25 maio, 2019

GUERRA, L. DE FIGUEIREDO DA - A CAPELLA DE SANTO ABDÃO DA CORRELHÃ. Por... Viana, Tip. Comercial «A Aurora do Lima», 1924. In-8.º (21,5cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo histórico sobre as disputas políticas e territoriais na Idade Média entre a Arquidiocese de Braga e a Igreja de Compostela, com epicentro na Correlhã - a antiga Vila Corneliana - cuja capela foi utilizada por Diogo Gelmires, Bispo de Iria, aquando do furto e transporte para a Galiza das relíquias de quatro santos.
Opúsculo ilustrado com uma reprodução fotográfica da Capela de Santo Abdão.
"A capella junto ao adro paroquial de S. Thome da Correlhã, no concelho de Ponte do Lima, é uma antiga ermida corporal, ou funeraria, como outras que conhecemos nos Mosteiros medievais da Galiza e de Portugal; algumas tinham tão pequenas dimensões, que mal se podiam celebrar n'ellas os officios divinos.
Sobem aos seculos X e XI.
Sendo outr'ora prohibidos os enterros dentro das egrejas, distribuiram-se as sepulturas, fóra e em roda dos templos, em recinto vedado, conservado sempre os tumulos a respectiva orientação.
Convém não confundir esta nossa Correlhã, a antiga - Villa Corneliana -, pertencente a Sant'Iago de Compostella, com a outra Villa, do comêço do seculo XI, situada perto de Oviêdo, nas Asturias, e chamada tambem Corneliana.
Assentava aquella velha Villa wisigothica na margem esquerda do rio Lima, a dous kilometros, a jusante da ponte de pedra, onde passava a - Via Romana - de Braga para Tuy, e que lhe vinha atravessar os limites."
(Excerto dos Cap. I e II)
Luís de Figueiredo da Guerra (Viana do Castelo, 1853 - 1931). "Foi um historiador e historiógrafo vianense que se distinguiu no estudo da história local da região em torno da foz do Lima. Foi director do Museu Municipal e da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta falha de papel nos cantos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse para a histórico.
20€

24 maio, 2019

COMET, Alan - A INVASÃO DOS «ELECTRÓFAGOS». Uma edição de Roussado Pinto. Lisboa, Editorial Organizações, Lda. [Comp. e Imp. Bertrand (Irmãos), Lda. - Lisboa], [s.d.]. In-8.º (14,5cm) de 142, [2] p. ; B. Colecção Robot, 4
1.ª edição.
Novela de ficção científica inserida na apreciada Colecção Robot, de Roussado Pinto.
"Esta é a história da luta atroz de dois Mundos: um, errante, e a última fase da sua existência; outro, fixo, vivendo os maravilhosos momentos da sua evolução ascencional.
O primeiro, sem nome e sem destino, qualquer coisa de estranho e quase inconcebível: uma presença atroz no Céu como as que devem estar, na realidade, ligadas, amarradas e cingidas às espantosas condições de ambiente no Espaço.
P ouro Mundo era o nosso - a nossa Terra, a meio do Século XXI, em plena marcha ascendente para um maior progresso industrial, com muitos graves problemas resolvidos e muitos outros, também graves, por resolver..."
(Excerto da Nota preliminar)
"O tempo, tal como o compreendem os Homens, não tem significação alguma nas História dos «Electrófagos». Devemos, pois, prescindir definitivamente de marcar datas que não sejam aproximadas e com muitas probabilidades de erro...
Mil milhões de anos antes de que se formasse o Sistema Solar, um agrupamento, saído do interior da constelação de Andrómeda, vivia já plenamente, num conjunto planetário, iluminado por um potente Sol, ao redor do qual giravam, em órbitas elípticas, oito planetas e sessenta e quatro satélites.
Devido a circunstâncias astrofísicas, a vida não pôde chegar a manifestar-se mais do que em um deles, o maior, situado a uns trezentos milhões de quilómetros do seu Sol, qualquer coisa como a distância que separa Marte do nosso planeta.
Esse planeta, ao qual chamamos Kruphon, é o Centro da nossa História..."
(Excerto de História dos «Electrófagos»)
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada com pequenas falhas de papel nas extremidades. Carimbo oleográfico e rubrica de posse na f. anterrosto.
Raro.
20€

23 maio, 2019

THOMAZ, M. - ELOGIO // DE // RENATO DUGUAY // TROUIN, // TENENTE GENERAL // DAS ARMADAS NAVAES DE FRANÇA, // COMMENDADOR DA ORDEM REAL MILITAR // DE S. LUIZ, // Por M. THOMAZ, // Traduzido da lingua Franceza, com todas // as Notas, e huma Advertencia Proemial // do Traductor, que em parte póde ser- // vir para exame da Obra, // POR HUM HOMEM DE MAR, //Em Lisboa anno de 1774. // Discurso, que ganhou o premio da Academia // Franceza em 1761. // LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA. // ANNO MDCCLXXIV. // Com licença da Real Meza Censoria. In-12.º (15cm) de LXXX, 114, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Tradução da biografia militar de René Duguay-Trouin (1673-1736), corsário francês ao serviço do monarca Luís XIV - o Rei Sol -, cujo maior feito de armas terá sido a conquista do Rio de Janeiro em Setembro de 1711, e que nesta obra é tratado com o devido relevo. O autor, Antoine Léonard Thomas (1732-1785), relata a vida do almirante francês através de uma narrativa pejada de incongruências e inverdades, só explicada por manifesto desconhecimento dos factos (ou sabujice).
Gaspar Pinheiro da Câmara Manuel (1766-1791), o Homem de mar que assina a tradução, é um experimentado oficial da marinha de guerra portuguesa, que corrige e "desmascara" com algum humor o Elogio. A sua Advertência proemial é uma lição de história, bem como as notas e referências históricas que preenchem parte substancial da tradução da obra.
"A maior acção, que se confiou a Duguay Trouin, e de que o Orador faz o mais relevante apreço, foi o ataque, e tomada do Rio de Janeiro: facção sempre memoravel, e conseguida na verdade com poucas forças, porém reduzida a fabula no elogio. Bastava escrever tudo o que se soubesse, e se presumisse do valor, prudencia, e disciplina daquelle Capitão; porém não contar trezentos canhões combinados para a defensa da entrada do Rio de Janeiro, aonde certamente não havia sessenta para este fim. Sete Náos, que servião de barreira ás Fortalezas, sendo sómente quatro, e desarmadas. Suppôr a Ilha das Cobras fortificada em 1711, quando a primeira pedra da sua fortificação foi lançada pelo Brigadeiro José da Silva Pais, que em 1736 partio de Lisboa para delinear as fortificações daquella parte da America."
(Excerto da Advertencia proemial)
Encadernação recente em meia de pele com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada.
Livro em bom estado de conservação. Não possui errata (v. exemplar digitalizado da Biblioteca Nacional do Brasil), antes uma folha em branco, parte do livro, que nos leva a crer, salvo melhor opinião, ter saído dos prelos como está, sem emendas.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
750€

22 maio, 2019

QUEIROZ (Bento Moreno), Teixeira de - O FAMOSO GALRÃO. Por... Lisboa, Editores: Tavares Cardoso & Irmão, 1898. In-8.º (19cm) de VIII, 340, [4] p. ; B. Comedia Burgueza, V
1.ª edição.
Rara edição original do quinto volume da série naturalista «Comédia Burguesa».
"Vi, pela vez primeira, Galrão, na Taberna Ingleza, ao caes do Sodré, estando eu a jantar uma sopa de rabo de boi e um bife com batatas.
Em frente do meu logar, vieram sentar-se tres individuos, um só dos quaes eu conhecia; era D. Agostinho. O velho fidalgo nem pela minha presença deu, de absorvido que estava nos formidaveis calculos, que, com magestoso lapis azul, sobre larga folha de papel almaço, fazia um dos seus companheiros, homem novo, de forte barba preta, atarracado no corpo, largo de hombros, e olhar tão vivo, que incendiava. Este, acompanhando as falas mansas, mas persuasivas, com gesto imperante, apontava os complicados algarismos, que lançava no papel, em soberbas pyramides. Em taes momentos, no rosto de D. Agostinho despontava fulguração tão febril, que me impressionou pelos longes que me dava de loucura. O segundo ouvinte, homem de vasta fronte, ornada de cabelleira loira, recebia esses raciocinios com certa indifferença, bebendo paulatinamente golinhos de genebra e fixando-me distrahido,  com os seus severos oculos d'oiro. Eu soube, depois, que aquelle apparente desdem ou apathia mental, provinha de ser este individuo o auctor dos raciocinios e calculos, que o outro fazia.
Á sahida é que D. Agostinho, repentinamente, se lembrou da minha presença; mesmo da porta me agradeceu com sorriso amavel o cumprimento com que eu o recebera á entrada. Impressionou-me aquelle desvairamento physionomico, em homem de tão serenas maneiras, tão desprendido das opulencias da vida, e que eu representava sempre na minha imaginação com a sua delicada expressão no rosto. Na modestia da sua existencia, apesar de certo desleixo moral, conservara sempre a linha placida, que n'esse dia vi alterada, por singular perturbação. Este acontecimento deixou-me apprehensivo, durante algumas horas. Quando á noite o encontrei no Gremio perguntei-lhe: quem eram aquelles dois amigos, com que o vira, na Taberna Ingleza, ao caes do Sodré. O mesmo incendio da pupilla lhe illuminou subitamente o rosto; mas d'esta vez elle proprio o apagou, por força da sua vontade, baixando as palpebras. N'uma voz macia, voz assente em notas de interessante segredo, esclareceu-me:
- O da barba preta é o famoso Galrão; o loiro um grande sabio que elle nos trouxe. Dois homens extraordinarios."
(Excerto de Á memoria de D. Agostinho)
Francisco Teixeira de Queiroz (Arcos de Valdevez, 1848 - Sintra, 1919). “Romancista e contista, Francisco Teixeira de Queirós licenciou-se em Medicina, tendo ocupado diversos cargos públicos, entre os quais o de deputado, de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de ministro dos Negócios Estrangeiros, neste caso em 1915. Chegou a ser presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Fundou em 1880, com Magalhães Lima, Gomes Leal e outros, o jornal «O Século», tendo também colaborado nos periódicos «O Ocidente», «Revista de Portugal», «Revista Literária», «Arte & Vida», «Ilustração Portuguesa», «A Vanguarda» e «A Luta», entre outros. Em 1876, publicou o seu primeiro romance, «Amor Divino», com o pseudónimo de Bento Moreno, que viria a usar em outros livros. A sua vasta obra está repartida em dois grupos: «Comédia de Campo» e «Comédia Burguesa», imitando assim a «Comédie Humaine», de Balzac, um dos seus mentores. Durante cerca de 40 anos, reformulou o seu plano e a sua doutrinação literária sobre o romance, procurando incansavelmente aplicar o seu programa realista-naturalista de base científica. Cultivou uma escrita de feição realista, fazendo uma crítica constante à alta sociedade lisboeta, evidenciando os seus costumes, os seus modos de agir e de estar perante a sociedade portuguesa em geral. Em algumas das suas obras, por outro lado, retrata de uma forma carinhosa e saudosa os seus tempos de infância, vividos na quietude da sua terra natal.”
Exemplar brochado, protegido por sobrecapa de papel vegetal, em bom estado de conservação. Assinatura de posse nas f. rosto e anterrosto.

Raro
45€
Reservado 

21 maio, 2019

LEGIÃO EM MARCHA. N.º 110/111 - ANO VII. Director: João Ameal. Março/Abril - 1958. [Lisboa], Gabinete do Presidente da J. C. da Legião Portuguesa, 1958. In-fólio (30x21cm) de 26, [2] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Número especial comemorativo do 30.º aniversário da ascensão de Salazar ao poder, e dos 25 anos da Constituição de 1933, momento que marcaria o início do regime do Estado Novo.
Ilustrado com desenhos e reproduções fotográficas ao longo do texto.
"Decorreram trinta anos, no passado dia 27 de Abril, que o Sr. Professor Doutor Oliveira Salazar ascendeu ao Governo da Nação.
Em três décadas de notabilíssima acção governativa, através duma jornada de inteira dedicação e sacrifício da sua própria vida, criou uma época nova nos destinos históricos da Casa Lusitana.
O que fez de profundo trabalho na regeneração dum País doente, o que saneou primeiro, para depois robustecer e prestigiar; o que solucionou nas horas perigosas da guerra; o que renovou na personalidade moral e mental da Nação: - fica inesquecível na gratidão de todo o português bem formado. [...]
A Legião Portuguesa «forma» como ala de Salazar. Em volta do seu Chefe, destinada a manter intacta a vitória que lhe devemos, afirma-se como expressão viva da nobre missão de que foi investida: a da consciência moral da Nação."
(Excerto de A Legião reafirma a Salazar dedicação e fidelidade inabaláveis)
Artigos:
- A obra de Salazar no presente e no futuro. - A Legião reafirma a Salazar dedicação e fidelidade inabaláveis. - Os 25 anos da Constituição de 1933. - Os Partidos perante a Nação. - A Igreja Vermelha. - Crónica internacional: Para onde vamos? - Um grande marinheiro português: João da Nova. - A obra de cooperação social da Legião. - Depois de "a conversa com Salazar". - Mensagem da Legião Portuguesa a Salazar. - Figuras e lições da História: Dom Teodósio II, sétimo duque de Bragança. - Este sólido bastião ibérico. - A Família no sistema soviético. - A propósito da reunião em Paris do Conselho da O. T. A. N. - Um caso insólito de racismo. - Uma conferência em Aveiro. - Uma conferência do capitão Silva Baptista sobre a Racionalização da Indústria do Pão. - Cinema nacional. - Mobilização permanente.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

20 maio, 2019

CHAGAS, João - DIARIO DE UM CONDEMNADO POLITICO (1892-1893). Porto,  Livraria Internacional de Ernesto Chardron . Casa Editora : M. Lugan, Successor, 1894. In-8.º (18cm) de [8], 261, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Raríssima edição original do 1.º livro do autor, composto por reflexões sobre a vida política nacional em forma de cartas, escritas a partir da Angola onde se encontra a cumprir pena de degredo.
"Em virtude de circumstancias que perderam interesse e não vale a pena recordar, os governos do meu paiz, que tanto timbram em favorecer prevaricadores como se empenham em perseguir os homens de pensamento que ousam dizer-lh'o, obrigaram-me um dia a abalar, caminho d'Africa, em um navio mercante que, entre tripulação e rezes, conduziu a seu bordo funccionarios do Estado, negociantes da café e degredados de 1.ª classe. Eu pertencia a este numero.
Durante essa viagem, e, mais tarde, em um presidio d'Angola, ao acaso e no desconforto de uma existencia violenta, escrevi para um jornal do Porto, um grande numero das cartas que vão lêr-se. A essa correspondencia chamei impropriamente Diario; não foi isso o que sahiu. Obedecendo mais aos impulsos do meu temperamento, do que ás suggestões do meu instincto litterario, desviei-me do plano que primitivamente traçára, e, logo encetado o meu Diario tinha perdido o seu caracter de memorandum intimo para passar a ser o que foi, uma obra de combate, estridente e publica. [...]
Este volume não se recommenda, pois, pelo seu interesse litterario - é o meu primeiro livro, cumpre-me dizer isto; mas tem algum interesse politico e essa foi a razão que me levou a publical-o."
(Excerto da introdução)
João Pinheiro Chagas (1863-1925). “Jornalista. Republicano histórico, próximo de Brito Camacho. Em 1890 publica no Porto o jornal A República Portuguesa . Estava preso por crime de imprensa na Relação do Porto quando se deu a revolta do 31 de janeiro de 1891. Será condenado por instigar à mesma. Desterrado para Luanda e Moçâmedes, foge daqui. Volta ao Porto e volta a ser preso em finais de 1892. De novo desterrado para Luanda. Amnistiado pelo governo de Dias Ferreira. Edita no Porto entre 21 de dezembro de 1893 e 3 de junho de 1894 o Panfleto. Edita depois A Marselhesa e O País. Preso em 28 de janeiro de 1908. Libertado pelo governo de Ferreira do Amaral, começa a editar, entre 10 de dezembro de 1908 e 25 de dezembro de 1910, as Cartas Políticas. Presidente do ministério de 3 de setembro a 12 de novembro de 1911, acumula as pastas do interior e dos negócios estrangeiros, esta até 12 de outubro, onde surge Augusto de Vasconcelos. Tem a oposição do grupo de Afonso Costa. Nomeado chefe do governo em 15 de maio de 1915. Sofre atentado no Entrocamento, sendo substituído por José de Castro. Retoma o lugar de ministro de Portugal em Paris em 10 de setembro de 1915.”
(Fonte: Politipedia)
Encadernação da época sem pele na lombada, com as pastas cansadas.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Deve ser reencadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado

19 maio, 2019

REZENDE, João Januario Vianna de - PRODIGIOSOS EFFEITOS DO MAGNETISMO ANIMAL. Sonho : um delirio febril; ou extasis. Seguido da traducção do artigo que J. G. Millingen M. D. M. A. inseriu nas suas Curiosities of Medical Experience, Producção ingleza, de grande merito. Por... Lisboa, Typographia Universal, 1864. In-8.º (22,5cm) de 146, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Obra insólita e muitíssimo curiosa. Padecendo de uma doença tropical que o deixou inconsciente, o autor passou para papel um "delírio" de 18 horas sem que disso tivesse dado acordo, ficando surpreendido quando, após a prostração, a criada lhe ter comunicado o que havia feito, o que confirmou mais tarde com a leitura do "manuscrito".
"O "Magnetismo Animal", "Medicina Magnética" ou "Magnetismo Curativo", seria a faculdade que o magnetizador teria em transformar o Fluido cósmico universal em fluido magnético e este por sua vez entrando nas nádis em fluido vital. Constituído por uma doutrina magnética denominada Mesmerismo, onde o seu conjunto de aforismos criava condições para práticas terapêuticas, este movimento desenvolveu-se no final do século XVIII e teve seu período áureo até ao fim do século XIX. Foi um dos primeiros movimentos em larga escala a despertar atenção do mundo académico ocidental para os fenómenos paranormais."
(Fonte: Wikiquote)
"Em 1864, foi publicado em Portugal o livro, Prodigiosos Effeitos do Magnetismo Animal onde o autor relatou como havia tomado conhecimento desta doutrina e os efeitos maravilhosos da mesma."
(Fonte: https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/3836/1/TESE%20C.D.%20para%20Gravar.pdf)
"No mez de maio de 1862, estando na cidade de Loanda, tive uma d'aquellas febres d'Africa, geralmente chamadas de carneirada.
Estas doenças, quasi sempre terminam pela morte, quando atacam com violencia, como eu fui atacado; mas, alguns doentes teem a felicidade de escapar, e eu fui um destes: a minha cura não se fez esperar muito tempo, e se effeituou por modo tão singular, que chama a attenção dos curiosos, a quem os casos raros sempre interessam. [...]
No setimo dia veio o acesso febril; delirei, ou, para melhor dizer, cahi n'um somno extatico, que outra coisa não era; pois de tudo que nelle vi e ouvi, conservei perfeita recordação. Tendo contado esta historia a varias pessoas, gostaram da narração, e, por instancias dellas, me vejo obrigado a dar á luz o insignificante parto do estado morboso em que estive, por espaço de dezoito horas.
Parecia-me que andava viajando por aquelle delicioso clima da fronteira de França com a Italia; quando, n'uma casa em que estava hospedado, se conversava em diversos assumptos; e um dos circumstantes disse, com o riso nos labios: senhores, vou contar-vos uma historia, que bem prova a demencia humana..."
(Excerto de Magnetismo Animal)
Matérias:
- Aux Académies de Médecine et à tous les savants O. D. C. - Magnetismo Animal [sonho]. - Meditação sobre o sonho. - Magnetismo Animal : artigo extrahido e traduzido da obra de J. G. Millingen, M., F., M. A. intitulada Curiosities of Medical Experience publicada em Londres. - Advertencia do autor [referente à sua insatisfação com as condições técnicas da impressão do presente livro].
Encadernação em tela com título e autor manuscritos colado na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
85€
Reservado

18 maio, 2019

BARRADAS, Lereno Antunes - REGIÕES LATIFUNDIÁRIAS. [Por]... Engenheiro Agrónomo. Lisboa, Editorial Império, Limitada, 1935. In-4.º (24,5cm) de VII, [1], 87, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a agricultura no Alentejo, elaborada e publicada nos alvores do Estado Novo.
"O presente trabalho, feito para o 1.º Congresso Alentejano, que não chegou a realizar-se, foi apresentado ao 2.º Congresso da Imprensa Alentejana em Maio de 1933.
Hoje, o problema agrário do Alentejo, o assunto principal de que vamos tratar, mercê de várias circunstâncias, sobretudo pela abundancia extraordinária das ultimas colheitas, apresenta um aspecto um pouco diverso do de então.
Naquela data, após o primeiro ano de superprodução de trigo, a lavoura lutava com os preços baixos do mercado, e neste momento, depois de outros anos de boas produções e com o preço de venda assegurado pela F. N. P. T., luta com o da colocação deste cereal.
Dantes era a auto-suficiencia do trigo, que principalmente se procurava; hoje pretende-se o barateamento do pão, além da resolução de muitos outros problemas que têm continuado por resolver, como o do desemprego rural, etc., etc. [...]
A baixa de preço do trigo, que acaba de se dar, impunha-se; e, diga-se de passagem, estamos convencidos de que a maior parte da lavoura aceitou esse sacrifício, como um dever a cumprir.
Não é oportuno tocarmos nas inumeras considerações que sobre este assunto se podem fazer, mas achamos necessário relacioná-lo com o ponto de vista que defendemos.
Como se sabe, uma das causas do excesso de trigo, é a demasiada área destinada a esta cultura. Em vista disto, de todos os lados preconizam a sua redução, pela exclusão das relvas, vinhas, montados, etc. Contudo há relvas que podem economicamente dar trigo; há montados, como os de azinho, que, necessitam ser semeados; e há alqueives, que só dão trigo caro."
(Excerto do preâmbulo, Palavras prévias)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€
Reservado

17 maio, 2019

SOUSA, Comandante Jaime de - AGONIA DE UM HERÓI : a derradeira viagem do "Adamastor". Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, Lda., 1945. In-8.º (19cm) de 448, [2] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrado em extratexto com retratos do autor e do capitão Ferreira do Amaral, e fotografias a p.b. do navio e de alguns locais visitados.
"O Adamastor foi um cruzador da Marinha Portuguesa, construído nos Estaleiros Navais de Livorno (Itália), em 1896, entregue à Marinha Portuguesa em 1897, e financiado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao Ultimatum britânico de 1890. O seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar-e-Guerra Ferreira do Amaral. 
O Adamastor desempenhou um papel importante no golpe revolucionário de 5 de Outubro de 1910, que levou à implantação da República, sendo responsável pelo bombardeamento do Palácio das Necessidades.  Durante o seu período de serviço o Adamastor percorreu em missões de soberania quase todos os territórios ultramarinos, de Angola a Timor. Também fez várias visitas oficiais a países estrangeiros, como o Brasil e o Japão. Na Primeira Guerra Mundial, o Adamastor tomou parte activa nas operações militares contra os alemães, no norte de Moçambique."
Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (1875-1945). “Foi um político e militar da Marinha Portuguesa, tendo chegado ao posto de capitão-de-fragata. Exerceu as funções deputado e de Ministro das Colónias de 20 a 29 de Novembro de 1820 no governo de Álvaro de Castro. Nasceu em Ponta Delgada. Depois de completar os estudos liceais, partiu para Lisboa, tendo ali concluído o curso da Escola Naval. Após a Primeira Guerra Mundial exerceu funções diplomáticas como Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário de Portugal à Comissão de Reparações de Guerra."
Exemplar brochado, revestido de sobrecapa policromada, em bom estado geral de conservação. Sobrecapa apresenta falhas marginais. Orifícios de traça nas derradeiras 4 folhas, à cabeça, sem prejuízo da mancha tipográfica.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

16 maio, 2019

MACEDO, J. C. - AS CINZAS DUM TEMPO PERDIDO. Ascensão e queda das FP-25? Mem Martins, Publicações Europa-América, 1985. In-8.º (21cm) de 178, [2] p. ; B. Col. Estudos e Documentos, 217
1.ª edição.
Impressionante relato de João Macedo Correia, um ex-operacional das FP-25 de Abril, organização armada clandestina de extrema-esquerda que protagonizou dezenas de atentados em Portugal, entre 1980 e 1987.
"Este livro é o resultado do «diário da prisão», que fui escrevendo desde esse dia 16 de Agosto de 1984 até estes dias de Maio de 1985. As notas, as mais importantes, compilei-as, destruindo tudo o resto. Espero ter sido claro quanto à loucura normal que impregna todo um acto político desprovido da sensibilidade cultural. As notas compiladas dactilografei-as numa parte (a aba do chapéu) de Monsanto. Poderia ter feito um simples e maçudo relatório das coisas da ascensão e queda das FP25, mas a frieza de tal propósito levou-me a uma atitude romanesca, porventura a mais indicada maneira de dizer que a vida e a ficção se diluem, muita vez, num acto."
(posfácio do autor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com defeitos na contracapa.
Invulgar.
10€

15 maio, 2019

INSTRUÇÕES PARA O USO DA METRALHADORA LIGEIRA 7ᵐᵐ,7 ᵐ/931 - MINISTÉRIO DA GUERRA. 3.ª Direcção Geral - 1.ª Repartição (Direcção da Arma de Infantaria). Lisboa, Imprensa Lucas & C.ª, [1932]. In-12.º (14,5cm) de 122, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com quadros e tabelas ao longo do texto.
"A metralhadora ligeira 7ᵐᵐ,7 m/931 é uma arma colectiva, de tiro tenso, destinada a fazer o tiro directo às pequenas e médias distâncias. Pode ainda fazer o tiro marchando e o tiro contra aviões voando a menos de 600 metros de altitude.
(Está em estudo um tripé para esta arma com as características do tripé Jessen utilizado pela metralhadora ligeira 7ᵐᵐ,7 m7/930.
É uma arma de tiro automático de cano fixo, sistema «tomada de gases num ponto do cano», com travamento da culatra por «inclinação».
A cadência de tiro é de 500 tiros por minuto (regulador de gases no «zero»). A velocidade prática do tiro é de 150 tiros por minuto, no tiro normal por rajadas curtas com rectificação de pontaria nos intervalos, podendo atingir o máximo de 200 tiros por minuto. Esta velocidade máxima não deve ser mantida por mais de um minuto.
O mecanismo de disparar é construído de fórma a permitir, por uma simples mudança do fecho de segurança, a execução do tiro simples (tiro a tiro) ou do tiro contínuo (automático)."
(Excerto do Cap. I, Características)
Índice:
I - Características. II - Munições. III - Organização geral da arma. IV - Organização balística da arma. V - Organização mecânica da arma. VI - Ferramentas e peças de reserva. VII - Manejo da metralhadora. VIII - Companhia de atiradores.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

14 maio, 2019

VICENTE, João Dias - PADRE HENRIQUE LOPES CARDOSO, UM SACERDOTE GUINEENSE DIGNO DE SER CONHECIDO. Por... Bissau, [s.n.], Novembro de 1993. In-4.º grd. (29,5cm) de [66] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia do padre Henrique Lopes Cardoso - a sua vida de sacerdócio e acção evangelizadora por terras da Guiné.
Exemplar stencilizado, por certo reproduzido a partir do projecto original do autor dadas as correcções e emendas visíveis ao longo do texto. Trabalho que viria a ser publicado um ano mais tarde,  em Soronda : revista de estudos guineenses, N.º 17 (Janeiro de 1994), nunca sido tendo editado em livro.
No final inclui um quadro com os estudos do biografado no Seminário-Liceu de S. Nicolau (1878-1889), e o Pequeno Vocabulário do Dialecto Pepel, obra do Pe. Lopes Cardoso que foi publicada no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, em Julho de 1902.
"Presentemente interessa-me conhecer melhor, e dar a conhecer, um outro sacerdote guineense, dos pouquíssimos existentes antes da criação da Diocese de Bissau em 1977, que foi um aluno brilhante no Seminário-Liceu de S. Nicolau em Cabo Verde, que colaborou com a administração colonial mas que também sofreu fortemente com essa administração pelo facto de ser "preto e amigo dos gentios", que reagiu ao modo como a evangelização era feita no seu tempo e apresentou para a mesma algumas perspectivas inovadoras, que foi um homem atento às necessidades materiais da sua própria família e das pessoas com quem vivia (sobretudo nas fomes que frequentemente assolaram as Ilhas de Cabo Verde) e que foi um profundo conhecedor das línguas crioula e pepel.
É meu intento, pois, ampliar um pouco mais aquilo que até agora já era conhecido sobre a figura do Padre Henrique Lopes Cardoso. Os elementos novos que consegui obter, recolhi-os nos arquivos de Lisboa, Cabo Verde e Bissau.
Algumas informações orais, de gente que conheceu pessoalmente este padre e de parentes directos seus que ainda vivem, pude obtê-las em Santiago de Cabo Verde e em Bissau."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Peça de coleccção.
Indisponível

13 maio, 2019

MACHADO, Raul - QUE É O ESPIRITISMO? Lisboa, União Gráfica, 1956. In-8.º (19,5cm) de 223, [1] p. ; [11] f. il. ; B. Colecção Verdade, 1
1.ª edição.
Trabalho que pretende refutar as bases do movimento espírita. O autor serve-se de exemplos práticos e teóricos, dos segredos de médiuns famosos, para demonstrar a pouca credibilidade do espiritismo.
Livro ilustrado com desenhos no texto, e em separado, com reproduções fotográficas das sessões espíritas estudadas no livro, impressas sobre papel couché.
"O presente trabalho mostrará que o espiritismo, como ciência, sem o fundamento necessário de fenómenos experimentais, não tem valor, nem razão de existir; como doutrina, eivada de absurdos filosóficos, deve ser rejeitado total e absolutamente. A doutrina da Igreja, por sua vez, ensina aos fiéis qual a atitude que devem assumir perante um acervo de absurdos doutrinários, recheado de perigos tenebrosos. Pelas folhas, pelos frutos, e não pela sombra, se conhece a árvora.
Ex fructibus... cognoscetis."
(Excerto do Prefácio)
Índice: 1.ª Parte - Segredos do Espiritismo. 2.ª Parte - Absurdos do Espiritismo. 3.ª Parte - Doutrina da Igreja. Apêndices: I) Espiritismo e Metafísica; II) A falibilidade de W. Crookes nas experiências espíritas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€
Reservado

12 maio, 2019

UM EXERCITO SEM HONRA. Atrocidades allemãs em França: (Factos ineditos). Reproduzido do "Nineteenth Century", Junho de 1915. Edimburgo : Nova York : Londres, Thomas Nelson & Sons, 1915. In-4.º (24,5cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo de J. H. Morgan denunciando os maus tratos infligidos pelas alemães na sua passagem por França. A acusação às tropas invasoras é sustentada pelo relatório do autor elaborado no terreno ao longo de 4/5 meses.
"Em Novembro do anno passado, encarregou-me o secretario do ministrio dos negocios do interior de proceder a um inquerito em França sobre as allegadas infracções das leis de guerra pelas tropas allemãs. [...] Os resultados do meu inquerito [...] foram submettidos á commissão presidida por Lord Bryce. [...] Uma parte delle, e precisamente a mais importante, a saber: a que estabelece provas de um systema deliberado de atrocidades commettidas por officiaes allemães responsaveis chegou ás minhas mãos já tarde para della se poder fazer uso na commissão. [...] Limito-me portanto, neste artigo a esta secção do inquerito, devendo advertir ao leitor que, salvo menção em contrario em varios casos, os documentos que aqui se apresentam foram publicados agora pela primeira vez.
As minhas investigações representam um periodo de quatro ou cinco mezes. Durante as seis primeiras semanas estive ocupado em visitar os hospitaes da base de operações, os campos de convalescentes em Boulogne e Rouen e os hospitaes em Pariz; durante os restantes tres mezes fiquei addido as estado maior, no quartel general da força expedicionaria britannica. No decurso de meus inqueritos nos hospitaes e campos, interroguei de viva voz uns dois ou tres mil officiaes e soldados, representando quasi que todos os regimentos dos exercitos inglezes e todos os que recentemente haviam estado em serviço activo em campo. [...]
Em virtude deste inquerito visitei todas as cidades e communas de alguma importancia actualmente sob nossa occupação e havia pouco antes occupada pelos allemães, incluindo localidades a poucas centenas de metros da linhas allemãs."
(Excerto da introdução, Atrocidades allemãs na França; factos ainda não publicados)
Matérias:
- Atrocidades allemãs na França; factos ainda não publicados. - Processos do Inquerito. - Ultrages Contra Combatentes em Campanha. - Provas de Politica Systematica. - Tratamento das Populações Civis. - Ultrages Sobre Mulheres-Occupação Allemã de Bailleul. - Bens Particulares. - Observações durante uma Digressão Pelo Marne e Aisne.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Com sinais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

10 maio, 2019

UMA ALMA DE LUZ E DE CONFIANÇA - BEATA PAULA FRASSINETTI : Fundadora do Instituto das Irmãs de Santa Doroteia. "In Simplicitate Laboro". [S.l.], Edição do Instituto de Santa Doroteia, 1952. In-8.º (18,5cm) de 256, [2] p. ; [8] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia de Santa Paula Frassinetti, religiosa italiana, fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia. Foi beatificada pelo Papa Pio XI, em 1930, tendo sido canonizada mais tarde, em 1984, pelo Papa João Paulo II. Esta congregação é proprietária de diversos colégios em Portugal e no Brasil.
Livro ilustrado no texto, e em separado com oito belíssimas estampas impressas sobre papel couché, sendo uma delas o retrato da biografada.
"A cidade de Génova, situada sobre o Mediterrâneo, em majestoso anfiteatro, libertara-se já dos gelos do inverno e começava de engrinaldar-se com as graças primaveris. Desabrochavam nos jardins as violetas, as rosas cor de oiro, os ténues lírios roxos e brancos. As árvores cobriam-se de tenra folhagem, saltitavam nos ramos alegres passarinhos.
Foi por esse ambiente de frescura e de esperança, iluminado pelos raios avermelhados do sol poente, que ecoaram festivos os sinos da igreja paroquial de Santo Estevão, na tarde de 3 de Março de 1809.
Acorreram, por certo, alguns curiosos ao Santuário e viram um modesto grupo que,  num mixto de recolhimento e de alegria, apresentavam ao Sacerdote, para ser baptizada, uma menina encantadora, pequeno botão desabrochado pelas seis horas da manhã. [...]
Foram-lhe impostos os nomes escolhidos pelos ditosos Pais: Paula Ângela Maria. [...]
Não conheceu o fausto da riqueza.Mas os Pais, João Baptista Frassinetti e Ângela Viale, ambos fervorosos e íntegros observadores da moral cristã, proporcionaram-lhe um ambiente de virtude, de paz e de alegria sã, provenientes da boa consciência."
(Excerto do Cap. I, Os primeiros passos)
Índice: Prólogo. I - Os primeiros passos. II - Tolda-se o horizonte. III - Anelo do coração. IV - Esperanças e desenganos. V - Manhã de luz. VI - Fusão de ideais. VII - Luz e sombras. VIII - Sob o céu de Roma. IX - A seiva que lhe dá vida. X - Espessas nuvens. XI - A Educadora segundo Cristo. XII - Na Terra de Santa Cruz. XIII - Em Terras de Santa Maria. XIV - Ainda em Terras de Santa Maria. XV - Filha da Igreja. XVI - Entardecer luminoso. XVII - Perfumes do Paraíso. XVIII - «Jardim Fechado». XIX - Ardores de caridade. XX - Ocaso tranquilo. XXI - Glória Perene. Apêndice.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível
DUAS PALAVRAS ACERCA DAS CORRIDAS DE TOUROS SEGUIDAS D'UM REGULAMENTO PARA O TRABALHO DAS PEGAS. Por hum amador. Lisboa, Typographia Nova Minerva, 1881. In-8.º (22,5cm) de 32 p.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre a Festa Brava dedicado "aos capinhas portuguezes e aos artistas", em que o autor - antigo moço de forcado - procura sintetizar historicamente a corrida de touros, desde os seus primórdios até aos nossos dias, especulando sobre quem terá sido o 1.º cavaleiro tauromáquico, de acordo com fontes impressas e manuscritas. O Regulamento das pegas - de caras, de costas e de cernelha - é igualmente muito interessante, sobretudo se comparada à luz do presente, como a sugestão do autor em atribuir ao director de corrida as funções normalmente desempenhadas pelo cabo do grupo de forcados, que mediante a avaliação do desempenho do touro na arena - as suas crenças e reacções -, decide se determinado animal é pegado e de que forma.
"Não é minha intenção, publicando as considerações que se seguem, preleccionar tauromachia. O que digo é o que todos sabem e apenas faço alguns reparos que julguei necessarios, para servirem de base a um regulamento que despertenciosamente apresento. Se os mais competentes entenderem, que póde ser adoptado, que o patrocinem com a sua auctorisada opinião e apresentem á censura dos poderes superiores.
Não reclamo a restauração das pegas, que entenderam alcunhar de attentatorias contra a moderna civilisação.
Não discuto...
Produzindo este trabalho, cedo unicamente ao pedido d'um amigo; confessando, porém, que a falta das pegas nas corridas de touros se torna se torna muito sensivel, e muito especialmente nas touradas executadas por curiosos, em que geralmente appareciam valentes e audaciosos rapazes, que pela sua bravura e coragem se tornavam dignos das acclamações do publico, que sempre os applaudia com verdadeiro enthusiasmo.
Serão barbaras para muitos as corridas de touros, mas outros ha cujo espirito se levanta ao presencear essas pugnas, em que certamente ha o que quer que seja de grande, nobre e admiravel. E mais heroicas foram de certo,do que a nossa, as gerações que as acceitaram e desenvolveram."
(Preâmbulo, Ao leitor)
Matérias:
- [Dedicatória] aos Artistas. - Ao leitor. - Primeira Parte: [História das touradas]; Touros puros e touros picados. - Parte Segunda: O que eram d'antes as touradas na praça do campo de Sant'Anna. - Parte Terceira: As pegas; - Regulamento [das pegas].
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação. Folha de rosto apresenta falhas de papel marginais. Assinatura de posse de Zé Boieiro na f. rosto. Deve ser encadernado.
Raro.
30€

09 maio, 2019

TORRES, José Pinto Machado - O CÃO : nas suas relações com o homem. Breves considerações sobre a transmissibilidade d'algumas doenças e a sua prophylaxia. Dissertação inaugural apresentada á Escola Medico-Cirurgica do Porto. Porto, Imprensa Nacional de Jayme Vasconcellos & Irmão, 1907. In-8.º (21cm) de 71, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante tese académica sobre as principais doenças que acometem os cães, e os cuidados a ter para evitar o contágio humano.
"A raiva é uma doença virulenta, de natureza microbiana, cujo germen, ainda desconhecido, parece atacar de preferencia os centros nervosos.
Alguns auctores já teem descripto para esta doença um microbio; no emtanto as suas affirmações não teem sido confirmadas. Dizemos, todavia, que esta doença é de natureza microbiana, porque a sua marcha, o seu modo de propagação, a attenuação do virus rabico faz-nos admittir essa hypothese, apesar do micro-organismo ser ainda desconhecido.
A raiva póde observar-se n'um grande numero de animaes - lobo, gato, boi, cavallo, porco, e sobretudo no cão - e transmitte-se ordinariamente pela mordedura d'esses animaes raivosos.
A raiva no homem é quasi sempre transmittida pelo cão; parece-nos, pois, conveniente conhecer os symptomas da doença n'este animal."
(Excerto de Raiva)
Matérias:
[Preâmbulo]. - Taenias. - Sarna. - Tinhas. - Actinomycose. - Tuberculose. - Raiva. - Doenças diversas. - Proposições.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta risco a lápis de cor azul.
Raro.
Sem registo na Bibiloteca Nacional.
Indisponível

08 maio, 2019

BENTES, J. A. - SOCIOLOGIA FUNDAMENTAL. Constituição da Sociologia. Os Grandes Problemas Sociaes. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho - Editor, 1907. In-8.º (18,5cm) de 938 p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho pioneiro sobre Sociologia, dos primeiros que sobre este assunto se publicou entre nós.
"Desde o movimento iniciado pelo genial fundador da Philiosophia positivista, condensando as energias anteriores dos pensadores de muitas gerações, se propagou pela sciencia; nunca mais permitiu a resistencia do meio, ou a energia já insuficiente, dispersa, ou indisciplinada dos factores da sua evolução, que a Sociologia progredisse com o vigor  pressuroso, que uma justa expectativa fundara na firmeza dos seus primeiros passos, tão prometedores.
Fosse esse o motivo; que tenha havido, falta de unidade no trabalho da sua constituição, ou que o programa estabelecido seja em demasia complicado e muito dificil de executar, ou mais certo, que o problema proposto contenha em si erros originaes perturbadores, que hajam demorado a sua resolução, opondo-se ao progresso, é certa a anciedade, com que se espera e com que se procura um guia por toda a parte, a noticia, a probabilidade, a promessa ou o menor vestigio de possibilidade da resolução scientifica imediata de questões sociaes momentosa, o termo do empyrismo em sociologia."
(Excerto da Introducção)
Índice:
Introducção. Sociologia - materiaes de construcção. I. Sociologia - A evolução - Conservação da energia. II. Phenomenos sociaes primarios - Monismo e Dualismo - Instrucção e educação. III. Alma collectiva - Moral scientifica - Sciencia e religião. IV. Intelligencia, suas funcções. - Evoluções comparadas. V. Todos os phenomenos do Universo são de origem phisica - Superioridade da mulher primitiva - A Religião foi a sciencia primitiva. VI. A força arbitro supremo - A disciplina, condensador e regulador da força bruta - Indiferença das fórmas cyclicas de governo. VII. Os «self made men» - As grandes fontes de receita derivam sempre do vicio - Funcção compensadora e reguladora dos governos. VIII. Movimento de translação e de rotação na evolução - O socialismo - A felicidade nunca póde ser individual - A guerra, correctivo da ociosidade - O hylozoismo. Sociologia - instrumentos de trabalho. IX. Religião, artes e sciencias - Direção da evolução psycologica da humanidade - Classificação das sciencias - Esthetica - O Monismo não tolhe os vôos da imaginação do poeta, educa-a e disciplina-a. X. Dissociação - Radio-actividade - O radio - Constituição da materia visivel e invisivel. Continuidade do mundo physico e do mundo psychologico - Considerações sociologicas. Sociologia - projectos de construcção. XI. Sociologia fundamental e suas derivadas - Coordenação das sciencias phisicas e das sciencias sociaes ou moraes - Evolução figurada e os seus factores. XII. Constituição scientifica da sociologia - Evolução - Felicidade social no espaço - Imortalidade consciente no tempo - Funcção da poesia - Termo da Evolução.
José António Bentes (1837-?). Oficial do exército, conhecido por ter escrito e editado o 1.º manual de fotografia em Portugal (1864). Além desse e do presente trabalho sobre sociologia, a BNP dá conta de um outro trabalho sobre fotografia - o Tratado theorico e pratico de photographia (1866), de algumas traduções para português de obras de Paolo Mantegazza (1831-1910) e outras de índole técnica.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada apresenta pequenas falhas de pele e uma outra, vertical, mais extensa.
Invulgar.
Indisponível

07 maio, 2019

CASTRO, Alvaro de - ELOGIO HISTÓRICO DO GENERAL ALVES ROÇADAS. Por... pronunciado na Câmara Municipal de Lisboa em 28 de Maio de 1926. Comissão dos Padrões da Grande Guerra. [S.l.], Edição da Comissão, 1936. In-8.º (17,5cm) de 25, [3] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada extratexto com os retratos do General Alves Roçadas e do Dr. Álvaro de Castro, impressos sobre papel couché.
"1914 - Os exércitos da Alemanha forçam o Luxemburgo, invadem a Belgica, e a Inglaterra eclara o estado de guerra com os Impérios Centrais. Obscuras combinações diplomáticas colocam Portugal na situação indecisa de não beligerante, sem ser neutral: está em paz com tôdas as nações mas reafirma a sua aliança com a Grã-Bretanha. Os alemães preparam o golpe de surpresa sôbre Angola: estudam, inspecionam e activam a espionagem.
O massacre de Maziú, em Moçambique, é uma cruel prevenção.
Prepara-se a defesa das colónias e da metrópole; seguem com destino às duas costas expedições encarregadas de vigiar as fronteiras. A missão de defesa de Angola é confiada ao General José Alves Roçadas.
Os manejos alemães continuam a revelar audácia e precisão. O heroico alferes Seremo destroi em um momento, pela sua decisão e energia, o bem aquitectado plano alemão duma rápida penetração em Angola.
Já a êsse tempo Alves Roçadas organiza e destribui as forças destinadas à defesa do Sul.
Em Dezembro de 1914 o Comandante Alves Roçadas estabelece as suas tropas na linha fronteiriça de Naulila - Caluéque, sobre o Cunéne.[...]
No dia 12 de Dezembro, de manhã, há a primeira notícia das tropas inimigas; desenvolvem, operam e preparam o ataque, a coberto, em território alemão. No dia 18 atacam o posto de Naulila pelo flanco esquerdo da posição. Durante cinco horas desenvolve-se um renhido combate em que a vitória paira indecisa e vária.
No mais aceso da luta, Alves Roçadas, reconhecendo a desorganização da defesa, tenta um golpe de audácia.
Reune as fôrças dispersas, anima-as, incita-as e lança~se ao assalto, dando o exemplo da coragem e do arrôjo."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com selo de bilbioteca e carimbo oleográfico.
Raro.
Com interesse histórico.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
Indisponível

06 maio, 2019

RICO, João - ASTROLOGIA. Lisboa, [s.n. - Imprensa Beleza, Lisboa], 1947. In-8.º (19cm) de 46, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre Astrologia.
Ilustrado no texto com tabelas, e o mapa astral com os signos do zodíaco.
"A Ciência Astrológica não pode estar sujeita a humorismos, visto que são os Astros que comandam os homens e não os homens que comandam os Astros, a admitir o contrário, seria uma loucura dos homens.
A Psíquica do homem existe realmente em relação a Deus (Criador de Si Mesmo e dos Astros e de Tudo), mas os Astros são o suporte da Grande Inteligência e alimentam a vida do Ser.
A Psíquica está em relacionar a Energia da Matéria com o Espírito Dominador.
Tirar a conclusão de equilíbrio dá um bom resultado. Os Astros andam no Universo com a Lei bem regulada e o Ser pertence a esses Astros.
Estudar os Astros é matéria indispensável, e ligar essa matéria ao Espírito indispensável é também. Para constituir um horoscopo, é necessário contar com os Signos, Astros, meses, dias e horas, as estações do ano podem ser dispensadas nos meus cálculos, porque os tenho incluídos nos movimentos do Tempo. [...]
A vida é uma Viagem, e vê o teu itinerário, escolhendo a função que te compete, que os Signos e Astros não falham, aproveita-os."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
15€

05 maio, 2019

LORAINE, Fanny - A MINHA PRIMEIRA VIAGEM À LUA : novela. Tradução do original por Álvaro Machado. Com ilustrações de Cristiano de Carvalho. Pôrto, Livraria Escolar "Progredior", 1937. In-8.º (19cm) de 130, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica. Fanny Loraine será o pseudónimo literário de Giuseppe Casagrande(?).
Livro muitíssimo valorizado pelos 9 desenhos em página inteira precedendo cada um dos capítulos que constituem a obra, e um outro, mais pequeno, na última página de texto, que reproduz o desenho do Cap. IX, todos da autoria de Cristiano de Carvalho (Porto, 1874 – Matosinhos, 1940), intelectual, político e artista português multifacetado - desenhador, ilustrador e caricaturista.

"O quimérico sonho dos poetas
Temsido sempre de ir à Lua...
Sonho literário? Sonho d'ascetas?
Não será isso loucura sua?
Subir, subir até à meseta
Longinqua da famosa Diana,
Até ver atingida a meta
Doa astro que argentea luz emana!

Já o famoso Jules Verne,

Com grande sabedoria
Nos tinha feito lá chegar
Embora com fantasia
Aquelas regiões etereas,
Com o fim de as devassar.

Eu também quiz demonstrar

Como se pode até à Lua ir.
Por isso escrevi êste livro;

Livro que acabo de fechar

Mas que outros podem abrir."

(Ao leitor - reproduzido da badana da capa)
"- Parece-me que daqui só saïremos feitos em pó - comentou Polínio, esfregando as mãos, como se ficasse muito satisfeito com o seu macabro prognóstico.
- Tranqüilize-se. - E o professor Schulze, sustendo fortemente o manípulo do quadrante, para assim manter a vertiginosa marcha da aeronave, que naquele mesmo momento acabava de se encontrar próximo da atracção entre a Terra e a Lua, disse ainda: - Não ficaremos feitos em pó porque estou plenamente convencido dos meus planos.
- Pelo menos, em pedaços, não lhe parece, miss Kathleen?- observou de novo Polínio, fixando còmicamente os olhos de uma jovem e intrépida americana, muito loira, muito formosa, e que havia abandonado a sua casa, a sua família e o seu país apenas com o firme propósito de acompanhar von Schulze na mais temerária das temerárias façanhas."
(Excerto do Cap. I, Nos domínios do infinito)
Índice:
I - Nos domínios do infinito. II - A ascensão maravilhosa. III - Com os pés na Lua. IV - Os astrónomos discordam. V - As surprêsas do nosso Satélite. VI - Do monte Everest ao monte Leibnitz. VII - Pérolas e anões. VIII - Da Lua não respondem! IX - A ultima esperança perdida?...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
40€