Mostrar mensagens com a etiqueta Assistência Social. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Assistência Social. Mostrar todas as mensagens

15 fevereiro, 2016

CENTENO, Sebastião Rodrigues Barbosa - O TRABALHO DOS MENORES. Por... Associação dos Advogados de Lisboa : Congresso Juridico de 1889. Lisboa, Imprensa Nacional, 1889. In-8.º (22cm) de 66 p. ; B.
1.ª edição.
Tese apresentada ao Congresso Jurídico de 1889, patrocinado pela Associação dos Advogados de Lisboa, a antecessora da Ordem dos Advogados. Trata-se, salvo melhor opinião, do primeiro trabalho sério que sobre a matéria se publicou entre nós.
A dissertação do autor sobre o trabalho infantil é precedido por um enquadramento histórico sobre as relações sociais e as necessidades humanas, introduzindo o novo paradigma do trabalho no contexto da industrialização, em Portugal e no estrangeiro.
                                    ............................
"As leis e os seus regulamentos deverão fixar a idade, em que os menores pódem ser admittidos nas diversas industrias, o numero de horas de trabalho dos mesmos em cada dia, os differentes misteres em que hajam de ser empregados segundo os sexos, idades e profissões, sem prejuizo da sua educação moral e intetellectual, medeante uma fiscalização rigorosa e efficaz e sob penas graves?"
(These)
"Intendemos util que a mocidade se exercite em misteres compativeis com as suas condições sociaes e desinvolvimento physico, e se habitue a contar consigo mesma, adquirindo desde verdes annos os meios de subsistencia e, tanto quanto possivel, economisando-os de modo a constituir um pequeno peculio que ullteriormente a habilite a mais amplos e remuneradores emprehendimentos.
Nas familias pouco abastadas chega mesmo a ser de necessidade que os filhos desde bem novos auxiliem os paes nos labores da profissão que estes exercitam, ou por outra fórma adquiram recursos com que attenuem os encargos domesticos, quasi sempre superiores á media ordinaria dos lucros diarios e por vezes aggravados pela falta de trabalho, ou pelas doenças.
Mas essa necessidade, por sem duvida imperiosa, tem que ser satisfeita em ordem a não depauperar organismos tenros, a não impedir a indispensavel educação moral e intellectual da infancia, isto é, por maneira que não venham a ser precocemente inutilisados os futuros cidadãos, de quem a patria e a humanidade têem direito a esperar serviços mais ou menos valiosos.
Quem visitar os centros industriaes do paiz, mormente os que se acham distanciados da capital, e procurar conhecer as condições que ali é exercido o trabalho humano, facilmente chega á convicção de que uma boa parte d'este é desempenhado por creanças de ambos os sexos, a começar dos sete annos, as quaes a troco de um salario exiguo, 60 a 80 réis, são obrigadas a uma laboração de nove a dez horas durante o dia e, o que é bem peior, a tres ou quatro durante a noite, em grande parte do anno!
Confrange-se o coração ao contemplar quadro tão triste, ao obeservar a pallidez e a feição taciturna que n'aquelles rostos juvenis se desenham, originadas não só da falta de conforto domestico e de carinhos maternaes que tão cedo lhes são negados, como tambem da fadiga excessiva, a que tão prematuramente os condemnaram!
Mais nos punge ainda o convencimento de que aquelles cerebros não são allumiados pela luz da instrucção, que lhe é defeza, pois lhes escasseia o tempo necessario para frequentarem a escola, ainda quando esta se acha proxima da fabrica, o que nem sempre acontece e muito menos quando está distante e d'ella separada por invios atalhos."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Restauro tosco na parte superior da lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

12 outubro, 2015

DIAS JÚNIOR, José Lopes - EM REDOR DO SERVIÇO SOCIAL. (Duas conferências). Vila-Nova-de-Famalicão, Tipografia «Minerva», de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1932. In-4º (23,5cm) de 50 p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor ao Doutor Luís dos Santos Viegas.
Os primórdios da assistência social em Portugal. Conferências pronunciadas pelo autor a propósito da importância do Estado no desenvolvimento do Serviço Social baseado nos princípios da dignidade humana.
"É tão costume nosso cultivar o ódio e o rancor, está tão dentro dos nossos hábitos o desvario de criticar injustamente e de malsinar, tão longe nos tem levado a onda de paixões sectárias que, na verdade, chegamos a um momento em que é preciso tocar a unir para as almas desinteressadas e ansiosas do Serviço Social, sêja qual for a modalidade em que se informe.
Estamos no século da Assistência!
Por todo o mundo civilizado corre um frémito de solidariedade pelo nosso irmão doente e desamparado, pela criancinha orfã de pais ou de carinhos, pelo ignorante, pelo sem-trabalho, , por todo o infeliz, pelo próprio degenerado e criminoso, irresponsável nas suas taras e distrofias! [...]
Ao conjunto dos meios destinados a remediar os males sociais chamamos nós assistência."
(excerto da conferência proferida em Castelo Branco)
Conferências:
Em redor do Serviço Social. Conferência popular, proferida no Teatro da Covilhã, a Convite da Associação Mutualista Covilhanense, no dia 24 de Abril de 1932.
Breves considerações sôbre Assistência em Castelo Branco. Palestra proferida numa festa de Caridade em benefício do Instituto do Cancro e de um pavilhão hospitalar para tuberculosos em Castelo Branco, realizada no Cine-Teatro desta cidade, na noite de 3 de Novembro de 1931.
José Lopes Dias Júnior (1900-1976). "Nasceu a 5 de maio de 1900, em Vale do Lobo, atualmente Vale da Senhora da Póvoa, concelho de Penamacor. José Lopes Dias Júnior foi médico e escritor. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1923, frequentou os hospitais de Paris durante todo o ano de 1925. realizou viagens de estudo a Espanha em 1923 e 1928 e à Itália em 1931. Seguiu cursos de radiologia e clínica geral no Hotel Dieu e na Charité, em Paris. Participou em muitos congressos nacionais e internacionais, especialmente de Pediatria, Proteção à Infância e de História das Ciências, designadamente de Medicina. Fundou, com apoio da Junta Geral do Distrito de Castelo Branco, em 1930, o Dispensário de Puericultura de Castelo Branco e as colónias marítimas de crianças, na praia da Nazaré. Foi médico em Penamacor durante três anos e depois em Castelo Branco, onde foi diretor do Dispensário de Puericultura e médico escolar no liceu de Nuno Álvares. Colaborou em diversos jornais e revistas como: Diário de Lisboa, Século, Diário de Notícias, Saúde Escolar, Acção Médica, Jornal Médico, etc. Foi redator do jornal Mocidade, entre 1916 e 1918, quando ainda era estudante, e na Acção Regional, de Castelo Branco, desde 1928. Consagrou-se como médico aos estudos referentes à Medicina Social e à História de Medicina em Portugal. Como médico escolar, encontra-se na revista Saúde Escolar, desde 1936. Foi assíduo colaborador em estudos de higiene das escolas primárias, dos liceus e universidades. Em 1946, juntamente com Firmino Costa preparam a tradução de Sete centúrias de curas médicas do Dr. João Rodrigues de Castelo Branco, vulgarmente conhecido por Amato Lusitano. Neste mesmo ano foi publicada a Primeira centúria."
(Fonte: Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, vol. XV, pp. 448)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
10€