AZEVEDO, P. Candido Mendes de - O COLLEGIO DE S. FIEL. Resposta ao Relatorio do advogado Sr. José Ramos Preto. Pelo... da Companhia de Jesus, professor, ultimo ministro e prefeito dos estudos no collegio. Com um prologo do R. P. Antonio Cordeiro, penultimo director do mesmo collegio. Madrid, Imprenta de Gabriel López del Horno, 1911. In-8.º (22 cm) de XXIV, 86, [2] p. ; B. 1.ª edição.
Contestação do Padre Mendes de Azevedo, reitor do Colégio de S. Fiel, Louriçal do Campo (Castelo Branco), ao relatório de Ramos Preto, advogado encarregado por Afonso Costa, na época Ministro da Justiça, de "desancar" a Companhia de Jesus e o ensino jesuíta, e S. Fiel em particular. Livro importante, publicado em Madrid, com indubitável valia histórica, política e religiosa dado o contexto tumultuoso que se vivia em Portugal, cerce de liberdades e garantias, onde o último reitor do Colégio rebate as acusações imputadas aos religiosos jesuítas ponto por ponto.
Obra com interesse para a história da Companhia e da sua expulsão do país pelos vencedores da Revolução de 5 de Outubro.
"O Colégio de São Fiel (1863-1910) foi um estabelecimento de ensino básico e secundário, a cargo da Companhia de Jesus, situado na freguesia de Louriçal do Campo, nas faldas da Serra da Gardunha. O Colégio de São Fiel foi uma das mais prestigiosas instituições de ensino portuguesa nas últimas décadas do século XIX, tendo sido extinto em 1910 em resultado da confiscação dos bens da Igreja Católica após a implantação da República."
(Fonte: Wikipédia)
"Como os leitores talvez não desconheçam, vai para 3 meses, que o Sr. Dr. José Ramos Preto publicou por ordem, ou a convite do Sr. Ministro da Justiça da Republica Portuguesa, Affonso Costa, um Relatorio, que desde a primeira á ultima folha não é mais que um libello accusatorio contra a Companhia de Jesus, em geral, e contra o Collegio de S. Fiel mais directa e particularmente.
A leitores superficiaes e que de animo leve tenham passado os olhos pelas paginas do dicto Relatorio; ou ainda áquelles que, por desconhecerem os factos, que ahi se narram, tenham tomado a vulto as affirmações do Dr. Dr., sem as examinarem miuda e imparcialmente, poderá parecer, que taes affirmações, não tendo sido até hoje contestadas pelos accusados, devem passar em julgado, e que o illustre causidico se saiu airosamente do encargo, que de sua competencia profissional confiou o sobredicto Ministro da Justiça.
É principalmente para leitores d'estes e em geral para aquelles, que de boa fé podem ter sido illudidos pela leitura do citado Relatorio. [...]
Notemos antes de mais nada, que muito infelizmente andou o Sr. Affonso Costa em confiar a composição de referido Relatorio ao Sr. Dr. Ramos Preto, e mais ainda este em lh'a acceitar.
Em trabalhos d'esta natureza pede a boa razão e justiça, que seja d'elles encarregada pessoa imparcial, em quem não possa caber suspeição, e muito menos a quasi certeza de odio ou affeição apaixonada para com o suspeito reu, que tôlham a lucidez, sangue frio, inteireza e hombridade necessarias para apreciar devida e desapaixonadamente pessoas e factos incriminados, jámais se tanto umas, como os outros respeitam uma Corporação tão contradictoriamente julgada, como o é e foi sempre a Companhia de Jesus."
(Excerto do Prologo)
Cândido de Azevedo Mendes, S.J. (Torres Novas, 1874 - Ceará, Brasil, 1943). "Ingressou na Companhia de Jesus no dia 17 de setembro de 1888. Estudou Humanidades no Noviciado do Barro em Torres Vedras e no Colégio de São Francisco em Setúbal (1890-1893) e Filosofia e Ciências Naturais no Colégio de São Fiel em Louriçal do Campo (1893–1896). Entre 1896 e 1902, foi professor de Matemática, Física, Química e Ciências Naturais em São Fiel, onde fundou em 1902, com Joaquim da Silva Tavares, S.J. (1866-1931) e Carlos Zimmermann S. J. (1871-1950), a revista científica Brotéria: Sciencias Naturaes. Entre 1902 e 1906, estudou Teologia na Universidade Gregoriana em Roma, tendo sido ordenado sacerdote no ano de 1905. Em 1906, regressou a Portugal para terminar a sua formação na Companhia de Jesus. Esteve um ano no Noviciado do Barro e depois regressou a São Fiel como professor de Matemática, Física, Química e Ciências Naturais.
Azevedo Mendes foi um dos autores mais profícuos da Brotéria, tendo publicado ao longo da sua carreira 48 artigos. A maioria dos seus trabalhos incidiu sobre a identificação e classificação de novas espécies de lepidópteros em Portugal, Espanha, Moçambique, Angola e Roma. Entre 1902 e 1913, o jesuíta publicou na Brotéria os seus primeiros trabalhos de classificação sobre os lepidópteros da região de São Fiel. [...]
Após a expulsão dos jesuítas em 1910, as suas coleções de lepidópteros
foram confiscadas pelo Governo Provisório da República Portuguesa e
enviadas para a Universidade de Coimbra. Exilado em Salamanca, Azevedo
Mendes ainda se empenhou em recuperá-las, mas não teve sucesso. Entre
1911 e 1913, publicou dois importantes opúsculos: A Brotéria no exílio e O Collegio de São Fiel: Resposta ao Relatório do Sr. Advogado José Ramos Preto.
Centrados na expulsão republicana, estes textos pretendiam rebater as
principais acusações sobre o ensino dos jesuítas em Portugal e ilustrar a
indignação da comunidade científica nacional e internacional em relação
ao destino das coleções científicas dos jesuítas portugueses."
(Fonte: https://dicionario.ciuhct.org/mendes-candido-de-azevedo/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa ligeiramente oxidada com rasgão (sem perda de suporte). Contracapa e duas últimas folhas apresentam falha de papel no canto inferior esquerdo, atingindo apenas, na penúltima folha, a parte do índice correspondente à numeração, e mesmo assim estarão em causa apenas duas linhas.
Raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado