20 fevereiro, 2019

KEILING, Mons. Luiz Alfredo - QUARENTA ANOS DE ÁFRICA. Por... Perfeito Apostólico do Cubango e Vigário Geral do Huambo. Fraião - Braga, Edição das Missões de Angola e Congo, [1934]. In-4.º (23cm) de VIII, 192, VIII p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Muito ilustrada no texto com fotogravuras a p.b.
"Quarenta anos de África!
Memórias de degredado por certo! - terá dito de si para si o leitor curioso de semelhante título, levado sem querer nas azes possantes da fantazia para as Pedras Negras e Costas d'África de má sina e triste recordação.
Não terá sido total o engano. De degredados fala o livro inteiro, na verdade, mas de degredados voluntários e heróicos, que sem crime nenhum a expiar, sem deverem coisa nenhuma à ordem social, não por exigência da justiça mas por impulsos de caridade, deixaram um dia a terra natal, os páis estremecidos, a família adorada, os encantos e confortos da civilização, atravessaram mares e florestas, internaram-se no sertão, para ali, visinhos com os selvagens, sem outra arma que não seja a cruz, outro código que não seja o evangelho, construírem uma capela e logo uma escola e depois uma oficina, levantarem à sombra da religião a aldeia pacífica nas fainas agrícolas, a vila ou cidade industriosa no trato mercantil, a civilisação com todas as suas vantagens, formarem na cretaura diminuida, que é o preto, o homem e o cristão, capaz de salvação, de governo, de progresso.
A êstes degredados, hoje louvados por quantos os teem visto mãos à obra, e já por Cristo exaltados a luz do mundo e sal da terra, pertence o autor destas memórias. [...]
Mons. Luís Keiling, historiando por alto os seus 40 anos de missionário, dos quais 25 como Perfeito Apostólico do Cubango e Vigário Geral do Huambo, não pretende fazer autobiografia, muito menos ainda o panegírico seu ou dos seus companheiros. E não é que faltassem motivos de louvor... Limita-se, com modéstia digna dos protagonistas de tão belos feitos, a narrar a fundação e descrever o desenvolvimento lento, por vezes sangrento, de cada uma das missões do Espírito Santo naquela vastíssima região, quer tenham sido fundadas por êle, quer pelos seus predecessores, no decurso dos últimos 40 anos. Testemunha de vista e de acção, temos de o acreditar, quando êle nos mostra, a cada passo, o missionário de Espírito Santo empenhado de corpo e alma, português nas obras e na língua, mesmo quando não de nascimento, em levantar ao mesmo tempo no meio da tríbu, que quer converter, a Cruz de Cristo e a bandeira das Quinas."
(Excerto do Prólogo do Editor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e religioso.
30€

19 fevereiro, 2019

DINIZ, Julio - SERÕES DA PROVINCIA. 1.ª edição illustrada com aguarelas de Alfredo de Morais. Lisboa, Emprêsa Literária Universal, [189?]. In-8.º (20cm) de 290, [2] p. ; [4] f. il. ; E.
1.ª edição ilustrada.
Com uma advertência transcrita da 3.ª edição datada do Porto, 9 de Julho de 1879.

Livro muito valorizado pelas 4 estampas da autoria de Alfredo de Morais, que também assina a capa.
"Era por uma manhã de abril de 1852.
O campo vestia-se de seus mais opulentos e matizados trajos.
O Minho estava fascinador.
Por toda a parte eram já espessuras frondosas e impenetraveis; sombras discretas; valles mysteriosos e encantadores, graças ao claro-escuro com que a vegetação renascente os coloria; collinas adornadas e festivas, como um throno de altar em capella rustica; enfloradisssimos silvados, veigas a exuberarem de vida; e, por entre tudo isto, casas de brancura offuscante e, acima de tudo, um céo sem nuvens, um céo azul, d'aquelle azul dos céos napolitanos, a meu vêr, tão culpados na existencia dos lazzaroni.
As torrentes estavam nas suas horas de bom humor; não bramiam, murmuravam apenas; não se precipitavam, impetuosas, do alto dos outeiros, deixavam-se escorregar pelas anfractuosidades das quebradas.
Os ventos, como arrependidos, pretendiam, com afagos, fazer esquecer aos arbustos mais tenros as violencias passadas.
A luz salutar da primavera convertia-se, por magica metamorphose, em perfumes que embalsamavam os ares, em fl_ôes que esmaltavam os prados, em harmonias vagas que as brizas transportavam de selva em selva, que as aves escutavam attentas e os écos repercutiam sonoros.
N'estes dias assim sente-se palpitar de vida a natureza inteira."
(Excerto de Justiça de Sua Magestade)
Novelas- Justiça de Sua Magestade. - As apprehensões  de uma mãe. - O espolio do snr. Cypriano. - Os novellos da tia Philomela. - Uma flôr d'ente o gêlo.
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal
Exemplar em bom estado de conservação. Mancha marginal na pasta anterior.
Invulgar.
15€

18 fevereiro, 2019

COSTA, Vieira da - ENTRE MONTANHAS (scenas da vida do Douro). Por... Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (19cm) de 493, [1] p. ; B. Col. Romances Nacionaes - III
1.ª edição.
Romance cuja acção decorre, sobretudo, no Praso das Mattas, vasta quinta vinhateira situada no Douro transmontano.
"Nos principios d'este ultima decada do seculo, que vae correndo, era motivo geral de curiosidade nas Caldas do Mollêdo, já entre os banhistas adventicios, já entre os indigenas interessados, a presença alli, em determinados dias, d'um rapaz para muitos desconhecido, e que de ordinario se apresentava com uma regularidade severa de funccionario escrupuloso. Viam-n'o sempre chegar a horas certas, pelo começo da tarde, ás vezes a cavallo, ás vezes no comboio, inteiramente vestido de luto aliviado, muito cuidado no seu vestuario e profundamente comedido nos seus modos. Tão comedido mesmo, que ninguem lograva atinas com a causa das suas visitas, para muitos inteiramente mysteriosas.
Era um elegante typo de rapaz, alto e delgado, de curtis mate, olhos castanhos e um fino bigode louro-escuro sobre a bocca séria, sensual e carnuda. Não tomava banhos, não visitava ninguem, não parára jamais em frente de qualquer janella: e como tambem não assistia a nenhum divertimento, - a nenhum baile ou soirée, a nenhuma reunião ou merenda, a nenhuma burricada ou regata - nem mesmo se podia dizer que o desejo de distracções o trouxesse á terra.
A verdade, porém, é que se muitas eram as pessoas que ignoravam quem elle fôsse, algumas havia, comtudo, que o conheciam a fundo, com grande precisão de pormenores illucidativos. E d'essas, o commendador Amaral Leitão era o mais instruido, e foi o que logrou desvendar o mysterio.
O tal rapaz, que elle conhecia tão bem como os seus dêdos - aquelles dêdos grossos, cabelludos, com um rico annel de brilhantes no fura-bollos da mão direita - chamava-se Affonso Duarte da Cruz Silveira, era vaccinado, tinha vinte e cinco annos de edade e 1,74 centimetros d'altura, rigorosamente medidos no estalão administrativo quando fôra á inspecção para soldado, de que, aliás, um numero alto o livrára. Pelo que respeitava a bens de fortuna, ou meios de a adquirir, possuia uma casa de moradia nas ribas do Douro, uma legua para oeste, em sitio ermo, com uma terreola annexa onde cultivava com aproveitamento couves gallegas e aboboras meninas, cebollinho e outras plantas hortenses e dois milheiros de cêpas muito cuidadas, que davam o melhor de doze pipas de vinho, bom anno, mau anno, ; tinha ademais uma commisão para compra de vinhos da respeitavel firma ingleza - Coley and Smith - Oporto - que negociava na especialidade; e como esperanças de futura prosperidade, possuia lá para as bandas de Murça um tio materno, septuagenario, doente e sem mais herdeiros. Sobre o luto, que elle trazia, não se sabia nada."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas, A Irmã Celeste e A Familia Maldonado. Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada fendida com alguns cadernos soltos. Deve ser encadernado.
Raro.
35€

17 fevereiro, 2019

SOUSA, Joaquim Ferreira de - CASTELO BRANCO, COVILHÃ E FUNDÃO. Suas riquezas e aspirações em melhoramentos. Tese apresentada por... Da Comissão Executiva Distrital do VII Congresso Beirão. Castelo Branco, [s.n. - Tipografia Semedo, Castelo Branco], 1940. In-8.º (21cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Não será demasiado insistir e por o julgar oportuno apresentar a este Congresso, no que há de interesse e possível de realizar, no tocante a melhoramentos destinados a desenvolver as riquezas agrícolas e industriais da província da Beira Alta, movimentadas através das suas principais fontes, que são: Castelo Branco, Covilhã e Fundão, esta vila, situada no meio daquelas duas cidades. [...]
Covilhã:
Cidade com 15 mil habitantes, que na indústria de lanifícios marca uma posição de grande relêvo, rivalizando em parte com a indústria estrangeira dêste género, regista uma produção calculada por ano em 5.000.000 de metros no valor de Esc. 175.000.000$00. [...]
Cidade cheia de vida e animação, pela sua situação comercial e industrial, procura ampliar em melhoramentos a sua posição actual, para conseguir que a indústria de turismo possa marcar na sua finança o lugar que todos os covilhanenses ambicionam."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

16 fevereiro, 2019

ABREU, José Maria de - LEGISLAÇÃO ACADÉMICA DESDE 1772-A-1866. - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE OS ESTATUTOS DE 1772 ATÉ AO FIM DO ANNO DE 1850: COLLIGIDA E COORDENADA POR ORDEM DO EXCELLENTISSIMO SENHOR CONSELHEIRO REITOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA. Coimbra, Na Imprensa da Universidade. 1851. In-8.º (22cm) de 217, [3] p. No mesmo volume: - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE O ANNO DE 1851 INCLUSIVAMENTE ATÉ AO PRESENTE. COLLIGIDA E COORDENADA POR... Coimbra. Imprensa da Universidade. 1854. In-8.º de 94, [2] p. No mesmo volume: - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE 1855 ATÉ 1863 E SUPPLEMENTO Á LEGISLAÇÃO ANTERIOR COLLIGIDA E COORDENADA PELO CONSELHEIRO... Coimbra. Imprensa da Universidade. 1863. In-8.º de 511, [1] p. No mesmo volume: - LEGISLAÇÃO ACADEMICA DE 1864 E 1865 E REPERTORIO DE TODA A LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE 1772 ATÉ 1865 PELO CONSELHEIRO... Coimbra. Imprensa da Universidade. 1866. In-8.º de 74 p. + 30 p. (2.º SUPPLEMENTO Á LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE OS ESTATUTOS DE 1772 ATÉ 1866) + LXXIX, [1] p. (REPERTORIO DE TODA A LEGISLAÇÃO ACADEMICA DESDE 1772-1866) ; E. num único tomo
1.ª edição.
Relevante conjunto de legislação académica com interesse histórico para a Universidade de Coimbra.
"Provisão - Prohibindo as quitas das propinas e emolumentos, determinados pelas leis regias, ás pessoas do corpo da Universidade, debaixo da pena das respectivas privações das Cadeiras, Cursos, officios ou empregos, contra os que taes quitas fizerem.
Provisão - Em observancia das ordens, que tenho d'el Rei meu Senhor: «Hei por serviço de Sua Magestade declarar e fixar o louvavel costume antigo das propinas, que pagaram e devem pagar os Lentes Proprietarios de Cadeiras, e Substitutos dellas, com privilegios de Lentes, nos actos das posses das sobreditas Cadeiras, na maneira seguinte: Para o Reitor, ou como tal, ou sendo ainda Reformador, quatro mil e oitocentos reis: para os Deputados do Conselho da Fazenda e Estado da Universidade, mil e duzentos reis: para o Secretario da Universidade e do mesmo Conselho, como tal mil reis, e como Mestre de Cerimonias outros mil reis: para o Porteiro e Guarda Mór dos Geraes, novecentos e sessenta reis: para o Bedel da Faculdade, em que se tomar a posse, novecentos e sessenta reis: para os Bedeis das outras Faculdades, quatrocentos e oitenta reis a cada um: para o Meirinho geral da Universidade, seiscentos reis: e para o Sineiro, quatrocentos reis.»"
(Legislação Academica, 5 Outubro, 1772)
Encadernação em tela com título gravado a ouro sobre rótulo negro.
Exemplar em bom estado de conservação. Carimbo de posse do professor universitário Dr. Lopes Praça na f. rosto do I vol.
Raro.
65€

15 fevereiro, 2019

TERRAMOTOS E TSUNAMIS. Coordenação de Paula Teves Costa. Textos de: Maria Ana Baptista; João Cabral; Paula Teves Costa; Luís Matias; Miguel Miranda; Pedro Terrinha. Prefácio de: Luiz Mendes Victor. Lisboa, Livro Aberto, 2005. In-4.º (25x19,5cm) de 112 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia de índole científica, obra de um grupo de investigadores integrados em Centros de Investigação da Universidade de Lisboa, cujo trabalho, além de fazer o ponto de situação relativo aos fenómenos sísmicos e suas consequências, pretende explicar os acontecimentos históricos mais importantes - alguns que directamente nos dizem respeito - à luz dos novos conhecimentos científicos e tecnológicos.
Livro ilustrado a p.b. e a cores ao longo do texto.
"O sismo de 1 de Novembro de 1755 ocorreu cerca das 9h 30m, hora solar, em Lisboa, tendo sido sentido um pouco por toda a Europa. O tsunami foi observado, no Atlântico Norte, desde as Ilhas Barbados até à Escócia. No entanto as ondas mais destrutivas foram observadas em Portugal Continental, Espanha (Golfo de Cadiz) e no Norte de Marrocos. As dimensões catastróficas deste evento, deram origem a uma enorme quantidade de relatos escritos, como mostram os exemplos que se seguem. Lisboa é um dos locais onde está melhor documentada a destruição gerada pelo sismo e o tsunami de 1755.
[...]
A descrição da cidade e do seu porto antes e depois do sismo de 1755 pode ser ilustrada a partir dos seguintes extractos de testemunhos de cidadãos britânicos:
"[...] a cidade de Lisboa, situada na margem norte do rio Tejo, a cerca de seis milhas do mar sobre terreno irregular [...] no lado próximo do rio ficava o palácio do rei, com uma grande praça aberta para nascente, separada do cais principal da cidade por alguns edifícios baixos, um pequeno forte e uma muralha e uma praia muito frequentada [...]"
"[...] O porto pela sua situação no oceano ocidental, é um dos mais amplos da Europa: possui grandeza bastante para conter 10 mil navios com comodidade e mesmo os maiores navegam em segurança em frente das janelas do palácio real. Defendem a sua entrada dois fortes: o primeiro chamado de S. Julião, acha-se construído na margem; o outro, a torre do Bugio, fica defronte num banco de areia rodeado de água. A natureza forneceu também outra defesa, a barra, muito perigosa sem o auxílio dos pilotos acostumados ao local [...]"
O impacto do tsunami na baixa da cidade de Lisboa e no estuário do Tejo foi enorme:
"[...] De repente ouvi um clamor geral: " o mar está a subir" [...] De repente apareceu a uma pequena distância uma enorme massa de água a erguer-se como uma montanha [...] precipitando-se em direcção à terra tão impetuosamente que, não obstante termos imediatamente fugido [...] muitos foram arrastados para o largo. Os restantes ficaram com água acima das cinturas, a boa distância das margens [...] Em resumo, os dois primeiros abalos foram tão violentos que na opinião de vários pilotos a localização da barra da foz do Tejo foi alterada."
(Excerto de TSUNAMIS EM PORTUGAL, O Catálogo Português de Tsunamis, Tsunami de 1 de Novembro de 1755)
Matérias:
- A tectónica recente e a fonte do grande sismo de Lisboa de 1 de Novembro de 1755. - Tsunamis em Portugal [inclui o Catálogo Português de Tsunamis]. - Perigosidade e Risco sísmico. - Escala de Sieberg-Ambraseys : Escala de IIDA. Anexo I. - Escalas de Intensidade Macrossísmica. Anexo 2. - Glossário.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e científico.
20€

14 fevereiro, 2019

MARTINS, J. P. de Oliveira - PHEBUS MONIZ : romance historico portuguez do seculo XVI. Por... Volume I [e Volume II]. Porto: Typographia Commercial, 1867. 2 vols in-8.º (19cm) de XVII, [1], 163, [3] p. (I) e 177, [3] p. (II) ; E. num único tomo.
1.ª edição.
Edição original de uma das mais invulgares e apreciadas obras de Oliveira Martins - um romance histórico, também ele histórico.
"Eram contados os seculos de existencia do cyclo gothico. O feudalismo estrebuchava decrepito, porque a aristocracia militar, prestavel nos tempos da conquista, era odiosa na paz. As suas demasias, alem de enfastiarem o rei, incommodavam o povo, que com alguns seculos de vida municipal se havia feito homem. A par d'isto a igreja, em campanha permanente durante toda a edade-media contra o poder civil, seu rival, sentia exaurirem-se-lhe as forças, para proseguir no rito austero da antiguidade. Sob o exterior severo, com que impunha respeito aos adversarios, cega veneração ás massas, a igreja militante estava roida de podridão. O cilicio, a sombra das cathedraes, a nudez e severidade da ogiva mascaravam a orgia, o veneno, a crapula, o assassinato. O crime, na sua mais hedionda manifestação, soltava os cabellos desgrenhados e com elles varria os atrios e as sallas dos paços papalinos. Eram as saturnaes do Christianismo.
Urgia uma transformação. Levantava-se em Roma um d'estes homens, que são colossos. Byzancio derramava pelo mundo os thesouros da erudição antiga. Appareciam á luz as maravilhas de tempos quasi ignotos. As tradicções classicas deslumbravam tudo: Leão X mede as forças, convoca os reis; e a egreja e a sociedade vão retemperar-se nas instituições do passado. Sella-se a paz entre Deos e Cesar. Ambos se sentam sobre o throno, unidos pelo principem dat Deus.
Na egreja substitue-se á austeridade, a doçura; á singelleza, a profuzão. Tomam as cerimonias um aspecto esplendido, revestem-se de uma solemnidade quasi pagan, que contrasta com a severa nudez da egreja gothica. Aos gemplos sombrios, em que os coros de frades macillentos, acompanhados pelos sons do orgão, escondido em profunda nave, onde só os reflexos da lampada funebre rasgam fracamente o véo impenetravel da sombra, - substituem-se a luz transbordando, as cores garridas, as flores, os instrumentos, os fatos de purpura, ouro e diamantes. Era a religião victoriosa, elevada ao mando omnipotente, sentada com os reis nos thronos, vestindo nas festas do triumpho as clamides cesareas."
(Excerto da Introducção)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto do vol. I, e ocasionais picos de acidez.
Raro.
Indisponível

13 fevereiro, 2019

SANTARENO, Bernardo – NOS MARES DO FIM DO MUNDO. (Doze meses com os pescadores bacalhoeiros portugueses, por bancos da Terra Nova e da Gronelândia.). Lisboa, Edições Ática, 1959. In-8.º (19,5cm) de 243, [5] p. ; [9] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com fotografias a p.b. em folhas separadas do texto.
“Nos Mares do Fim do Mundo foi, em parte, escrito a bordo do arrastão «David Melgueiro», na primeira campanha de 1957, a primeira também em que eu servi na frota bacalhoeira portuguesa, como médico. Mas depois desta, tomei parte numa segunda, em 1958, agora a bordo do «Senhora do Mar» e do navio-hospital «Gil Eannes», em que assisti sobretudo nos barcos de pesca à linha: Assim pude de facto conhecer, por vezes intimamente, todos os aspectos da vida dos pescadores bacalhoeiros portugueses, em mares da Terra Nova e da Gronelândia, e completar este livro.”
(Nota do autor)
Bernardo Santareno (1920-1980). "Pseudónimo literário de António Martinho do Rosário. Escritor e dramaturgo, nascido em Santarém onde fez a instrução primária e o liceu. Em 1950, concluiu a licenciatura em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Radicou-se em Lisboa. Fez duas viagens à Terra Nova, como médico embarcado em navios bacalhoeiros. Desempenhou funções no Instituto de Orientação Profissional, e, na Fundação Raquel e Martin Sain, destacando-se no trabalho de reabilitação e integração de invisuais. Em 1959, publicou um livro de narrativas, Nos Mares do Fim do Mundo, fruto da sua dura experiência na pesca do bacalhau.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
25€
Reservado

12 fevereiro, 2019

QUEIRÓS, Eusébio de & WALGODE, António - O SOLDADINHO : monólogo. A propósito da instrução militar preparatória, nas escolas. Por... Pôrto, Casa Editora de A. Figueirinhas, 1913. In-8.º (18,5cm) de 11, [1] p. ; B. Biblioteca Teatral para Crianças : Teatro Infantil, XVI
1.ª edição.
Curiosa peça republicana de indubitável interesse histórico e simbólico.
Sobre o assunto das instrução militar preparatória implementada pelo regime republicano, de que o presente opúsculo é um bom exemplo propagandístico, recomendamos a leitura do excelente trabalho de Luís Alves de Fraga, A Instrução Militar Preparatória como escola de patriotismo na 1.ª República, disponível em: http://repositorio.ual.pt/bitstream/11144/661/1/A%20Instru%C3%A7%C3%A3o%20Militar%20Preparat%C3%B3ria%20como%20escola%20de%20patriotismo.pdf, e que aqui deixamos um excerto.
"Uma das mais prementes reformas que o Governo Provisório [da República] levou a cabo foi a do Exército, abandonando a feição semi-profissional que tinha no tempo da Monarquia, transformando-o no ponto de passagem de todos os cidadãos com idade de prestação de serviço militar. O serviço à Pátria tornou-se obrigatório e inalienável para todos os mancebos aptos a cumprirem o seu dever de cidadãos. Sendo uma obrigação era, acima de tudo, um direito que deveria ser exercido por sentido de pertença ao agregado nacional. Contudo, a necessidade de acelerar o processo de modificação de mentalidades não poderia ficar dependente do jovem ter idade para ingressar nas fileiras: era preciso que o serviço militar surgisse na altura própria como a consequência de uma evolução iniciada ainda em criança. Ou seja, o sentido de cidadania teria de crescer enquanto o cidadão crescia para a Pátria e para a República. Para que assim acontecesse o Governo Provisório após e na sequência da reforma da organização militar estabeleceu, como instrumento obrigatório de enraizamento da consciência nacional, a Instrução Militar Preparatória."
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
10€

11 fevereiro, 2019

ELIAS, Jom-Jom, João - ECOS DA GUERRA : PATRIA E LIBERDADE. Valongo, Tipografia Lusitana, 1920. In-8.º (21,5cm) de 31, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Obra poética composta por versos patrióticos tendo por tema de fundo a Grande Guerra, recitados na sua maioria em diferentes palcos de Valongo.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Poesias:
- Nova Aurora. - A Valonguêsa. - O Balsamo. - Patriotismo e Bondade. - Amôres romanticos. Ao distinto Capitão do exercito Eugenio Aresta Branco. - A debacle imperial : quéda dos idolos. - Aos mortos gloriosos. Soneto recitado por ocasião dos festejos comemorativos da vitoria dos aliados. - O Triunfador. Ao Dr. Afonso Costa. - Á memoria de Rafael de Carvalho. Um dos primeiros voluntarios portuguêses morto pelos barbaros alemães, na batalha de Champagne, em França. - Poeta e Soldado. Ao ilustre oficial do exercito Augusto Casimiro.Os mensageiros do Bem. - Preito Carinhoso. - A dama da Cruz Vermelha. - O cantico da Republica. - Aos Heroes d'Africa.

"Abandonando o lar, os entes mais queridos
As benção maternais e os beijos das esposas
Partis-te para a guerra, alegres, destemidos
O mundo a libertar das viboras danósas.

Sepultados na França em chãos desconhecidos
Não podémos cobrir-vos de laureis e ròsas;
Mas depois da vitòria, irmãos agradecidos,
Vimos saudar-vos, hoje, em vibrações ruidosas.

Ó mortos gloriosos, lusos imortais
Sacrificando a vida aos patrios ideais
Caíste como herois em pugnas de leões

Varados pelas balas do inimigo em frente;
Mas não morreste, não; vivereis eternamente,
Nas paginas da historia e em nossos corações."

(Aos mortos gloriosos)

Encadernação em tela. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€
Reservado

10 fevereiro, 2019

SANT'ANA, António H. de - APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DOS PILOTOS DA BARRA DE LISBOA. [S.l], [s.n. - Casa Mendonça, Lisboa], 1957. In-4.º (23,5cm) de 105, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos pilotos da Barra de Lisboa.
Ilustrado com fotografias a p.b. no texto e em página inteira.
"Os pilotos da barra são, como se sabe, uma das várias resultantes do desenvolvimento das relações dos povos com o mar.
Oriundos da classe dos pescadores que desde tempos remotíssimos exerciam o mister da pesca do alto nas costas dos continentes e, nomeadamente, nas de Portugal e Lisboa, no parecer do distinto escritor Ramalho Ortigão, expendido nas «As Farpas», onde diz: «Para ter marinha é primeira condição ter marinheiros. Para criar marinheiros é preciso criar pescadores», vimos encontrar relacionadas a tempos bastante remotos da nossa história, as tradições dos homens que em dada altura das nossas relações com o mar fundaram um serviço, o da pilotagem das barras e portos, cujo valor adiante se referirá segundo o relato de códices e outros elementos de informação que permitem se faça uma ideia da origem e evolução desse serviço até aos nossos dias.
As inúmeras razões que promoveram o progresso da construção naval e que transformaram as primitivas embarcações que primeiramente o homem houve mister de construir para sua condução e sustento e depois para as suas relações com os outros povos e combate em navios de maior calado e, por último, nos grandes navios transoceânicos, depressa promoveram a necessidade de assistência de um prático ou auxiliar de navegação que em determinados locais, nas proximidades dos portos e estuário das barras assegurasse, capazmente, o livre acesso desses locais, protegendo, assim, a navegação contra os inúmeros perigos a que se expunha navegando neles desprevenidamente.
Poderá ajuizar-se, talvez, de exagerado o parecer de que a verificação de uma série de desastres no mar, pesando sobre a economia dos povos, acabou por tornar indispensável a assistência desses auxiliares de navegação, desde que os navios, é claro, excedessem um determinado calado de água."
(Excerto de Origens)
Índice: Da etimologia da palavra «piloto». Regulamento do piloto da barra. Pilotos da barra - Colecção de Leis: Pilotos da barra - Colecção de leis de Setembro de 1720 a Outubro de 1956. Notas e impressão do Inquérito: Origens. Primeiras notícias oficiais - Lisboa, Porto e Aveiro, movimento de comércio marítimo no século XVI; Lisboa, Porto e Aveiro, condições de acesso das respectivas barras. Duas épocas - A consolidação de alicerces e o primeiro Regulamento de Pilotagem. Do século XIX para o século XX. Última etapa. Outros subsídios: Relatório - Breve Notícia do período 1925-1956. Episódio histórico que revela o carácter de uma Rainha. Difícil tarefa. Pessoal. Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

09 fevereiro, 2019

VIDA E MILAGRES DE S. JOÃO DE DEOS PATRIARCHA DA HOSPITALIDADE E FASTOS LITTERARIOS DE MONTEMOR-O-NOVO. Coimbra, Imprensa Litteraria, 1871. In-8.º (19,5cm) de 56, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia em verso de S. João de Deus, santo natural de Montemor-o-Novo, pejada de notas e informações históricas em prosa ao longo do texto.
Ilustrada com uma bonita gravura em página inteira com inscrição no pé: Lith. R. do Correio - Coimbra 1871.
"A Provincia do Alemtejo, senão a mais formosa, é de certo uma das mais formosas do nosso paiz e n'ella floresceram grandes santos e veneraveis escriptores. [...]
Refere-se que S. João de Deos nascera a 8 (ou 25) de Março de 1495, e morrêra a 8 de Março de 1550.
Inflammado pelo amor de Deos e do proximo a sua vida foi um compendio de virtudes. [...]
Assim, resumidamente, sem esforço nem difficuldade poderão as almas piedosas contemplar na vida do bem-aventurado S. João de Deos um jardim de aromatisadas flores e dos fructos mais saborosos. [...]
Meditando em tão elevadas virtudes foi meu fim, versificando a vida do Santo de Montemór-o-Novo, não fazer uma obra d'arte, imaginaria e formalmente bella; mas tornar mais agradavel ás almas piedosas e leitura de tantas e tão grandes virtudes, de tamanhos prodigios, de tão viva oração e de tão rigorosa penitencia."
(Excerto da dedicatória, A uma alma devota de S. João de Deos, patricia do mesmo Santo)
Matérias:
A uma alma devota de S. João de Deos, patricia do mesmo Santo. Vida de S. João de Deos: 1.ª Parte - I. Juventude e mocidade; II. A puericia; III. Oração: - resolve-se a deixar a sua familia e a sua terra. 2.ª Parte - Renovação espiritual de S. João de Deos. 3.ª Parte - Santificação - fructos e flores: I. Visões mysticas; II. Profecias; III. Tentações; IV. Virtudes e boas obras - seu nome e habito; V. Conversões do caminho do vicio para o da virtude; VI. Penitencia e oração. 4.ª Parte - Doença mortal e passamento de S. João de Deos d'esta para melhor vida: I. Sáe do hospital; II. Enfermeira de S. João de Deos; III. Confissão e testamento de S. João de Deos; IV. Passamento; V. Depois do transito. Fastos litterarios de Montemor-o-Novo.
Encadernação inteira de percaina com ferros gravados a ouro na pasta frontal.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico e regional.
25€
Reservado

08 fevereiro, 2019

REPRESALIAS SOBRE PRISIONEIROS DE GUERRA. Correspondencia trocada entre a Commissão Internacional da Cruz Vermelha e o Governo Britanico. Londres, Eyre and Spottiswoode, Limited. 1916. In-8.º (18cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos prisioneiros da Grande Guerra.
"A Cruz Vermelha, a qual nos apraz dizer, muito tem progredido durante a presente guerra e largamente tem exercido entre os belligerantes, com a cooperação das potencias neutras, a sua benefica influencia, foi fundada com um objectivo - o da humanidade.
A sua creação foi inspirada pelo desejo de mitigar, até certo ponto, as cruezas da guerra, especialmente entre aquelles cujos ferimentos, embora sem serem fataes, os tivessem debilitado e incapacitado.
No decurso desta guerra, o vasto numero de combatentes tem produzido uma classe de infelizes de um typo, por assim dizer, novo, pois que se essa classe já antes existia, nunca chegou a attingir as suas actuaes proporções. Queremos referir-nos aos prisioneiros de guerra. Estes estão tambem invalidos, incapazes de resistir, e expostos á mercê do inimigo, que os forçou a render-se e supplicar lhes fossem poupadas as vidas.
O prisioneiro que consegue escapar incólume da batalha é certamente menos digno do que o soldado que foi ferido e se acha retido no leito do hospital. Comtudo, o captiveiro, esse exilio involuntario, longe da patria, longe dos seus, com os quaes só pode communicar raras e incertas vezes, combinando com o ocio forçado, produz torturas moraes que recrudescem á medida que a guerra se vai prolongando."
(Excerto da correspondência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

07 fevereiro, 2019

SERRÃO, Joaquim Veríssimo - HISTÓRIA DAS UNIVERSIDADES. Por... Porto, Lello & Irmão - Editores, 1983. In-8.º (22,5cm) de 213, [3] p. ; [22] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das Universidades ao longo da História. Com referência às portuguesas de Coimbra, Évora, Lisboa e Porto.
Ilustrado no texto em página inteira com mapas e plantas, e em separado, 22 estampas impressas sobre papel couché.
"Pretende este livro oferecer uma pequena história das Universidades, englobando os seus grandes períodos e as mais celebradas instituições. [...]
O presente estudo pode assim mostrar o que foi a génese e a evolução das Universidades até aos alvores do século XX. [...]
Acompanhar o sulco temporal das Universidades não corresponde apenas a desbravar um capítulo fundamental da história do pensamento. Implica também, para os homens do nosso tempo, uma ampla reflexão sobre o papel dessas instituições desde o século XII e a sua real inserção no mundo de hoje. Podem as Universidades definir-se como casas-mães do Espírito, por serem os grandes centros de formação de eruditos, de letrados e de técnicos, de quantos puseram a sua inteligência e capacidade de acção ao serviço da cultura e da ciência. Esse facto permite afirmar que as Universidades contribuíram em larga escala para a promoção social dos homens e para o progresso mental das Nações. Devem por isso ser consideradas um legado universal."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio. A Universidade Medieval - I. Formação das Escolas medievais. II. Criação das principais Universidades. A Universidade do Renascimento - I. A Universidade do Renascimento. II. Fundações do Renascimento. A Universidade nos tempos modernos - I. Classicismo e Iluminismo. II. Fundações universitárias. A Universidade Napoleónica - I. A Universidade do Liberalismo. II. Principais Universidades.
Exemplar em brochura bem conservado.
Invulgar.
20€

06 fevereiro, 2019

NEUPARTH, Augusto Eduardo - APONTAMENTOS PARA A HISTORIA DA COMPANHIA AGRICOLA DE CAZENGO. Publicação reservada aos accionistas da mesma companhia. Por... Lisboa, Typographia do Commercio, 1904. In-8.º (21cm) de 45, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da Companhia Agrícola de Cazengo (1900-1946), importante empresa angolana exportadora de café fundada por portugueses em 1900. O objectivo do autor é explicar aos accionistas da companhia a sua exoneração do cargo de Director Técnico que desempenhava desde Agosto de 1902.
"Foi em agosto de 1902 que por proposta do meu intimo amigo, engenheiro Poças Leitão, fui nomeado para o cargo de Director technico d'esta companhia.
Parti para o Cazengo animado da melhor vontade e, embora de antemão conscio das difficuldades com que teria a luctar, ia certo que com perseverança e muito trabalho se conseguiria levantar a companhia a um estado de prosperidade a que ella poderia aspirar em harmonia com os recursos de que dispunha.
O solo uberrimo do Cazengo não me era desconhecido. A enorme extensão dos terrenos fazia acreditar que com uma boa orientação e algum dinheiro, ella podia em breve entrar n'um periodo de opulencia que compensaria os esforços e os capitaes empregados. [...]
Passados alguns mezes já Poças Leitão e eu, estavamos orientados no caminho a seguir. O peior era ter que desfazer umas certas utopias que tinham germinado nos cerebros dos srs. do Conselho. Entre ellas a da cultura do cacau e a das grandes extensões de terreno para a cultura de canna sacharina em Cazengo. [...]
Voltemos pois ao assumpto e vejamos se a perda da esperança de cultivar cacau e canna em Cazengo, seria causa para desanimo. Não decerto; aquella região tem recursos enormes se fôrem applicadas aos seus terrenos as culturas de que é susceptivel.
É essencialmente apropriada para a cultura do café, o que já por si é uma enorme riqueza. Objectar-me-hão que o café de Cazengo tem uma cotação muito baixa e que não paga o trabalho. Um verdadeiro engano, porque o que se exporta de Angola nem merece o nome de café. É terra, casca e pedras com alguns bagos de café á mistura.
Admirado estou eu, que ainda haja quem o compre.
Pois não tem o café de outras regiões uma cotação verdadeiramente remuneradora? Porque não hade succeder o mesmo ao café de Cazengo?"
(Excerto de Apontamentos...)
Matérias:
 - Explicação prévia. - Apontamentos para a Historia da Companhia Agricola de Cazengo. - Uma exautoração. - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto inferior esquerdo.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 fevereiro, 2019

SOTTO-MAYOR, D. Miguel - A EGREJA CATHOLICA ROMANA E OS SEUS PERSEGUIDORES. Crises principaes por que ha passado a Egreja. Seus triumphos. Castidos de seus inimigos. Por... Membro do Congresso dos Oradores e Escriptores Catholicos, e da Associação Catholica da Cidade do Porto. Porto - Em Casa do Editor Jacintho Antonio Pinto da Silva, 1873. In-8.º (20,5cm) de 192, [2] p. : E.
1.ª edição.
"Navegava Jesus Christo com seus discipulos, em uma pequena barca, pelo mar de Galilêa. Eis que se levanta de repente uma furiosa tormenta; a barca começa a encher-se de agua, e está prestes a sossobrar. Entretanto o Divino Mestre dorme socegadamente, reclinado sobre um travesseiro. Tomados de grande susto, os discipulos tratam de acordal-o, e dizem-lhe: Senhor, salva-nos, que perecemos. - Homens de pouca fé, porque temeis? lhes responde Jesus.
E logo pondo-se de pé ordena com imperio ás ondas e aos ventos que se aquietem, e immediatamente se segue uma grande bonança.
Eis aqui a historia da Igreja, descripta com uma precisão maravilhosa. É a barquinha, fragil na apparencia, mas forte na realidade, vogando sempre entre tempestades e bonanças. [...]
Ha dezenove seculos que é este o viver da Egreja Catholica. Grandes borrascas ahi teem vindo entenebrecer os horizontes, revolver as vagas e arrojal-as sobre o baixel, que parece prestes a afundir-se. Um rapido bosquejo d'essas angustiosas tormentas é o objecto do presente escripto."
(Excerto da Introducção)
Matérias:
I - Os Judeus, primeiros perseguidores. - Juízo de Deus sobre o povo judaico. II - Perseguição movida contra a Egreja pelos pagãos. - Castigo e morte dos perseguidores. - Triumpho da Religião. - Juliano Apostata. - Juízo de Deus sobre o imperio e sobre a cidade de Roma. III - A Egreja no Oriente. Ario. Constancio. Nestorio. Eutiquio. - Os imperadores do Oriente tornam-se perseguidores. - Schisma de Phocio. Miguel Cerulario. - Decadencia da Egreja grega e seu parallelo com a de Roma. - Ruina do imperio do Oriente. IV - A Egreja no Occidente. Os Barbaros. Attila ás portas de Roma. - Queda do imperio. Missão reparadora da Egreja. Theodorico. - Estado afflictivo da Egreja. Os Barbaros começam a converter-se. S. Gregorio Magno. - Mafomo. O Islamismo. Carlos Martel. - O poder temporal. O novo imperio romano. V - Novos perigos, que ameaçam a Egreja. - O seculo de Ferro. - As investiduras. - Guelfos e Guibellinos. Arnaldo de Brescia. Barba-Rôxa. - Filippe o Bello. - Luis o Bavaro. - Captiveiro de Babylonia. - Schisma do Occidente. - Concilio de Basilêa. Carlos VII. As liberdades gallicanas. VI - A reforma do seculo XVI. - Caracter dos reformadores. - Verdadeiro sentido da reforma protestante. - Henrique VIII e a Reforma na Inglaterra. - Só a Egreja verdadeiramente reformadôra. - O Protestantismo na actualidade. VII - O philosophismo do seculo XVIII. - Voltaire. - Reinado dos philosophos. - José II, Leopoldo da Toscana e o marquez de Pombal. - Revolução franceza. - O clero. - Pio VI. - Os revolucionarios punidos pela revolução. - Victoria da Egreja. VIII - Napoleão restabelece o culto em França. - Depois opprime a Egreja. - Pio VII. O Concilio de Paris. - Juizo de Deus sobre Napoleão I. IX - Primeiro quartel do seculo XIX. A Revolução. - O Liberalismo. A Restauração. - A Revolução de Julho. Luiz Philippe. - Pio IX. A Italia revolucionaria. - Consolações da Egreja. X - Segunda metade do seculo XIX. Napoleão III. Victor Manoel, e a unidade da Italia. - Reflexões sobre os ultimos acontecimentos. - Conclusão de toda a obra.
Belíssima encadernação meia francesa da oficina de Mestre Frederico d'Almeida. Conserva as capas originais. No verso da capa ostenta o ex-libris de Fernando Castelo Branco. Assinatura de posse no frontispício do Conde de Fornos de Algodres.
Exemplar em bom estado de conservação. Exemplar manueado com pequenos defeitos nas extremidades da lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
35€
Reservado

04 fevereiro, 2019

GUIMARÃES, Luiz d'Oliveira - TEATRO DE REVISTA. Lisboa, [s.n. - Editora Gráfica Portuguesa, Limitada, Lisboa], 1940. In-8.º (19cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso subsídio para a história do Teatro de Revista em Portugal.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao jornalista e dramaturgo coronel Luna de Oliveira.
"Se um dia entre nós alguem se permitisse fazer um inquérito entre o grande público acêrca do seu género teatral preferido, a maioria dos votos recairia sem dúvida na revista. Não queiram, entretanto, vêr neste facto um sintoma de incultura, de pobreza de espírito e até de perversão moral, como muitos superficialmente pretendem vêr. Decerto que o teatro de revista está longe de constituir, como a tragédia, o drama ou a alta comédia, êsse teatro puro, hierático, académico, clássico, de cabeleira, - permitam-me a frase, - em que as figuras, os sentimentos, as próprias palavras, nos dão, por vezes, a impressão de que se movem dentro dum coche D. João V; mas está muito mais longe ainda de constituir, na sua essência, êsse teatro baixo, amoral, degradante, autêntica negação de arte e de beleza, verdadeiro mauvais-lieu de frases equívocas e de panoramas perigosos, onde se não poderá entrar ou, com mais rigor, de onde se não deverá sair, sem que as faces se nos córem, pelo menos oficialmente, de pudor. Ainda não há muito uma senhora, aliás inteligente, mas cuja psicologia severa e preconceituosa dir-se-ia usar calcinhas de renda até aos artelhos, ao ouvir descrever algumas cenas de revista exclamara atónita, ruborisada, persignando-se:
- Mas essa gente - Santo Deus - anda em pecado mortal!"
(Excerto do texto)
Luís de Abreu Alarcão de Oliveira Guimarães (1900-1998). “Magistrado, escritor, dramaturgo, jornalista e, acima de tudo, humorista, Luís de Oliveira Guimarães acompanhou um século, particularmente conturbado, retratando-o com espírito cintilante. Amante da ruralidade portuguesa e frequentador assíduo dos bastidores intelectuais dos centros urbanos, privou com os vultos mais marcantes dessa época e soube traduzir, nas suas inúmeras crónicas, conferências e livros, quer a singeleza da cultura tradicional portuguesa, quer o fino espírito dos intelectuais do seu tempo."
(Fonte: http://humorgrafe.blogspot.pt/2008/12/luis-doliveira-guimares-exposio-bio.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.

A BNP dispõe de apenas um exemplar.
20€

03 fevereiro, 2019

FARIA, Eduardo de - HEROIS E SEUS FANTASMAS. [S.l.], [s.n. - impresso na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra], 1934. In-8.º (19,5cm) de 220, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas sobre a Grande Guerra e os efeitos produzidos nos combatentes.
Capa de António Antunes.
Obra dedicada pelo autor, respectivamente:
Á sagrada memória dos doze mil mortos que deixámos na França, na África e no mar.
Para que, ao menos, o seu sacrefício crie o horror a uma nova guerra.
Á geração dos «menos de trinta anos».
Para que nos seus corações nasça um sentimento de justiça aos que se bateram, e un hino à Paz.
Ás Mães, às Esposas, a tôdas as Mulheres que não nos desampararam na hora do perigo, e que, ainda hoje, fazem das suas lágrimas um bálsamo que nos mitiga a sêde de justiça.
Á Liga dos Combatentes da Grande Guerra, Cruzada das Mulheres Portuguesas, Comissão dos Padrões da Grande Guerra e F. I. D. A. C. (Fédération Interalliée das Anciens Combatants).
Aos corações puros da gente da minha terra.
"Antes de começar a desembobinar o documento horrível intitulado Herois e seus Fantasmas, acho oportuno explicar os intuitos desta obra isenta de espírito faccioso, seja qual fôr a forma como encarêmos, e destinada, sómente, a erguer nas almas um ardente desejo de Paz.
Inúmeras produções têm aparecido nas montras atulhadas das livrarias, glosando o velho mote da grande guerra e trazendo-nos aspectos quasi sempre individuais da campanha, pois o escritor se limita a circunscrever o "seu caso", porque a grandeza e a extensão do conflito não lhe permite narrar "o todo".
E, perante a vista horrorisada dos espectadores, perpassou o grande drama representado de 1914 a 1918, um drama que, embora viesse mudar, por completo, a face do mundo permitindo-lhe novas directrizes e novíssimas experiências no campo político e social, vinha, também, fazer renascer no espírito da Humanidade sacrificada, o anseio de que nova carnificina não inundasse a terra de sangue. [...]
Esta obra, obra afinal escrita mais com o coração, vem atacar um caso novo.
Não vem fazer a apologia da guerra, mas vem falar na guerra de ontem e na situação de hoje; vem, sobretudo, narrar a odisseia dos «Herois e seus fantasmas», pois de autênticos fantasmas se trata, nada semelhantes aos soldados varonis e fortes que se bateram com denodo."
(Excerto da introdução, Ao leitor)
Índice:
Ao leitor. - Não ha asár, meu alferes. - A bóta do môrto. - O servente do hospital. - A última víctima. - Dôr de mãe. - O regresso. - Uma historia sem comentarios. - No manicomio Miguel Bombarda. - No Telhal. - O soldado de Pêro Pinheiro. - A «sardenta». - A ultima noite. - Novela da triste sorte. - A agonia de Foch. - A «outra verdade». - A morte do nosso Marechal. - Sua Ex.ª o Diabo. - A quda do Idolo. - A volta do desaparecido. - Renuncia. - O que caiu no fim do ano. - O crime do «Zé Soldado». - A marcha dos mórtos.
Encadernação simples em meia de percalina. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequena falha do revestimento na extremidade inferior da lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
60€
Reservado

02 fevereiro, 2019

HISTORIA FIEL E CIRCUMSTANCIADA DO CRIME ATROZ E TRAIÇOEIRO, Comettido em Braga no dia 23 de Julho de 1872 por um estudante filho do Snr. visconde de Pindella, contra um professor jubilado, seu mestre e protector assiduo. ESCRIPTA PELA PROPRIA VICTIMA PARA ASSOMBRO DE TODOS E ESPELHO DOS CHEFES DE FAMILIA. Braga, Typographia Lealdade, 1872. In-8.º (19,5cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Peça criminal de pendor noticioso, exemplificativa do que de insólito se publicava sobre estas matérias no século XIX. O autor, - M. Pinheiro de Almeida e Azevedo, - professor de filosofia com obra publicada, narra a agressão física de que foi vítima no centro de Braga e os motivos que concorreram para tal. O visado, Vicente Pindella, mais tarde político, administrador colonial e diplomata, era irmão do escritor Bernardo Pinheiro Correia de Melo, o 1.º conde de Arnoso, secretário pessoal do rei D. Carlos, e amigo de Eça de Queiroz, ambos membros do conhecido "grupo jantante" Vencidos da Vida.
"Um attentado monstruoso, brutal e inaudito foi perpetrado no centro d'esta cidade no dia 23 de julho findo, por uma hora da tarde; e tão notorio foi elle, e tão revoltante pareceu elle a todos, que até os orgãos da imprensa da cidade ou julgaram ocioso ou tiveram pejo de o incluir nos seus noticiarios, talvez para não aggravar mais o espanto e a indignação publica no interior, e não fazer conhecido lá fóra um escandalo tão atroz e vergonhoso, que esta briosa cidade muito se compraz e honra de nunca ter sido praticado egual por algum filho seu, nem d'isso ha memoria. Foi nada menos que uma investida furiosa, inopinada e traiçoeira de um estudante arrojado contra um professor veterano - de um discipulo contra o seu proprio mestre, amigo e constante bemfeitor, este desprevenido, inerme e indefeso, aquelle munido de chicote e bengala de força, com manifesta premeditação para tão heroico feito de armas!"
(Excerto da Exposição)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Excepção feita à contracapa que enferma de duas falhas de papel: uma, sensivelmente ao cento, e outra, no canto superior esquerdo.
Raro.
Com interesse para a cidade de Braga.
35€

01 fevereiro, 2019

HÆCKEL, Ernesto - MARAVILHAS DA VIDA. Estudos de philosophia biologica, para servirem de complemento aos Enigmas do Universo. Traduzidos por João de Meyra, Lente da Escola Medico-Cirurgica do Porto. Segunda edição. Porto, Livraria Chardron, Lello & Irmão, L.da, 1927. In-8.º (19cm) de IX, [1], 445, [5] p. ; E.
Interessante ensaio filosófico.
"Os vinte capitulos do presente trabalho foram escriptos de um folego durante quatro meses em Rapallo, sobre o Mediterraneo. A calma monastica d'esta cidadezinha da Ribeira do Levante permittiu-me reflectir, uma vez mais, nas opiniões que sobre a natureza organica concebi desde o começo dos meus estudos universitarios (1852) e do meu professorado em Iena (1861)."
(Excerto do Prefacio)

Indice das materias:
I - Verdade. II - Vida. III - Milagres. IV - Biologia. V - Morte. VI - Plasma. VII - Unidades vitaes. VIII - Fórmas da vida. IX - Monéras. X - Nutrição. XI - Reproducção. XII - Movimento. XIII - A sensibilidade. XIV - Vida intellectual. XV - Origem da vida. XVI - Evolução da vida. XVII - Valor da vida. XVIII - Costumes. XIX - Dualismo. XX - Monismo.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

Reservado

31 janeiro, 2019

CUPERTINO DE MIRANDA, António - OS ÓRFÃOS DA GUERRA. [S.l.], Rio de Janeiro, 1918. In-8.º (20cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Discurso de António Cupertino de Miranda proferido pouco tempo após o armistício a favor da escolas para os orfãos de guerra patrocinadas pela Colónia Portuguesa do Rio de Janeiro.
"Ao lembrar-me do motivo e do momento (e trago-os sempre na memória) que congraçaram a colónia portuguesa, na espontaneidade mais simpática e mais honrosa dum movimento colectivo, eu vejo os nossos heróicos soldados, garbosos no viço dos seus anos e nos entusiasmos do seu coração, a caminho do campo da luta, a enfrentar a soberbia de um inimigo poderoso e aguerrido.
Naquele momento triste do adeus à Pátria, a um pedido piedoso correspondeu uma promessa formal e sagrada.
Eram os velhos arrimados a seus bordões, eram as mães que ficavam sem amparo, eram as esposas conduzindo pela mão as criancinhas, eram as noivas que viam enublar-se de tristeza infinda o doirado castelo das suas esperanças - que acorreram à praia e alongavam os olhos saudosos e tristes pelo Atlântico além, vendo desaparecer, Deus sabe até quando, Deus sabe se para sempre, aquela mocidade radiosa, sadia e forte, que dava vida e enchia de alegria a doce e bucólica terra portuguesa."
(Excerto do discurso)
António Cupertino de Miranda (1886-1974). "Nasceu em 21 de janeiro de 1886, em Famalicão, segundo filho duma família de proprietários agrícolas, partiu para o Brasil em 1915, por motivos políticos, lá permanecendo por mais de 30 anos. Exerceu a atividade de professor, dedicou-se ao jornalismo. A partir de 1918, começou a sua atividade de representação e procuradoria. Assumiu o papel de delegado da Casa Bancária Cupertino de Miranda & Cª, como secretário geral do Banco Aliança no Brasil. António Cupertino de Miranda desenvolveu um papel decisivo no tecer da rede de negócios que abrangeu os dois lados do Atlântico, tendo contribuído significativamente para o processo de acumulação de capitais que estiveram na base do Banco Português do Atlântico. Regressa a Portugal a 7 de agosto de 1948, com 62 anos."
(Fonte: http://www.facm.pt/facm/facm/pt/fundacao/antonio-cupertino-miranda)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo da BNP ou de qualquer outra fonte bibliográfica.
20€
Reservado

30 janeiro, 2019

BANCO PORTUGUÊS DO ATLÂNTICO : 1919/1969. Direcção Literária e Iconográfica de Agustina Bessa-Luís. Direcção Artística e Arranjo Gráfico de Armando Alves. Porto, Edição do Banco Português do Atlântico, 1969. In-4.º grd. (28cm) 247, [6] p. ; mto. il. ; E.
1.ª edição.
Belíssima edição comemorativa dos 50 anos do BPA, de grande esmero e apuro gráfico, profusamente ilustrada a negro e a cores no texto e em separado.
Encadernação editorial com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado conservação.
Invulgar.
30€