PIMENTEL, Alberto - VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII). Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
30€
Reservado


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