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11 julho, 2019

LUNA, M. João - CAMILO CASTELO BRANCO. [S.l.], F. Machado & C.ª, 1932. Oblongo (19,5x25cm) de [10] f. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de poemas (3, retirados de Nas Trevas) e máximas de Camilo em 10 folhas manuscritas com letra fina e bonita, sobre papel encorpado, cujo fundo desenhado (em rosa ou azul), imita mármore.
Exemplar N.º 45 (de 70?), subscrito por M. João Luna, De Condeixa, que também assina o desenho original da capa e o elogio inscrito na contracapa.
Belíssima encadernação artesanal trabalhada em couro.

"A Saudade é a poesia de todo o homem. O que melhores poetas teem dito, melhor o teem sentido pessôas que nunca fizeram versos."
C. C. Branco


(Máxima, pp 10)

Muito raro.
Sem qualquer referência bio-bibliográfica sobre o autor-mestre artesão.
Com indubitável interesse camiliano.
Peça de colecção.
Indisponível

28 maio, 2019

PLACIDO, D. Anna Augusta - LUZ COADA POR FERROS. Escriptos originaes. Por... [Introdução de Júlio César Machado]. Lisboa, Livraria de A. M. Pereira, 1863. In-8.º (19cm) de XV, [1], 210, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Com o retrato da autora em separado.
"Luz Coada por Ferros é o primeiro livro de Ana Augusta Plácido, com edição em 1863. É dedicado à sua irmã Maria José Plácido, que Ana tratou quando os pais morreram. A autora recorda a irmã com carinho, afirmando: «Foste a minha única amiga neste mundo: não conheci afeição mais verdadeira.» A obra está repleta de dor e amargura, ainda que com traços de coragem, representando o tempo em que Ana esteve presa. A maior parte dos textos que compõem a obra foi produzida na Cadeia da Relação do Porto."
(Fonte: http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/c_castelo_branco/luz_ferros.html)
Edição original da primeira obra de Ana Plácido, mulher de Camilo Castelo Branco
"Grande parte d'estes escriptos nasceram na calamitosa época do carcere e do escarneo dos meus algozes, nunca saciados das torturas que me inflingiram."
(Excerto da dedicatória)
"O Porto é o eden aonde mais infloram os amores angelicos, candidos e infantis. Ninguem me desmentira, creio. Aqui, não chegou ainda o contagio d'essa peste malefica que lavra já na capital, como em todas as capitaes dos grandes reinos.
Se ha aqui peccadora, empolgada nas garras satanicas de paixão menos pura, ai d'ella! por que as pedradas chovem-lhe compactas, e á penitente nem tempo lhe dão de repetir uma historia passada entre Jesus e os apredejadores d'uma mulher, em Judea.
Estamos pois na cidade da Virgem.
É nesta divina padroeira que as mães descançam o cuidado de guardar intactos d'um desejo ou pensamento equivoco, os corações virginaes das filhas, muito além dos vinte e cinco annos, até que o marido predestinado lhes calque aos pés o gracioso e puro emblema da innocencia."
(Excerto de Adelina)
Indice:
Introdução. - Adelina. - Meditações (I; II; III; IV; V; VI; VII). - O amor. - Recordação. - Porphecia no leito de morte. - Martyrios obscuros. - Impressões indeleveis. - Ás portas da eternidade. - A Julio Cesar Machado.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

26 março, 2019

ANDRADE, Eugénio de - DAQUI HOUVE NOME PORTUGAL. Antologia de Verso e Prosa sobre o Porto, organizada e prefaciada por... Selecção artística e arranjo gráfico de Armando Alves. [Porto], Editorial Inova Limitada, [1968]. In-4.º (28cm) de 391, [11] p. il. ; E.
1.ª edição.

Desta Antologia de Verso e Prosa - Homenagem da Editorial Inova à Antiga, Mui Nobre, sempre Leal e Invicta cidade do Porto, nas comemorações dos dois mil e cem anos da presúria de Portugale por Viamara Peres - fizeram-se: Uma tiragem, rubricada por Eugénio de Andrade, de mil e quinhentos exemplares, numerados de 1 a 1500 [o presente exemplar leva o N.º 0725], e cem exemplares, fora do mercado, numerados de 1501 a 1600, encadernada em linho no formato 28x22,5 cm e ilustrada com 30 gravuras, 80 fotografias a preto e branco e 24 fotografias a cores. Destinados, exclusivamente, a acompanhar esta tiragem, reproduziram-se a cores dez quadros com motivos do Porto, apresentados em carteira própria. Na caixa reproduziram-se duas páginas do foral dado por D. Manuel I, em 1517, à cidade do Porto.
Belíssima antologia, edição de apurado sentido gráfico e estético, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada a p.b. e a cores. Textos de Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara, Luís de Camões, Frei Luís de Sousa, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Alberto Pimentel, João Chagas, António Nobre, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, José Régio, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Agustina Bessa-Luís, entre outros.
Dez quadros com motivos do Porto da autoria de Henrique Pousão, Eduardo Viana, Abel Salazar, Dórdio Gomes, Alvarez, António Cruz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Armando Alves.
Exemplar em bom estado de conservação. Caixa-estojo com defeitos.
Invulgar e muito apreciado.
115€

27 junho, 2018

CARDOSO, Nuno Catharino - CAMILO CASTELO BRANCO E DOM PEDRO V (subsídios para a vida e história do grande escritor). Lisboa, Edição do Autor, 1956. In-8.º (21cm) de 4 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante peça camiliana. Descrição dos encontros de D. Pedro V com Camilo na Cadeia da Relação do Porto, e reflexões do autor acerca do assunto.
Tiragem de 150 exemplares.
"Em Novembro de 1860. D. Pedro V foi ao Porto e visitou as Cadeias da Relação, cujo ar pestilencial, por absoluta falta de condições higiénicas, era irrespirável.
Tinha então o Monarca 23 anos de idade e a alma povoada de sonhos. Amava o povo e os seus padecimentos afligiam-no.
Como se sabe, Camilo estava preso na Cadeia da Relação do Porto, desde 1 de Outubro de 1860, tendo-se apresentado voluntàriamente à prisão. D. Ana Plácido, sua cúmplice e esposa do comerciante Manuel Pinheiro Alves, havia sido presa anteriormente, levando consigo uma criança de colo, o desventurado Manuel Plácido, a que alude Camilo nas «Scenas da Hora final».
Eram mais de cinco horas da tarde do dia 23 de Novembro de 1860, quando D. Pedro V, acompanhado pelo Marquês de Loulé, Presidente do Conselho, visitou na Cadeia Camilo Castelo Branco.
Não esperava encontrá-lo aqui, disse o Rei.
Estimo que se livre cedo."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Não consta do Catálogo bibliográfico camiliano de Miguel de Carvalho.
15€

25 maio, 2018

OLIVEIRA, Zacarias de - O PADRE NO ROMANCE PORTUGUÊS. Lisboa, União Gráfica, 1960. In-8.º (19,5cm) de 266, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre a presença sacerdotal no romance escrito em português. Trata-se, talvez, do único estudo dedicado a este tema que se publicou entre nós.
"O padre católico parece ocupar um ponto perdido e defender uma doutrina de sabor bafiento a passado. É um enigma, com toda a verdade. Passa nas ruas e as suas roupas, muito tradicionais, não possuem o colorido e a garridice que acompanham as modas modernas. Veste de escuro e jamais se confunde com a multidão: ainda quando os seus esforços são desesperados para ser um como os outros, dá sempre nas vistas. Anda marcado pelo carácter sacerdotal e este, embora de ordem espiritual, invade-lhe toda a vida, expressa-se-lhe nos gestos, nos raciocínios, nas falas. [...]
Anda preso ao sobrenatural e leva-o consigo como uma responsabilidade consciente. Ainda quando não está à altura desse sobrenatural, ainda quando se consome por regressar ao natural estreme dos outros, passeando, falando, ele comunica esse sobrenatural: chama Deus a permanecer entre os homens e dá-O aos homens.
Este misterioso poder surge como qualquer coisa de extraordinário. Até perante os que não acreditam, aparece como uma espécie de feitiçaria que perturba: diante do padre não se admitem os estados neutros ou indiferentes, como nunca se verificaram esses estados perante Cristo, o sinal de contradição.
Mas anda também ligado ao natural. Embora ministro de Deus, com poderes verdadeiramente extraordinários, continua, pela vida fora, homem. Sofre no corpo e na alma as dores e as tentações do semelhante. É seu comparsa nas lutas entre Deus e Satã. Paladino do bem, sente em si próprio, segue misturado com as paixões, as intrigas, o lodo. E tudo isto vai refletir-se na sua vida, tudo arremessa salpicos, reais ou imaginários, para a sua existência: o mal encontra eco dentro de si. [...]
É um isolado. Misture-se embora com a multidão, continua gota de azeite que a quantidade de água agitada é incapaz de dominar. Fala e a sua voz tem um sabor estranho. Repara e os seus olhos, habituados ao sobrenatural, familiarizados com o celeste, vêem em branco, trespassam as almas, olham para além. Será sempre incompreendido. Não só pelos destituídos da cultura do seu curso demorado, como acontece nas aldeias, mas também pelos outros, pelos chamados cultos: se estes compreendem os seus estudos e o exterior das suas frases, sentem que o principal se lhes escapa também. [...]
O romance encontrou o padre como assunto e tema, como personagem a estudar. E podia encontrá-lo sob dois aspectos: um caso de verdadeira e intensa psicologia humana; alguém que vive em sociedade misturado com os outros, neles influenciando e deles recebendo influências."
(Excerto de O padre personagem de romance - introdução)
Índice:
O padre personagem de romance: A influência de Bernanos; O padre social; Um pouco de crítica. O padre no romance português. O Anticlericalismo. Tempos românticos: Herculano e o isolamento sacerdotal; Almeida Garrett e o lirismo liberal; Camilo Castelo Branco; Júlio Dinis; Outros casos dos tempos românticos. Realismo e Naturalismo: Eça de Queirós; Ramalho Ortigão; Fialho de Almeida; Abel Botelho; Guilherme Braga. Geração fim de século: Manuel Ribeiro; Antero de Figueiredo; Aquilino Ribeiro; Júlio Dantas; Nuno de Montemor; Júlio Brandão. Tempos Modernos: A geração da presença; Neo-realismo; Romancistas actuais sem escola. Novas e velhas correntes da actual ficção. Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa ligeiramente oxidada.
Raro e muito interessante.
Indisponível

18 maio, 2018

BELLEM, A. M. da Cunha - ONDE ESTÁ A INFELICIDADE! Romance original por... Lisboa, Bibliotheca dos Dois Mundos, [1865]. In-4.º (23,5cm) de 91, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ilustrações de H. Meyer.
Romance baseado em factos do conhecimento do autor, antecedido de uma carta de Cunha Belém a Pinheiro Chagas recordando uma viagem que ambos fizeram pelo Minho dois anos antes, escrito "poucos dias depois do regresso, e debaixo da impressão ainda das bellezas campestres e dos monumentos historicos, que por lá vira a barrisco espalhados."
Importa ainda referir a homenagem que o autor faz questão de prestar no final da obra a Camilo Castelo Branco - "o primeiro romancista portuguez" - através de um extenso elogio tendo como ponto de partida o título do seu livro, idêntico ao de Camilo - Onde esta a infelicidade?
"Vae aqui este capitulo, que deveria ter logar de honra no principio do livro, se o seu desenvolvimento, explanando a urdidura do romance, lhe não entibiasse o já limitado interesse. [...]
É verdadeira a historia que narro, e que adrede deixei ir desataviada nos recamos de peripecias, para que mais realce tivesse o fundo de veracidade que encerra. Uma familia que a riqueza deslumbrou, e que só veio de novo a encontrar a antiga traquilidade no seio de honesta mediania, foi quem me inspirou o enredo da presente narrativa. D'elle nasceu naturalmente a idéa do titulo, que parece em antagonismo com o do precioso romance de Camillo Castello Branco. [...]
Escusada é sem duvida esta explicação, porquanto sempre o romance de Camillo Castello Branco passará por uma das suas melhores obras, e a minha historia terá o modesto logar, que lhe é destinado na escala das producções litterarias; mas não o é de certo o aproveitar com avidez este ensejo de prestar homenagem do meu respeito ao fecundo escriptor a quem as letras patrias tanto devem, já pelos preciosos thesouros com que as tem enriquecido, já pela heroica perseverança com que tem verberado e perseguido as bastardas traducções de romances de mau gosto, que, como joio damninho, inçavam as cearas da nossa litteratura. [...]
Emfim, appareceu Camillo Castello Branco, e logo as suas primeiras obras foram saudadas com enthusiasmo. Não o esmoreceram ruis invejas, que bastas apparecem no nossa terra, nem difficuldades com que luta quem em Portugal cultivas as lettras, terreno o mais arido e ingrato de quantos arroteia o genio do homem. Perseverou e venceu!... Redobrou de incançavel actividade. Fez succeder uns aos outros os romances temperados do chiste natural da sua elegante dicção; deu ao povo os typos seus conhecidos e os estudos do coração, que elle sabia tambem apreciar..., e, como por um encantamento magico, as novellas mal traduzidas foram fugindo espavoridas diante da fecundidade inexgotavel do redemtor do romance nacional."
(Excerto de Homenagem de respeito)
"O romance, bem como a historia, é a photographia da sociedade. Se esta reproduz os valorosos feitos dos varões notaveis e as violentas commoções que abalam as nacionalidades, se alevanta monumentos aos rasgos de heroismo ou de abnegação ou verbera com censura immorredora as cobardias e as traições dos homens publicos; o romance, na sua modesta condição, põe em relevo acções illustres de homens desconhecidos e ignorados e reproduz os abalos que por vezes commovem a paz intima das familias, já engrinaldando um festão ao que merece louvor, já castigando com os epigrammas da satyra os feitos ridiculos que frequentemente emergem á superficie da onda social. São estas as suas differenças e os seus pontos de contacto."
(Excerto de Capitulo avulso que precede o primeiro...)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Rasgão na capa (2cm) sem perda de papel.
Raro e muito curioso.
25€

30 abril, 2018

O ESCRIPTOR DA GRAÇA E DA BELLEZA. Camillo Homenageado. Comissão de homenagem posthuma ao fecundo romancista: José de Azevedo e Menezes, Presidente, Daniel Augusto dos Santos, Francisco Maria de Oliveira e Silva, José Roballo, Francisco Correia de Mesquita Guimarães, Thesoureiro, Dr. Nuno Simões, Secretario. Famalicão, Tipografia «Minerva» de Cruz, Sousa & Barbosa, L.ᵈᵃ, 1920 [capa, 1921]. In-8.º grd. (22,5cm) de LXIII, [1], 398, [2] p. ; [21] f. il. ; [2] f. desd. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante peça da bibliografia camiliana. Ilustrada no texto (em página inteira), e em separado com retratos (individuais e colectivos), desenhos, fotogravuras e plantas da casa de S. Miguel de Seide, fac-símiles de Camilo, etc.
Contém ainda reproduzido em fac-símile o Catalogo da preciosa livraria do eminente escriptor Camillo Castello Branco, incluindo a portada da obra.
Exemplar da tiragem não declarada de 100 exemplares, totalmente impressa sobre papel couché.
Indice: Summario; Relatorio; Grata Lembrança de Camillo; Carta de D. Pedro de Alcantara; Soneto de D. Pedro de Alcantara; Étude Graphologique; Minuta do Dr. Francisco Joaquim Fernandes; Autographos de Camillo e de D. Ana Placido, sob a rubrica «Via Dolosa», e titulos academicos e honorificos do grande escriptor; Autographos de Camillo: - 15 cartas e 2 bilhetes offerecidos pelo destinatario José de Azevedo e Menezes ao Museu-Camillo; Supplemento ao Catalogo; Catalogo das obras compradas á familia de Camillo Castello Branco, pela Commissão promotora da Homenagem; Supplemento ao Catalogo dos Livros comprados pela Commissão; Catalogo dos livros que o eminente escriptor vendeu em 1883; Relação dos Subscritores de Portugal e Brazil; Ao grande Mestre das Lettras Patrias; Homenagem do Seguro Nacional ao Grande Mestre das Lettras Patrias, Camillo Castello Branco;O Seguro da Casa de Camillo - A Acacia de Jorge, artigo de Severo Portella; Premio Fernando Brederode; Extracto da Acta da Commissão Executiva da Camara Municipal de Villa Nova de Famalicão, e nota final.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta desgaste no canto superior direito.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

18 abril, 2018

CASTELLO BRANCO, Camillo - A DIFFAMAÇÃO DOS LIVREIROS SUCCESSORES DE ERNESTO CHARDRON. Porto, Imprensa Civilisação, 1886. In-8.º (22cm) de 32 p. ; E.
1.ª edição.
O producto liquido d'este opusculo é applicado a auxiliar as despezas do anno lectivo de um estudante pobre que frequenta a Universidade de Coimbra.
Livrinho publicado por Camilo, na sequência da polémica apreensão na tipografia da sua obra Boémia do espírito, por intervenção judicial da casa livreira Lugan & Genelioux.
"O aggravo que o snr. Eduardo da Costa Santos, editor e proprietario da Bohemia do espirito, levou para a 2.ª instancia está pendente da deliberação dos juizes.
Recusei-me algum tempo a escrever sobre semelhante assumpto, receando que a minha defeza fosse interpretada como pretensão estolida de explicar aos juizes a injustiça da apprehensão da obra impressa. Se eu me defendesse com tal intento, duvidaria da intelligencia dos magistrados e da solicitude do illustre advogado do snr. Costa Santos.
Resolvi, porém, escrever logo que li os articulados dos snrs. Lugan & Genelioux para a «acção ordinaria». Ahi sou injuriado, affrontado e calumniado com quanta audacia póde impulsionar a infamia. As aleivoseias são ahi formuladas n'um tom decisivo, sem ambiguidades, sem precauçoens, nem subtergugios; mas o aviltamento de quem as suggeriu e redigiu está na documentada e irrefutavel verdade com que as repulso. Os snrs. Lugan & Genelioux confiaram tão pouco na sua justiça que recorreram á detracção insultuosa, assacando-me antigas fraudes comerciaes com os meus editores para tornarem verosimeis as modernas.
Sordido expediente!"
(Advertencia)
Belíssima encadernação inteira de pele com ferragem gravada a seco e a ouro na pasta anterior. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção.
65€

14 março, 2018

A PAIXÃO DE CAMILO (Ana Plácido) : um romance verdadeiro. [S.l.], [s.n.], [1924?]. In-8.º (18cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto de apresentação da obra de Rocha Martins A paixão de Camilo. No interior, são reproduzidas as crónicas jornalísticas publicadas na imprensa portuguesa acerca do romance e do seu merecimento: "O Jornal do Comércio"; "O Comércio do Porto"; "Diário de Notícias"; "O Século"; "O Primeiro de Janeiro"; "O Correio da Manhã"; "O Dia"; "A Tarde"; "Suplemento da Batalha"; "Diário de Notícias" : página literária em que o autor explica a sua obra; "O Primeiro de Janeiro" : o que diz António de Cértima; "Jornal de Notícias" : o que diz  Joaquim Costa; "O Dia" : o que diz Augusto de Lacerda; "Heraldo", da Madeira : o que diz Reis Gomes; Carta de Lisboa no "Jornal de Notícias", do Porto : o que diz Eduardo de Noronha.
Capa belíssima de Stuart Carvalhais que ostenta a "máscara ensanguentada do suicida" emoldurada por desenho de fina filigrana.
"É mais do que um romance de amores porque é a tragedia viva, acontecida, de dois amorosos que por muito amar se perderam. E que amorosos! Ele, o que tanto queria à sua amada, fez da sua dôr um poema: «Amor de Perdição», as paginas lidas e soluçadas, banhadas de prantos, soletradas com angustias.
Ela, a que ao genio se entregou, deixando a existencia calma pela aventura, no seu «Diario», ao qual se arrancaram paginas para a «Paixão de Camilo», soube bem dizer como se lhe confrangia a alma pelas desditas do seu amor em que houve todas as amarguras: desesperos e ciumes mortais, a loucura de um filho, a cegueira do amante, a desilusão da sua alma e o tiro do suicida, do ingrato que sósinha deixou no mundo a apaixonada, tão perdida pelos beijos de sua bôca como pela luz de seus talentos."
(Preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Peça de colecção camiliana.
Opúsculo sem referências bibliográficas, incluindo a BNP.
Indisponível

19 fevereiro, 2018

SILVA, José Barbosa e - AMAR É SOFFRER. Estudos do coração. Romance por... Precedido d'um juiso critico de Camillo Castello-Branco. Porto : Typ. de J. J. Gonçalves Basto, 1855. In-8.º (18cm) de 336 p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico duplamente valorizado pelo prefácio de Camilo Castelo Branco e pela dedicatória manuscrita do autor na f. rosto ao conhecido bibliófilo vianense Cândido Xavier da Costa.
"Além de político do partido liberal (deputado, por Viana do Castelo e adido em Paris, entre outros cargos) José Barbosa e Silva dedicou-se também às letras (poesia, romance e jornalismo). Camilo apoiava e incentivava esta atividade do amigo vianês, promovendo-lhe a publicação, em jornais do Porto e de Lisboa, de poemas, crónicas e, em folhetins, o romance Viver para Soffrer (1855). Dedicado aos irmãos e subintitulado Estudos do Coração, este romance, com benevolente prefácio de Camilo (pp. 5-16), apesar de impresso, nunca chegou, porém, a entrar no mercado. Como se sabe, a abastada família Barbosa e Silva e, em particular, o José, eram o pronto socorro a que o Escritor frequentemente recorria, nos seus apertos financeiros ou estados psicológicos de abatimento.
Camilo integrou, depois, o prefácio de Viver para Soffrer, no volume Esboços de Apreciações Litterarias (1865: 39-49)."

(Fonte: http://vianacamilo.blogspot.pt/2014/11/016.html)
 "Estudos do Coração é o titulo opulento com que Barbosa e Silva recommendou o seu romance.
Essas palavras, que uma indiscreta precipitação poderia ter inventado, responsabilisam o author a contas rigorosas.
Estudar o coração é cortar fundo com o escalpello no proprio; é invocar remeniscencias de feridas que sangram sempre; é acordar os eccos de um gemido surdo no coração estranho; é tocar a evidencia da dôr, surprehendendo-a no sanctuario daquelles que mais a segredam: é em fim dizer: «soffremos assim, ou assim deviamos soffrer.»"
(Excerto do prefácio de Camilo)
"A Historia que vai ler-se, não é phantastica nos esboços constitutivos. Filha das monstruosidades, que a sociedade esconde no seu seio de torpesas, surge do tumulo do passado, rasga o veu de mysterios, que a cobre, mostra-se á luz do dia, e sacode sobre a lousa o seu diadema de crimes.
Não são pois phantasticos os esboços desta narrativa. Quem traçou esses segredos, com caracteres indistinctos, mal sustinha já, com as mãos d'esqueleto, a lousa do tumulo, que lhe caia sobre o peito! Não mentem as revelações insufladas pelos resquicios dessa lousa, gélida, como o peso da desgraça, sobre o coração do infeliz. [...] Felizes no mundo os que podem escutar as confissões expansivas da consciencia do moribundo!..."
(Excerto do preâmbulo)
"N'um vasto aposento do soberbo palacio de D. Heitor Fajardo de Carvalho, na margem esquerda do Lima, passeava, já alta noite, com subida anciedade e inquietação, um pobre velho, singelo, e até vulgar nos trajes, mas venerando no aspecto. Era no pino do inverno. O vento assobiava nas açotêas e ameias dentadas, que guarneciam o largo átrio do solar; a noite não se diria tempestuosa, mas humida, fria, e ameaçadora para as horas da maré-cheia, que já subia os marneis e declives pantanosos da fazenda do fidalgo. [...]
Saibamos desde já, que o mysterioso ancião, que passava e repassava sem descanço, com mostras de tanta attribulação, era Simão Rodrigues, mordomo e administrador das avultadas rendas e pensões de D. Heitor Fajardo, um dos mais ricos e philauciosos fidalgos d'entre Minho e Lima."
(Excerto do Cap. I)
Belíssima encadernação em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Raro.
A Biblioteca Nacional dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Indisponível

25 janeiro, 2018


CHAMPAGNE, E. M. - DICCIONARIO UNIVERSAL DE EDUCAÇÃO E ENSINO : util á mocidade de ambos os sexos, ás mães de familia, aos professores, aos directores e directoras de collegios, aos alumnos que se preparam para exames, contendo o mais essencial da sabedoria humana e toda a sciencia quotidianamente applicavel em assumpto. 1.º - De Educação: Conhecimento e direcção dos caracteres, faculdades, defeitos, meritos e aptidões. - Religião, moral, philosophia. - Logica, rhetorica, poetica. - Litteratura, pedagogia, civilidade, , escriptores antigos e modernos. - . - Agudezas, proverbios, , maximas, epigrammas, etc. 2.º - De Instrucção Primaria: Leitura, escripta, calculos, problemas, formulas, systema metrico, moral religiosa. - Lingua portugueza, orthographia usual e grammatical, redacção, estylo epistolar, homonymos, synonymos, raizes, etymologias. - Methodos, disciplina, meios praticos de execução. - Historia universal de cada seculo, varões insignes, , descobrimentos e factos assignalaveis. - Geographia descriptiva, cidades principaes, indole e costumes e productos de todos os paizes, monumentos celebres, panoramas, curiosidades de toda a especie. - Noticia das sciencias usuaes, artes, mesteres e profissões, etc. 3.º - Instrucção Secundaria: Linguas: portugueza, franceza, latina, hespanhola e ingleza. - Geologia, mineralogia, botanica, zoologia. - Physica, chimica, astronomia, mechanica. - Arithmetica, algebra, geometria. - Industria, hygiene, desenho, agrimensura, commercio, agricultura, etc. Segue: DICCIONARIO ETYMOLOGICO DE TODAS AS PALAVRAS TECHNICAS PROVENIENTES DAS LINGUAS GREGAS E LATINA. Tudo simplificado ao alcance de alumnos e pessoas meramente desejosas de instrucção com elucidações tão proficuas aos mestres quanto proveitosas no trato das familias. Redigido com a collaboração de escriptores peculiares. Por... director de collegio. Trasladado a portuguez por Camillo Castello Branco e ampliado pelo traductor nos artigos deficientes em assumptos relativos a Portugal. Vol. I [e II]. Porto : Braga, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Rugenio Chardron, 1873. 2 vols in-4.º (23,5cm) de 806 p. (I) e 798 p. (II) a 2 col. ; E.
1.ª edição.
Importante obra de tradução camiliana. Muito valorizada pelo excelente prefácio de Camilo.
"A voga ou o descredito de certos livros são os symptomas moraes que denunciam, até certo ponto, os sentimentos e idéas do publico. Se, com legitimo orgulho, cofessamos que nunca tantos livros se fizeram, destinados a derramar instrucção, nem tão prosperamente se aventaram meios de insinual-a nas multidões, cumpre tambem confessar que as insines e boas obras vão rareando cada vez mais, como se o publico locupletado ganhasse fastio á leitura. A litteratura, propriamente dita, poemas e até romances já não enthusiamam ninguem. [...] Pelo que, os livros em voga são as Encyclopedias. [...]
Esta obra, monumento singular em sua especialidade, prestadía como bibliotheca inteira, cujos artigos tem a variedade e agrado das publicações periodicas, resumindo com os pormenores essenciaes todas as curiosidades scientificas e litterarias, todos os pensamentos mais argutos e profundos dos espiritos insignes (com indicação de author e obra), tudo que friza á sciencia da instrucção primaria e secundaria, - facultará aos educandos de ambos os sexos progredir pressurosamente em seus estudos classicos, e predisporem-se, a sós, e com bom exito, a qualquer exame, denotando em suas praticas um certo relêvo de novidade. [...]
Foi trabalho de grande fôlego inquadrar na mais conveniente moldura um diccionario, e conciliar a fórma alphabetica mais favoravel a quem o manuseia, com o merito do encadeamento e ordem methodica, indispensaveis ao bom resultado do ensino."
(Excerto do prefácio de Camilo Castelo Branco)
Encadernação ao gosto da época em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. No vol. I falta folha em branco que precede f. anterrosto(?); no vol. II falta f. anterrosto.
Obra invulgar e muito apreciada.
50€

17 janeiro, 2018

LAMAS, Arthur - EM QUE CASA NASCEU SIMÃO BOTELHO? Pôrto, Livraria de Fernando Machado & C.ª, Ltd.ª, 1924. In-8.º (20cm) de 29, [1] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Curiosa peça camiliana. Trata-se de um ensaio sobre o local de nascimento de Simão Botelho, um dos personagens centrais do romance icónico de Camilo Castelo Branco - «Amor de Perdição».
Ilustrado com a "Vista antiga de uma parte da Freguesia da Ajuda" em duas folhas juntas separadas do texto.
"Simão Botelho, o do Amor de Perdição, nasceu no ano de 1784, em Lisboa, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda; mas em que ponto? Em que ponto nasceu êste degenerado vulgar que o génio de Camilo màgicamente transformou num desgraçado mártir do Amor cuja sorte horrível milhares de vezes tem feito confranger e arripiar os corações sentimentais dos portugueses? Nalgum casebre humilde onde, de noite, se ouvissem as risadas sinistras das corujas que esvoaçavam pelos claustros dos Jerónimos a agourarem à máe aflita, e cuidadosa, o destino cruel do pequerrucho? Nalguma casa rica que na Primavera fôsse bafejada pelo aroma forte das plantas exóticas do Jardim Botânico? Cá em baixo, na Junqueira? Para os lados do Bom-Sucesso? Nalgum ponto elevado de onde se divisassem, ao longe, os contornos das casas e dos campanários da cidade velha a destacarem-se do azul do ceu, a rendilhada Tôrre de Belem, a praia do Restelo, os montes da Outra-Banda, os campos de Monsanto, e a barra do Tejo com o seu Bugio solitário?"
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas, com pequenos rasgões (sem perda de papel).
Invulgar.
Com interesse camilano.
15€

08 janeiro, 2018

BRUNO – A QUESTÃO RELIGIOSA. Porto, Livraria Chardron, de Lello & Irmão, 1907. In-8.º (19cm) de XXXII, 449, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo de Sampaio Bruno, uma das mais apreciadas da sua bibliografia. Contém referências a numerosos escritores e filósofos do seu tempo.
Com interesse camiliano.
“Inimigos são, porém, os homens uns dos outros, hoje, pelo mesmo teor atroz. No esbulho dos direitos alheios se encarniçam e empenham, como no esbulho de nesgas da terra commum elles se trucidam e dilaceram, gentios e christãos, fraternisando tão só na barbárie civilisada. Amai-vos uns aos outros! Não! A tua palavra ainda não foi ouvida. Sel-o-há jamais, Jesus? Tua doutrina sequer entendida seria?"
(Excerto da introdução)
José Pereira de Sampaio (1857-1915). "De pseudónimo Bruno (do nome de Giordano Bruno) e Sampaio Bruno para a posteridade, foi um escritor, ensaísta e filósofo portuense, figura cimeira do pensamento português do seu tempo. O seu pensamento filosófico, de crescentes contornos místicos e esotéricos (revelados nomeadamente na obra O Encoberto, de 1904) e em afastamento progressivo do racionalismo da juventude, conservaria porém sempre os traços deístas, anticlericais e progressistas que recebeu da forte componente voltaireana na sua formação.”
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

03 janeiro, 2018

PRATT, Alfredo - MEMORIAS BIOGRAPHICAS DE CAMILLO CASTELLO BRANCO. Volume I. Edição do auctor. Coimbra, Casa Minerva, 1906. In-8.º (19,5cm) de 41, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça camiliana. Obra dedicada "à fecundidade litteraria de Camillo", conforme sub-título impresso na capa.
Com periodicidade mensal prevista, apenas o presente opúsculo - o Volume I - viria a ser publicado.
"Camillo, cujos livros desdobram diante de nós uma extensa galeria de quadros, que ora nos commovem até ás lagrimas pelo sentimento do seu preciosismo, ora nos obrigam ao riso franco, á mais fiel gargalhada, pelos sarcasmos e graça que encerram, foi de uma fecundidade e laboriosidade simplesmente phenomenaes.
E á quantidade colossal dos seus volumes publicados e reimpressos quasi todos com novos prefacios, ha a acrescentar um sem numero de artigos dispersos por differentes periodicos, os escriptos com que preambulou obras de outros auctores, as suas traducções e livros commentados, cartas, etcétera, um outro braçado de livros, em fim.
A carreira litteraria de Camillo Castello Branco começou precisamente aos seus vinte annos de idade, sendo elle estudante da Academia Polytechnica do Porto e simultaneamente da Escola Medico-Cirurgica.
Antes de isso já o escriptor, que se destinava á profissão de medicina, havia feito os seus versos de rapaz, que escrevia e guardava, e de entre os quaes se salienta uma ode que deu á estampa de ahi a trinta annos, a titulo de curiosidade."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Indisponível

01 julho, 2017

CASTELLO BRANCO, Camillo - LUIZ DE CAMÕES : notas biographicas. Prefacio da setima edição do Camões de Garrett. Porto e Braga, Livraria Internacional de Ernesto Chardron - Editor, 1880. In-8.º (19cm) de 78, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.

Obra publicada originalmente na 7.ª edição do poema Camões, de Almeida Garrett, e nesta edição em separado, associando-se desta forma, Camilo, às comemorações centenárias do grande vate português.
"O protagonista do sempre formoso poema de Almeida-Garrett é um Luiz de Camões romantico, remodelado na phantasia melancolica d'um grande poeta exilado, amoroso, nostalgico. A ideal tradição romanesca impediu, com as suas nevoas irisadas de fulgores poeticos, passante de duzentos e cincoenta annos, que o amador de Natercia, o trovador guerreiro, fosse aferido no escalão commum dos bardos que immortalisaram, a frio e com um grande socego de metrificação, o seu amor, a fatalidade do seu destino em centurias de sonetos. Garrett fez uma apotheose ao genio, e a si se ungiu ao mesmo tempo principe reinante na dynastia dos poetas portuguezes, creando aquella incomparavel maravilha litteraria. Ensinou a sua ggeração sentimental a vêr a corporatura agigantada do poeta que a critica facciosa de Verney e do padre José Agostinho apoucára a uma estatura pouco mais que regular.

Camões ressurgiu em pleno meio-dia do romantismo do seculo XIX, não porque escrevêra os Lusiadas, mas porque padecera d'uns amores funestissimos. O seculo XVIII citava-o apenas nos livros didacticos e nas academias eruditas, como exemplar classico em epithetos e figuras da mais esmerada rhetorica. Tinha cahido em mãos estirilizadoras dos grammaticos que desbotam sapientissimamente todas as flôres que tocam, apanham as borboletas, prégam-as para as classificarem mortas, e abrem lista de hyperboles e metaphoras para tudo o que transcende a legislatura codificada de Horacio e Aristoteles."
(excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos. Páginas apresentam leves manchas de oxidação.

Invulgar e muito apreciado.
35€

26 junho, 2017

PIMENTEL, Alberto - O ROMANCE DO ROMANCISTA. Vida de Camillo Castello Branco. Lisboa, Empreza Editora de F. Pastor, 1890. In-8.º (20cm) de 379, [1] p. ; mto. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia de Camilo por Alberto Pimentel, um dos seus amigos e indefectíveis, e talvez o seu mais dedicado biógrafo, - publicada poucos meses após a morte do grande escritor.
Livro muito ilustrado ao longo das páginas de texto, reproduzindo belíssimos desenhos, retratos, portadas de livros - alguns em página inteira.
"Isto que vai lêr-se é o drama se uma alma superior, em grande parte extraido dos seus proprios livros. A vida de Camillo abunda pittorescamente em lances variadissimos de boa e má fortuna. O mesmo é lêr este escriptor que coordenar mentalmente o romance da sua existencia. O que eu fiz apenas foi dar á emoção produzida pela sua obra a fixação chronologica de uma biographia. Algumas investigações, que me pertencem, deriváram naturalmente do desejo de substituir as reticencias e preencher as lacunas que os seus livros, escriptos sem a preoccupação de uma autobriographia, oppunham á justa curiosidade do leitor.
O perfil historico de Camillo avulta na grandesa romantica dos seus dias felizes e infelizes tanto quanto na culminancia da sua indiscutivel gloria litteraria. Depois das luctas da sua accidentada mocidade, veio o infortunio martyrisal-o, nivelando a prominencia do talento com a enormidade do martyrio.
Nada tem faltado a este homem eminente para o glorificar, - nem mesmo a magestade da desgraça em que o espirito luminoso triumpha das trevas da cegueira."
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada com pequenos defeitos. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
Indisponível

22 abril, 2017

RATTAZZI, Madame - L'OMBRE DE LA MORT. LE ROMAN D'ALINE. Par... Paris, Librairie des Bibliophiles, 1875. In-8.º (17,5cm) de 172, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original de um livro de poesias de Maria Rattazzi, que entre nós ficou conhecida pela obra Portugal à vol d'oiseau (Portugal de relance) - "uma curiosa perspectiva do Portugal do final do século XIX, resultado da sua permanência e viagens pelo país. Uma obra que aquando da sua publicação foi responsável por uma verdadeira tempestade, na qual se envolveram, entre outros, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Ramalho Ortigão".
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.

"Immobile et muet, sous la roche escarpé,
Un Vieillard  est assis, près du gouffre entr'ouvert.
Sa tunique de lin, sévèrement drapée,
Reflète la blancheur se son front découvert.

Ce n'est pas Caliban, dont le souffle de flame
Sur les flots soulevés promène la terreur;
Ce n'est pas Ariel, que Miranda réclame
Quand il a de Neptune apaisé la fureur.

C'est la Génie aimé de cette solitude.
Il dompte le tempête; et, sûrs du lendemain,
Les matelots, qu'il guide avec sollicitude,
A travers les écueils se tracent un chemin.

L'Océan n'a pour lui ni secret ni mystère;
Son regard pénétrant plonge dans l'orizont;
Son esprit entrevoit les destins de la terre,
Et le doute jamais n'obscurcit sa raison."

(excerto de L'Ombre de la Mort, Cap. I)

Maria Rattazzi (1831-1902), cujo nome de família era Maria Letizia Studolmire Wyse, nasceu na Irlanda e era sobrinha-neta de Napoleão. Durante algum tempo adoptou o apelido do segundo marido, Urbano Rattazzi. Publicista, romancista, poetisa, autora de textos dramáticos e tradutora. Esteve em Portugal em 1876 e em 1879, onde conviveu com figuras do meio político e cultural. Após o seu regresso a França publicou o polémico Portugal à vol d'oiseau : portugais et portugaises (1879), com tradução para português no ano seguinte, em 1880.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.

Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
45€

25 fevereiro, 2017

CASTELLO BRANCO, Camillo - QUATRO HORAS INNOCENTES. Lisboa, Livraria de Campos Junior - Editor, 1872. In-8.º (18cm) de 236, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Apreciada colecção de escritos em prosa e em verso de Camilo na sua edição original, que inclui alguns contos históricos, crónicas e reflexões; o prefácio da obra, em 8 páginas, é um magnífico exemplo da sua celebrada mordacidade e veia irónica.
"Em vista da limpidez e pureza de ares que se respiram desde que á beira de cada pantano social se levantou um pulpito, é preciso que os titulos das obras profanas não desafinem da salutar harmonia em que as almas andam retemperadas.
Se por em quanto, a meu pesar, a falta de censura previa dos livros inquieta os escrupulos de quem os compra, obrigo-me a tranquillisar a consciencia do meu presado editor e amigo, e a do leitor principalmente, asseverando-lhes a innocencia do livro logo no frontespicio. Ainda assim não inculco a ninguem que esta obra possa medir-se quanto a espiritualidade e prestimo com a «Vida, milagres e visões da Madre Leocadia da Conceição» mimo reimpresso modernamente, o qual, se me não engana a piedade, é destinado a espancar algum demonio recalcitrante aos exorcismos."
(excerto de prefácio)
Matérias:
- A flor da Maia. - O Livro de Lasaro. - A coroa de oiro. - Por causa do panno da bocca. - O Inferno. - O Santo de Midões. - Celestina. - A cruz do Corcovado [Elvas]. - Uma carta de Igancio Pizarro. - Leitura consoladora. - Em vinte annos! - Pataratas.
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação; cansado, com pequenos defeitos nas pastas e na lombada. Páginas apresentam pequenas manchas de acidez, sobretudo na primeira parte do livro.
Raro.
Indisponível

14 janeiro, 2017

COSTA, Júlio Dias da - NOVAS PALESTRAS CAMILIANAS (obra póstuma). Por... Prefácio de Jorge de Faria. Lisboa, Depositários: João d'Araújo Morais, Ld.ª : Livraria Morais, 1936. In-8.º (22,5cm) de IX, [1], 127, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"As Novas palestras que aí ficam, documento de tomo para a bibliografia camiliana, põem bem à prova de par com o escrúpulo do investigador, quento lhe era familiar a obra de Camilo, ainda nos mais ínfimos pormenores.
Esses pequenos artigos, escritos «nos vagares duma longa convalescença» são, porém, na sua expressiva sobriedade, uma lição eloqüente.
De mim confesso que muito aprendi com eles."
(excerto do prefácio)
"É sabido que Camilo pediu o título de visconde a D. António Alves Martins, bispo de Viseu, sendo êste prelado ministro do reino.
Êle o disse em carta a Tomás Ribeiro, em 16 de Dezembro de 73, acrescentando que o bispo lhe respondera que o rei o não agraciava por viver em mancebia."
(excerto de O primeiro viscondado que Camilo pediu)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas descoloridas por acção da luz.
Invulgar.
Com indubitável interesse camiliano.
10€

20 setembro, 2016

LESCŒUR - A VIDA FUTURA : conferencias. Pelo padre do oratório, o reverendo... Versão portugueza revista e prefaciada por Camillo Castello Branco. Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & Comp.ª, 1877. In-8.º (18cm) de VIII, 222, [2] p. ; E.
1.ª edição.
De acordo com Miguel Carvalho, no seu precioso catálogo bibliográfico camiiliano, trata-se da "primeira e única edição desta estimada obra, cuja tradução é devida, crê-se, a Ana Plácido."
[...] "Para avaliarmos o quilate dos homens que constituem essa renovada phalange de oratorianos, cumpre lêr a Vida Futura do padre Lescœur, este breve e substancial livrinho que a casa editora Mattos Moreira & C.ª nos encarregou de fazer traduzir e rever. Aqui se vos deparam ventiladas as questões que a velha e a novissima philosophia tem posto á volta do catholicismo com o proposito de o illaquearem. Nenhum dos velhos dogmas o habil contendor deixa no escuro quando para lá vê apontadas as flechas da incredulidade. Cita por seus nomes os adversarios de maior renome; desde Renan até Luiz Figuier, desde os historiadores criticos até aos antropologistas mais avessos á cosmogonia moyzaica, a todos contrapõe a fé alliada á sciencia, e a tradição alliada ao dogma. [...]
A sua palavra tem a uncção evangelica do propheta, e as lagrimas que deviam cahir no coração de um auditorio que appellava das iniquidades humanas para a misericordia divina."
(excerto do prefácio)
Conferências:
I - A negação contemporanea. II - A affirmação christã. III - A immortalidade da alma e a Vida Futura provada pela razão. IV - O Racionalismo e a Fé perante a Vida Futura. V - A Morte Eterna. VI - A Ressurreição. VII - O logar da immortalidade. VIII - A Vida Eterna. Notas.
Encadernação em meia de percalina com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta frontal com defeitos de relevo no revestimento lateral e nos cantos. Pelo interesse e raridade, a justificar restauro.
Raro.
25€