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09 junho, 2019

BESSA LUÍS, Agustina - SANTO ANTÓNIO. Lisboa, Guimarães, 1973. In-8.º de 318, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Santo António, insigne pregador, Doutor da Igreja e padroeiro dos pobres e de quem sofre, reverenciado em Lisboa, venerado em Portugal e no estrangeiro.
"A primeira obra em que Agustina Bessa-Luís transpõe os caminhos da ficção, para se deter num personagem histórico.
Biografia conduzida pela meditação, Santo António é um livro como só um leigo pode escrever; nele a confidência do espírito serve de disciplina ao pensamento. Não é uma experiência convertida à curiosidade; é uma aproximação de antiquíssimos temas que o homem assumiu, degradou ou simplesmente materializou, ainda para não ser deles privado."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

12 setembro, 2018

PAIVA, Manoel Joseph de - INFERMIDADES // DA // LINGUA, // E ARTE QUE A ENSINA // a emmudecer para melhorar: // AUTHOR // SYLVESTRE // SILVERIO DA SILVEIRA E SILVA. // INVOCA-SE // A PROTECÇAM DO GLORIOSO S.ᵀᴼ ANTONIO // DE LISBOA // Por MANOEL JOSEPH DE PAIVA. // LISBOA: M. DCC. LIX. [1759] // Na Of. de MANOEL ANTONIO MONTEIRO. // Com todas as licenças necessarias // E á sua custa impresso. In-8.º de [12], 212 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada na primeira folha preliminar com uma gravura em madeira que representa Santo António.
Sobre a presente obra, com a devida vénia, reproduzimos um excerto do excelente trabalho de Telmo Verdelho, da Universidade de Aveiro, cujo link infra indicamos.
"Nos anos de 1759 e 1760 viveram-se em Portugal momentos de grande violência e até de crueldade no exercício do poder, de grandes rupturas, e, certamente, de uma grande dramatização da vida pública. É uma data histórica também para a língua portuguesa porque, com a expulsão dos Jesuítas, se aniquila a parte mais importante do suporte institucional do ensino, especialmente do ensino pré-universitário. […] Esta conjuntura suscitou grandes transformações e algumas decisivas e definitivas mudanças na política da língua, da sua escolarização e, finalmente, do seu percurso histórico. Uma das consequências mais importantes ressente-se sobretudo na dimensão do actual espaço lusófono e na unidade linguística do Brasil, que não pode deixar de se relacionar com a política planificadora do Marquês de Pombal. o estudo da língua portuguesa foi também objecto da reforma pombalina, decretou-se a escolarização da gramática e criou-se uma rede embrionária e centralizada de ensino público.
Na sequência destas transformações, embora não seja necessário estabelecer uma relação de causalidade, verifica-se um significativo incremento da reflexão metalinguística sobre o português, discute-se a norma linguística, institui-se a Academia das Ciências (1779) e alarga-se a produção linguisticográfica. o livrinho Infermidades da Lingua e arte que a ensina a emmudecer para melhorar, publicado por Manuel José de Paiva (de que se conhecem exemplares com datas diferentes, de 1759 ou de 1760, correspondentes, todavia, a uma única edição), integra-se com uma certa originalidade neste discurso metalinguístico. É uma obra rara, quase única, entre o espólio bibliográfico português, pelo menos no que respeita a obras publicadas.
A obra de Manuel José de Paiva oferece-se à leitura, antes de mais nada, como um texto literário, elaborado com grande investimento de arte, de recursos linguísticos e de presunção literária. É uma obra caracterizadamente barroca em que se intertextualiza a abundância retórica da oratória sacra, com especial destaque para a memória do P. António Vieira.
Por outro lado, correspondendo à indicação do próprio título, o texto Infermidades da Lingua propõe uma reflexão sobre a norma linguística e sobre a moralidade da língua, ou, melhor dito, sobre a língua como um comportamento susceptível de aferição moral. Estas duas vertentes, embora o autor as não tenha explicitado no plano do discurso, distinguem-se, de maneira muito óbvia, na estruturação do texto. A obra apresenta uma elaborada alegoria em que a língua assume a configuração de uma dolorida enferma que recebe um médico dedicado, sábio e bom entendedor que, numa série de oito visitas, a observa e lhe prescreve um adequado receituário. O texto divide-se assim, em oito sub-unidades, como se foram capítulos, correspondentes a cada uma das visitas. A doutrinação moral e a transgressão (a mentira, a verborreia, a murmuração, a detracção, a crítica injusta, etc.) ocupam a maior parte das visitas e correspondem a uma espécie de moralidade da língua. Diferente desta é o pronunciamento normativo que se encontra na visita sétima: nela o autor recolhe e ordena, pelas letras do alfabeto, um longo "corpus" lexical constituído por palavras e frases "impróprias", "indecentes" ou "indiscretas", acrescentando a recomendação de que o seu uso deve ser evitado. O discurso moralista parece ser predominante sobre o discurso normativo, mas o trabalho lexicográfico, consubstanciado no elenco recolhido de formas e frases a evitar, é tão quantioso que bem se pode equiparar às numerosas páginas da reflexão moral.
Manuel José de Paiva nasceu em Lisboa em 1706, formou-se em Direito, em Coimbra, e exerceu durante algum tempo a magistratura nas vilas de Odemira e de Avis, e depois a advocacia em Lisboa. Segundo a informação bibliográfica fornecida por Inocêncio (1. VI, 30 e 1. XVI, 244), escreveu, além das Infermidades, vários textos teatrais, comédias joco-sérias e obras moralistas. Do conjunto da sua obra parece poder delinear-se, a respeito de Manuel José de Paiva, um perfil de homem de letras moralista, amigo da tradição, com ideias generosas como a contestação da pena de morte, justamente quando ela era executada com requintes de escarmento público. As suas reflexões repercutem, de modo geral, o discurso do desengano e a literatura do apelo moral. Manifesta-se como um cavaleiro sozinho, sem nem sequer um Sancho Pança que o acompanhe e o distinga como herói e lhe conceda o estatuto de mestre. Ligado à ordem antiga, era já velho quando surgiu Pombal, não teria ânimo para assumir a renovação do pensamento e da arte literária que então se operava. Adopta um criptónimo singular - Silvério Silvestre Silveira da Silva -, que poderá ser entendido como uma alusão caricatural e crítica aos nomes poéticos dos árcades, os eruditos pastores do Monte Ménalo. Pela sua parte prefere a "imitação dos antigos poetas".
As Infermidades, sob o ponto de vista literário, são um exemplo excelente da literatura barroca, da literatura que termina o seu percurso durante o governo do Marquês de Pombal e que é substituída pelo Neo-classicismo, pela Arcádia (agremiação a que Manuel José de Paiva não pertenceu por incompatibilidade do seu credo poético e talvez, por falta de afinidade política). Em todo o caso tratase de um texto dotado de uma certa legibilidade, quer no respeitante à textura lexical, quer ainda na engenharia retórica em que predomina a acumulação, a enumeração e a simetria, tudo numa construção linear, com sóbrios encadeamentos, que se vão distanciando dos hipérbatos e dos artifícios da sintaxe latina. Oferece momentos de leitura agradável, com uma intertextualidade em que se repercute toda a enciclopédia da época, e muitos símiles de sabor antigo como o da comparação da língua com a espada.

Mas é sobretudo a riqueza do vocabulário e um especioso investimento retórico que fazem das Infermidades um texto merecedor de ser revisitado. Apresenta séries abundantes de sequências sinonímicas ou parassinonímicas e antonímicas."
(Fonte: https://ruc.udc.es/dspace/bitstream/handle/2183/2583/RGF-2-7.pdf?sequence=1&isAllowed=y)
Encadernação moderna em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pequenos picos de traça marginais.
Raro.

115€

23 janeiro, 2018

ROLIM, O. F. M., P. - CASA DE SANTO ANTÓNIO DE LISBOA (recordação). Lisboa, Editor: P. André de Araújo. - Capelão. 1934. In-8.º (16cm) de 56 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa e pouco vulgar monografia Antoniana. Muito ilustrada com fotogravuras a p.b. dedicadas ao Santo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

18 dezembro, 2017

GUIMARÃES, Oliveira (Abbade de Tagilde) - GUIMARÃES E SANTO ANTONIO. Publicação commemorativa do 7.º centenario. Guimarães, Editores - Freitas & C.ª, 1895. In-8.º (19cm) de 203, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Importante monografia sobre a presença de Santo António no concelho de Guimarães.
"Guimarães, onde sob a invocação de Santo Antonio dos Milagres se venera uma das imagens, que a devoção piedosa tem aureolado de justificado renome e onde existem familias em cujas veias, parece, gira o mesmo sangue do santo, não deve ficar, nem fica, indifferente á celebração do setimo centenario natalicio do thaumaturgo portuguez. [...]
Esta publicação, em que aproveitei dos materiaes, que tenho reunido para a historia d'este concelho, as notas referentes a Santo Antonio, tem por fim fornecer o meu contingente, embora de somenos valor, para a solemnisação da festa nacional do benemerito santo, que tão grandemente nobilitou a região e a patria."
(Excerto da introdução, Ao leitor)
Indice:
Ao leitor. Do Convento de Santo Antonio da villa de Guimarães. Capellas de Santo Antonio. Altares de Santo Antonio. Irmandades de Santo Antonio. Noticias diversas. Appendice.
João Gomes de Oliveira Guimarães (Mascotelos, 29 de Dezembro de 1853 - Tagilde, 20 de Abril de 1912). "Mais conhecido por abade de Tagilde, foi um sacerdote católico, político e historiador português. Foi um dos pioneiros em Portugal dos estudos de história local e um dos principais especialistas portugueses em diplomática e epigrafia. Foi candidato a deputado, presidente da Câmara Municipal de Guimarães e regedor da Paróquia de São Salvador de Tagilde. Foi organizador da colectânea de documentos históricos Vimaranis Monumenta Historica e sócio distinto da Sociedade Martins Sarmento."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Lombada e capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel nas margens e nos cantos. Pequena mancha de tinta à cabeça, atinge as primeiras páginas do livro até se desvanecer.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

27 novembro, 2017

ABREU, Bras Luis de - SOL // NASCIDO NO OCCIDENTE, // E // POSTO AO NASCER DO SOL. // S. ANTONIO // PORTUGVES. // LUMINAR MAYOR NO CEO DA IGREJA // ENTRE OS ASTROS MENORES NA ESPHERA DE FRANCISCO. // EPITOME HISTORICO, E PANEGYRICO // De sua admiravel Vida, & prodigiozas acçoens, // QUE ESCREVE, E OFFERECE // A' // SERENISSIMA, AUGUSTA, EXCELSA, SOBERANA FAMILIA // DA // CAZA REAL // DE // PORTUGAL, // CUJOS INCLYTOS NOMES, E COGNOMES SE FELICITAÕ, // & esmaltam com as Sagradas Denominações de // Franciscos, & Antonios. // POR MAÕ DO REVERENDISSIMO // ANTONIO TEIXEYRA ALVERES // Do Conselho de Sua Magestade, que Deos guarde, seu Dezembargador do Paço; // do Conselho Geral do S. Officio, Conego Doutoral na Sé de Coimbra, & Len- // te de Prima Jubilado nas duas Faculdades de Canones, & Leys, &c. // [POR] BRAS LUIS DE ABREU. // CISTAGANO, FAMILIAR DO S. OFFICIO. // EM COIMBRA: // Na Officina de JOSEPH ANTUNES DA SYLVA Impressor da Universidade; // & Familiar do S. Officio. // ANNO DE M. DCCXXV. [1725] // Com todas as Licenças necessarias, & Privilegio Real. In-4.º (28,5cm) de [32], 503, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Biografia setecentista de Santo António.
Ilustrada no texto com bonitas capitulares, florões e vinhetas tipográficas, gravadas em madeira.
"A Prodigioza Vida de hũ Portugues Italiano; as memoraveis acçoens de hum Italiano Portugues; huma Historia Panegyrica de Sancto Antonio de Padua; he o que offerece aos Piedozos Devotos de Antonio, hum Devoto especial igualmente q dos Antonios, dos Piedozos. Jà aescreveraõ, entre outros muytos, os Boaventuras, os Antoninos, os Sedulios, os Rodulfos, os Mateos, Marianos, Florentinos, Uvadingos, Celenos, Barregios, Vitaes, Marcos, Conejos, ؏ Gonzagas. Mas com terem escripto tantos esta grande Historia, ainda està por idear a obra que vença a sua materia. Santo Antonio para tantos, implorado; he para nenhum, discorrido. Muytos o buscaõ, todos o achaõ, para o patrocinio; ninguem o acha tanto que o busca para a comprehençaõ. Deparador com couzas perdidas o cofessa o Mundo: huns perdem fe por elle, no que o veneraõ; estes ficaõ ganhados; outros com elle, no que discorrem; estes vaõ perdidos. O seu poder fas deparadas as couzas a quem o roga; a sua grandeza deixa parados os discursos de quem o elogia.
(excerto do preâmbulo, A quem ler)
Brás Luís de Abreu (1692-1756). "Para rectificar e adicionar o pouco que Barbosa nos deixou acerca deste escritor, registarei aqui o resultado obtido das investigações quanto á pessoa e feitos daquele distinto medico português. Resultado, cuja maior parte se funda em documentos que ainda existem, sendo o resto havido em tradições conservadas nos próprios lugares; e parece portanto dever merecer toda a confiança. D'essas tradições consta que Braz Luis de Abreu fora exposto em Coimbra, e não nascido em Ourem, como diz Barbosa no tomo I assignando-lhe por pais Francisco Luis de Abreu e Francisca Rodrigues de Oliveira, e dizendo mais que ele nascera a 3 de Fevereiro de 1692. Alguém lhe forneceu os meios para cursar em idade própria o curso de medicina da Universidade, no qual chegou a formar-se, e não há dúvida em que exercera depois a clinica na cidade do Porto, pois que ele mesmo se intitula medico portuense no frontispício do seu Portugal Medico de que logo falaremos. Diz-se que na primeira idade, em um brinco de rapazes, perdera um olho, o qual substituiu depois por outro de vidro, feito com muita arte, provindo-lhe daí a alcunha de olho de vidro por que era conhecido em vida, e que ainda se conservou muitos anos depois da sua morte. Casou pelos de 1718 com D. Josepha Maria de Sá, natural de Viseu e filha do doutor Antonio de Sá Mourão, e dela houve cinco filhas e três filhos. Passados quatorze anos depois que viviam juntos, o marido e a mulher por motivos que totalmente se ignoram, convieram em separar-se. Se algum dos nossos romancistas actuais se resolvesse a tratar o assumpto, afigura-se-me que a vida deste nosso médico, com os curiosíssimos incidentes que ficam apontados, lhe dariam sobeja matéria para a fábrica de uma composição onde, mediante a lição dos escritos que nos restam de Braz Luis, poderiam fundir-se habilmente espécies mui interessantes, pare daí resultar obra de cunho verdadeiramente nacional. Sol nascido no ocidente e posto ao nascer do sol. Sancto António Portuguez. Epitome histórico e panegírico da sua admirável vida e prodigiosas acções. Coimbra, por José Antunes da Silva 1725 fol. - E por segunda vez, Lisboa, por José da Silva da Natividade 1754. 4.° de XXIV-461 pag. Possuo um exemplar d'esta segunda edição, desconhecida de Barbosa e de que o Sr. Figaniere também se não fez cargo na sua Bibliogr. Hist. Custou-me 600 réis. Os exemplares da edição de fólio regulam, creio, de 800 a 960 réis. O estilo desta obra é de um culteranismo requintado: superabunda em conceitos metafóricos, e está portanto bem longe de servir de modelo: mas não deixa de ser um livro curioso, e se alguém tiver a paciência de o ler todo, parece-me que não dará por perdido o tempo que nisso empregar."

(Inocêncio T. I, pp. 395)
Encadernação da época inteira de pele com as pastas trabalhadas.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Apresenta restauros toscos coevos na pasta frontal e no frontispício. Com falha de papel menor no pé da f. rosto, sem perturbar a mancha tipográfica. Pequeno orifício, à cabeça, nas primeiras 5 folhas. Manchado de humidade, junto das margens, ao longo da obra. Pelo interesse e raridade a justificar limpeza e trabalho de restauro.
Raro.
Indisponível

10 fevereiro, 2017

VIEIRA, Padre Antonio - SERMÃO DE SANTO ANTONIO : Prégado Na cidade de S. Luiz do Maranhão, no anno de 1654. Pelo... [Santo Antonio e os Peixes]. Porto, Livraria Mesquita Pimentel - Editora, 1895. In-8.º (18,5cm) de VIII, 69, [3] p. ; B.
Edição comemorativa publicada por ocasião do 7.º centenário natalício de Santo António, reproduzindo um dos mais conhecidos sermões de Vieira - o celebrado Sermão aos Peixes, que tanta polémica provocou no Brasil, junto da comunidade portuguesa, acusada por Vieira de maltratar e utilizar os nativos como mão-de-obra escrava.
"O Sermão de Santo António foi pregado no dia 13 de Junho de 1654, na cidade de S. Luís do Maranhão, três dias antes de Padre António Vieira partir ocultamente para Portugal, para denunciar o modo como os índios estavam a ser tratados pelos colonos portugueses. Este sermão recebeu este nome por ter sido pregado no dia em que se celebra Santo António. Outra razão prende-se com o facto de Padre António Vieira tomar Santo António como modelo e, fazendo referência ao milagre dos peixes, tomar a decisão de imitar o santo português e, também ele, ir pregar aos peixes. Estes peixes são alegóricos, simbolizando as qualidades e os defeitos dos homens. Padre António Vieira aproveita ainda o sermão para tecer um enorme panegírico (elogio rasgado) a Santo António. A par e passo, é apresentado o exemplo de Santo António, ora em paralelo com os peixes elogiados, ultrapassando ele as virtudes desses peixes, ora numa posição antitética com os peixes criticados, por o santo apresentar as qualidades opostas aos defeitos desses peixes."
(fonte: pt.scribd.com)
"Corria o seculo XIII, quando na Italia e cidade de Arimino, banhada pelo rio Marecchia, appareceu um frade franciscano, de origem portugueza, prégando aos hereges. Chamava-se Antonio de Lisboa e sempre se revelára modêlo de oradores sagrados; prégava pela palavra e pelo exemplo.
A sua palavra, que sempre fôra lus a infiltrar-se na intelligencia, a afugentar as sombras da ignorancia, a illuminar os abysmos do erro, a queimar a teia do sophisma, a guiar no labyrintho dos escrupulo dos ouvintes, d'esta vez parecia incidir n'uma muralha de bronze. [...]
Tal era a cegueira de espirito e a dureza do coração dos habitantes d'aquella cidade. [...]
O ardor, porém, da sua fé, o zelo pela salvação das almas, o amor á Santa Egreja e a gloria de Deus não consentiam que a lingua se atasse e a voz emmudecesse, e portanto o humilde missionario dirigiu-se para a prai no ponto em que o rio se lança no mar, e ahi collocado começo a fallar aos peixes, como se fôra enviado da parte de Deus.
Rompeu o notabilissimo improviso pelas palavras:
«Ouvi a palavra de Deus, vós, ó peixes do mar e do rio, já que os herejes não querem ouvil-a»."
(excerto da introdução, Duas palavras)
"Enfim, que havemos de prégar hoje aos peixes? Nunca peior auditorio. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não fallam. Uma só coisa pudéra desconsolar ao prégador, qie é serem gente os peixes, que se não ha de converter. Mas esta dôr é tão ordinaria, que já pelo costume quasi se não sente. Por esta causa não fallarei hoje em céo nem inferno; e assim será menos triste este sermão, do que os meus parecem aos homens, pelos encaminhar sempre á lembrança d'estes dois fins.
«Vós sois o sal na terra». Haveis de saber, irmãos peixes, que o sal, filho do mar como vós, tem duas propriedades, as quaes em vós mesmos se experimentam: conservar o são, e preserval-o para que se não corrompa. Estas mesmas propriedades tinham as prégações do vosso prégador Santo Antonio, como tambem as devem ter as de todos os prégadores. Uma é louvar o bem, outra reprehender o mal: louvar o bem para o conservar, e reprehender o mal para preservar d'elle. Nem cuideis que isto pertence só aos homens, porque tambem nos peixes tem seu logar."
(excerto do Sermão)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com manchas e pequenas falas de papel, a mais visível, no cantos superior esq. da capa.
Raro.
Indisponível