11 julho, 2017

BRANDÃO, João - O TERROR NAS BEIRAS. Apontamentos da vida de João Brandão, por êle escritos nas prisões do Limoeiro, em 1870, envolvendo a história da Beira desde 1834. Prefácio de Umberto Araújo. Coimbra, Coimbra Editora, L.da, 1924. In-8.º (19cm) de [8], 381, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias de João Brandão, conhecido bandoleiro de Midões, Tábua.
"Êste livro deve ser compreendido e sentido. Há nêle, gritos de revolta, protestos altos, amarguras fundas de águia ferida. Um bandoleiro vulgar, um ladrão covarde, um salteador sem escrúpulos, como ensinaram a vê-lo, não pode escrever isto. Desde que escutei no meu coração as suas palavras amargas e dilacerantes, tenho a impressão de que êle foi uma vítima da sua época, um aventureiro político, valente e atrevido. A sua psicologia estranha, tinha os ímpetos avassaladores das tempestades..."
(excerto do prefácio)
"Dêvo á minha consciência, á minha dignidade, aos meus amigos, á sociedade, o trabalho que vou emprehender. [...]
Arrastado pelas columnas dos jornaes, os prélos estão já cansados de reproduzir as injurias, os aleives e os doestos de que tenho sido alvo. Justo é, pois, que os prélos concedam tambem um dia á minha justificação, para que se saiba de que lado está a rasão e a justiça."
(excerto da introdução)
João Brandão (1825-1880). "Natural de Midões (Casal da Senhora), o seu nome completo era João Vítor da Silva Brandão, sendo filho de Manuel Brandão, ferreiro de profissão. O seu pai era o líder de um grupo de criminosos, quase todos eles da sua família, que faziam na época de conflito entre liberais e absolutistas uma luta de guerrilha. Assim, João viu todos os seus maus instintos incentivados pelos familiares, e aos doze anos cometeu o primeiro homicídio: com o intuito de treinar a pontaria, matou um pastor. Foi preso diversas vezes, mas sempre liberto e ilibado dos crimes que lhe imputavam, devido à proteção de altas instâncias de cariz liberal a quem um criminoso disposto a tudo era muito útil. Por esta mesma razão, a sua família ascendeu socialmente, tendo inclusivamente João pertencido à câmara de Midões entre 1849 e 1853. O estabelecimento da paz e a centralização da administração política levaram à queda de João Brandão, tendo finalmente, em 1869, sido condenado no tribunal de Tábua ao degredo em África, pelo homicídio do padre José da Anunciação Portugal. No entanto, gozou de todas as regalias, tanto em Luanda como em Mossâmedes, para onde pediu transferência e onde criou uma próspera fábrica de aguardente. Morreu em 1880 no Bié, para onde tinha fugido com receio de ser preso pelo governador de Mossâmedes."
(fonte: infopédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Discreta assinatura de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
Indisponível

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