AMARAL, Abílio Mendes do - O PRIOR A SERRA DA ESTRELA E O CONVENTO DO RATO. Viseu, [s.n.], 1974. In-8.º (22,5x17 cm) de 28, [4] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o Padre Domingos Dias Seixas, Prior de Vinhó (Gouveia), e a sua obsessão por Ana de S. Joaquim, religiosa da Ordem da Santíssima Trindade, sobre a qual publicou uma Memória, em 1740, circunstância misteriosa que o autor procura desvendar. Trabalho publicado em separata da Revista «Beira Alta».
Ensaio curioso, com interesse para o tema da vida conventual "forçada", e o empenho de certas religiosas em cumprir com a regra monástica a despeito da ausência de vocação.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "Ao "prestigioso heraldista José de Campos e Sousa".
"Infere-se ter sido nos termos constantes dos Pareceres - com os necessários descontos - que o padre Seixas escreveu a vida da sua heroína.
Ela, Ana, de cuja formosura e juventude o nosso Prior nos dá ideia por intermédio de uma linda gravura, teria nascido a 23 de Outubro de 1709, na Rua da Confeitaria (Bacalhoeiros), junto ao arco ou nicho de Nossa Senhora da Oliveira, em Lisboa. Fora baptizada a 1 de Novembro do mesmo ano, na igreja de S. Julião, por ser a da freguesia onde viviam seus pais - António Jorge e Francisca Maria, «de boa vida e costumes limpos em geração e sangue e de mediana opulência».
Faleceu a 28 de Dezembro de 1736, tendo de idade vinte e sete anos, dois meses e cinco dias, e pouco mais de 10 anos de Religiosa.
Nove capítulos se encheram com as virtudes reveladas pela jovem, durante os 17 anos passados na casa paterna. Ao que parece, foi objecto de todos os mimos e cuidados nesse lar burguês da Lisboa do século XVIII."
(Excerto de II - Candidez e pureza)
"Falecida a mãe, houve de encarar-se o futuro da moça. O pai, atenta à religiosidade e a regra do tempo, começou as diligências para a internar num convento, vindo a optar pelo de Nossa Senhora dos Remédios, de Campolide, vulgarmente dito do Rato. Feito o ajuste, tratou da escritura. E a pequena em breve vestiria o hábito da Santíssima Trindade.
Quando ela transpôs a portaria, «um grande e fatal estrondo se fez ouvir, como sinal de que o Demónio se temia de tanta virtude». [...]
Em 20 de Agosto de 1727, no tempo da prelada e fundadora Madre Maria de S. Filipe, do Mosteiro de Santa Marinha, a menina professou, envolta nas cerimónias litúrgicas da Congregação. Naturalmente se esperava que, dali em diante, sua existência decorreria na doce beatitude e santa protecção da Virgem dos Remédios.
Porém, não tardou que uma profunda melancolia e um inexplicável alheamento a possuíssem, tornando-a indiferente à confissão e às orações. E tão grande vulto o caso assumiu que a comunidade se alarmou. Supuseram-na endemoninhada, havendo que recorrer ao auxílio de vários sacerdotes, para a curarem, mas eles iam-se sucedendo por desistência."
(Excerto de III - No rumo de maiores tribulações)
Índice:
I - O Livro e o Autor. II - Candidez e pureza. III - No rumo de maiores tribulações. IV - Relato oficioso. V - Um labirinto tentador.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

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