29 fevereiro, 2024

FORTES, José -
BALINEUM LUSO-ROMANO DE S. VICENTE DO PINHEIRO (Penafiel).
Por... Archeologia Portugueza II. Porto, Typographia Central, 1902. In-8.º (22,5x15 cm) de 56 p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo arqueológico sobre o Balneário romano das Termas de S. Vicente, Penafiel.
Monografia ilustrada no texto com desenhos e fotogravuras, e no final do livro, em separado, uma planta desdobrável de generosas dimensões do Balineum.
"O balneário romano de São Vicente do Pinheiro localiza-se na Av. Central das Termas e está integrado no recinto das atuais Termas de São Vicente, em Penafiel, sendo que a sua implantação neste local possibilitou o aproveitamento das águas medicinais carbonatadas e sódicas existentes. O sítio foi identificado no início do séc. XX, no decorrer de obras com o objetivo de captar e utilizar as águas medicinais, tendo sido escavado e estudado por José Fortes, em 1902. Estes trabalhos permitiram caracterizar o equipamento de banhos, que era composto por um edifício único, com cerca de 250 m2, dividido em onze compartimentos."
(Fonte: https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=50954)
Exemplar valorizado pela dedicatória manuscrita do autor "Ao illustre pregador regio, erudito archeologo e bom amigo".
"Era notorio ha muitos annos que na freguezia penafidelense de S. Vicente do Pinheiro existia uma nascente abundantissima de aguas sulphurosas, borbulhando no Lameiros dos Lodos (pertença do logar da Varzea), a cêrca de cem metros para oeste da ponte das Cabras, em que a estrada de Cette a Sobrado e Castello de Paiva salva uma ribeirasita anonyma que por ali discorre em madria estreita.
Ha poucos mezes, porém, houve que assentar-se uma tubagem de grês para drenar as aguas soltas do Lameiro no intuito de iniciar os trabalhos de captagem e aproveitamento da nascente. Topou-se então com parede de manifesta apparencia antiquada; e, passando a desembaraçar de entulhos a velharia que o acaso assim expunha á luz, pôde em alguns dias averiguar-se que se haviam exhumado as substrucções e trechos importantes de um balineum luso-romano."
(Excerto do Cap. I - Invenção e localisação do Balineum)
Índice:
I - Preliminares: Invenção e localisação do Balineum - Conspecto architectonico - Valor ethnographico - Auctoria ou interferencia technica do romano - Natureza do estabelecimento - A região e os vestigios de povoados circumstantes - Material do desentulho; o pedral. II - Descriptivo: Orientação e linhas geraes do balneario; secções e subdivisões. III - Descriptivo (continuação). IV - Reconstituição funccional. Elementos subsidiarios de interpretação. V - Reconstituição funccional (continuação). VI - Questões complementares - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

28 fevereiro, 2024

NEMÉSIO, Vitorino -
VARANDA DE PILATOS : romance
. Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, [1927]. In-8.º (18,5x12 cm) de 253, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de estreia do autor nas lides literárias. Terminado em 1926 e dedicado a sua mulher, Gabriela Monjardino Gomes (com quem casara nesse ano), viria a ser dado aos prelos no ano seguinte, em 1927. Antes havia publicado uma colectânea de contos - Paço do Milhafre (1924) - e uma conferência sobre o grande prosador de S. Miguel de Seide intitulada Camilo (1925).
"Varanda de Pilatos teve alguns títulos provisórios como por exemplo O Meu Nome é Venâncio, O Curioso Adolescente ou ainda Um Rapaz Que Era Assim. É um romance claramente de aprendizagem e autobiográfico, narrado na primeira pessoa, o que não foi do particular agrado para a crítica dominante à época."
(Fonte: Wook)
"Quando minha mãe me acordou, o dia despontava. Uma luz côr de anil, desta que não força o casulo negro da noite mas subtilmente se escoa pelos fiapos das nuvens, tingia a clarabóia do meu quarto, a qual, de vidro fôsco, parecia subir ao céu como um caixão de menino.
- Anda, Venâncio! - disse minha mãe, ao sacudir-me. - Não durmas, que o Trigueiro ficou de vir às seis em ponto.
Era o dono do carro que nos levaria à Cidade, para onde eu ia estudar. E, à voz de minha mãe, mais suave que nunca naquele dia, comecei por erguer a vira do lençol, dispondo-me a saltar. Mas o sono, a teimosia dos galos corneteiros e a mágoa de me ir, detiveram-me; virei-me caramunhando na cama até que meu pai se acercou:
- Mexe-te, homem de Deus!; mexe-te, que são horas!"
(Excerto do Cap. I - O  carro do Trigueiro e as circunstâncias dêle)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos rasgões e uma ou outra falha de papel marginal. Lombada apresenta falha de papel.
Vitorino Nemésio (1901-1978). "Nasceu em 1901, na Ilha Terceira, Açores. Frequentou o liceu em Angra e na Horta (Ilha do Faial), onde concluiu o 5.º ano. Em 1919, iniciou o serviço militar como voluntário, o que lhe proporcionou a primeira viagem ao Continente. Em Coimbra, terminou o liceu e frequentou a Universidade, primeiro como aluno de Direito, depois de Letras. Optando definitivamente pelo curso de Filologia Românica, viria a obter a sua licenciatura em 1931 em Lisboa, dando início ao mesmo tempo a uma distinta carreira académica na Faculdade de Letras. Como professor, o seu percurso levou-o ainda a leccionar em Montpellier, em Bruxelas e em várias universidades no Brasil. Poeta, ficcionista, crítico, biógrafo e investigador literário, Vitorino Nemésio é autor de uma obra equiparável, nas palavras de David Mourão-Ferreira, a “um arquipélago”. Fundador e director da Revista de Portugal (1937-1941), uma publicação literária importante no panorama português do século XX, Nemésio colaborou também de forma intensa em revistas literárias, em jornais, na rádio e na televisão. Ficou célebre, e presente até hoje na memória dos portugueses mais velhos - a sua colaboração na RTP com o programa «Se bem me lembro», no início dos anos setenta. O livro Mau Tempo na Canal foi publicado em 1944 e é considerado um marco na história do romance português do século XX."
(Fonte: cvc.instituto-camoes.pt)
Invulgar.
25€

27 fevereiro, 2024

MATOS, Manuel Cadafaz de -
O CULTO PORTUGUÊS A SANT'IAGO DE COMPOSTELA AO LONGO DA IDADE MÉDIA.
Peregrinações de homenagem e louvor ao túmulo e à cidade do Apóstolo entre o Séc. XI e Séc. XV. Lisboa, Instituto Português do Património Cultural, 1985. In-4.º (24x17 cm) de [2], 37, [1] p. (521-557 p.) ; [7] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata do Tomo II do Volume I de Bibliotecas, Arquivos e Museus.
Tiragem limitada a 50 exemplares.
Importante ensaio histórico sobre as peregrinações a Santiago de Compostela na Idade Média.
Livro ilustrado no texto com mapas dos caminhos, incluindo o traçado da «estrada Mourisca», uma planta de Braga medieval em página inteira, e em separado, com 8 figuras distribuídas por sete páginas, sendo uma delas um mapa das vias romanas do Centro de Portugal, provavelmente em uso na época da peregrinação a Santiago da rainha Santa Isabel. Inclui reprodução das letras de diversas canções medievais para utilizadas nas peregrinações e lista de personalidades da história medieval pátria que terão ido em romagem a Compostela.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. José da Costa Miranda.
"Nos arquivos e bibliotecas portugueses, sejam eles de carácter central ou local, pode encontrar-se um rico acervo documental que nos dá testemunho - nas mais distintas perspectivas  historiográficas e socioculturais e religiosas - do «peregrinar», essencialmente durante a Idade Média, desta terra lusa até Santiago de Compostela. [...]
Partindo-se de uma premissa de carácter religioso - dado que todo o «peregrinar» envolvia, na sua essência, a prestação de culto -, toda essa mobilização do binómio homem e espírito-religioso se via irmanada com toda uma série de sucedâneos. Tinham eles a ver, entre outras questões, com o que sucedia ao crente na sua peregrinação desde sua casa até ao santuário do túmulo do Apóstolo em Compostela, a forma como se deslocava, se vestia, alimentava ou comportava, ou, já no sentido de regresso, a forma como transportava (e muitas vezes materializava em actos de culto) esse mesmo ideal de culto medieval, ou se mantinha fiel, durante gerações sucessivas, a esse mesmo espírito religioso."
(Excerto da Sinopse)
"A todo o peregrino era dado acolhimento nos albergues ou hospícios situados nos caminhos por onde transitava. Dessas vias, espalhadas um pouco por todo o País, ganhava significativa nomeada - particularmente nas regiões a norte do Tejo - a que ligava Lisboa, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Soure e Coimbra. Aí esse percurso entroncava com dois outros: um proveniente de Lisboa e que passava por Santarém e Tomar; e aquele que, denominado «estrada mourisca», ligava as regiões centro-fronteiriças, nomeadamente as áreas de Elvas e Campo Maior, com a cidade do Mondego passando por Açumar, Crato, Barca de Amieira, Cardigos, Sertã e Mirando do Corvo."
(Excerto de 1. Das vias por que seguiam os peregrinos e das espécimes de folclore religioso e profano que entoavam)
Índice:
Sinopse | 1. Das vias por que seguiam os peregrinos e das espécimes de folclore religioso e profano que entoavam. 1.1. Da história religiosa e das instituições à arqueologia da cultura oral dos peregrinos. 2. Alguns casos exemplares de peregrinos ilustres que foram em romagem até ao túmulo do Apóstolo (sécs. XI-XV).
Manuel Cadafaz de Matos (n. 1947). "Nasceu em São José das Matas (Mação) a 11 de Agosto de 1947. Frequentou a licenciatura em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa e é Mestre em Literatura e Culturas Portuguesas - Época Moderna (1990) e Doutor em Estudos Portugueses - especialidade História do Livro (1998), pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É académico correspondente da Academia Portuguesa da História e Academia de Marinha, e foi docente universitário em Lisboa na Universidade Católica Portuguesa (1989) e na ESD (Prof. Associado) e professor catedrático convidado na Universidade de Barcelona (2004). Foi ainda colaborador da revista Blitz. É director, desde 1997, da Revista Portuguesa de História do Livro, que se edita semestralmente. Dirige os projectos editoriais das obras latinas de Damião de Góis e André de Resende. Foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Instrução Pública, em 2015."
(Fonte: https://www.goodreads.com/author/show/6389608.Manuel_Cadafaz_de_Matos)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

26 fevereiro, 2024

LEGOUVÉ, Ernesto - O ESTUDO DA FALLA.
Traducção do Abbade d'Arcozello. Porto, Livraria Portuense de Clavel & C.ª - Editores, 1882. In-8.º (19,12 cm) de XII, [1], 88 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre a arte da fala aplicada ao ensino.
"Muitos alumnos, e alguns já habilitados com os examos de latim e francez, me teem procurado, pedindo-me explicações a fim de corrigir o defeito cicioso, do rotacismo e ainda da gaguez, ou balbuciação. [...]
Depois que li o pequeno tratado de leitura em voz alta, ou melhor, o Estudo da falla de Mr. Ernesto Legouvé, que indica os processos para corrigir semelhantes defeitos, não pude resistir ao desejo de o vêr publicado em portuguez a fim de que cada um consiga independentemente do meu modesto concurso, aquillo de que carece, que consiste em praticar a gymnastica organica, indicada n'este livro. [...]
São interessantes todos os tratados que este pequeno livro contém, especialmente o tratado da voz, da respiração, da pronunciação, e os tratados que conteem os processos que corrigem os defeitos de ciciar e rotacismar; muito podem aproveitar os balbuciantes ou gagos, como tambem os que teem de lêr, orar, ou recitar o verso em publico."
(Excerto de Ao leitor)
"A leitura em voz alta é considerada na America como um dos elementos mais importantes da instrucção primaria: é já uma das bases do ensino primario.
Em França ainda não é considerada como arte; passa, apenas, como curiosidade, como apparato, ou ainda como pretensão.
A arte de lêr em voz alta ainda não entrou no programma das escólas primarias, das escólar normaes, industriaes, ou commerciaes, nem ainda nos lyceus: não se tem pensado n'esta arte no ensino de mestres ou discipulos: não ha magistrado, procurador, tabelliaão, ou socio de academias, que tenha sido educado por esta arte."
(Excerto de Parte Primeira - Capitulo I)
Gabriel Jean Baptiste Ernest Wilfrid Legouvé (Paris, 1807-1903). "Foi um escritor francês, dramaturgo, poeta, moralista, crítico e publicista. Membro da Academia Francesa. Considerado um dos percursores do feminismo pelos seus estudos sobre a história moral da mulher e a defesa da sua educação. Defendeu a igualdade, enfatizando a divisão entre os sexos e defendendo a superioridade moral da mulher."
(Fonte: Wikipédia)
Cândido José Aires de Madureira (Agrobom, Alfândega da Fé, 1825 - Porto, 1900). "Mais conhecido principalmente pelo título de Abade de Arcozelo. É considerado, juntamente com Castilho e João de Deus, um dos mais importantes pedagogistas portugueses do século XIX. O seu trabalho foi, porém, sustentado por estudos de índole científica mais rigorosos que no caso dos outros dois. Foi, aliás, amigo de João de Deus, tendo-lhe publicado a "Arte de Leitura" (Cartilha Maternal), como consta no frontispício da mesma. Profundo conhecedor dos métodos de ensino da leitura e escrita então em voga (incluindo o que se fazia no Brasil, como os esforços de Abílio César Borges) foi autor de uma Historia dos Methodos de Ensino da Linguagem em Portugal desde Castilho, de 1886."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
10€

25 fevereiro, 2024

MESQUITA, Marcellino - O CÃO DO REGIMENTO : 1917
. Lisboa, J. Rodrigues & C.ª, Editores, 1917. In-8.º (18,5 cm) de 12, [4] p. ; B.

1.ª edição.
Conto poético relacionado com a Grande Guerra.

"Um dia appareceu á porta do quartel,
Um pobre cão vadio,
Pêlo eriçado, magro olhar de quem tem fome:
Um miserando ar de andar pela cidade
Ha muito, ao vento, ao frio!
Festejava os soldados, dava ao rabo...
[...]
Valentão destemido, bom, fiel,
Tornara-se o Palhaço
O menino bonito do quartel.

N'isto rompeu a guerra. Eil-o ahi vai
Como um velho sargento
Bravo e alegre,
A acompanhar, ao campo de batalha,
O dono - o regimento.
Quantos serviços fez!... Ora uma noite,
Depois de fero ataque á baioneta,
Um estilhaço de bomba
Atirou o Cincoenta de roldão
Dentro d'uma valêta,
Onde a neve o cobriu.
A ronda da ambulancia
Passou e não o viu!
E d'esta sorte,
O pobre estava condenado á morte!
"

(Excerto do poema) 

Marcelino António da Silva Mesquita (1856-1919). Foi um escritor e jornalista português. "Frequentou por 4 anos o Seminário de Santarém, a Escola Politécnica e a Escola Médico-Cirúrgica, tendo-se formado em Medicina em 1884. Notabilizou-se como poeta, jornalista, escritor, dramaturgo, político e deputado pelo Círculo Eleitoral do Cartaxo. Foi diretor da revista A Comédia Portuguesa (1888-1889), e diretor literário da Parodia: comedia portugueza (1903- 1907). Marcelino Mesquita colaborou ainda em diversas publicações periódicas, nomeadamente: Ribaltas e gambiarras (1881), Jornal do domingo (1881-1883), Branco e Negro (1885-1891), Serões (1901-1911), e Revista do Conservatório Real de Lisboa (1902)."
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Selo de biblioteca na lombada.
Raro
.
Indisponível

24 fevereiro, 2024

FORD, Henry -
HOJE E AMANHÃ.
[Por]... de colaboração com Samuel Crowther. Tradução de Monteiro Lobato. S. Paulo, Companhia Editora Nacional, 1927. In-8.º (18,5x12,5 cm) de 338, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Primeira edição brasileira do segundo livro de Henry Ford, fundador e proprietário da Ford Motor Company, fabricante de automóveis americana sediada em Dearborn, Michigan, num subúrbio de Detroit. Obra interessante, trata-se de uma espécie de manifesto/ideário do pensamento do empresário, conduta e visão sobre o capitalismo industrial.
Obra não publicada em Portugal, sem registo na base de dados da Biblioteca Nacional.
"Henry Ford em seu livro Hoje e Amanhã (1927) reflete as fontes clássicas do racionalismo, que desaguou no liberalismo inglês do começo do século XVIII, onde tudo era possível de ser medido, calculado e mecanizado, mesmo que Ford o faça em linguagem simples e sem citar fontes.
Para Ford, o mundo era dividido entre pioneiros e rotineiros, sendo que o avanço do mundo depende das ideias e realizações dos primeiros. Dessa forma, as grandes indústrias de hoje, nasceram de ideias originárias de pioneiros de ontem. Entretanto, Ford vai além, ao afirmar que o pioneiro não deve ser um financista, o qual faz finança pela finança, visto que a finança deveria servir a indústria, para se integrar no aparelho útil da humanidade. Pelos critérios de Ford, dinheiro só é vivo quando empregado no negócio, e o negócio é a ciência para a qual todas as outras contribuem."
(Fonte: https://renoschmidt.wordpress.com/2018/04/08/resenha-do-livro-hoje-e-amanha-de-henry-ford/)
"O magnfico acolhimento que o nosso publico dispensou ao primeiro livro de Henry Ford, Minha vida e minha obra, permittindo duas edições de dez milheiros cada uma, anima-nos a dar o seu segundo livro, a que podemos chamar a verdadeira biblia da Efficiencia. Livro creador, do qual ninguem sae como entra - pois lava-nos das ideas falsas e dá-nos a comprehensão nitida de que os maiores milagres da industria não passam de bom senso e intelligencia no trabalho."
(Excerto do preâmbulo - Duas palavras)
Henry Ford (1863-1947). "Empreendedor americano, fundou a Ford Motor Company e foi o primeiro a aplicar a montagem em série de forma a produzir automóveis em massa em menos tempo e a um menor custo. A introdução de seu modelo Ford T revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos. Ford foi um inventor prolífico, tendo registado 161 patentes nos Estados Unidos. Como único dono da Ford, tornou-se um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo."
(Fonte: https://www.portaldalideranca.pt/lideres/137-listagem/2517-henri-ford)
Exemplar brochado razoável estado de conservação. Capas algo sujas. Rasgão (sem perda de suporte) visível na capa e nas primeiras páginas do livro, ocasionado, talvez, por forte pancada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

23 fevereiro, 2024

SARAIVA, José Hermano -
HISTÓRIA DE PORTUGAL. 7.ª edição. B-H. Mem Martins, Publicações Europa-América, 2004. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 593, [3] p. ; [8] p. il. ; il. ; [3] f. desdob. ; B. Colecção «Biblioteca da História» - N.º 9
Na capa: Marquês de Pombal (quadro de autor desconhecido do século XVIII).
História de Portugal pelo Dr. Hermano Saraiva, obra multiplamente reeditada ao longo dos anos, sendo esta uma das mais apreciadas Histórias da história pátria.
"A presente obra é uma abordagem aprofundada e objectiva da História de Portugal. Com uma linguagem clara e acessível, José Hermano Saraiva apresenta neste trabalho um testemunho apaixonante da nossa memória colectiva. Abrangendo um longuíssimo período de tempo, desde os remotos horizontes da Pré-História, passando pelo período das Descobertas, até às mais importantes questões da actualidade, este livro passa em revista os acontecimentos que mais influenciaram Portugal. É uma viagem de milhares de anos em que o autor sugere itinerários e conduz o leitor numa visita guiada pelos episódios mais marcantes da nossa História. Um relato vivo e sugestivo, que nos transporta para outras eras e nos faz conviver com personalidades fascinantes, como D. João II ou o Marquês de Pombal. Indispensável para todos aqueles que se interessam pelo passado para melhor compreenderem o presente."
(Fonte: Wook)
Livro ilustrado no texto com reprodução a p.b. de desenhos, quadros, gravuras e fotografias e em separado, a cores, com 8 páginas impressas sobre papel couché. Inclui no final 3 desdobráveis correspondendo a três dinastias da monarquia portuguesa: Borgonha (ou Afonsina), Avis e Bragança, estando incluída a Dinastia Filipina no final do segundo desdobrável (Segunda Dinastia).
José Hermano Baptista Saraiva GCIH • GCIP • ComNSC (Leiria, 1919 - Palmela, 2012). "Foi um advogado, divulgador histórico, professor liceal, político, diplomata e comunicador televisivo português. Ocupou o cargo de Ministro da Educação entre 1968 e 1970, num período conturbado da vida política nacional. É descrito frequentemente como o "Príncipe dos Comunicadores" pelo seu trabalho em prol da história, da cultura, da literatura e da televisão, de acordo com a homenagem póstuma prestada na Assembleia da República Portuguesa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

22 fevereiro, 2024

WHARTON, M. D., (Rev.) J. S. -
CURSO DE HYPNOTISMO.
Por... [A Esphera Hypnotica]. Rochester, N. Y., E. U. A., New York State Publishing Co., [19--]. In-4.º (23x15 cm) de 16 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual de hipnotismo em 8 lições - publicado na 1.ª/2.ª década do século XX - subordinado ao ensino da técnica por meio da Esphera Hypnotica - sistema de hipnose desenvolvido pelo autor, que no entanto, deixa aviso aos interessados logo na primeira página do livro: "Adormecer a gente ou submetel-a a uma profunda hypnose: Não tenteis submetter uma pessoa a um somno hypnotico sem obterdes mais conhecimentos sobre o hypnotismo. Se assim fizerdes, não seremos responsaveis pelos resultados."
Ilustrado ao longo do livro com fotos evidenciando a posição do hipnotizador e do sujeito alvo do processo hipnótico.
Sobre o Curso, sobre assunto tão em voga na época, diz-nos o autor: "Estas instrucções foram escriptas com o fim especial de acompanharem a Esphera Hypnotica. Por forma alguma se consideram como um curso completo sobre todas as phases do hypnotismo, mas o estudante sensato poderá, comtudo, adquirir muitos conhecimentos por meio d'ellas."
"A Esphera Hypnotica
A esphera influencia o sujeito de duas maneiras: primo, produz um effeito mechanico directo; secundo, a sua apparencia mysteriosa desperta uma certa expectativa na mente do sujeito." (Explicação)
Encadernação em  meia de percalina, com as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
25€

21 fevereiro, 2024

LEAL, Gomes - FIM DE UM MUNDO : satyras modernas. Porto, Livraria Chardron, 1899. In-8.º (17 cm) de XVII, 436 p. ; E.
1.ª edição.
Sátira à sociedade, crítica dos costumes e da classe política da época.
António Duarte Gomes Leal (1848-1921). "Nasceu em 1848 e morreu em 1921. Ao longo da sua vida, teve intensa participação na vida pública, nomeadamente expressando a sua opinião através de inúmeros panfletos e colaboração em diversos jornais e revistas. Foi também poeta, ligado ao Simbolismo e ao Decadentismo." (Fonte: Wook)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a oura na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
20€

20 fevereiro, 2024

CHAGAS, M. Pinheiro - ASTUCIAS DE NAMORADA E UM MELODRAMA EM SANTO THYRSO.
Original de... Lisboa, Typographia Progresso, 1873. In-8.º (17,5 cm) de [6], 118 p. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta obra invulgar, porventura das menos conhecidas do autor, que inclui duas novelas.
"Este livro é um livro de verão. Fez-se para ser lido á sombra de uma arvore copada, á hora do meio dia, quando póde prestar-se apenas á leitura uma vaga attenção, e quando portanto se querem livros de enredo ligeiro e risonho, que nem resolvam problemas, nem arripiem os nervos.
As Astucias de Namorada estão escriptas ha largo tempo. As aventuras do seu manuscripto davam assunto a outro romance. Teem de curioso o ser o seu entrecho baseado sobre um facto succedido realmente em Lisboa. Ha de haver leitores que o taxem de inverosimil, pois saibam que é verdadeiro. Mais uma vez tem razão Boileau.
Le vrai peut quelquefois n’etre pas vraiseblable.
O romance que fecha o volume, e que se intitula Um melodrama em Santo Thyirso, ponho-o aqui a titulo de curiosidade archeologica. Foi a minha estréia no jornalismo. Fundára-se a Gazeta de Portugal. Eu tinha conhecimento pessoal do seu proprietario, Teixeira de Vasconcellos. Procurei-o para lhe lêr o romance. Elle ia sair.
- Deixe-me vêr alguma coisa que lhe pareça melhor, disse-me elle.
Li-lhe tremendo a scena em que Eduardo descreve as physionomias dos litteratos lisbonenses. Teixeira de Vasconcellos rio-se, e tirou-me das mãos o manuscripto.
- Il y a quelque chose lá, continuou elle, isto para estreia basta. O seu romance ha de ser publicado.
E foi. Estava eu baptisado folhetinista."
(Excerto do Prólogo)
"Havia baile, ou antyes sarau dançante n'uma casa em Almada.
N'um pequeno jardim, que se espraiava até á beira dos rochedos pendurados sobre o rio, vinham os grupos dos convidados descançar um pouco das polkas e das valsas, respirar, e relancear os olhos pelo delicioso panorama do Tejo, em cujas aguas traçava a lua como uma estrada argentea.De quando em quando enchia-se o jardim de risos, de segredinhos; a lua illuminava por entre as folhas roupas alvantes, que passavam fulctuando como o véo dos sylphos; depois pelas janellas abertas da sala saía uma bafagem de harmonia, proveniente dos primeiros compassos d'uns lanceiros... [...]
N'um dos intervallos das polkas, e quando o jardim se povoava de novo com os fugitivos do baile, um par, mais fatigado talvez que os outros, veio sentar-se n'uma especie de caramanchão, que ficava na extremidade do jardim, mais proximo da orla do rochedo, e por conseguinte quasi suspenso, como um ninho de gaivotas sobre as aguas. Devo rectificar o que disse; não foram ambas as pessoas indispensaveis para formarem um par, não foram ambas as pessoas, que se sentaram; só o fez uma senhora de vinte e cinco annos talvez; alta, elegante, morena e viva, de olhos rasgados e cabellos negros, que scintillavam como o ébano á luz brilhante da lua cheia.
O cavalheiro ficou de pé, apesar de sua gentil companheira lhe ter visivelmente proporcionado um logar junto de si..."
(Excerto de Astucias de namorada - Cap. I)
Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895). "Escritor português nascido a 12 de Novembro de 1842, em Lisboa, e falecido a 8 de Abril de 1895, na mesma cidade, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas foi também um célebre polígrafo da segunda metade do século XIX, jornalista, poeta, novelista, historiador, dramaturgo, crítico literário e tradutor (de Ponson du Terrail, Alexandre Dumas, Octave Feuillet, Alfred de Vigny e Jules Verne, entre outros autores). Interessou-se pela política, tendo-se notabilizado como orador e tendo exercido os cargos de deputado pelo Partido Regenerador e de ministro da Marinha, em 1883. Ocupou, entre várias funções, o cargo de professor no Curso Superior de Letras, para o qual concorreu com Teófilo Braga. Em 1865, publicou o Poema da Mocidade, cujo posfácio, assinado por António Feliciano de Castilho, seu amigo, viria a suscitar a Questão Coimbrã, na qual Pinheiro Chagas tomou parte, com o opúsculo Bom senso e bom gosto. Folhetim a propósito da carta que o sr. Antero de Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho, onde defendeu Castilho, contestando a novidade e a substância das ideias literárias sustentadas por Antero. Em 1869, publicou A Morgadinha de Valflor, que o notabilizaria como dramaturgo. Em 1871, interveio a favor do encerramento das Conferências Democráticas do Casino. Fundou, em 1876, o Diário da Manhã, mas colaborou em variadíssimos jornais e revistas, entre os quais O Panorama, Arquivo Pitoresco, Gazeta de Portugal, Jornal do Comércio, Diário de Notícias, A Ilustração Portuguesa, Revolução de Setembro e Artes e Letras. Neles assinou numerosos artigos de crítica literária, em parte recolhidos nos volumes Ensaios críticos e Novos ensaios críticos, de 1866 e 1867, respectivamente. Conhecido hoje em dia sobretudo pelo conservadorismo das posições assumidas contra a Geração de 70 e pelo convencionalismo da sua obra literária, excessivamente marcada pelo ultra-romantismo, Pinheiro Chagas mereceria porventura uma releitura, principalmente no tocante à sua produção como crítico literário.
Pinheiro Chagas deixou-nos livros magníficos, onde demonstra as suas imensas faculdades intelectuais, de entre os quais ressaltam títulos como A Flor Seca, Os Guerrilheiros da Morte, O Terramoto de Lisboa e A Mantilha de Beatriz."
(Fonte: Wook)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação, com um ou outro pico na lombada.
Raro.
20€

19 fevereiro, 2024

COELHO, F. Adolpho -
OS EXERCICIOS MILITARES NA ESCOLA.
Questões Pedagogicas I. Separata de «O Instituto», vol. 58.º. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1911. In-4.º (24,5x16 cm) de 16 p. ; B
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história da educação física nas escolas, e a perspectiva de introdução dos exercícios militares na instituição.
Ensaio raro e muito curioso.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "A seu primo e amigo João Coelho".
"A orientação militar da ginástica escolar e, num certo sentido, o despropósito de uma instrução militar como um fim em si mesma - é-nos dada pela pena de Adolfo Coelho. É, ao mesmo tempo, um retrato impressivo sobre a forma como a instrução militar configurou o quotidiano escolar; a crítica de Adolfo Coelho resulta do conhecimento que tem da orientação dada à educação física em vários países europeus, particularmente na Alemanha.
Eu reconhecera que esses exercícios imbecilizavam os rapazinhos. Assisti à instrução militar naquelas escolas, e visitei por 1883 (e ainda depois) as aulas de quase todas as centrais já então criadas em Lisboa, e vi ali muitos alunos hirtos, sorumbáticos, mecanizados, por efeito dessa instrução, e conversando com alguns colhi a confissão suficientemente clara de que os instrutores lhes inspiravam receio de algum castigo, sem que os levassem a tomar a sério os exercícios, e a respeitar quem os instruía." (Coelho, 1911, p. 29)
"O soldado, segundo o justo pensamento do commandante Legros, educa-se para a morte; a creança, o adolescente, até á entrada do serviço militar, educa-se para a vida.
Da não intelligencia do que seja a creança, do que seja o adolescente, do que seja a vida num e noutro, de como nessa vida se hão de lançar as bases para a vida ulterior, nos seus aspectos, intimamente ligados, individual e social, resultam os erros dos planos de ensino primario e secundario e de methodo desse ensino, resulta a insistencia que resurge agora, no regime republicano, como surgira no monarchico, em começar na escola geral a educação especial do soldado.
Parte-se da ideia da defesa da patria, de que é necessario ter o maior numero possivel de homens aptos para essa defesa e chega-se a julgar boa a traça de começar cedo a instrucção militar e sem mais tende-se para decretar ou vae-se até decretar que essa instrucção faça parte do plano das escolas de ensino geral e ainda das de ensino especial frequentadas antes dos dezoito annos. Do mesmo modo ha a mania de introduzir elementos de ensino profissional de diversas naturezas na escola primaria e secundaria."
(Excerto do Cap. III)
Francisco Adolfo Coelho (1847-1919). "Membro destacado da chamada Geração de 70, Francisco Adolfo Coelho nasceu em Coimbra, em 1847, e morreu em Carcavelos, em 1919. Autor de A Língua Portuguesa, obra de 1868, onde procedeu ao estudo comparativo das línguas românicas, foi também filólogo, pedagogo, etnógrafo, historiador, crítico literário e introdutor dos estudos de Filologia Comparada em Portugal, cadeira que lecionou no Curso Superior de Letras desde 1878. Em 1871, participou nas Conferências Democráticas do Casino, proferindo a última conferência, "O ensino" (texto que viria a ser publicado em 1872 sob o título A questão do ensino), onde propôs uma reforma do ensino baseada na separação do Estado e da Igreja e no princípio da liberdade de consciência; estes pressupostos viriam a fazer escândalo entre os jornais conservadores da época. Para além de uma vasta bibliografia relacionada com as áreas da Filologia e da História da Língua, em que foi especialista, publicou de 1873 a 1875 a revista Bibliografia Crítica de História e Literatura, onde apreciava a produção intelectual portuguesa e estrangeira nos mais diversos domínios. Colaborou igualmente em periódicos como O Cenáculo e O Positivismo."
(Fonte: https://www.portoeditora.pt/autor/adolfo-coelho/9209)
Exemplar brochado - protegido por capas lisas - em bom estado geral de conservação. Conserva as capas originais que se encontram manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

18 fevereiro, 2024

MONTALEGRE, Duarte de - CRISTO NO PENSAMENTO MODERNO. Braga, Editorial Nós, 1945. In-8.º (19,5x12,5 cm) de CXXXVII, [6] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio, um dos primeiros, de "Duarte Montalegre", pseudónimo do Prof. José Vitorino de Pina Martins, sobre a influência de Jesus Cristo no pensamento moderno, sendo estabelecida a comparação entre este e outros credos, religiões e teses filosóficas.
Livro ilustrado em folha separado do texto com um retrato de Jesus: Cabeça de Cristo (Óleo de João de Castro Nunes).
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Maria Madelena, "colega muito distinta".
"Todo o cristão sente algum dia, dentro de si, o desejo veemente de se ocupar da pessoa divina de Jesus, e, principalmente, da sua natureza humana. Dir-se-ia que é inerente à própria condição da nossa fé, êste anseio que nasce dentro de nós, e que apenas termina quando seca, no nosso peito, a fonte da vida. Mas êle é inerente, ainda, à mesma estrutura psicológica do homem: em todos os tempos houve quem se dedicasse ao estudo da vida e da pessoa de Cristo, e êste estudo foi realizado, muitas e muitas vezes, por espíritos alheios à mensagem religiosa do Mestre ou até seus adversários decididos."
(Excerto do Ensaio)
José Vitorino de Pina Martins (Penalva de Alva, 1920 - Lisboa, 2010). "Foi um filólogo e investigador português, estudioso da cultura portuguesa e europeia do Renascimento, autor de mais de duas centenas de estudos históricos e bibliográficos em português, francês, italiano e inglês, publicados desde 1960. Cultivou também a ficção e o memorialismo."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

17 fevereiro, 2024

MONTEIRO, J. Gonçalves -
MALTESES & LADRÕES.
(Breve esboço monográfico). Porto, «Notícias da Beira Douro», 1990. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 173, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de narrativas/apontamentos biográficos de criminosos, uns mais conhecidos que outros, recordados pela crueldade e o rasto de sangue e morte que deixaram no período da Guerra Civil, e nos tempos que se seguiram.
Ilustrado com 20 desenhos/fotografias em página inteira.
"Como a confusão social e política da época a que se reportam os acontecimentos era enorme, há que distinguir entre maltas (ou malteses) e guerrilhas (ou guerrilheiros). Havia guerrilheiros, normalmente desertores, que aproveitando a confusão generalizada se ematilhavam, indo engrossar as maltas que se dedicavam também ao roubo e ao assalto violento. Mas de um modo geral, as guerrilhas nada tinham a ver com as maltas de salteadores, porque as suas forças ou homens armados, a princípio, não se dedicavam aos latrocínios e assaltos. O povo era quem, muitas vezes, confundia uns com os outros, atribuindo a certos grupos ou chefes proezas que eram cometidas a outros."
(Excerto da Advertência)
Índice: Advertência | Explicação à margem do texto | Breve introdução histórica | Mousinho da Silveira redige as reformas | Período de relativa acalmia política | Milícias, guerrilhas e maltas: - O Cavalaria; - Sás da Ucanha; - O Espadagão; - O Lombela; - O Traquina; - Os Marçais; - Leais de Longa; - O Pancão; - João Polónio; - Pires da Rua, «O Russo»; - Zé do Telhado; - João Brandão; - Quadrilhas menores. | Conclusão | Notas | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na primeira página (em branco).
Invulgar.
20€

16 fevereiro, 2024

REGULAMENTO PARA A INSTRUÇÃO DO ARTELHEIRO SERVENTE.
Parte II : Material 7,5 T. R. m/917 - Ministério da Guerra : 3.ª Direcção Geral - 1.ª Repartição. Lisboa, Papelaria Fernandes, [1933]. In-8.º (19x11 cm) de VII, [1], 115, [1] p. ; C.
1.ª edição.
Regulamento e manual de artilharia. Refira-se a título de curiosidade ter sido esta peça - a 7,5 T. R. m/917 - utilizada pela primeira vez pelo CAPI, em França, durante a Grande Guerra.
"O Corpo de Artilharia Pesada (CAP), viria a receber instrução na Escola de Artilharia no campo de treino de Roffey em Harsham na Inglaterra entre 1917 e 1918. [...]
Das peças de artilharia levadas para França, faziam parte os canhões Schneider-Canet de 7,5 cm T.R. m/904, contudo estas peças acabaram por não ser utilizadas na frente de combate, tendo ficado em reserva, sendo posteriormente reenviadas para Portugal. As peças de artilharia que foram distribuídas em sua substituição foram as famosas 75 mm francesas, adoptadas pelo CEP sob a designação de peça 7,5 cm T.R. m/917."
(Fonte: https://historiaschistoria.blogspot.com/2017/02/centenario-da-participacao-de-portugal.html)
"A instrução do artelheiro servente tem por fim adestrar o pessoal no serviço de tiro com o material, quer se considere a peça isolada, quer fazendo parte duma bateria.
A organização da peça 7,5 T. R. m/917 permite uma divisão racional de funções entre os serventes que compõem a guarnição o que demanda:
a) Uma instrução individual perfeita de modo a cada operação ser praticada com presteza, correcta e conscenciosamente.
b) Uma instrução de conjunto que coordene as operações, decompostas na fase da instrução individual, mecanizando-as num todo harmonico que mantenha a independencia das operações individuais sem quebra do seu ajustamento à individualidade comum. [...]
A instrução é dada de modo que o servente fique habilitado a desempenhar as funções de qualquer pôsto em combate. [...]
Tanto os apontadores como os graduadores são instruidos nas funções de todos os outros postos e conduzida a sua instrução de maneira a estarem aptos ao desempenho das suas funções de combate quando começar a escola de bateria.
Os condutores devem ser tambem instruidos no serviço e guarnição, pelo menos nos postos de municiador e carregador."
(Capitulo I - Principios gerais)
Encadernação editorial cartonada com letras impressa a negro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com assinaturas de posse na capa e folha de guarda (em branco).
Invulgar.
Com interesse histórico e militar.
15€

15 fevereiro, 2024

GUERRA, A. A. -
QUATRO ANNOS ENTRE OS FRADES.
Entre dois fanatismos. (Memorias ligeiras do convento). Nazareth, [Edição do Auctor], Composto e impresso na Typographia Freire, 1911. In-8.º (22x14 cm) de [8], 68, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor relativas à sua passagem pelo colégio franciscano de S. Bernardino, anexo ao convento do mesmo nome em Atouguia da Baleia, Peniche, e por fim, no último de quatro anos, em Montariol, Galiza - Espanha, "internamento" decidido por seus pais que muito o contrariou, e que o autor resume em poucas palavras: "entregue pelo fanatismo d'um pae ao fanatismo d'uma comunidade".
Obra de forte pendor anticlerical, publicada na Nazaré, pouco tempo após a instauração da República. Com indubitável interesse para o conhecimento do viver juvenil em colégios do género na época.
Com dedicatória (impressa) ao "Eminente tribuno e illustre ministro da Justiça sr. Dr. Affonso Costa."
"A ninguem melhor do que V. Ex.ª poderia ser dedicado um livro d'esta natureza [...] porque o assumpto de que trata tem uma certa ligação com acontecimentos de que V. Ex.ª foi o principal protagonista. Refiro-me ao acto nobre e patriotico que honra sobremaneira V. Ex.ª, de pôr em debandada esse bando negro de abutres, ramifivado em frades e jesuitas, que tinha por missão nefanda embrutecer os espiritos, abusando de consciencias simples e inocentes, e por aspiração unica uma futura prepotencia espiritual que lhe collocasse nas mãos os cofres das victimas, depois de asselvajadas pela uncção hypocrita das suas praticas religiosas."
(Excerto de Dedicatoria-Prefacio)
"Era em 1898. Eu tinha 10 annos de edade.
Habilitado para o exame d'instrucção primaria, estava prestes a fazel-o, quando um incidente por que eu certamente não esperava m'o veio addiar para tempo indeterminado.
O incidente deu-se da seguinte forma: Eu tinha notado que meu pae trocava, havia já tempo, uma especie de correspondencia mysteriosa com um ser qualquer, visto que elle ia levar as cartas ao correio e a mim me mandava procurar as respostas, missão para que julgava não serem necessarias precauções, porque eu não teria o atrevimento de lhe apresentar as cartas já sciente do seu conteúdo.
Eu andava dominado d'uma intensa curiosidade por saber do que se tratava, mas não encontrava meio de satisfazel-a. Reflectindo um dia que minha mãe poderia estar a par do que acon tecia, fui ter com ella e sem hesitações nem rodeios pedi-lhe me desvendasse o  mysterio.
- Isso são negocios de teu pae com que nada tenho e portanto não sei do que se trata.
Mas o sorriso com que ella acompanhou estas palavras era um desmentido formal á sua pretendida ignorancia, e eu continuei a instar, a ver se apurava alguma coisa.
- Olha, não tenho tempo de te aturar! foi a resposta que me deu... [...]
Os echos das lides campestre rumorejavam na sua monotonia fastienta pelas campinas recem-trabalhadas dos labores de fim de verão. [...]
Pois foi n'um d'esses dias que eu deixei o ninho meu paterno para encetar uma vida de peripecias que se poderiam muito bem romancear. Não tenho, porem, esse intuito. São isto apenas memorias singelas e despretenciosas, e os factos que apresento são verdadeiros, podendo eu autentical-os com testemunhos de companheiros meus, cujo paradeiro não ignoro."
(Excerto de I - Para o convento)
Indice:
Dedicatoria-Prefacio | I - Para o convento. II - Primeiros dias de collegio. III - Tentativas de fuga. IV - Novos horisontes. V - Humildade ou humilhação? VI - Educação scientifica. VII - Educação religiosa. VIII - Disciplina. IX - O decreto de 1901. X - Derradeira tentativa.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

14 fevereiro, 2024

TURLEY, David -
HISTÓRIA DA ESCRAVATURA. Tradução de: Maria Augusta Júdice. Lisboa, Teorema, 2002. In-8.º (23,5x16,5 cm) de 251, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da escravatura global, "indispensável para compreender um fenómeno que desempenhou um papel fundamental na história".
Ilustrado com dois mapas em página inteira:
- Mapa 1: O comércio de escravos do Atlântico, regiões de exportação de escravos e vias marítimas;
- Mapa 2: Abolição do comércio de escravos e emancipação dos escravos.
"Esta obra faz uma análise multicultural do fenómeno da escravatura, reunindo materiais das muitas regiões e períodos historicamente muito separados no tempo em que a escravatura existiu e se desenvolveu - Grécia e Roma antigas, a Europa da Idade Média, as sociedades muçulmanas do Médio Oriente e da África, a África subsaariana, e as Américas. Com uma perspectiva geográfica e cronológica tão vasta, esta História da Escravatura, levará historiadores e sociólogos a estabelecerem novas novas ligações e a analisarem os problemas a uma nova luz.
Turley estuda três temas-chaves na história da escravatura: a importância económica e social da escravatura nas várias sociedades, a forma como os escravos e os seus donos sentiam a escravatura e os meios através das quais a escravatura se mantinha e reproduzia nas diferentes sociedades. A partir daqui e reconhecida a diversidade histórica da escravatura, Turley desenvolve dois modelos de sociedade: aquele em que a escravatura era primariamente uma instituição doméstica (sociedades com escravos) e aquele em que ela era o modelo de produção de que o grupo dominante dependia para manter a sua posição (sociedades esclavagistas). É aqui, com o é óbvio, também analisado o papel da raça e das diferentes étnicas e religiosas no funcionamento das sociedades esclavagistas."
(Sinopse)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

13 fevereiro, 2024

TÔRRE NEGRA, Henrique Manuel da -
ILHA DOS AMORES (dados para a sua identificação). Lisboa, [s.n. - Imp. Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Lisboa], 1938. In-8.º (21x13,5 cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio camoniano relacionado com a presença da Madeira - a Ilha dos Amores - nos Lusíadas de Luís de Camões.
Henrique Lamas (Henrique Manuel da Torre Negra) (1893-1993). Natural de Alhandra, Vila Franca de Xira. Sob o comando de Alves Roçadas, foi enviado para Angola uma força expedicionária de 1600 homens, em Outubro de 1914. Condecorado por se ter distinguido na batalha de Naulila (18/12/1914) ao sul de Angola. [Combateu em França na Grande Guerra (Servente de Metralhadora de 3.ª Classe)]. Condecorações, além da anteriormente citada: Medalha Comemorativa da Expedição ao Sul de Angola 1914-1915; Medalha da Vitória 1918. Poeta laureado, prosador e comentador da Obra de Camões, em que se distingue pelo seu estudo: «O Maior Erro de Todas as Edições de Os Lusíadas» (1938). Obras: "A Rota das Naus da Índia" (1935);  "Ilha dos Amores" (1938);  "Um Epinício de Os Lusíadas" (Opúsculo) (1965); "Esperanta : Renkotigô" (Folheto)."
(Fonte: https://ultramar.terraweb.biz/RMA/Imagens_RMA_HenriqueLamas.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, cortes e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Indisponível

12 fevereiro, 2024

AGOSTINHO, Porfírio Maio -
OS CARRETEIROS : romance
. Estoril, Edição do Autor, 1994. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [4], 371 p. ; B.
1.ª edição.
Romance realista, impressionante, baseado nas vivências do autor quando jovem, sobre as condições de vida dos "carreteiros" - transportadores de pessoas e mercadorias por zonas transmontanas de difícil acesso - no primeiro quartel do século XX.
Edição de autor, por certo com tiragem reduzida. Apesar de relativamente recente, esta obra não se encontra registada na base de dados da Biblioteca Nacional.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Quando a Linha do Corgo ficou concluída, 21 de Agosto de 1921, naquelas paragens transmontanas, uma nova actividade surgiu e se desenvolveu - os carretos. No entanto, a partir de 1918, já o comboio chegava a Vidago.
E das principais estações do Caminho de Ferro, para as povoações limítrofes, eram as mercadorias, de várias espécies, transportadas às costas, em alimárias e em pachorrentos carros de bois, principalmente as maias pesadas.. E de Vidago a Boticas eram dezassete quilómetros, aproximadamente, através da serra. Era um trajecto difícil, por uma alcantilada, sinuosa e estreita vereda que a serra atravessava como uma gigantesca e fantasmagórica serpente. [...]
Embora, difusamente, não podemos imaginar o quão difícil se tornava subir ou descer as encostas, do Sr. do Monte, com os carros carregados. Quando chovia era o piso molhado, lamacento, escorregadio, uma constante armadilha para homens e animais. Também um autêntico inferno experimentavam, no mesmo trajecto, quando a canícula estonteava as cabeças e as moscas e moscardos, sem piedade, os ferravam.
Em 1930, partindo de Boticas, atravessando os Soutos da Costa, em direcção ao Alto de Pinho, aqui também, homens e animais, num esforço doido, golpeando a serra, davam forma a mais um troço da Estrada nº 311. - Vidago era o objectivo. [...]
Entretanto, os carretos, faziam-se pela serra do Sr. do Monte. Carreteiros se chamavam, aos homens que a este duro e penoso trabalho se dedicavam, em sintonia com os restantes trabalhos da lavoura. Os ganhos eram magros e o raio da filharada nunca era atacada pelo fastio. Vida de cão. Nada fácil. Lembrança de tempos passados. Eram homens rudes, simples, honestos e laboriosos. Teceram, por assim dizer, as malhas da rede de um estrato de tempo."
(Excerto do preâmbulo)
Porfírio Maio Agostinho (1947-2005). "Escritor, natural de Eiró, Freguesia e Concelho de Boticas, nasceu a 02-08-1947 e faleceu em 2005. Completou a Instrução Primária com dez anos de idade. Até aos 13 anos trabalhou no campo a ajudar os pais. À procura de uma vida mais digna, foi para a Capital onde, com 13 anos de idade, começou a trabalhar numa fábrica de cortiça. Foi, contudo, em Angola, cumprimento do Serviço Militar (1969/1971), mercê do contacto com outras gentes e outras culturas, rasgando-se à sua frente novos horizontes, que sentia a necessidade de ir mais longe. Para isso tinha que estudar, e fê-lo. Como trabalhador-estudante, fez o 12º ano e frequência da Universidade, mas é como autodidacta que se valoriza, faz várias pesquisas, procura ir sempre mais além. A sua colaboração literária é vasta por Jornais Regionais como: Ecos de Boticas, Negócios de Valpaços; Voz de Chaves; Falcão do Minho; Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro e Revista Unearta, que ajudou a fundar. É autor de diversos livros, como Os Carreteiros; Natália; Tinísia e os Guerreiros; O Sonho é Um Desatino e, por fim Torneio de Ervededo."
(Fonte: Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses, (Volume I, Coord. Barroso da Fonte, Editora Cidade Berço, 1998)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Pequeno rasgão na contracapa, junto da lombada, sem perda de suporte.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível