05 janeiro, 2026

NAVARRO, Emygdio - OS FUSILAMENTOS. O Direito - A Politica - A Ordem Social. Lisboa, Typographia do Jornal - O Paiz, 1874. In-8.º (20x13 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça bibliográfica com interesse para a história da Pena de Morte em Portugal.
Trabalho publicado na sequência do assassinato do alferes Palma e Brito pelo soldado de infantaria n.º 2, António Coelho. A juventude do oficial e as circunstâncias que rodearam o acto, provocaram indignação e revolta um pouco por todo o país, com epicentro em Lisboa, onde se deu o crime. A pena a aplicar, originou uma enorme discussão pública com participação de personalidades dos mais diversos quadrantes da sociedade civil e militar.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O auctor d'este pequeno opusculo é jornalista. Por mais de uma vez tem defendido na imprensa periodica as idéas, que ora entrega á publicidade, e foi a sua penna uma das primeiras, que se cruzaram com as espadas n'esse duello, que se fere sobre a sepultura do desditoso Palma e Brito. [...]
Quando entre nós surge uma questão grave, que vem cortar a monotonia e a tranquilidade da nossa existencia, é costume começar-se por pedir á opinião e á imprensa, que não agite e discuta essa questão como questão partidaria. Erro grave, ou confissão da nossa profunda decadencia. São essas as verdadeiras, as unicas questões partidarias, porque são ellas, que estabelecem divergencias consideraveis em pontos de doutrina, demarcando arraiaes, caracterisando distinctamente os partidos, os quaes devem separar-se pelas diferenças de ideias e principios, e não pelas rivalidades dos homens e as ambições dos corrilhos. Para o auctor d'este opusculo, o fusilamento do soldado Antonio Coelho é, primeiro que tudo, uma gravissima questão politica, e notavel raia divisoria entre os campos occupados pelos partidos militantes. Assim o trata."
(excerto do preâmbulo)
A questão divide-se naturalmente em tres partes distinctas: - qual deve ser o procedimento dos tribunaes, qual o do governo, e qual o do poder moderador, no castigo do crime e na solução dos problemas gravissimos de ordem politica e social, que com elle se prendem. Nunca é inconveniente a discussão nos paizes, que se regem por instituições livres; e, n'esta conjectura, é ella tanto mais necessaria, quanto mais imperativas se mostram mal disfarçadas manifestações de militarismo. Contra a força dos sabres convem oppor a força da razão e da opinião publica. Restabelecer-se-ha d'este modo o equilibrio, para que sejam decretadas com independencia e reflexão as resoluções, que houverem de adoptar-se. Nem a paixão é bôa conselheira, nem a pressão de uma classe qualquer póde ser garantia de justiça e acerto."
(Excerto da introdução - Os fusilamentos)
Emídio Júlio Navarro (Viseu, 1844 - Luso, 1905). Jornalista, político e diplomata português. "Foi aluno do Seminário de Bragança, onde completou o 2.º ano do Curso de TeoIogia. Em Coimbra, não se sentindo com vocação para a vida eclesiástica, matriculou-se na Faculdade de Direito, tendo concluído o curso em 1869. Deputado, ministro de Estado e ministro de Portugal em França, Emídio Navarro foi sobretudo um grande jornalista. Quando estudante em Coimbra, fundou o jornal A Académica, que teve como colaboradores João de Deus, Teófilo Braga e outros. No Conimbricense também escreveu assiduamente, onde começou a revelar-se dando extraordinárias provas de polemista, de incomparável observador e comentador da vida política do seu tempo. Regressado a Bragança, abriu banca de advogado e aí publicou alguns artigos sobre a Revolução Francesa e os seus homens mais eminentes e tentou fundar um jornal político. Em Lisboa, fundou O Progesso, foi director do Correio da Noite, órgão do partido progressista, onde ingressou. Nomeado secretário do Tribunal de Contas e eleito deputado em várias legislaturas, foi mais tarde para Paris como Ministro de Portugal. Luciano de Castro nomeou-o Ministro das Obras Públicas, tendo desenvolvido notável acção. Abriu grande parte das estradas de Portugal, alargou os serviços florestais, criou, protegeu, edificou e consolidou tudo quanto podia contribuir para o desenvolvimento do património nacional. Após o regresso de Paris, abandonou por completo a actividade política e dedicou-se ao seu jornalismo. Nesta última fase salienta-se a «questão dos tabacos» que ocasionou extraordinários episódios políticos. Parecia que a sua pena ressurgia, moça, dos tempos antigos. Minado pela doença, retirou-se com sua família para o Luso, onde viria a falecer."
(Fonte: www.prof2000.pt)
Exemplar brochado, aparado, em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Sem contracapa.
Muito invulgar.
20€
Reservado

04 janeiro, 2026

CRUZ, Francisco Manso Preto - PAIVA COUCEIRO : POLÍTICO-MILITAR-COLONIAL
. Lisboa, Edição do Autor, 2.ª edição, 1944. In-4.º (24x17 cm) de 132, [12] p. ; il. ; B.
Importante subsídio biográfico em homenagem a Henrique de Paiva Couceiro, conhecido militar português, vulto da causa monárquica, publicado no ano do seu falecimento.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada no texto e em página inteira com retratos, documentos e autógrafos fac-símile.
"A biografia de Henrique Mitchell de Paiva Couceiro é um exemplo formidável de Dignidade nacional que os portugueses devem trazer sempre na alma.
O Homem, o Pai, o Marido, o Militar, o Colonial, o Católico, o Patriota e o Amigo atingiram em Paiva Couceiro a máxima perfeição.
A sua admirável Visão Política , anunciando em 1910 a decadência da Pátria e a perda das Liberdades, é hoje uma realidade impressionante...
MORREU O ÚLTIMO PORTUGUÊS FEITO NO BRONZE DO ILUSTRISSIMO AFONSO DE ALBUQUERQUE."
(Excerto da Introdução)
Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (1861-1944). "Foi um militar, administrador colonial e político português que se notabilizou nas campanhas de ocupação colonial em Angola e Moçambique e como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa em 1911, 1912, e 1919. Presidiu ao governo da chamada Monarqauia do Norte, de 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919, na qual colaboraram activamente os mais notáveis integralistas lusitanos. A sua dedicação à causa monárquica e a sua proximidade aos princípios do Integralismo Lusitano, conduziu-o por diversas vezes ao exílio, antes e depois da instituição do regime do Estado Novo em Portugal."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

03 janeiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII)
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
30€
Reservado

02 janeiro, 2026

BARROS, Sílvia Andreia Sousa -
MONOGRAFIA DE NOVELAS
. [S.l.], Junta de Freguesia de Novelas, 2005. In-fólio (29,5x21 cm) de [4], 140, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo monográfico de Novelas, localidade pertencente ao concelho de Penafiel. A Freguesia de Novelas foi extinta pela reorganização administrativa de 2012/2013, tendo o seu território sido integrado na Freguesia de Penafiel.
Obra volumosa, por certo com tiragem reduzida, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com inúmeras fotografias a p.b. distribuídas pelo texto e em página inteira.
"A Monografia de Novelas é um projecto do actual executivo da Junta de Freguesia de Novelas onde o principal objectivo consistiu em reunir toda a informação credível encontrada sobre a freguesia, as datas, os factos, as personagens mais relevantes de Novelas ficaram compilados e ordenados por capítulos. [...] As dificuldades que todos aqueles que executam este tipo de trabalhos encontram são comuns; falta de Bibliografia, poucos documentos em bom estado e que permitam o seu manuseamento, mas principalmente a ausência de textos que corroborem a informação oral e em alguns casos escrita e que muitas vezes por si só não chega como elemento para a elaboração de um texto. [...]
Por outro lado pareceu-me importante sob o ponto de vista documental, contextualizar a História da Freguesia na História de Portugal remontando à época da formação da Nacionalidade, uma vez que tivemos personagens da nossa região com uma grande preponderância nesta altura."
(Excerto de Nota Introdutória)
Índice:
Nota de Apresentação | Prefácio | História da Freguesia de Novelas | Os Sousões | Caminhos-de-ferro em Novelas: Linha do Douro; Penafiel à Lixa | Cultura e Desporto | As Associações Culturais da Freguesia: Associação dos Amigos do Rio Sousa; Associação para o Desenvolvimento de Novelas; Associação Recreativa Novelense - Principais títulos do ténis de mesa; Grupo Coral "Os Rabanadas" | A Campeã Fernanda Ribeiro | A Junta de Freguesia de Novelas: Brasão | A Paróquia e Igreja de Novelas | O ensino público em Novelas: Escola da Ponte n.º 1; Escola da Ponte n.º 2 | O Património Edificado: As Alminhas; O moinho d'água; Túmulo de granito. | As Capelas: Capela da Quinta da Tulha; Capela da Quinta da Folha.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€
Reservado

01 janeiro, 2026

CHAVES, Luís -
O AMOR PORTUGUÊS. O namoro - o casamento - a familia.
(Estudo ethnographico). Lisboa, Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira, 1922. In-8.º (19x12,5 cm) de 166, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo etnográfico sobre o amor e a vida familiar entre nós.
"Falla-se de amores, evoca-se o nacionalismo e com elle a familia.
A familia é a forma vincular da adaptação do homem ao tempo e ao espaço. Onde quer que o homem viva e aonde chegue, elle procura por tendencia natural constituir familia, e só a má fortuna, ou o mau conselho, que tudo espedaça e perverte, a pode afastar do seu ambiente e fundamento basilar, desmanchando-a na essencia instintiva e logica.
A grandêsa superior da familia está na estabilidade moral da sua instituição. Tanto maior será o seu valor moral, quanto melhor fôr a natureza intima do espirito orientador e da formula realizadora. O culto da familia é o culto da solidariedade no espirito e no sangue de todos os componentes della.
De todo o tempo, o homem procurou na mulher não só a companheira de alma e corpo, mas sobre tudo a agente do lar, na intimidade domestica da familia. O sentimento do sexo é idealizado na poesia, com que o homem cobre de imaginação o decorrer da vida. A dedicação espiritualiza e o instinto embelleza-se nella. [...]
O instinto da familia assentou no culto da mulher. É por ella que o homem soffre o imperio das paixões, e sente essa lucta secreta, que o humilha nos seus intentos ou o encanta na aspiração do espirito. Quantas vezes por elle se obceca e vae para o crime loucamente!"
(Excerto do Preâmbulo)
Indice:
1.ª Parte - O Namoro: I - O "Derrêtte». II - Os Santos Casamenteiros. II - Symbolismo Amoroso.
2.ª Parte - O Casamento: I - Preliminares. II - A noiva. III - A Casar. IV - Depois.
3.ª Parte - O Lar da Familia: I - A Casa. II - Em Familia. III - Os Filhos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

31 dezembro, 2025

NEVES, Alexandre Antonio das -
COMPILAÇÃO // DE // REFLEXÕES // DE SANCHES, PRINGLE, MONRO, // VAN-SWIETEN, E OUTROS // ÁCERCA DAS // CAUSAS, PREVENÇÕES, // E REMEDIOS // DAS DOENÇAS DOS EXERCITOS // DEDICADA // AO // PRINCIPE DO BRAZIL // NOSSO SENHOR, // POR // ... //
E publicada de Ordem // da Academia Real das Sciencias // para distribuir-se ao Exercito Portuguez // LISBOA: 1797. // NA TYPOGRAFIA DA ACADEMIA. // Com licença de S. MAGESTADE. In-8.º (14x8,5 cm) de 82, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante tratado médico, para uso do Exército, baseado nos escritos de alguns dos mais conceituados médicos da época.
Raro e muito curioso.
"He cousa tão perigosa, como ordinaria particularmente entre pessoas robustas, o não pôrem nenhumas cautelas, para não adoecerem: e se lhes são ordenadas, achão muitos modos de illudir essas ordens, porque se persuadem que nascem de extravagancia, ou de cobardia; como se tivessem huma particular natureza, ou não houvessem de morrer.
E nas doenças; bem se sabe, que huma grande difficuldade em curálas he o não se cumprirem exactamente as ordens, que dá o Medico; pois tudo alterão o enfermo appetitoso, e o Enfermeiro indulgente; torna o Medico, e dão-se-lhe partes falsas; expôe-se-lhe, por exemplo, ter havido aquelles symptomas, que a faltarem, elle disse seria preciso hum remedio mais violento; ou haver-se tomado todo o remedio, que ás vezes nem se chegou a ir buscar; ou deo-se comida differente da determinada, ou em maior quantidade. E fazendo isto de necessidade que vá a peior o doente, eis o Medico entendendo ser o doença mui grave, ou differente, e talvez que já o esteja. Não he preciso reflectir mais, para entender quantos danos daqui vem; e o peior he que estes desarranjos não se fazem só nas casas particulares, mas ainda nos mesmo Hospitaes; pois ahi, por exemplo, os conhecidos dos enfermos, a quem se precreveo dieta rigorosa, ouvindo-os lamentar de que lhes dão mui pouco de comer, e do que elles accusão a economia do Hospital, ou a malicia do Enfermeiro, esses conhecidos, digo, credulos a taes queixumes, levão ás escondidas de comer, de ordinario indigesto, aos seus doentes; e póde succeder que até lhes provênha dahi a morte.
Taes forão os motivos, que me resolvêrão a fazer esta Compilação das Obras de tão Célebres Medicos (na qual eu procurei conservar, quanto convinha, as proprias palavras de Sanches), mais das Reflexões de outros; a que somente fiz alguns pequenos accrescentamentos; e isto com o fim de que haja de servir aos Soldados  (e para o que tambem se reduzio a volume bem portatil), para elles conhecerem no estado de saude a utilidade das ordens, que se lhes prescrevem a beneficio della, quando se lhes determinem cousas semelhantes ás que vão indicadas nesta Obra."
(Excerto de Advertencia)
Encadernação em brochura da época, aparado à cabeça, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
30€
Reservado

30 dezembro, 2025

COUCEIRO, Henrique de Paiva - O SOLDADO PRÁTICO
. Lisboa, [Edição do Autor], 1936. In-4.º (23,5×14,5 cm) de 434, [2] p. ; B.

1.ª edição.
Obra polémica de Paiva CouceiroTrata-se de um ensaio de doutrina político-social com forte pendor nacionalista. O autor invoca os valores tradicionais fundados na gloriosa história pátria, preconizando para o país uma Idade Média renovada, "que guarde do modelo original o muito que êle tinha de bom, conservando ao mesmo tempo da Idade-Moderna os progressos da condição humana, que nela se incluem", não se coibindo de criticar o Estado Novo, embora reconheça méritos ao regime, como, entre outros, a "dispensa" dos partidos políticos.
Índice:
Parte I - Os Antecedentes: I. Raça e racismo. II. A Raça dos portugueses. III. O factor moral.
Parte II - O Presente e o Futuro: I. Aspirações. II. Situação Actual. III. Rumos Gerais. IV. Objectivos de hoje. V. A Reconstrução Nacional.
Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro (1861-1944). “Assentou praça como militar no Regimento de Cavalaria Lanceiros do Rei a 14 de Janeiro de 1879.
Teve sucesso na sua acção em Humpata, Angola (1889), na campanha militar de Angola (1889-1891), na campanha de Melilla, no Marrocos espanhol (1893) e nos combates de Marracuene e Magul, Moçambique (1895), tendo a sua coragem sido enaltecida.
Foi formado com o Curso de Artilharia da Escola do Exército (1881-1884); alferes (1881); foi promovido a segundo-tenente de Artilharia a 9 de Janeiro de 1884 e colocado no regimento de Artilharia n.º 1 em Campolide; serviu também nos regimentos de Artilharia n.º 3 em Santarém e nas Baterias a Cavalo de Queluz; passou a primeiro-tenente em 1889; comandante de Cavalaria da Humpata, Angola (1889-1891); cavaleiro da Ordem de Torre e Espada (1890); oficial da Ordem de Torre e Espada (1891); Medalha de Prata para distinção ao mérito, filantropia e generosidade (1892); condecorado com a Cruz de 1.ª Classe do Mérito Militar de Espanha (1893); ajudante do comando do Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo (1894); ajudante-de-campo do conselheiro António Eanes, Comissário Régio de Moçambique (1894-1895); foi promovido a capitão de Artilharia e tornado cavaleiro da Ordem Militar de São Bento de Avis em 1895. Em Magul foi infante Santo de Valverde. Distinguiu-se como cavaleiro e como artilheiro.
Foi ajudante-de-campo honorário do Rei Dom Carlos (1895); proclamado «benemérito da Pátria» (1896); comendador da Ordem de Torre e Espada (1896); conselheiro do Conselho de Sua Majestade; condecorado com a Medalha Militar de Ouro do Valor Militar (1896); condecorado com a Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar; condecorado com a Medalha de Prata da Rainha Dona Amélia (1896); deputado da Nação (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar do Ultramar (1906); vogal da Comissão Parlamentar de Administração Pública (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar da Guerra (1906-1907); Governador-Geral de Angola entre 1907 e 1909 (indicado pelo rei Dom Carlos I; demitido do Exército (1911); comandante das Incursões Monárquicas de 1911 e 1912; Presidente da Junta Governativa do Reino, na Monarquia do Norte (1919); foi escritor.
Esteve exilado em Espanha algumas vezes, a maioria do tempo na Galiza. Os exílios primeiro estiveram relacionados com a defesa da restauração do regime monárquico, e após o falecimento de D. Manuel II (1932), com a sua opinião quanto aos assuntos relacionados com as colónias portuguesas.”
(Fonte: http://digitarq.arquivos.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeno vinco no canto superior direito. Lombada "partida".
Invulgar.
20€

29 dezembro, 2025

CHAVES, Luís -
BIBLIOGRAFIA ARTÍSTICA DE D. ISABEL DE PORTUGAL A RAINHA SANTA : subsídios. Por...
Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.º (25x16,5 cm) de 22, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Subsídio histórico para a bibliografia da Rainha Santa Isabel. Interessante estudo, anteriormente publicado no «Boletim Bibliográfico da Academia das Sciências de Lisboa», 1.ª série, vol. II, fascículo I.
Ilustrado em separado com duas estampas: Painel do Infante (Trípticos de S. Vicente), de Nuno Gonçalves; A Rainha Santa Isabel, de Teixeira Lopes.
Tiragem limitada a 102 exemplares.
"Da meia duzia de personagens reaes da história portuguêsa, que o povo fixou na sua essencial tradição longínqua, e as crianças na escola depressa fixam também, sobreleva a esposa de D. Denis - o lavrador. É a Rainha Santa, a Rainha Isabel da lenda perfumada e caritativa das rosas esmoleres, dos passarinhos que lhe levavam, no Paço Real de Extremoz, o fuso santo, que os seus dedos patrícios deixavam cair de alto balcão, virado ao Noroeste sobre a campina imensa."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
10€

28 dezembro, 2025

M
ONIZ, Dr. Egas - A NEUROLOGIA NA GUERRA. Pelo... Professor de Neurologia na Faculdade de Medicina de Lisboa. Ilustrada com 91 gravuras no texto. Lisboa, Livraria Ferreira, 1917. In-4.º (23,5x15,5cm) de 334, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro sobre o «stress pós-traumático» - sintomatologia presente em parte importante dos soldados que lutaram na Grande Guerra, o primeiro que sobre este assunto se publicou entre nós
, nunca reeditado.
Ilustrado no texto com inúmeras figuras.
"Quis a Faculdade de Medicina de Lisboa nomear-me seu delegado, a fim de estudar em França os últimos progressos da Neurologia a que a guerra veio trazer tão numerosos subsídios. Dessa missão me desempenhei o melhor que pude, e como me impus a obrigação de apresentar um relatório do que vi e estudei, resolvo fazê-lo um pouco mais extenso e documentado, dar-lhe mesmo uma forma didática e entregá-lo à publicidade, convencido de que com êle algum serviço posso prestar, pois contém doutrina que a todos os médicos portugueses interessa conhecer neste momento, atentas as nossas condições especiais perante o conflito europeu.
As novas aquisições da Neurologia não foram muito numerosas. Muitos dos assuntos se conheciam já, mas uns incompletamente, outros com deficientes aplicações clínicas e quási todos estavam mais ou menos esquecidos na prática corrente, por carência de material. Veio a guerra e êste aumentou tão prodigiosamente, que as séries intermináveis de perturbações, não examinadas normalmente, fez concentrar a atenção dos neurologistas sôbre assuntos que até aí lhes tinham sido quási indiferentes. E assim, se de facto as descobertas neurológicas - e algumas tem havido -  não têm sido extraordinárias, as aquisições que a clínica neurológica acaba de fazer são verdadeiramente notáveis.
Não só novas entidades nosológicas começam a definir-se, mas completam-se capítulos ainda não concluídos e confirmam-se factos sôbre que experiências numerosas e concludentes não tinham ainda pronunciado o último veredicto. O grande conflito fez avançar de muito anos a Neurologia e sobretudo demonstrou que esta especialidade é de tal forma indispensável na guerra que a França não julga ainda suficientes os seus 27 centros neurológicos, sendo 7 da frente e 20 da retaguarda. [...]
O livro que hoje publicamos representa um trabalho de momento que, em alguns casos, não pôde sequer socorrer-se de tudo o que acontece em França, pois há estatísticas que, por motivos militares, não foram ainda publicadas. Só terminada a guerra e conhecidos dos dois lados dos combatentes e em todas as frentes a estatística mórbida e os trabalhos realizados, se poderá fazer obra de conjunto bem documentada e de que as conclusões podem ser definitivas. O nosso propósito é muito modesto: levar aos médicos portugueses o conhecimento do que até hoje nos ensinou a guerra no campo neurológico e aconselhar a prática que reputamos mais vantajosa.
Nos dois últimos capítulos tratamos dos simuladores e dos direitos dos feridos de guerra. Êste último assunto apaixonou a França e, nomeadamente, os médicos e juristas, a propósito dum tratamento executado em Tours pelo neurologista Clovis Vincent e a que os soldados deram o nome de torpedeamento. A questão depois generalizou-se. Pretendeu-se saber se um ferido de guerra tinha ou não o direito de recusar não só os tratamentos eléctricos dolorosos, mas também os tratamentos cirúrgicos, fôsse qual fôsse a sua gravidade. Examiná-la hemos sob estes dois curiosos aspectos."
(Excerto do Prólogo)
"Dois assumtos importantes prendem neste momento a atenção dos neurologistas. Um, é a neurologia de guerra própriamente dita, visto a neurologia, e subsidiáriamente a psiquiatria, terem tomado no grande conflito um lugar importantíssimo entre as demais especialidades médico-cirúrgicas. Outro, ainda mais importante do que o primeiro, é a nova patologia neurológica nascida do exame de milhares de casos de perturbações e feridas nervosas que em tempo normal só raras vezes se observavam e algumas mesmo nunca se viam. E quantas correntes e orientações diversas surgiram após o estudo dêsse grande, dêsse imenso material clínico! E quantas decisões, scientificamente comprovadas, há ainda a tomar!"
(Excerto do Preâmbulo)
Indice:
- Lesões do crânio e cérebro. - Lesões do ráquis e da medula. - Lesões dos nervos periféricos. - Lesões dos nervos do membro superior. - Lesões dos nervos do membro inferior. - Os comocionados. - As perturbações chamadas de ordem reflexa. - Simuladores e exageradores. - Os direitos dos feridos de guerra. - Conclusão.
António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (1874-1955). “Nasceu em Avanca, concelho de Estarreja, em 29 de Novembro de 1874. Formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1899, e defendeu a tese de licenciatura em 1900. Em 1901 prestou provas de doutoramento e em 1902 entrou para o quadro docente como professor substituto. Inicialmente trabalhou nas disciplinas de Anatomia, Histologia e, mais tarde, de Patologia Geral. Em 1910 tornou-se professor catedrático. Em 1911 transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde ficou responsável pela cadeira de Clínica Neurológica. Abriu consultório em Lisboa e começou a fazer deslocações regulares a outros países, principalmente a França. Desde os seus tempos de estudante que tinha uma actividade política intensa. Era defensor activo da liberdade de expressão e pensamento e em 1908 foi preso por estar envolvido na tentativa de golpe de estado de 28 de Janeiro contra a ditadura de João Franco (1855-1929). Foi deputado em várias legislaturas, de 1903 a 1917. Em 1910 fez a sua iniciação na maçonaria, na Loja Simpatia e União, de Lisboa. Em 1917 fundou o Partido Centrista, que pretendia unir antigos monárquicos de corrente progressista e republicanos que se afastavam do Partido Evolucionista. Defendia uma aliança entre o capital e o trabalho e preconizava a aplicação de medidas de protecção das classes trabalhadoras. Defensor das liberdades públicas e dos direitos individuais, liderou a corrente parlamentarista do Partido Nacional Republicano resultante da aliança entre os Partido Centrista e os sidonistas, apoiantes do golpe que instaurou em 1917 a ditadura de Sidónio Pais (1872-1918). Em 1917 foi nomeado Ministro de Portugal em Madrid e em 1918 foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Sidónio Pais. No desempenho deste último cargo presidiu a delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes em 1918. Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais, foi substituído neste cargo por Afonso Costa (1871-1937) e decidiu abandonar a política activa. Passou então a dedicar-se à sua carreira científica, após ter publicado a obra Um Ano de Política, onde expõe os seus sentimentos e opiniões sobre o seu percurso político. Foi nomeado director do Hospital Escolar de Lisboa em 1922 e tornou-se sócio efectivo da Academias das Ciências de Lisboa em 1923, instituição de que veio a ser presidente pela primeira vez em 1928, vindo a ocupar posteriormente esse cargo por diversas vezes. Foi director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 1929 e 1931. Em 1939, quando tinha 65 anos, sofreu um atentado no seu consultório, por parte de um seu doente, que o alvejou com oito tiros, dos quais cinco o atingiram. Sobreviveu e jubilou-se em 1944. Em 1945 foi-lhe entregue o prémio de Oslo e em 1949 foi-lhe atribuído o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia. Faleceu em Lisboa em 13 de Dezembro de 1955."
(Fonte: cvc.instituto-camoes.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas com defeitos e falhas de papel. Lombada "partida". Interior correcto.
Raro.
45€

27 dezembro, 2025

AYRES, Christovam -
LONGINQUAS.
(Phantasias Orientaes). Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1891. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 167, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de contos de sabor oriental, bem redigidos, alguns históricos, mas todos relacionados com a Índia Portuguesa, de onde o autor era natural.
"Na base de um outeiro, vestido com a opulenta vegetação dos tropicos, escondia-se entre a verduras uma casita. As olas dos coqueiros, entretecidas, abrigavam-na lateralmente, formando grandes alpendres, e cobrindo-a de alto a baixo em camadas sobrepostas, protecção necessaria contra as fortes chuvas que costumam desabar do céu em catadupas. [...]
A espaços fuzilavam os relampagos, alumiando a vastidão dos campos, das verzeas e dos céus carregados de nuvens.
Estava iminente a tempestade.
A casita permanecia silenciosa e queda, como gazella timida que se tivesse agachado, com receio de ser presentida, e pedisse ao toldo das arvores e ás trevas da noite abrigo contra as iras do céu.
Quando o vento abrandou, sentiu-se no palmar um sussurro, similhante ao rastejar da bôa sobre folhas, e no silvo agudo como o silvo da capêllo.
Uma janella da casita se abriu para o lado do palmar, e uma cabeça de mulher espreitou, recolhendo espavorida.
Um grupo de homens que, cosidos com os troncos das arvores, e com a respiração tomada, como os pescadores de coral no fundo das aguas, deslizavam na sombra.
Nas trevas luziam-lhes sinistramen te os olhos, e uns punhaes curvos como crescentes.
- Segui-me! murmurou uma voz."
(Excerto de Os Salteadores)
Indice:
A Rainha | A Borboleta Azul | As Torres do Silencio | O Corvo | A Flôr Morta | Soror Maria | Os Salteadores.
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (Goa, 1853 - Lisboa, 1930). "Coronel de Cavalaria no Exército Português, deputado na Assembleia Portuguesa, Governador Civil de Bragança e de Coimbra e Membro da Academia das Ciências de Lisboa, percurso profissional que revela claras afiliações a uma identidade portuguesa. Em termos de percurso intelectual, Cristóvão Aires ficaria conhecido como historiador, prosador amador (Lentejoulas.Contos. (1890) Lisboa: Imprensa Nacional; Longínquas. Fantasias Orientais. (1891) Lisboa: Imprensa Nacional), e autor de várias antologias poéticas (Indianas e Portuguesas: 1870-1875 (1879, segunda edição 1881); Novos Horizontes: 1875-1881 (1882), Íntimas (1884, segunda edição 1889); Anoitecer. Versos. (1912) e Cinzas ao Vento (1921))."
(Fonte: https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/ea938b47-d143-493c-9245-a1c36530bfef/content)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar por aparar em bom estado de conservação.
Raro.
50€

26 dezembro, 2025

SILVA, Germesindo -
OS GRANDOLENSES PERANTE A PESTE GRANDE DE 1569
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1989. In-8.º (19,5x13 cm) de 893, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho histórico com interesse regional.
Ilustrado com duas plantas no texto, e em página inteira, com a reprodução da 1.ª edição da obra Recopilacam das Covsas Que Conuem guardar Se no Modo de PreSeruar a cidade de Lixboa [...].
"Constata-se, com base nos documentos que chegaram até nós, que as primeiras notícias sobre a peste teriam chegado à vila de Grândola alguns meses antes da eclosão da Grande Peste em Lisboa. Teriam origem em informação resultante de foco esporádico aparecido em território nacional? Não parece, poi de acordo com Pedro Roiz Soares, cronista dessa época, «[...] avia 39 annos que a Portugal não viera este mal [...]», afirmação esta que é corroborada por Barbosa Machado quando nos diz que «[...] PaSSava de quarenta annos, que a Metropole deSte Reyno gozava de huma continuada corrente de tempos benignos, e Salutíferos [...]». O mais provável é que estas notícias fossem um eco distante de uma peste que grassou por esse tempo na Andaluzia e, designadamente, na cidade de Sevilha. Fosse como fosse, a verdade é que em 12 de Junho de 1568 «[...] Pella muyta nesesidade que esta villa [Grândola] tinha de se guardar das pessoas suspeitozas que podiam vir de de teRas Impididas de ares maos [...]», foi decidido em reunião efectuada nos paços do concelho:
- Colocar bandeiras brancas nas três principais entradas da vila;
- Nomear para guarda da saúde o sapateiro António Gonçalves para que, pelo pagamento de 20 reais diários a custear pelo concelho, verificasse se os caminheiros que desejavam entrar na vila estavam devidamente documentados sobre as terras de onde vinham;
- Facultar ou recusar a entrada aos caminheiros em função das terras de onde viessem (em caso de recusa de entrada na vila apenas lhes concederiam mantimentos)."
(Excerto de O Primeiro Rebate (1568))
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

25 dezembro, 2025

SIMÕES, Coronel Alves - MANUAL DO ENFERMEIRO HÍPICO. Coordenado pelo... Inspector Geral do Serviço Veterinário, Membro correspondente da Société de Pathologie Comparée de Paris, Cavaleiro da Legião de Honra, etc. Ministério da Guerra. Lisboa, Imprensa Nacional, 1924 [na capa, 1925]. In-8.º (21x15 cm) de 234, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada ao longo do livro com fotogravuras e desenhos exemplificativos.
"Denomina-se enfermagem a assistência aos doentes.
Enfermeiro é o indivíduo que se dedica à prática da enfermagem. Quando esta visa o tratamento dos animais, o profissional toma o nome de enfermeiro pecuário. Se a assistência se restringe aos solípedes, cabe-lhe a denominação de enfermeiro hípico. [...]
A profissão de enfermeiro obriga a fadigas, vigílias e trabalhos violentos, e requere, portanto, que o indivíduo seja novo, sàdio e robusto para suportar semelhante lida.
O asseio pessoal é uma qualidade que deve caracterizar o enfermeiro, em alto grau, tanto mais que pode, pelo fato, pelas mãos, calçado, etc., ser o transmissor de muitas doenças. O que não tiver amor à limpeza própria pouco se lhe dará do asseio dos doentes e da enfermaria, notando-se que a falta de limpeza é um obstáculo sério a vencer, no tratamento das doenças, mormente nas dos animais.
A outros requisitos, não menos importantes, deve satisfazer o enfermeiro, para merecer êste nome.
Precisa de possuir uma certa instrução a fim de compreender as prescrições do clínico, sagacidade para as executar, e memória para reter o que observar no doente e mais tarde o referir ao clínico.
A sinceridade e consciência são predicados que o bom enfermeiro possuirá, narrando ao clínico todos os factos ocorridos na sua ausência e de que tiver conhecimento, sem os alterar, embora daí lhe advenha qualquer compromisso.
Será um executor fiel das prescrições do clínico a quem deve a mais estrita obediência, confessando-lhe qualquer esquecimento ou engano.
A prática adquirida torná-lo há previdente, habituando-o a preparar tudo quanto o clínico necessita, para o exame dos doentes, para operar, etc., sem que o médico tenha necessidade de lhe fazer contínuas indicações.
O enfermeiro hípico, tendo de lidar incessantemente com irracionais, necessita de prudência, sem deixar de ser resoluto em caso de perigo.
Deve mostrar-se calmo no tratamento dos animais, revelando boa índole, não exercendo sôbre êles a menor violência nem agravando-lhes os sofrimentos; muito pelo contrário mostrar-se há caridoso e paciente e dará uma prova de abnegação servindo semelhante mester."
(Excerto de Preliminares)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas à cabeça.
Muito invulgar.
35€

24 dezembro, 2025

RIBEIRO, Julieta Adelina Menezes Rodrigues - CULINÁRIA VEGETARIANA, VEGETALINA E MENÚS FRUGÍVEROS. 
Livro dedicado às mulheres luso-brasileiras por... Quarta edição emendada e revista pela autora. Porto, Machado & Ribeiro, Lda, 1923. In-8.º (22x14 cm) de 359, [1] p. ; il. ; B.
Importante publicação sobre cozinha naturista, verdadeira "bíblia" da bibliografia vegetariana, contém 1264 receitas, as mais variadas. Apesar de se terem publicado quatro edições entre 1916 e 1923, sendo a presente a última e mais completa, trata-se de uma obra invulgar e muito procurada.
Livro ilustrado no texto com tabelas e cerca de oito dezenas de desenhos e fotogravuras.
"Ao esgotar-se a terceira edição dêste volume, escrito em momentos fugazes, roubados  às canceiras do lar, aos cuidados maternais e filiais que se impõem ao coração feminino, devotado ao culto da tradição que se esvai e ao amôr do porvir que renasce, seja-me lícito afirmar que a quarta edição, lançada ao público, representa apenas um atestado de glória para a doutrina que exemplifica e põe em prática. Só a verdade consegue vencer e perdurar. O que se baseia na fantasia e no devaneio estiola, cança e em  breve esquece.
As três edições esgotadas, em poucos anos desapareceram do mercado, o que prova que o livro correspondeu a uma necessidade do público estudioso.
Cada edição que reaparece limada, aperfeiçoada e corrigida, acompanha a evolução do pensamento em matéria naturista, actualisando-se, segue a esteira do ideal; a perfectibilidade ambicionada. [...]
São, pois, justificados os motivos do aparecimento da 4.ª edição da «Culinária Vegetariana», prevendo que os adeptos e mesmo os extranhos ao Naturismo se congratulem com o reaparecimento dêste livro necessário em todos os lares, indispensável a todas as managëres, ciosas de  espelharem a felicidade como anjos da família que devem ser."
A autora,
Julieta A. M. R. Ribeiro.
Quinta de Vil'Alva - Vila Real - Janeiro 1923
(Excerto do Prólogo da 4.ª edição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com pequenas falhas de papel. Sem contracapa. Interior correcto.
Raro.
35€

23 dezembro, 2025

SOUZA, Pereira de -
NO JULGAMENTO DE COUCEIRO.
Discurso de defeza proferido no Tribunal do 2.º Districto Criminal d'esta cidade em 17 de Junho de 1912. Porto, Edição do Auctor : Typ. da Emprêsa Litteraria e Typographica, [1912]. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 62, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Defesa proferida pelo advogado oficioso de Paiva Couceiro - Pereira de Sousa - no julgamento que teve lugar no Tribunal do 2.º Distrito Criminal do Porto sem a presença de Couceiro, africanista e governador colonial, monárquico convicto, chefe das "incursões  monárquicas" no norte do país a partir da Galiza, movimento revoltoso que conheceria o seu epílogo após os combates de Chaves.
"No meio da derrocada monárquica no 5 de Outubro de 1910, um homem, mais do que qualquer outro, sentiu o amargo paladar da derrota. Henrique de Paiva Couceiro, herói militar dos últimos anos da monarquia, foi um dos poucos oficiais militares que se bateu até ao fim, defendendo o trono, combatendo a inexorável chegada da República.
A sua imagem de guerreiro corajoso, estratega respeitado e político feroz foi tal que, quando chegou o dia 6 de Outubro, o Governo Provisório que planeava a transição de regime foi ter com ele, queria saber como se sentia em relação a tudo aquilo. Couceiro foi diplomático: reconheceria o que o povo reconhecesse em eleição. Não queria divisões, e caso houvesse uma invasão estrangeira para um retorno à monarquia, assim sendo estaria na defesa de Portugal. Mas exigia um plebiscito à República. A população devia mostrar, em votos, que queria a mudança.
O regime republicano não lhe fez a vontade. Houve eleições em 1911, mas para constituir o primeiro parlamento, consumando o facto de que a República chegara para ficar. Couceiro não reconheceu estes resultados. Demitiu-se do seu cargo de oficial, em ruptura com as chefias militares e fiel ao escudo de armas que defendera durante quase toda a carreira, e entregou a espada de comando.
Porém, naquele Junho de 1911, alertou: saía do país e iria conspirar contra a República. Que o prendessem, se quisessem. Ninguém lhe ligou. Subiu então para a Galiza, e quatro meses depois cumpriu a sua promessa: entrou pelo distrito de Bragança à frente de uma coluna militar e tomou Chaves. Simbolicamente, hasteou a bandeira azul e branca da Monarquia na varanda da câmara municipal. Três dias depois, chegaram as forças republicanas e expulsaram novamente Paiva Couceiro para a Galiza. Uma vitória, mas com um aviso: a monarquia ainda mexia.
Couceiro não desarmou e continuou durante os anos seguintes aquilo que designou por “incursões monárquicas”. Em 1912, tentou outra, rumo a Chaves, mas desta vez foi derrotado de imediato. Nesse ano, é julgado à revelia pela participação no primeiro golpe e condenado."
(Fonte: https://www.nationalgeographic.pt/historia/monarquia-norte-1919-republica_4292)
"Isto de conspiração monarchica tem-me feito lembrar d'um ovo. Os ovos só depois de partidos é que se conhece se são frescos ou chocos. Só depois que aos tribunaes vieram os processos contra ella levantados é que se poude conhecer como a conspiração monarchica era uma coisa armada no ar, sem tom nem som, sem fundamento serio nem base solida! E se o centro do ovo é a gemma e se da conspiração monarchica é centro Paiva Couceiro, Paiva Couceiro não é monarchico, é apenas homo nobilis, é apenas uma figura que se destaca pela sua bravura de soldado, pela sua firmeza e lizura de caracter. E, sendo assim - o ovo nem gemma tem! Vamos partil-o, Senhores Jurados, vamos á ligeira analysar o processo e vereis como eu vi com assombro que este processo, se é historico pelas figuras que n'elle intreveem, é tambem historico pelo magno e tremendo disparate que representa.
E, tão disparatado elle é, que eu nem sei, Senhores Jurados, como houve homens, que alardeam de sensatos, que o fizessem nascer e chegar até aqui!
Produz, porventura, alguns resultados proveitosos para a Republica?
Consolida, por acaso, as instituições que a Revolução de 5 d'outubro implantou em Portugal?
Terá por qualquer circumstancia exequibilidade a sentença de condemnar estes Reus?
Não! Senhores Jurados! Não!
Porventura, por este processo, deixou de haver para a Republica o contínuo sobresalto de uma nova incursão armada?
Porventura com uma condemnação fica mais enraizada no sólo da Patria e Ideia que as novas instituições representam?
Porventura, com este processo, Paiva Couceiro e os seus serão lançados para a frialdade humida, ou atirados para as areas esbrazeadas dos sertões d'Africa?
Estas perguntas formulo-as á vossa consciencia e ao vosso apurado criterio! Se houvesse extradicção para os crimes politicos, vá! Mas assim, de que vale e de que serve tudo isto? Porventura Paiva Couceiro e os seus, embora absolvidos, voltam a Portugal? Porventura, uma vez condemnados, podem as auctoridades havel-os á mão? Que me responda a vossa consciencia!
Apezar da larga sementeira de injurias e de ultrages que se tem feito em redor do nome de Paiva Couceiro, elle é o homem nobilis, o homem de bem e de dignidade, o homem cuja espada valia tanto e era tão valorosa, que por elle se trocavam todos os adhesivos, no dizer de individuos que não podem ser suspeitos de thalassismo."
(Excerto da Defeza)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€
Reservado

22 dezembro, 2025

A CEIA DOS CARDEAIS - Acto único
. [S.l.], [s.n.], [19--]. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 15 f. ; B.
1.ª edição.
Paródia "erótica" à Ceia dos Cardeais de Júlio Dantas. O diálogo dos religiosos e as descrições dos "feitos" carnais, inclui linguagem licenciosa. Trata-se do exemplar original desta peça, batido à máquina a duas cores. Na capa está desenhado o título com traços ondulados por baixo. Desconhece-se o autor e data (primeira metade do século XX?), e se foi reproduzido em livro ou de outra forma.

"A acção passa-se em Roma

Personagens:

Cardeal Pipia......... Sugeito com voz de mulher
Cardeal Rufo..........Tipo com fumaças de valente
Cardeal Vigni......... Sugeito com modos aristocráticos

A cena representa uma sala bem mobilada com estilo e elegância. A um canto, uma estante de música e instrumentos. Ao abrir o pano, os Cardeais sentados à mesa, ceiam. Os fâmulos servem-nos de joelhos.

Rufo

Vem amanhã o embaixador francês?!...
É preciso acabar com isto de uma vez.
(Outro tom). A França é um país que em tudo se intromete.
E um sujeito qualquer lá da terra do [...],
Vem abusar de nós com lérias e com tretas.
Ora que se deixe disso e vá fazer [...]!

Vigni

E Roma o que é então?... É uma santa gente,
E onde uns figurões se [...] mùtuamente!
Têm os vícios fatais de Sadoma e Gamorra
E quer dar leis ao mundo! Olha que porra! 
Sabe dos Cardeais que postos em fileira,
Gosavam todos três levando na [...]?
Oh!... Houve um escândalo tal no Vaticano
Que ao ouvido chegou, do Papa soberano!
E o Papa respondeu: Êle é de censurar.
Mas o que está no meio... Ai!... Muito há-de gosar!
(Outro tom). Veja lá se em França existe êste deboche?
(Orgulhoso). A França é grande em tudo!...

Rufo - (Atalhando)

Até em fazer [...].

Pipia - (Conciliando)

Não se zanguem, Iminências, então?! A zanga tem os seus perigos
E eu não quero ver ralhos entre amigos.

Vigni - (A um fâmulo)

Porto Velho

Rufo

Madeira.
Em tudo a primeira.

Vigni

É Roma. Não negue a própria luz do dia.

Rufo

É filho de francês, por isso se agonia.

Pipia (Intervindo conciliador)

Então, deixem-se disso e vamos cear.
Não viemos aqui para para estarmos a altercar.
Na pândega, passar alegre, a vida tôda,
É a nossa divisa. O mundo que se [...]."

(Excerto da Peça)

Exemplar em brochura, preso por atilho, em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, apresentam pequenos cortes marginais.
Raro.
Peça de colecção.
100€
Reservado

21 dezembro, 2025

PIMENTA, Belisário -
MEMÓRIAS DUM APRENDIZ DE GRAVADOR.
Notas para a História da Gravura em Madeira em Portugal (Edição do Autor). Coimbra, Edição do autor, 1961. In-8.º (21,5x15 cm) de 26, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante contributo, autobiográfico, para a história da xilogravura nacional.
Tiragem limitada a 250 exemplares fora do mercado, rubricados pelo autor [chancela].
Livro ilustrado no texto com bonitos desenhos de capitulares e vinhetas tipográficas e, em separado, reproduzindo em duas folhas, respectivamente, a "Casa da Praça do Comércio, n.º 11" e o retrato de "Albino Caetano da Silva", tio do autor (c. 1880).
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Belisário Pimenta a José Maria da Silva Raposo.
"Andava eu pelos onze anos e meio quando meu tio materno Albino Caetano da Silva, sempre atento ao meu desenvolvimento, me prepôs ensinar a gravar em madeira, dada a minha aplicação a certos trabalhos que ele fazia ainda uma vez por outra. Aceitei com vontade e comecei.
Era no vão da porta da varanda do 1.º andar, do lado norte, no prédio da Praça do Comércio, n.º 11 (ver grav. junta), onde nasci e onde então ainda vivia, que meu tio tinha uma mesa em que estava o estojo de buris e a almofada de camurça já bastante usada. Foi ali que eu comecei a fazer os primeiros traços sobre uma chapa de buxo coberta de alvaiade e que eu comecei a sentir as picadas dos buris nos dedos da mão esquerda quando, por inexperiência, me fugiam do seu destino. E assim por algumas lições."
(Excerto das Memórias)
Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (Coimbra, 1879 - Lisboa, 1969). "Nasceu em Coimbra em 1879. Frequentou o colégio externato do Padre Simões dos Reis e depois transitou para o Liceu. Aos 14 anos começou a formar a sua biblioteca pessoal, que no final da sua vida ultrapassava mais de oito mil obras. Seguiu a carreira militar ingressando como cadete na escola Prática de Infantaria de Mafra. Em 1903 foi promovido a alferes e em 1910 passou a ser Comissário da Polícia em Coimbra. A sua vida militar decorreu ainda por Valença, Portalegre, Castelo Branco, Lagos, Porto, Penafiel, Abrantes e Leiria. Em 1913 publica o seu primeiro trabalho sobre Miranda do Corvo, tema que foi uma das suas predileções e cultivou até ao final da sua vida. Os seus escritos sobre o concelho encontram-se dispersos por jornais (Alma Nova, Diário de Coimbra) e monografias, podendo ser considerado como o autor que mais se debruçou sobre o concelho. Privou com figuras ilustres da cultura como sejam Eugénio de Castro, António Nobre, António José de Almeida, Vitorino Nemésio, António Nogueira Gonçalves ou Álvaro Viana de Lemos, entre muitos outros."
(Fonte: https://cm-mirandadocorvo.pt/pt/menu/347/belisario-pimenta.aspx)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada.
Muito invulgar.
Indisponível