08 janeiro, 2017

FREIRIA, Fernando – OS PORTUGUESES NA FLANDRES. [Por]... Tenente-coronel do Corpo do Estado Maior. Lisboa, Tipografia da Cooperativa Militar, 1918. In-4.º (23cm) de 303, [1], IV p. ; [1] mapa desdob. ; mto il. ; B.
1.ª edição. 
Trabalho exaustíssimo sobre a Guerra de Trincheira dado à estampa pouco tempo após o fatídico 9 de Abril. Trata-se de um curioso e completo "manual" sobre o conflito bélico em curso, seguramente, das obras publicadas sobre a Grande Guerra que justamente mais interesse suscitaram.
Muito ilustrado ao longo do texto com fotogravuras, tabelas, croquis e desenhos esquemáticos.
Contém ainda um mapa desdobrável: "C. E. P. França – O Sector Português em Fevereiro de 1918". Escala aproximada 1/50.000.
“Instado por alguns dos meus camaradas a dar á publicidade á série de conferências que, por honrosa proposta de S. Ex.ª o Comandante da Escola de Guerra, General Theophilo José da Trindade, naquela Escola realizei, sob a Guerra de Trincheira, resolvi-me a fazer imprimir êste pequeno volume, resumo do que mais interessante, sob o ponto de vista técnico, poude observar durante os 14 meses da minha permanencia no Corpo Expedicionario Português que, ao lado dos aliados, honrosamente se está batendo na Frente Ocidental do Grande Teátro da actual Guerra.
Visaram essas despretenciosas palestras a preparar, dentro do possível, o espirito daqueles que, pela 1.ª vez, tivessem de ir prestar serviço nas fileiras do C. E. P. no cumprimento dum alto dever... […]
Se, pois, as contingências da Guerra nos levarem a tomar parte no Campo Aberto, técnicamente, nada de novo aqui encontrareis: se, porém, tivermos de proseguir na Guerra de Trincheira, a natureza especial desta modalidade da Guerra e as circunstancias em que nós, portugueses, a temos de realisar, alguma coisa de interessante me permitirão oferecer-vos.
Para os meus camaradas do C. E. P., a quem, circunstâncias fortuitas e independentes da minha vontade, me impediram de acompanhar no maior embate que, com o inimigo, até hoje, tivemos de suportar; para o glorioso trôço de soldados portugueses que, ao serviço da Pátria, tão honrosamente veem de regar com o seu sangue o pantanoso solo da Flandres e do Artois: para esse punhado de bravos que, apesar de quasi esgotados pelo extenuante serviço de trincheira durante largos meses, ainda, no seu natural ardor, encontraram a energia necessária para, em luta desigual de um contra quatro, retardarem o avanço das aguerridas vagas inimigas, disputando-lhes o terreno palmo a palmo e conseguindo que, na Frente atacada, não fossem nem os primeiros a retirar nem os que mais cederam: para todos esses, enfim, que bem mereceram da Pátria, de envolta com as minhas homenagens e saudações, os veementes desejos de uma proxima e feliz Desforra.
Lisbôa - Maio de 1918”
(excerto da introdução)
Indice:
I - A Guerra de Trincheira. II - Ideia sumária da organização do C. E. P. em França. III - Ideia Geral da Frente Britânica no Teatro Ocidental da Guerra Europêa, em Fevereiro de 1918. IV - O Sector Português. V - Sistema Geral de Defesa. VI - Serviço de Observação e Informações. VII - Gazes e Liquidos inflamados. VIII - Varios Serviços. IX - Alterações Introduzidas nos Meios e Processos de Combate. X - A Infantaria na Guerra de Trincheira: os seus Meios de acção. XI - A Infantaria no Combate. As Especialidades. XII - Metralhadoras Pesadas. XIII - Morteiros de Trincheira. XIV - Artilharia. XV - Engenharia. XVI - Serviços Administrativos. XVII - Serviço de Saude. XVIII - Serviço de Artilharia. XIX - Serviço de Trincheira. XX - Raids. XXI - Quadro de Honra.
Fernando Augusto Freiria (1877-1955). “Oficial do exército. Ministro da guerra no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro da guerra no governo de António Maria da Silva, de 7 de Dezembro de 1922 a 21 de Julho de 1923. Destaca-se como chefe do Estado Maior de Gomes da Costa, no Corpo Expedicionário Português e, depois como diretor-geral dos transportes. Opondo-se ao movimento do 28 de Maio, aparece, logo em 1927, como comandante operacional da revolta do Porto de 1927 e na revolta da Madeira, de 1931. É deportado para Cabo Verde entre 1931 e 1936. Autor de Os Portugueses na Flandres, 1918.”
(fonte: politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos; contracapa apresenta pequena falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro e muito procurado.
40

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