28 fevereiro, 2019

VERCEL, Roger - CAPITÃO CONAN : romance. Tradução de Agostinho Fortes. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, [1935?]. In-8.º (19cm) de 293, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante romance da Grande Guerra.
"Agora, o regimento está todo formado em coluna cerrada, com as armas em descanso. Havia dois meses que o não via, desde uma formatura em Prilep, e acho-o medonho: é um alinhamento de rostos pálidos, macilentos, faces acorreeadas, olhos encovados... Mas há qualquer cousa que não percebo imediatamente; há no aspecto dêsses homens o que quer que seja, uma cousa estranha que não consigo ainda precisar. À voz de sentido, procuro na frente da minha companhia e de súbito achei o que era; fôra a largura do uniforme que me impressionara! Não obstante o correame das cartucheiras cruzado no peito, os capotes parecem pender nos ombros como de cabides, e os cinturões, largos a-pesar-dos furos suplementares, enterram-se extraordinàriamente no lugar do ventre... Morreram, esta manhã, três homens, no pavilhão de caça que o Estado-maior compartilha com os agonizantes.
- Sentido!
O coronel adiantou-se para o centro do quadrado, com um papel na mão.
- Meus amigos - exclamou êle - tenho a dar-vos uma grando notícia. Estamos vencedores! Desde 11 de Novembro, acabou a guerra na frente francesa."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse para a bibliografia WWI.
15€
Reservado

27 fevereiro, 2019

COSINHA E CONFEITEIRO - O MAIS COMPLETO MANUAL DA ACTUALIDADE. Edição coordenada por um grupo de cosinheiros de diversos paizes. Lisboa, Composto e impresso nas off. de A Polycommercial, [191-]. In-8.º (21,5cm) de 84 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro de culinária, publicado nos primeiros anos da segunda década do século XX. Contém inúmeras receitas, acompanhadas com alguns desenhos (poucos) no texto.
Matérias:
- Serviço de meza. - Potagens, caldos e sopas. - Môlhos. - Carnes: Vaca; Vitela; Carneiro; Porco; Coelho. - Aves. - Peixe. - Pratos diversos. - Doces. - Conservas. - Indicações geraes. - Chá, café e chocolate.. - Como se preparam as côres.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, oxidadas, com defeitos e pequenos rasgões (sem perda de papel).
Raro.
35€

26 fevereiro, 2019

HAMOND, Charles - A CASA VOLANTE : romance de aventuras. Versão livre de José Rosado. [Lisboa], Edição Romano Tôrres, 1946. In-8.º (19cm) de 101, [11] p. ; B. Colecção «Romance de Aventuras», 178
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica, publicado na popular Colecção Salgari da Romano Torres.
De acordo com a Biblioteca Nacional, o autor é José Rosado, o "tradutor", que utiliza o pseudónimo Charles Hamond.
"O dia vinte e tres de Março amanhecera tépido e limpo de nuvens.
Os quatrocentos e trinta rapazes da Universidade de Cleveland levantaram-se alegres.
Uma algaraviada esfusiante e comunicativa encheu de mocidade desinquieta as camaratas e o refeitório daquela casa de ensino superior - donde saiem todos os anos turmas alegres e buliçosas a caminho da vida prática, espalhando-se por todos os Estados Unidos, a levar-lhe nova seiva e mentalidade.
Desta vez, porém, aqueles centos de rapazes prestes a partirem, voltariam de novo, até completarem os seus estudos que, para muitos, terminariam quatro meses depois. [...]
No segundo dia, após a sua chegada a Cincinnati, James foi convidado pelo tio a visitar pela segunda vez o estranho aparelho que fora motivo de uma das suas últimas e mais interessantes conversas, com o seu amigo e companheiro da Universidade, Henry King. [...]
Durante o curto trajecto que os levou à fábrica de metais, nos arredores da cidade, tio e sobrinho não trocaram uma só palavra, embora este tivesse muitas perguntas a fazer sobre a construção da «Casa Volante»."
(Excerto do Cap. II, A Casa Volante)
Índice:
I - Desvenda-se um segredo. II - A Casa Volante. III - O tio André expõe o seu caso. IV - Últimos preparativos de viagem. V - Inicia-se uma viagem extraordinária. VI - Cinco horas de voo. VII - A etapa submarina. VIII - Uma surpresa desagradável. IX - O inevitável! Epílogo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

25 fevereiro, 2019

GRAVE, João - FOGUEIRAS DE SANTO ANTÓNIO : cantares. Porto, Livraria Chradron de Lélo & Irmão, L.da, 1920. In-12.º (13cm) de 106, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Dedicada pelo autor "Ás môças da minha terra - Para cantarem nas danças".
Interessante obra de João Grave, por ventura, das menos conhecidas da sua extensa produção literária.

"Não procures subir alto,
Modera as tuas canseiras:
Há, muitas vezes beleza
Mesmo nas ervas rasteiras

A pomba que tu me envias
Vem pousar à minha beira
Trazendo o beijo da paz,
Como um ramo de oliveira.

É um destino ditoso,
O das pombas, afinal!
Já fôram as mensageiras
No Dilúvio universal.
"

(I, II e III)

João José Grave (1872-1934). “Foi um escritor e jornalista português. Autor de obras de ficção, crónica, ensaio e poesia. Como jornalista chefiou a redacção do Diário da Tarde e colaborou nos jornais Província, Século e Diário de Notícias e em vários órgãos da imprensa brasileira. Foi director da Biblioteca Municipal do Porto e dirigiu o dicionário enciclopédico Lello Universal. A nível literário, esteve inicialmente próximo dos naturalistas, notando-se influências de Emílio Zola. Depois enveredou pelo romance de costumes.”
Encadernação simples, cartonada, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada cansada. Sem f. anterrosto.

Raro.
20€

24 fevereiro, 2019

BOUVIER, Alexis - OS DRAMAS DA BIGAMIA. Traducção de Luiz de Silva. Lisboa, Companhia Editora de Publicações Illustradas, 1892. In-8.º (16cm) de 282, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curiosa novela erótica do final do século XIX.
"Esvasiava-se pouco a pouco a vasta sala dos Passos Perdidos, do palacio da Justiça; ao vae-vem dos preiteantes, dos advogados, dos procuradores e dos curiosos, á tagarellice d'uns e d'outros, succediam-se a tranquillidade e o silencio. Todos os farçantes que o uso ridiculo obriga a disfarçarem se para calumniar o cliente do adversario, precipitavam-se para o vestiario, apressando-se em se desembaraçar do seu costume para voltarem a ser homens. Ao mesmo tempo que deespiam a toga pareciam arrancar a mascara; sahiam do vestiario transformados, vestes, modos e rosto.

Emquanto elles reappareciam sorridentes e satisfeitos, a pobre gente que tinham defendido suspirava triste, esmagada, amaldiçoando juizes e advogados. O ruido surdo do bater das portas era a unica cousa que perturbava o silencio. Os guardas dormitavam nos bancos: tendo terminado as sessões em todas as salas, apenas esperavam o levantar d'uma audiencia do civel para fecharem o palacio."
(Excerto do Cap. I, A sentença)
Indice:
I - A sentença. II - O escandalo. III - Pobre marido. IV - Em casa de Davilson. V - Colette. VI - Os dois namorados. VII - Uma noite de nupcias. VIII - O cadaver. IX - Idyllio. X - As duas amigas. XI - A entrevista. XII - Palestra intima. XIII - O plano de Davilson. XIV - Roubo simulado. XV - O artigo do jornal. XVI - Alta comedia. XVII - A viuvinha. XVIII - Uma carta de Suzanna. XIX - Astucias de mulher. XX - Vista retrospectiva. XXI - Entre noivos. XXII - A partida. XXIII - No meu lindo castello. XXIV - A carta anonyma. XXV - Colhendo informações. XXVI - Noticias de Paris. XXVII - O morto vivo. XXVIII - Alegrias de mãe. XXIX - Vingança de mulher. XXX - A Bigamia. XXXI - Conclusão.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.

Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto. Raro.
15€

23 fevereiro, 2019

NEVES, Prof. Carlos Manuel L. Baeta - A TAPADA DE MAFRA E A INVESTIGAÇÃO CINEGÉTICA. Separata da «Gazeta das Aldeias» - N.º 2638. [S.l.], [s.n. - Composto e Impresso na Tipografia Mendonça, Porto], [1969]. In-4.º (25,5cm) de 7, [1] p. a 2 coln. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Ilustrada no texto com fotografias a p.b.
Tiragem de 50 exemplares (de acordo com a Biblioteca Nacional).
Monografia acerca da Tapada de Mafra e do trabalho aí desenvolvido como centro de estudos e ensaios. O autor faz ainda algumas referências à história da Tapada de Mafra valendo-se para tal de um trabalho de Caldeira Santos.
Opúsculo valorizado pela dedicatória autógrafa de Baeta Neves ao Dr. Sousa Leite.
"Criadas pela última lei da Caça as mais graves responsabilidades profissionais, perante a falta de elementos científicos e técnicos em que se possam fundamentar muitas das decisões práticas consequentes, só criando um núcleo de estudo e experimentação, embora pequeno mas eficiente, será possível vir a obter, num espaço de tempo razoável e com a objectividade necessária, tais elementos, em relação ao caso português. [...]
Cada ano que passa não só agrava a situação, por inútil, como torna cada vez mais difícil harmonizar os interesses em causa, da Técnica e do Desporto, de molde a conseguir-se o entendimento e a íntima colaboração sem as quais, por mais que se estude e por mais perfeitas que sejam as leis, nunca será atingido o objectivo comum em vista, a generalização do Ordenamento cinegético a todas as áreas apropriadas onde os caçadores possam encontrar a satisfação dos seus desejos e direitos, embora dentro dos limites impostos por aquele, os quais são, por definição, os que melhor correspondem a essa condição fundamental."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e cinegético.
A BNP possui apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

22 fevereiro, 2019

GONÇALVES, Alf.s H. de Assis - NA CEPLANDIA. (Retalhos da Grande Guerra). Pôrto, Composto e impresso na Escola Tip. da Oficina de S. José, 1920. In-8.º (19cm) de 330, [2] p. ; [1] mapa ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante relato sobre a intervenção portuguesa na Grande Guerra. Trata-se das memórias do autor, oficial do C. E. P. na Flandres, e uma das mais importantes e apreciadas obras que sobre o conflito se escreveram.
Livro muito ilustrado no texto com croquis, em separado com um mapa - «Na Ceplandia : Interpretação Gráfica», e ao longo do livro em página inteira com 24 desenhos de Balha e Melo e fotogravuras.
"Aos meus camaradas da Grande Guerra que a viram e sentiram como eu - e quantos bem melhor do que eu...
Êste Livro - é para vós, ó eternas almas da grande alma de Portugal!...
Dai-lhe a desculpa que merece, porque aquêle que o escreveu, não pôz nêle o menor cálculo da vaidade nem o mais pequeno intúito de vanglória.
Fê-lo aos bocadinhos, em fugazes lapisadas tomadas sobre o joelho, nos minutos vagos da morte e sob as fulgurações sangrentas dessa Guerra singular, Guerra única, Guerra enorme em proporções de grandeza e em grandezas de sacrifício...
Êste Livro - é um arquivo de coisas sentidas, àlem, sobre os gelos do Norte, á luz rutila dos rutilos clarões com que o maior flagelo da Humanidade incendiou a Europa consumindo milhões e milhões de vidas numa incineração tão pavorosa como o pavor monstruoso de um abismo. [...]
Êste Livro - memorandum de campanha, bloco de apontamentos sem nexo - é pobre, mas, sentio-o nas horas mais trágicas da Guerra, resei-o em preces doloridas no meu calvário de amarguras... Êste Livro, escrevi-o com as tintas da saudade e medi-o com as palpitações aceleradas do sangue de minhas veias em efervescentes estuações de esperança... - Esperança de vêr ainda maior uma Pátria grande, na grandeza quasi-eterna da sua História!...
Êste Livro... é uma parcela singelíssima do que vi e do que vivi na Flandres onde vós vivestes.
Lêde-o se quiserdes, depois... esquecei-o."
(Excerto do nota introdutória, Êste Livro - Aos meus camaradas da Grande Guerra)
Crónicas: Nota introdutória. - Aos Bravos de Inf. 12. - A Todos. - Preâmbulo. - 1.ª Parte: Guerra de Gigantes (Espingardas e Canhões). 1.ª Fase. - Preparando a Partida. - Escombros da Memória: Partindo para a Guerra (Uma Carta - Lisboa, Paris e Laventie); Pela terceira vez; Entrada nas Trincheiras; O Bat. de Inf.ª 12 ocupa o Sector de Neuve Chapelle; A minha máscara, finalmente serve, pela terceira vez; A Primeira Patrulha; Os Velhos Irmãos Dumond; Uma Patrulha Alemã (Dois prisioneiros - Um Of.al morto...). Calendas e Idos (Dia-a-Dia, Hora-a-Hora, Minuto-a-Minuto): A Missão do Alferes na Presente Guerra; Nas Trincheiras : 2.ª Linha - Apoio; Em Penin Mariage; Um Transe; Raid do Batalhão de Infanteria 14. Descrição do Combate de 9 de Abril : Pequena parte que o autor tomou nesse combate. I - Avanço para o Reducto «Le Marais»; II - No Reducto; III - Combate; IV - Retirada; V - Ainda a Retirar; VI - Um Almôço; VII - Á Procura da 3.ª B. I.; VIII - Em Berguette (Conclusão do meu Nove de Abril). - 2.ª Parte: Guerra de Sapadores (Pás e Picaretas). 2.ª Fase. - Deambulando: O Bat. Inf.ª 12 Retirando - Berguette - Delettes - Sanleques - Inxen; - Outra Vez Para a Frente : Inxen - Verchocq - Enguinegatte - Lillers; - Em Liller; - Jornais de Portugal; - Os Manueis; - Em Ecquedecque; - Cri de France; - Dia 29 de Junho; - A Propósito de Cruzes de Guerra : De uma carta a um amigo; - Retirada de Ecquedecque; - Em Les Ciseaux; - Para Isbergues (Raid-aéreo ao 34); - Em Enguinegatte; - O 1.º capelaão militar do Bat. Inf.ª 12 : Chocques 12-9-918. Pela Base : Roubáram-me o Meu Pelotão; - Para a Escola de Sineiros do C. E. P.; - As Costas da Inglaterra (Ambleteuse 23-9 a 3-10-918); - Um livro e um oferecimento : «Grato ao seu heroismo, feliz de admira-lo» : Cap. Augusto Casimiro; - Aos Quarteis de Inverno; - A triste Nova de Uma Insubordinação; - Depoimentos sobre a Epopeia de Inf.ª 12; - Uma Festinha de Igreja (Quiested, 3 a 8-11-918). - Vamos até à Bégica. Com os dias : 8-11-918. - O Armistício : 11-11-918.
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado de conservação. Capa fac-símile.
Raro.
Com interesse histórico.
60€

21 fevereiro, 2019

CAETANO, Marcelo - UNIVERSIDADE NOVA : o problema das relações entre professores e estudantes. Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da Gráfica de Coimbra], 1942 [na capa, 1943]. In-4.º (23,5cm) de 28 p. ; B. Separata de "Estudos" : Ano XIX, Fascículo 10, (Dezembro de 1942)
1.ª edição independente.
Importante reflexão do Prof. Marcelo Caetano acerca do relacionamento entre alunos e professores universitários no contexto de um novo e desejado ensino superior. Publicado pouco tempo após a sua nomeação para o cargo de Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa, em 1940, que viria a revolucionar, trata-se do seu primeiro ensaio vestindo a pele do pedagogo, gosto que viria a manter pela vida fora e que daria origem a algumas outras obras sobre educação.
"Quero aproveitar êste ensejo de me dirigir a universitários para tratar de um problema que há muito me preocupa: o problema das relações entre estudantes e professores nas Universidade portuguesas.
Vou expor o que penso e o que sinto no único intuito de fazer um depoimento e de fornecer uma contribuição.
Nado, criado e formado em Lisboa, onde sempre ensinei, êsse depoïmento refere-se exclusivamente ao meio que conheço e de que tenho experiência. É possível que o problema apresente aspectos comuns em tôdas as Universidades portuguesas, mas também é natural que os seus termos variem em Lisboa, em Coimbra e no Pôrto. Mais ainda: dada a grande dispersão e diferenciação das escolas superiores que constituem as Universidades de Lisboa, aquilo que tenho observado na Faculdade de Direito e em mais duas ou três escolas pode não ser exacto relativamente a outras.
Outros depoïmentos e outras contribuïções serão precisos, portanto, para que se possa com perfeita objectividade encarar a questão e prosseguir assim na obra construtiva da Universidade nova em Portugal."
(Excerto de I., Um depoimento)
Matérias:
1. - Um depoimento. 2. - O estudante universitário e as suas preocupações. 3. - A crise de pensamento. 4. - Quando o verbo se faz carne... 5. - As iniciações dramáticas. 6. - Novas energias físicas. 7. - Onde estão os professores? 8. - A possível acção benéfica do professor. 9. - Dificuldades ao convívio opostas pelos estudantes. 10. - A timidez juvenil. 11. - O espírito de independência. 12. - Ensino e liberdade. 13. - Obstáculos levantados pelos professores. 14. - Os talentos incompreendidos. 15. - Os perigos da popularidade. 16. - Defesa do prestígio. 17. - Velhos vícios de catedratismo. 18. - A investigação científica. 19. - As circunstâncias nacionais. 20. - Não proponho remédios. 21. - Universidade nova quere dizer espírito novo. 22. - A Universidade perante a civilização ameaçada.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

20 fevereiro, 2019

KEILING, Mons. Luiz Alfredo - QUARENTA ANOS DE ÁFRICA. Por... Perfeito Apostólico do Cubango e Vigário Geral do Huambo. Fraião - Braga, Edição das Missões de Angola e Congo, [1934]. In-4.º (23cm) de VIII, 192, VIII p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Muito ilustrada no texto com fotogravuras a p.b.
"Quarenta anos de África!
Memórias de degredado por certo! - terá dito de si para si o leitor curioso de semelhante título, levado sem querer nas azes possantes da fantazia para as Pedras Negras e Costas d'África de má sina e triste recordação.
Não terá sido total o engano. De degredados fala o livro inteiro, na verdade, mas de degredados voluntários e heróicos, que sem crime nenhum a expiar, sem deverem coisa nenhuma à ordem social, não por exigência da justiça mas por impulsos de caridade, deixaram um dia a terra natal, os páis estremecidos, a família adorada, os encantos e confortos da civilização, atravessaram mares e florestas, internaram-se no sertão, para ali, visinhos com os selvagens, sem outra arma que não seja a cruz, outro código que não seja o evangelho, construírem uma capela e logo uma escola e depois uma oficina, levantarem à sombra da religião a aldeia pacífica nas fainas agrícolas, a vila ou cidade industriosa no trato mercantil, a civilisação com todas as suas vantagens, formarem na cretaura diminuida, que é o preto, o homem e o cristão, capaz de salvação, de governo, de progresso.
A êstes degredados, hoje louvados por quantos os teem visto mãos à obra, e já por Cristo exaltados a luz do mundo e sal da terra, pertence o autor destas memórias. [...]
Mons. Luís Keiling, historiando por alto os seus 40 anos de missionário, dos quais 25 como Perfeito Apostólico do Cubango e Vigário Geral do Huambo, não pretende fazer autobiografia, muito menos ainda o panegírico seu ou dos seus companheiros. E não é que faltassem motivos de louvor... Limita-se, com modéstia digna dos protagonistas de tão belos feitos, a narrar a fundação e descrever o desenvolvimento lento, por vezes sangrento, de cada uma das missões do Espírito Santo naquela vastíssima região, quer tenham sido fundadas por êle, quer pelos seus predecessores, no decurso dos últimos 40 anos. Testemunha de vista e de acção, temos de o acreditar, quando êle nos mostra, a cada passo, o missionário de Espírito Santo empenhado de corpo e alma, português nas obras e na língua, mesmo quando não de nascimento, em levantar ao mesmo tempo no meio da tríbu, que quer converter, a Cruz de Cristo e a bandeira das Quinas."
(Excerto do Prólogo do Editor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e religioso.
Indisponível

19 fevereiro, 2019

DINIZ, Julio - SERÕES DA PROVINCIA. 1.ª edição illustrada com aguarelas de Alfredo de Morais. Lisboa, Emprêsa Literária Universal, [189?]. In-8.º (20cm) de 290, [2] p. ; [4] f. il. ; E.
1.ª edição ilustrada.
Com uma advertência transcrita da 3.ª edição datada do Porto, 9 de Julho de 1879.

Livro muito valorizado pelas 4 estampas da autoria de Alfredo de Morais, que também assina a capa.
"Era por uma manhã de abril de 1852.
O campo vestia-se de seus mais opulentos e matizados trajos.
O Minho estava fascinador.
Por toda a parte eram já espessuras frondosas e impenetraveis; sombras discretas; valles mysteriosos e encantadores, graças ao claro-escuro com que a vegetação renascente os coloria; collinas adornadas e festivas, como um throno de altar em capella rustica; enfloradisssimos silvados, veigas a exuberarem de vida; e, por entre tudo isto, casas de brancura offuscante e, acima de tudo, um céo sem nuvens, um céo azul, d'aquelle azul dos céos napolitanos, a meu vêr, tão culpados na existencia dos lazzaroni.
As torrentes estavam nas suas horas de bom humor; não bramiam, murmuravam apenas; não se precipitavam, impetuosas, do alto dos outeiros, deixavam-se escorregar pelas anfractuosidades das quebradas.
Os ventos, como arrependidos, pretendiam, com afagos, fazer esquecer aos arbustos mais tenros as violencias passadas.
A luz salutar da primavera convertia-se, por magica metamorphose, em perfumes que embalsamavam os ares, em fl_ôes que esmaltavam os prados, em harmonias vagas que as brizas transportavam de selva em selva, que as aves escutavam attentas e os écos repercutiam sonoros.
N'estes dias assim sente-se palpitar de vida a natureza inteira."
(Excerto de Justiça de Sua Magestade)
Novelas- Justiça de Sua Magestade. - As apprehensões  de uma mãe. - O espolio do snr. Cypriano. - Os novellos da tia Philomela. - Uma flôr d'ente o gêlo.
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal
Exemplar em bom estado de conservação. Mancha marginal na pasta anterior.
Invulgar.
15€

18 fevereiro, 2019

COSTA, Vieira da - ENTRE MONTANHAS (scenas da vida do Douro). Por... Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (19cm) de 493, [1] p. ; B. Col. Romances Nacionaes - III
1.ª edição.
Romance cuja acção decorre, sobretudo, no Praso das Mattas, vasta quinta vinhateira situada no Douro transmontano.
"Nos principios d'este ultima decada do seculo, que vae correndo, era motivo geral de curiosidade nas Caldas do Mollêdo, já entre os banhistas adventicios, já entre os indigenas interessados, a presença alli, em determinados dias, d'um rapaz para muitos desconhecido, e que de ordinario se apresentava com uma regularidade severa de funccionario escrupuloso. Viam-n'o sempre chegar a horas certas, pelo começo da tarde, ás vezes a cavallo, ás vezes no comboio, inteiramente vestido de luto aliviado, muito cuidado no seu vestuario e profundamente comedido nos seus modos. Tão comedido mesmo, que ninguem lograva atinas com a causa das suas visitas, para muitos inteiramente mysteriosas.
Era um elegante typo de rapaz, alto e delgado, de curtis mate, olhos castanhos e um fino bigode louro-escuro sobre a bocca séria, sensual e carnuda. Não tomava banhos, não visitava ninguem, não parára jamais em frente de qualquer janella: e como tambem não assistia a nenhum divertimento, - a nenhum baile ou soirée, a nenhuma reunião ou merenda, a nenhuma burricada ou regata - nem mesmo se podia dizer que o desejo de distracções o trouxesse á terra.
A verdade, porém, é que se muitas eram as pessoas que ignoravam quem elle fôsse, algumas havia, comtudo, que o conheciam a fundo, com grande precisão de pormenores illucidativos. E d'essas, o commendador Amaral Leitão era o mais instruido, e foi o que logrou desvendar o mysterio.
O tal rapaz, que elle conhecia tão bem como os seus dêdos - aquelles dêdos grossos, cabelludos, com um rico annel de brilhantes no fura-bollos da mão direita - chamava-se Affonso Duarte da Cruz Silveira, era vaccinado, tinha vinte e cinco annos de edade e 1,74 centimetros d'altura, rigorosamente medidos no estalão administrativo quando fôra á inspecção para soldado, de que, aliás, um numero alto o livrára. Pelo que respeitava a bens de fortuna, ou meios de a adquirir, possuia uma casa de moradia nas ribas do Douro, uma legua para oeste, em sitio ermo, com uma terreola annexa onde cultivava com aproveitamento couves gallegas e aboboras meninas, cebollinho e outras plantas hortenses e dois milheiros de cêpas muito cuidadas, que davam o melhor de doze pipas de vinho, bom anno, mau anno, ; tinha ademais uma commisão para compra de vinhos da respeitavel firma ingleza - Coley and Smith - Oporto - que negociava na especialidade; e como esperanças de futura prosperidade, possuia lá para as bandas de Murça um tio materno, septuagenario, doente e sem mais herdeiros. Sobre o luto, que elle trazia, não se sabia nada."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas, A Irmã Celeste e A Familia Maldonado. Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada fendida com alguns cadernos soltos. Deve ser encadernado.
Raro.
Indisponível

17 fevereiro, 2019

SOUSA, Joaquim Ferreira de - CASTELO BRANCO, COVILHÃ E FUNDÃO. Suas riquezas e aspirações em melhoramentos. Tese apresentada por... Da Comissão Executiva Distrital do VII Congresso Beirão. Castelo Branco, [s.n. - Tipografia Semedo, Castelo Branco], 1940. In-8.º (21cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Não será demasiado insistir e por o julgar oportuno apresentar a este Congresso, no que há de interesse e possível de realizar, no tocante a melhoramentos destinados a desenvolver as riquezas agrícolas e industriais da província da Beira Alta, movimentadas através das suas principais fontes, que são: Castelo Branco, Covilhã e Fundão, esta vila, situada no meio daquelas duas cidades. [...]
Covilhã:
Cidade com 15 mil habitantes, que na indústria de lanifícios marca uma posição de grande relêvo, rivalizando em parte com a indústria estrangeira dêste género, regista uma produção calculada por ano em 5.000.000 de metros no valor de Esc. 175.000.000$00. [...]
Cidade cheia de vida e animação, pela sua situação comercial e industrial, procura ampliar em melhoramentos a sua posição actual, para conseguir que a indústria de turismo possa marcar na sua finança o lugar que todos os covilhanenses ambicionam."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

16 fevereiro, 2019

ABREU, José Maria de - LEGISLAÇÃO ACADÉMICA DESDE 1772-A-1866. - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE OS ESTATUTOS DE 1772 ATÉ AO FIM DO ANNO DE 1850: COLLIGIDA E COORDENADA POR ORDEM DO EXCELLENTISSIMO SENHOR CONSELHEIRO REITOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA. Coimbra, Na Imprensa da Universidade. 1851. In-8.º (22cm) de 217, [3] p. No mesmo volume: - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE O ANNO DE 1851 INCLUSIVAMENTE ATÉ AO PRESENTE. COLLIGIDA E COORDENADA POR... Coimbra. Imprensa da Universidade. 1854. In-8.º de 94, [2] p. No mesmo volume: - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE 1855 ATÉ 1863 E SUPPLEMENTO Á LEGISLAÇÃO ANTERIOR COLLIGIDA E COORDENADA PELO CONSELHEIRO... Coimbra. Imprensa da Universidade. 1863. In-8.º de 511, [1] p. No mesmo volume: - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DE 1864 E 1865 E REPERTORIO DE TODA A LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE 1772 ATÉ 1865 PELO CONSELHEIRO... Coimbra. Imprensa da Universidade. 1866. In-8.º de 74 p. + 30 p. (2.º SUPPLEMENTO Á LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE OS ESTATUTOS DE 1772 ATÉ 1866) + LXXIX, [1] p. (REPERTORIO DE TODA A LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE 1772-1866) ; E. num único tomo
1.ª edição.
Relevante conjunto de legislação académica com interesse histórico para a Universidade de Coimbra.
"Provisão - Prohibindo as quitas das propinas e emolumentos, determinados pelas leis regias, ás pessoas do corpo da Universidade, debaixo da pena das respectivas privações das Cadeiras, Cursos, officios ou empregos, contra os que taes quitas fizerem.
Provisão - Em observancia das ordens, que tenho d'el Rei meu Senhor: «Hei por serviço de Sua Magestade declarar e fixar o louvavel costume antigo das propinas, que pagaram e devem pagar os Lentes Proprietarios de Cadeiras, e Substitutos dellas, com privilegios de Lentes, nos actos das posses das sobreditas Cadeiras, na maneira seguinte: Para o Reitor, ou como tal, ou sendo ainda Reformador, quatro mil e oitocentos reis: para os Deputados do Conselho da Fazenda e Estado da Universidade, mil e duzentos reis: para o Secretario da Universidade e do mesmo Conselho, como tal mil reis, e como Mestre de Cerimonias outros mil reis: para o Porteiro e Guarda Mór dos Geraes, novecentos e sessenta reis: para o Bedel da Faculdade, em que se tomar a posse, novecentos e sessenta reis: para os Bedeis das outras Faculdades, quatrocentos e oitenta reis a cada um: para o Meirinho geral da Universidade, seiscentos reis: e para o Sineiro, quatrocentos reis.»"
(Legislação Academica, 5 Outubro, 1772)
Encadernação em tela com título gravado a ouro sobre rótulo negro.
Exemplar em bom estado de conservação. Carimbo de posse do professor universitário Dr. Lopes Praça na f. rosto do I vol.
Raro.
65€

15 fevereiro, 2019

TERRAMOTOS E TSUNAMIS. Coordenação de Paula Teves Costa. Textos de: Maria Ana Baptista; João Cabral; Paula Teves Costa; Luís Matias; Miguel Miranda; Pedro Terrinha. Prefácio de: Luiz Mendes Victor. Lisboa, Livro Aberto, 2005. In-4.º (25x19,5cm) de 112 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia de índole científica, obra de um grupo de investigadores integrados em Centros de Investigação da Universidade de Lisboa, cujo trabalho, além de fazer o ponto de situação relativo aos fenómenos sísmicos e suas consequências, pretende explicar os acontecimentos históricos mais importantes - alguns que directamente nos dizem respeito - à luz dos novos conhecimentos científicos e tecnológicos.
Livro ilustrado a p.b. e a cores ao longo do texto.
"O sismo de 1 de Novembro de 1755 ocorreu cerca das 9h 30m, hora solar, em Lisboa, tendo sido sentido um pouco por toda a Europa. O tsunami foi observado, no Atlântico Norte, desde as Ilhas Barbados até à Escócia. No entanto as ondas mais destrutivas foram observadas em Portugal Continental, Espanha (Golfo de Cadiz) e no Norte de Marrocos. As dimensões catastróficas deste evento, deram origem a uma enorme quantidade de relatos escritos, como mostram os exemplos que se seguem. Lisboa é um dos locais onde está melhor documentada a destruição gerada pelo sismo e o tsunami de 1755.
[...]
A descrição da cidade e do seu porto antes e depois do sismo de 1755 pode ser ilustrada a partir dos seguintes extractos de testemunhos de cidadãos britânicos:
"[...] a cidade de Lisboa, situada na margem norte do rio Tejo, a cerca de seis milhas do mar sobre terreno irregular [...] no lado próximo do rio ficava o palácio do rei, com uma grande praça aberta para nascente, separada do cais principal da cidade por alguns edifícios baixos, um pequeno forte e uma muralha e uma praia muito frequentada [...]"
"[...] O porto pela sua situação no oceano ocidental, é um dos mais amplos da Europa: possui grandeza bastante para conter 10 mil navios com comodidade e mesmo os maiores navegam em segurança em frente das janelas do palácio real. Defendem a sua entrada dois fortes: o primeiro chamado de S. Julião, acha-se construído na margem; o outro, a torre do Bugio, fica defronte num banco de areia rodeado de água. A natureza forneceu também outra defesa, a barra, muito perigosa sem o auxílio dos pilotos acostumados ao local [...]"
O impacto do tsunami na baixa da cidade de Lisboa e no estuário do Tejo foi enorme:
"[...] De repente ouvi um clamor geral: " o mar está a subir" [...] De repente apareceu a uma pequena distância uma enorme massa de água a erguer-se como uma montanha [...] precipitando-se em direcção à terra tão impetuosamente que, não obstante termos imediatamente fugido [...] muitos foram arrastados para o largo. Os restantes ficaram com água acima das cinturas, a boa distância das margens [...] Em resumo, os dois primeiros abalos foram tão violentos que na opinião de vários pilotos a localização da barra da foz do Tejo foi alterada."
(Excerto de TSUNAMIS EM PORTUGAL, O Catálogo Português de Tsunamis, Tsunami de 1 de Novembro de 1755)
Matérias:
- A tectónica recente e a fonte do grande sismo de Lisboa de 1 de Novembro de 1755. - Tsunamis em Portugal [inclui o Catálogo Português de Tsunamis]. - Perigosidade e Risco sísmico. - Escala de Sieberg-Ambraseys : Escala de IIDA. Anexo I. - Escalas de Intensidade Macrossísmica. Anexo 2. - Glossário.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e científico.
20€

14 fevereiro, 2019

MARTINS, J. P. de Oliveira - PHEBUS MONIZ : romance historico portuguez do seculo XVI. Por... Volume I [e Volume II]. Porto: Typographia Commercial, 1867. 2 vols in-8.º (19cm) de XVII, [1], 163, [3] p. (I) e 177, [3] p. (II) ; E. num único tomo.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais invulgares e apreciadas obras de Oliveira Martins - um romance histórico, também ele histórico.
"Eram contados os seculos de existencia do cyclo gothico. O feudalismo estrebuchava decrepito, porque a aristocracia militar, prestavel nos tempos da conquista, era odiosa na paz. As suas demasias, alem de enfastiarem o rei, incommodavam o povo, que com alguns seculos de vida municipal se havia feito homem. A par d'isto a igreja, em campanha permanente durante toda a edade-media contra o poder civil, seu rival, sentia exaurirem-se-lhe as forças, para proseguir no rito austero da antiguidade. Sob o exterior severo, com que impunha respeito aos adversarios, cega veneração ás massas, a igreja militante estava roida de podridão. O cilicio, a sombra das cathedraes, a nudez e severidade da ogiva mascaravam a orgia, o veneno, a crapula, o assassinato. O crime, na sua mais hedionda manifestação, soltava os cabellos desgrenhados e com elles varria os atrios e as sallas dos paços papalinos. Eram as saturnaes do Christianismo.
Urgia uma transformação. Levantava-se em Roma um d'estes homens, que são colossos. Byzancio derramava pelo mundo os thesouros da erudição antiga. Appareciam á luz as maravilhas de tempos quasi ignotos. As tradicções classicas deslumbravam tudo: Leão X mede as forças, convoca os reis; e a egreja e a sociedade vão retemperar-se nas instituições do passado. Sella-se a paz entre Deos e Cesar. Ambos se sentam sobre o throno, unidos pelo principem dat Deus.
Na egreja substitue-se á austeridade, a doçura; á singelleza, a profuzão. Tomam as cerimonias um aspecto esplendido, revestem-se de uma solemnidade quasi pagan, que contrasta com a severa nudez da egreja gothica. Aos gemplos sombrios, em que os coros de frades macillentos, acompanhados pelos sons do orgão, escondido em profunda nave, onde só os reflexos da lampada funebre rasgam fracamente o véo impenetravel da sombra, - substituem-se a luz transbordando, as cores garridas, as flores, os instrumentos, os fatos de purpura, ouro e diamantes. Era a religião victoriosa, elevada ao mando omnipotente, sentada com os reis nos thronos, vestindo nas festas do triumpho as clamides cesareas."
(Excerto da Introducção)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto do vol. I, e ocasionais picos de acidez.
Raro.
Indisponível

13 fevereiro, 2019

SANTARENO, Bernardo – NOS MARES DO FIM DO MUNDO. (Doze meses com os pescadores bacalhoeiros portugueses, por bancos da Terra Nova e da Gronelândia.). Lisboa, Edições Ática, 1959. In-8.º (19,5cm) de 243, [5] p. ; [9] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com fotografias a p.b. em folhas separadas do texto.
“Nos Mares do Fim do Mundo foi, em parte, escrito a bordo do arrastão «David Melgueiro», na primeira campanha de 1957, a primeira também em que eu servi na frota bacalhoeira portuguesa, como médico. Mas depois desta, tomei parte numa segunda, em 1958, agora a bordo do «Senhora do Mar» e do navio-hospital «Gil Eannes», em que assisti sobretudo nos barcos de pesca à linha: Assim pude de facto conhecer, por vezes intimamente, todos os aspectos da vida dos pescadores bacalhoeiros portugueses, em mares da Terra Nova e da Gronelândia, e completar este livro.”
(Nota do autor)
Bernardo Santareno (1920-1980). "Pseudónimo literário de António Martinho do Rosário. Escritor e dramaturgo, nascido em Santarém onde fez a instrução primária e o liceu. Em 1950, concluiu a licenciatura em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Radicou-se em Lisboa. Fez duas viagens à Terra Nova, como médico embarcado em navios bacalhoeiros. Desempenhou funções no Instituto de Orientação Profissional, e, na Fundação Raquel e Martin Sain, destacando-se no trabalho de reabilitação e integração de invisuais. Em 1959, publicou um livro de narrativas, Nos Mares do Fim do Mundo, fruto da sua dura experiência na pesca do bacalhau.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

12 fevereiro, 2019

QUEIRÓS, Eusébio de & WALGODE, António - O SOLDADINHO : monólogo. A propósito da instrução militar preparatória, nas escolas. Por... Pôrto, Casa Editora de A. Figueirinhas, 1913. In-8.º (18,5cm) de 11, [1] p. ; B. Biblioteca Teatral para Crianças : Teatro Infantil, XVI
1.ª edição.
Curiosa peça republicana de indubitável interesse histórico e simbólico.
Sobre o assunto das instrução militar preparatória implementada pelo regime republicano, de que o presente opúsculo é um bom exemplo propagandístico, recomendamos a leitura do excelente trabalho de Luís Alves de Fraga, A Instrução Militar Preparatória como escola de patriotismo na 1.ª República, disponível em: http://repositorio.ual.pt/bitstream/11144/661/1/A%20Instru%C3%A7%C3%A3o%20Militar%20Preparat%C3%B3ria%20como%20escola%20de%20patriotismo.pdf, e que aqui deixamos um excerto.
"Uma das mais prementes reformas que o Governo Provisório [da República] levou a cabo foi a do Exército, abandonando a feição semi-profissional que tinha no tempo da Monarquia, transformando-o no ponto de passagem de todos os cidadãos com idade de prestação de serviço militar. O serviço à Pátria tornou-se obrigatório e inalienável para todos os mancebos aptos a cumprirem o seu dever de cidadãos. Sendo uma obrigação era, acima de tudo, um direito que deveria ser exercido por sentido de pertença ao agregado nacional. Contudo, a necessidade de acelerar o processo de modificação de mentalidades não poderia ficar dependente do jovem ter idade para ingressar nas fileiras: era preciso que o serviço militar surgisse na altura própria como a consequência de uma evolução iniciada ainda em criança. Ou seja, o sentido de cidadania teria de crescer enquanto o cidadão crescia para a Pátria e para a República. Para que assim acontecesse o Governo Provisório após e na sequência da reforma da organização militar estabeleceu, como instrumento obrigatório de enraizamento da consciência nacional, a Instrução Militar Preparatória."
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
10€

11 fevereiro, 2019

ELIAS, Jom-Jom, João - ECOS DA GUERRA : PATRIA E LIBERDADE. Valongo, Tipografia Lusitana, 1920. In-8.º (21,5cm) de 31, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Obra poética composta por versos patrióticos tendo por tema de fundo a Grande Guerra, recitados na sua maioria em diferentes palcos de Valongo.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Poesias:
- Nova Aurora. - A Valonguêsa. - O Balsamo. - Patriotismo e Bondade. - Amôres romanticos. Ao distinto Capitão do exercito Eugenio Aresta Branco. - A debacle imperial : quéda dos idolos. - Aos mortos gloriosos. Soneto recitado por ocasião dos festejos comemorativos da vitoria dos aliados. - O Triunfador. Ao Dr. Afonso Costa. - Á memoria de Rafael de Carvalho. Um dos primeiros voluntarios portuguêses morto pelos barbaros alemães, na batalha de Champagne, em França. - Poeta e Soldado. Ao ilustre oficial do exercito Augusto Casimiro.Os mensageiros do Bem. - Preito Carinhoso. - A dama da Cruz Vermelha. - O cantico da Republica. - Aos Heroes d'Africa.

"Abandonando o lar, os entes mais queridos
As benção maternais e os beijos das esposas
Partis-te para a guerra, alegres, destemidos
O mundo a libertar das viboras danósas.

Sepultados na França em chãos desconhecidos
Não podémos cobrir-vos de laureis e ròsas;
Mas depois da vitòria, irmãos agradecidos,
Vimos saudar-vos, hoje, em vibrações ruidosas.

Ó mortos gloriosos, lusos imortais
Sacrificando a vida aos patrios ideais
Caíste como herois em pugnas de leões

Varados pelas balas do inimigo em frente;
Mas não morreste, não; vivereis eternamente,
Nas paginas da historia e em nossos corações."

(Aos mortos gloriosos)

Encadernação em tela. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€
Reservado

10 fevereiro, 2019

SANT'ANA, António H. de - APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DOS PILOTOS DA BARRA DE LISBOA. [S.l], [s.n. - Casa Mendonça, Lisboa], 1957. In-4.º (23,5cm) de 105, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos pilotos da Barra de Lisboa.
Ilustrado com fotografias a p.b. no texto e em página inteira.
"Os pilotos da barra são, como se sabe, uma das várias resultantes do desenvolvimento das relações dos povos com o mar.
Oriundos da classe dos pescadores que desde tempos remotíssimos exerciam o mister da pesca do alto nas costas dos continentes e, nomeadamente, nas de Portugal e Lisboa, no parecer do distinto escritor Ramalho Ortigão, expendido nas «As Farpas», onde diz: «Para ter marinha é primeira condição ter marinheiros. Para criar marinheiros é preciso criar pescadores», vimos encontrar relacionadas a tempos bastante remotos da nossa história, as tradições dos homens que em dada altura das nossas relações com o mar fundaram um serviço, o da pilotagem das barras e portos, cujo valor adiante se referirá segundo o relato de códices e outros elementos de informação que permitem se faça uma ideia da origem e evolução desse serviço até aos nossos dias.
As inúmeras razões que promoveram o progresso da construção naval e que transformaram as primitivas embarcações que primeiramente o homem houve mister de construir para sua condução e sustento e depois para as suas relações com os outros povos e combate em navios de maior calado e, por último, nos grandes navios transoceânicos, depressa promoveram a necessidade de assistência de um prático ou auxiliar de navegação que em determinados locais, nas proximidades dos portos e estuário das barras assegurasse, capazmente, o livre acesso desses locais, protegendo, assim, a navegação contra os inúmeros perigos a que se expunha navegando neles desprevenidamente.
Poderá ajuizar-se, talvez, de exagerado o parecer de que a verificação de uma série de desastres no mar, pesando sobre a economia dos povos, acabou por tornar indispensável a assistência desses auxiliares de navegação, desde que os navios, é claro, excedessem um determinado calado de água."
(Excerto de Origens)
Índice: Da etimologia da palavra «piloto». Regulamento do piloto da barra. Pilotos da barra - Colecção de Leis: Pilotos da barra - Colecção de leis de Setembro de 1720 a Outubro de 1956. Notas e impressão do Inquérito: Origens. Primeiras notícias oficiais - Lisboa, Porto e Aveiro, movimento de comércio marítimo no século XVI; Lisboa, Porto e Aveiro, condições de acesso das respectivas barras. Duas épocas - A consolidação de alicerces e o primeiro Regulamento de Pilotagem. Do século XIX para o século XX. Última etapa. Outros subsídios: Relatório - Breve Notícia do período 1925-1956. Episódio histórico que revela o carácter de uma Rainha. Difícil tarefa. Pessoal. Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

09 fevereiro, 2019

VIDA E MILAGRES DE S. JOÃO DE DEOS PATRIARCHA DA HOSPITALIDADE E FASTOS LITTERARIOS DE MONTEMOR-O-NOVO. Coimbra, Imprensa Litteraria, 1871. In-8.º (19,5cm) de 56, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia em verso de S. João de Deus, santo natural de Montemor-o-Novo, pejada de notas e informações históricas em prosa ao longo do texto.
Ilustrada com uma bonita gravura em página inteira com inscrição no pé: Lith. R. do Correio - Coimbra 1871.
"A Provincia do Alemtejo, senão a mais formosa, é de certo uma das mais formosas do nosso paiz e n'ella floresceram grandes santos e veneraveis escriptores. [...]
Refere-se que S. João de Deos nascera a 8 (ou 25) de Março de 1495, e morrêra a 8 de Março de 1550.
Inflammado pelo amor de Deos e do proximo a sua vida foi um compendio de virtudes. [...]
Assim, resumidamente, sem esforço nem difficuldade poderão as almas piedosas contemplar na vida do bem-aventurado S. João de Deos um jardim de aromatisadas flores e dos fructos mais saborosos. [...]
Meditando em tão elevadas virtudes foi meu fim, versificando a vida do Santo de Montemór-o-Novo, não fazer uma obra d'arte, imaginaria e formalmente bella; mas tornar mais agradavel ás almas piedosas e leitura de tantas e tão grandes virtudes, de tamanhos prodigios, de tão viva oração e de tão rigorosa penitencia."
(Excerto da dedicatória, A uma alma devota de S. João de Deos, patricia do mesmo Santo)
Matérias:
A uma alma devota de S. João de Deos, patricia do mesmo Santo. Vida de S. João de Deos: 1.ª Parte - I. Juventude e mocidade; II. A puericia; III. Oração: - resolve-se a deixar a sua familia e a sua terra. 2.ª Parte - Renovação espiritual de S. João de Deos. 3.ª Parte - Santificação - fructos e flores: I. Visões mysticas; II. Profecias; III. Tentações; IV. Virtudes e boas obras - seu nome e habito; V. Conversões do caminho do vicio para o da virtude; VI. Penitencia e oração. 4.ª Parte - Doença mortal e passamento de S. João de Deos d'esta para melhor vida: I. Sáe do hospital; II. Enfermeira de S. João de Deos; III. Confissão e testamento de S. João de Deos; IV. Passamento; V. Depois do transito. Fastos litterarios de Montemor-o-Novo.
Encadernação inteira de percaina com ferros gravados a ouro na pasta frontal.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

08 fevereiro, 2019

REPRESALIAS SOBRE PRISIONEIROS DE GUERRA. Correspondencia trocada entre a Commissão Internacional da Cruz Vermelha e o Governo Britanico. Londres, Eyre and Spottiswoode, Limited. 1916. In-8.º (18cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos prisioneiros da Grande Guerra.
"A Cruz Vermelha, a qual nos apraz dizer, muito tem progredido durante a presente guerra e largamente tem exercido entre os belligerantes, com a cooperação das potencias neutras, a sua benefica influencia, foi fundada com um objectivo - o da humanidade.
A sua creação foi inspirada pelo desejo de mitigar, até certo ponto, as cruezas da guerra, especialmente entre aquelles cujos ferimentos, embora sem serem fataes, os tivessem debilitado e incapacitado.
No decurso desta guerra, o vasto numero de combatentes tem produzido uma classe de infelizes de um typo, por assim dizer, novo, pois que se essa classe já antes existia, nunca chegou a attingir as suas actuaes proporções. Queremos referir-nos aos prisioneiros de guerra. Estes estão tambem invalidos, incapazes de resistir, e expostos á mercê do inimigo, que os forçou a render-se e supplicar lhes fossem poupadas as vidas.
O prisioneiro que consegue escapar incólume da batalha é certamente menos digno do que o soldado que foi ferido e se acha retido no leito do hospital. Comtudo, o captiveiro, esse exilio involuntario, longe da patria, longe dos seus, com os quaes só pode communicar raras e incertas vezes, combinando com o ocio forçado, produz torturas moraes que recrudescem á medida que a guerra se vai prolongando."
(Excerto da correspondência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas e interior com manchas de oxidação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

07 fevereiro, 2019

SERRÃO, Joaquim Veríssimo - HISTÓRIA DAS UNIVERSIDADES. Por... Porto, Lello & Irmão - Editores, 1983. In-8.º (22,5cm) de 213, [3] p. ; [22] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das Universidades ao longo da História. Com referência às portuguesas de Coimbra, Évora, Lisboa e Porto.
Ilustrado no texto em página inteira com mapas e plantas, e em separado, 22 estampas impressas sobre papel couché.
"Pretende este livro oferecer uma pequena história das Universidades, englobando os seus grandes períodos e as mais celebradas instituições. [...]
O presente estudo pode assim mostrar o que foi a génese e a evolução das Universidades até aos alvores do século XX. [...]
Acompanhar o sulco temporal das Universidades não corresponde apenas a desbravar um capítulo fundamental da história do pensamento. Implica também, para os homens do nosso tempo, uma ampla reflexão sobre o papel dessas instituições desde o século XII e a sua real inserção no mundo de hoje. Podem as Universidades definir-se como casas-mães do Espírito, por serem os grandes centros de formação de eruditos, de letrados e de técnicos, de quantos puseram a sua inteligência e capacidade de acção ao serviço da cultura e da ciência. Esse facto permite afirmar que as Universidades contribuíram em larga escala para a promoção social dos homens e para o progresso mental das Nações. Devem por isso ser consideradas um legado universal."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio. A Universidade Medieval - I. Formação das Escolas medievais. II. Criação das principais Universidades. A Universidade do Renascimento - I. A Universidade do Renascimento. II. Fundações do Renascimento. A Universidade nos tempos modernos - I. Classicismo e Iluminismo. II. Fundações universitárias. A Universidade Napoleónica - I. A Universidade do Liberalismo. II. Principais Universidades.
Exemplar em brochura bem conservado.
Invulgar.
20€