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26 março, 2018

OLAVO, Carlos - A VIDA TURBULENTA DO PADRE JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, [1938]. In-8.º (19cm) de 284, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia de José Agostinho de Macedo (1761-1831), padre malandro e patusco, panfletário, poeta e temível polemista, autor de algumas das mais belas peças da nossa literatura de 'escárnio e maldizer'.
"Será talvez curioso saber, para determinar a origem dêste meu trabalho, a razão porque pensei, escolhi e estudei a personalidade de José Agostinho de Macedo, velha figura literária com mais dum século de túmulo, quási esquecida, quási apagada nas sombras que a luz dos tempos vai deixando nos recantos da história.
Essa razão é simples. Um dia, há uns anos atrás, numa hora vertiginosa em que o jornalismo me tentou, tive a idéia de escrever um livro sôbre os jornalistas e panfletários portugueses... [...]
José Agostinho estava destinado a ser o primeiro da série, não só por motivos de ordem cronológica, mas ainda pela riqueza dos factores de reconstituição. E realmente, êle é uma das personagens mais interessantes da nossa história literária porque, além de polemista, foi poeta, prègador, epistológrafo, dramaturgo, crítico e dominou a sua época pela fôrça quási incrível da sua personalidade.
Acresce que é uma figura pitorescamente anedótica, envolvida de episódios, cortada de detalhes sugestivos, facetada de aventuras variadas, que se bem que pertencendo a um passado morto é susceptível de interesse e atenção dos vivos."
(excerto do preâmbulo)
Índice:
Preâmbulo. - A primeira aventura. - José Agostinho em Lisboa. - De convento em convento. - Expulso da religião. - Intermezzo. - Retrato. - Os amôres de José Agostinho. - Vida e idéias literárias. - Vida e idéias políticas. - Doença e morte de José Agostinho. - A posteridade. - Obras consultadas. 
Encadernação em skivertex com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom de conservação.
Invulgar.
15€

11 janeiro, 2018

COSTA, José Daniel Rodrigues da - A AFFLICÇÃO DOS PORTUGUEZES DESAFOGADA EM LAGRIMAS PELA SENTIDA FALTA DA SUA SOBERANA A SEMPRE MEMORAVEL SENHORA DONA MARIA PRIMEIRA, RAINHA DE PORTUGAL. Por... Lisboa. Na Impressão Regia. Anno de 1816. Com Licença. In-8.º (21,5cm) de 12 p.
1.ª edição.
Obra poética de homenagem à Rainha D. Maria I, por ocasião do seu falecimento, composta por um poema - Canto funebre - e dois sonetos.

"Oh fatal Morte! Oh Morte desabrida!
Que mais queres de nós? Dize inhumana!
Pretendes vêr extincta a Raça humana?
Não tens deitado a foice a tanta vida?

As duas inimigas dos viventes,
O terror do Universo a Fome, e a Guerra,
Avassallando tudo em mar, e terra,
A teus pés não prostrárão tantos Entes?

Não tens juncado toda a Redondeza
De montões de esqueletos victimados
Á furia, á sem-razão desses malvados,
Que até fazem horror á Natureza?

Não ouves a infeliz humanidade
Dar brados contra ti fortes, e justos?
Não vês a confusão, p'rigos, e sustos,
Que cercão a velhice, e a tenra idade?

Faltava-te na Lista, ó Deshumana,
A vida preciosa, que insultaste
Da sublime RAINHA, em que roubaste
A nossa affavel Mãi, digna Sob'rana?"

(Excerto de Canto funebre)

José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832). Foi um poeta português, natural de Leiria. Pertenceu à Arcádia Lusitana. Como poeta árcade, utilizou o pseudónimo Josino Leiriense. Teve uma vida de notoriedade social e intelectual activa, testemunhada pelas várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de opúsculos que se vendiam como "livros de cordel". Foi popular a sua rivalidade com Bocage.
Exemplar desencadernado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade antiga à cabeça, sem no entanto prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
Indisponível

05 março, 2017

SILVA, Luiz Augusto Rebello da – ARCADIA PORTUGUEZA. Volume I [e Volume II e Volume III]. Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, Sociedade editora, 1909. 3 vols in-8.º (18cm) de 158, [7] p., 128 p. e 197, [3] p. ; E. Obras Completas de Luiz Augusto Rebello da Silva, XXVIII [XIX e XXX]. Estudos Criticos - III.
1.ª edição.
Importante estudo crítico, histórico e biográfico sobre a «Arcádia Portuguesa», reputada academia literária setecentista.

Obra em 3 volumes (completa). Inclui no final do 3.º tomo "o soberbo artigo" do autor sobre Emilio de Laveleye.
"Rebello da Silva, na sua actividade febril de escriptor, encheu columnas e columnas de Revistas, e outras publicações congéneres do seu tempo, da sua scintillante e malleavel prosa, tocando todos os pontos do saber humano, mas muito especialmente os assumptos literários, que lhe mereciam muito particular predilecção.
D’entre estes destacam-se os estudos literários sobre a Arcadia, ácerca dos quaes escreveu primeiramente artigos seguidos no Panorama de 1853 a 1855, sob o titulo geral de Poetas da Arcadia, e em que tratou successivamente d'estes tres poetas: Pedro Antonio Correia Garção, Domingos dos Reis Quita e Antonio Diniz da Cruz e Silva; e mais tarde um estudo geral, a Arcadia Portugueza, nos Annaes das Sciencias e Lettras, em 1862.

São estes notáveis trabalhos, nunca publicados em volume, que nós vamos reeditar…"
(excerto da Nota dos Editores)
Belíssima encadernação inteira de carneira, com rótulos em carmim e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. anterrosto.

Muito invulgar.
Com interesse histórico e literário.
Indisponível

25 novembro, 2016

MONDEGO, Josino do - VIA JOSINAIDA: // POEMA HEROICO, // Em que se descreve a Derrota do presente Com- // boi do Rio de Janeiro até a Bahia, // Commandado // POR // FRANCISCO DE PAULA LEITE. // Composto // POR JOSINO DO MONDEGO. // Offerecido á benévola indulgencia de seus // fiéis Amigos. // [Nau gravada em madeira] // LISBOA: // NA OFFICINA NUNESIANA. // ANNO M. DCC. XCVIII. // Com licença da Meza do Desembargo do Paço. In-8.º peq. (14cm) de 40 p.
1.ª (e única) edição.
Narrativa poética dedicada pelo autor a sua amada, Francina. Descrição da tormentosa viagem marítima do Rio de Janeiro para a Baía de Todos-os-Santos numa nau portuguesa capitaneada pelo valoroso Chefe de esquadra da Real Armada, Francisco de Paula Leite de Sousa, Visconde de Veiros. Possivelmente, tal “aventura” refere-se à viagem comboiada pelo almirante português que finalizaria em Lisboa, em Setembro de 1798, e que causou brado na época.
Sobre essa viagem, empresa por si só justificativa da produção da presente obra, reproduzimos excerto da wikipédia:
[Francisco de Paula Leite] Deu segurança a vasos de comércio e comboios, constando um deles de 122 navios mercantes, além dos de guerra, que conduziu a salvamento debaixo de sua guarda dos portos da América, através de inumeráveis embarcações inimigas, que infestavam os mares, entrando no porto de Lisboa a 10 de Setembro de 1798 com esta mais importante frota, que encheu de ouro os cofres do Real Erário e a praça comercial de Lisboa.”
(wikipédia, in Resenha das famílias titulares do Reino de Portugal acompanhada das noticias biográficas de alguns indivíduos das mesmas famílias, Imprensa Nacional, [S.l.], 1838, p. pp. 287-291)
Relativamente ao autor, não foi possível apurar quaisquer dados biográficos, nem a partir do seu pseudónimo árcade. Fica, porém, a ideia que te feito parte da expedição e que possui vastos conhecimentos náuticos.

"Canta Josino proprias aventuras,
Quando da Capital Americana,
Do Téjo demandando as agoas puras,
Por escala portou praia Bahiana:
Do Boreas supportando as travessuras,
Da saudade cruel, mágoa tyranna,
A Francina descreve, e pinta a imagem
Dos males, e dos bens desta Viagem."

(Argumento)

"Soprava, quando a Frota a Deosa investe,
A branda viração do Nonorueste,
Té que Delio s'esconde ao ledo Rio,
A's faldas nos levou de Cabo-frio:
Mas da Esposa de Erébo o sopro escasso,
Nos fez retrogadar hum longo espasso,
E o fluxo de Nereo, que refervia,
A Rasa nos mostrou no outro dia,
Por mais do quinto sol nós demandámos
O novo Adamastor, que não montámos.
E não podendo ver aos ventos freio,
Demos velas ao Sul deis gráos, e meio,,
Movendo contra nós braveza agreste
A sanha do tyrannico Nordeste,
Forão tudo fataes disposições
De mais, e mais tribulações."

(excerto do poema)

Exemplar desencadernado, aparado, em bom estado geral de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
A BNP dá notícia de um exemplar pertencente à Biblioteca Central da Marinha.
Indisponível

28 agosto, 2015

SILVA, Antonio Diniz da Cruz e - O HYSSOPE, POEMA HEROI-COMICO DE... Lisboa, Na Typographia Rollandiana. 1808. Com Licença. In-8º (16cm) de 128 p. ; E.
1.ª edição publicada em Portugal (2.ª absoluta). A 1.ª edição foi impressa em Londres [aliás Paris], em 1802).
A respeito d’O Hyssope, e com a devida vénia pelo magnífico texto publicado no blog asinvasoesfrancesas.blogspot.pt , sob o título O Hissope, poema heróico-cómico publicado em Portugal durante o Governo de Junotreproduzimos as palavras dedicadas a esta obra incontornável da literatura portuguesa.
“Em 1768, o bispo de Elvas, D. Lourenço de Lencastre, e o deão do cabido, José Carlos de Lara, tiveram um arrufo que pôs fim ao costume que o último tinha em obsequiar o hissope (ou aspersório, instrumento utilizado para aspergir água benta) ao bispo, sempre que este se dirigia à sé. Ofendido, D. Lourenço de Castro conseguiu que o cabido emitisse um acórdão para obrigar o deão a continuar a executar o antigo costume. O deão protestou ao cabido, ao bispo e até ao metropolita de Évora, vendo sempre baldados os seus esforços e acabando mesmo por morrer, poucos meses depois, sem ver alterada a sentença. Sucedeu-lhe no cargo um seu sobrinho, ao qual também se exigiu o mesmo, sob pena de repreensão e multa. Sem se deixar intimidar, o novo deão apelou desta vez à Coroa. Prevendo um desfecho malogrado, o bispo e o cabido acabaram por riscar os acórdãos do respectivo livro e negar tudo o que se tinha passado. Este caso, que durou à volta de dois anos, foi acompanhado de perto pelos habitantes de Elvas, entre os quais se encontrava António Diniz da Cruz e Silva, exercendo funções de magistratura junto do exército da cidade. Tendo sido um dos fundadores da Nova Arcádia, Diniz aproveitou os seus dotes poéticos para caricaturizar esta "bagatela", compondo assim uma obra intitulada O Hissope, que começava com os seguintes versos:
Eu canto o Bispo e a espantosa guerra
Que o hissope excitou na Igreja d'Elvas.
O Hissope tem a particularidade de ter sido o primeiro poema heróico-cómico criado em Portugal, género hoje desaparecido que se caracterizava por celebrar (e de igual forma satirizar) em tom épico um acontecimento sem qualquer importância, como era o presente caso. A crítica incisiva que Diniz fazia às vaidades eclesiásticas (retratando um clero ignorante, mundano e soberbo) não agradou à censura da Intendência Geral da Polícia – note-se que a Inquisição, apesar de continuar a existir, tinha perdido muita da sua força desde o tempo do Marquês de Pombal –, que proibiu a obra de ser publicada em Portugal. Contudo, não se conseguiu impedir que proliferassem e circulassem diversas cópias manuscritas. Francisco Augusto Martins de Carvalho, na obra abaixo mencionada, catalogou 54 exemplares manuscritos, com algumas variantes entre si, que se encontravam recolhidos em bibliotecas nacionais (embora possivelmente existam ou tenham existido muitos mais). As variantes aludidas entre estes exemplares derivam provavelmente do facto de António Diniz da Cruz e Silva ter ido aumentando, corrigindo e retocando O Hissope quase até 1799, ano em que morreu. Somente três anos depois é que finalmente era publicada a primeira versão impressa. Talvez para desviar a atenção da censura da Intendência da Polícia, que controlava de forma cerrada tudo o que vinha da França desde os tempos da Revolução, esta primeira edição saiu à estampa com a menção de ter sido publicada em Londres, como se pode ver à esquerda, apesar de na verdade ter sido impressa em Paris. Contudo, de pouco serviu esta dissimulação, pois logo em 1803, o Intendente Geral da Polícia, Pina Manique, mandava afixar em edital um aviso proibindo a venda ou divulgação em Portugal de O Hissope.
Foi assim preciso esperar até ao ano de 1808 para esta obra sair da ignomínia da censura portuguesa, quando o Governo de Junot deu permissão para se publicá-la em Portugal. É possível que uma das razões para essa autorização fosse a semelhança entre esta obra e Le Lutrin de Nicolas Boileau, obra de idêntico teor que já circulava na França há mais de cem anos, e que o próprio autor português tomara confessadamente como modelo de inspiração (embora alguns autores, entre os quais Almeida Garrett, garantam que Diniz ultrapassou a obra de Boileau). Também se deve notar que a iniciativa da publicação de um livro que desmascarava o absurdo e a hipocrisia de certas convenções religiosas era conforme àquela afirmação de Junot, na sua proclamação de 1 de Fevereiro, quando dizia aos portugueses que "a religião de vossos pais [...] será protegida e socorrida [...], mas livre das superstições que a desonram". Num país onde o clero tinha um poder enorme, esta obra caía como uma bomba, e os franceses deviam ter plena consciência disso. Por outro lado, O Hissope continha passagens que se encaixavam perfeitamente naqueles tempos, como a seguinte:
Ao pé de cada esquina, hoje, sem pejo,
Se tratam de Monsieur os portugueses.
Isto, senhor, é moda, e como é moda,
A quisemos seguir; e sobretudo,
Mostrar ao mundo que francês sabemos.
Na verdade, esta segunda edição é hoje raríssima, pois logo que os franceses saíram do país (em Setembro de 1808), mandaram-se recolher os seus exemplares, e novamente foi proibida a venda e divulgação desta obra. Só depois da implantação do regime liberal é que se permitiu que O Hissope fosse novamente publicado em Portugal, embora entretanto se tivessem publicado diversas edições em Paris.
Apesar desta censura de quase meio século, O Hissope, a "verdadeira coroa poética" de António Diniz da Cruz e Silva, no entender de Almeida Garrett, não perdeu a sua força e vivacidade, pois só contando até ao ano de 1921, foi editado pelo menos vinte e quatro vezes, três das quais traduzido para o francês. Uma média invejável, tendo em conta o perfil da obra. Note-se que, ainda até aquele ano, o poema também já tinha sido alvo de outras traduções (embora parciais) em inglês e alemão. De 1921 para cá foi publicado pelo menos mais cinco vezes em Portugal, a última das quais através de uma nova edição crítica de Ana María García Martín e Pedro”.
                                ..........................................
"Jozé Carlos de Lara, Deaõ da Igreja de Elvas, querendo obsequiar o seu Bispo e Ex.mo e Rev.mo D. Lourenço de Lencastre, vinha offerecer-lhe o Hyssope á porta da Casa do Cabido, todas as vezes que este Prelado ia exercitar as suas funções na Sé. Depois, esfriando esta amizade por motivos que nos saõ occultos, mudou o dito Deaõ de systema; o que o Bispo sentio em extremo, como uma grande affronta feita á sua Ill.ma pessoa: e para o obrigar a continuar no mesmo obsequio, maquinou com alguns seus parciaes do Cabido, que este lavrasse um Accordaõ, pelo qual o Deaõ fosse obrigado, debaixo de certas multas, a naõ o esbulhar de pertendida posse, em que se achava. Deste terrivel Accordaõ appelou o Deaõ para a Metrópole, onde teve sentença contra si. Esta é a acçaõ do Poema."
(excerto do Argumento) 
António Dinis da Cruz e Cruz (1731-1799). “Escritor português, natural de Lisboa. Formou-se em Leis na Universidade de Coimbra. Terminado o curso, seguiu a magistratura, sendo nomeado juiz em Castelo de Vide (1759) e em Elvas (1764). Mais tarde, foi promovido a desembargador da Relação do Rio de Janeiro. Nessa qualidade, fez parte da comitiva enviada ao Brasil para julgar os réus da revolta que ficou conhecida por Inconfidência Mineira [1789], entre os quais se encontravam alguns poetas seus amigos [Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás António Gonzaga]. Pouco mais se sabe da sua estadia no Brasil, embora aí tenha escrito a maior parte da sua obra. Poucos meses depois do terramoto de 1755 fundou, em Lisboa, juntamente com dois outros jovens bacharéis em Direito, Esteves Negrão e Gomes de Carvalho, a Arcádia Lusitana, adoptando o pseudónimo arcádico de formação greco-latina Elpino Nonacriense. Conforme parecia ser apanágio dos poetas arcádicos, também Cruz e Silva publicou pouco em vida - apenas quatro hinos, três idílios, duas odes e um ditirambo. Muita da sua obra, bem mais vasta, só foi publicada postumamente. Pouco tempo depois de morrer foram publicadas as Odes Pindáricas (1801), o poema O Hissope (1802), e os seis volumes das Poesias (1807-1817). Mesmo assim, uma fatia considerável da sua obra permanece ainda hoje inédita. Fiel seguidor dos princípios estéticos preconizados pelo neoclassicismo, raramente intentou libertar a sua poesia dos convencionalismos arcádicos, enchendo-a de alusões mitológicas e respeitando sempre os rígidos cânones clássicos, o que lhe retirou muito do seu carácter emotivo. Mas a sua maior obra, talvez a maior de todo o período arcádico, o poema herói-cómico O Hissope, desfrutou de grande popularidade e foi traduzida para francês, inglês e alemão. Na obra, escrita no estilo épico d'Os Lusíadas, com um tom escolhido propositadamente para melhor realçar o ridículo do tema, e servindo-se do pretexto de uma intriga entre o bispo e o deão da cidade de Elvas, ridiculariza os valores feudais, a mentalidade escolástica, a poesia gongórica, o fausto da aristocracia e os abusos praticados pelas altas esferas da Igreja. Alguns autores consideram este poema a única obra dos árcades que merece, ainda hoje, ser lida."
(Transcrito com a devida vénia de: http://osgrandeselvenses.blogspot.pt/2007/03/antnio-dinis-da-cruz-e-silva.html)

Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
O nosso exemplar possui, após o final da obra, o "Catálogo de alguns livros que se achão á venda na loja de Antonio Marques da Silva, na Rua Augusta nº. 2, em Lisboa" (24 pags), impressa em 1835, na Typ. de M. J. Coelho & Comp.ª.
Raro.
Indisponível

19 agosto, 2015

ALORNA, Marquesa de - PARAPHRASE DOS PSALMOS. Em Vulgar, por ALCIPPE, ou L. C. d' O. Hoje M. d'A. Tomo I. Lisboa: 1833. Na Imprensa da Rua dos Fanqueiros N.º 129 B. Com licença da Meza do Desembargo do Paço. In-8º (21,5cm) de [2], 194, [2] p. ; B.
Raríssima edição oitocentista da Paráfrase dos Salmos, publicada ainda em vida da autora. O Tomo I foi tudo o que se publicou desta edição de 1833.
“A paráfrase dos salmos levada a cabo por D. Leonor de Almeida Portugal constitui uma das facetas menos estudadas da sua obra: não só não tem despertado o interesse daqueles que se debruçaram sobre a sua poesia, como raramente surge mencionada na escassa bibliografia relativa às adaptações e traduções do texto bíblico para a língua portuguesa. É possível que este esquecimento se deva, em parte, à complexidade do tema: pelo facto de se tratar de um dos livros mais antigos da Bíblia e sendo constituído exclusivamente por poemas destinados ao canto, o Saltério suscita questões do ponto de vista ecdótico, estilístico e exegético cuja complexidade constitui um desafio para os estudiosos.
Existem três edições conhecidas da sua paráfrase – publicadas respectivamente em 1817, em 1833 e em 1844 [Obras Completas em edição póstuma] – revela que se tratou de um projecto desenvolvido em várias fases.
Na exposição que se segue, centrar-nos-emos na relação da Marquesa de Alorna com o texto dos salmos bíblicos. As informações que pudemos reunir sobre o assunto até ao presente levam-nos a ter em conta dois aspectos fundamentais: por um lado, a documentação existente permite situar o convívio de D. Leonor de Almeida com o Livro dos Salmos, na sua juventude e, por outro, o estudo comparativo das três edições conhecidas da sua paráfrase – publicadas respectivamente em 1817, em 1833 e em 1844 – revela que se tratou de um projecto desenvolvido em várias fases, no qual a autora trabalhou ao longo de, pelo menos, duas décadas. No tratamento destes dados, procuraremos reflectir acerca do significado que poderá ter a paráfrase dos salmos levada a cabo por Alcipe no contexto da sua biografia, no conjunto da sua obra, e no âmbito mais vasto da sua estratégia de actuação enquanto mulher de letras.
A primeira publicação de poemas de Alcipe inspirados no saltério intitula-se Parafrase a vários psalmos e verá a luz em 1817, na mesma casa editora (a Impressão Régia. A obra inclui apenas 11 textos: os sete salmos ditos penitenciais (VI, XXXI, XXXVII, L, CI, CXXIX e CXLII), os salmos CXXX, LXXI e XLIV e o «Cântico de Moisés» (Cantemus Domino, gloriose enim magnificatus est.) que era considerado pelos preceptistas, como vimos, como um exemplo sublime.
Entre esta primeira abordagem do saltério feita pela Marquesa de Alorna e a Paraphrase dos Salmos que a mesma publicará em 1833, decorre um amplo lapso de tempo durante o qual se verificaram profundas mudanças na organização política e na mentalidade dominante na sociedade portuguesa. A religião constituirá, durante as décadas de 20 e de 30 um grande tema de discussão, que envolverá todas as forças políticas e se reflectirá, necessariamente, num renovado interesse pela divulgação do texto bíblico.
Em 1833, ano da vitória das forças liberais, foi dada à estampa a Paraphrase dos psalmos em vulgar por Alcippe ou L. C. d’O. hoje M. d’A. Trata-se de uma obra que inclui as paráfrases em verso de cinquenta textos do Livro dos Salmos do qual supomos ter sido impresso apenas o I volume. D. Leonor de Almeida cumpria então 83 anos… […]
Recorde-se que apesar da sua avançada idade, a Marquesa de Alorna não se encontrava ainda, na época, completamente retirada da vida social. Sabemos por testemunhos contemporâneos que Alcipe frequentou e organizou em sua casa (e em casa do Marquês da Fronteira, D. José Trazimundo de Mascarenhas, seu neto) reuniões de poetas e de intelectuais pelo menos até 1836. Sabemos, assim, que na década de 30 a Marquesa era uma figura central da sociedade lisboeta, reconhecida por várias gerações de homens e mulheres de letras de diferentes percursos ideológicos, que viam a frequência do seu círculo de relações como um sinal de prestígio e de legitimação do talento. É, pois, numa época em que goza de renome e de aceitação nos meios intelectuais, e numa situação muito diferente daquela em que dera à estampa a sua primeira abordagem poética dos salmos, que D. Leonor publica a paráfrase completa do Saltério.”
(ANASTÁCIO, Vanda, «Alcipe e os Salmos», Via Spiritus, n.º 12 (2005) 109-153)
"Longos annos ha, que os Sabios, tanto Nacionaes como Estrangeiros, anciosamente pedião a publicação das Obras d’ALCIPPE; sem que até agora podessem alcançar da sua modestia Poeticos ensejos inspirados só para mitigar as magoas, e trabalhos da sua vida. Finalmente as instancias e rogos das suas Filhas, conseguirão tão precioso Thesouro, com o qual se propõe enriquecer a Literatura Portugueza. Talvez os pouco entendidos as accusem de cegueira e parcialidade; porém a opinião bem conhecida de Filinto Elysio, de Bocage, e mil outros Literatos, assim como a do insigne Prégador Regio Frei José Leonardo da Silva, da Ordem dos Prégadores, que lendo, e relendo com satisfação a bella Paraphrase dos Psalmos, que hoje se publica, exclamou
Quae David Hebreo, Luso tu carmine cantas:
Coelum Musa David, Alcippe ipse David!
arrojão longe de nós toda a suspeita de uma tal accusação. Acceitai pois benigna, ó Patria, o dom que o filial amor vos consagra! Haver-vos servido, como nos competia, seja o nosso prémio; assim como será sempre a nossa gloria o termos nascido Portuguezas, e
Filhas d’Alcippe."
1.º de Janeiro de 1833.
(Dedicatoria á Patria)
D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, Marquesa de Alorna (1750-1839). "Nasceu em Lisboa, em 31 de Outubro de 1750 e faleceu na mesma cidade a 11 de Outubro de 1839. Era a primeira filha de D. João de Almeida Portugal, 4º Conde de Assumar e 2º Marquês de Alorna, e de D. Leonor de Lorena e Távora. Neta dos Marqueses de Távora, supliciados publicamente em 1759 por suspeitas de envolvimento no atentado ao rei D. José I ocorrido em 3 de Setembro de 1758, D. Leonor foi encerrada aos oito anos de idade, juntamente com a mãe e a irmã, D. Maria Rita, então com seis anos, no mosteiro de São Félix, em Chelas, nos arredores de Lisboa, no dia 14 do mesmo mês. Seu pai havia sido preso em 13 de Dezembro na torre de Belém tendo sido posteriormente transferido para o forte da Junqueira. A família permaneceria encerrada e separada durante dezoito anos, tendo sido libertada apenas em 1777, depois da morte de D. José I e do afastamento do Marquês de Pombal. […] A circunstância de ter crescido no convento marcou profundamente a personalidade e a obra de D. Leonor de Almeida, que viveu de forma dramática a separação do pai e do irmão, D. Pedro, colocado sob tutela directa do Marquês de Pombal, e se representará a si própria na sua obra poética, como um ser triste, marcado pelo infortúnio, vítima do despotismo e da tirania. […]
Tal como aconteceu com a grande maioria dos poetas seus contemporâneos, D. Leonor de Almeida não publicou em vida a sua poesia, que foi dada à estampa, em 6 volumes, por suas filhas Henriqueta e Frederica, em 1844, cinco anos depois da sua morte. Com o título Obras Poéticas de D. Leonor d’Almeida Portugal Lorena e Lencastre, Marqueza d’Alorna, Condessa d’Assumar e d’Oeynhausen, conhecida entre os poetas portuguezes pello nome de Alcipe, esta publicação inclui, para além das obras poéticas originais da poetisa, as suas traduções de Claudiano, Gray, Goethe, Bürger, Cronek, Metastasio, Milton, Thompson, Goldsmith, Lamartine, Klopstock, Wieland e pseudo-Ossian. A obra de Alcipe é extensa e multifacetada e constitui uma preciosa fonte de informações sobre os parâmetros estéticos que orientaram a poesia portuguesa na segunda metade do século XVIII e inícios do século XIX. Nela confluem, a nível estilístico, práticas herdadas da visão reformadora dos poetas da Arcádia Lusitana (1756), com outras opções formais mais antigas, que seriam retomadas pelos poetas da Academia de Belas Letras (1789), como a glosa, o improviso em estrofes de redondilha e as quadras de rima abcb, idênticas ás utilizadas nas modinhas e lunduns popularizados por Domingos Caldas Barbosa. Filha do Iluminismo, a Marquesa de Alorna entenderá a prática poética como uma actividade de utilidade moral e pedagógica, tal como acontecerá, aliás, com os escritores portugueses das gerações seguintes, que repetirão os mesmos pontos de vista até meados do século XIX (referimo-nos a Almeida Garrett, a Herculano e a António Feliciano de Castilho, por exemplo). É nesta linha que poderemos enquadrar as múltiplas referências aos progressos das ciências disseminadas na sua obra, as exposições em que procura demonstrar a compatibilidade entre a fé católica e as leis da Natureza (de que é exemplo cabal a Epístola a Godofredo), bem como a composição do poema Recreações Botânicas, as traduções da Arte Poética de Horácio, do Essay on Criticism de Pope, a paráfrases em verso de todo o Saltério e, até, as traduções de alcance político e teológico, como De Bonaparte e dos Bourbons de 8 Chateaubriand e o Ensaio sobre a Indiferença em Matéria de Religião de Lamenais dados à estampa em 1814 e em 1820, respectivamente. Com estes temas de reflexão convive, como aliás sucede com a generalidade dos poetas portugueses que escreveram na viragem do século XVIII para o XIX, a expressão da sensibilidade característica do século XVIII europeu, ou seja, o gosto particular pela descrição e encenação dos afectos que escapam ou resistem ao controle regulador da razão. É nesta linha de pensamento que devem ser situados, segundo cremos, os autoretratos pungentes em que o sujeito de escrita se representa como um ser perseguido pela desgraça, as descrições da natureza em termos melancólicos ou tenebrosos, o comprazimento na celebração ou encenação da morte, da noite, da doença, da dor e das lágrimas, tão frequentes na obra poética de Alcipe que lhe valeram o ser classificada como poetisa pré-romântica nos anos 60 do século XX. Contudo, uma visão global da sua produção literária que tenha em conta, simultaneamente, a prática dos poetas seus contemporâneos e daqueles que se lhe seguiram, parece indicar que tanto o gosto pelas regras, temas e motivos clássicos, como as manifestações da sensibilidade estão subordinados, nos seus textos, a uma visão do mundo orientada pelos parâmetros civilizacionais do Iluminismo, que encaram a razão e a virtude como entidades reguladoras dos afectos e a poesia como uma actividade ao serviço do ideal pedagógico de educação para a cidadania.”
(ANASTÁCIO, Vanda in www.fronteira-alorna.pt/pdf/biografia_alcipe.pdf)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa original aposta sobre a capa da protecção em brochura que reveste o livro. Mancha de humidade transversal a toda a obra (desvanecida na maior parte do miolo), com particular incidência nas primeiras e derradeiras páginas do livro.
Muito raro.
90€

27 junho, 2015

CARVALHO, Theotonio Gomes de - O MONUMENTO // IMMORTAL // DRAMA // PARA CANTAR-SE // NA SALA DO TRIBUNAL // DA JUNTA DO COMMERCIO // DESTES REINOS, E SEUS DOMINIOS // NO DIA VIII. DE JUNHO DE MDCCLXXV. // POR OCCASIÃO // DA FAUSTISSIMA INAUGURAÇÃO // DA ESTATUA EQUESTRE // DE ELREY N. S. D. JOSÉ I. // COMPOSTA // POR // THEOTONIO GOMES DE CARVALHO // Licenciado na Faculdade de Leis pela Universidade de Coimbra, // e Deputado da mesma Junta. A. L. // LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAPHICA. // MDCCLXXV. // Com Licença da Real Meza Censoria. In-8º (20cm) de 23, [1] p.
1.ª (e única) edição.
Raro opúsculo publicado por ocasião da inauguração da estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço.
Ilustrado com capitulares e bonitas vinhetas tipográficas.

"A Praça Real de JOSÉ o MAGNANIMO, na qual se vê hum grande concurso dos Habitantes de Portugal, que compõem o

CORO.

Em tão feliz Dia,
Que ardente desejo
Suspirou ha tanto:
De gosto, e alegria,
Nas margens do Téjo,
Suavissimo canto,
Se faça escutar.
As flautas, as citharas,
Os ares rasgando,
De gloria, de jubilo
Estam resoando,
Desde o mar Atlantico,
Ao Indico mar."

(excerto de O Moumento Immortal. Parte Primeira. Scena unica)

Teotónio Gomes de Carvalho (1728?-1800). Poeta árcade. Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, foi co-fundador da Arcádia Lusitana, em 1756, com Cruz e Silva e Manuel Nicolau Esteves Negrão. Utilizava o pseudónimo arcádico "Tirse Menteo". A sua produção literária impressa é escassa, de acordo com o que dele existe registado na base de dados da Biblioteca Nacional.
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Ausência da f. anterrosto. Capa apresenta manchas, que se prolongam pelas primeiras páginas do texto, junto ao festo.
Raro.
Com interesse pombalino.
Indisponível

03 dezembro, 2013

COSTA, José Daniel Rodrigues da – PEQUENA PEÇA // INTITULADA // O CAES DO SUDRÉ. // POR // JOSÉ DANIEL RODRIGUES // DA COSTA. // PESSOAS. // [personagens da peça] // [xilogravura] // LISBOA : // Na Offic. de JOSÉ DE AQUINO BULHOENS. // Anno de 1791. // Com licença da Real Mesa da Comissaõ Geral sobre o // Exame, Censura dos Livros. In-8.º (19cm) de 14 p.
1.ª edição.
Personagens:
Gerundio. Laura e Selia, Suas filhas. Estouvada, Creada. Dous Inglezes. Hum cégo, e rapaz do dito. Valerio, Peralta afrancezado. Huma Preta de mexilhoens. Hum Preto de Agoa. Dous Marujos. Hum Dentista. O Bando dos Touros, e Povo.
Raríssimo opúsculo, peça de teatro satírica em verso da autoria do incomparável José Daniel Rodrigues da Costa, autor entre outros, do Almocreve das Petas, Comboy de Mentiras, O Espreitador do Mundo Novo, Hospital do Mundo ou Barco da Carreira dos Tolos. A sua rivalidade com Bocage era conhecida, à semelhança do truculento padre José Agostinho de Macedo.
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Mancha antiga de humidade, cujos contornos são visíveis ao longo da obra; trabalho de traça de pouca monta junto ao festo.
Muito raro.
Sem indicação de registo na BNP (Biblioteca Nacional).
Indisponível

16 maio, 2013

COSTA, José Daniel Rodrigues da – BARCO DA CARREIRA DOS TOLOS : obra crítica, moral, e divertida. FOLHETO = I. JANEIRO [a FOLHETO XII. DEZEMBRO]. Nova Edição. LISBOA. Typographia de Elias José da Costa Sanches. 1850. 12 folhetos in-8º grd. (22,5cm) x 32 p.
Colecção de folhetos satíricos (completa).

Para descarregar esta Cidade
Da multidão de Tôlos, que a povôa,
Com maré, vento em popa, e brevidade
Vem este Barco ao Porto de Lisboa:
Leva Tôlos de toda a qualidade,
Mas tem sempre um lugar vago na prôa
Quem disser, ou fizer alguma asneira,
De mez, a mez, tem Barco de Carreira.

“Amaveis, e curiosos Leitores, novamente me apresento á vossa curiosidade, e continúo nas minhas pequenas, e vulgares composições, mais fiado na vossa benevolencia, que no meu merecimento. Assim o confesso, porque vive muito longe de mim o espirito da vaidade; e porque sei que os que tem este vicio, são ás vezes como a frondosa arvore no Verão, a quem o tempo em breve mudança abate as fôlhas e séca os fructos.
Agora me parece estar já ouvindo estes Senhores, que fallão com muita elevação em tudo o que ha de telhas acima, a murmurarem de como eu corto, e reprehendo o que vejo de telhas abaixo; mas então lhes respondo, que em quanto com a minha Filosofia rasteira eu vou adquirindo o producto das minhas observações para cómmodo da vida, eles com as suas erradas mathematicas não pensão de andarem sempre vendo as estrellas ao meio dia.”
[…]
Esta Obra, a que me proponho, não leva o frontispicio pomposo, nem indica, que trata de Chimica, Botanica, FysicaGeografia, Viagens… e outras matérias, com que muitas Obras se condecorão, cujas promessas mais parecem dicionários de palavras, que desempenho dos assumptos. Nada, não, Senhores; na minha Obra, pinta-se tão somente hum Barco da Carreira dos Tôlos, com o seu Arrais.
Na invenção deste Papel periódico se cortão os vícios, se exalta a virtude, e se provoca a riso naquellas matérias, que admittem  huma decente jocosidade, guardando sempre os limites da modéstia e respeito, com que se deve tratar o prudente Leitor.”
(excerto do prólogo)
José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) foi um poeta português. Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana, Rodrigues da Costa teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de folhetos que se vendiam como "livros de cordel". Foi popular a sua rivalidade com Bocage.
Exemplar por encadernar em bom estado de conservação. Últimas páginas apresentam manchas de humidade marginais, sem afectação do texto.
Muito invulgar.
Indisponível

06 abril, 2013

COSTA, José Daniel Rodrigues da – HOSPITAL DO MUNDO, Obra crítica, moral, e divertida, em que he Medico o Desengano, e Enfermeiro o Tempo. FOLHETO = I. JANEIRO [a FOLHETO XII. DEZEMBRO]. LISBOA. Na Officina de Simão Thaddeo Ferreira. Anno 1805. Com Licença da Mesa do Desembargo do Paço. 12 folhetos in-8º (21,5cm) x 32 p. ; B.
1ª edição.
Colecção de folhetos satíricos (completa).

O Desengano, e o Tempo, de mãos dadas,
He que este Mundo enfermo curar podem;
Nas molestias, que tem inveteradas,
Mal de nós, se estes dous nos não acodem!
Dão saude ás pessoas achacadas,
Com tanto que aos remedios se accommodem;
Quem dos vicios tiver a epidemia,
Venha curar-se nesta Enfermaria.

"Estimaveis Leitores, e Leitoras, (fallo com ambos os sexos, por me apartar do ranço dos Prologos, que sempre se dirigem aos homens, como se algumas Senhoras não viessem ao Mundo com formosos olhos para lerem, e com juizo para entenderem, e gostarem) se entre a tufalaria moderna houver Tafúl, ou Tafúla, que se não recêe com esta Obra, que vos apresento, onde o espirito jovial mostra a moralidade da critica, que envolve este genero de composição, tudo aquillo que, que hoje não agradar a estes meninos solteiros, (como escrevo para todos os tempos) lá virá a época, em que depois de casados lhes pareça bem quanto aqui lhes digo, que lhes servirá de lição.”
(excerto do prólogo)
José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) foi um poeta português. Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana, Rodrigues da Costa teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de folhetos que se vendiam como "livros de cordel". Foi popular a sua rivalidade com Bocage.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Conserva as guardas de brochura originais.
Raro.
Indisponível

22 julho, 2012


[BARBOSA, Domingos Caldas] - VIOLA DE LERENO : Collecção das suas cantigas, oferecidas aos seus amigos. Volume I. [e Volume II]. LISBOA: Na Officina Nunesiana. Anno 1798. Com licença da Meza do Desembargo do Passo e Na Typographia Lacerdina. 1826. Com Licença. 2 vol. in-8º (16cm) de 8 cad.x32 p. + 4 p. índ. e 8 cad.x32 p. + 6 p. índ. ; E. num único tomo.
1ª edição (os dois vols.).
“Sabe-se pouco a respeito da música produzida no Brasil entre 1500 e 1760, porque não há identificação de autores, tampouco algum registro impresso. Mesmo assim, é possível afirmar que os primeiros gêneros populares que se destacaram foram a modinha (de caráter romântico) e o lundu (tradutor do humor e da sensualidade do povo).
O personagem pioneiro da música popular brasileira é o poeta, compositor e cantor carioca Domingos Caldas Barbosa (1740-1800). Filho de um funcionário português e de uma escrava angolana alforriada, Barbosa revelou sua vocação poética e facilidade para improvisar versos quando ainda era um jovem que freqüentava escola. Com pouco mais de 20 anos, partiu para Portugal com o objetivo de estudar direito na Universidade de Coimbra, mas seus planos acabaram frustrados pela falta de dinheiro. Com a morte de seu pai, que financiava a viagem, o problema se intensificou. Para sobreviver, Domingos Caldas Barbosa passou a exibir seu talento poético-musical em festas e reuniões de nobres da capital Lisboa, atividade que lhe rendia alguns trocados. Sua situação só melhorou quando uma das famílias abastadas para as quais se apresentava começou a protegê-lo. O brasileiro pôde então transitar com mais facilidade nos salões chiques, conquistou uma vaga na Arcádia* (onde adotaria o nome de Lereno Selinuntino) e ganhou um lugar entre a nova geração de poetas, na qual se destacavam nomes como Manuel Maria du Bocage (1765-1805) e Agostinho de Macedo (1761-1831). Cantando suas modinhas e lundus para a corte, Caldas Barbosa alcançou grande sucesso e tornou-se o primeiro artista a exportar música brasileira. Nem tudo, porém, eram aplausos na vida do cantador. Sua figura – um mulato da colônia que fazia canções muito diferentes de tudo que se conhecia – causava estranheza. Tanto que ele tornou-se alvo da hostilidade de alguns membros da aristocracia e da intelectualidade lusitanas. O próprio Bocage, cuja obra não é nenhum manual de boas maneiras para moças de família, chegou a escrever um soneto chamando Caldas Barbosa de “orangotango com gestos e visagens de mandinga”. Muito desse preconceito talvez se devesse, principalmente, aos lundus entoados pelo brasileiro. Ao contrário da modinha (que possuía esse nome para se diferenciar da moda portuguesa e chegava a ser considerada uma música “branca”), o lundu era multicolorido, isto é, uma fusão de elementos de origens branca e negra. Sua fórmula, que misturava o ritmo africano com melodias e harmonias européias, já revela um dos aspectos mais fascinantes de nossa música popular. O lundu, com suas canções alegres, de versos satíricos e maliciosos, foi o primeiro gênero afro-brasileiro e, portanto, elemento fundamental no processo que resultaria na criação do samba. Na Europa, a música do mulato carioca também deixou marcas. Os versos coloquiais de suas modinhas influenciariam, mais tarde, até mesmo o poeta Fernando Pessoa. Já o lundu, seria importante para a formação do fado. Domingos Caldas Barbosa nunca mais voltaria ao Brasil, falecendo em Lisboa. Sua arte, no entanto, retornou. Transformada e misturada a outras formas musicais, a influência deixada por Caldas Barbosa veio na bagagem da Família Real portuguesa que aportou no Brasil em 1808.” ("Samba, a cara do Brasil", Pueri Domus/Escolas Associadas, 2009)
*Arcádia (Nova Arcádia). “Em 1790, Domingos Caldas Barbosa funda, com o auxílio de Belchior M. Curvo Semedo, J. S. Ferraz de Campos e Francisco J. Bingre, a Academia das Belas-artes, logo depois chamada Nova Arcádia. Ao novo grémio se associaram Bocage, José Agostinho de Macedo, Luís Correia França e Amaral, Tomás António dos Santos e Silva, e outros. Academia de oratória e poesia, em 1793 publica algumas obras poéticas de seus membros sob o título genérico de Almanaque das Musas. Entretanto, começam as divergências internas, sobretudo entre Macedo e Bocage, e em 1794 a corporação desaparece. Domingos Caldas Barbosa era brasileiro e mulato, nascido no Rio, em 1740, e falecido em Lisboa, em 1800, para onde seguira por volta de 1770. Granjeou fama nos salões aristocráticos do tempo como intérprete e compositor de modinhas e lunduns, que introduziram no rigorismo arcádico uma nota de dengue e emoliência tropical. Suas composições, reunidas sob o título de Viola de Lereno (2 vols., 1798-1826) em razão de seu pseudónimo arcádico (Lereno Selinuntino), contem um sopro de informalismo e brejeirice um tanto quanto estranho ao afectado da poesia arcádica. Apesar disso, o carácter demasiado popular de suas quadrinhas talvez explique o injusto desapreço em que o poeta é tido pela crítica erudita.” (auladeliteraturaportuguesa.blogspot.pt)
Encadernação em meia de pele com dourados sobre rótulos carmim.
Exemplar em excelente estado de conservação. Corte superior das folhas carminado.
Raríssimo, na sua edição original.
Com interesse histórico. 
Indisponível

09 novembro, 2011

BRAGA, Theophilo - FILINTO ELYSIO e os dissidentes da Arcadia : A Arcadia Brasileira : Francisco de Mello Franco, José Basilio da Gama, Frei José de Santa Rita Durão, Alvarenga Peixoto, Gonzaga : por... Porto, Livraria Chardron : Casa Editora : Sucessores de Lelo & Irmão, 1901. In-8º (18,5cm) de 735 p. ; E. Obras Completas : Historia da Litteratura Portugueza.
Com um retrato de Teófilo Braga em extratexto.
1ª edição.
"O poder de um só despota com intelligencia [Mq. Pombal] foi dividido entre imbecis e mesquinhos caracteres, como o Visconde de Villa Nova da Cerveira, o Marquez de Angeja, o Arcebispo Confessor, o Intendente Pina Manique. A soma de desconcertos da sua acção sem plano produziu em um ditado popular esta synthese espontanea de bom senso: Mal por mal, antes o Marquez de Pombal. Só se avaliam bem as obras dos poetas e escriptores pela sua vida; mas esta nunca será bem comprehendida sem o conhecimento do meio social, da epoca dentro da qual se desenvolveram, ou em que foram comprimidos. Este ultimo quartel do seculo XVIII é medonho pela inconsciencia com que Portugal chegou quasi a achar-se alheio aos interesses da civilização, podendo symbolisar-se a sua existencia n'essa deploravel e prolongada loucura da rainha. A litteratura torna-se um documento historico da epoca, e a vida dos escriptores um eloquente protesto." (do prefácio do autor)
Encadernação em meia de pele com ferros a ouro na lombada; s/ guardas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação; assinatura de posse no anterrosto.
Invulgar. 
Indisponível

16 agosto, 2011

DOMINGUES, Mário - BOCAGE : A SUA VIDA E A SUA ÉPOCA : Evocação Histórica. Lisboa, Romano Torres, 1962. In-8º (19cm) de 398, [2] p. ; B.
Capa de António Domingues.
1ª Edição.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor
Apreciada biografia de Bocage da «Série Lusíada» da Colecção "Visão dos Tempos" da autoria de Mário Domingues.
"Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage (1765-1805) foi um poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX."
Exemplar brocahdo em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

11 junho, 2011

COSTA, José Daniel Rodrigues da - ESPERANÇA REALIZADA, NA FELIZ, E DESEJADA VINDA DO SERENISSIMO SENHOR INFANTE DOM MIGUEL AO REINO DE PORTUGAL. Por... Lisboa : NA IMPRESSÃO REGIA. Anno 1828. Com Licença da Commissão de Censura. Vende-se nas Lojas do costume por 60 réis. In-8º (20cm) de 16 p. ; E.
A última página, é toda preenchida com um hino (Hymno) cujo refrão diz "Benefica Aurora, A Patria alegrou".
Com este poema, o autor pretende saudar a proclamação real de D. Miguel pelas Cortes Gerais do Reino, nesse ano de 1828.
"José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) foi um poeta português. Sob o pseudónimo de Josino Leiriense, que usava nas tertúlias da Arcádia Lusitana*, Rodrigues da Costa teve uma vida de notoriedade social e intelectual, testemunhadas em várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de folhetos que se vendiam como "livros de cordel". Foi popular a sua rivalidade com Bocage, que contra ele (o autor) escreveu vários sonetos." (tertuliabibliofila.blogspot.com)
*"A Arcádia Lusitana era o designativo da Academia de Belas-Artes criada em 1756. [...] O objetivo da criação desta Academia era, fundamentalmente, combater o "mau gosto" que imperava no século XVII relativamente à obra literária poética e implantar um novo gosto estético. Os seus impulsionadores - os Árcades - eram defensores da ideia de que a razão deveria ser colocada em primeiro plano relativamente ao sentimento. A Arcádia Lusitana [esteve na génese da Nova Arcádia (1790-1794), onde pontificavam, entre outros, Bocage e José Agostinho de Macedo] viria a extinguir-se em 1764 mas continuaria a influenciar gerações posteriores de artistas, porque foi através da acção dos Árcades que Portugal se preparou para entrar no Romantismo." (inforpedia.pt) 
Encadernação em percalina com ferros a oruro na lombada.
Excelente exemplar.
Muito raro - peça de colecção. 
Indisponível