Matérias:
Escola Medico-Cirurgica do Porto : Corpo Docente. | [Dedicatórias]. | Palavras prévias. | I - Necessidade e vantagens do serviço de prompto soccorro. Sua organisação em diversos paizes. II - A asphyxia: considerações geraes. - Asphyxia toxica pelo oxydo de carbono. - Asphyxia por suffocação. - Asphyxia por submersão. III - Tratamento das asphyxias; processos antigos e modernos. | Breves instrucções para soccorro em caso de morte aparente. | Proposições.
Joaquim Pedro Vitorino Ribeiro (1882-1944). "Era o mais velho dos três filhos do pintor e coleccionador Joaquim Vitorino Ribeiro. Frequentou a Academia Politécnica do Porto (1902-1905). Deste estabelecimento de ensino transitou para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde, em 1919, concluiu o curso de Medicina com a defesa da tese "Socorros de urgência - Breves Notas". De seguida, partiu para Paris, onde se especializou em Radiologia. Regressou ao Porto em 1911. Em 1919, foi nomeado clínico auxiliar da Santa Casa da Misericórdia e chefe do Laboratório de Radiologia e Fotografia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, desde 1913, exercia as funções de chefe do Gabinete de Fotografia e Electroterapia. Em paralelo com a formação académica e a carreira médica, desenvolveu muitas outras actividades humanitárias e culturais. Foi militar (voluntário de Infantaria em 1901, alferes em 1911, tenente-médico em 1915 e capitão em 1918), tendo chegado a participar na I Guerra Mundial, pois integrou como capitão-médico miliciano o Corpo Expedicionário Português que partiu para Paris em Abril de 1918. Participou em jornadas arqueológicas e artísticas pelo país, desenhando, pintando e tirando fotografias."
(Fonte: https://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/300191/?)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interessehistórico.
Peça de colecção.
65€