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24 junho, 2019

VILLAS, Coronel Gaspar do Couto Ribeiro - HISTÓRIA COLONIAL. [Volume I e Volume II]. [Pelo]... Professor da Escola Superior Colonial. Vila Nova de Famalicão, Grandes Atelieres Gráficos «Minerva», de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1937-1938. 2 vols in-4.º (23,5cm) de 308 p. (Vol. I) e 428, [4] p. (Vol. II) ; B.
1.ª edição.
Obra em 2 volumes (completa).
"O presente volume - História Colonial - destina-se a apreciar, em síntese de vulgarização os factos essenciais, fundamentais, que assinalam, definem e explicam a marcha de acontecimentos vinda de longe e alcançando os nossos dias, acabando por constituir o Movimento de Expansão, que, no limite, criou o Problema Colonial no seu aspecto de hoje, de tam alto alcance na vida social moderna. [...]
Encarando agora o tema da História Colonial - o Movimento de Expansão referido - êle próprio nos diz como homens vindos de terra incerta se estabeleceram em terra estranha para a trabalharem e fazerem progredir tornando-a um valor, integrando-a em vida social mais perfeita. [...]
... Nós os portugueses podemos libertar-nos de preconceitos, pois se na parte Descobrimentos pode ser gasta tinta da discussão de certas passagens, a Obra Colonial, essa - representada, por exemplo, pela Madeira - primeira manifestação logo no século XV - pelo Brasil, e pela ligação espiritual dos filhos do Oriente ainda com o Portugal de hoje -, é tam expressiva, que basta apresentar o facto, mesmo despido da sua análise, para êle falar alto e claro por si e pelo esfôrço de Portugal.
Com esta garantia de verdade se escreveu êste livro, de maneira ao Feito Colonial aparecer no seu lugar dentro da História, embora formando um todo: não como aconteecimento quási inexplicável, com carácter miraculoso em si e nos seus grandes vultos realizadores da idea, mas como um aspecto, embora particular mas normal e lógico, da marcha da Humanidade assinalada pela História."
(Excerto da Introdução)
Exemplares brochados em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas, com desgaste marginal.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

30 dezembro, 2018

PEREIRA, Joaquim António - ANGOLA, TERRA PORTUGUESA. Acções de guerra : vida no Sertão. Memórias e comentários. [Por]... Capitão de infantaria. Lisboa, Composição e impressão : Expansão Gráfica Livreira, Lda., 1947. In-8.º (20cm) de 252, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor, militar português destacado em Angola de 1907 a 1919.
Livro ilustrado em separado com um retrato de Madama S., esposa do autor.
"Numa tarde de Julho, abafadiça e ardente como chapa de ferro ignescente, embarco em Lisboa com destino a Angola. Preso de alma e coração, à saudade de Madama S., tomo lugar a bordo do paquete África, da Empresa Nacional de Navegação. [...]
O irrequietismo domina a saudade e é por isso pedido a João de Almeida que me requisite, individualmente, ao batalhão disciplinar, para fazer parte da coluna dos Dembos, isto, porque, sendo ajudante do batalhão disciplinar, não podia ser nomeado, em escala, para o serviço exterior.
Satisfeito o desejo, sou incorporado na coluna em organização, como comandante dum pelotão de sessenta praças indígenas, com dois sargentos euns tantos cabos europeus, além dum segundo cabo preto, de nome Pedro, perspicaz e inteligente."
(Excerto do Cap. I, Primeiras impressões)
"Posta a tropa em marcha, desembarco do comboio de caminho de ferro de Ambaca, em Cabiri, três horas depois, para bivacar em quadrado geométrico, ao ar livre, formação apropriada, nas colónias, a evitar os efeitos da surpresa do inimigo protegido pela floresta. Dentro do quadrado fica tudo voltado para fora: as bocas dos canos das espingardas, das metralhadoras e das peças de artilharia. [...]
O soldado preto é, na guerra de África elemento de primordial valor, elemento combativo de primeira grandeza, porque é sóbrio, paciente e valente. É um guerreiro temerário. Tem a consciência do que faz e marcha para a morte como se fora um autómato. Teve posição de destaque nas glõrias.
O soldado preto é imperturbável. Marcha com alimentação ou sem ela. Nada lhe faz falta, se nada houver para lhe entregar. Sob o comando do oficial português, é homem temível. Avança sempre; avança impassível da concentração para a sepultura. O soldado preto é guerreiro e intrépido.
Mas a guerra...
Que é a guerra?
É um sorvedouro de vidas, haveres e de reputações."
(Excerto do Cap. II, Guerra dos Dembos)
Índice:
I - Primeiras impressões. II - Guerra dos Dembos. III - Outras guerras, outros assuntos. IV - Guerra do Libolo. V - No Quartel General. VI - No Depósito de Degredados. VII - No Planalto de Benguela. VIII - Dembos. IX - Quartel General. X - Seles. XI - Decretaria Militar do Quanza. XII - Em Luanda. XIII - Revolta grave. XIV - Corpo de Polícia. XV - Regresso à Metrópole. XVI - Notas dispersas: - Bode espiatório; Combates em que tomei parte; A ordem; João de Almeida; Características de Angola: Ligeiras características de Angola - Orografia - Hidrografia - Geologia - Fauna terrestre - Fauna marítima - Clima - Flora - Viação ordinária - Caminhos de ferro - Cooperação dos nativos; No Gabinete de Massano de Amorim; Imposto de Cubata; Nome de Pessoas Ilustres; Comerciantes francos; Não nomeei subordinados; Produto do que eu fiz; As virtudes do Exército.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas sujas, com mancha de humidade (visível também no retrato de Madama S.).
Raro.
Com interesse histórico.
30€

09 dezembro, 2018

RÉCIO, Manuel e FREITAS, Domingos S. de – FORTUNAS D’ÁFRICA. Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1933. In-8.º (19cm) de 250, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Fortunas d’África é um grito de revolta.
Focando aspectos da vida africana, apenas desejamos vir mostrar, um pouco, a existência amargurada dos trabalhadores indígenas e brancos, e sobretudo a destes, que cheios de ilusões e na ambição justa de trabalharem para si e para os seus se dirigem a terras de África, convencidos que encontram lá, - por serem brancos – o bem-estar e as regalias, que lhes sirvam de incitamento para alcançarem a felicidade e a riqueza, a que se julgam com direito. […] Todos – os míseros que arrastam uma vida de martírio e de trabalho na selva, à luz escaldante do sol, nós que sentimos e escrevemos, romantizando, o seu sofrimento, e os maus patriotas, que visamos também – têm de ser julgados.
O Público – Grande Juiz – ditará o seu veredictum."
(Excerto da introdução)
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal manchada à cabeça.
Invulgar.
10€

06 dezembro, 2018

EXPOSIÇÃO HISTÓRICA DA OCUPAÇÃO. Principais factos da ocupação ultramarina (séculos XIX e XX, até à Grande Guerra) - REPÚBLICA PORTUGUESA : Ministério das Colónias. Lisboa, Divisão de Publicações e Biblioteca : Agência Geral das Colónias, 1937. In-8.º (20cm) de 76, [2] p. ; B.
Exposição cronológica da ocupação militar das províncias ultramarinas - no século XIX, desde 1807 (Timor) até Setembro de 1915 (Angola) - com uma breve resenha dos acontecimentos históricos.
1.ª edição.
Matérias:
I. Ocupação militar de Guiné. - Resumo histórico extraído dum trabalho inédito do Ex.mo Sr. Tenente-coronel João José de Melo Migueis.
II. Ocupação militar de Angola. - Resumo histórico organizado pelo Capitão Sr. Gastão Sousa Dias.
III. Ocupação militar de Moçambique. - Resumo histórico organizado pelo Ex.mo Sr. General José Justino Teixeira Botelho.
IV. Ocupação militar da Índia. - Resumo histórico organizado pelo Capitão Sr. A. Delduque da Costa.
V. Ocupação militar de Timor. - Resumo histórico organizado pelo Capitão Sr. José Simões Martinho.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel nos cantos, junto às extremidades da lombada. Páginas com picos de acidez, fruto da qualidade do papel utilizado na impressão do livro.
Pouco vulgar.
15€

18 novembro, 2018

TAVARES, Álvaro - DO INDIGENATO À CIDADANIA. O Diploma Legislativo N.º 1.364, de 7 de Outubro de 1946. [Separata do «Boletim Cultural da Guiné Portuguesa» N.º 8 - Outubro de 1947]. [S.l.], [s.n.], 1947. In-4.º (24cm) de [16] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Histórico diploma legislativo que põe cobro ao estatuto dos «assimilados» nos domínios ultramarinos portugueses.
Livro ilustrado com uma vinheta tipográfica e o desenho de um indígena no final do texto.
"A Constituição Política consagra o princípio da igualdade dos cidadãos perante a Lei, o que envolve nos precisos termos do parágrafo único do seu artigo 5.º a negação de qualquer privilégio, de nascimento, nobreza, título nobiliárquico, sexo ou condição social.
É certo que o considerar ou chamar assimilados àqueles indivíduos que do indigenato ascenderam à cidadania não importa o estabelecimento de uma distinção ou diferenciação entre cidadãos para o efeito de se lhes negar igualdade aos demais cidadãos perante a Lei.
Não obstante, implicava uma descriminação inconveniente como todas as descriminações.
Criara-se pelo Diploma chamado «dos assimilados» uma categoria de novos cidadãos a quem constantemente se fazia recordar a sua recente desintegração do indigenato, a sua recente emancipação de usos e costumes próprios próprios da sua raça.
Mais ainda, como pelo mesmo Diploma os filhos dos assimilados, assimilados eram, tal descriminação ir-se-ia sucedendo indefinidamente.
Ora nenhum objectivo útil se vislumbrava com tal descriminação e tudo depunha contra ela.
Foi a essa indesejável designação jurídica de assimilado que veio pôr temo o Diploma Legislativo n.º 1.364, de 7 de Outubro de 1946, já conhecido por «Diploma dos cidadãos».
E no relatório justifica-se ainda a orientação seguida na elaboração do diploma com estas judiciosas considerações:
«Sendo da essência orgânica da Nação Portuguesa civilizar as populações indígenas dos domínios ultramarinos, deve, por esta superior razão, encarar-se com verdadeiro júbilo o reconhecimento de todos os progressos - honestos, graduais e seguros - verificados nesse campo. Por cada novo cidadão responsável que se desprenda do indigenato, é mais um esforço civilizador, que se preenche».
«No entanto, para não sermos levados por fáceis triunfos - e não menos falsos benefícios de resultados espectaculares, mas de fundamentos precários e duração transitória; e para não aviltar, concedendo-o imerecidamente, um direito que deve ser apenas legítima aspiração de todo o homem que ascendeu, deve rodear-se o processo de todas as cautelas e instruir-se com todas as garantias».
Que não se cultivem ilusões, nem se limitem regalias. Fiel ao espírito das leis basilares, este diploma garante a concessão de direitos a todos aqueles que os merecem, dentro da razão, da verdade e da justiça - às quais há sempre que juntar a inegualável humanidade do domínio português.»"
(Excerto do texto)
[Descriminam-se de seguida os 5 artigos que compõem o Diploma n.º 1.364, devidamente justificados e explicados].
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

06 janeiro, 2018

OLIVEIRA, Fernando - DUAS VITÓRIAS : o princípio da liberdade e igualdade do comércio na bacia convencional do Congo e as reservas portuguesas de 1885 a 1919. Subsídio para a história da diplomacia portuguesa nos séculos XIX e XX. Lisboa, [s.n. - imp. Silvas, Lda., Lisboa], 1962. In-8.º (22cm) de 105, [3] p. ; [2] f. desd. ; B. Separata de Garcia de Orta : Revista da Junta de Investigação do Ultramar - Vol. 10, n.º 1
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história das relações diplomáticas entre Portugal e outras potências europeias no xadrez político africano, desde pouco antes do Ultimatum até ao final da 1.ª Guerra Mundial.
Ilustrado ao longo do texto com os fac-símiles das assinaturas de alguns dos protagonistas portugueses que chefiaram delegações diplomáticas: José Vicente Barbosa du Bocage; Marquês de Penafiel; General Norton de Matos, e com duas folhas desdobráveis: - retrato de grupo da delegação portuguesa à Conferência de Berlim; - Carta inglesa com a delimitação geográfica da bacia convencional do Congo.
Matérias:
Antecedentes. - 1884-1885. - 1919.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

15 dezembro, 2017

GUSMÃO, Lapas de - A GUERRA NO SERTÃO (Sul de Angola). 2.ª edição. [S.l.], Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1935. In-8.º (19cm) de 252, [4] p. ; B.
Episódios da Grande Guerra na frente africana. Impressões pessoais do autor, combatente em Angola. Obra publicada no mesmo ano que a 1.ª edição.
"Nas páginas que vão seguir-se, mais do que a minha impressão pessoal, eu pretendi antes dar uma pálida imagem das agruras e durezas das campanhas africanas, mormente, como é óbvio, daquela que conheci pelo meu esfôrço individual - a campanha do Sul de Angola, em 1915. [...]
É preciso ter por lá calcurriado centenas, senão milhares de quilómetros, de mochila às costas e espingarda ao ombro, como o autor, exausto de fome, de sêde, de fadigas e de canseiras de tôda a ordem, debilitado pelas febres e mordido pelo Sol, para poder avaliar quão grande é tal sacrifício."
(excerto da introdução)
Matérias:
I - A caminho. II - A escalada da Serra da Chéla. III - A contas com os alemães - O combate de Naulila. IV - Para o interior. V - Sob a tormenta - A visita do leão. VI - No acampamento adormecido. VII - No hospital. VIII - Ao abandono. IX - Marchar! Marchar! Marchar! X - A revelação de uma alma. XI - As agonias da sêde. XII - O delírio. XIII - Através do matagal. XIV - Nas margens do Cunene. XV -Visão da grande Angola.
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). “Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra.
Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes Visão da Guerra, A Guerra no Sertão, em que descreve o que viu em França e África, o drama em 3 actos O Mutilado, a tragédia em um acto Uma noite e o ensaio filosófico Matéria e Vida."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. 
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 setembro, 2017

DOCUMENTOS RELATIVOS AO APRESAMENTO, JULGAMENTO E ENTREGA DA BARCA FRANCEZA CHARLES ET GEORGES E EM GERAL AO ENGAJAMENTO DE NEGROS, DEBAIXO DA DENOMINAÇÃO DE TRABALHADORES LIVRES NAS POSSESSÕES DA COROA DE PORTUGAL NA COSTA ORIENTAL, E OCCIDENTAL DE AFRICA PARA AS COLONIAS FRANCEZAS APRESENTADOS ÁS CORTES NA SESSÃO LEGISLATIVA DE 1858. Lisboa, Imprensa Nacional, 1858. In-fólio (30,5cm) de [4], 249, 16, XVIII, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Charles et Georges é o nome de uma barca francesa, que ficou para a história por ter originado um grave incidente diplomático entre Portugal e França (1857-1858). O navio foi aprisionado pelas autoridades portuguesas por suspeita de tráfico de escravos.
1857, Dezembro
O cônsul britânico em Moçambique alertou as autoridades portuguesas para a existência de tráfico de escravos entre Moçambique e a ilha de Reunião, francesa. A barca francesa "Charles et Georges" foi capturada nas águas moçambicanas com 110 negros a bordo. O comandante foi preso e condenado a dois anos de trabalhos públicos, tendo recorrido para o tribunal da Relação de Lisboa.
1858, Agosto
A barca francesa "Charles et Georges", apresada nas águas de Moçambique, chega ao Tejo.
1858, Outubro
Ultimato francês exigindo a libertação da barca "Charles et Georges" e o pagamento pelo estado português de uma indemnização.
1859, Janeiro
Portugal pagou a indemnização exigida pela França pelo caso da barca "Charles et Georges", oito dias depois de ter sido apresentada a conta.
1859, Outubro
Nota do governo português pondo termo ao assunto respeitante à barca "Charles et Georges".
Exemplar brochado, impresso em papel encorpado, por abrir, em bom estado de conservação; apresenta pequena falha de papel no canto superior dto da capa e da f. de guarda.
Raro.
Obra com interesse histórico, encerra importante documentação para a história da escravatura.
Segundo Inocêncio (II,181) esta obra não foi posta à venda.
60€

11 setembro, 2017

DIA DA CAVALARIA PORTUGUESA : 21 de Julho (aniversário da Batalha de Macontene). [S.l.], [s.n. - Composte e impresso na Tipografia da L. C. G. G., Lisboa], 1961. In-8.º (16cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo biográfico de Mousinho de Albuquerque, publicado por ocasião da elevação de Mousinho a Patrono da Cavalaria Portuguesa, sob os auspícios da propaganda do Estado Novo. Descreve os seus feitos militares - os combates que travou, e as vitórias que alcançou em Moçambique, na última década do século XIX.
Ilustrado com um retrato de Mousinho de Albuquerque.
"Em 15 de Dezembro de 1895, sai de Lourenço Marques para assumir o seu novo cargo [de Governador do Distrito Militar de Gaza] , dirigindo-se dali directamente, em reconhecimento e acompanhado por uma ligeira força de cerca de cinquenta homens, sobre a região de Languene, a fim de obter informações acerco do paradeiro do famoso Régulo Gungunhana, chefe da revolta contra a Soberania Portuguesa. Obtidas aquelas informações, o Capitão Joaquim Mousinho dirige-se resolutamente a Chaimite, que atinge em 28 de Deaembro de 1895, depois de penosas marchas; entra imediatamente, sem hesitações, no acampamento inimigo, onde se encontravam mais de três mil guerreiros negros, armados e equipados, num rasgo de valentia inultrapassável, efectua a prisão do terrível Gungunhana."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com significado histórico.
10€

22 julho, 2017

XAVIER, Caldas - O 20 DE MARÇO OU A REBELIÃO DE ANGOLA E A BOMBA. [S.l.], Composto e impresso na Tipografia Liberty, 1930. In-8.º (21,5cm) de 207, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Dedicatória (impressa) a Sua Excelencia o Ministro das Finanças, Dr. Antonio de Oliveira Salazar, cuja acção inteligente, como Ministro das Colonias, interino, se fez sentir nos acontecimentos de Angola, de 20 de Março.
Narrativa referente aos conflitos entre militares em Angola nos primeiros anos da Ditadura, mais tarde conhecida por Estado Novo, que culminaria no assassinato do Tenente Morais Sarmento, na madrugada de 20 de Março de 1930. O sucedido teve grande repercussão na vida política e militar da colónia, que se estendeu à metrópole.
"Nessa noite deitei-me mais tarde; eram perto das duas horas quando recolhi a casa. [...] E, ou porque estivesse muito calôr, ou ainda porque tencionasse levantar-me cedo, o que é certo é que deixei nessa noite as janelas abertas de par em par.
Cêrca das 3 horas acordei sobressaltado: ia jurar que ouvira tiros, que ouvira uma descarga de fuzilaria para os lados do Palácio do Governo.
Mas, poderia lá ser, em Loanda, numa cidade pacata, e aquela hora, semelhante coisa?!
Não, com certeza, que sonhara.
Quando, porém me dispunha a recomeçar o sono, ouvi distintamente tiroteio. Levantei-me de um pulo da cama, muito surpreendido, muito intrigado.
O que haveria?!
Estava quasi vestido quando novamente, soou uma nova descarga, ouvindo, por essa ocasião, gritos lancinantes de mulher; e, tão nitidamente, que supuz que, o que se estava passando, não era muito distante de minha casa..."
(excerto de Tragédia, A Rebelião)
Índice:
Prefácio. «Mea-culpa». Biografias dos 3 aulicos mais chegados do Alto Comissário: João Ferreira Martins; Henrique Augusto da Silva Viola; Alfredo de Morais Sarmento. Antecedentes: A acção política do Alto Comissário; O jornal «Portugal» e a sua orientação; Os inquéritos; Associação Comercial de Loanda; Os assaltos ás lojas maçonicas; Inauguração do Conselho do Governo e a sua segunda sessão; De quem será a triunfo? A Rebelião: Tragédia; Conselho do Governo convocado, pelo Vice-Presidente, Chefe de Rebelião. A Marcha dos Acontecimentos: Do dia 20 de Março a 14 de Abril. Resposta ao livro do Sr. Cunha Leal: Destruindo afirmações. Os ultimos acontecimentos e a bomba.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manuseadas, com defeitos e pequenas falhas de papel.

Raro.
Com interesse histórico.
45€

19 março, 2017

CAMACHO, Brito - MOÇAMBIQUE : problemas coloniais. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, [1926]. In-8.º (18,5cm) de 256, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Preciosa monografia sobre Moçambique, fruto das observações e reflexões do autor ao longo dos dois anos (1921-1923) em que desempenhou o cargo de Alto Comissário na colonia.
"Possuimos colonias ha seculos; temos colonias espalhadas por todo o mundo, e se nem todas teem o mesmo alto valor intrinseco, não há uma só que não tenha um apreciavel valor de posição, para nos servirmos duma linguagem emprestada. [...]
Para que o paiz se interesse, a valer, pelas colonias, é condição indispensavel... conhecel-as. Vagamente ele sabe que possuimos terras, imensas terras, na Africa, na Asia, na Oceania, tendo perdido ha bons cem anos as que possuiamos na America e constituem hoje um Estado independente, uma das mais florescentes republicas do Novo Mundo. [...]
Se o futuro de Portugal está nas colonias, é necessario que o Paiz as conheça, saiba o que elas valem, como centro produtor de materias indispensaveis á actividade industrial da Metropole, sendo ao mesmo tempo centro de consumo de quanto a Metropole lhes pode fornecer, e elas são incapazes de produzir."
(excerto do prefácio)
Índice:
- Prefácio. - Aptidões culturaes do Solo. - O assucar. - Um contrato. - A fisionomia da terra. - Madeira e lenha. - Os minerais. - Gados. - A população. - A assistencia aos indigenas. - A preguiça indigena. - Trabalhadores e salario. - Poligamia.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

12 fevereiro, 2017

BATALHA, Fernando - A URBANIZAÇÃO DE ANGOLA. [Por]... Arquitecto. Luanda, Edição do Museu de Angola, 1950. In-4.º (28cm) de 22, [2] p. ; [16] p. il ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo sobre a urbanização colonial em Angola ao longo dos anos, anteriormente publicado em três números especiais do jornal «A Província de Angola».
Ilustrado em separado sobre papel couché com fotografias a p.b. de arruamentos, edifícios, vistas aéreas, e plantas de várias cidades, vilas e povoações angolanas.
"A formação urbana das povoações antigas de Angola não foi meramente casual ou resultante da sorte, pois a análise retrospectiva das suas origens mostra-nos suficientemente a existência de ponderosas determinantes de origem geográfica, económica e política a condicionar a escolha do local ou a criação do aglomerado urbano, que se nos apresentam como o produto dum móbil deliberado e consciente, germe da primeira colonização que nos tempos modernos se empreendeu no continente africano."
(excerto do Cap. I)
Fernando Batalha (1908-2012). “Arquitecto português, nascido a 5 de maio de 1908, na cidade do Redondo, no distrito de Évora. Depois de concluir o curso de arquitetura, partiu para Luanda, em 1935. Aí, realizou vários projetos de arquitetura. Entre 1940 e 1947, foi responsável pelo Gabinete de Urbanização de Benguela e, durante a década de 40, realizou vários trabalhos em Benguela e noutras cidades de Angola. Exerceu vários cargos, como o de delegado do Gabinete de Urbanização do Ultramar (em Angola), o de vogal na Comissão Provincial dos Monumentos Nacionais de Angola e o de funcionário do Instituto de Investigação Científica do Ultramar (no setor da Arqueologia). Para além disso, o arquitecto dedicou-se ao estudo e divulgação do património urbanístico de Angola. Publicou algumas obras, como Urbanização de Angola (1950), Povoações de Interesse Histórico, Arqueológico e Turístico (1960), Em Defesa da Vila do Dondo (1963), Em Defesa do Património Histórico e Tradicional de Angola (1963), entre outras."
(fonte. infopédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

21 dezembro, 2016

PIMENTEL, Alfredo de Leão - MANUAL DO COLONO. Segunda parte. A Guerra nas Colonias. Porto, Typ. a vapor e officina de encadernação de José da Silva Mendonça, 1902. In-8.º (22cm) de 275, [1] p. ; [8] p. il.  ; [4] f. desd. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada no texto e em separado com tabelas e desenhos esquemáticos. O Manual do Colono é uma obra de fôlego, e de considerável importância sobre as práticas a observar pelos colonos quando em território desconhecido e complexo. Foi publicado em cinco partes (5 vols), entre 1902 e 1906, num período crítico da administração colonial da África portuguesa; era intenção do autor dar à estampa 2 outros volumes: a sexta parte, «Synopse da legislação ultramarina», e a sétima parte, «Noticia succinta sobre as nossas possessões», plano de obra que não viria a concretizar.
"Em 1902, o Capitão de Infantaria Alfredo de Leão Pimentel, que a partir de 1899 serviu bastante tempo no ultramar, iniciou a publicação do «Manual do Colono» em quatro volumes. O primeiro volume sobre «Noções de Higiene Colonial», o segundo volume sobre «A Guerra nas Colónias», o terceiro sobre «Construções. - Estudo da região, etc.» e o quarto sobre «Agricultura tropical. Botânica. Herborização». [Ainda em 1906, seria publicado um quinto e último volume, «Zootechnia colonial Veterinaria»]. Qualquer destes volumes é um repositório de experiências e informações de grande merecimento e utilidade para aqueles que tivessem ou tenham de conduzir operações em África. Especialmente o referente à Guerra nas Colónias, na parte relativa a informações e reconhecimentos, transmite ensinamentos muito úteis, resultado da experiência das tropas portuguesas, inglesas, francesas e holandesas, podendo toda a obra considerar-se um documento de informações de alto valor. Enquanto o Capitão Pimentel publicava o Manual, os Cuamatos atacaram e dizimaram quinhentos homens, sob o comando do Capitão Pinto de Almeida, tendo sido dois anos mais tarde punidos pelo Coronel Roçadas. Entretanto o Capitão João de Almeida pacificava os Dembos e o Comandante Muzanty a Guiné."
(CARDOSO, Gen. Pedro, AS INFORMAÇÕES EM PORTUGAL V - AS FORÇAS ARMADAS E AS INFORMAÇÕES in comum.rcaap.pt)
Indice:
I - Relações politicas com os indigenas. II - Effectivos das columnas. - Organização das armas e serviços. III - Instrucção. IV - Postos militares. V - Tactica. VI - Fortificação e trabalhos de campanha. Ataque e defeza de posições. VII - Noções d'estrategia colonial. VIII - Noticia historica sobre algumas campanhas coloniaes.
Alfredo de Leão Pimentel (1873-?). Nascido em 14 de Setembro de 1873 no distrito de Bragança, assentou praça no RI n.º 5 de Caçadores, em 14 de Novembro de 1891; Alferes em 19 de Novembro de 1896; em 1899 foi prestar serviço para Inhambane; promovido a Capitão em 23 de Fevereiro de 1902; colocado em Angola em 1 de Abril de 1902, Comandante Militar do Cuamato em 1909."
(idem)
Encadernação em meia de pele ao gosto da época, com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico da biblioteca do Regimento de Cavalaria n.º 2 na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
50€

06 agosto, 2016

APONTAMENTOS PARA A HISTORIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO NAS COLONIAS PORTUGUEZAS. Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1880. In-8.º (20cm) de 62, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de artigos de Casal Ribeiro publicados num periódico de Madrid sobre a abolição da escravatura nas colónias portuguesas, procurando desta forma, contribuir para o apoio aos esforços abolicionistas desenvolvidos em Espanha, que viriam a conhecer o seu epílogo a 7 de Outubro de 1886, data simbólica em que a escravidão desapareceu legalmente no país vizinho.
"Na Epoca, periodico de Madrid, muito acreditado, foi publicada uma serie de artigos narrativos da historia da abolição da escravatura nas colonias portuguezas, escriptos por um compatriota nosso e assignados com a inicial C.
A simples leitura denuncia immediatamente que é o escriptor distincto que deu á imprensa aquelles notaveis apontamentos.
O intuito d'essa publicação era fazer conhecidas em Madrid as diversa providencias que adoptamos até ao ponto de decretar definitivamente a liberdade dos pretos nas nossas colonias."
(introdução)
"Em Portugal a idéa abolicionista teve tambem a seu serviço, para se converter em acto pratico, o apostolo, o estadista, o soldado - foi o marquez de Sá da Bandeira. A historia da libertação dos negros nas nossas colonias cabe toda na biographia do honrado e valoroso general. [...]
Sem nos determos nas medidas promulgadas durante o antigo regimen em favor dos escravos, com fortuna varia e incerta execução, apontamos apenas de passagem a época do celebre marquez de Pombal - o Aranda portuguez - dobrada a primeira metade do seculo XVIII. Em 1761 decretava-se a emancipação ipso facto de todo o escravo vindo das colonias para o continente portuguez. Em 1773 declaravam-se livres todos os individuos nascidos no reino de mãe escrava, e aptos a quaesquer misteres, honras e dignidades. Estas medidas, prestando homenagem ao principio da egualdade civil proclamado pela philiosophia, então em voga, dos encyclopedistas, obedeciam não obstante, mais a um pensamento politico, que a um principio humanitario. Nas colonias lá ficava a escravidão de raça negra; lá o trafico dos escravos com todas as brutalidades e horrores usados pelo vil interesse. Na Europa, Pombal visava sobretudo a destruir os privilegios da nobreza, nivelar a sociedade com rasoura democratica, assentando no cimo o throno absoluto do rei e o poder omnimodo do ministro.
Era n'aquelles tempos o Brazil emporio de riqueza por nos explorada, onde inconscientemente estavamos lançando as bases de um imperio independente e prospero, do qual hoje, por amigavel e fraternal trato de industria e commercio, arrecadamos, nós os portuguezes, maiores e mais reaes vantagens que os produzidos emquanto foi colonia. [...]
Nos tempos do grande marquez, e nos que proximos se lhes seguiram, as nossas colonias de Africa onde desde os gloriosos tempos da famosa escola de Sagres, os Diogo Cão, Bartholomeu Dias e tantos outros, haviam plantado immortaes padrões, eram apenas grandes repositorios de gente negra, que a especulação feroz arrancava aos seus nativos palmares, acorrentando-os a caminho da America. Um manuscripto official do principio d'este seculo, citado pelo marquez de Sá da Bandeira, assevera que, nos 44 anos decorridos de 1759 a 1803, se haviam embarcado, só dos portos de Loanda e Benguella para o Brazil, 642:000 escravos, sendo a media annual 14:000 a 15:000. O imposto de exportação por cada cabeça, peça de India, denominação que se dava ao adulto robusto n'aquelles tempos, e o que pagavam as peças de inferior cathegoria, representavam para o thesouro proximadamente 85 0/0 do rendimento total da provincia de Angola. Em 1817 a 1819 pouco variava em proporção, tendo-se augmentado a 22:000 o numero de escravos annualmente remettidos para o Brazil. Em 1834, época da restauração da dynastia e da liberdade, vespera de medidas energicas contra o trafico, o imposto de exportação de carne humana excedia ainda 80 por cento do rendimento total da provincia.
Era então axioma geralmente aceite que sem trafico e sem escravos, Angola seria arruinada."
(excerto do Cap. I)
José Maria do Casal Ribeiro. Conde do Casal Ribeiro desde 1870 (1825-1896). “Depois de ter sido um revolucionário republicano em 1848, casa em 1851 com uma filha do barão de Quintela e passa-se para os regeneradores, de que é deputado e ministro. Deputado em 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1860-1861; 1861-1864; 1865; 1865. Par do reino desde 1865. Ministro da fazenda de 16 de Março de 1859 a 4 de Julho de 1860. Ministro interino dos negócios estrangeiros de 24 de Abril a 4 de Junho de 1860. Volta à pasta dos estrangeiros no governo da fusão, de 9 de Maio de 1866 a 4 de Janeiro de 1868, acumulando a das obras públicas, comércio e indústria de 9 de Maio a 6 de Junho de 1866. Como par do reino em 1884, é um dos opositores à lei eleitoral de Fontes e Barjona que veio alargar o sufrágio, anunciando a intenção de formar um novo partido, dito católico, apenas concretizado entre 1903 e 1910, com o partido nacionalista, liderado por Jacinto Cândido. Morre em 14 de Junho de 1896."
(fonte: www.politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenas manchas e defeitos nos cantos.
Raro.
30€

15 abril, 2016

PIRES, António - A ULTIMA VIAGEM : o êxodo dos brancos de Angola. Romance. Lisboa, Livraria Popular de Francisco Ferreira, [1975]. In-8.º (20,5cm) de [2], 326, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance verídico, nas palavras do autor, sobre o regresso a Portugal dos retornados, nome por que ficariam conhecidos os cerca de 600 mil portugueses que regressaram ao país após a revolução de 1974, na sequência do processo de descolonização.
"Não sei como classificarão os críticos literários as trezentas páginas que o leitor tem diante de si - se romance, se novela, ou qualquer outra coisa.
Para mim é apenas um depoimento, englobando um certo número de episódios e histórias verdadeiras e em que apenas os nomes dos personagens foram alterados.
Não pretendo que esta obra seja um requisitório contra ninguém: - nem contra os que durante anos e anos saquearam Angola e exploraram os angolanos, nem contra os que violentamente e sem distinções se levantaram de armas na mão contra esse saque e essa exploração, confundindo generalizadamente o justo e o inocente com o pecador.
A trama romanesca da obra consiste apenas em conduzir todos os fios desta meada de episódios verídicos e histórias reais para um determinado momento histórico e numa mesma situação de dramática emergência."
(excerto da advertência)
"O sol caía a pino no empedrado de granito do cais, sobre o qual se derramavam manchas gordurosas de asfalto derretido sob o calor estorricante, de mistura com óleo dos guindastes, dos monta-cargas e outros engenhos, e ainda dos camiões a gasóleo que, a todo o momento continuavam convergindo para o cais norte do porto de Luanda, onde o «Príncipe Perfeito» já desde há doze longos dias se encontrava atracado."
(excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

06 abril, 2016

COSTA JÚNIOR, Coronel José Ribeiro da - BRANCOS E PRETOS NA OCUPAÇÃO DO SUL DE ANGOLA. De João de Almeida (1909) a Pereira de Eça (1915) : (Subsídios para a História de Angola). Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, Lisboa], 1963. In-8.º (19,5cm) de 182, [2] p. ; [1] f. il. ; [1] mapa ; il. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Ilustrada com fotogravuras no texto e um retrato do autor em separado. Contém um mapa desdobrável do Sul de Angola.
Conjunto de interessantes crónicas sobre a ocupação portuguesa do Sul de Angola.
"Apresentei-me na Secretaria Militar, na vila de Sá da Bandeira, capital do Distrito, no dia 18 de Janeiro de 1910.
Era Governador do Distrito da Huila, o Capitão do Estado-Maior, Dr. João de Almeida, já conhecido como Herói dos Dembos, em virtude do arriscado reconhecimento militar e dificílima campanha de submissão dos povos daquela região, em 1907.
Poucos dias depois da minha apresentação, o Governador João de Almeida, segundo o seu delicado e fidalgo costume de ter à sua mesa, os oficiais que se apresentavam para servir no seu Distrito, mandou que o seu ajudante, Alferes Joaquim Ferreira Durão, me enviasse o respectivo convite escrito em um cartão, para jantar.
Pouco depois de iniciada a refeição, o Governador começou por falar do esforço dedicado e abnegado dos oficiais que vinham servir no Distrito, para levar a bom termo a missão de que estava encarregado... [..]
Dirigindo-se-me, em seguida, João de Almeida disse-me que, no ano anterior, pretendera estender a ocupação militar pelo Baixo Cubango e Baixo Cuito, até ao Cunado, fronteira leste, não tendo podido ir além do Mucusso, por lhe faltarem víveres que deviam ter sido expedidos do depósito-base do Posto A. [...]
E a conversa comigo, terminou com o aviso de que, no dia 28, marcharia para o Baixo Cubango, o Alferes Brito e Abreu, comandando um contingente de recrutas indígenas e de degredados europeus, acompanhando um comboio de 6 carros «boers» e eu acompanhá-los-ia.
Como eu revelasse contrariedade, ao ouvir aquele aviso, João de Almeida perguntou-me se eu tinha alguma objecção a fazer.
Respondi-lhe que tinha vindo do quilómetro 107 até Sá da Bandeira, a cavalo e, por isso, me fizera acompanhar apenas do que coube numa mala de mão transportada à cabeça dum carregador e que a mala grande com o meu enxoval fora carregada num carro «boer» que demoraria ainda uns 15 dias.
João de Almeida não me deixou concluir e retorquiu que ele, quando ia para o interior, levava a roupa que lhe vestia o corpo e, na volta, deitava-a fora."
(excerto do Cap. I, Os cuanhamas, uma «embala» e um posto militar)
Matérias:
Nótula prévia.
I - Os cuanhamas, uma «embala» e um posto militar. II - Uma preta mulher superior, um preto comandante de posto militar e uma missão católica. III - A intensidade e fertilidade das terras de Angola. O Posto A. IV - A Política dum Comandante Militar. V - Mais virtudes da raça preta. VI - Em frente aos alemães. VII - Melindroso comando de posto militar. VIII - Atrevimento dos Cuanhamas. Duas ossadas portuguesas, balisas da fronteira do Sul de Angola. IX - A submissão do Cuanhama, fim dum flagelo e salvação dum povo. X - Conclusão final.
- Testemunho oficial das viagens e serviços do autor a que a narrativa se liga.
José Ribeiro da Costa Júnior (1883-?). "Nasceu em Castelões de Cepêda, a 23 de abril de 1883. Era filho de camponeses, mas os seus padrinhos eram Joaquim Bernardo Mendes, Visconde de Paredes, e D. Rosalina de Sousa Guimarães. Emigrou bastante jovem para o Brasil e, após longos anos de trabalho, acabou por enveredar pela carreira militar, tendo-se destacado em campanhas no continente africano, nomeadamente em Angola, durante o primeiro quartel do século XX. Em 1932 foi condecorado pelas campanhas nesta colónia e, no ano seguinte, foi promovido a tenente-coronel. Recebeu ainda a Comenda da Ordem Militar de Avis e da Ordem de São Tiago da Espada.
Foi autor de várias obras relacionadas com o exército ou com a agricultura, destacando-se as seguintes: A agricultura pelo exército, com um guia do instrutor da agricultura (1929), Brancos e Pretos na ocupação do Sul de Angola (1963) ou Pela nossa África (1933), A Árvore das Patacas : romance com uma descrição da vida no Rio de Janeiro há 50 anos (1947)."
(fonte: www.scmparedes.pt/irmandade/biografias/jose-ribeiro-da-costa-junior)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

08 dezembro, 2015

PÉLISSIER, René - CAMPAGNES MILITAIRES AU SUD-ANGOLA (1885-1915). Cahiers d'Études Africaines, IX-1. Paris - La Haye, Mouton, 1969. In-4.º (24cm) de 73, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor a António Martins. Este último, remete o exemplar a Raul Rego informando-o do interesse do autor em publica-lo em português e questionado-o do interesse dessa empresa.
Ilustrada nas folhas do texto com mapas, quadros e gráficos.
"Estudo histórico sobre a presença portuguesa em Angola, onde se denuncia o mito colonialista que faz remontar aquela presença ao século XV e às primeiras expedições dos Descobrimentos, quando na verdade o actual território angolano apenas terá passado para debaixo de um efectivo jugo português a seguir à I Grande Guerra. Inventário e análise das campanhas militares conduzidas por essa mesma altura pelo exército colonial contra os indígenas."
(fonte: www.fmsoares.pt)
Matérias:
 - Premières approches. - Colonisation blanche. - Expédition a Humbe (1885). - Première expédition au Haut-Cubango (1885-1886). - Deuxième expédition au Haut-Cubango (1889). - Voyage au Bas-Cubango (1890). - Première campagne du Humbe (1891). - Opérations contre les Hottentots (1893, 1897). - Deuxième campagne du Humbe (1898). - Causes de piétinement. - 1904. Lánnée terrible : première campagne contre les Cuamato. - Opérations d'attente : Cunené, Gambos (1905). - Deuxième campagne contre les Cuamato (1906). - Face aux Ovambo. - Troisième campagne contre les Cuamato (1907). - Arrivée de João Almeida. L'endiguement. - Ocupation du Bas-Cubango (1909). - L'occupation d'un district. - L'ascension des Cuanhama. - Naulila (1914): L'incident de Naulila (19 octobre 1914); Le combat de Naulila (18 décembre 1914); Ses conséquences. - La grande campagne contre les Cuanhama (1915): Les combats; Les conséquences.
Annexe I - Les principales étapes de l'occupation de l'Angola (1846-1919).
Annexe II - Évolution des effectifs engagés.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

26 novembro, 2015

ZURARA, Gomes Eanes de - CRONICA DO DESCOBRIMENTO E CONQUISTA DA GUINÉ. Segundo o manuscrito da Biblioteca Nacional de Paris. Modernizada com notas, glossário e uma introdução de José de Bragança. [Porto], Livraria Civilização, Editora, [1937]. 2 vols in-8.º (19cm) de [8], XLV, [3], 274, [2] p. e 312, [8] p. ; E. Col. Textos de História - N.º 3 e N.º 4
Reprodução de um documento histórico da maior relevância para a História dos Descobrimentos Portugueses. Das edições contemporâneas, esta é talvez a mais considerada.
O retrato do Infante D. Henrique do 1.º vol. é reprodução de um pormenor do célebre Políptico proveniente de S. Vicente de Fora, hoje exposto em dois trípticos no Museu Nacional de Arte Antiga. No 2.º vol. reproduz-se a iluminura do próprio Códice da «Crónica da Guiné», existente na Bib. Nacional de Paris.
                                    ..................................
"Faz agora um século, exactamente, que foi encontrado o manuscrito, perdido havia muito, da «Crónica da Guiné».
Foi em princípios de 1837. Achou-a, na Biblioteca de Paris, êsse fervoroso enamorado das belezas da nossa história que foi Ferdinand Denis. [...]
O aparecimento dêste texto veio trazer a confirmação circunstaciada da narrativa de João de Barros, na Primeira Década, sôbre aqueles primeiros descobrimentos, permitiu desfazer algumas mentiras de Cadamosto, que corriam havia mais de três séculos, e mostrar ao Mundo que o povo de navegadores que abrira ao comércio da Europa as longínquas paragens da desconhecida Etiópia, como então se dizia da Guiné, tinha também uma História coeva dos seus fastos marítimos.
Por outro lado, troxe-nos, em traços seguros, a visão da figura física do Infante D. Henrique, além de uma contribuição inestimável para ajuízarmos do período mais fecundo da sua vida e do seu vulto espiritual."
(excerto da Introdução)
Gomes Eanes de Zurara (141/20-1473/4). "Cronista régio sob o reinado de D. Afonso V, nasceu após 1410 e morreu entre 1473 e 1474. A partir de 1454, substituiu Fernão Lopes nas funções de guarda-mor da torre do Tombo. A sua atividade literária como cronista, documentada desde 1450, ano em que termina a Crónica da Tomada de Ceuta, compreende ainda a Crónica do Infante D. Henrique ou Livro dos Feitos do Infante, denominada Crónica dos Feitos da Guiné, elaborada entre 1452 e 1453 e refundida pelo cronista após 1460; a Crónica de D. Pedro de Meneses, composta entre 1458 e 1464; e a Crónica de D. Duarte de Meneses, elaborada entre 1464 e 1468.
Desviando-se da orientação e visão do seu antecessor, Zurara não pôde ocupar-se da continuação de uma Crónica Geral do Reino, tendo acedido, após o termo da Crónica da Tomada de Ceuta, que constitui a 3.ª parte da Crónica de D. João I de Fernão Lopes, aos pedidos do soberano para redigir o encómio de personagens individualizadas da nobreza. O próprio relato da Crónica da Tomada de Ceuta combinaria já, ao longo do texto, a glorificação da campanha cavaleiresca dos infantes com o elogio focalizado de certos feitos de D. Henrique. Assim se prepara o terreno para o panegírico de D. Henrique como principal propulsor dos Descobrimentos na Crónica do Infante D. Henrique ou Livro dos Feitos do Infante ou Crónica dos Feitos da Guiné. O papel de cronista da nobreza culmina no relato que premeia os ideais cavaleirescos e a solidificação da conquista no Norte de África na narração da vida e feitos de armas de dois fiéis súbditos de D. Afonso V, a Crónica do Conde D. Pedro de Meneses, primeiro capitão de Ceuta, e a Crónica de D. Pedro de Meneses, seu filho, capitão e governador de Alcácer Ceguer. Tendo merecido a estima de D. Afonso V e do monarca recebendo vários benefícios, Zurara confere ao registo historiográfico um alcance ético-político, já que, na sua opinião, a composição de crónicas, exemplo para os vindouros, e a justificação do agradecimento do monarca aos servidores que se notabilizaram por "virtuosos trabalhos cavalleirosos" persegue duas finalidades: "A primeira em quanto amoesta aaquelles que veem e ouveem o memoriall das suas virtuosas obras. O quall çertamente he aquelle espelho, que Socrates gramde philosopho mandaua que os homêes mamçebos esguardassem a meude, por tall que os bõos feitos dos seus amteçessores fossem a elles proueitoso emsino (...). A segumda fim he porque sse os homêes semtissem que pollo falleçimento de sua uida, se acabaria toda sua remenbramça, çertamente nom sse poeriam a tam gramdes trabalhos e perigos [...]". A escrita de Zurara apresenta ainda a novidade de ser construída em grande medida sobre o presente. A missão de "daar comta, e razão das cousas, que pasam nos tempos de minha hydade, ou daquellas, que pasaram tam cerca, de que eu posso aver verdadeiro conhecimento...", segundo revela no primeiro capítulo da Crónica do Conde D. Pedro de Meneses, impõe um trabalho das fontes diverso do do seu antecessor, dada a escassez de registos manuscritos para eventos tão recentes. Daí se conclui que privilegie os testemunhos orais e mesmo a visita aos locais onde se desenrolaram os acontecimentos, como no caso da Crónica de D. Duarte de Meneses, para "tomar miudas e exatas informações do acontecido".
(in Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015.)

Encadernações em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conservam as capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Aparados.
Invulgar.
30€