31 dezembro, 2017

FEYDEAU, Ernesto - MEMORIAS DE UMA MULHER BONITA. 3.ª edição. Lisboa, João Romano Torres & C.ª - Editores, [191-]. In-8.º (19cm) de 127, [1] p. ; B.
Romance levemente erótico, cuja acção decorre em Paris.
"Vou emprehender uma tarefa sem precedentes na historia das letras, a de mostrar completamente nua a alma de uma mulher; de expôr essa alma nas circumstancias mais graves, mais pungentes, mais delicadas e mais intimas. Com inteira independencia e a mais completa boa fé, vou descrever, sem nada disfarçar nem omittir, os incidentes de todas as especies pelos quais me vi forçada a passar, desde a edade em que a adlolescencia succede á infancia até áquella em que a natureza, por uma subita revolução, adverte a mulher de que está terminado na terra o seu papel activo. Para me desempenhar d'este encargo, para bem leval-o até o cabo, para dizer... TUDO porei de lado, calcarei aos pés se fôr preciso, as considerações mundanas, os preconceitos e as convenções que, de ordinario, são coisas de uma tão grande importancia para o meu sexo; esforçar-me-hei por não esquecer coisa alguma e por ser sincera. Não escrevo estas interessantes memorias para o publico; ignoro e nem curo mesmo de saber se ellas serão algum dia publicadas; não as escrevo senão para mim propria, com o unico fito de me distrahir, de reviver de alguma fórma ao escrevel-as. Posto que a minha existencia tenha sido desprovida de acontecimentos romanescos, e posto que se pareça, em alguns pormenores ao menos, com a de muitas outras mulheres, penso que poderá interessal-as a todas. Dar-me-hei por muito feliz se estas paginas em que ousarei dizer o que as pessoas do meu sexo costumam occultar com o maior cuidado a outrem, e ás vezes a si mesmas, tiverem o poder, graças á Providencia, de preservar das faltas em que incorri, dos trabalhos que tenho passado, algumas das mulheres que não recearem lel-as."
(excerto do Cap. I)
Ernest Feydeau (1821-1873 ). Escritor francês, natural de Paris, também conhecido por Ernest-Aimé Feydeau. Foi também arqueólogo, corrector e editor de jornais franceses.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
25€

30 dezembro, 2017

PEREGRINAÇÃO AO TUMULO DO SOLDADO DESCONHECIDO. Catalogo das oferendas : tributo de homenagem dos peregrinos - Mosteiro da Batalha : Templo da Patria. [S.l.], [Comissão dos Padrões da Grande Guerra], [1924]. In-8.º (21cm) de 64 p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com três fotogravuras, impressas sobre papel couché.
Inclui a lista das oferendas dos peregrinos aos Soldados Desconhecidos, em número de 355, com as respectivas descrições.
"No dia 9 de Abril de 1921 foram conduzidos para o Mosteiro da Batalha, Templo da Patria, os Dois Soldados Desconhecidos, vindos da Flandres Francesa, e da Africa Portuguesa (Angola e Moçambique) representando os Gloriosos Mortos das expedições enviadas aos referidos teatros das operações e simbolizando o sacrifício heroico do Povo Português.
Em cortejo de Apoteóse foram trazidos por numerosa Peregrinação presidida pelo venerando Cidadão Doutor Antonio José de Almeida, Presidente da República Portuguesa; Govêrno; Congresso; altos representantes da Magistratura; Enviados Extraordinários e Missões Militares das Nações Amigas e Aliadas, onde se encontravam os nomes prestigiosos do Marechal Joffre, do Generalissimo Armando Diaz e do General Smith Dorrien; Generais, Almirantes e mais oficiais de Portugal; Contingentes de diferentes Unidades; Corporações Administrativas; Academias, Comércio, Indústria e Agricultura.
Todo o País se emocionou perante a solemnidade dêsse Cortejo, que do Palácio do Congresso da República foi à Estação do Rossio e depois de Leiria veio até à Batalha, voando sôbre o Mosteiro as nossas esquadrilhas de aeroplanos."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem a capa de brochura frontal. Pelo interesse e raridade a justificar encadernação.
Raro e muito curioso.
20€

29 dezembro, 2017

RAMOS, Graciliano - VIDAS SECCAS : romance. Capa de Santa Rosa. Rio, Livraria José Olympio Editora, 1938. In-8.º (18cm) de 197, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Vidas Secas é talvez a obra mais famosa de Graciliano Ramos e, justamente, uma das mais apreciadas.
De acordo com Hélio Pólvora, Vidas Secas é um "romance escamoteável, à guisa de The Unvanquished e Go Down, Moses, de William Faulkner: podem ser desmontados em forma de contos ligados por débil fio condutor e no entanto autônomos entre si".
"Na planicie avermelhada os joazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cançados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio secco, a viagem progredira bastante tres leguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos joazeiros appareceu longe, atravez dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, sinha Victoria com o filho mais novo escanchado no quarto e o bahu de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aiol a tiracollo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no hombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atraz."
(excerto do capítulo inicial, Mudança)
Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 1892 - Rio de Janeiro, 1953). “Escritor, memorialista, crítico e jornalista, viveu, entre 1892 e 1910, acompanhando a família em diferentes cidades de Pernambuco e Alagoas, fixando-se finalmente em Palmeira dos Índios, cidade que será o cenário de Caetés, seu primeiro romance escrito entre 1925 e 1926. Como jornalista, atuou no Rio de Janeiro em 1914 e, a partir de 1915, em Alagoas. Exerceu diversas atividades políticas, como a de prefeito em Palmeira dos Índios em 1928 e a de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas até 1931. Atuou na área da educação como professor e diretor da Instrução Pública de Alagoas de 1932 a 1936 quando, por motivos políticos, foi demitido e preso, sendo enviado a Pernambuco e, posteriormente, ao Rio de Janeiro. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro em 1945. Presidiu a Associação Brasileira de Escritores por duas gestões consecutivas, a partir de 1951, ano em que também realizou o IV Congresso Brasileiro de Escritores, em Porto Alegre. Escreveu obras literárias fundamentais na literatura brasileira, destacando-se Vidas Secas, Memórias do Cárcere e Angústia. Suas obras foram traduzidas para 24 idiomas e publicadas em mais de trinta países."
(fonte: www.ieb.usp.br)
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a verde na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

28 dezembro, 2017

CAMPOS, Agostinho de - CIVISMO E POLÍTICA. Conferência proferida no salão nobre do Club dos Fenianos Portuenses, em 2 de Dezembro de 1933, a convite da Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Pôrto, Imprensa Portuguesa, 1935. In-4.º (23,5cm) de 23, [1] p. ; B. Separata de 2.ª Série de "Conferências da Liga Portuguesa de Profilaxia Social"
1.ª edição independente.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"A mentalidade colectiva portuguesa é atreita a confiar ao progresso da farmacopeia política a cura dos vícios que se transformaram em doenças - crónicas ou agudas - porque se nos atrasou demais a higiene física, moral e mental. Somos messiânicos e milagreiros na exacta medida em que nos mostramos teimosamente descuidados e apáticos. E, quanto mais incuráveis, mais esperamos da prodigiosa intervenção dos curandeiros. [...]
É velha pregação minha que os portugueses de boa-fé, que tudo têm confiado à política, precisam de mudar de rumo e de começar a fazer civismo, ou a temperar de civismo a política, procurando-se e associando-se para fins próximos, práticos, produtivos, concretos embora modestos, de utilidade comum. Sejam políticos, se quiserem, isto é, acreditem numa fórmula, num homem ou num partido, para governar a Nação; mas sejam primeiro e principalmente bons cidadãos da cidade, bons munícipes no seu concelho, bons bairristas no seu bairro, bons vizinhos na sua rua, não deixando passar um só dia sem terem feito, ou conseguido algo útil para o seu imediato ambiente."
(Excerto da conferência)
Agostinho Celso Azevedo de Campos (1870-1944). “Escritor, jornalista, pedagogo e político português. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1892, exercendo advocacia por pouco tempo. Entre 1893 e 1894, ensinou língua e cultura portuguesas em Hamburgo (Alemanha), altura em que iniciou a sua colaboração jornalística nos jornais O Primeiro de Janeiro e Novidades. Em 1895, quando regressou a Portugal, continuou a publicar artigos sobre literatura, política, pedagogia e linguística em diversos órgãos de imprensa, como n'O Comércio do Porto, no Diário de Notícias e n'O Diário Ilustrado, órgão oficioso do Partido Regenerador Liberal, nos Cadernos de Pedagogia, no Boletim do Instituto de Orientação Profissional, entre outros e também em jornais e revistas estrangeiras. A par com a carreira de jornalista, exerceu simultaneamente o cargo de professor de Alemão no Liceu Central de Lisboa, na Casa Pia, no Liceu Pedro Nunes, no Instituto Superior do Comércio e nas Faculdades de Letras das Universidades de Coimbra (1933-1938) e de Lisboa (1938-1941), jubilando-se nesta última, em 1940. Entre 1906 e 1910, Agostinho de Campos foi diretor-geral da Instrução Pública.”
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada no pé. Ausência da contracapa.
Invulgar e muito interessante.
10€

27 dezembro, 2017

ROGERS, Francis M. - A HORTA DOS CABOS SUBMARINOS. Pelo Professor... da Universidade de Harvard. Horta, Delegação de Turismo da Horta, [1983]. In-8.º (20,5cm) de [2], 45, [1] p. ; [1] mapa ; mto il. ; B.
1.ª edição.
"Curiosa monografia publicada por ocasião do 150.º Aniversário da Elevação da Horta a cidade.
Ilustrada no texto com inúmeras fotogravuras a p.b., e um mapa desdobrável em separado - "Mapa do Roteiro dos Cabos".
Com o aproximar do final do século XIX e com os progressos alcançados na tecnologia das comunicações por cabo submarino, a Horta, onde amarrou o primeiro cabo em 1893, transformou-se no espaço de poucos anos num verdadeiro centro de telecomunicações à escala mundial, ali se fixando companhias de nacionalidade inglesa, americana, alemã, francesa e italiana cuja presença, até final da década de Cinquenta do século XX, perdura nos conjuntos arquitectónicos por elas construídos para instalações técnicas e residenciais e que constituem verdadeiros marcos na paisagem urbana da Horta."
(Fonte: http://www.fcsh.unl.pt/cham/eve/content.php?printconceito=997)
"Há centenas de anos que a Horta é conhecida pelo seu abrigado porto que, de todos os existentes nas ilhas do Atlântico, é o que mais próximo se encontra do meio caminho entre a Europa e a América do Norte. A 32º32'N E 28º32'W. [...]
Os antigos cabos telegráficos eram estendidos entre estações intermédias relativamente próximas umas das outras visto os cabos, tal como os aviões e barcos a vapor da altura, serem, em termos relativos, de curto alcance. A Horta, graças à sua localização favorável, foi aproveitada no início de 1900 não só como estação intermédia, mas também como ponto de permuta de cabogramas transatlânticos.
A primeira companhia de cabos a actuar na ilha foi a companhia inglesa Europe & Azores Telegraph Co., fundada em 1893 para operar o cabo instalado nesse ano entre os Açores e Portugal Continental e proprietária da concessão original outorgada pelo Governo português."
(Excerto de A Horta e Apogeu dos cabos submarinos)
Matérias:
 - A Horta. - Apogeu dos cabos submarinos. - A Família Dabney. - Os Hickling e os Websters. - O Dabney deixam o Faial. - Declínio dos cabos e início do correio aéreo. - As ilhas do Atlântico e as telecomunicações modernas. - Roteiro dos cabos. - Notas. - Ao leitor.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com vinco no canto inferior dto.
Invulgar e muito interessante.
Com interesse regional e para a história das telecomunicações.
Indisponível

26 dezembro, 2017

CANDIDO, Doutor Zeferino - O CANHÃO VENCE... A VERDADE CONVENCE. Pelo... Da Universidade de Coimbra. Lisboa, Livraria Ferreira, 1915. In-8.º (22,5cm) de 177, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra de forte pendor germanófilo. Apologista da neutralidade portuguesa, o autor escreve sobre o conflito europeu, abordando a situação portuguesa, e analisa a política de alianças.
"Foi sempre minha opinião que Portugal se devia manter neutral, perante o conflito que conflagra e subverte a Europa. [...]
Apezar do meu isolamento, do firme e calculado proposito da minha abstenção politica, senti um forte e triste abalo com a noticia do que se passou na sessão parlamentar de 7 de Agosto e com os fogosos e bélicos arremessos de grande parte da imprensa portugueza. Dando-se a circumstacia de se achar então á frente do governo um homem com quem mantenho, desde a mocidade, relações de intima e não interropida amisade, que a diversidade de modos de ver politico não destroe, pensei do meu dever patriotico manifestar-lhe, em carta, o meu sentir e tambem o meu apelo para a sua autoridade, com o fim de moderar tendencias belicicosas e apaixonadas que tinha e tenho por muito prejuciaes á independencia e aos interesses do paiz. [...]
O Doutor Bernardino Machado foi habil. Simulando e até, por alguns actos concretos, insinuando, mesmo, uma disposição belicosa a favor dos aliados, foi mobilisando forças, que nunca mandou senão para as colonias, sob o justificado motivo da sua defeza. Conseguiu sacar do parlamento uma autorisação unanime e ilimitada para dar á mobilisação a amplitude que quizesse, e, assim, ia andando e certamente procurava vencer a situação. Quando viu que a facção mais guerreira da camara lhe percebeu o jogo e o obrigava a mostral-o, atirou-lhe com o poder, colocando a situação politica n'um gáchis, em que, habilmente, envolveu a todos, sem exceptuar a presidencia da Republica, a quem a sua conhecida ambição não tinha, decerto, desejo de poupar.
A retirada do Doutor Bernardino Machado, a subida ao poder do partido mais propenso á beligerancia, factos lamentaveis que se seguiram, certamente derivados dessa impatriotica orientação, motivaram este trabalho. [...]
A Allemanha formou-se pela federação de Estados Livres, ha menos de meio seculo, e, nesse periodo, conseguiu uma unidade que está dando de si, no atual momento, a prova da sua inexcedivel força..
Por Deus que seria bem feliz a Europa, se todo esse continente conseguisse federar-se assim, fosse qual fosse, estivesse onde estivesse a cabeça, o centro de gravidade dessa federação."
(excertos do texto)
Matérias:
Preambulo. Cap. I - Portugal e França. Cap. II - Portugal e Belgica. Cap. III - Portugal e Ingalterra. Cap. IV - Portugal e a Allemanha. Cap. V - A Inglaterra no atual conflito. Cap. VI - A atitude da Inglaterra no atual conflito - Um discurso de Sir Edward Grey. Cap. VII - Um discurso de Sir David Lloyd George no Queens Hall de Londres. - Divida de honra. - França e Belgica em 1870. - Um pedaço de papel. - A desculpa da Allemanha. - A confiança da Belgica. - As atrocidades. - O caso da Servia. - A dignidade da Servia. - O irmao pequeno da Russia. - As nações pequenas. Conclusão
António Zeferino Cândido. “Doutor em Matemática, bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, escritor e jornalista, nasceu em 24 de Outubro de 1848, na Vila de Serpins, do Concelho da Lousã, filho de Justino Cândido da Piedade, terá falecido por volta de 1916/17. Emigrou para o Brasil em 1878, e por lá se manteve 20 anos. Regressando do Rio de Janeiro a Lisboa em 1901, fundou um jornal com o nome A Época, de que foi proprietário e director, e cujo primeiro número saiu em 1 de Maio de 1902 e que suspendeu a sua publicação em 1 de Junho de 1909. Dá-se como de sua autoria um opúsculo de polémica, de tendências germanófilas, quando da guerra europeia de 1914-18, O Canhão vence... a verdade convence. Foi sócio da Sociedade de Geografia e, durante a guerra de 1914/1918, homiziou-se em Espanha.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
15€

25 dezembro, 2017

JORGE, José d'Almeida Cardoso - AS REVELAÇÕES DE UM DEFUNTO OU UMA CARTA DO REINO DO CÉU. Por... Preço 60 reis. Porto, [s.n.], 1905. In-8.º (18,5cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante história fantástica em verso, publicada no início do século XX. As estrofes do poema estão dispostos em duas colunas por página.

"Reino do céu trez de Agosto,
Do anno de Nosso Sennhor.
É d'aqui que te escrevo
Presado amigo leitor.

Vou contar-te minha historia,
Presta-me pois attenção.
De quanto por cá se passa
Vou fazer-te a narração.

Dizem os sabios da terra,
Que vida eterna não ha.
Verei a cara que fazem
Quando vierem para cá.

N'outros tempos tambem eu,
A mesma coisa dizia.
E com esses sabichões
A minha perna fazia.

D'aqui vos aviso agora,
Para que a mocidade,
Fique sabendo que existe
Alem campa a eternidade."

(Excerto do poema)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro e muito curioso.
Sem informação bibliográfica, incluindo a Biblioteca Nacional (BNP).
20€

24 dezembro, 2017

REGULAMENTO DE CAMUFLAGEM. Título I. Princípios Básicos da Camuflagem - INSPECÇÃO DE TROPAS DE SAPADORES. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da E. P. I., Mafra], [1960?]. In-8.º (22cm) de 63, [5] p. ; [5+1] f. il. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
«A doutrina dêste Regulamento foi aprovada, a título experimental, por Sua Ex.ª o Chefe do Estado Maior do Exército, em 22/12/959.» (Carimbo oleográfico na f. rosto)
Interessante manual de camuflagem para uso militar, por certo, com tiragem reduzida.
Livro muito ilustrado no texto e em separado, com desenhos e fotografias a p.b. e a cores, exemplificando inúmeras situações de camuflagem, incluindo um croquis - "camuflagem com simulação» - onde mostra como dissimular instalações militares de alguma dimensão utilizando para o efeito a sobreposição de dois desenhos esquemáticos.
"O conhecimento e o emprego criterioso dos Princípios e Regras de Camuflagem é indispensável em todos os escalões das Armas e Serviços.
Quem, por ignorância ou errada noção do valor militar da Camuflagem, a despreze ou não saiba empregar comete uma falta muito grave e pode ser responsável por alguns insucessos pois prejudica a acção das tropas amigas com as facilidades que oferece ao adversário.
A Camuflagem contribue para o cumprimento das missões de todas as armas e serviços e é exequível em todas as situações.
É dever de todo o combatente contrariar a colheita de Informações pelo adversário. Uma das principais fontes de informação é a observação visual (directa ou por fotografias, terrestre ou aérea). Com a camuflagem pretende-se contrariar essa observação.
Só uma instrução muito cuidada e intensiva conduzirá o pessoal ao emprego permanente da camuflagem.
O valor de qualquer objectido depois de referenciado é pequeno ou até nulo; com a camuflagem pretende-se evitar a sua referenciação.
Todas as operações devem ser preparadas e conduzidas com o maior sigilo; tal só é possível com a camuflagem de pessoal, posições, obras e depósitos, com uma disciplina rigorosa em todos os movimentos e estacionamentos, com um criterioso emprego de itinerários, horas de circulação, escolha de posições, etc."
(Excerto da introdução)
Índice:
Introdução. I - Generalidades: 1. Definição; 2. Importância da camuflagem; 3. Deveres e responsabilidades; 4. Unidades especiais de camuflagem; 5. Classificação da camuflagem. II - O problema da observação: 6. Meios de observação; 7. Elementos de identificação; 8. Possibilidades e condicionamentos da observação visual, aérea e sonora. III - O problema da camuflagem: 9. Objectivo, panorama, indício; 10. Princípios básicos da camuflagem. IV - Ocultação, mascaramento e dissimulação: Secção I. Emprego dos meios naturais; Secção II. Emprego dos meios artificiais; Secção III. Redução do contraste de cores e de rugosidades superficiais; Secção IV. Alteração e enquadramento da forma no ambiente local. V - Simulação. VI - Factores geográficos e climatológicos que afectam a camuflagem.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
30€

23 dezembro, 2017

AURORA, Conde d' - BRASIL : ida e volta. Porto, Livraria Simões Lopes, [s.d.]. In-8.º (21,5cm) de 109 p. ; [22] f. il. ; B.
1.ª edição.

Ilustrada com fotogravuras intercaladas no texto.
"Esta dor e ainda a alegria, Deus louvado, de ter sentido pulsar como aquém-Atlântico, como no mais puro e recôndito e tradicional rincão da terra portuguesa, ter sentido pulsar, sincrónico, em uníssono, em todo o imenso Brasil - o coração português! Deus louvado!

(excerto do texto) 
José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, 2.º Conde de Aurora (Ponte de Lima, 29 de Abril de 1896 - Ponte de Lima, 3 de Maio de 1969). Escritor português. "Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho. A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária."
(fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/119202.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

22 dezembro, 2017

KELLER, Werner - HISTÓRIA DO POVO JUDEU. Da Destruição do Templo ao Novo Estado de Israel. Alfragide, Tertúlia do Livro : Galeria Panorama, [197-]. In-4.º (23cm) de [10], 536, [2] p. ; [62] p. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante monografia sobre a história judaica - desde os seus primórdios até à criação do Estado de Israel. Trata-se talvez do estudo mais completo que sobre este assunto se publicou entre nós.
Livro ilustrado no texto e em separado com inúmeras fotogravuras a p.b.
"Em 1843 o francês Paul Émile Botta tropeçou casualmente com a porta que dava entrada ao mundo histórico do Antigo Testamento: em Khorsabad descobriu os baixos-relevos do rei assírio Sargão II, o rei que tinha exilado as dez tribos de Israel, que desapareceram sem deixar rasto. Todavia foi preciso um século inteiro de incansável espírito de investigação e de enormes trabalhos de escavação, que removeram completamente o solo antiquíssimo do Egipto e do Próximo Oriente, para que dos documentos e monumentos trazidos à luz do dia começasse a desenhar-se em largos traços o impressionante panorama histórico de dois mil anos de história do povo de Israel. [...]
Nenhum outro povo sofreu uma história como a dos descendentes do povo bíblico na sua dispersão. O cenário do curso seguido pelo seu destino é a Terra inteira, do Próximo Oriente, do Egipto e da África até à Europa e América, assim como até à Índia e à China. Tal como na era bíblica, depois da sua expulsão da terra dos patriarcas, quando a sua «casa de serviço» era o mundo inteiro, o povo judeu teve de sofrer as mais duras provas. Somente algumas escassas horas felizes interrompem as épocas da mais profunda dor. Porém, apesar de todos os sofrimentos e misérias, sem Estado nem território próprio, sem protecção, sem poder e sem justiça, este povo resiste a todos os tormentos e catástrofes, firme na sua fé em Deus, que nem as ameaças de morte conseguem debilitar. E sobrevive a tudo. Desprezado e perseguido, no decorrer dos séculos, dá aos outros povos as sua contribuições e rendimentos culturais. Poderia imaginar-se o Islão sem Israel? Não proveio de Jesus Cristo? E a cultura actual não procede de um Spinoza, Marx, Freud e Einstein?
É a história de um povo fora do comum, a que nenhum outro na Terra se pode comparar. Envolto num profundo segredo divino, figura entre os grandes mistérios do processo histórico. Embora Deus se haja manifestado a este povo, a sua existência actual, após largo período das perseguições mais terríveis, é o seu maior milagre. Com a sua dispersão de dois mil anos cumpriu-se exactamente e de uma forma desconcertante uma profecia bíblica feita três mil anos antes no quinto livro de Moisés, o «Deuteronómio»."
(Excerto da introdução)
Índice:
Introdução. Prólogo. Profecia e Época Bíblica. Fins da História do Oriente. I - Sob o domínio de Roma. II - Quando o Templo estava destruído. III - O inferno da Idade Média. IV - A caminho do obscurantismo. V - O ocaso do «Ghetto». VI - Catástrofe e Solução Final. Na antiga pátria. Israel: o Novo Estado.
Encadernação editorial inteira de tela em amarelo, com letras e símbolos gravados a negro.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

21 dezembro, 2017

CADORO (Carlos Faria), Barão de - DINIZ. Coimbra, Typographia França Amado, 1898. In-8.º (18cm) de 370, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance do final do século XIX, cuja personagem central é Diniz, moço vaidoso e mimado, que encara todas as contrariedades e inimizades que vai coleccionando - por conta da sua língua vituperina - como perseguições à memória de seu pai, antigo combatente liberal de cepa. A presente obra, retrata com com graça e subtileza a fútil sociedade cosmopolita da época, com os seus vícios, "favores" e convenções.
"Eram de uma vez dois nobres à volta de uma herança pingue, e que vinha de uma parente longiquo, avaro e desestimado. Esse dinheiro não tinha o travo da saudade, a pena do morto; caía-lhes em casa como premio grande da loteria.
A liquidação da herança seria facil, se o testamento, qua a regulava, não tivesse deixado certas migalhas a um orfão e a uma Irmandade. Assim tinha de haver inventario orfanologico e a Boa Hora, logo que tal soube, qual alcoviteira dos ricos, começou a esfregar as gigantescas e aduncas mãos. Escrivão, procuradores, advogados e louvados deixaram de aparar as unhas sem temer a porcaria nem o padre Antonio Vieira que tanto se ocupou d'esses apendices corneos.
A Justiça, essa divinisada figurita de marmora armada de balança para pesar as faltas, e de espada para cortar as demasias, era vendada como Cupido por não querer conhecer a quem feria. Agora perdeu essas classicas caracteristicas, e apresenta-se grosseiramente de tamancos, de saia de serguilha, colete de pano cru cingindo a aspera camisa de estopa contra o seco peito esteril, na figura antipatica das cardadeiras.. Em logar de pesar certo e de cortar direito como a symbolica figurita de marmore, carda e guarda para si a estriga limpa, deixando aos outros a estopa, arestas, etc. Não usa espada nem balança, mas carda. Se traz venda é para velhacamente espreitar por baixo. [...]
Eram dois fidalgos mas havia tambem um plebeu, e todos trez deviam herdar com egualdade. A principi muito amigos, muito condescendentes, muito - essa é boa! o que tu quizeres! - depois em grupos de dois contra um que mudava segundo o interesse mais vivo de dum d'aquelles, em guerra dissimulada, em intrigas, em cambapés, qté que os fidalgos por maior communidade de ambições e maior audacia de meios se conluiaram contra o plebeu, e o despojaram, o mais que puderam, e tudo isto se fez ao abrigo da lei, sob a protecção da... cardadeira."
(Excerto do Cap. I, Son Altesse, Ma Vanité)
Carlos de Faria (1849-1917). “Escritor, jornalista, político e diplomata. Natural de Lisboa, Carlos de Faria e Melo fixou residência em Aveiro, cidade onde se notabilizou como jornalista e escritor, tendo sido agraciado pelo Rei D. Carlos com o título de 1.º Barão de Cadoro. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Carlos de Faria iniciou, ainda muito novo, a sua carreira jornalística, tendo fundado e dirigido diversos jornais, alguns de cariz literário. Como escritor, publicou vários livros. Para além disso, desempenhou cargos políticos, designadamente o de Administrador do Concelho de Aveiro e o de Governador Civil do Distrito de Aveiro, tendo sido também Cônsul de Espanha em Aveiro. Carlos Faria foi redator efetivo do jornal “O Povo de Aveiro”. Fundou e dirigiu o jornal “A Locomotiva” (que se autointitulava “Periódico dos Caminhos de Ferro”). Com Gervásio Lobato, fundou o periódico “Comédia Portuguesa”, tendo ainda integrado a redação do “Jornal do Norte”, de António Augusto Teixeira de Vasconcelos. Como escritor, Carlos de Faria publicou várias obras de ficção, nomeadamente os livros intitulados “Um Conto de Reis”, “O Piano”, “Portugueses Cosmopolitas” e “Diniz”. Em colaboração com Joaquim de Melo Freitas, publicou a obra “Homenagem ao distinto explorador de África Serpa Pinto”. Para além disso, cooperou em diversas iniciativas de relevo na vida social e cultural aveirense.”
(fonte: http://sites.ecclesia.pt/cv/carlos-de-faria-jornalista-e-escritor/)
Encadernação da época em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado; apresenta pequenos defeitos nas pastas e na lombada. Com algumas folhas soltas.
Raro.
25€

20 dezembro, 2017

PORTUGAL E ALEMANHA. Documentos relativos à decisão por via arbitral das divergências entre os dois Países acêrca das indemnizações por prejuízos causados a Portugal desde 31 de Julho de 1914 até à sua entrada na guerra - Ministério dos Negócios Estrangeiros. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1936. In-4.º grd. (28cm) de 340 p. ; B.
1.ª edição.
Edição bilíngue (português-francês).
"Pelo artigo 232.º do Tratado de Versailles ficou a Alemanha constituída na obrigação de reparar determinadas espécies de prejuízos, e entre estes todos os causados pela agressão alemã à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e aos seus bens durante o período em que entre essa Potência e a Alemanha tivessem existido o estado de guerra.
Mas, porque Potências havia que, embora só tivessem passado ao estado de beligerância para com a Alemanha posteriormente a 31 de Julho de 1914, tinham, entre esta data e a da sua entrada na guerra, sofrido prejuízos por virtude de actos cometidos por aquele Estado, foi inserta também no Tratado de Versailles, no § 4.º do anexo aos artigos 297.º e 298.º, uma disposição segunda a qual os bens, direitos e interêsses dos nacionais alemãis no território de uma Potência aliada, assim como o produto liquido da sua venda, liquidação ou outras medidas de disposição podiam ser onerados por esta Potência pelo pagamento das reclamações apresentadas por actos cometidos pelo Govêrno alemão ou por qualquer autoridade alemã, posteriormente a 31 de Julho de 1914 e antes que a mesma potência tomasse parte na guerra; para fixar o quantitativo deste espécie de reclamações, o govêrno interessado poderia recorrer a um árbitro designado pelo Sr. Gustave Ador, antigo presidente da Confederação Helvética, ou ao Tribunal Arbitral Mixto previsto na secção VI da parte X do tratado de Paz..."
(excerto da introdução)
Os documentos que integram o presente trabalho foram transcritos, na sua maioria, do original, em francês.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

19 dezembro, 2017

COOPER, Fenimore - O CORSARIO VERMELHO. Por... Traducção de J. L. R. T. Lisboa, Typ. Lisbonense de Aguiar Vianna, 1856. 3 vols in-8.º (19cm) de 158, [2] f. il. (I), 151, [1] p. ; [2] f. il. (II), 207, [1] p. ; [2] f. il. ; E. Bibliotheca Universal : Romances de Fenimore Cooper
1.ª edição.
Romance marítimo do notável novelista americano James Fenimore Cooper. Trata-se da versão primitiva vertida para português que não se encontra referenciada na Biblioteca Nacional (nem noutras fontes bibiográficas em língua portuguesa). A edição mais antiga recenseada na BNP data de 1868 (1 vol.).
Ilustrado com 6 bonitas estampas intercaladas no texto (duas por volume).
"Basta estar familiarisado com o movimento e actividade de uma cidade de commercio na America para reconhecer quanto Rhode-Island perdeu da sua importancia. Seria difficil hoje duvidar que Newport, a principal cidade d'esta ilha, teve o primeiro logar entreos portos das nossas vastas costas, porque a natureza havia sido prodiga para com ella dando-lhe porto commodo, ancoradouro seguro e uma bahia magnifica, o que tudo parecia destinal-a a recebêr armadas, e a crear uma raça de marinheiros destemidos e experimentados; mas bem depressa outras cidades rivaes que se foram alevantando, vieram paralisar o desinvolvimento da capital de Rhode-Island. [...]
Em os primeiros dias do mez de octubro de 1759, a alegria e a tristeza preoccupavam os animos dos habitantes de Newport, e das demais cidades da America: Quebec, capital do Canadá, acabava de ser tomada pelos inglezes; mas o general Wolf havia incontrado a morte juncto ás muralhas d'esta fortaleza.
O dia em que começa a nossa narração tinha sido destinado para celebrar a victoria ganha pelas tropas reaes; havia como em todos os outros dias de regosijos, principiado ao som dos sinos e ao estrepito do canhão, e a população tinha-se espalhado pela cidade com o proposito firme de se divirtir, intenção que é quasi sempre um obstaculo ao verdadeiro prazêr."
(Excerto do Cap. I)
James Fenimore Cooper (1789-1851). Foi um prolífico e popular escritor americano da primeira metade do século XIX. Os seus romances históricos incidiram, sobretudo, sobre questões de fronteiras no início da colonização americana, e sobre a vida dos índios, e o seu permanente confronto com os colonos. A sua obra foi percursora nos Estados Unidos neste género literário. Viveu a maior parte de sua vida numa propriedade da família, em Cooperstown, Nova York, que foi fundada por seu pai William. Durante três anos frequentou a Universidade de Yale, tendo sido expulso por mau comportamento. Antes de enveredar pela carreira de escritor serviu na Marinha dos EUA, escola de vida que viria a influenciar muitas das suas histórias e outras produções. O romance que o tornou conhecido foi The Spy  (O Espião), publicado em 1821. Escreveu ainda romances marítimos com assinalável sucesso. A sua obra de referência seria The Last of the Mohicans (O Último dos Moicanos).
Encadernação cartonada da época lisa em meia de pele. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Lombada com defeitos.
Muito raro.
25€

18 dezembro, 2017

GUIMARÃES, Oliveira (Abbade de Tagilde) - GUIMARÃES E SANTO ANTONIO. Publicação commemorativa do 7.º centenario. Guimarães, Editores - Freitas & C.ª, 1895. In-8.º (19cm) de 203, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre a presença de Santo António no concelho de Guimarães.
"Guimarães, onde sob a invocação de Santo Antonio dos Milagres se venera uma das imagens, que a devoção piedosa tem aureolado de justificado renome e onde existem familias em cujas veias, parece, gira o mesmo sangue do santo, não deve ficar, nem fica, indifferente á celebração do setimo centenario natalicio do thaumaturgo portuguez. [...]
Esta publicação, em que aproveitei dos materiaes, que tenho reunido para a historia d'este concelho, as notas referentes a Santo Antonio, tem por fim fornecer o meu contingente, embora de somenos valor, para a solemnisação da festa nacional do benemerito santo, que tão grandemente nobilitou a região e a patria."
(Excerto da introdução, Ao leitor)
Indice:
Ao leitor. Do Convento de Santo Antonio da villa de Guimarães. Capellas de Santo Antonio. Altares de Santo Antonio. Irmandades de Santo Antonio. Noticias diversas. Appendice.
João Gomes de Oliveira Guimarães (Mascotelos, 29 de Dezembro de 1853 - Tagilde, 20 de Abril de 1912). "Mais conhecido por abade de Tagilde, foi um sacerdote católico, político e historiador português. Foi um dos pioneiros em Portugal dos estudos de história local e um dos principais especialistas portugueses em diplomática e epigrafia. Foi candidato a deputado, presidente da Câmara Municipal de Guimarães e regedor da Paróquia de São Salvador de Tagilde. Foi organizador da colectânea de documentos históricos Vimaranis Monumenta Historica e sócio distinto da Sociedade Martins Sarmento."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Lombada e capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel nas margens e nos cantos. Pequena mancha de tinta à cabeça, atinge as primeiras páginas do livro até se desvanecer.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

17 dezembro, 2017

FRANCK MULLER : GENEVE. Master of complications. Lisboa, Company One, Lda., 2012. Oblongo (21,5x30,5cm) de 163, [13] p. ; todo il. ; E.
1.ª edição.
Catálogo de prestígio da Franck Muller (2012/2013), conhecida casa relojoeira Suiça, famosa pelos seus modelos exclusivos de alta-relojoaria. Tem ligações a Portugal, e ao desporto português, sobretudo através de contratos firmados com os três principais clubes nacionais - Benfica, Sporting e Porto -, e personalidades do mundo do futebol, como José Mourinho, para a produção de edições limitadas de relógios de pulso.
Produzido especialmente para Portugal, por certo com tiragem restrita, trata-se de um livro imponente, peça de design artístico e fotográfico impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com fotografias de alta resolução a p.b. e a cores.
"A Franck Muller foi fundada em 1992 com o desiderato de reunir os valores mais tradicionais da relojoaria através de uma perspectiva contemporânea de criação relojoeira, inaugurando um novo conceito de alta-relojoaria que passava principalmente pela transposição das mais nobres complexidades mecânicas para a relojoaria de pulso."
(Excerto da apresentação)
Índice:
Estreias mundiais/Século XX. Complicações: - Giga Tourbillon. - Aeternitas. - Tourbillon Revolution 3. - Tourbillon Imperial. - Lady Tourbillon. - Tourbillon Crazy Hours. - Grande Sonnerie. - Perpetual Calendar Bi-Retro Chronograph. - Master Banker date. - Mariner. - Master Date. - Double Mistery. - Secret Hours. - Vegas. - Master Calendar Chronograph. - Crazy Hours. Colecção Franck Muller. Edições limitadas para Portugal [Retrospectiva e presente].
Belíssima encadernação editorial com lombada em cortiça e ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
30€

16 dezembro, 2017

MARIA, Antonio - MYSTERIOS DA BOA HORA. Apontamentos para a historia contemporanea. Lisboa : Á venda na livraria Lavado, rua Augusta, 95, [Typ. Gutierres, Lisboa], 1882. In-8.º (21,5cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante opúsculo crítico do Tribunal da Boa Hora, do seu funcionamento e dos seus "actores" - juízes, escrivães, procuradores, etc. Parte da obra é dedicada à apresentação de um caso julgado na Boa Hora.
"[...] Indifferente ainda elle passava, com fito na discussão parlamentar, ao lado esquerdo das duas creaturas legislativas, pouco antes do Poço Novo, quando lhe feriram o ouvido estas tres fatidicas palavras: «Escandalos! Maldita Boa Hora...» e sentio-se dominado, desde logo, por invencivel curiosidade. [...]
Todos sabem que a primeira necessidade do jornalista é andar á cata de escandalos para os profundar, historiar e corrigir no seu livro de todos os dias.
Pouco a pouco pôde descobrir, que a palestra assentava sobre um projecto de lei, apresentado pouco antes ao parlamento, para os curadores geraes receberem o ordenado annual de 600$000 réis; e de envolta recahiu sobre algumas chagas que corróem a Boa Hora. N'este ponto estavam elles de accordo; por isso lhe chamavam maldita. [...]
Altercaram algum tempo sobre o meio que deviam empregar os curatellados contra os falsos curadores quando os prejudicassem; confessando não haver lei que prevenisse a hypothese: opinava um que deviam recorrer á «suspeição ou queixa ao procurador geral da corôa;» - o outro propunha a «cacetada».
Fallaram com asco de escandalos da Boa Hora, e principalmente contra alguns «escrivães devoristas e procuradores ratoneiros, d'estes que deixam as partes sem camisa». Um entendia que devia pedir-se contra elles a excomunhão do papa; o outro queria que sejam amarrados ao «pelourinho» para que o publico os conheça bem, e possa cada um atirar-lhe a sua pedra."
(Excerto do texto)
Summario:
Caminho de S. Bento - Dois deputados e um jornalista - As tres palavras fatidicas - Entra-se na materia - O que é a Boa Hora - Povoadores da Boa Hora - Como um curador pode ser bruto e um juiz ser papafina sem deixarem de ser o que são - Queixas de uma victima - Um fiel de feitos e um agente de negocios discutem e resolvem grande problema - Mysterio de um conselho de familia que não é da familia - Mysterio de uma herança sonnegada e de um inventario de 12 annos - Mysterio da interdicção de um menor como prodigo - Mysterio da usurpação de um morgado - Questões a resolver sobre a Boa Hora.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Indisponível

15 dezembro, 2017

GUSMÃO, Lapas de - A GUERRA NO SERTÃO (Sul de Angola). 2.ª edição. [S.l.], Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1935. In-8.º (19cm) de 252, [4] p. ; B.
Episódios da Grande Guerra na frente africana. Impressões pessoais do autor, combatente em Angola. Obra publicada no mesmo ano que a 1.ª edição.
"Nas páginas que vão seguir-se, mais do que a minha impressão pessoal, eu pretendi antes dar uma pálida imagem das agruras e durezas das campanhas africanas, mormente, como é óbvio, daquela que conheci pelo meu esfôrço individual - a campanha do Sul de Angola, em 1915. [...]
É preciso ter por lá calcurriado centenas, senão milhares de quilómetros, de mochila às costas e espingarda ao ombro, como o autor, exausto de fome, de sêde, de fadigas e de canseiras de tôda a ordem, debilitado pelas febres e mordido pelo Sol, para poder avaliar quão grande é tal sacrifício."
(excerto da introdução)
Matérias:
I - A caminho. II - A escalada da Serra da Chéla. III - A contas com os alemães - O combate de Naulila. IV - Para o interior. V - Sob a tormenta - A visita do leão. VI - No acampamento adormecido. VII - No hospital. VIII - Ao abandono. IX - Marchar! Marchar! Marchar! X - A revelação de uma alma. XI - As agonias da sêde. XII - O delírio. XIII - Através do matagal. XIV - Nas margens do Cunene. XV -Visão da grande Angola.
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). “Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra.
Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes Visão da Guerra, A Guerra no Sertão, em que descreve o que viu em França e África, o drama em 3 actos O Mutilado, a tragédia em um acto Uma noite e o ensaio filosófico Matéria e Vida."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. 
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 dezembro, 2017

AZEVEDO, Antonio Soares d' - ODE PINDARICA, AO ILL.ᴹᴼ, E EX.ᴹᴼ SENHOR ARTHUR WELLESLEY, MARQUEZ DE WELLINGTON, E DE TORRES VEDRAS, DUQUE DE CIDADE RODRIGO, COMMANDANTE EM CHEFE DOS EXERCITOS ALLIADOS EM PORTUGAL, E HESPANHA, ETC. ETC. ETC. Por... Bacharel Formado em Canones pela Universidade de Coimbra. Porto, Na Typ. que foi de Antonio Alvarez Ribeiro, 1812. Com licença da Meza do Desembargo do Paço. In-8.º (19cm) de 18 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa composição poética dedicada a Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington.

"Das golpeadas hostes as veredas
                Marcaõ rios de sangue,
Que os outros rios a engrossar descendo,
Vaõ lacerados corpos revolvendo.
Sobranceiro insta o braço triunfante,
Que para d'hum só golpe alli puní-las
Sobre Fuentes d'Honor faz reuní-las:
E mil raios entaõ juntos vibrando,
Aos pés da Luzitania libertada
A Franceza altivez reduz ao nada.
"

(Antistrophe X.)

Bom exemplar. Páginas com picos de acidez.
Invulgar.
Indisponível