25 junho, 2018

BASTOS, Francisco Leite - GLORIAS DO TRABALHO : drama em tres actos. Original De... representado repetidas vezes no Theatro das Variedades. Precedido de um parecer do Sr. A. da Silva Tullio. Lisboa, Livraria do sr. Campos Junior, [1865]. In-8.º (17cm) de 51, [1] p. ; B. Col. Theatro Escolhido, N.º 10 - 2.ª Serie - IV
1.ª edição.
Obra raríssima. Trata-se da segunda publicada pelo autor; a 1.ª, igualmente uma peça de teatro, foi Consequencias de uma inicial : comedia original em um acto (1863), também representada no Teatro das Variedades. De acordo com uma biografia da época, «As glorias do trabalho», "que também obteve grande ovação, era um drama que denotava verdadeiro talento, mas em que se conhecia a falta de estudo e de instrucção" do autor.
"A critica e o publico acceitaram o presente drama e festejaram-no na imprensa e no theatro, como elle foi escripto, e com favor tal que nunca julguei merecer.
Para essas dividas de gratidão é que de certo não ha resgate. A tão benevolos estimulos respondo apenas com o meu evangelho - o trabalho.
Trabalharei pois: e oxalá no futuro eu possa por elle tornar-me util; e os generosos amigos, que ora vêem espalhar flores n'este caminho abrolhoso, aonde só espinhos se encontram, não tenham de pejar-se ante a inutilidade de seus desejos.
São estas as minhas aspirações - estes os votos do meu eterno reconhecimento."
(Preâmbulo)
"A comedia-drama, em tres actos, original, intitulada Glorias do trabalho, sobre ter por argumento um thema recommendavel, está escripta e dialogada com muita propriedade; tem bons typos; boa doutrina; os actos fecham com lances e ditos de seguro effeito scenico; e em summa é uma peça que muito folgo de approvar com louvor."
(Parecer)
Francisco Leite Bastos (1841-1886). “Jornalista, autor de contos e romances policiais, dramas e comédias, nascido a 17 de setembro de 1841, em Lisboa, e falecido a 5 de dezembro de 1886, na mesma cidade. Apesar da ausência de formação literária, os seus escritos - peças, crónicas  e romances - gozaram no seu tempo, de um relativo êxito popular. Colaborou no Diário de Notícias e em vários jornais literários. Deu sequência ao Rocambole, de Ponson du Terrail, em Maravilhas do Homem Pardo. Toda a sua obra jornalística e literária se pauta pela crítica de costumes.”
(Fonte: infopédia)

Exemplar brochado, por aparar, em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
45€

24 junho, 2018

CARVALHO, Joaquim Martins de - OS ASSASSINOS DA BEIRA. Novos apontamentos para a historia contemporanea. Por... Redactor do Conimbricense. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1890. In-4.º (23,5cm) de VII, [1], 359, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do período pós-guerra civil, época em que a banditagem (protegida por interesse locais e políticos à escala nacional) assolou, sobretudo, o centro do país, passando as Beiras a ferro e fogo, roubando e matando, impondo o medo e colocando em alvoroço as populações desprotegidas.
"A historia das atrocidades praticadas na Beira em seguida ás guerras civis é uma lição que deve aproveitar a todos. São ellas consequencia funesta de causas ainda mais funestas. A desordem arrasta consigo um cortejo de desgraças que se multiplicam e estendem por largo espaço de tempo. Abrem-se e rasgam-se feridas; e ainda que se curem, conservam demorados vestigios, vestigios que muitas vezes gretam e gottejam sangue. Ensarilharam-se as armas em 1834; mas á sombra da paz a violencia desenvolveu-se em assassinatos e roubos, resultado da fraqueza das leis. Estas, como se sabe, só podem dominar com a tranquilidade publica, unida estreitamente com o completo restabelecimento da ordem.
Uma lusta sangrenta de odios politicos degenerou na vindicta particular e no desenfreamento do crime. Eis o que mostra este livro.
Sustentámos sempre como liberaes o pendão da causa democratica, symbolizada então em D. Pedro IV; mas se estygmatisámos e condemnámos os desacertos e malfeitorias do partido miguelista, desenrolamos com a mesma imparcialidade a pagina negra que enlutou as duas Beiras nos primeiros annos do regimen liberal. D. Miguel entendeu que poderia sustentar-se com a repressão por meio dos supplicios; o liberalismo julgou util viciar o systema eleitoral com a corrupção e cumplicidade dos bandidos. Ambos erraram e ambos amargaram os seus erros."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
Preambulo. I - Immoralidade governativa. II - O governador civil de Coimbra, Maldonado. III - Morte do Ferreiro de Varzea de Candosa. IV - Politica corruptora nas eleições. V - Attitude do Conimbricence perante os assassinos. VI - O administrador de Taboa, Costa Amaral. VII - Ameaças de João Brandão e resolução do governador civil. VIII - Eleição de um deputado pelo circulo da Louzã. - Fulminante resposta do Conimbricence ao sicario João Brandão. IX - Os dois cavalheiros de industria, Lima Valentão e Sebastião de Brito. X - Os assassinos e a relação do Porto. XI - O grande sicario Antonio Rodrigues, o Boa Tarde. XII - Ainda os assassinos e a relação do Porto. - Evasão de um facinora. XIII - Tolerancia para com os sicarios. - Terror nos jurados, inspirado pelos assassinos. XIV - O juiz de direito de Arganil, Joaquim José da Mota. - Apresentação de João Brandão na cadeia de Arganil. XV - Transferencia de João Brandão para Coimbra e regresso para Arganil. - Audiencia de julgamento e adiamento d'ella. - Absolvição escandalosissima dos scelerados. XVI - Continuam os assassinatos na Beira. - Morte de Manuel Antonio Marçal e João Maximino Dias. XVII - Ligações politicas da auctoridade progressista com os assassinos. - Eguaes ligações da opposição regeneradora. XVIII - João Brandão em Coimbra. XIX - O Marçal de Fozcoa. XX - O assassinato de Estanislau, de Varzea de Meruge. XXI - Antonio da Costa, o Caca. XXII - Horrorosas mortes do vigario do Ervedal, das suas criadas e da mãe d'elle. XXIII - Morte do abbade de Guardão. XXIV - Morte do juiz de direito de Midões. - Uma fera no povoado. XXV - O major Christiano, grande envenenador. XXVI - A sociedade secreta dos Invisiveis. XXVII - A quadrilha de ladrões de Montemór-o-Velho. XXVIII - Assassinatos em Montemór-oVelho. XXIX - A quadrilha de ladrões de Verride. XXX - Horrorosas carnificinas em Coimbra. XXXI - Grandes roubos. XXXII - A morte do Pirão. XXXIII - A republica do Carmo em Coimbra,. XXXIV - A ultima execução em Coimbra. XXXV - A horrorosa morte do Campeão. XXXVI - O roubo no Chão do Bispo. - Francisco Marques, o Coimbra. XXXVII - A odiosissima morte do Lazaro. XXXVIII - Os sicarios de Lavos. XXXIX - O Obeservador e o Conimbricence. XL - Os moedeiros falsos em Coimbra. XLI - Outra execução de pena ultima. XLII - Horrorosa morte e roubo do padre Januario Mendes, prior de Sameice, concelho de Ceia. - Outras mortes e roubos. XLIII - O Soares do Carregal. XLIV - Ainda o Soares do Carregal. XLV - Morte e roubo do padre Portugal. XLVI - João Nunes Ferreiro, de Varzea de Candosa. XLVII - Additamentos.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
70€

23 junho, 2018

BEIRÃO, Caetano Maria Ferreira da Silva - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ÁCERCA DAS RESTRICÇÕES, A QUE É NECESSARIO SUGEITAR A CULTURA DO ARROZ EM PORTUGAL PARA CONCILIAR O MAXIMO PROVEITO DESTA INDUSTRIA AGRICOLA COM O MENOR RISCO POSSIVEL PARA A SAUDE DOS POVOS. Lidas em sessões de primeira classe da Academia Real das Sciencias de Lisboa, e mandadas imprimir em 8 de Janeiro de 1856. Pelo Doutor..., Socio Effectivo da mesma Academia. MEMORIA ACADEMICA. Lisboa, Typ. da Academia Real das Sciencias, 1857. In-4.º (26cm) de 89, [1] p. ; [1] desd.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a cultura do arroz em Portugal dedicado aos doze concelhos administrativos de Lisboa, que constituíam na época, uma das mais importantes áreas de cultivo do cereal: Álcacer do Sal; Santiago do Cacém, Sines; Setúbal; Alcochete; Moita - Alhos Vedros; Palmela; Sesimbra; Alenquer; Azeitão; Alcoentre; Grândola. O presente estudo baseia-se na divulgação dos relatórios de campo elaborados sobre esta grande área de cultivo.
Contém em separado um desdobrável de grandes dimensões (43x53cm) com um inquérito sociológico realizado nos doze concelhos acima referidos, que inclui recolha de dados sobre salubridade e o meio envolvente.
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse agrícola, histórico e sociológico.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
45€

22 junho, 2018

FLAMMARION, Camillo - O FIM DO MUNDO. Por... Traducção de Ayres de Carvalho. Porto, Companhia Portuguesa Editora, L.ᴰᴬ, [192-]. In-8.º (19cm) de 283, [5] p. ; il. ; B. Bibliotheca das Maravilhas
1.ª edição.
Obra de ficção científica. Trata-se de um curioso estudo "premonitório" onde o autor antecipa o futuro. Na primeira parte do livro, no século XXV, debruça-se sobre os motivos que concorrem para o "fim do mundo", valendo-se da hipótese astronómica da colisão de um cometa de grandes dimensões com o nosso planeta. Na segunda parte, considera a Terra dentro de dez milhões de anos, com as suas particularidades e metamorfoses, e o 'seu último dia'. De facto, em O Fim do Mundo, publicado originalmente no final do século XIX (1894), Flammarion prevê uma valorização da condição humana, através das reformas políticas e sociais realizadas no tumulto das lutas contemporâneas. (Fonte: www.febeditora.com.br)
Livro ilustrado com gravuras no texto.
"A magnifica ponte de marmore que liga a rua de Rennes á rua do Louvre e que, ornada com as estatuas dos sabios e dos philosophos celebres, desenha uma avenida monumental que conduz ao novo portico do instituto, estava inteiramente coalhada de povo. Uma multidão delirada rolava mais do que seguia ao longo dos caes, transbordando de todas as ruas e comprimindo-se em direcção ao portico, invadido havia muito por uma onda tumultuosa. Nunca, em outra qualquer epocha, antes da constituição dos Estados-Unidos da Europa, na epocha barbara em que a força primava o direito, em que o militarismo governava a humanidade e em que a infamia da guerra esmagava sem cessar a immensa toleima humana, nunca, nos grandes conflictos revolucionarios ou nos dias de febre que se seguem ás declarações de guerra, nunca as proximidades da Camara dos representantes do povo nem a praça da Concordia haviam apresentado similhante espectaculo. Não se tratactava de grupos de fanaticos reunidos em torno a uma bandeira, caminhando para alguma conquista do gladio, seguidos de bandos de curiosos e de desoccupados «que iam ver o que se passaria»; era toda, mas toda a população, inquieta, agitada, aterrada, indistinctamente composta de todas as classes da sociedade, suspensa da decisão d'um oraculo, esperando febrilmente o resultado do calculo que um astronomo celebre devia fazer conhecer n'aquella segunda-feira, ás tres horas, na sessão da Academia das Sciencias. Atravez a transformação politica e social dos homens e das coisas, o Instituto de França subsistia, empunhando ainda, na Europa, a palma das sciencias, das lettras e das artes. O centro da civilisação deslocára-se todavia, brilhando então o facho do progresso na America do Norte, nas margens do rio Michigan.
Estamos no seculo vigesimo quinto."
(Excerto do Cap. I, A ameaça celeste)
Indice:
Primeira Parte: No seculo vigesimo quinto - As theorias. I. - A ameaça celeste. II. - O cometa. III. - A sessão do Instituto. IV. - Como o mundo acabará. V. - O concilio do Vaticano. VI. - A crença no fim do mundo através os tempos. VII. - O choque. Segunda Parte: Dez milhões d'annos depois. I. - As étapas do futuro. II. - As metamorphoses. III. - O apogeu. IV. - Vanitas vanitatum. V. - Omégar. VI. - Eva. VII. - Ultimo dia. Epilogo - Depois do fim do mundo terrestre.
Nicolas Camille Flammarion (1846-1925). "Mais conhecido como Camille Flammarion, foi um astrónomo francês. Foi amigo de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo. Após a morte deste, o iniciante nos estudos de Allan Kardec, começou a aprofundar o conhecimento teológico do espiritismo. As obras de Flammarion, a partir de então, revelam a sua visão espírita sobre questões fundamentais para a humanidade."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e restauro nas margens laterais. Assinatura possessória na f. rosto e anterrosto.
Raro.
25€

20 junho, 2018

ARTHUS-BERTRAND, Yann - CAVALOS. Texto: Jean-Louis Gouraud. Lisboa, Edições Inapa, [2005?]. Oblongo (41x29cm) de 232 p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Obra luxuosa de grande esmero e apuro gráfico, profusamente ilustrada com fotogravuras a p.b. e a cores.
Inclui um capítulo dedicado ao cavalo Puro Sangue Lusitano.
"Yann Arthus-Bertrand (o mesmo fotógrafo da obra e exposição A Terra Vista do Céu percorreu o mundo durante quinze anos para conceber este livro. Quinze anos de momentos únicos captados pela sua objectiva que nos apresentam um singular atlas mundial do cavalo, onde para além da beleza e da diversidade das raças, podemos admirar os fascinantes laços que desde as nossas origens unem homens e cavalos. Este extraordinário trabalho fotográfico e o texto de Jean-Louis Gouraud, famoso estudioso do cavalo que o completa, fazem desta obra uma verdadeira bíblia da espécie equina. Ao levarmos até si este magnífico livro pensamos fornecer-lhe uma obra que irá enriquecer ainda mais o seu conhecimento sobre o Cavalo."

(Apresentação)
Encadernação editorial com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Esgotado.
25€

19 junho, 2018

LETTOW-VORBECK, General von - AS MINHAS MEMORIAS DA AFRICA ORIENTAL. Pelo... Tradução de Abilio Pais de Ramos, capitão de cavalaria. Subsidios para a Historia de Portugal na Guerra. Evora, Minerva Comercial, [1923]. In-8.º (22cm) de XXVI, 382, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do conflito africano durante a Grande Guerra. Apesar da Alemanha ter declarado guerra a Portugal apenas em 1916, na sequência do aprisionamento dos navios alemães em portos portugueses, efectivamente, já existiam confrontos militares entre os dois países no norte de Moçambique desde 1914. No terreno, as forças portuguesas (e Aliadas) defrontaram as forças alemães, maioritariamente constituídas por indígenas, sob as ordens de von Lettow Vorbeck, o astuto e respeitado chefe militar alemão.
Ilustrado em página inteira com um retrato do autor, 13 gravuras e 21 croquis militares.
"É um livro de interesse geral e absorvente. Durante quatro anos e quatro mêses da Guerra, Lettow Vorbeck combateu honesta e cavalheirescamente, ganhando o respeito, publicamente expresso, dos Generais Smuts, Northey e van Deventer. Sob este ponto de vista, o seu nome está em completo contraste com o de muitos outros generais alemães.
As suas Memorias são um relatorio interessante e valorôso de toda a Campanha. Alem dos detalhes puramente militares, contem descrições intimas e cativantes das regiões, e principalmente da vida extraordinaria que os alemães do Leste Africano se viram obrigados a passar.
O notavel caracter de de von Lettow dá um valor especial ás suas Memorias. Entre outras caracteristicas do livro, são essencialmente dignas de nota as inúmeras aventuras das patrulhas e a descrição dos combates no mato."
(excerto da transcrição do jornal The Times acerca do presente livro e do seu autor)

MatériasParte I - Acontecimentos anteriores á chegada dos sul-africanos. I: - Antes da declaração da guerra. II: - No comêço da guerra. III: - Os primeiros combates. IV: - Os combates de Novembro em Tanga. V: - Na expectativa de novos acontecimentos. VI: - Luta renhida a nordeste. VII: - A guerra de guerrilhas e ultimos preparativos. VIII: - Esperando a grande ofensiva. Aproveitamento energetico do tempo. IX: - Os teatros subsidiarios da guerra. A guerra de guerrilhas, em terra e no mar, até ao ano de 1916.
Parte II - O ataque concentrico das forças superiores (desde a chegada dos sul-africanos até á perda da colonia). I - O ataque inimigo á Montanha Oldorobo. II - Continuação do avanço inimigo e o combate de Reata. III - A retirada perante a superioridade esmagadora do inimigo. IV - O avanço inimigo na zona do Caminho de Ferro do Norte. V - Entre os Caminhos de Ferro do Norte e Centtral. VI - Combates continuos junto do Rufiji. VII - Os ataques inimigos no sudoeste da Colonia. VIII - Anciedade e fadigas durante a permanencia na região do Rufiji. IX - O fim da defeza da fronteira nos teatros subsidiarios. X - Lindi e Kilwa. XI - No angulo sudeste da Colonia. XII - As ultimas semanas em territorio alemão.
Parte III - Combatendo em terra estranha (desde a entrada na colonia oriental portuguêsa até ao armisticio). I : - Atravez do Rovuma. II: - A leste da Ludjenda. III: - Nas regiões do Lurio e Likungo. IV: - Continuando a marcha para o Sul. V: - De volta para o norte do rio Namacurra. VI: - Retirando para o rio Lurio. VII: - Mais uma vez em territorio alemão. VIII: - A invasão da Rhodesia. IX: - O armisticio e o regresso á Patria.
Paul Emil von Lettow-Vorbeck (1870-1964). “Foi um general alemão, comandante da campanha da África Oriental Alemã na Primeira Guerra Mundial, a única campanha colonial dessa guerra onde a Alemanha não foi derrotada. Também foi o único comandante a invadir solo britânico na Primeira Guerra Mundial. No princípio de 1914, von Lettow-Vorbeck foi escolhido para comandante da pequena guarnição alemã de 300 soldados e doze companhias de askari [combatentes indígenas] que guarneciam a África Oriental Alemã, actual Tanzânia. Com o início da guerra na Europa, em Agosto daquele ano, ignorou as ordens recebidas do governo de Berlim e do governador da colónia, o Dr. Heinrich Schnee, que insistiam na necessidade de manter a neutralidade da África Oriental Alemã e preparou-se para a guerra, que teve início com um ataque anfíbio à cidade de Tanga, entre 2 e 5 de Novembro de 1914, repelindo os britânicos e os seus aliadas na acção que ficou conhecida pela Batalha de Tanga, uma das mais violentas de toda a campanha. As vitórias que foi conseguindo permitiram-lhe capturar armamento moderno e outros abastecimentos, fundamentais dado o isolamento das forças alemães em relação à metrópole, consequência do bloqueio naval aliado ao Império Alemão. O plano de von Lettow-Vorbeck era simples: sabendo que no contexto da Guerra, a África Oriental não passaria de um palco periférico, decidiu manter o máximo de pressão sobre as forças Aliadas, enfraquecendo-as, pois a necessidade de renovação dessas tropas, impediria a sua utilização na Frente Ocidental, contribuindo dessa forma para para vitória alemã na Europa. Von Lettow-Vorbeck sabia que podia contar com os seus oficiais, altamente motivados e competentes (as baixas inflingidas nos adversários eram prova disso). Como consequência das perdas de pessoal, ele passou a evitar confrontos directos com soldados britânicos, em vez disso comandou os seus homens em invasões de guerrilha nas províncias britânicas do Quénia e da Rodésia, atacando os fortes britânicos, ferrovias e comunicações, com o objectivo de forçar a Entente a desviar o efectivo do teatro de guerra na Europa. Ele convocou 12.000 soldados, a maioria deles askari, mas todos bem treinados e bem disciplinados. Os askari ganharam uma especial reputação pela sua capacidade de luta e lealdade. Von Lettow-Vorbeck também servia como comandante-modelo, ganhando pelo exemplo o respeito e lealdade dos seus homens. Percebeu as necessidades críticas da guerra de guerrilha em que ele usou tudo o que conseguia, como o grupo e artilharia do cruzador alemão SMS Königsberg (afundado no delta do Rio Rufiji em 1915) que possuía uma tropa treinada sob o comando de Max Looff, bem como suas numerosas armas, que foram convertidas em peças de artilharia para a luta em terra, que seria o mais alto padrão de peças de artilharia de terra usadas na guerra. Paul von Lettow-Vorbeck foi considerado um comandante audaz, embora prudente, que mostrou habilidade incomum na condução de uma guerra de guerrilha em terreno desconhecido. Com poucos homens e virtualmente sem abastecimentos, reteve forças britânicas dez a doze vezes maiores. Conseguiu, contra todas as expectativas, permanecer invicto, tendo desviado forças britânicas de outros campos de batalha, sendo surpreendido pelo fiim da guerra quando marchava para atacar a ferrovia e as minas Aliadas em Katanga."
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas manchadas com defeitos; lombada apresenta falhas de papel; mancha de humidade na contracapa que se prolonga, de forma ténue, pelas derrdaeiras folhas do livro. Pelo interesse e raridade, a justificar restauro.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
75€

18 junho, 2018

MACIEIRA, António - DISCURSOS. Proferidos no Senado sobre a proposta ministerial relativa aos conspiradores. Pelo senador... Lisboa, Imprensa Nacional, 1911. In-4.º (23,5cm) de 27, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo dedicado a Afonso Costa. Nele, o autor sugere penalizações a aplicar aos que conspiram contra a República.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

17 junho, 2018

SYDER, José - JOGO DE "DAMAS". Guia contendo as melhoras fórmas de ataque e defeza a 40 «sahidas» com 440 jogos, 150 problemas na maior parte desconhecidos, e alguns jogos curiosos. Lisboa, Officina Tipographica, 1903. In-8.º (18cm) de XIII, [3], 227, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual do «Jogo das Damas», o primeiro que sobre este assunto se publicou entre nós.
Ilustrado no texto com tabuleiros de jogo simulando diversos movimentos de 'ataque' e 'defesa'.
"Cada um com a sua mania; a mim deu-me para querer divulgar os conhecimentos sobre o jogo dasDamas» e por isso resolvi publicar este livro: creio que em portuguez nada ha escripto sobre o assumpto.
Este jogo, que á primeira vista, se nos figura facil, está longe de o ser; é tão vasto em combinações que as maiores aptidões recuam diante de certos problemas, e as hypotheses em cada jogo são tão variadas, que não ha jogador que possa dizer: «nada mais tenho que aprender.» É tanto ou mais difficil como o «Xadrez» e d'esta opinião ha muitas autoridades que o asseveram."
(Excerto do prefácio)
Índice:
Prefacio. Leis do jogo. Explicações e abreviaturas. Instrucções. Primeira Parte: Sahidas. Segunda Parte: Problemas. Terceira Parte: Jogos curiosos. Erratas.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Folha de rosto com pequeno rasgão (sem perda de papel). Folha de guarda posterior apresenta-se rasgada, com perda de papel.
Raro.
20€

16 junho, 2018

CORREIA, Alberto C. Germano S. - PROSTITUIÇÃO E PROFILAXIA ANTI-VENÉREA. História Demografia Etnografia Higiene e Profilaxia. ÍNDIA PORTUGUESA. Por... Coronel-médico, lente da Escola Médica, Sócio da Academia das Ciências de Lisboa e do Instituto Internacional de Antropologia, Comendador das Ordens Portuguesas de Cristo, São Tiago e Aviz. Bastorá : Índia Portuguesa, Tipografia Rangel, 1938. In-4.º (25cm) de [4], 404 p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre a prostituição na Índia Portuguesa - as suas causas e consequências. Impresso em Bastorá, Goa.
Valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao "Dr. Carlos Sampaio, digníssimo Inspector Administrativo".
"É um capítulo que não podia ser escrito em separado, tanto porque a modalidade clandestina do meretrício só se faz às ocultas, como porque o tráfico de mulheres  crianças anda intimamente ligado àquela forma de prostituição.
É nos lôbregos desvãos da servidão clandestina da mulher que os mercadores da carne feminina para o repasto do sensualismo conseguem aliciar, com maior facilidade e rapidez, as vítimas incautas para serem imoladas  no ignóbil altar da volúpia. [...]
Durante muito tempo foi a prostituição clandestina considerada como a fase inicial da deshonra feminina.
A mulher ou a adolescente mercadejava primeiro, às ocultas, com os encantos do seu corpo fresco e sadio.
Uma vez surpreendida em flagrante pela família, quando honesta, ou pelos agentes da polícia dos costumes, era obrigada a matricular-se, inscrevendo o seu nome no livro, onde se relacionam as mulheres que se tornam parceiras no gôzo sexual de qualquer homem."
(Excerto do Cap.  IV, Prostituição clandestina e o tráfico feminino na India)
Matérias:
I - Generalidades sôbre a Prostituição. II - A Prostituição no Indostão. III - A Prostituição na India Portuguesa. IV - Prostituição clandestina e o tráfico feminino na India. V - Tráfico feminino no Industão e na Índia Portuguesa. VI - A mulher e o trabalho feminino na Índia. VII - O perigo venéreo e a prostituição através dos tempos na Índia Portuguesa. VIII - As modernas directrizes da profilaxia antivenérea.
Alberto Carlos Germano da Silva Correia (1888-1967). Médico licenciado pela escola Médica de Gôa, formado pela Faculdade de Medicina do Porto. Coronel médico. Professor e Director da Escola Médica de Gôa e do Hospital Militar. Director do Instituto de Investigação Científica de Angola. Sócio da Academia das Ciências de Lisboa, da Sociedade de Geografia de Lisboa, do "Institut Internacional d'Anthropologie" de Paris, do "International Congress of the Antropological & Ethnological Sciences" e do Instituto Vasco da Gama de Gôa. Deixou publicada uma vastíssima obra histórica, antropológica, etnográfica, antropométrica e climatológica.”
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, manchadas de humidade; lombada apresenta falhas de papel.
Muito invulgar.
Indisponível

14 junho, 2018

LEITÃO, C. A. Marques - TRABALHOS MANUAIS EDUCATIVOS : instrução secundária. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Papelaria e Tipografia Fernandes & C.ª, Ld.ª, Lisboa], [191-]. In-8.º (20cm) de 141, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a introdução da disciplina de trabalhos manuais no programa de ensino escolar oficial, obra precursora, a primeira que sobre o assunto se publicou entre nós.
Ilustrada com os retratos de pedagogos/filosofos internacionais, e bonitos desenhos e fotogravuras a p.b. nas páginas de texto.
"Os trabalhos manuais não constituem um simples factos da educação fisica, e assim como muitas vezes os isolam, outras tantas se esquece, que a educação fisica preside sempre á acção das forças morais. [...]
Os trabalhos manuais agora estabelecidos nos programas do ensino secundario, representam, a meu ver, uma profunda remodelação nos nossos processos educativos, e, tendo realisado algumas tentativas, procurando integrar este ensino em toda a acção da escola secundaria, dispuz-me a coordenar este simples trabalho, em traços muito gerais, concluindo por expôr alguns factos, que julgo chegarem a proposito no momento em que se procura pôr em pratica a disposição da nova lei. Pertencem esses factos a uma escola portuguêsa, e tanto basta para que possam merecer alguma atenção, pondo de parte por alguns instantes, o que sabemos do que se passa lá por fóra, procurando saber o que se passa cá dentro.
E isto exposto, seguindo a ordem dos meus apontamentos, assim os trago á publicidade, tratados por uma forma mais cuidada, mas sem pomposos atavios."
(excerto do Cap. I)
Carlos Adolfo Marques Leitão (1855-1938). "Professor pedagogista e oficial do Exército. Assentando praça em 15-IX-1873, foi promovido a alferes em 5-1-1876, a tenente em 8-X1­-1882, a capitão em 21-XII-1887 e a major em 20-X-1898. Foi professor de Desenho e Geografia do príncipe real D. Luís Filipe e do infante D. Manuel. Figura de ele­vado prestígio no Exército e na Instrução, dedicou a cada um daqueles ramos a sua notável inteligência. Ofi­cial do Estado Maior, foi também director do Colégio Militar, cargo que desempenhou até à proclamação da República. Foi deputado, vogal do Conselho Tutelar de Terra e Mar, vice-presidente do Conselho Superior de Ensino Industrial e Comercial e presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, durante a ditadura franquista. Nomeado director da Escola Industrial Marques de Pombal, tão dis­tinta se tornou a sua actividade, que fez daquele estabe­lecimento uma escola modelar. Em 1930 foi-lhe pres­tada, nessa escola, uma calorosa homenagem, com a assistência do Chefe do Es­tado. O coronel Marques Leitão era condecorado com as ordens de S. Bento de Avis, de Santiago, de N. Sra da Conceição e grã-cruz da Ordem da Instrução."
(fonte: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
Exemplar em razoável estado de conservação. Capas bastante atingidas pela humidade, bem com as primeiras e derradeiras páginas do livro, no pé, junto ao corte inferior das folhas. Pelo interesse e raridade, a justificar trabalho de restauro.
Raro.
15€

12 junho, 2018

HISTÓRIA DO REGIMENTO DE INFANTARIA N.º 1 : 1648--1942. In-8.º (21cm) de 72 p. ; B.
1.ª edição.
Resenha histórica do Regimento de Infantaria n.º 1, com múltiplas referências à sua participação na 1.ª Guerra Mundial, e um capítulo dedicado ao conflito que traça o roteiro do Regimento por terras de França, incluindo a descrição da batalha de La Lys. No final, enumera as perdas de Infantaria n.º 1 em França - mortos, feridos, gaseados e prisioneiros.
No final do livro em "Um exemplo de bravura e de brio militares" descreve a acção heróica do soldado Francisco Balbino, servente n.º 1 de metralhadora, em 9 de Abril de 1918, durante a Batalha de La Lys. Contém ainda no final do livro, o hino do Regimento de Infantaria n.º 1, a lista dos seus comandantes e das suas efemérides.
"Em Agôsto de 1914 rebenta a Grande Guerra, declarando o Chefe do Govêrno Português, no Parlamento, no dia 8 dêsse mês, que Portugal em circunstância alguma faltaria aos deveres de aliança, livremente contraídos com a Inglaterra.
Como consequência desta política é logo em Outubro organizada uma Divisão completa a que se dá o nome de Divisão Auxiliar à França, a qual se deveria preparar para marchar oportunamente a enfileirar-se ao lado dos aliados na frente ocidental da Europa. Desta Divisão deveria fazer parte o 1.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1.
Os aliados, porém, pretendem que Portugal se não comprometa com uma declaração de guerra e pedem simplesmente que lhe seja fornecida artelharia.O Ministro da Guerra opôs-se, por entender que seria uma afronta para o Exército Português o fornecimento de material sem o pessoal para o servir.
As negociações diplomáticas vão-se arrastando e a 9 de Agôsto de 1915 o Govêrno Português resolve que a Divisão cuja mobilização se estava preparando como auxiliar à França, passaria a ser destinada a criar um nucleo de tropas capaz de fazer face a qualquer emergência onde quer que se tornasse necessária a sua intervenção. E assim nasceu a DIVISÃO DE INSTRUÇÃO que, em Março de 1916, se reüniu no Campo de Manobras de Tancos, a fim-de se preparar para a eventualidade reputada inevitavel de combater o inimigo no Continente da República, nas nossas Colónias, ou em qualquer parte do Mundo. [...]
Foi a Divisão de Instrução que veio a constituir o nucleo do Corpo Expedicionário Português que, a partir de Janeiro de 1917, foi enviado a França, enfileirando-se ao lado dos aliados, a fim-de combater os alemães que no dia 9 de Março de 1916 nos tinham declarado a guerra.
A 27 de Maio de 1917 embarcou para França o 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1, indo acantonar em Ouwe-Werquim onde começou a receber instrução. Passado um mês mudou para Euquim-les-Mines de onde as companhias isoladamente foram completar a sua instrução ás trincheiras inglesas proximas de Locon. [...]
Em 21 de Novembro de 1917 foi render Infantaria n.º 14 no sector de Fauquissart II.
Pelas 15 horas de 23 dêsse mesmo mês um intenso bombardeamento de artelharia e morteiros é feito sobre as 1.ª e 2.ª linhas, trincheiras de comunicação e comando do batalhão.
Após 10 minutos de fogo, forças alemãs, no efectivo de aproximadamente 1 companhia, lançam-se ao assalto da 1.ª linha, onde havia um saliente, o Red Lamp Corner, que estava apenas a 40 metros das trincheiras inimigas e foi o primeiro a ser assaltado.
Encontrava-se neste saliente um posto com o efectivo de 6 praças comandadas por um 2.º cabo que, depois de atacado à granada de mão e a tiro de pistola, é intimado a render-se, chegando mesmo algumas praças a ser agarradas pelo inimigo. A guarnição responde, porem, a esta intimação com um fogo vivo de espingarda e granada de mão, travando-se um combate renhido de que resultou ficarem feridos 1 oficial e alguns soldados alemães, um dos quais foi feito prisioneiro.
Repelida esta investida, novas se fazem mas foram também repelidas e com o mesmo denodo, mostrando sempre as praças o maior sangue-frio."
(Excerto de A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Grande Guerra)
Matérias:
Quadro genealógico do Regimento de Infantaria n.º 1. Regimento de Infantaria n.º 1 - Batalhas, Combates e outras acções em que o Regimento tem tomado parte. Esboço biográfico do Regimento de Infantaria n.º 1. O Regimento de Infantaria n.º 1 e os desportos. A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Guerra Peninsular. A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Grande Guerra. O Regimento de Infantaria n.º 1 e o Marechal Duque de Saldanha. Um acto de abnegação e filantropia. Um modêlo de sentinela. Um exemplo de bravura e de brio militares. Hino do Regimento de Infantaria n.º 1. Lista dos Comandantes que tem tido o Regimento de Infantaria n.º 1. O Dia da Infantaria - O seu significado.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
20€
AGUIAR, Dr. Asdrubal Antonio d' - SCIENCIA SEXUAL. (Contribuições para o seu estudo). Virgindade. Por... Chefe de serviço do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, Professor do Curso Superior de Medicina Legal. Lisboa, Livraria Aillaud e Bertrand, 1924. In-4.º (26cm) de 258 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo histórico e científico sobre a virgindade feminina.
"A virgindade tem sido muito diversamente apreciada, segundo os tempos e os paizes. Pode dizer-se que, quanto mais adeantada é a civilisação d'um povo tanto mais a virgindade tem sido rodeada de attenções.
Ao ser chamado para decidir da virgindade d'uma rapariga ou d'uma mulher o medico-legista encontrar-se-ha deante d'uma pessoa, cuja obesrvação apenas revelará se os orgãos genitaes se acham ou não intactos O exame medico-legal não lhe permite ir mais alem.
O medico forense deverá, portanto, manter-se na maior reserva em tudo que implique com a virgindade, por assim dizer moral, pois ella mantem-se fora do seu alcance, excepto em exames psychiatricos que nada dizem quanto á integridade anatomica dos orgãos sexuaes, isto é, quanto á virgindade physica.
A perda de virgindade consiste hoje, como na epocha do sabio auctor das Questiones medico-lehales [Zacchias], na destruição da integridade hymenial; ha, porém, uma grande diferença. Na verdade, nos tempos de Zacchias, Paré e Condronchio, se a inteiresa do hymen era destruida não pelos tratos sexuaes mas pela mão ou por qualquer outro objecto propositada ou fortuitamente, já não havia perda de virgindade.
Hoje quer a integridade das vias genitaes seja lesada pelas relações sexuaes, quer por outro qualquer mechanismo, ha sempre privação da virgindade..
Evidentemente o medico-legista não pode asseverar que a mulher ou rapariga physicamente incolume e pura se não tenha entregado a certos contactos lubricos.
Ahi estará a razão da repugnancia moral em considera-las como virgens. Realmente n'essas mulheres, prostitutas no pensamento e semi-virgens no corpo, que considerar de puro e incolume a não ser para alem do hymen?
A virgindade moral ou castidade, a pureza da alma emfim, reunida á physica é um thesouro maximamente considerado entre o maior numero de povos civilisados e de tanto maior valia quanto mais rara se vae tornando."
(Excerto da introdução)
Asdrubal António de Aguiar (1883-1961). "Natural de Lisboa, formou-se em Lisboa em 1912 entrando nesse mesmo ano para o Instituto de Medicina Legal como assistente livre. Em 1913 foi nomeado assistente da Faculdade de medicina e membro adjunto do Conselho Médico-Legal, em 1918 passou a ser chefe de serviço e adjunto do Instituto Médico-Legal, tornando-se desde 1919 professor do curso de Medicina Legal. Publicou variadíssimos estudos medicos."
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Falta da f. anterrosto. Dada a qualidade do papel, alguma páginas apresentam manchas de oxidação.
Invulgar.
Indisponível

11 junho, 2018

DESCRIPÇÃO DAS FESTAS, E LUMINARIAS, COM QUE A MUITO NOBRE, E SEMPRE LEAL CIDADE DE LISBOA CELEBROU NO DIA 15 DE SETEMBRO DE 1808, E SEGUINTES O ARVORAMENTO DA BANDEIRA PORTUGUEZA NO CASTELLO DE S. JORGE DESTA CIDADE. Feliz annúncio da Restauração da Patria, pela Evacuação das Tropas Francezas em Portugal, convencionada entre Sir Dalrymple, General em Chefe do Exercito Britanico, e Junot, General em Chefe do Exercito Francez, em 30 de Agosto do mesmo anno. LISBOA : NA IMPRESSÃO REGIA. ANNO 1808. Com Licença. In-8.º (19,5cm) de 14 p.
1.ª edição.
Descrição dos festejos que ocorreram  na cidade de Lisboa por ocasião da retirada das tropas francesas de Jean-Andoche Junot, general de Napoleão, que comandou a 1.ª Invasão Francesa. Trata-se de um importante documento coevo, pois fornece dados para a compreensão da organização e celebração das festas populares na época, e suas ambiências.
"Finalmente raiou o felicissimo dia de quinze de Setembro, ditoso dia, em que recobrou a Cidade de Lisboa a liberdade usurpada. [...]
Os ares retinírão com vivas, a acclamações, quando poucos minutos antes de meio dia se vio arvorar a Bandeira Portugueza no Castello de S. Jorge, sustentada por huma salva Real de 21 tiros, e nas Praças, e Ruas da Cidade, nas quaes se achava innumeravel Povo, era geral o alvoroço, e contentamento."
(Excerto do texto)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e olisiponense.
Indisponível

10 junho, 2018

BIJOUX. JOHNNY BLACKWOOD; CHRISTOPHE BURGER; BERND MUNSTEINER; KURT NEUKOMM; WOLF-PETER SCHWARZAvec des textes de Karl Schollmayer, Regis Hueber, Dr. Robert L'Allier, Henri Marquis. Lausanne, Scriptar S.A., [1984]. In-fólio (30cm) de 88, [1] p. ; mto. il. ; E.
1.ª edição.
Edição limitada a 1.000 exemplares numerados. O presente leva o n.º 428.
Obra de grande esmero e apuro gráfico. Ilustrada com fotografias de alta definição de belíssimas peças de design assinadas e respectivas maquetes produzidas por 5 talentos da alta joalharia internacional.
Encadernação editorial revestida a tela de seda com ferros gravados a ouro e aplicação manual de gravura na pasta frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar
25€

09 junho, 2018

MONTENEGRO, Ayres - FISIO-PATOLOGIA DO AVIADOR : capacidade fisica para a aviação. Tese de doutoramento apresentada á Faculdade de Medicina de Lisboa. [Por]... Tenente medico da Escola Militar de Aviação. Lisboa, Imprensa Africana, 1919. In-8.º (21,5cm) de 67, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra pioneira sobre as condições físicas dos aviadores de combate. Estudo desenvolvido na Escola Aeronáutica Militar, em Vila Nova da Rainha, e editado pouco tempo após o final da Primeira Guerra Mundial. Trata-se do primeiro trabalho que sobre este assunto se publicou entre nós. O autor agradece e dedica a obra a seus familiares próximos, aos Drs. José Maria Branco Gentil e Marck Athias, ao seu comandante, Major Cifka Duarte, e aos seus camaradas Cap. Ribeiro da Fonseca, Cap. Santos Leite, Cap. Alfredo dos Santos Silva, Cap. Carlos Esteves Beja, Ten. Paiva Simões, Ten. Sérgio da Silva, Alf. António Correia, Alf. Emílio de Carvalho, Alf. Jorge d'Ávila e Alf. António Dias Leite. Com uma menção também a seis condiscípulos e amigos.
Livro ilustrado com tabelas no texto e com 3 gráficos em separado:
1) Modificação da tensão arterial e do pulso produzidas pelo vôo n'um piloto de 28 anos, com 4 de aviação;
2) Modificações de pressão arterial e do pulso produzidas pelo vôo (Auto-observação);
3) Gráfico "Altimetro", relacionado com a variação da altitude.
"No momento historico que atravessamos, em que a aviação depois de se ter revelado militarmente como uma arma formidavel parece querer marcar num proximo futuro um logar de primacial importancia na vida de relação dos ovos, tudo quanto, por modesto que seja, se relacione com o assunto, deve, em meu entender sêr publicado.
Dentre os multiplos aspectos porque tem de sêr encarado, realça o que respeita á escolha do aviador sob o ponto de vista da sua capacidade fisica.
Para isso é indispensavel conhecer-se primeiro as condições a que está subordinado o aviador antes, durante e depois do vôo e em seguida estudar-se a natureza das suas reacções em face d'elas.
O que vae lêr-se é o esboço d'um trabalho que a falta de tempo, os meus recursos e a soma de dificuldades de toda a ordem que se anteolharam não me permitiram fazer de maior vulto. Aos elementos colhidos na dispersa e pouco volumosa literatura estrangeira sobre o assunto, junto os resultados da minha observação pessoal, colhidos nas impressões de varios vôos executados, os primeiros num Farman pilotado pelo Ex.ᵐᵒ Capitão Esteves Beja que interessado pelo meu trabalho poz generosamente á minha disposição a sua inescedivel pericia de aviador. Por isso lhe deixo consignada a expressão do meu reconhecimento.
Agradeço tambem ao ex.ᵐᵒ comandante da Escola de Aviação o tel-os consentido, e a todos os oficiaes, pilotos e observadores o terem-se submetido gentilmente ao meu interrogatorio."
(Introdução)
Matérias:
Introdução. Cap. I - Preliminares. - Mal das altitudes - Mal das montanhas. - Patogenia. Cap. II - Mal dos aviadores. - Pressão arterial: Pressão maxima; Descida. - Sensibilidade cutanea. - Reflexas tendinosas. - Hiperglicêmia. - Força muscular, resistencia á fadiga. III - Variações do pulso. IV - Capacidade fisica para a aviação: - Aparelho respiratorio; - Aparelho circulatorio; - Orgãos abdominais; - Sistema nervoso; - Ouvido; - Equilibrio; - Aparelho visual. Conclusões. Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Com escritos, sobretudo a lápis, no verso da capa e na f. rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP), ou em qualquer outra fonte bibliográfica do nosso conhecimento.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Peça de colecção.
35€

07 junho, 2018

GRAVE, João – O MUTILADO : romance. Segunda edição, aummentada. [Por]... Da Academia das Sciências de Lisboa. Porto, Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, L.ᵈᵃ, 1919. In-8.º (19cm) de 379, [1] p. ; E.
Romance de João Grave terminado em Outubro de 1917, no decurso da Grande Guerra, e publicado na sua edição original, no ano seguinte, em 1918.
"Havia já duas horas que D. Joana tinha voltado da estação do caminho de ferro onde, com um doloroso e profundo beijo, fôra despedir-se do filho que nessa triste manhã de heroísmo e de angústia partira para a guerra […]
- Ouve – dizia ela – hás-de escrever-me sempre que puderes. Lembra-te que as tuas cartas vão ser a minha única visita consoladora, a companhia do meu desamparo.

- Oh! Mamã! Que recomendação a sua! – exclamava Duarte, afagando-a. Pois está claro que escreverei… Não perca a esperança! Verá que hei-de voltar brevemente. A guerra, que não pode durar muito, é sempre mais dramática vista a distância e desfigurada pelas narrativas dos jornais, do que vista de perto… […]
A cidade oferecia um aspecto de desolação e de penetrante melancolia debaixo do céu cinzento e hostil; mas um frémito de entusiasmo pulsava no coração da mocidade – toda uma primavera humana! – que se dirigia, cantando, aos fulgurantes campos de batalha como se vibrasse já sob a influência prodigiosa dos combates e como se a glória para ela estendesse os seus olímpicos braços braços de luz.”
(Excerto do Cap. I)
João José Grave (1872-1934). “Foi um escritor e jornalista português. Autor de obras de ficção, crónica, ensaio e poesia. Como jornalista chefiou a redacção do Diário da Tarde e colaborou nos jornais Província, Século e Diário de Notícias, e em vários órgãos da imprensa brasileira. Foi director da Biblioteca Municipal do Porto e dirigiu o dicionário enciclopédico Lello Universal. A nível literário, esteve inicialmente próximo dos naturalistas, notando-se influências de Emílio Zola. Depois enveredou pelo romance de costumes.”
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
10€
DIAS, António - VISTA BELA. Ensaio monográfico das Terras de Seia. Freguesia do Sabugueiro. Viseu, Tip. Notícias de Viseu, 1949. In-8.º (22cm) de XI, 69, [5] p. ; [10] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre o Sabugueiro, castiça aldeia serrana situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, enriquecida com as suas histórias e lendas. Ilustrada com 10 estampas extratexto impressas sobre papel couché.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Diário de Lisboa.
"No antiquíssimo Adro de S. Pedro, hoje largo da Misericórdia, e popularmente conhecido por Terreiro da Quarta Feira, ao iniciar uma viagem ao Sabugueiro, começo êste livro com a ideia de fixar, à entrada da povoação, como legenda, que merece ser gravada no granito, a afirmação do Guia da Serra, José Martinho: «Esta Terra é mais velha do que Cristo»."
(Excerto de Na Serra da Estrêla, Abrindo)
"Dobrada esta fôlha mais, vamos continuando a nossa romagem à Terra de Santa Maria, à aldeia mais alto da Serra, e que é, portanto, a que está mais perto do altar-mor da Pátria: ao Sabugueiro.
Suponho que esta povoação resultou de um aglomerado de cabanas de pastores, de Seia, num ponto muito alto e abrigado da Serra, onde podia viver-se, embora com privações, durante a estação invernosa.
O facto é-nos confirmado pelas determinações policiais e regulamentares que se sabe existiram, em tempo, na Câmara e na Santa Casa da Misericórdia, as quais rigorosamente se cumpriam e envolviam a obrigação de defesa e de assistência áquela povoação anexa."
(Excerto de Sabugueiro)
Matérias: Abrindo; Terra de Santa Maria; Nave de Santo Estevão; Como se Formarão os Cântaros; Dois Sábios Alemães; Na Serra; Os que Foram à Guerra; Reitores de S. João Baptista; Carvão; Queijo; Pastora Celestial; Lenda dos Figos Sêcos; Um Rimance; Cancioneiro; Guias da Serra; Um Roteiro do Guia José Martinho; Três Viagens à Serra da Estrêla, (tradução); Covão da Lôba Parida, (transcrição); Terras de Santa Maria, (Tombo da Igreja da Colegiada de Santa Maria de Seia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

06 junho, 2018

MENDES, Victor - A DEFESA DE SANTO ALEIXO. (Episodio historico das campanhas da Restauração). Lisboa, Livraria Editora J. Rodrigues & C.ª, [192-]. In-8.º (18,5cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Novela histórica na sua edição original, seguramente, com tiragem reduzida. Foram publicadas mais duas edições.
"Santo Aleixo da Restauração é uma aldeia portuguesa situada no concelho de Moura, sub-região do Baixo Alentejo. Foi um importante fortim durante a Guerra da Restauração devido à defesa e neutralização de duas campanhas espanholas, em 1641 e 1644, sendo por isso homenageada como aldeia heróica no Monumento aos Restauradores, em Lisboa, e agraciada com o denominação "da Restauração" pela República em 1957."

(Fonte. wikipédia)
"O barão de Mollingen deixára esfarrapado o quixotesco orgulho nas espadas victoriosas dos portuguezes de Montijo, e fugindo desordenadamente, levára ao marquez de Torrecusa e á côrte de Castela a tremenda nova da derrota dos tercios hespanhoes, com que ele pretendera vir implantar, em terras portuguezas, o dominio castelhano, quatro anos antes abatido, nas ruas de Lisboa, pelo sentimento patriotico dos conjurados do palacio d'Almada.
O seu espirito de vaidoso fanfarrão pensou n'um gésto reabilitador do estandarte de Castela. Pede, a Torrecusa, a mercê do comando de um novo exercito, apresta um corpo guerreiro de cinco mil homens de infantaria e mil e oitocentos cavaleiros, e marcha a caminho de Portugal.
Era a missão de desforra do desastre de Montijo, onde a gente luzitana havia traçado, em caractéres  de heroismo, uma das mais soberbas epopêias da independencia nacional."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas, com particular incidência na capa posterior.
Raro.
20€
Reservado

05 junho, 2018

PARA A HISTORIA DO CORPO EXPEDICIONARIO PORTUGUÊS. Transcrição do diario lisbonense O MUNDO, de 9 de Fevereiro de 1924. Macau, 9 de Abril de 1924. Macau, Imprensa Nacional, 1924. In-8.º (13x22cm) de [2], 32, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa assinada por Francisco Valença, com a inscrição no pé: «ASSIM SE HONRA A PÁTRIA!».
Resposta de Paul von Hindenburg ao reparo que o capitão Nuno Antunes fez ao Marechal alemão, a propósito das considerações pouco abonatórias sobre o exército português perante o ataque alemão, na batalha de La Lys, que este último incluiu no seu livro de memórias.
Contém reproduzida a correspondência dos dois militares.

"O sr. capitão de artelharia de campanha Nuno Antunes que foi oficial do C. E. P., impressionado pelas referências injustas que o marechal Hindenburg fazia nas suas Memórias à acção do exército português no combate de 9 de Abril, escreveu ao generalíssimo alemão uma carta rebatendo tais afirmações. O marechal Hindenburg respondeu prontamente rectificando-as da maneira mais satisfatória para a honra do nosso exército. Conseguimos obter por intermédio de um amigo comum, que também fez parte do C. E. P., a carta do oficial português e a resposta de Hindenburg."
(Excerto do preâmbulo)
“Os factos narrados no meu livro baseiam-se nos depoimentos de um oficial inglês prisioneiro e nas informações dadas por oficiaes alemães que tinham tomado parte no combate. As investigações, a que desde então se tem procedido, dão, porém, um juizo diferente do comportamento das tropas portuguesas, e não tenho duvida em declarar o seguinte: No meu livro «Aus meinem Leben», acha-se, na narração da batalha do Lys o seguinte período:
«As tropas portuguesas, na sua maior parte, retiraram-se do campo de batalha em uma fuga desordenada, renunciando definitivamente ao combate a favor dos seus aliados».
Conforme fui informado, esta redacção deve ser modificada. O assalto dos alemães encontrou os portugueses em uma posição pouco favorável, e o progresso do ataque alemão foi mais favorecido por êste facto, do que por culpa da tropa. Considerando-se as circunstâncias difíceis, a tropa, tanto o oficial como o soldado, bateram-se valentemente. Nas edições novas do meu livro far-se há igualmente a correspondente rectificação.”

(Excerto da carta de Hindenburg, Hannover, 19 de Janeiro 1924)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.

Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
35€
Reservado

04 junho, 2018

MONIZ, Dr. Egas - O PAPA JOÃO XXI. Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1930. In-4.º (26cm) de 23, [1] p. ; B. (Separata da revista Biblos. vol. VI, n.os 1-2, págs. 1-17)
1.ª edição independente.
Conferência pronunciada no terceiro Jubileu da Academia das Sciências de Lisboa, em 9 de Dezembro de 1929. 
Interessante o paralelismo que Egas Moniz traça entre Pedro Hispano e o seu contemporâneo Fernando de Bulhões, vulgo Santo António de Lisboa.
"Conhecido no mundo da sciência medieval pelos nomes de Petrus Lusitanus, Petrus Hispanus, Petrus Hispanus Portugalensis, ou ainda Petrus Juliani, foi uma das grandes individualidades scientíficas do século XIII.
A sua obra é tão vasta, especialmente no campo médico e filosófico, que se tem discutido se, de feito, foi só um Petrus Hispanus que escreveu todos os valiosos tratados conhecidos, ou se houve nessa época outros portugueses ou hespanhóis, que usassem nomes similares, de invulgar envergadura scientífica, especializados respectivamente nos domínios da medicina ou nos arcanos e subtilezas da filosofia medieval, de sorte a produzir toda essa importante bibliografia que hoje admiramos. [...]
Façamos o esfôrço de nos trasladar ao século XIII, quando reinava em Portugal o rei Afonso III e a realeza, o clero e os grandes senhores se debatiam em contendas aceradas.
Portugal não se mantinha inactivo no campo da sciência; antes procurava acompanhar, por alguns dos seus filhos mais ilustres, o movimento que se desenhava no coração da Europa.
Duas altas figuras atravessam a scena da vida intelectual dêsse século. Uma, que a lenda ligou para sempre ao solo, aos costumes e às crenças populares, Santo António de Lisboa; outra, que, não tendo menos mérito, os portugueses deitaram ao mais condenável esquecimento, Pedro Julião, mais tarde Papa, sob o nome de João XXI."
(Excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Indisponível

03 junho, 2018

VALENTE, Álvaro - UM HINO A ALMADA. Poëma em onze cantos. Na Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense na tarde de 4 de Junho de 1944. [S.l.], [Academia de I. R. F. Almadense], 1945. In-8.º (22cm) de 88, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Notável poema sobre Almada, dedicado às suas gentes, belezas e costumes.
Comemorando o 50.º aniversário da sua fundação, mandou a Academia de I. R. F. Almadense fazer, com o consentimento do autor, a publicação dêste poëma, onde se exaltam as virtudes antigas e modernas do bom povo de Almada.
Capa de brochura ilustrada com belíssimo desenho (de autor não identificado) com uma vista do castelo de Almada para o Tejo, com Lisboa em pano de fundo.

"Eu venho desferir a minha lira inflada
em glória dêste povo, em honra desta Almada!

Não vos tragou lauréis, nem dons de alta valia,
nem tão pouco esplendor de perenal magia.

É simples e modesto o meu canto e o meu poëma...
Assim como se o sol tirasse o diadema

e viesse rodopiar, em noites estreladas,
com êste povo ideal das suas desfolhadas,

nas suas romarias,
em ternas harmonias
dum sabor sem igual,
sòmente para honrar a luz de Portugal!"

(Excerto do Intróito)

Índice: Intróito. Canto I - A Natureza. Os Monumentos. Canto II - Costa do Sol. Canto III - O Trabalho. Canto IV - S. João da Ramalha. Popular. Canto V - Origem do nome de Almada. Canto VI - O cêrco de Almada. Canto VII - Um Auto e dois processos. Canto VIII - Restauração de Portugal. Canto IX - Lutas liberais. Canto X - Vultos ilustres. Canto XI - Almada actual. Arte e espírito.
Álvaro Zeferino de Campos Valente (1886-1965). "Farmacêutico de profissão, republicano de ideário político, Álvaro Valente distinguiu-se, também, como fluente orador. Foi uma notabilidade local e nacional de grande cariz social, cultural e político da década 30 do século XX, quando se entrosou com a causa dos bombeiros voluntários, primeiro na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo, de que foi comandante (a partir de Janeiro de 1931), depois, ampliando a sua intervenção no aparecimento da Liga dos Bombeiros Portugueses. É dele a autoria do lema “Vida Por Vida”, hoje o ex-líbris do ideário de todos os “soldados da paz”. Tinha um carinho especial por Almada, concelho ao qual estava vinculado, não só por ter proferido várias palestras, como também pelo facto de ser de sua autoria o poema do seu hino municipal, musicalizado pelo célebre maestro Leonel Duarte Ferreira e da obra poética “Um Hino a Almada”, valiosa raridade bibliográfica."
(Fonte: http://o-pharol.blogspot.pt/2009/12/alvaro-valente-o-homem-e-obra.html)
Bonita ecadernação inteira de pele assinada por João Luiz da Cruz, com cercadura e ferros gravados a ouro na pasta anterior, e dourados na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Raro.
40€