COSTA, Vieira da - A FAMILIA MALDONADO (pathologia social). Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º (19x13 cm) de 437, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Romance realista cuja acção decorre na zona de Lamego, porventura a obra mais importante do autor.
1.ª edição.
Romance realista cuja acção decorre na zona de Lamego, porventura a obra mais importante do autor.
"Foi na tarde de um domingo d'Agosto, em 1886, que a familia Maldonado chegou a Lamego, para ahi fixar residencia.
Era aquella a hora habitual do passeio, e a população, endomingueirada, formigava, convergindo para o Campo das Freiras a ouvir a banda do 9, ou para a Alamêda a gosar a frescura dos arvoredos e das aguas correntes. Pela rua dos Mercadores, um pouco angulosa, como pela de Almacave, accidentada e larga, e ainda pela da Olaria, estreita e ingreme, ia um fervilhar de gente. Bandos elegantes de senhoras em toilettes alvadias, de estio, criadas de servir ou operarias de folga com lenços de côres variegadas, berrantes, homens de campo e da cidade em trajos de festa, cavalheiros fumando e discutindo, conegos roliços, vermelhaços, d'uma adiposidade suina, rolando penosamente a sua rotundidade, - tudo isto pejava os passeios, invadia as ruas; os alumnos do collegio, em filas, commandados pelos padres, passavam unidos em batalhão; e os officiaes do 9, fazendo tilintar nas lajes dos passeios ou nas pedras da rua as suas espadas, punham uma nota marcial na pacatez das ruas pacificas.
Poucos em Lamego conheciam a familia Maldonado, e por isso, quando o carro que a conduzia, um pesado char-á-banks empoeirado e com o tejadilho abarrotado de malas, começou a subir penosamente a rua d'Almacave, grande foi a curiosidade que o seguiu, e os que melhor o observaram puderam vêr, atravez das cortinas entreabertas, quatro senhoras novas e bonitas, um cavalheiro idoso de bigode e pêra já brancos, e uma creada magra, esgalgada, com perturberancias osseas no rosto já rugoso, e o queixo deformado n'um prognatismo de caricatura."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas, A Irmã Celeste e A Familia Maldonado. Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Encadernação meia de percalina com pastas recobertas de fantasia emoldurada por cercadura. Lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com selo de biblioteca na lombada.
Raro.
Era aquella a hora habitual do passeio, e a população, endomingueirada, formigava, convergindo para o Campo das Freiras a ouvir a banda do 9, ou para a Alamêda a gosar a frescura dos arvoredos e das aguas correntes. Pela rua dos Mercadores, um pouco angulosa, como pela de Almacave, accidentada e larga, e ainda pela da Olaria, estreita e ingreme, ia um fervilhar de gente. Bandos elegantes de senhoras em toilettes alvadias, de estio, criadas de servir ou operarias de folga com lenços de côres variegadas, berrantes, homens de campo e da cidade em trajos de festa, cavalheiros fumando e discutindo, conegos roliços, vermelhaços, d'uma adiposidade suina, rolando penosamente a sua rotundidade, - tudo isto pejava os passeios, invadia as ruas; os alumnos do collegio, em filas, commandados pelos padres, passavam unidos em batalhão; e os officiaes do 9, fazendo tilintar nas lajes dos passeios ou nas pedras da rua as suas espadas, punham uma nota marcial na pacatez das ruas pacificas.
Poucos em Lamego conheciam a familia Maldonado, e por isso, quando o carro que a conduzia, um pesado char-á-banks empoeirado e com o tejadilho abarrotado de malas, começou a subir penosamente a rua d'Almacave, grande foi a curiosidade que o seguiu, e os que melhor o observaram puderam vêr, atravez das cortinas entreabertas, quatro senhoras novas e bonitas, um cavalheiro idoso de bigode e pêra já brancos, e uma creada magra, esgalgada, com perturberancias osseas no rosto já rugoso, e o queixo deformado n'um prognatismo de caricatura."
(Excerto do Cap. I)
José Augusto Vieira da Costa (1863-1935). "Nasceu em Salgueiral, concelho da Régua, em 14.3.1863. Aí morreu em 13.1.1935. Colaborou em vários jornais e revistas, nomeadamente na Ilustração Transmontana e em jornais do Brasil. Publicou os romances Entre Montanhas, A Irmã Celeste e A Familia Maldonado. Deixou organizado o romance O Amor, e a novela Sob a Folhagem. Já quase cego escreveu Portugal em Armas, publicado por ocasião da Grande Guerra. A cegueira deixou o na miséria pelo que a Câmara da Régua lhe estabeleceu uma pensão. O Dr. Fidelino Figueiredo publicou uma análise crítica sobre a sua obra."
(Fonte: http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=555&id=2555&action=noticia)
Encadernação meia de percalina com pastas recobertas de fantasia emoldurada por cercadura. Lombada lisa. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com selo de biblioteca na lombada.
Raro.
Indisponível


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