01 novembro, 2016

MALHEIRO-DIAS, Carlos - FILHO DAS HERVAS : romance. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1900. In-8.º (18,5cm) de 430, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das obras mais apreciadas do autor, cujo tema é o drama da ilegitimidade filial. A densidade do romance e a sua matriz profundamente realista, valeu a Malheiro Dias o epíteto de digno sucessor de Eça de Queiroz, falecido entretanto.
Trata-se do seu 2.º romance e o 1.º publicado entre nós. Para trás ficara A Mulata, controversa novela de costumes sobre a sociedade carioca, publicada no Rio de Janeiro em 1896, e cuja polémica resultaria no "exílio" do autor em Portugal.
Sobre esta obra, com a devida vénia à DGLB, transcrevemos uma notícia do seu sítio: "Filho das Ervas, publicado em 1900, é ainda fortemente influenciado pela corrente naturalista. Tratando de gente comum, a obra apresenta um enredo simples, onde as personagens se movimentam no âmbito de uma certa previsibilidade. Incapazes de se libertarem do meio onde nasceram e foram educadas, elas vivem num círculo fechado, círculo que é ainda reforçado pelo peso da hereditariedade de que não podem fugir. Moralista, como era próprio da estética naturalista, Malheiro Dias deixa entrever nas conclusões do romance um futuro mais airoso para o protagonista, que decide assumir as suas responsabilidades. Sem dúvida alguma datado (no sentido mais limitador da palavra), este é ainda um romance de juventude, mas onde se podem já vislumbrar os traços que transformarão o seu autor no criador maduro, e por vezes genial, de Os Teles de Albergaria e Paixão de Maria do Céu.
Carlos Malheiro Dias [1875-1941] nasceu no Porto em 1875 e, filho de mãe brasileira, viveu largos períodos no Brasil, antes e depois da proclamação da República, de que foi esclarecido adversário. Em Lisboa, onde morreria em 1941, frequentou o curso de Direito e concluiu o Curso Superior de Letras. Romancista, dramaturgo, memorialista, ensaísta e jornalista, é um dos mais importantes prosadores do século XX." (fonte: http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/livro/coleccaoObrasClassicas/Paginas/FilhodasErvas053.aspx)
"Estava uma noite fria de inverno; e sob o ceu toldado de nuvens, sem estrellas, Coimbra cintillava no escuro, coroada de luzes. D'entre a espessura vinha o rumôr monotono do rio. Rente a uma das portas havua um vulto de mulher e um vulto de homem, á espera.
Comprado o bilhete para Lisboa e despachada a bagagem, Manoel veio ter com o amigo á porta da estação.
- Está tudo prompto?
- Tudo. Falta um quarto de hora. Podemos conversar ainda um instante.
O amigo puxou a gola de pelle de lontra do capote e tirou uma fumaça do cigarro, calado. A brasa illuminou por momentos, indecisamente, a cara da mulher: uma tricana morena, de olhos pretos, embrulhada n'um chale; e a do rapaz: um homenzarrão chamuscado pelo sol, com um bigode preto de mosqueteiro."
(excerto do Cap. I)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
25€

Sem comentários:

Enviar um comentário