CEARENSE, Catullo da Paixão - TROVAS E CANÇÕES. Por... Com as apreciações dos Drs. J. M. Goulart de Andrade, Major Moreira Guimarães e Maestro Julio Reis. Rio de Janeiro, Livraria do Povo - Quaresma & C. - Livreiros-Editores, 1910. In-8.º (19cm) de 157, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra dedicada pelo autor a M. Moreira da Silva, Doutor em Odontologia, Lente Cathedratico da Escola Livre de Odontologia do Rio de Janeiro.
Ilustrada
com um retrato de Catulo e 5 vinhetas tipográficas encimando cada uma
das apreciações ao autor, e das duas partes que compôem a obra.
"O dom mais bello, o mais sublime da Harmonia,
que lá nos céos dos anjos tem a adoração;
a estrella pura e mais sonora da Poesia;
o dom supremo, de superna inspiração;
o dom mais nobre, o mais sublime e florescente,
o mais pujante, o mais fatal, omnipotente,
o mais feliz, de mais candura
e de mais resplendor,
é a Formusura,
a obra prima do Senhor."
(Formusura e Talento, 1ª)
Catulo da Paixão Cearense
(1863-1946). "Nasceu em 8 de outubro de 1863, em São Luiz, Estado do
Maranhão, à rua Grande, (hoje Oswaldo Cruz) nº 66. Filho de Amâncio
José Paixão Cearense (natural do Ceará) e Maria Celestina Braga (natural
do Maranhão). Sua infância até os 10 anos se passou em São Luiz do
Maranhão. Transferiu-se para o sertão agreste cearense onde seus avós
maternos portugueses eram fazendeiros, permanecendo por lá até os 17
anos. Em 1880 em companhia de seus pais e irmãos (Gil e Gerson) mudou-se
para o Rio de Janeiro, na rua São Clemente nº 37, Botafogo. Aos 19
anos interrompeu os estudos e abraçou o violão, instrumento naquela
época, repelido dos lares mais modestos. Iniciante tocador de flauta, a
trocou pelo violão, pois assim, podia cantar suas modinhas. Nesse
tempo passou a escrever e cantar as modinhas como, “Talento e
Formosura”, “Canção do Africano” e “Invocação a uma estrela”. Moralizou
o violão levando-o aos salões mais nobres da capital. Em 1908, deu uma
audição no Conservatório de Música. Catulo foi autodidata autentico.
Suas primeiras letras foram ensinadas por sua genitora e toda sua grande
cultura foi adquirida em livros que comprava e por sua franquia à
Biblioteca do Senador do Império, por ser professor dos filhos do
Conselheiro Gaspar da Silveira. “Aprendi musica, como aprendi a fazer
versos, naturalmente”, dizia o Velho Marruêro. Seu pai faleceu em 1 de
agosto de 1885, desgostoso por seu filho ter abandonado os estudos para
ser poeta, sem tempo de assistir a moralização do violão, o que veio a
marcar tremendamente Catulo. À medida que envelhecia mais se aprimorava.
Catulo homem, não se modificava, sempre fiel ao seu estilo. “...Com
gramática ou sem gramática, sou um grande Poeta.”. A sua casinhola em
Engenho de Dentro, afundada no meio do mato era histórica. Alí recebia
seus admiradores, escritores estrangeiros, acadêmicos nacionais, sempre
com banquetes de feijoada e o champagne nunca substituía o paratí, por
mais ilustre que fosse o visitante.
As paredes divisórias eram
lençóis e sempre que previa a presença de pessoas importantes, dizia
para a mulata transformada em dona de casa. “Cabocla , lave as paredes
amanhã , que Domingo vem gente!”
Sua primeira modinha famosa “Ao
Luar” foi composta em 1880. Em algumas composições teve a colaboração de
alguns parceiros: Anacleto Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha da
Silva, Francisco Braga e outros. Como interprete, o maior tenor do
Brasil, Vicente Celestino. Catulo morreu aos 83 anos de idade, em 10 de
maio de 1946, na rua Francisca Meyer nº 78, casa 2."
(fonte: www.jornaldepoesia.jor.br/cpaixao.html)
Exemplar
brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas com
defeitos. Assinatura de posse na f. rosto. Com vestígios de humidade na
margem lateral de algumas folhas ao longo do livro.
Raro.
Sem indicação de registo na BNP (Biblioteca Nacional, Lisboa).
45€
