31 março, 2023

COSTA, Amadeu -
O CASO DO ANTONINHO. 
Coisas da Nossa Ribeira. Por... [S.l.], [s.n.], [1982]. In-4.º (23 cm) de 6, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
História do Antoninho, moço rústico, que terá sido injustamente condenado à morte por roubo.
Livrinho ilustrado com duas fotografias a p.b. no texto: Nicho do Senhor da Boa Memória...; Almas, da Igreja Velha (vulgo Capela ou Igreja das Almas)...
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Álvaro Salema.
A propósito do Antoninho, e relacionado com este, o autor narra um episódio protagonizado por Camilo Castelo Branco no Cemitério das Almas, onde as ossadas do desventurado rapaz se encontravam depositadas.
"Vou falar de um acontecimento que apaixonou verdadeiramente as gentes do povo da Foz do Lima, em particular a do Bairro da Ribeira, o qual teve como epílogo o enforcamento, no Cais do Postigo, de António Manuel Barreto, de 25 anos de idade, moço de lavoura, natural e residente na freguesia de Capareiros, Barroselas.
Nos meus tempos de rapazinho - e ainda hoje tal acontece - naquele Bairro assim se descrevia o sucedido:
- Vindos de uma feira do norte, o ourives Joaquim Moninhas, de Nabais, e o seu compadre, contratador de gado, da Apúlia, ambos, portanto, do concelho de Esposende, entraram depois do sol posto, já com estrelas, numa estalagem de Viana para cear. [...]
Ali pernoitaram também esses dois feirantes, até que, de madrugada, atravessaram a «ponte de pau», nas suas montadas, com rumo aos seus destinos.
Cavalgando e cavaqueando, a viagem ia decorrendo, e atingido havia sido já o Faro de Anha quando os assaltantes os surpreendem.
Trocam-se tiros!
João Pereira Saraiva cai do cavalo, ferido de morte! O seu companheiro, metendo a galope, consegue escapar-se..."
(Excerto da narrativa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
Indisponível

30 março, 2023

ALMEIDA, Carlos Pinto de - OS HOMENS DA CRUZ VERMELHA : romance historico do tempo dos francezes. Edição illustrada. Volume I [II, III e IV]. Lisboa, Typographia das Horas Romanticas, 1879-1880. 4 vols in-8.° (21 cm) de 449, [7] p. ; [5] f . il. (I) - 455, [1] p. ; [5] f. il. (II) - 518, [2] p. ; [5] f. il. (III) - 514, [6]p. ; [5] f. il. (IV) ; E.
1.ª edição.
Romance histórico em 4 volumes (completo), cuja acção remete para o período das Invasões Francesas.
Obra ilustrada com 20 belíssimas estampas separadas do texto, 5 por volume, sendo os desenhos assinados por MM (Manuel de Macedo, 1839-1915) e as chapas abertas por Pastor (Francisco Pastor, 1850-1922).
"Em 1802, o estado geral da Europa não era muito lisonjeiro.
A França, tendo por alguns annos atravessado um periodo nefasto e de sangue, depois que as cabeças mais illustres d'aquella nação rolaram debaixo do pesado cutello da guilhotina, entrára n'um estado regular, obedecendo ao genio maravilhoso do general Bonaparte.
É certo, porém, que a situação interna d'aquella nação era melhor, mais perfeita e harmonica; as differentes potencias europeas, arrastadas pela corrente das paixões politicas que, rapidas, se desenvolviam, não inspiravam muita confiança.
As idéas liberaes progrediam; e da França tinham corrido nas azas da publicidade, invadido todas as sociedades, mais ou menos adiantadas.
Em Portugal, resoaram, tal como nos outros paizes, as palavras liberdade e igualdade, sempre agradaveis ao genero humano, que as acolhe com induscriptivel jubilo. [...]
Ora, no nosso  velho e pacifico paiz, ás classe mais illustradas, não desagradaram os principios proclamados na França em 1789; e se engeitavam as scenas de terror; os morticinios iniciais e realisados por aquella potencia, acceitavam as cousas que eram boas, sem perfilharem os tres varios criminosos que, em seu nome se praticavam.
Mas quem se animaria em Portugal a declararar, que sympathisava com as idéas liberaes estabelecidas em França?
O louco que a tanto se arrojasse, seria preso pelos sabujos da intendencia geral da policia, e entregue aos cuidados do inquisidor geral; e o menos que lhe fariam, seria sepultal-o n'um carcere, d'onde não sairia com vida."
(Excerto do Vol I, Cap. I - Os homens mysteriosos)
Carlos Pinto de Almeida (1831-1899). Escritor português. Distinguiu-se pela produção de romances históricos – género literário em voga na época - onde atingiu projecção de relevo.
Encadernações coevas em meia de pele com ferros gravados a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

29 março, 2023

BONITO (Solus), José -
LITERATURA DE CORDEL (terapeutica racional).
Por... 3.ª espécime: Catadupa de redondilhas e redundancias. (Metros de Fanacaria... nervinos, sedativos, eupneicos e drasticos). 1.º Milhar. Lisboa, Editor e Depositario: E. Silva, Silvas, L.da, 1936. In-8.º (21,5 cm) de 132 p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Arnaldo Ressano Garcia (1880-1947).
Obra humorística em verso - excelente exemplo de literatura contemporânea de cordel. Raro e muito curioso.

"Já Bonito não sou!... Que triste sorte,
A vida, longa assim, nos assegura!
Ver declinar veloz a formosura,
Que desejava ter até à morte!...

Demo não há, nem Deus que reconforte,
Esta minha alma, cheia de amargura.
Pois nem habilidades de pintura,
Conseguem restaurar meu novo porte!

Dizei-me Vós, oh! Velhos, que lograis,
Vos iludir com belos artifícios,
Quais os estratagemas que empregais,

Em que encontrais tamanhos benefícios,
Que só a senectude revelais,
Por mais ocultos e reais indícios?!..."

(Já Bonito não sou... Aos que ainda o são.)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

28 março, 2023

VITERBO, Sousa - A ESGRIMA EM PORTUGAL.
Subsidios para a sua historia. Seguidos de dois tratados, um inedito, de Diogo Gomes de Figueiredo, e outro reeditado, de Thomaz Luiz. Lisboa, Typographia Universal (Imprensa da Casa Real), 1897. In-4.º (23,5 cm) de 84 p. ; B.
1.ª edição independente.
Ensaio histórico e bio-bibliográfico sobre a esgrima em Portugal, trabalho originalmente publicado na Revista Militar, Tomo XLIX.
Tiragem de 50 exemplares fora do mercado.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Manuel de Oliveira Ramos (1862-1931), historiador e professor universitário.
"Não podendo dizer como Camões:
Para servir-vos braço ás armas feito
... ignorando por completo o jogo das armas, limitar-nos-hemos a apresentar este assumpto debaixo do ponto de vista historico e bibliographico. Fique a outros de provada competencia, que não faltam, o tratal-o sob o ponto de vista propriamente technico.
Houve tempo em que a espada e a penna eram emblemas inseparaveis dos homens de algum merecimento e de alguma reputação social. Camões e Cervantes, para não citar senão estes dois luminares da litteratura da peninsula, não são exemplos raros; pelo contrario, são numerosos os escriptores, que manejaram as armas. Fr. Luiz de Sousa, o mavioso cronista de S. Domingos, antes de entrar no claustro, foi um brilhante capitão de cavallaria. Diogo do Couto não se mostrava menos orgulhoso que o auctor dos Lusiadas, quando debaixo da sua effigie punha o seguinte distico:
Exprimit effigies, quod solum in Caesere visum est
Historiam calamo tractat, et arma manu.
Se foi o proprio Couto que dictou os versos, predoêmos-lhe a mentirosa vaidade com que se compara a Cesar, dizendo que só nas mãos do insigne capitão romano se vira cruzar o bastão do commando com o calamo do historiador. D. João de Castro, para não citar senão exemplos da casa, tanto nobilitou o seu nome nas homericas pelejas do cêrco de Diu, como nas paginas dos roteiros, em que tão exuberantemente deixou assignalados os seus conhecimentos nauticos. E que diremos de Lopo de Sousa Coutinho, o pae de fr. Luiz de Sousa? Seria interminavel a lista e quizessemos apontar mais exemplos.
Não seria só práticamente que entre nós, nos antigos tempos, se aprenderia o manejo das armas. Camões immortalisou n'um dos mais bellos episodios do seu poema o cavalheiroso Magriço, o paladino das offendidas damas inglezas. Mas antes do heroe camoneano, real ou poetico, fingido ou historico, as chronicas do tempo apontam nomes de cavalleiros portuguezes que deram provas da sua valentia e da sua destreza, tanto na côrte de Hespanha, como na côrte de França.
Antes do seculo XVI não conhecemos documentos que nos indiquem os nomes dos mestres de armas, e dos tratados da especialidade, quer impressos, quer manuscriptos, tambem não chegou até nós o conhecimento. O livro mais antigo em que se trata da materia, embora indirectamente, é o Leal Conselheiro e a Arte de cavalgar toda a sella, de D. Duarte."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Introducção. | [Catálogo dos mestres de esgrima em Portugal] (XXXII mestres). | Tratado inédito - Memorial Da Prattica do Montante Que inclue dezaseis regras simplez, e dezaseis Compostas. Dado em Alcantara Ao Serenissimo Principe Dom Theodozio q. Ds. g,de Pello Mestre de campo Diogo Gomes de Figueyredo, seu Mestre na ciencia das Armas. Em 10 de Mayo de 1651. [32 Regras: Simples (1) e Compostas (31)] | Tratado das liçoens da espada preta, e destreza, que hão de usar os jogadores della, por Thomaz Luiz, Rey de Armas, natural desta cidade de Lisboa. | Additamento final. | Indice.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falhas de papel. Sem contracapa e grande parte do papel da lombada. Deve ser encadernado.
Raro.
60€

27 março, 2023

BETHENCOURT, Francisco - O IMAGINÁRIO DA MAGIA.
Feiticeiras, saludores e nigromantes no século XVI
. Lisboa, Centro de Estudo de História e Cultura Portuguesa : Projecto Universidade Aberta, 1987. In-8.º (21 cm) de 310, [8] p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B. Colecção Temas de Cultura Portuguesa - N.º 11
1.ª edição.
Capa: Rocha de Sousa. Fotografia da capa tirada por José Pedro Aboim Borges sob autorização do Museu Nacional de Arte Antiga (Detalhe do quadro O Inferno de um anónimo português da primeira metade do século XVI).
Importante estudo sobre magia, bruxaria e feitiçaria no Portugal de quinhentos. Raro e muitíssimo interessante, por certo, com tiragem reduzida.
Livro ilustrado com quadros, tabelas e gráficos, sendo um destes impresso em folha desdobrável.
"A invocação do demónio era uma prática corrente no século XVI: não foram os inquisidores que a inventaram, embora procurem enquadrar os diversos casos de magia neste padrão de comportamento herético. Aliás, o recurso ao demónio pelo homo magnus é algo que se encontra com frequência independentemente do tempo e do espaço. [...]
Estes aspectos encontram-se nas crenças populares portuguesas. Em primeiro lugar, os demónio intrevêm no mundo humano mas vivem separados, num mundo à parte: segundo uma testemunha de acusação que vira fazer um fervedouro a uma feiticeira, «não lhe emtemdeo outra cousa do que asy fallava mamso senão Barzabu e Calldeyrão e quantos diabos na Diabroyra estão». Para além disso, os demónios têm um número finito, uma existência material (ou materializável) e não se podem desdobrar: Margarida Pimenta «muitas vezes os chamava e dezia que lhe não vinham plos terem outras feyticeiras ocupados». [...]
A especialização do mundo infernal, com diabos superiores e inferiores, maiores e menores, tem sido referida por diversos autores, que salientam a analogia entre a organização a corte régia e a organização da corte demoníaca, sendo esta última carcterizada por Marcelin Defourneaux da seguinte maneira: «no cume, Satanás, asistido por Lucifer, Belzebu e Barrabás; depois, Asmodeu, príncipe da luxúria, Leviathan, demónio do orgulho, Belial, patrono dos ciganos, adivinhos e feiticeiros, Auristel, que protege os jogadores e blasfemos. Entre os demónios inferiores, o «diabo manco», Renfa, é o introdutor amável de todos os vícios em que o homem procura o seu prazer».
(Excerto de Invocação e comunicação com o demónio)
Índice:
Introdução - I. Os indícios; 2. Os problemas; 3. O território.
Primeira Parte - As práticas: Capítulo I - O conhecimento das coisas ocultas: 1. O destino individual; 2. O destino colectivo; 3. O paradeiro de pessoas e bens. Capítulo II - O domínio sobre o corpo: 1. A vulnerabilidade dos corpos; 2. Os procedimentos de cura; 3. O controle da natalidade. Capítulo III - O domínio sobre os sentimento e as vontades: 1. A graça; 2. O amor; 3. O aborrecimento; 4. O ligamento; 5. O ódio.
Segunda Parte - As crenças: Capítulo IX - A mentalidade mágica: 1. O simbolismo dos ritos; 2. A relação do homem com a totalidade das coisas; 3. A relação do homem com o homem; 4. O papel do homo magnus. Capítulo V - A demonologia: 1. Magia natural e magia diabólica; 2. Invocação e comunicação com o demónio; 3. O pacto com o demónio; 4. Assembleia nocturna.
Terceira Parte - O espaço dos podres: Capítulo VI - O mágico e o espaço social: 1. Identificação dos mágicos; 2. Um poder ao rés-do-sol; 3. A ambiguidade das atitudes; 4. Conflitos de instituição. Capítulo VII - O mágico e o campo religioso: 1. O mercado dos bens de salvação; 2. A posição do mágico entre os agentes religiosos; 3. O reforço da presença e da acção do clero; 4. A assimilação das periferias. Capítulo VIII - Vigiar e punir: 1. A definição da norma; 2. A repressão em actos; 3. Geografia e cronologia da repressão inquisitorial.
Conclusões a aberturas: 1. A visão mágica do mundo; 2. O modelo de cristianização.
Fonte e Bibliografia. | Anexo. Quadro sinóptico dos mágicos presos pela Inquisição. | Glossário. | Índice dos quadros, mapas e gráficos. | Agradecimentos.
Francisco Bethencourt (n. 1955). "Nasceu em Lisboa, em 1955. Licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em História e Civilização (1992) pelo Instituto Universitário Europeu em Florença, com a tese Les Inquisitions modernes. Foi Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e visiting scholar em diversas universidades, como a Brown University (EUA), e a Universidade de São Paulo (Brasil). Actualmente é Charles Boxer Professor no King's College da Universidade de Londres. Foi ainda Director da Biblioteca Nacional (1996-1998) e Director do Centro Cultural Gulbenkian em Paris (1999-2004).
Dos seus interesses de investigação destacamos história do racismo no mundo atlântico; identidade portuguesa; história do mundo de língua portuguesa; história comparada da expansão europeia; história da Inquisição.
É autor de várias obras, entre outras, O imaginário da magia: feiticeiras, saludadores e nigromantes no século XVI (1987), História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália (Círculo de Leitores, 1994) e Racismos: das Cruzadas ao século XX (Temas & Debates, 2016). Coordenou ainda a colecção História da Expansão Portuguesa (com Kirti Chaudhuri, 5 vols., Círculo de Leitores, 1998-1999) e as obras A Memória da Nação (Sá da Costa, 1991), Racism and Ethnic Relations in the Portuguese-Speaking World (2012), Correspondence and cultural exchange in Europe, 1400-1700 (2013), Portuguese Oceanic Expansion, 1400-1800 (2014), Inequality in the Portuguese-Speaking World Global and Historical Perspectives (2018) e Cosmopolitanism in the Portuguese-speaking world (2018)."
(Fonte: https://www.goodreads.com/book/show/7230762-hist-ria-das-inquisi-es---portugal-espanha-e-it-lia)
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na f. ante-rosto.
Raro.
75€

26 março, 2023

BELCHIOR, Maria de Lourdes -
SEBASTIÃO DA GAMA: POESIA E VIDA.
[Por]... Professora da Faculdade de Letras de Lisboa. Castelo Branco, Câmara Municipal de Castelo Branco, 1961. In-8.º (20,5 cm) de 20, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a vida e obra do poeta azeitonense. Conferência proferida pela autora sobre o malogrado vate no Liceu Nun'Álvares, em Castelo Branco, no dia 26 de Novembro de 1960, a convite da Biblioteca Municipal.
"«Nunca estive tão feliz. Nunca tive tanta confiança na vida. Nunca amei tanto as coisas - e até a doença, benefício e Deus ou continuação de um benefício, aquele que me isolou na Arrábida para nascer Poeta, para escrever o Cabo da Boa Esperança».
Assim se confessava, feliz e poeta, Sebastião da Gama, no verão de 1947. Tinha pronto o Cabo da Boa Esperança: «o meu livro novo que é uma cópia dos meus vinte e dois anos bem merecidos». [...]
O livro novo de Sebastião da Gama era, segundo o poeta, uma cópia dos seus vinte e dois anos bem merecidos; de facto, a palavra cópia é rigorosamente adequada; não conheço, entre os poetas dos nossos dias, caso tão flagrante de ajuste tão certo entre Poesia e Vida. Sebastião da Gama viveu, quotidianamente, hora a hora a sua Poesia; na sua vida não houve fronteiras entre o labor do homem e o labor do poeta; Sebastião da Gama recebia todos os dias, a todo o instante, aquele suplemento de alma que só por momentos é dado a alguns; dir-se-ia que a Vida a encarava sempre, poèticamente, e como o poeta a vivia; não houve divórcio ente a Poesia e Vida, no agir e Sebastião da Gama."
(Excerto da alocução)
Maria de Lourdes Belchior Pontes (1923-1998). "Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1946, e doutorou-se na mesma faculdade em 1953. Criou o Departamento de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e contribuiu para o nascimento da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Em 1996 e 1998, respetivamente, as referidas instituições agraciaram-na com o título de Doutor Honoris Causa. Como ensaísta, salientam-se as suas obras O Estruturalismo (1968) e Os Homens e Os Livros (1971). Como poetisa, escreveu Gramática do Mundo (1985) e Cancioneiro para Nossa Senhora: Poemas para Uma Via Sacra (1988). Desempenhou diversos cargos públicos. Foi presidente do Instituto de Alta Cultura e secretária de Estado da Cultura e Investigação Científica (1974). Lecionou em universidades estrangeiras, como Santa Barbara (Califórnia, Estados Unidos da América) e Sorbonne (França). Foi diretora do Centre Culturel Portugais da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, entre 1989 e 1997."
(Fonte: https://gulbenkian.pt/historia-das-exposicoes/entities/10381/)
Exemplar brochado em bom estado de consetrvação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
15€

25 março, 2023

SANCHES, Vicente -
MISTÉRIO DE AUSCHWITZ OU UM HINO JUDAICO : peça de teatro em doze curtas unidades: doze aforismos teatrais
. [S.l.], [s.n. - Gráfica de S. José - Castelo Branco], 1996 [Imp. 1995]. In-4.º (24,5 cm) de 32, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro algo insólita. Um grupo de judeus do campo de concentração de Auschwitz discute a complacência de Deus para com a sua situação; o mais radical deles - o jovem judeu - apunhala a sua amada, de que vai resultar um caso de hipermnésia - o seu - levando-o a fazer algo que não queria, cumprindo dessa forma a última vontade da jovem.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Norberto Ávila (1936-1922), dramaturgo, romancista, contista e poeta português.
"Ainda antes de o pano se erguer, ergue-se uma voz  adverte - que todas as cenas da peça, a que iremos assistir, se passaram em Auschwitz.
No campo de concentração de Auschwitz.
Em mil novecentos e quarenta e quatro.
Durante uma hora, porventura, de possível distracção dos guardas.
O pano sobe.
No palco, um pequeno grupo de judeus. Homens e mulheres. Sete ou oito. Ou nove ou dez. Nunca mais, em todo o caso, que doze ou treze."
(Excerto de Mistério de Auschwitz... - I/II)
Vicente Sanches (n. 1936). "Nasceu em Castelo Branco, a 7 de Junho de 1936. Professor do ensino secundário, tem vindo a publicar, desde 1958, uma copiosa obra dramatúrgica, de que só uma reduzida parte tem logrado o acesso ao palco e que se caracteriza por uma curiosa fusão da dialéctica pirandeliana do ser e das aparências com a ambiguidade do moderno teatro do absurdo, levada nas suas peças mais recentes a um grau de explosiva incandescência. A peça O Passado e o Presente (1971), que o autor classificou de «comédia insensata de gémeos», em três actos foi adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira. A Birra do Morto (1973) é porventura a sua obra de maior ressonância e significado."
(Fonte: https://www.goodreads.com/author/show/5251099.Vicente_Sanches)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

24 março, 2023

NAVIO GIL EANNES : ANO DE 1955
. Viana do Castelo, Edições À Bolina, 2015. In-8.º (21 cm) de 32 p. (inc. capas) ; il. ; B. Col. À Bolina - Folheto Num. 4 
1.ª edição. 
Folheto de reputadíssimo interesse para todos aqueles que se desejam informados sobre as ressonâncias que teve na imprensa lusa a entrega deste navio hospital, a 20 de Março de 1955, reservado ao amparo do corpo e da alma dos intrépidos pescadores do bacalhau nos mares da Terra Nova e da Gronelândia : aqui se informa de quais os relatos produzidos pelos seguintes jornais: Notícias de Portugal, Diário de Notícias, Comércio do Porto, Notícias de Viana, O Século e Diário Popular. 
Homenagem ao navio hospital Gil Eannes, durante décadas o amparo da frota bacalhoeira portuguesa na Faina Maior, nas gélidas águas da Terra Nova e Gronelândia.
Livro ilustrado com reprodução dos artigos que noticiaram o bota-abaixo do Gil Eannes, nos ENVC, em 1955.
Tiragem: 750 exemplares em papel reciclado brando - 90 grs. e capa em cartolina kraft - 240 grs.
"O Navio Hospital Gil Eannes foi construídos nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo em 1955 tendo como missão apoiar a frota bacalhoeira portuguesa nos mares da Terra Nova e Gronelândia.
Embora a sua principal função fosse prestar assistência hospitalar a todos os pescadores e tripulantes, o Gil Eannes foi também navio capitania, navio correio, navio rebocador e quebra gelos, garantindo abastecimento de mantimentos, redes, isco e combustível aos navios da pesca do bacalhau."
(Excerto do preâmbulo - Memória viva do passado marítimo)
Índice:
Memória viva do passado marítimo. | Ecos da imprensa a propósito da conclusão e entrega do navio Gil Eannes: Notícias de Portugal - Modernos estaleiros; Diário de Notícias - Nem o mau tempo arrefeceu entusiasmos; Comércio do Porto - A bênção da capela foi o primeiro acto; Notícias de Viana - Discursos vibrantes; O Século - O Navio-Apoio "Gil Eanes" e o novo bacalhoeiro "S. Tiago" receberam ontem o baptismo do mar numa cerimónia que teve carácter nacional, embora o mau tempo prejudicasse o seu brilho; Diário Popular - O Chefe da Nação visita o Gil Eannes. | Particularidades do navio Gil Eannes e dos ENVC.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

23 março, 2023

QUEIROZ, Teixeira de - D. AGOSTINHO.
Por... Comedia Burgueza
. Lisboa, Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 1894. In-8.º (19 cm) de 338, [2] p. ; E.

1.ª edição.
Rara edição original do terceiro volume da série naturalista «Comédia Burguesa», e um dos mais notáveis romances do autor.
"Palmyra estava só e triste. Enterrada na poltrona, a pequenina e airosa cabeça entre as mãos constelladas de anneis, esperava anciosamente seu marido. Pouco antes estivera ali a condessa de Franzuella a dispol-a para a dolorosa noticia. As reticencias, as consolações vagas, as esperanças sem horisonte deixadas nas suas palavras, fizeram-lhe peor, tornaram-na excessivamente nervosa. O ranger das botas de Sallustio despertou-a. Quando elle entrou, aquelle seu aspecto convencional de tristeza deu-lhe logo a ideia de que tudo estava perdido. Agarrando-se-lhe freneticamente ao pescoço, perguntou n'uma explosão soluçante:
- Então?...
Sallustio beijou-a amoravelmente na testa, desprendeu-a do seu pescoço, acompanhou-a até ao sophá e, sentando-a a seu lado, disse n'uma voz resignada, designando-lhe o ceu com o olhar:
- Aquelle está melhor que nós
- Morreu! - exclama. Ai! meu querido pae! Tudo está acabado entre nós!
Atirou-se ao troco do marido como a um arrimo. O soluçar doloroso e sentido entrecortava-lhe as palavras de recordação e amor. Eram coisas da infancia, do tempo em que ella já não tinha mãe. Durante a vida, elle, seu pae, nunca tivera outra preocupação, outro pensamento, que não fosse o bem estar, a felicidade de Palmyra. Trabalhou sá para ella, dedicou-se-lhe absolutamente, como humilde escravo d'um sentimento affectuoso e enorme."
(Excerto do Cap. I)
Francisco Teixeira de Queiroz (Arcos de Valdevez, 1848 - Sintra, 1919). “Romancista e contista, Francisco Teixeira de Queirós licenciou-se em Medicina, tendo ocupado diversos cargos públicos, entre os quais o de deputado, de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de ministro dos Negócios Estrangeiros, neste caso em 1915. Chegou a ser presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Fundou em 1880, com Magalhães Lima, Gomes Leal e outros, o jornal «O Século», tendo também colaborado nos periódicos «O Ocidente», «Revista de Portugal», «Revista Literária», «Arte & Vida», «Ilustração Portuguesa», «A Vanguarda» e «A Luta», entre outros. Em 1876, publicou o seu primeiro romance, «Amor Divino», com o pseudónimo de Bento Moreno, que viria a usar em outros livros. A sua vasta obra está repartida em dois grupos: «Comédia de Campo» e «Comédia Burguesa», imitando assim a «Comédie Humaine», de Balzac, um dos seus mentores. Durante cerca de 40 anos, reformulou o seu plano e a sua doutrinação literária sobre o romance, procurando incansavelmente aplicar o seu programa realista-naturalista de base científica. Cultivou uma escrita de feição realista, fazendo uma crítica constante à alta sociedade lisboeta, evidenciando os seus costumes, os seus modos de agir e de estar perante a sociedade portuguesa em geral. Em algumas das suas obras, por outro lado, retrata de uma forma carinhosa e saudosa os seus tempos de infância, vividos na quietude da sua terra natal.”
Encadernação recente inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€

22 março, 2023

SALINAS DE RIO MAIOR : Sal sem Mar
. [S.l.], Edição da Camara Municipal de Rio Maior, 1956. In-8.º (21 cm) de 4 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto curioso de promoção às Salinas de Rio Maior, oito séculos de história e tradição na extracção salineira.
"As Salinas de Rio Maior são uma das maiores atracções turísticas do Ribatejo. Situadas junto à Serra dos Candieiros, a cerca de 30 quilómetros do Mar e à mesma distância do Rio Tejo, constituem uma maravilha da natureza.
Quem passe na Estrada Nacional n.º 1, do Alto da Serra dos Candieiros, vislumbra ao fundo no formosíssimo vale Tifónico de Rio Maior as mais belas Salinas de Portugal, únicas no género e que poduzem o mais rico e fino sal, com a percentagem de 96% de cloreto de sódio.
Todos os visitantes se sentem encantados ao visitar o local das famosas Marinhas de Sal sem Mar, onde o cenário, o pitoresco dos trajos, dos usos, das casas, se aliam para uma agradável impressão de beleza.
A pouco mais de 2 quilómetros de Rio Maior localizam-se as Salinas,  servidas por uma boa estrada de macadame (actualmente em obras de alcatroamento), situadas num vale fértil, no meio de um revestimento vegetal diverso e abundante, pinhais, vinhas, olivais, terras de semeadura.
As Salinas são constituídas por um poço, pelos talhos, pelas eiras, pelos esgoteiros e pelas casas de madeira para armazenagem de sal. O poço localiza-se no meio e a água era dele tirada por duas picotas ou cegonhas, que foram substituidas à pouco por um motor.
Quem no verão chegue ao ,local onde se estendem reluzentes esses talhões, salpicados de curiosas pirâmides, fica na realidade impressionado. Terra por todo o lado e do lado do poente a Serra dos Candieiros, a impossibilitar a hipótese de um braço de mar."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
15€

21 março, 2023

SAMODÃES, Conde de - O MEZ DOS FINADOS.
Meditações para todos os dias do mez de novembro. Com approvação do Ex.mo e Rev.mo Snr. Cardeal Bispo do Porto. Porto, Editor - José Fructuoso da Fonseca, [1888]. In-8.º (18,5 cm) de 224 p. ; E.
1.ª edição.
Obra dedicada pelo Conde de Samodães ao Cardeal Dom Américo, Bispo do Porto.
Segundo o autor, trata-se de "um manual de exercicios para suffragar as almas", ideia e desígnio imperioso por, segundo ele, nesse ano de 1888, "ter visto partir d'este  mundo pessoas que muito amava e a que me uniam laços apertados", representando o "manual" um meio de "procurar consolações".
"O anno quinquagessimo do sacerdocio de Sua Santidade o Papa Leão XIII, felizmente reinante, no meio dos jubilos e festas que o anniversario da ordenação do Supremo Hierarcha despertou em todo o orbe catholico, não se esqueceu o Pastor Maximo, das almas, que expiam as suas culpas no logar que a divina Providencia destinou para a purificação.
Declarando santos alguns dos mais vigorosos e denodados athletas da fé e das virtudes heroicas, o Santo Padre quiz tambem que se aliviassem por modo especial as almas dos que morreram na paz do Senhor. Assim um dia para geral expiação em toda a terra, dispensando todos os ritos, para que a missa da ultima dominga de setembro fosse para suffragar as almas do Purgatorio, sendo todos os altares privilegiados n'esse dia. A caridade ardente, que inclinou o animo do Chefe visivel da Egreja para aquelles que soffrem as penas da expiação, querendo que elles tambem participassem dos jubilos, que vão no mundo, por occasião do jubileu sacerdotal, faz voltar singularmente as attenções para o exercicio salutar e caridoso de implorar a divina Misericordia em favor dos fieis, que nos precederam no derradeiro trajecto."
(Excerto da Introducção)
Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar, 2.º Visconde e 2.º Conde de Samodães (Vila Nova de Gaia, 26 de Julho de 1828 - Porto, 4 de Outubro de 1918). "Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, Professor, Engenheiro Civil e Militar, Presidente da Câmara Municipal do Porto. Foi também um conhecido escritor. Em 1851, como resultado da oposição ao golpe militar liderado pelo duque de Saldanha, foi demitido do exército. Eleito deputado pelo círculo de Lamego em duas legislaturas (1851 e 1857), ascendeu em 1858 à Câmara dos Pares por direito de sucessão a seu pai. Foi Governador Civil do Porto (1868-1869 e 1871) e ministro dos Negócios Fazenda (1868-1869), no governo presidido pelo marquês de Sá da Bandeira. Membro fundador do Partido Nacionalista, a sua atuação revelou-se preponderante, tendo sido eleito vice-presidente do Centro Nacional do distrito do Porto (1902) e vice-presidente do Centro Eleitoral Nacionalista do Porto (1903). Desempenhou ainda funções de inspetor da Academia das Belas-Artes, de presidente da Associação Católica do Porto e de provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Foi presidente da direção da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal, presidente da Sociedade Camoniana, presidente da Sociedade de Estudos e Conferências e fez parte do Conselho Superior de Instrução Pública e da Comissão Promotora do V Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique. Colaborou em diversos jornais e revistas, tendo sido fundador e diretor do diário portuense A Palavra."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação simples em meia de percalina com título colado na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas cansadas, com defeitos.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

20 março, 2023

FERREIRA (Repórtex X), Reinaldo -
MEMÓRIAS DE UM EX-MORFINÓMANO.
Volume I. (Reportagem vivida nos mistérios dos alcalóides)
. [Porto], Edição Maranus, 1933. In-8.º (18 cm) de 212, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Capa assinada M. Guimarães - XXX III.
Edição original das memórias de Reinaldo Ferreira - o Repórter X.
Este volume I é tudo quanto foi publicado de um plano de obra previsto para dois volumes. Após a publicação do presente, o autor recaiu no consumo de drogas, e à degradação física sobreveio a morte, não chegando a cumprir o plano, encontrando-se, no entanto, discriminado no final do livro o sumário do volume II, o tal que não conheceria a luz do dia.
"É hoje!
Acordo em sobressalto! Mesmo antes de despertar - um sonho me alviçarou que era hoje; um sonho com contorções e desesperos de pesadelo: seringas que se quebravam nas mãos, agulhas que me fugiam por entre os dedos, frascos de droga que se esvasiavam, por diabólico ilusionismo - no próximo instante da picada.
Hoje! Já! Mas eu sinto que não queria que fôsse hoje! Queria que fôsse amanhã, um amanhã indefinido, um amanhã absolutamente amanhã - daqueles que nunca chegam... E tanto assim - que ontem, véspera de hoje, quando hoje era ainda um amanhã - não me confrangia tanto a ideia do meu internamento - da minha cura. Pelo contrário: basofiava de animoso e com pimponice de valente, afirmando a decisão enérgica de desenclavinhar da carne, do sangue, dos nervos, do espirito, as garras veludosas de quatro anos de morfinomismo."
(Excerto de I - Hoje!)
Índice:
Dedicatória: «Á Carminho...» . | I Parte: Um dia de juizo... entre loucos... I - Hoje! II - O «amanhã» dos morfinómanos. III - Sonambulismo. IV - O pavilhão amarelo. V - Os primeiros gritos. VI - A tragédia do professor F... VII - A senhora que deu o filho ao Diabo. VIII - O cão que era morfinómano. IX - A que espreitou o inferno. X - A insónia. II Parte: Como se começa... I - Os preguntadores. II - Os narcóticos através da história. III - A invasão da morfina. IV - Os que começam para morrer. V - Os «involuntários» ou a culpa dos médicos. VI - Um opionómano... por espirito de contradição. VII - Como começou Claude Farrére. VIII - «Chantage» de morfina e de amor. IX - O caso de M.me M... X - O éter, por equivoco. XI - O segrêdo das bisnagas carnavalescas. XII - A camaradagem do escultor R... B... XIII - Quem lançou a «coca» em Portugal XIV - A que se estreou... com açúcar. XV - O que não sabe como foi. XVI - A mendiga morfinómana. XVII - Os hiper-satisfeitos. XVIII - Por ser chic... XIX - Aquele casal de médicos... XX - O caso das «Amostras sem valor».
Reinaldo Ferreira (1897-1935). "Nasceu em Lisboa a 10 de agosto de 1897. Em 1914, ingressou na redação d’A Capital, onde deu os primeiros passos no jornalismo. A propensão para o insólito, para o espetacular, levou-o a tornar-se também um verdadeiro mestre da literatura policial. Em 1919, casou-se e passou um ano em Paris, antes de se radicar em Espanha, onde, além do jornalismo e da ficção, desenvolveu outra vertente do seu talento multifacetado: o de realizador de cinema. Em rota de colisão com o regime de Primo de Rivera, em 1924 teve de regressar a Portugal para não ser preso, passando a colaborar com várias publicações de Lisboa, primeiro, e do Porto, a seguir. Data dessa altura a gralha tipográfica que ditou o pseudónimo Repórter X, com que assinou algumas das prosas mais sensacionais da sua carreira tão breve quanto prolífica. Intenso por natureza, Reinaldo consumiu a vida com a avidez da paixão que faz perder os heróis trágicos. Tendo encontrado na morfina um bálsamo para males de amor e combustível para a criação, ex-morfinómano se confessou num belo livro de memórias, para logo depois reincidir no velho hábito, que destruiu o pouco que lhe restava da saúde débil. Morreu aos 38 anos, em Lisboa, a 4 de outubro de 1935."
(Fonte: http://pim-edicoes.pt/reinaldo-ferreira-reporter-x/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos.
Muito raro.
Peça de colecção.
45€

19 março, 2023

MARTINS, General Ferreira - O PODER MILITAR DA GRAN-BRETANHA E A ALIANÇA ANGLO-LUSA.
Conferência realizada na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, em sessão solene do Instituto de Coimbra, de 29 de Abril de 1938. Coimbra, Separata do Instituto de Coimbra, vol. 94, 1938. In-4.º (24 cm) de [4], 78, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante resenha histórica da aliança "mais antiga do mundo" - Portugal-Inglaterra - por ordem cronológica, de D. Fernando I (1373) até às negociações bilaterais entre os dois países, com o triângulo estratégico Lisboa-Cabo Verde-Açores na agenda, pouco tempo antes da deflagração da Segunda Guerra Mundial.
De salientar o espaço dado pelo autor na sua alocução à participação de Portugal na Grande Guerra e à cooperação luso-britânica no conflito, destacando-se os seguinte capítulos:
- A Grande Guerra. - Os primeiros cem mil. - Os exércitos de Sir Douglas Haig. - A marinha e a aviação britânicas. - Portugal na Grande Guerra. - Os portugueses na Flandres. - 1918: A Vitória. - A Paz de Versailles. - O período experimental. - As infracções ao Tratado de Paz.
"Em 7 de Agôsto de 1914, três dias depois de ter a Gran-Bretanha entrado decididamente na luta, Portugal fazia saber ao mundo, pela voz do Presidente do seu Govêrno, perante o Congresso da Rèpública, que estava disposto a cumprir «os deveres da aliança que livremente contraímos e a que em circunstância alguma faltaríamos». [...]
Foi preciso que, em Fevereiro de 1916, e ainda por solicitação expressa da nossa aliada, apreendessemos todos os navios inimigos que se encontravam ancorados em todos os portos portugueses, para que o adversário, tomando êsse acto como casus belli, declarasse a guerra a Portugal em 9 de Março seguinte, data a partir da qual cessava perante o mundo a pseudo-neutralidade portuguesa."
(Excerto de Portugal na Grande Guerra)
"Segui-se, em Janeiro de 1917, o envio das primeiras tropas portuguesas para França, a que outros contingentes se sucederam, para constituirem o Corpo Expedicionário Português (C. E. P.) que ia bater-se ao lado dos aliados, na frente ocidental da Europa. [...]
Desde então, passaram portugueses e britânicos a compartilhar, na Flandres, das mesmas tristezas e amarguras - como das mesmas alegrias - de que já vinham comparticipando na costa oriental de África, onde igualmente se batiam, contra o mesmo adversário terrível, tropas brancas e negras das duas nações aliadas."
(Excerto de Os portugueses na Flandres)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Indisponível

18 março, 2023

RAMOS, Mario Paredes - ANTÓNIO FRANCISCO BARATA : notícia bio-bibliográfica com alguns inéditos. [S.l.], [s.n. - Edição do Autor - imp. Tip. de Ventura Cardoso, Cucujães - O. de Azeméis], 1945. In-8.º (22 cm) de 55, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910), conhecido dramaturgo e romancista autodidacta. Inclui reprodução da sua correspondência, relacionada sobretudo com a sua produção bibliográfica.
Livro ilustrado com um retrato do biografado em extra-texto.
Publicação restrita a 250 exemplares, numerados e rubricados pelo autor.
Duplamente valorizado pela sua dedicatória autógrafa na f. ante-rosto ao insígne historiador ilhavense Dr. António da Rocha Madahil.
António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910). "Erudito, publicista, escritor, historiador e grande observador dos costumes nacionais. Órfão e sem recursos, iniciou-se na vida profissional como aprendiz de barbeiro em Coimbra. Espírito curioso e amante da leitura, o contacto com os lentes da Universidade, que frequentavam a barbearia onde trabalhava, determinaram a sua formação de autodidacta. Aos 24 anos publicou a primeira obra, sob o título, Lucubrações de Um Artista (1860), que reunia algumas composições poéticas. No ano seguinte (1861) dava à estampa a Breve memória histórica acerca da velha Coimbra, arrasada por Ataces e Remismurado, e da fundação ou edificação da actual Coimbra; em 1862 um drama em quatro actos, A Conquista de Coimbra; e em 1863, as Novas Lucubrações de Um artista. Trabalhador infindável e polemista vigoroso, é extensíssima a sua obra dividida em vários géneros literários, tendo firmado alguns dos seus escritos com os pseudónimos de D. Bruno da Silva e Bonifaciano Tranca Ratos, este adoptado em polémicas e em assuntos que se prestavam à ironia. Colaborou com os vários periódicos existentes em Évora, Elvas, Estremoz, Barcelos e Coimbra. A sua bibliografia é bastante vasta, pois era profundo conhecedor dos costumes e história da região de Évora, dedicando à cidade a sua vida e erudição, através de ensaios de história e arqueologia. Escreveu romances históricos como O Manuelinho de Évora (1873), fez recolha de composições para o Cancioneiro Quinhentista (1902), que se pretendia a continuação do de Garcia de Resende. Colaborou também no Dicionário Heráldico e no Dicionário Espanhol-Português e Português-Espanhol de Figanière (1879). Espírito empreendedor, foi fundador da «Typographia Minerva», inicialmente situada na Praça de Giraldo, nº 40 e 41. Nos primeiros anos do século XX, já velho e doente, ainda produziu algumas obras: Évora e seus arredores (1904), Évora Antiga (1909), e Homenagem de Évora a Alexandre Herculano (1910). Nos últimos anos da sua vida, procurou deixar uma bibliografia de toda a sua produção, Escritos e Publicações de António Francisco Barata - 1866-1908. Personalidade controversa para muitos seus contemporâneos, a verdade é que foi um homem singular."
(Fonte: http://bdalentejo.net/conteudo_a.php?id=103)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

17 março, 2023

CORREIA, Fernando - Á SOMBRA DE ESCULAPIO.
Revista de costumes de Coimbra, ligados com a vida de estudantes de medicina de MCMXI a MCMXVII. Coimbra, Moura Marques : Livraria Editora, [1917?]. In-8.º (19 cm) de 205, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça em 4 actos levada à cena por estudantes de medicina da Universidade de Coimbra, por certo, com tiragem reduzida.
Ilustrada extra-texto com uma fotografia de grupo.
"Esta peça não foi escrita para se imprimir.
Fique isto desde já sabido, para poupar tempo aos criticos que, sendo trabalhadores, teem por ahi muito em que entreter suas argucias e adjectivos. [...]
Alguns rapazes lembraram-se de que a peça devia ser publicada. Opuz-me sem falsa modestia, porque a escrevera de afogadilho e porque, alem de todos os defeitos, tinha o de ser bastante pessoal e por isso interessar apenas quem conhecesse o meio e a epoca que forneceram assunto para ela.
Insistiram, sob o pretexto de que era uma recordação com que ficavamos do nosso tempo. O Moura Marques que para esta festa já tanto nos auxiliara, oferecendo-nos scenarios para dois actos, propôs-se tratar da edição, sem d'ela querer tirar quaesquer lucros."
(Excerto do preâmbulo - A quem lêr)
Fernando da Silva Correia (1893-1966). "Médico higienista, professor e polígrafo português nascido a 20 de maio de 1893, no Sabugal, distrito da Guarda. Filho do etnógrafo e advogado Joaquim Manuel Correia, formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, em 1917. [Foi mobilizado para o Corpo de Artilharia Pesada Independente, constituído para apoiar o exército francês. O jovem médico partiu de Lisboa a 10 de Janeiro de 1918 e desembarcou em França a 14 de maio de 1919]. Em 1920, frequentou o curso de Medicina Sanitária e, em 1921, concluiu o curso de Hidrologia, em Lisboa. Em 1919, abriu um consultório médico nas Caldas da Rainha e, em 1921, foi designado médico municipal e delegado de saúde, funções que ocupou até 1934. Nesse ano, foi nomeado Inspetor da 3.ª Área da Saúde Escolar para os distritos de Castelo Branco, Guarda, Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro, e iniciou a sua carreira docente como professor de Administração Sanitária, Estatística Sanitária, Higiene Social e Assistência Social e Demográfica no Instituto Central de Higiene Dr. Ricardo Jorge, do qual foi diretor de 1946 a 1961. Entre 1935 e 1957, foi também docente no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, lecionando Profilaxia das Doenças Venéreas, Legislação Sanitária e História da Assistência.
Fernando da Silva Correia empenhou-se a divulgar os preceitos de higiene e educação junto das classes populares, sobretudo junto das mães e das classes menos favorecidas. Para além disso, teve um importante papel na área da Educação Física, defendendo uma orientação educativa e denunciando os malefícios dos desportos violentos. O seu trabalho como polígrafo conta com vários títulos dos quais se destaca O ABC das Mães (1930), Breviário de Higiene Moral (1931), A Educação Física e a Medicina em Portugal (1935), Origens e Formação das Misericórdias Portuguesas (1944) e Origens, Evolução e Conceito da Higiene Moderna (1950). Revelando-se um homem culto, escreveu ainda peças de teatro, como A Máscara (1915) o romance Vida Errada (1935) e várias biografias sobre diversas personalidades, tais como Arruda Carvalho, Ricardo Jorge, rainha D. Leonor, entre outras. Fernando da Silva Correia faleceu a 19 de dezembro de 1966, em Lisboa."
(Porto Editora – Fernando da Silva Correia na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2023-03-10 12:53:22]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$fernando-da-silva-correia)
Foi mobilizado para o Corpo de Artilharia Pesada Independente, constituído para apoiar o exército francês. O jovem médio partiu de Lisboa a 10 de Janeiro de 1918 e aí desembarcou a 14 de maio de 1919.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeito.
Raro.
45€

16 março, 2023

SOLJENITSINE, Alexandre - ARQUIPÉLAGO DE GULAG. Volume I [e II]. Tradução directa do russo de Francisco A. Ferreira... [I]. Tradução do francês de Leónidas Gontijo de Carvalho... [II]. Amadora, Livraria Bertrand, 1975-1977. 2 vols in-8.º (21,5 cm) de 509, [1] p. e 604, [8] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"Arquipélago: conjunto de numerosas «ilhas» onde viviam, perfeitamente isolados do resto do mundo, os prisioneiros de um certo regime político. GULAG: palavra de origem russa que significa «Administração Geral dos Campos». Campos por onde passaram os sessenta e seis milhões - segundo o autor - de prisioneiros do regime. Arquipélago de GULAG: crónicas políticas escritas por um Prémio Nobel da Literatura e baseadas na sua própria experiência pessoal e no testemunho de outros duzentos e vinte e sete antigos detidos."
(Excerto do resumo da obra)
Livros ilustrados a p.b., no texto e em extratexto.
Alexander Soljenitsin (1908-2008). Escritor russo, mundialmente conhecido por, através da sua obra maior - Arquipélago de Gulag -, denunciar o regime soviético e a sua política de "educação" nos tristemente célebres campos de trabalhos forçados - os GULAG.
"Uma carta dirigida [por Soljenitsin] a um amigo, em que expressa as suas opiniões sobre Estaline, leva-o à prisão e é condenado a trabalhos forçados. [...] Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura, mas receando que lhe interditassem o retorno ao país, não foi recebê-lo a Estocolmo. Pouco depois da publicação de "O Arquipélago de Gulag" em Paris, em 1974, é preso, julgado por traição e, finalmente, condenado ao exílio."
(Fonte: Wook)
Exemplares brochados em bom estado de conservação; o 1.º volume apresenta rubrica de posse na guarda anterior, e dedicatória no verso da mesma folha.
Invulgar.
45€

15 março, 2023

CARVALHO, Henrique Martins de - O HOMICÍDIO POR DINHEIRO NA HISTÓRIA DO DIREITO PENAL. Colecção «Scientia Ivridica». Braga, Livraria Cruz, 1958-1959. In-4.º (24,5 cm) de 71, [1] p. ; B. Separata da revista Sciencia Ivridica, tomos V, págs 540 e seguintes, VII, págs 426 e seguintes, e VIII, págs 332 e seguintes.
1.ª edição independente.
Curiosíssimo estudo histórico-jurídico, pioneiro na época. De acordo com o autor, sobre este tema, não existiriam referências no direito nacional e internacional.
"Eu não sei se Hobbs tem razão. Mas a verdade é que, desde que existem sobre a Terra, os homens se matam uns aos outros. - Talvez, por isso, têm sempre algum interesse os estudos sobre homicídio.
A investigação histórica é porém das tarefas mais difíceis que em direito penal se podem empreender e tem ainda a dificultá-la, entre nós, o facto de os penalistas se ocuparem quase exclusivamente do direito positivo.
Ora o homicídio por mandato remunerado - crime ao qual a nossa tradição jurídica, como veremos, por vezes chama «assassínio» - não foi objecto de qualquer trabalho em Portugal e a sua evolução histórica creio não ter sido abordada, até hoje, em país algum."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. | I - O problema. II - O homicídio por dinheiro nas fontes do direito antigo. III - O homicídio por dinheiro na legislação geral, nos tratadistas e nos comentadores até às tentativas de reforma do livro quinto das Ordenações. IV - O homicídio por dinheiro nas reformas da legislação penal do século XIX. Os códigos penais. | Apêndice.
Henrique de Miranda Vasconcelos Martins de Carvalho (1919-1993). "Ministro da saúde e assistência de Salazar de 14 de Agosto de 1958 a 4 de Dezembro de 1962. Político, professor e diplomata português. É o relator do Parecer da Câmara Corporativa sobre o acordo de associação com a CEE, de 1972. Ensina direito internacional no ISCSPU e está ligado ao processo de formação das universidades privadas portuguesas, destacando-se nas Universidades Livre, Lusíada e Internacional. Em 25 de Abril de 1974 era o director do vespertino A Capital, tendo José Júlio Gonçalves como subdirector."

(Fonte: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/classepolitica/carvalhohmartins.htm)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas por acção da luz, com pequenos defeitos marginais.
Raro e muito interessante.
Com interesse histórico.
A BNP tem apenas um exemplar recenseado na sua base de dados.
20€

14 março, 2023

SCHMIDT, Affonso - ZANZALÁS.
[Uma novela de tempos futuros]
. São Paulo, Edição «Spes», 1938. In-8.º (19 cm) de 143, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance, obra de referência da ficção científica brasileira, antes publicado parcialmente (1928) e em forma de folhetim (1936), sendo muito invulgar esta primeira edição em livro.
"Dentre muitas peças resgatadas do passado para a memória da ficção científica brasileira, Zanzalá, do importante jornalista, romancista e poeta Afonso Schmidt (1890/1964), é uma das que se destacam. Não tanto por sua qualidade nos protocolos do gênero, mas por seu pioneirismo histórico e por suas virtudes literárias.
Foi publicada completa pela primeira vez em 1936 no "Suplemento Literário" de O Estado de S. Paulo, mas sua estreia aconteceu de fato em 28 de fevereiro de 1928, na forma de um pequeno conto publicado no mesmo jornal, que veio a compor o primeiro capítulo da obra. Zanzalá somente foi publicada em livro em 1938, pela Editora Spes."
(Fonte: http://almanaqueafb.blogspot.com/2015/02/zanzala-afonso-schmidt.html)
"Zanzalá é um livro de ficção científica anticolonial escrito pelo autor cubatense Afonso Schmidt em 1928. Trata-se de um exemplo dos primórdios da ficção científica brasileira. Já recebeu homenagens tais como o nome da região de Zanzalá em São Bernardo do Campo, o grupo Coral Zanzalá e a Revista Zanzalá de ficção científica brasileira. O nome Zanzalá significa "flor de Deus" em árabe (زَهْرَة الله, ou zahra Allah).
O livro se passa na região da Serra do Mar, em direção ao litoral: uma cidade fictícia e hipertecnológica chamada Zanzalá. O mundo foi completamente destruído pela segunda guerra mundial, e a cidade de Zanzalá acaba sendo refúgio para a população de vários locais do mundo. O autor retrata a população da cidade como sendo extremamente culta, dada às ciências e à arte, com um grande investimento público nessas áreas; contava com diversos curadores musicais e cientistas. Eram também elevados moralmente, de maneira que não reconheciam o uso da guerra e da violência.
A história acompanha a vida de Zéfiro e Tuca, um casal de namorados que vive na cidade. Tuca recebe a notícia dos médicos de que irá morrer em breve. Os dois então se juntam para tentar encontrar algum meio de reverter esse destino, recorrendo tanto à recursos científicos quanto religiosos e espirituais."
(Fonte: Wikipédia)
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a António Ferro (1895-1956), conhecido escritor e jornalista português, grande dinamizador da política cultural do Estado Novo.
"Como será a existencia daqui a cem annos? A julgar pelo que ella foi ha um seculo, deverá ser muito differente. Pode-se tambem levar em conta que a evolução daqui para a frente se operará com maior rapidez do que do passado até nossos dias. Ha factores que representam um grande papel: o encurtamento das distancias, o progresso inacreditavel da sciencia, a tendencia que se accentúa cada vez mais para a simplificação da vida.
Se fossemos a observar apenas os primeiros factores, poderiamos prever para 2040, por exemplo, uma human idade inteiramente absorvida pela machina, completamente dominada pelas forças subtis da natureza que sempre procurámos escravisar, e que acabariam escravisando-nos. [...]
Escrevi estas paginas pensando no bom sorriso dos meus collegas de amanhan; deve ser o mesmo que eu esboço ao ler os meus collegas do passado. Felizmente para mim e para elles esta novella ficará perdida no mar das novellas que tiveram a ventura de não sobreviver á sua epoca."
(Excerto do preâmbulo)
"Se um cidadão de 1940 resuscitasse hoje do esquecido cemiterio do Saboó, onde os antigos santistas enterravam os seus mortos, e fizesse o trecho de estrada que vai ter á raiz da serra de Paranapiacaba, ser-lhe-ia bem difficil reconhecer o scenario que, certamente, lhe foi familiar naquelles priscos temos. [...]
O Zangalás hoje é um immenso funil; o lado esquerdo (de quem sobe) começa logo depois do Cubatão, num outeiro que se liga a morros e morros até perder-se na muralha sempre azulescente da serra; o outro lado começa em Piassaguera e logo se apruma em desfiladeiros cortados pelas duas grandes avenidas a que alludimos. A parte central é constituida por uma planicie trianguilar que, espremida entre montanhas vai afinando e subindo á proporção que penetra pela serra dentro. Esse valle, ha cem annos, era coberto de bananaes. Quando o Zanzalás chega - sempre num leve aclive - ao alto da serra, já não passa dum simples vallo com o seu fio de agua no centro, sobre o qual florecem em todas as estações os ultimos  lyrios do brejo. Mas quem dalli olha para baixo vê duas muralhas fugirem uma de cada lado, deixando no meio aquella planicie azul na qual caberia uma série de cidades.
Ao centro, ergue-se uma pyramide verde, com uma gotta de luz no tope.
Esse monumento, que se acha mais ou menos em frente ao segundo patamar da serra, tem a sua historia. Muitos pensarão que elle foi construido inteiramente pela mão do homem, como os do Egypto. É um engano. Já existia mais ou menos assim, em outros tempos; era um morro como os demais que os viajantes viam da janella do trem de ferro. De uma pyramide apresentava apenas as linhas principaes e o resto era corrigido pela fantasia dos observadores. Foi para commemorar o anno 2.000 que os santistas levaram a effeito a idéa de transformal-o, de facto, numa pyramide."
(Excerto do Cap. I - No seculo da simplicidade)
Affonso Schmidt (Cubatão, 1890 - São Paulo, 1964). "Foi um jornalista, contista, romancista, dramaturgo e ativista anarquista brasileiro. Em Cubatão fundou o jornal Vésper, e na cidade de São Paulo fez parte da redação dos importantes periódicos libertários, A Plebe e A Lanterna, ao lado de figuras lendárias do movimento anarquista brasileiro como Edgard Leuenroth e Oreste Ristori. Ocupou ainda posições na redação dos jornais Folha e O Estado de São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro, fundou o jornal Voz do Povo, que a seu tempo tornou-se o órgão de imprensa da Federação Operária. Foi diversas vezes preso por expressar o que pensava. Ganhou destaque também pelas diversas campanhas que realizou contra o fascismo e o clericalismo, através de panfletos ou de livros, peças teatrais e artigos de jornais. Escrevendo intensamente por toda sua vida, foi autor de uma vasta obra poética e literária reunida em mais de quarenta livros. Envereda por crônicas históricas, e fantasia, sendo também um pioneiro da ficção científica no Brasil."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, com uma ou outra mancha nas capas.
Invulgar.
Indisponível