20 setembro, 2019

SEGURADO, Jorge - BOYTAC E A CAPELA DE NOSSA SENHORA DO PÓPULO. [Por]... Da Academia Nacional de Belas-Artes. Lisboa, [s.n.], 1977. In-4.º (28,5cm) de [4] p. ; [1] f. il. (15-18 pp) ; B.
1.ª edição independente.
Separata de Belas-Artes N.º 31.
Ilustrada extratexto com uma bonita estampa da capela impressa sobre papel couché.
"É na verdade uma sucinta comunicação que faço no intuito de contribuir para o esclarecimento da génese da Capela que a Rainha D. Leonor mandou erguer na notável instituição do Hospital das Caldas da Rainha. [...]
Havendo como há, bem patentes duas unidades de traças com díspares escalas, feições e até de espírito criador, é lógico deduzir-se que dois homens, duas distintas personalidades de artistas, aqui actuaram. O primeiro, naturalmente estabeleceu a traça do conjunto, nas duas fazes de trabalho, quer da planta quer de alçados e ainda, ergueu a Capela-mor como habitualmente se fazia ao iniciar-se a fábrica de uma igreja.
É de supor que esse primeiro mestre do serviço régio de D. João II tenha sido de facto, Mateus Fernandes... [...]
Na realidade, a obra do Hospital de D. Leonor iniciou-se em 1485. Dois anos depois já funcionava. E entretanto Mateus Fernandes em 1497 já está a dirigir as obras do Mosteiro da Batalha. Assim nas Caldas até o final da construção em 1500, alguém na ausência de Mateus Fernandes continuou a ordenar e a erguer o que faltava à capela de Nossa Senhora do Pópulo. Boytac deve ter sido esse alguém e até com autoridade de superintendência nas obras do Rei e completando o que faltava fazer: o corpo da nave e todos os acabamentos exteriores. [...]
Em conclusão: A Capela de Nossa Senhora do Pópulo foi obra, presumivelmente traçada pelo Mestre Mateus Fernandes, tendo tido interferência complementar de Diogo Boytac, patenteando o seu conjunto de personalidades, bem distintas dos dois mestres."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

19 setembro, 2019

RODRIGUES, Augusto - NA INDIA REVOLUCIONÁRIA. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [19--]. In-8.º (19,5cm) de 438 p. ; [8] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção principal decorre em Goa. Obra muito rara, acerca da qual não existem referências bibliográficas, incluindo na Biblioteca Nacional.
Livro ilustrado com capitulares e bonitos desenhos assinados por Silva e Souza assinalando o início e final de cada capítulo, e ainda oito belíssimas estampas impressas sobre papel couché intercaladas no texto.
"Encostadas á amurada do brigue «Senhora do Livramento», a baroneza de Pedronelo e Ermelinda contemplam com os olhos razos de lagrimas a linda paisagem de Lisbôa, da qual se afastam lentamente.
Ermelinda, limpando os olhos, diz numa voz repleta de saudade:
Não tornarei a vêr o meu querido Portugal!
Por detrás dela, uma voz masculina, responde-lhe:
- Quem poderá determinar o futuro?
As duas senhoras voltaram-se surpresas, e maior foi a admiração de Ermelinda ao deparar com a insinuante figura do senhor de S. Martinho."
(Excerto do Cap. VII, A caminho da India e do amôr).
Índice dos capitulos: I - O misterio da simpatia. II - A casa do misterio. III - Em carcere privado. IV - Nas garras do bandido. V - Emparedado vivo. VI - Preparativos de viagem. VII - A caminho da India e do amôr. VIII - Mãe e filho. IX - Para que serve um cadaver? X - Salvo! XI - A dama do veu negro. XII - Sepultura reveladora. XIII - Na cela de Ermelinda. XIV - O cinismo de Raul Castro. XV - Planos que falham. XVI - O sósia de Raul Castro. XVII - Entrevista. XVIII - O ciume. XIX - A hora tragica. XX - Um tiro. XXI - A grande infamia. XXII - Sinistra revelação. XXIII - Instante de horrôr. XXIV - O olhar de veludo. XXV - Compromisso forçado. XXVI - A obra do fogo. XXVII- A ameaça. XXVIII - Casanova desconfia. XXIX - O desejo carnal. XXX - Amor á força. XXXI - Mafoma tem vocação para a policia. XXXII - O ataque. XXXIII - Mafoma outra vez em campo. XXXIV - Surpreza. XXXV - Outra surpreza. XXXVI - O Segredo do cofre. XXXVII - O cavaleiro da Sombra. XXXVIII - Subtileza. XXXIX - Os conjurados. LX - A Miragem da Independencia. XLI - A caminho do templo. XLII - Ancia de liberdade. XLIII - A fuga. XLIV - Ante o perigo. XLV - Á merçê do sátiro. XLVI - Estranhas revelações. XLVII - O segredo do Kala-Xan. XLVIII - Os Deuses Vivos. XLIX - Pal-War, o sem mêdo. L - Uma paixão singular. LI - A paixão cresce. LII - Intervenção misteriosa. LIII - Raul de Castro e a sua sombra. LIV - A tragedia do barão. LV - Negocio urgente. LVI - Onde Jania começa a ser derrotada. LVII - O reforço. LVIII - Por um triz. LIX - A vingança de Calir. LX - Gigantes e bruxas. LXI - A obra de Raul de Castro. LXII - Boa nova. LXIII - A Reconciliação. LXIV - Os alcaides de Faria.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
90€
Reservado

18 setembro, 2019

DISCURSO SOBRE OS ACONTECIMENTOS DO DIA 30 DE MAIO DE 1823. Lisboa, Na Typographia de J. F. M. de Campos, 1823. In-8.º (21cm) de 8 p.
1.ª edição.

Inflamado opúsculo anónimo de forte pendor absolutista, anti-liberal e maçónico, publicado na sequência da “Vila-Francada”, golpe de Estado ocorrido entre 27 de Maio e 3 de Junho de 1823, e que pôs fim à primeira experiência liberal em Portugal.
“Graças, Portuguezes, à benéfica providencia, com que o Altissimo nos singulariza e protege! […] A infame vergonhosa e desgraçada escravidão, a que hum bando de egoístas miseráveis, tão ignorantes como malvados e atrevidos tinha reduzido esta ínclita nação, fingindo querer regenera-la […] essa infame escravidão ou Rebellião Maçonica, de que resultou a separação do Brasil […] quando ella se preparava para reproduzir no meio de nós os últimos horrores da Revolução de França e nos tinha conduzido á borda do precipício, expirou e desappareceo, como e quando menos se esperava. […] Cessou, expirou esse tyrannico Imperio da impostura liberal, que por 3 annos tem flagellado a nossa desgraçada Nação com huma impudência e iniquidade apenas própria de Cannibais! Está patente que essa liberdade, e igualdade que nos promettião, he mil vezes mais insuportável do que esse monstruoso despotismo, que eles fingião e se gloriavão de vir destruir. […] Consolai-vos, Portugueses honrados, estaes livres do jugo desse bando de impostores Liberaes. Voltareis cedo á fruição de vossos Empregos e Bens, e não sereis mais excluidos d’elles, ou inhibidos de fazer fortuna, só pelo motivo de não terdes o vosso nome escripto na matricula de alguma Loja de Pedreiros Livres…”
(Excerto do texto)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

17 setembro, 2019

MONIZ, Dr. Egas - O PAPA JOÃO XXI. Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1930. In-4.º (26cm) de 23, [1] p. ; B. (Separata da revista Biblos. vol. VI, n.os 1-2, págs. 1-17)
1.ª edição independente.
Egas Moniz traça um interessante paralelismo entre Pedro Hispano (João XXI) e Santo António de Lisboa, seu contemporâneo, em conferência pronunciada no terceiro Jubileu da Academia das Ciências de Lisboa, a 9 de Dezembro de 1929.
Opúsculo muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Xavier da Costa.
"Conhecido no mundo da sciência medieval pelos nomes de Petrus Lusitanus, Petrus Hispanus, Petrus Hispanus Portugalensis, ou ainda Petrus Juliani, foi uma das grandes individualidades scientíficas do século XIII.
A sua obra é tão vasta, especialmente no campo médico e filosófico, que se tem discutido se, de feito, foi só um Petrus Hispanus que escreveu todos os valiosos tratados conhecidos, ou se houve nessa época outros portugueses ou hespanhóis, que usassem nomes similares, de invulgar envergadura scientífica, especializados respectivamente nos domínios da medicina ou nos arcanos e subtilezas da filosofia medieval, de sorte a produzir toda essa importante bibliografia que hoje admiramos. [...]
Façamos o esfôrço de nos trasladar ao século XIII, quando reinava em Portugal o rei Afonso III e a realeza, o clero e os grandes senhores se debatiam em contendas aceradas.
Portugal não se mantinha inactivo no campo da sciência; antes procurava acompanhar, por alguns dos seus filhos mais ilustres, o movimento que se desenhava no coração da Europa.
Duas altas figuras atravessam a scena da vida intelectual dêsse século. Uma, que a lenda ligou para sempre ao solo, aos costumes e às crenças populares, Santo António de Lisboa; outra, que, não tendo menos mérito, os portugueses deitaram ao mais condenável esquecimento, Pedro Julião, mais tarde Papa, sob o nome de João XXI."
(Excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
30€
Reservado

16 setembro, 2019

FADO PATRIOTICO. Canções de Portugal - Coimbra [do reportorio do Orfeon da Universidade]. Ao muito amigo Vasco Macieira. Por Antonio Menano. Letra de Fernandes Martins. 3.ª edição. Lisboa, P. Santos & C.ª : Salão Mosart, [1922]. In-fólio (32,5cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.
Canção patriótica cujos versos exaltam os portugueses a pegar em armas para defender o país.
Belíssima capa (não assinada) tendo como motivo a Grande Guerra - em 1.º plano, a República "imaculada", e em 2.º plano, os campos de batalha da Flandres sob céu tinto de sangue.

"Já se ouviu de serra em serra
A vóz da Patria a gritar:
Tomai as armas, meus filhos
Que temos de batalhar.

Erguei-vos novo e velhos
A pé todos em geral!
Erguei-vos todos á uma
Para salvar Portugal."

(Excerto da letra)

Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequenos rasgôes marginais (sem perda de papel).
Pela sua beleza, interesse e raridade deve ser encadernado ou emoldurado.
Raro.
A BNP possui um exemplar registado na sua base de dados.
Peça de colecção.
50€
Reservado

15 setembro, 2019

CUNHA, D. Correia da - A "MALTA". Reportagens da vida académica de Coimbra. Coimbra, Livraria Gonçalves - Depositária, 1933. In-8.º (16,5cm) de XVII, [1], 95, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso livro de memórias dos tempos de estudante do autor em Coimbra.
"Quem pisar pela primeira vez algumas ruas de Coimbra, principalmente de noite ou a certas horas do dia, sente pairar sôbre o seu espírito, suavemente, saüdosamente, um mistério «qualquer», que vem já de séculos envolvendo esta adorável vila académica.
Na Via Latina, nos Gerais, no Pátio da Universidade e tantos outros recantos: - quantas gerações de estudantes têm desfilado, vagarosamente, melancòlicamente, saüdosamente - capa solta ao vento, cravada de rasgões, suspensa duns ombros esguios; a batina, num desleixo adorável, toda rôta, os cotovêlos furados, com o fôrro à vista, as bandas de sêda desfiadas e vélhas?!... Quantas, meu Deus?!...
Porisso, quem entrar no Pátio da Universidade de Coimbra, que medite apenas um momento nas gerações sem fim que por ali têm passado, ano após ano, numa sequência que parece totalmente impossível. E pensando na vida, no que Ela tem de eterno (?), há-de sentir bater o coração, desusadamente. Que nós, que somos hoje, sentimos alguma cousa dos que foram ontem..."
(Excerto de À laia de Prefácio)
Matérias:
À laia de Prefácio. | - Conhecer Coimbra! - O "Penedo da Saudade" - "Paços da República dos Grilos" - O "Terror dos Caloiros" ou o Leão das Troupes" - | Na cidade das serenatas - O amor do estudante - O desabrochar da mocidade portuguesa - As mulheres de Coimbra e Camilo - O futuro Hotel-Casino-Internacional - Quatro horas da madrugada... | - O formigueiro das capas negras... - Á saída das aulas - A "Algazarra"... - As "Repúblicas" - As escadas do liceu - Abraços - O Páteo da Universidade - O velho de oitenta anos - Ferro em bruto - A Porta de Minerva - O "segrêdo" | - Eça de Queirós estudante em Coimbra... por onde se prova que esta cidade é sempre nova - As "Pimentas" da hospedaria - A Taberna das "Camêlas" - "A Teresa dos quinze" - Afectos por dezoito tostões | - "O templo onde se veneram os «cães» da nobre academia"... - Dois clichés históricos da tomada da "Bastilha" - "Os «soviets» da matemática"... - O Doutor Fernandes Martins estuda o ataque... | A cidade nua | - As ceias académicas | Uma greve (esta cena passou-se em Fevereiro de 1932) | Roubaram o badalo da "cabra"!... | - As mulheres de Coimbra - O Bairro Latino - Tricanas - Gil Vicente - Augusto Gil - As solteironas - A política - Um "carrascão" - Etc.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas. Assinatura de posse na f. anterrosto.
Raro.
35€

14 setembro, 2019

SIMÕES, Armando - A GUITARRA. [Bosquejo histórico]. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Eborauto, Lda., Évora], 1974. In-8.º (21,5cm) de 251, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo histórico sobre a guitarra portuguesa, desde os primórdios até aos nossos dias.
Ilustrado com 14 estampas em página inteira.
"Em todos os povos, o instrumento basilar da mais autêntica interpretação folclórica foi sempre uma guitarra, ainda que, por vezes, desbancada pela maior sonoridade de outros instrumentos. [...]
É portanto intuitivo que se considere a guitarra intimamente unida à músicatal como o idioma, embora os seus vocábulos sejam de compreensão internacional, consolidada as fronteiras do espírito, sendo mesmo de notar a sua influência também na própria música erudita desde que os clássicos românticos do começo do Séc. XIX cultivaram os lieder nacionalistas.
Ainda que a guitarra portuguesa apenas se tenha individualizado séculos após a fundação da nacionalidade, nem por isso aquela circunstância deixou de se manter, visto que os portugueses sempre usaram de guitarras para acompanhar as suas danças e cantares, quer os instrumentos fossem violas, cítaras, alaúdes ou cistros que, por natural evolução, constante em todos os países, se transformaram nos instrumentos nacionais de hoje.
Para a nossa guitarra, a formação completa-se no último quartel do século XVIII, com todos os seus recursos musicais patenteados e, como fiel intérprete da índole popular, enraizada na alma nacional.
No entanto, poucos portugueses lhe conhecem a origem; pouquíssimos sabem da evolução que percorreu para chegar, como é, aos nossos dias e, mesmo em geral, os musicólogos não procuraram desvendar-lhe os recursos musicais que alberga e lhe permite a interpretação a solo do conjunto da melodia e harmonia de qualquer música, em especial a romântica, desde a mais apurada e clássica à mais singela rústica.
Isto assinala o quanto os estudos históricos e técnicos acerca da guitarra ainda podem influir no conhecimento integral da música portuguesa."
(Excerto da Introdução)
Índice: O autor. | Prefácio. | Introdução. | I Parte: A Génese. - A designação; - A ancestralidade; - A índole; - A morfologia; - Os guitarreiros. II Parte: O Instrumento. - O encordoado; - A didáctica; - A adaptação; - O fado; - Os guitarristas. | Por fim. | Bibliografia. | Índice.
Armando da Conceição Simões (1894-1975). Guitarrista. "Nasceu em Lisboa a 8 de Maio de 1894. Faleceu em Coimbra a 6 de Agosto de 1975. Tirou o curso de Regentes Agrícolas em Coimbra no ano de 1913, escola de onde lhe veio o gosto e prática da guitarra. Licenciou-se depois em Lisboa, no curso de Medicina Veterinária em 1918, ano em que termina também o curso de Artilharia de Campanha, na Escola de Guerra. Teve muita actividade académica na Associação Académica de Lisboa, fazendo parte da organização de muitos Saraus académicos. Aproxima-se do jornalismo, através duma secção semanal no jornal “Notícias de Vila Nova de Ceira”. Colaborou em várias publicações periódicas e ainda no “Diário de Coimbra”, de que foi Director."
(Fonte: http://guitarradecoimbra4.blogspot.com/2014/05/armando-simoes-lucena-sampaio-e-jorge.html)
Exemplar em brochura bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

13 setembro, 2019

TEIXEIRA, José da Silva - METHODO PRATICO DE VOLAPÜK. Por... Porto, Livraria Gutenberg de Antonio José da Silva Teixeira, 1886. In-4.º (23cm) de V, [1], 57, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"Língua artificial que o seu autor, o alemão J. Martin Schleyer (1839-1913), pretendia universalizar, e que se compunha de dezoito consoantes e oito vogais, com correspondência exata entre a pronúncia e a escrita."
(Fonte: infopédia)
Publicação pioneira entre nós. Manual de divulgação do volapük, língua universal precursora do «esperanto».
"Volapük, de vol, mundo, e pük, lingua, é uma lingua commercial universal, inventada pelo snr. Johann Martin de Schleyer, de Constança, Alemanha.
O snr. Schleyer estudou theologia catholica, philosophia, historia, alguma coisa de medicina e cincoenta e cinco linguas... [...]
Além de poeta e litterato é o snr. Schleyer um distinctissimo philologo. [...]
Para a propagação do volapük tèm-se organisado desde 1882 até hoje setenta e tantas associações. O volapük tem resistido aos ataques de todos os seus adversários, e ainda até hoje se não apresentou contra esta maravilhosa descoberta um unico argumento que não fosse immediatamente destruhido pelos homens que comprehendem o merecimento d'este meio de communicação e que comprehendem o seu immenso alcance. Em todo o mundo ha numerosissimos cursos gratuitos de volapük, e o numero de pessoas que sabem esta lingua augmenta todos os mezes alguns milhares nas cinco partes do mundo.
Ha já muitas casas commerciaes em todas as nações que fazem a sua correspondencia estrangeira em volapük e em breve tempo todas as casas commerciaes terão pessoal habilitado para fazer a correspondencia n'esta lingua universal. [...]
Todos os beneficios que o volapük proporciona á humanidade são já conhecidos em Portugal; pareceu-nos, pois, que não seria fóra de proposito a publicação d'um methodo pratico de volapük ao alcance de todos os que quizerem aproveitar-se d'este meio de communicação. Todas as nações da Europa e algumas da America possuem já, cada uma em seu idioma, grammaticas, methodos e diccionarios para o estudo do volapük: sigamos o seu exemplo."
(Excerto de Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas com defeitos e falhas de papel nas margens. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico e filológico.
Sem registo na BNP.
20€

12 setembro, 2019

PERES, J. Domingues - O SECTOR DE NEUVE CHAPELLE E A 2.ª BRIGADA PORTUGUESA NA GRANDE GUERRA. Aveiro, Composto e Impresso na Imprensa Universal, 1929. In-8.º (22,5cm) de 143, [1] p. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Impressões de guerra do autor, expedicionário português em França durante a Grande Guerra.
Livro ilustrado em extratexto com um mapa desdobrável do Sector de Neuve Chapelle.
"Chamava-se Erny S. Julien a aldêa para onde fômos e onde passamos o resto dessa noite em cama melhor ou pior, mas que por forma alguma estranhamos. Não nos demorariamos, porém, se não o tempo indispensavel á recepção e distribuição do material correspondente à nova Brigada, unidade a que o nosso regimento fôra elevado pela reorganisação das forças expedicionarias. Trocariamos então Erny por Herbelle com prejuiso do pitoresco do local, mas com a vantagem de endireitarmos mais no caminho do front.
E outro não era o nosso caminho.
A organisação da Brigada, que ficou sendo a 2.ª das nossas forças expedicionarias à França, estva concluida dentro de breves semanas, aumentado ao regimento mobilisado o batalhão de infantaria n.º 7; e a sua situação apenas foi alterada pela deslocação, prevista, do 24 para Herbelle. As restantes unidades continuavam nos seus anteriores estacionamentos, - o 2.º Batalhão (inf. 23) em Ecques, - o 3.º (inf. 35) em Inghem, e o 4.º (inf. 7) em Mametz.
O Quartel General acompanhou o 1.º (inf. 24) a cujo estado maior pertencia. Todas estas localidades, situadas, as trez primeiras para norte e a ultima para leste, não distanciavam mais de uma hora de marcha de Thérouanne, aonde se estabelecêra a séde do comando da 1.ª Divisão.
E agora, daqui para as trincheiras com a alma que todos trouxeram de Portugal e o material que lhe mandaram de Inglaterra, ali, do outro lado do Canal, boa parte do qual não conhece nem sequer de vista, mas que ha-de ter tempo de vir a conhecer.
E é tôda a sua preparação especial que, para a Flandres nos fôra reservada, dos novos armamentos e métodos, salvo uns passeios militares a patinar no desgelo, meia dusia de tiros em carreiras de palmo, e duas sessões de máscara e capuz antigaz."
(Excerto de Indo para a frente. Episódios e arrelias)
Indice:
De como os apontamentos ficaram para quando calhasse. | Indo para a frente. Episódios e arrelias. | Nota do fim, trazida à frente por conveniencia de arrumação. | Do vivo ao pintado. Ente a Chamusca e o Duck's Bill. | Preparar para a mudança de situação. | O Sector da 2.ª Brigada Portuguesa. | Completando o reconhecimento. | Nasceram assim. | Sobre o mesmo motivo. | O entusiasmo, a  censura e o R. D. E. | O raid de Julho ao subsector esquerdo de Neuve Chapelle. | Compri that. | Permissionario da morte. | A bruxaria e as bombas. | Na massa do sangue. | Nas horas calmas. | Pela Linha das Aldeias. | O raid de 14 de Agosto. | Zalabarda. | Estado tranquilo. | Espirito antigo. | O das anedotas. | Despedidas de verão. | Um tipo. | Juros adeantados. | Fôlhas desgarradas. | Para descanço. | Era certo. | Enfeixando cruzes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa levemente descorada à cabeça. Erro tipográfico na organização do livro: o 4.º caderno precede o 3.º, subvertendo a ordem numérica das páginas.
Raro.
Com interesse histórico.
A BNP possui apenas um exemplar no seu acervo.
90€
Reservado

11 setembro, 2019

Giuseppe Verdi - LA TRAVIATA. 1853 Libreto de Francesco Maria Piave. Violetta Valéry: Maria Callas; Alfredo Germont: Francesco Albanese, etc. Maestro Gabriele Santini. Orchestra Sinfonica di Torino della RAI. Gravação realizada no Auditório da RAI em Turim em 1953. [S.l.], Diverdi S.L., 2006. In-4.º (25,5x15cm) de 84 p. ; il. ; E. + 2 CDs. Colecção Os Clássicos da Ópera : 400 Anos, 1
Bonito livro publicado por ocasião das comemorações dos 400 Anos da Ópera. Contém um resumo histórico deste género artístico teatral, bem como uma explicação biográfica sobre Verdi e as suas principais composições, com especial relevo para La Traviata, uma das suas obras mais conhecidas, e aqui reproduzida integralmente em 2 compact disc que acompanham o livro.
Belissimamente ilustrado a cores no interior, em várias páginas por inteiro.
"La Traviata faz parte, juntamente com Rigoletto e Il Trovatore, da chamada "trilogia popular" de Giuseppe Verdi. Uma das chaves mais importante para entender a poética verdiana gira precisamente em torno desta palavra popular. Um termo depreciativo para alguns, limitativo para outros; para Verdi, ao invés, significava uma espécie de ideário estético e ético que o músico deve sempre reivindicar com orgulho. Toda a sua obra, incluindo evidentemente a Traviata, se desenvolve em torno deste conceito. Popular é, em primeiro lugar, um sinónimo de universal. Uma coisa capaz de chegar a qualquer gosto, e não apenas aos mais exigentes, um alimento que toda a gente possa provar e saborear. Popular implica também uma ideia de essencialidade. O crivo do tempo retirou-lhe todos os vestígios de artificialidade, poliu os seus excessos e depurou o seu conteúdo mais vital."
(Excerto de Ensaio Traviata: o privilégio do sentimento)
Encadernação cartonada do editor.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

10 setembro, 2019

DOCUMENTOS APRESENTADOS ÁS CORTES NA SESSÃO LEGISLATIVA DE 1879 PELO MINISTRO E SECRETARIO D'ESTADO DOS NEGOCIOS ESTRANGEIROS. - Questão das Pescarias. - NEGOCIOS EXTERNOS. Lisboa, Imprensa Nacional, 1879. In-fólio (30x21cm) de [4], 270, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório de 1879, inscrito no Livro Branco das Pescas, que retrata o estado da actividade piscatória em Portugal na época. Trata-se de um documento importantíssimo cuja origem se deve a um incidente entre pescadores portugueses e espanhóis, por estes últimos se encontrarem a pescar sem autorização ao largo de Vila Real de Santo António. A 'questão local', evoluiu rapidamente para um conflito diplomático entre os dois países que ficaria conhecido para a história por "Questão das Pescarias", e que obrigou a intensas negociações, com troca de correspondência entre as autoridades dos dois países (Outubro de 1877-Setembro de 1878), inclusas no presente Livro Branco.
"Parece certo que a institucionalização do sector das pescas, em Portugal (e em Espanha) foi acelerada pela necessidade de negociações com interlocutores que se impunham, suscitando um amplo debate de aferição do impacto do Convénio de 1878, relatado em sucessivos Livros Brancos (1879, 1882, 1886), reveladores das questões à volta da apropriação do espaço económico e territorial, e que culminará no Convénio de 1885. As questões decorrentes do acordo focam, fundamentalmente, dois pontos da costa: no Rio Minho, fronteira entre a Galiza e o Norte de Portugal, e o Guadiana, entre Vila Real de S. António e Ayamonte. No primeiro caso as informações compiladas reflectem uma convivência pacífica, com raras excepções. No segundo, no limite do Algarve, os conflitos ganharam grande amplitude.
A Questão das Pescarias ou Livro Branco, de 1879, subsequente ao tratado de 1878, constitui um conjunto considerável de documentos (124) que, no âmbito da sessão legislativa de 1879 foram apresentados às Cortes Portuguesas. Focam, acima de tudo, as relações de pesca entre Portugal e Espanha, mas cingindo-se muito particularmente às relações entre a costa do Algarve e a costa Andaluza. Os livros subsequentes (1882 e 1886) denunciam as mesmas questões. O episódio, que fez despoletar a discussão pública, sucedeu a 2 de Outubro de 1877, relatado pelo administrador do concelho de Vila Real de Santo António. Informava acerca de alguns galeões espanhóis que haviam sido apanhados a pescar ao largo do mesmo concelho, mesmo sem as autorizações devidas, exorbitando o limite das águas espanholas, por “boa ou má interpretação dada ao limite da linha onde termina a autoridade marítima de Portugal e começa a liberdade dos mares …”, a chamada “linha de respeito”. A presença de um vapor de guerra espanhol que se encontrava ao largo de Vila Real a proteger os pescadores espanhóis, teria feito exaltar os ânimos de pescadores portugueses que se lançaram sobre os espanhóis. As trocas de palavras azedas e agressões exigiram um inquérito."(Fonte: http://www.usc.es/estaticos/congresos/histec05/b6_amorim.pdf)
"Estação telegraphica de Faro, em 2 de outubro de 1877, ás duas horas e dez minutos da tarde. - Ao em.mo ministro do reino. - Lisboa. - Por telegramma de hoje o administrador do concelho de Villa Real de Santo Antonio participou que alguns galeões hespanhoes tinham apparecido em a nossa costa, pretendendo pescar, como effectivamente pescaram, dentro da linha de respeito, e que por isso receiava se levantassem conflictos com os barcos de pesca portuguezes.
Por outro telegramma o mesmo administrador participou que os previstos conflictos começaram arrombando um galeão hespanhol um barco de pesca portuguez, e atacando a tripulação d'este com cutelos e navalhas, não havendo porém desgraças a lamentar.
por este governo civil ordenou-se ao administrador do concelho que, de accordo com a auctoridade maritima d'aquelle porto, empregasse todos os meios ao seu alcance para evitar novos conflictos emquanto se pediam ao governo, como peço, as necessarias providencias. Pelo ministerio da marinha baixou a este governo civil, para ser informada, uma correspondencia trocada entre o chefe do departamento maritimo do sul e o capitão do porto de Villa Real sobre o mesmo assumpto, informação que pelo correio de hoje tenho a honra de remetter."
(Questão das Pescarias, N.º 1 - O Governador Civil Interino de Faro ao sr. Marquez d'Avilla e de Bolama, Ministro do Reino | Telegramma.)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, oxidadas, com um rasgão na capa (sem perda de papel) e pequenas falhas e defeitos marginais. Miolo limpo.
Raro.
Com interesse histórico.
125€

09 setembro, 2019

LISBOA 1821. A Cidade e os Políticos. Projecto: Seminário Livre de História das Ideias (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa). Direcção: Zília Osório de Castro. [Lisboa], Livros Horizonte, 1996. Oblongo (24x22cm) de 257 p. a 2 cols, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo académico histórico-sociológico.
Muito ilustrado no texto com retratos, desenhos e fotografias a p.b.
"As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, também frequentemente designadas por Soberano Congresso e conhecidas na historiografia portuguesa como Cortes Constituintes de 1820 ou Cortes Constituintes Vintistas, foram o primeiro parlamento português no sentido moderno do conceito. A sua base estava, em grande parte, idealizada nas antigas Cortes Gerais, só que o sistema de votação para designar os seus delegados agora e era diferente, e não estariam mais separados os três tradicionais estamentos feudais (Clero, Nobreza e Povo).
Criado na sequência da Revolução Liberal do Porto para elaborar e aprovar uma constituição para Portugal, os trabalhos parlamentares deste órgão decorreram entre 24 de Janeiro de 1821 e 4 de Novembro de 1822 no Palácio das Necessidades, em Lisboa. Das suas sessões saíram profundas alterações ao regime político português e foram iniciadas reformas que teriam no século seguinte um enorme impacto sociopolítico. Os trabalhos das Cortes Constituintes culminaram com a aprovação da Constituição Portuguesa de 1822."
(Fonte: wikipédia)
"Em Janeiro de 1821 chegaram a Lisboa cerca de cem deputados eleitos no mês anterior para formarem a primeira assembleia constituinte portuguesa. Escolhidos pelos eleitores do Minho, Trás-os Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve tinham por função primordial elaborar uma Constituição que, daí em diante, regesse a vida política do país. Os trabalhos iniciaram-se no dia nos finais do primeiro mês do ano e prolongaram-se, sem interrupção por cerca de dois anos. Durante este lapso de tempo juntaram-se àquele núcleo inicial os eleitos pelas Ilhas Adjacentes e pelo Ultramar que chegaram a tempo de tomar assento nas Cortes. A Constituição foi jurada em Setembro de 1822. Feitas as eleições para a assembleia legislativa ordinária iniciaram-se os trabalhos de 1 de Dezembro e terminaram na data constitucionalmente prevista - Março de 1823. A gravidade da situação decorrente da pressão de forças antivintistas levou à reunião extraordinária das Cortes em 15 de Maio e teve o seu epílogo na Vilafrancada. Pôs-se, assim, termo à experiência vintista, ou seja, à primeira organização constitucional do estado sob os auspícios do liberalismo.
A reunião das Cortes marcou o dia a dia da vida de Lisboa como o sinal do ineditismo e ainda com a presença durante considerável lapso de tempo de um número apreciável de personalidades oriundas das diversas partes do país. Estas tinham, sem dúvida, os seus locais privilegiados de sociabilidade, cafés, livraria, etc... Mas foram igualmente notícia onde quer que tivessem fixado residência. O pólo aglutinador do interesse dos "actores" e dos "espectadores" era o Convento das Necessidades cuja biblioteca fora adaptada para a sala de sessões. Para lá se dirigiam dia após dia os deputados eleitos, imprimindo um movimento desusado naquela direcção e despertando a atenção ao longo do percurso. Conhecer quem eram esses homens, a localização das casas que lhes serviam de habitação e os trajectos eventualmente utilizados permite caracterizar um aspecto de Lisboa no ano de 1821, e ao mesmo tempo, estabelecer o elo de ligação entre a Cidade e os Políticos. Por outro lado, a casa é elucidativa quanto ao género de opção do inquilino, o tipo de oferta, e, por vezes, ao apoio encontrado na capital. Permite, além disso, uma visão particularizada da arquitectura urbana na época. Pena é que a falta de dados não permita situar os deputados das Ilhas Adjacentes e de Além-Mar neste contexto, e obrigue a circunscrever a análise aos representantes da metrópole."
(Excerto da Nota prévia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito curioso.
Com interesse olisiponense.
25€

08 setembro, 2019

VILELA, António Lôbo - DO SENTIDO CÓMICO E TRÁGICO DA VIDA. Prefácio de António Sérgio. Lisboa, [s.n.], 1956. In-8.º (19,5cm) de 107, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Colectânea de escritos, nas palavras de António Sérgio, composta por duas partes principais: "uma que examina as expressões do cómico, outra sobre a índole do sentimento trágico".
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Entre os meios de expressão de sentimentos, o mais variado, o mais complexo e subtil é o riso, porque traduz, numa linguagem universal, o que há de mais singular no coração humano: os seus mistérios insondáveis. Tudo o que faz vibrar as cordas da emoção, desde o alvorecer de uma esperança ao carpir de uma saudade, do devaneio amoroso ao assomo de rancor, da alegria comunicativa à indignação reprimida, da surpresa agradável ao equívoco imprevisto, e até às supremas angústias quando as lágrimas decam nos olhos áridos e a loucura envolve a razão nas suas asas quiméricas - tudo isto se traduz em riso, límpido ou sombrio, doce ou amargo, franco ou dissimulado, ruidoso ou discreto."
(Excerto de Eloquência do riso)
Índice:
Prefácio. | Eloquência do riso. | Carácter social do riso. | O cómico e o ridículo. | Sentido cómico da Vida. | Sentido trágico da Vida. | A angústia do Tempo. | Mitos.
António Eduardo Lobo Vilela (Vila Viçosa, 1902 - Lisboa, 1966). "Foi um engenheiro geógrafo, professor licenciado em Matemática, Ciências Pedagógicas e espírita português. A sua actividade mais intensa exerceu-a como político, ensaísta, panfletário e escritor, tendo publicado uma vasta obra literária e científica."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em estado de conservação. Capas com manchas de oxidação.
Invulgar.
Indisponível

07 setembro, 2019

GONÇALVES, Armando - O FRACO VENCE O FORTE : golpes de Jiu=Jitsu, ou Judo, sistema nipónico de educação física e de defesa individual. Prefácio do Coronel Namorado de Aguiar, Comandante da Polícia de Segurança Pública do Pôrto. Pôrto, Livraria Fernando Machado, 1941. In-4.º (24cm) de [8], VIII, 63, [5] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Curioso tratado sobre o Judo, dos primeiros que sobre esta arte marcial se publicou entre nós. Trata-se de um manual constituído por 116 fotogravuras que ilustram 74 golpes de combate, cada um deles devidamente explicado em texto à parte. Contém ainda, em página inteira, um desenho do corpo humano com todos os locais susceptíveis de ser golpeados com o cutelo da mão, ou a mão fechada, devidamente assinalados.
"O jiu-jitsu, - ou judo, como o baptizou o grande professor Kano, - é um sistema de Educação física e de defesa individual, praticado no Japão, há milhares de anos, e cuja história se perde na noite dos tempos. [...]
Existem vários sistemas de jiu-jitsu, mas o adoptado oficialmente é o JIGURO KANO, o vélho e saüdoso professor, que, há poucos anos, em Paris, numa conferência ouvida com interêsse, pretendeu demonstrar a sua supremacia sôbre os outros métodos. [...]
O leitor encontrará, aqui, os golpes mais usados e mais práticos. [...]
Ensinam-se, também, neste livro, alguns golpes que uma senhora pode pôr em prática, sem esfôrço, e úteis para castigar qualquer insolente. [...]
Devemos, todavia, dizer que o sistema Kano tem golpes terríveis, cuja aprendizagem deve ser rodeada de todos os cuidados, para se evitarem entorses, luxações, fracturas, e até a morte. [...]
O leito que tiver dificuldade na execução de qualquer golpe, poderá dirigir-se-me, pois terei muito prazer em explicar-lhe os movimentos."
(excerto da introdução, A abrir)
Índice:
- Prefácio. - A abrir. - Como se deve estudar êste livro. - A indumentária para a aprendizagem. - A DEFESA FEMININA. - A DEFESA MASCULINA. - Golpes com o cutelo da mão, ou a mão fechada. - Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas. Lombada apresenta pequena falha de papel no topo. Interior correcto.
Invulgar.
25€

06 setembro, 2019

CASTRO, Sergio de - COIMBRA, TERRA DE ENCANTOS... [S.l.], Parceria A.. M. Pereira, 1925. In-16.º (12,5cm) de 39, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Colecção de poesias tendo como pano de fundo o ambiente estudantil coimbrão.

A abrir, o autor dedica a obra aos estudantes de Coimbra:

Rapazes, inda sou vosso,
Não sendo da vossa edade;
Eu, ao lembrar-vos, remóço:
Milagre de idealidade

É um velho quem escreve
As trovas que vão adiante,
Pois que a ter inda se atreve
Coração d'um estudante!

E a fechar:

A Coimbra encheu meu peito,
Minh'alma, meu coração;
Fiquei-lhe sempre sujeito
Com amor e devoção.

Portugal é todo lindo,
E tem ao meio um brilhante,
Que é Coimbra, reflectindo
Na alma do estudante.

Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

05 setembro, 2019

PORTUGAL, João da Cunha Neves e Carvalho - MEMORIA ÁCERCA DO CONVENIO, OU PACTO SUCCESSORIO, CELEBRADO ENTRE O CONDE D. HENRIQUE, E SEU PRIMO, O CONDE D. REIMÃO, SOBRE OS ESTADOS DE SEU SOGRO COMMUM, O IMPERADOR D. AFFONSO SEXTO. Por... Socio da Academia Real das Sciencias. Lisboa, Na Typographia da mesma Academia, 1844. In-fólio (31,5x22cm) de [2], 24 p.
1.ª edição.
Estudo histórico com interesse para a fundação da nacionalidade. Reproduz o pacto firmado entre os dois primos - D. Henrique (pai de D. Afonso Henriques) e D. Raimundo - para a partilha do território após a morte do sogro de ambos, D. Afonso VI de Leão e Castela (1043-1109).
"Este notavel acontecimento, Senhores, pareceo tão insolito, e extraordinario a alguns Auctores nacionaes, e estrangeiros, que, desesperando dar-lhe explicação, negárão-lhe a existencia. He esta a mais curta das soluções scientificas; mas he igualmente o mais funesto, e atrazor resultado do scepticismo ignavo, e orgulhoso. Eu preferiria dos dois extremos, antes a creduliade historica, pia, e benevola, do que o dogmatismo desdenhoso, que engeita tudo, o que não comprehende: aquella, ao menos, dilata a esphera á imaginação, e dá hum certo prazer á alma, que naturalmente se deleita com a contemplação de successos fóra do commum, com a apparição de phenomenos raros; este, pelo contrario, encurta, e amesquinha o exercicio da intelligencia; tudo o que he fóra do vulgar, ou regeita, ou dá de suspeito; e apagando a ambição nobre do exame, e discussão, córta o caminho unico, seguro, de chegar á verdade, á evidencia. [...]
Trasladado em vulgar, diz assim «Ao muito pio, e veneravel Hugo, abbade de Cluni, e a toda a Congregação do bemaventurado S. Pedro, que lhe está sugeita, o conde Raimundo, seu filho, e o conde Henrique, seu familiar, envião muito saudar. Sabei charissimo Padre, que depois de havermos visto, e tratado o Legado, que nos enviaste, assentámos, pelo amor de Deos, e do Apostolo S. Pedro, não menos que em reverencia á vossa alta dignidade, depositar nas mãos do veneravel Dalmacio Gevet, o seguinte nosso concerto: = Em nome do Padre, do Filho, e do Espirito Santo. Em penhor de inteiro amor, e concordia, que nos une, accordamos, e promettemos, com juramento, hum ao outro, nós ditos condes, Raimundo e Henrique, o seguinte: Pela minha parte, eu o conde Henrique prometto lealmente, e asseguro, sem sombra de dissimulação, e falsidade, ao conde D. Raimundo todo o auxilio, e assistencia, que em mim couber, para a incolumidade da sua pessoa, para sua liberdade inteira, com perfeita, e constante amisade, pondo-me em campo, se necessario for, para este effeito, o que juro. Juro igualmente, que depois do fallecimento del-rei D. Affonso, nosso sogro, defenderei, contra todos, homem, ou mulher, toda esta Terra de sua herança, afim de que elle dito conde D. Raimundo, a possua, e adquira, como seu particular senhor. Da mesma sorte juro, que se acaso me tocar haver ás mãos, primeiro que elle, o thesouro existente dentro da cidade de Toledo, lhe entregarei duas partes, e só para mim reservarei a terceira. Amen."
(Excerto do texto)
Exemplar desencadernado, por aparar, com margens generosas, em bom estado de conservação. Apresenta picos de acidez ao longo do livro, sobretudo junto ao corte das folhas.
Raro.
Com interesse histórico.
40€

04 setembro, 2019

MIGUEL, Alfredo - A TESE DAS VIDAS MÚLTIPLAS. Tese reencarnacionista da Ciência, da Filosofia da História e dos Evangelhos). 1.ª edição. [Prefácio de Isidoro Duarte Santos]. São Paulo, Lake, 1960. In-8.º (19,5cm) de 156, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Para muita gente, a própria tese da comunicabilidade dos mortos não é tão dura de se conceber como essa história da reencarnação.
Afinal de contas, os fatos que atestam o intercâmbio entre o plano físico e o espiritual, ocorrem por tôda a parte, a imprensa regista, os livros expõem, o povo comenta. [...]
Agora, êese negócio de morrer uma pessôa, e voltar outra vêz a êste mundo é o que há de mais inverossímil e absurdo - no entender de certas criaturas que não perlustraram a bibliografia espírita e não reflexionaram um pouco sobre o assunto.
Que a tese transcende a compreensão de muitos, bem o sabemos. A reencarnação, não obstante é doutrina eminentemente racional, consagrada pelas mais antigas religiões do mundo, assinalada na História, confirmada pela ciência, sancionada pelo Cristo. [...]
Queiram, pois, ou não queiram os homens, o drama de nossa vida compõe-se de inúmeros atos, que são as existências terrestres. Representámos ontem, estamos hoje representando, representaremos amanhã e sempre, até desempenharmos com perfeição o nosso papel..."
(Excerto do Cap. I, Atos do Nosso Drama)
Índice:
Prefácio, Explicação. I - Atos do Nosso Drama. II - Preesistência da Alma. III - Conhecimentos Inatos. IV - Simpatias e Antipatias. V - Reminescências do Passado. VI - O Caso da Menina Hindu. VII - Antecedentes Psíquicos. VIII - Os Autodidatas. IX - Predestinação. X - Males de Outrora. XI - Há Sessenta Anos. XII - Uma Voz Acusadora. XIII - Odio Velho. XIV - O Grande Problema. XV - A Morte das Crianças. XVI - Causas de Ateismo. XVII - Teorias Falaciosas. XVIII - A Hereditariedade. XIX - Afinidades Psíquicas. XX - Uma Objeção Trivial. XXI - As Causas do Esquecimento. XXII - A Outra Razão. XXIII - Evolução. XIV - Doutrina Antiga. XXV - A Metempsicose. XXVI - Ressurreição e Reencarnação. XXVII - O Diálogo de Cesareia. XXVIII - A lição do Cego. XXIX - Jesus e Nicodemus. XXX - A Reencarnação de Elias. XXXI - Concluíndo. XXXII - Princípios da Doutrina Espírita. XXXIII - Sôbre as Penas Futuras. XXXIV - Código Penal da Vida Futura.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€
Reservado

03 setembro, 2019

PIADAS FRESCAS. Leituras alegres para meninos dos 15 aos 69 anos. Colecção Alegre. Lisboa, Livraria Barateira, [192-]. In-8.º (19,5cm) de 15, [1] p. ; il. ; B. Colecção Económica - 50
1.ª edição.
Raro opúsculo humorístico preenchido com graças e anedotas de cunho erótico.
Ilustrado com belos e sugestivos desenhos ao longo do texto. A folha de rosto apresenta uma fotogravura de cariz licencioso para a época.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta pequeno rasgo na capa (sem perda de papel).
Raro.
Indisponível

02 setembro, 2019

GUERRA, P.ᵉ Dr. Luciano - A MENSAGEM DE FÁTIMA. Por... (Desenvolvimento dos Esquemas publicados em Folha Lucista 1960-1961). [Lisboa], Direcção Geral da LUCF : [Composto e impresso na Tip. Cardim, Lda. - Cascais], [1961]. In-4.º (24cm) de 56 p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para melhor compreensão da Mensagem de Fátima.
"Apesar do que possa parecer em contrário, o autor das linhas que seguem não teve a pretensão de fazer um estudo completo acerca da Mensagem de Fátima. Nem estudo, nem sequer ensaio. O melhor nome que se poderá dar a estes temas será o de apontamentos tirados à pressa.
Segue-se, naturalmente, que há neles muita coisa por desenvolver, aperfeiçoar e, até, com certa probabilidade, corrigir.
Entretanto, poderá observar-se que houve preocupação de seriedade, sobretudo ao fundar-nos nos documentos de Fátima.[...]
O método que procurámos usar foi o que nos pareceu conduzir, mais fàcilmente, ao fim que nos propusemos: mostrar como a Mensagem de Fátima se insere no nosso tempo com a segurança e o esplendor da Revelação. Assim, tentámos, embora, por motivos que se entendem fàcilmente, sem citações de fontes, dar o pensamento da Teologia para inserir nele a Mensagem de Fátima.
O bem, que estas linhas poderão fazer, depende muito da disposição de cada um. Não esqueçamos, portanto, de rezar, e rezar pelo Coração Imaculado de Maria, já que é essa a grande recomendação de Fátima."
(Excerto da introdução, Esclarecimento)
Monsenhor Luciano Gomes Paulo Guerra (Calvaria de Cima, Porto de Mós, 31 de agosto de 1932). "É um professor e padre católico português. Iniciou a sua formação religiosa no Seminário Diocesano de Leiria, fazendo uma temporada de estágio no Santuário de Fátima. Na conclusão do curso foi estudar na Universidade Gregoriana de Roma, onde se graduou em Filosofia. Foi ordenado na Sé de Leiria em 21 de Setembro de 1957. Em 1959 graduou-se em Teologia na Universidade de Salamanca. Logo após foi indicado capelão do Santuário de Fátima, ali permanecendo por dois anos, ao mesmo tempo dirigindo a Pia União dos Servitas de Fátima. Entre 1961 e 1964 foi director da Escola Preparatória Dr. Afonso Lopes Vieira em Marinha Grande, fazendo posteriormente aperfeiçoamento em Filosofia no Instituto Católico de Paris, regressando à Escola Preparatória em 1968. Em 1973 foi nomeado reitor do Santuário de Fátima, cargo que ocupou até 2008, notabilizando-se por uma gestão de grandes obras e uma completa reestruturação administrativa. Entre as principais realizações deste período estão a construção do Centro Pastoral Paulo VI, da Basílica da Santíssima Trindade, do alpendre que protege a Capelinha das Aparições e do monumento que incorpora um fragmento do Muro de Berlim. Também promoveu a ornamentação de espaços e edifícios com muitas obras de arte contemporânea e dotou a instituição de novos estatutos, que oficializaram a grande reestruturação organizacional que ele promoveu e definiram as relações do santuário com as instâncias eclesiásticas superiores. Em 1983 foi nomeado Capelão de Sua Santidade pelo papa João Paulo II e em 1988 nomeado cónego da Sé de Leiria. Em 2002 foi designado membro do Conselho Presbiteral da Diocese de Leiria-Fátima. Foi ainda conferencista em congressos e encontros, professor da Escola de Formação Teológica de Leigos, presidente do Serviço de Ambiente e Construções do santuário e director do jornal Voz da Fátima e do boletim internacional Fátima Luz e Paz. Depois de deixar a reitoria, assumiu a função de capelão do Convento da Visitação, na Batalha. Hoje mantém os títulos de Monsenhor e Reitor Emérito do Santuário de Fátima."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com sublinhados a caneta ao longo do livro.
Raro.
25€

01 setembro, 2019

ALMEIDA, Aguinaldo de - CARTA ABERTA AO GENERAL ALTINO PINTO DE MAGALHÃES (Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores e Presidente da Junta Regional)... lida no Programa "Paralelo 38", através da Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, na noite de 14 de Outubro de 1975. Pelo seu autor,... [S.l.], [s.n.], [1975]. In-8.º (17cm) de [1], 29 f. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo stencilizado que reproduz o protesto em forma de "Carta Aberta" dirigido pelo autor ao General Altino Pinto de Magalhães, Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores, na sequência das detenções de membros conotados com grupos independentistas em pleno "Verão Quente Açoriano".
Inclui, no final do livro, a lista dos nomes de todos os açorianos das Ilhas de S. Miguel e Terceira detidos para interrogatório no âmbito deste processo.
"Sr. General, Boa noite
Sinceramente, eu não sei escrever o Português. Não sou Doutor, não sou letrado, não tenho, ao que muita gente pensa, muita cultura, sou apenas um homem. Sou um homem como tantos outros que por aí andam e que não sabem escrever português mas, sim, falar Açoreano. E quando digo "falar Açoreano" quero dizer falar ao povo desta terra de modo a que ele nos perceba. [...]
Sr. General, quem está pior, o Açoreano, ou o Continental? Mais... se não fossem os erros cometidos pelo Continente, nós estávamos melhores ou piores? Sr. General, ouça a Voz de Um Açoreano.
Afinal, de que tem medo o Sr. e o Governo Português?
Independência? Estado Federado? Autonomia?"
(Excerto da Carta)
"O autor desta "Carta Aberta", é um dos 35 Açoreanos que foram raptados das suas residências na madrugada do dia 9 de Junho de 1975, por cêrca das 3 horas da manhã, deixando êstes atrás, pais, mulheres, filhos e amigos, todos em sobressalto, desnorteados e traumatizados (sabe Deus, se alguns até, para o resto da sua vida), e, foram levados, uns por soldados, outros por marinheiros e ainda outros por polícias, todos eles armados de G-3 e pistolas, para bordo de um "Rebocador" da marinha de guerra portuguesa, que se encontrava atracado na Doca de Ponta Delgada, e que transportou os nossos irmãos Açoreanos como porcos, para a Ilha Terceira, onde estiveram detidos na "Cadeia da Comarca de Angra do Heroismo" alguns, cêrca de 3 a 4 semanas, para averiguações."
(Excerto de Alguns considerandos - Retrospectiva)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Encadernação não respeita a orientação impressa do livro, encontrando-se invertida.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível