04 julho, 2017

CÔRTES-RODRIGUES, Armando - QUANDO O MAR GALGOU A TERRA : peça regional em três actos. Desenhos de Domingos Rebêlo. Toadas regionais de Licínio Costa. Ponta Delgada : Ilha de S. Miguel dos Açôres, Papelaria Ambar, 1940. In-8.º (18,5cm) de 117, [7] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor "à memória de meu bisavô morto no mar e a meu pai que nasceu no mar".
Peça provada nos Estados Unidos da América do Norte: no Auditorum da Techical Hig School da cidade de Fall River, na noite de 6 de Novembro de 1938 e no Teatro Colonial da cidade de New-Bedford, na noite de 20 de Novembro do mesmo ano, com a seguinte colaboração de cena: Aninhas - Dona Ilda Stichini; Tio João do Braz - João Perry; Miguel - João Perry.
Rara edição original. Ilustrada com um desenho em página inteira, e uma partitura (toadas regionais para os três actos).
A partir desta peça, Henrique Campos realizou um filme (1954) que é uma das raras incursões etnográficas do cinema português no povo e costumes do arquipélago dos Açores. Realizador motivado pela paisagem, Henrique Campos rodou Quando o Mar Galgou a Terra no arquipélago dos Açores, com incidência para as Furnas, em São Miguel. Em causa, a obra de Armando Cortes Rodrigues - “o drama duma rapariga na defesa da sua honra”, esmaltado pelo “amor dos pobres à terra e ao trabalho”. Assim expunha publicitariamente a produtora Filmes Albuquerque. Não ficaram de fora os testemunhos documentais, com realce para a Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Bravura, exaltação. O mar, a terra; um homem e uma mulher. Campos logra uma dimensão épica instilada no conflito regional - cujo simbolismo esbate, no entanto, quer a conflitualidade inerente à estrutura comunitária, quer a espectacular imponência configurada pela Ilha Verde. Victor Bonjour elaborou o fundo musical, com excertos - caso raro no cinema português da época - de R. Wagner e A. Tchaikovski. O Grupo Coral do Colégio de São Francisco Xavier (Ponta Delgada) entoou as melodias religiosas; com intervenção instrumental por Francisco Sabino, Bento Lima; e cantares folclóricos de Carreiro da Costa e António de Aguiar. A crítica foi condescendente para este modesto sucesso popular.
(Fontes: http://cinecartaz.publico.pt/Filme/19635_quando-o-mar-galgou-a-terra; http://cvc.instituto-camoes.pt/cinema/longas/lon024.html)
Armando César Côrtes-Rodrigues (Vila Franca do Campo, 28 de Fevereiro de 1891 - Ponta Delgada, 14 de Outubro de 1971). "Foi um escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.
Armando César Cortes-Rodrigues nasceu em Vila Franca do Campo, filho do poeta António César Rodrigues, médico e co-fundador do Instituto de Vila Franca, ficando órfão de mãe ao nascer. Frequentou o Colégio Fisher e fez os seus estudos liceais em Ponta Delgada, demonstrando já nos seus tempos de adolescência inclinação para a escrita, sendo-lhe atribuída nos tempos de liceu a escrita de uma opereta. Concluído o ensino secundário partiu para Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa (1910-1915), tendo, nessa altura, conhecido Fernando Pessoa e feito parte do grupo do Orpheu. Colaborou nos dois primeiros números da revista Orpheu com vários poemas, alguns dos quais assinados com o pseudónimo Violante de Cysneiros. Já nessa colaboração demonstra um modernismo moderado, que viria a abandonar quase completamente ao longo do seu percurso poético, cedendo à tradição de composição lírica e reflectindo na sua obra a sua açorianidade através de um classicismo poético de acentuada vertente humanista. Regressou aos Açores em 1917, dois anos após terminar o curso, ingressando na carreira docente liceal, trabalhando nos liceus de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo (nesta última cidade apenas até se efectivar em Ponta Delgada). Apesar de radicado nos Açores, continuou a corresponder-se assiduamente com Fernando Pessoa, partilhando dos ideais da nova estética sem todavia os adoptar por inteiro. Dedica-se então ao estudo da etnografia açoriana, área em que se viria a destacar, e a uma poética de pendor religioso. Os seus estudos etnográficos, para os quais efectuou importantes recolhas, centraram-se na área literatura oral e popular açoriana, das cantigas populares e dos adágios. A sua obra etnográfica está entre o que de melhor nesta área foi produzido na língua portuguesa. Colabora nos periódicos A Águia, Orpheu, Exílio e, posteriormente, em Presença, Cadernos de Poesia, Portucale e Atlântico. Escreve crónicas e teatro, tendo a sua peça Quando o Mar Galgou a Terra sido adaptada para argumento de um bem sucedido filme português. Em 1953 ganhou o Prémio Antero de Quental com o livro Horto Fechado e Outros Poemas, obra em que evoca as suas raízes. Cortes-Rodrigues foi também um importante activista cultural, participando em múltiplas iniciativas e instituições. Foi um dos sócios fundadores do Instituto Cultural de Ponta Delgada, tendo dirigido a sua publicação, a revista Insulana. Armando Côrtes-Rodrigues afirmou-se como um dos maiores intelectuais açorianos do século XX, deixando uma obra cultural marcante. É recordado na toponímia de Ponta Delgada, cidade onde também existe um espaço de memória e de criação estética, a Morada da Escrita/Casa Armando Côrtes-Rodrigues, um equipamento cultural instalado na última casa onde o escritor habitou. Armando Côrtes-Rodrigues foi pai do também poeta Luís Filipe Côrtes-Rodrigues."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedictaória (não do autor) na página de ex-libris.
Raro.
Com interesse regional e etnográfico.
25€

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