25 julho, 2014

AMORIM, Francisco Gomes de - GARRETT : memorias biographicas. Por... Conservador da Bibliotheca e Museu de Antiguidades Navaes, Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia Hespanhola de Historia, etc., etc. Tomo I [e Tomo II e Tomo III]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1881-1884. 3 vols in-4º (22,5cm) de [4], 398, [2] p. ; [1] f. il., XXXII, 723, [5] p. e VIII, 717, [3] p. ; [5] f. fac-sim. E.
1.ª (e única) edição das memórias biográficas de Almeida Garrett. Obra de referência e de singular merecimento, talvez a mais importante publicada sobre o poeta português.
Ilustrada com um retrato de Almeida Garret no início do 1.º volume, e com 5 fac-símiles, 3 das quais em folhas desdobráveis, respectivamente, do Plano da biografia de Garrett, como ele queria que a fizesse o autor das Memórias; a última carta que dirigiu a Gomes de Amorim; as primeiras quatro estrofes de O Anjo Caído; a última página literária que escreveu - da primeira cena da comédia O Conde de Novion, no final do 3.º volume.
"É como a luz do sol o genio dos grandes poetas. O seu clarão brilhante, espalhando-se na terra, aquece e alumia as almas de todos os que encontra. Manifestando-se no livro, astro da intelligencia, afugenta as trevas dos cerebros mais obscuros; esclarece e persuade, até os proprios que não querem convencer-se nem illustrar-se. Na poesia, enternece os insensiveis, arranca lagrimas dos corações mais seccos, risos dos labios mais cerrados, gritos da admiração dos peitos mais frios e indifferentes. É uma força invencivel, que transforma os individuos, subjugando a vontade dos mais rebeldes e o espirito dos mais pertinazes. Denuncia, enfim, a centelha divina, que o Creador poz na mente do homem.
Quando o escriptor se chama Homero, Virgilio, Dante, Milton, Camões ou Garrett, os seus poemas atravessarão os tempos e o espaço, cada vez mais admirados e queridos. As suas idéas, similhantes aos raios fulgurosos do rei dos astros, brilharão com o mesmo esplendor com que foram ennunciadas milhares de annos antes! Depois de terem commovido e enthusiasmado as gerações extinctas, demonstrarão ás presentes que nem os seculos depravados, nem as epochas de obscurantismo lhes alteraram a primitiva grandeza e a graça nativa! Filhas do genio, só deixarão de existir quando Deus, destruindo o mundo e chamando a si o ultimo homem, volver tudo ao nada, de onde nos tirou a sua omnipotencia."
(excerto da introdução, I, O genio dos grandes poetas)
Francisco Gomes de Amorim (1827-1891). "Escritor português, nascido a 13 de agosto de 1827, em A-Ver-o-Mar, Póvoa de Varzim, numa família de pequenos lavradores do Douro Litoral, e falecido a 4 de novembro de 1891, em Lisboa. Emigra para o Brasil com apenas dez anos, aliciado por engajadores. Aí conhece uma existência aventureira, trabalhando primeiro como caixeiro e depois como roceiro na selva amazónica. Autodidata, depois de ler o poema Camões, de Almeida Garrett, escreve ao escritor, exprimindo-lhe a sua admiração, e este decide apadrinhá-lo e promover o seu regresso a Portugal, que acontece em 1846. Gomes de Amorim passa de operário a conservador de museu e inicia a sua atividade literária, colaborando em vários periódicos, como O Panorama (1837-1868) e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859), e publicando, em 1858, o primeiro volume de poesias, Cantos Matutinos. Poeta, dramaturgo, romancista, é certamente muito marcado pela obra de Garrett, acrescentando à sua influência um tom exótico e original, produto dos anos passados no Brasil. Das suas obras destacam-se Fígados de Tigre, comédia onde parodia o melodramatismo ultrarromântico, e os três volumes das Memórias Biográficas de Almeida Garrett, onde oferece um interessante testemunho sobre a vida e a época contemporânea do fundador do romantismo português."
(Gomes de Amorim. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014)
Encadernações em meia de pele com ferros gravados a ouro nas lombadas.
Exemplares em bom estado de conservação. Defeitos nas pastas (vol. 1) e nas extremidades das lombadas (vol. 2 e 3). Mancha de humidade à cabeça no vol. 1 - afecta as primeiras folhas do livro. Assinatura de posse nas f. rosto dos 3 volumes.
Obra invulgar e muito apreciada.
Indisponível

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