06 abril, 2018

O MODO DE RESUSCITAR OS MORTOS. Conto persiano. Lisboa, Na Typografia Rollandiana. 1819. Com Licença da Meza do Dezembargo do Paço. Vende-se em Casa do Editor F. B. O. de M. Mechas, no Largo do Caes de Sodré, N. 3 A. In-8.º (15cm) de 24 p. ; B.
Curioso conto oriental(?) em prosa pré-romântica de autor indefinido. Elaborado sem grandes cuidados literários, ao gosto da época, é no entanto muito mais do que um "pequeno conto"; com subtileza, foi convertido num interessante ensaio filosófico sobre a felicidade.
"Feridoun, Rei da Persia, tinha visto expirar entre seus braços a bella Irandocte; e tal era o seu extremado amor, que aborrecendo a vida queria acompanhar na sepultura esta esposa terna, e virtuosa. Já eraõ passados tres dias, e tres noites; e sem comer, nem dormir, encantoado, sómente o cortejava a sua desesperaçaõ. Já a este tempo a morte se preparava para descarregar a fatal foice sobre esta nova victima; quando eis-que hum Filosofo Indiano, que o Monarcha honrava com a sua confiança, de repente entra neste retiro lugubre, e lhe diz: Rei dos Reis, dignai-vos escutar-me hum momento. Naõ venho de modo algum irritar a vossa dôr por meio de consolações frivolas: só venho annunciar-vos a tornada proxima do bem, por que suspirais. Dentro em pouco tempo, naõ duvideis do que vos digo, dentro em pouco tempo a mesma Rainha enxugará as lagrimas, que vos fez derramar. Viverá, e fará tambem a vossa felicidade, e a nossa... Vejo o espanto, em que vos põe este discurso; porém sabei, Senhor, que acabo de descobrir nos escriptos de hum antigo sábio o modo de ressuscitar a amavel Irandocte; modo sem dúvida seguro, e que parece taõ simples, como facil."
(Excerto da 1.ª parte da obra)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Por deficiente trabalho da tipografia, as páginas 21-24 estão entre a página 16 e 17.
Raro.
Indisponível

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