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11 março, 2018

BOTELHO, Abel - OS LAZAROS : figuras de hoje. Porto, Livraria Chardron : Lello & Irmão, Editores, 1904. In-8.º (18,5cm) de [4], 440, [4] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Romance naturalista, um dos mais apreciados do autor.
Ilustrado com um retrato do autor em extra-texto.
"A hora já bem adeantada d'uma noite de dezembro, algida e triste como um amor sem esperança, um coupé de molas caras rodava brandamentte pela ladeira deserta da rua da Emenda, e parava junto ao portão d'um apparatoso prédio de dois andares, pintado a escaiola côr de ervilha, com grandes vidros, scentelhando como laminas de gêlo, nas saccadas.
Logo o guarda-portão saltou ao passeio, reverente e humilde, o epilado craneo a descoberto no ar cortante, abatido o boné na mão esquerda calçada de grossa luva de lã, emquanto a direita se estendia a abrir a portinhola. E um homem velhusco e pêrro, envolto n'um grande ulster amarello, se apeiou; depois, a portinhola da tipoia, batendo, abalou o silencio tumular da rua n'uma sacudida resonancia; e d'ahi a um momento já os dois se achavam dentro, no vestibulo de entrada da casa..."
(Excerto do Cap. I)
Abel Acácio de Almeida Botelho (1855-1917). Escritor, diplomata e militar português. "Nasceu em Tabuaço a 23 de setembro de 1856. Cursou o Real Colégio Militar de 1867 a 1872, na qualidade de pensionista do Estado. Frequentou a Escola Politécnica de Lisboa e o curso de estado maior na Escola do Exército. Fez a sua estreia literária em 1877, na "Revista Literária", do Porto, em poesia, tendo assinado também vários trabalhos sobre Filosofia da Arte. Foi colaborador do "Diário da Manhã", onde publicou vários contos que mais tarde reuniu no livro "Mulheres da Beira", e de outros jornais, tendo vindo a dirigir o jornal "Repórter" até à sua extinção. Escreveu várias comédias, representadas nos teatros lisboetas, mas a maior projeção que conheceu foi através do romance. O seu primeiro livro impresso foi "Lira Insubmissa" (1885), a que se seguiu o ciclo "Patologia Social" constituido por "Barão de Lavos" (que se esgotou em quinze dias), "O Livro de Alda", "Amanhã", "Fatal Dilema" e "Próspero-Fortuna". Em 1900 publicou a novela "Sem Remédio" e em 1904 o romance "Os Lázaros", já anteriormente saído em folhetins no jornal "O Dia". Um ano antes, em 1903, elaborou um dicionário de abreviaturas para uso antropométrico, em latim, por se prestar melhor à sua internacionalização, que foi adotado pela Procuradoria Régia da Relação do Porto e por todas as comarcas dela dependentes. Em termos literários aproxima-se a obra de Abel Botelho ao naturalismo da escola de Zola. Alguns dos seus romances foram traduzidos em italiano, francês e castelhano."
(Fonte: http://www.e-cultura.pt/patrimonio_item/12987)
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

13 dezembro, 2016

BOTELHO, Abel - MULHERES DA BEIRA (contos). Lisboa, Empreza Litteraria Lisbonense : Libanio & Cunha - Editores, 1898. In-8.º (19cm) de 287, [5] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Apreciada colectânea que reúne em volume seis contos de Abel Botelho, em parte, anteriormente publicados no Diário da Manhã.
Ilustrada em extratexto com um retrato do autor.
"De toiros, não digo bem. De um toiro. Era um só a victima, n'aquella saturnal sertaneja de rascôas frandunas e arraianos vinolentos. Custára sessenta duros, em Hespanha; e alugado de domingo em domingo pelas differentes aldeias do concelho, para ser corrido, a quinze tostões por tarde, ia á custa dos seus brios e do seu sangue rendendo ao dono uns lucrosinhos bem bonitos.
Aldeia da Ponte, Rendo, Nave de Haver, Quadrazaes, Alfaiates tinham successivamente refocilado a sua torpe selvageria n'este espectaculo d'um nobre e grande animal, espicaçado covardemente a garrochadas. Mesmo n'aquella ultima povoação, o enthusiamo chegára a ponto de toda a geral passear em triumpho sobre fueiros, em torno da praça, um audacioso e bruno mocetão, - satyro de vinte annos, - que conseguira parar o boi, dorido e tremulo, com uma estupida lançada entre as espaduas, d'onde o sangue jorrou impetuoso. Por um millimetro não offendia os pulmões do animal.
- Que valente ponta de garrocha! Tinha a grossura e o tamanho d'um dedo mendinho. Bravo moço!
E toca de monta á apotheose aquelle Frascuelo extremenho, no meio d'um berreiro de mussorongos.
N'este domingo, coubéra a vêz ao Sabugal, a orgulhosa villoria do castello de cinco quinas..."
(excerto de Uma corrida de toiros no Sabugal)
Indice:
- A Frecha de Mizarela. - Uma corrida de toiros no Sabugal. - A ponte do Cunhêdo. - A fritada. - A consoada. - O solar de Longroiva. - O Sêrro.
Abel Acácio de Almeida Botelho (1856-1917). "Natural de Tabuaço. Foi Oficial do Estado-Maior do Exército Português. Depois de frequentar o Colégio Militar (1867-1872), fez o Curso de Estado Maior na Escola do Exército (1876-1878). Aderiu ao movimento republicano, exercendo funções como deputado e senador, depois do 5 de Outubro de 1910. A nível militar atingiu a graduação de general e exerceu o cargo de Chefe da 1.ª Divisão do Exército. Foi chamada para Ministro plenipotenciário de Portugal na República Argentina, onde, aliás, veio a morrer a 24 de Abril de 1917.
Dedicou-se à vida literária, desde que publicou o primeiro poema na Revista Literária do Porto, ainda na década de 70. Iniciou-se na poesia, com a publicação de Lira Insubmissa (1885). Publicou obras integradas na escola realista (segundo António José Saraiva), entre as quais o ciclo da «Patologia Social», das quais fazem parte: O Barão de Lavos (1891), O Livro de Alda (1898), Amanhã (1901), Fatal Dilema (1907), Próspero Fortuna (1910). Escreveu ainda Mulheres da Beira (1898), Sem Remédio (1900), Os Lázaros (1904) e Amor Crioulo (obra póstuma).
Pertenceu desde 1881, ao Grupo do Leão, agremiação espontânea de pintores e artistas exteriores à Academia de Belas Artes da cidade de Lisboa, que partilhavam entre si uma enorme irreverência contra os poderes constituídos, lutavam pela educação artística e defendiam os seus interesses de classe."
(fonte: www.fmnf.pt)
Encadernação editorial em tela com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado, com sinais de antiguidade.
Muito invulgar.
Indisponível

02 maio, 2012

BOTELHO, Abel - AMOR CRIOULO (vida argentina). Novela. Porto, Livraria Chardron de Lélo & Irmão, L.da, Editores, 1919. In-8º (18,5m) de  415 p. ; E. 
1ª edição.
Último romance de Abel Botelho, deixado incompleto por morte do autor e publicado postumamente por João Grave.
Abel Acácio de Almeida Botelho (1855-1917) foi um escritor - romancista e dramaturgo -, militar e diplomata português. Autor polémico, a sua obra integra a corrente literária do Naturalismo.
Encadernação editorial inteira de percalina com dourados na capa e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta leve descoloração na capa; assinatura de posse na f. anterrosto.
Invulgar. 
Indisponível